História Songs of Storm - Capítulo 59


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Categorias The Elder Scrolls
Tags Skyrim
Visualizações 39
Palavras 4.491
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense
Avisos: Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Capítulo mais tranquilo e dividido em duas narrações.
Espero que gostem!

Capítulo 59 - Forever the Dragonborn


Fanfic / Fanfiction Songs of Storm - Capítulo 59 - Forever the Dragonborn

A luz do dia entrava pela janela levemente, eu me espreguiçei sobre a cama e respirei fundo. Olhei ao meu redor e tinha a sensação de que havia dormido demais, me levantei e tomei um banho quente e demorado. Cinco anos e alguns meses haviam se passado desde que eu comecei a construir minha casa que havia sido presente de Hadvar.

Cinco anos desde a queda de Alduin.

Minha vida não estava tão conturbada, mas se antes eu era conhecida em Skyrim por ser a Dragonborn, agora então... Dediquei esses anos para ajudar o povo, sempre que havia um grupo de bandidos, algum problema, ou até mesmo um favor pra alguém eu ia fazer. Não deixei de ser presente nas duas guildas em que eu era líder, e nem de ajudar Aurora com coisas da Dark Brotherwood, aliás minha afilhada estava enorme, já tinha seis anos e corria pelo santuário inteiro. E por incrível que parecesse, Cícero havia se tornando um ótimo pai, Aurora já era uma mulher, e me espantava ver como o tempo estava passando rápido. Eu visitava meu filho regularmente no colégio, meu menino já estava quase completando 21 anos, um homem também. Ele não havia parado de ser estudante do caminho da voz e tinha até conhecido Paarthurnax já, meditavam juntos com frequência. Ele já havia adquirido o título de Archmage e meu tio quase infartou de felicidade quando descobriu, mandou fazer um quadro com ele, eu e Kristof, como sempre tinha uma frase escrita em dourado, dessa vez apenas escrita: "Família". Kris até havia adotado o nome Baradan, usando então: Kristof Hœnir Baradan. O relacionamento dele com Bryana era muito instável, eles brigavam e terminavam, ele vinha chorar no meu colo e dois dias depois mandava uma carta dizendo que eles haviam voltado. Isso se repetiu por tantas vezes que eu nem me surpreendia mais. Ouvi um barulho na porta de entrada e segui até a sala de jantar, Argis sentou na cadeira irritado e cheio de sangue, que aparentemente não era dele.

— Por que está cheio de sangue?

— Uma porra de um gigante! Querendo roubar a nossa vaca! Como pode?!

— Argis, eu te avisei que isso poderia acontecer quando você insistiu pra comprar uma vaca!

— É, mas eu nunca imaginei que poderia mesmo acontecer. E outra, como íamos ficar sem uma vaca?! Dizem as lendas que o queijo ajuda a recuperar a saúde.

— Claro, tome um golpe de cortar a pele e pare a batalha pra comer 30 pedaços de queijo.

Me movi para frente dele e molhei um pano com água. Com calma, comecei a limpar, sua sobrancelha estava sangrando.

— Sabe, quando me ofereci para morar com você, é justamente para evitar esse tipo de coisa. Aqui é perigoso de se morar sozinha.

— E é por isso que aceitei.

Quem diria que a amizade que eu tinha com Argis se tornaria tão forte, era um laço maior do que de sangue, era um laço de alma. Eu realmente o considerava meu irmão e meu guardião. Claro que ele adorava a fama, pois conseguia conquistar a mulher que quisesse, mas como sempre nenhuma prendia seu coração. E sobre o meu coração? Bem... Quando eu percebi que meus sentimentos por Vilkas haviam retornado decidi me afastar, o que não adiantou de nada. Anos se passaram e meu coração quase pulava para fora quando eu o via, toda vez... E por sorte ele não machucou uma outra pessoa por causa dos meus sentimentos, ele ainda estava noivo de Katrina, eles adiaram várias vezes, mas esse ano finalmente se casariam. Uma batida na porta cortou meus pensamentos, coloquei o pano úmido na mesa e segui abrir, era o mensageiro.

— Dragonborn.

— Bom dia, muita coisa hoje?

— Como sempre...

Ele me entregou as cartas e eu dei umas moedas para ele, não que eu precisasse, mas achava necessário porque quase todo dia ele percorria esse caminho até minha casa. Fechei a porta e comecei a olhar uma por uma, algumas de Jarls (que eu coloquei de lado para ler depois). Uma em particular chamou minha atenção, e eu a abri.

"Dragonborn,

Achei uma nova fonte de poder em Shriekwind Bastion, bem próxima a Falkreath. Como você pode perceber, sempre lhe mandei lugares reais de poder, qual será a palavra dessa vez? Acho que você deveria ir conferir.

Atenciosamente, de um amigo"

Essas cartas sempre chegavam ultimamente, já era a quinta vez. E toda vez que eu ia conferir tinha realmente uma palavra de poder. Eu só queria saber quem era esse tal amigo... Mas cansei de fazer teorias e não chegar a nenhuma conclusão. Uma outra carta também me chamou a atenção.

"Dragonborn.

Por favor, venha até o templo. Precisamos falar com você urgentemente.

Delphine."

Ah... Eu passei os anos evitando eles. Principalmente depois de conhecer Paarthurnax e ter a lealdade de Odahviing. Pra mim nem todos os dragões eram como Alduin. Claro que depois de sua queda muitos seguiram seus próprios caminhos, e muitos deram problemas. Eu sabia que precisava ir, então segui para meu quarto e vesti meu manto de ébano, por sorte o dia estava agradável. Avisei Argis e segui até o estábulo, onde Shadow me esperava, subi nele e partimos para lá, chegando em torno de três horas depois. Eles haviam desmontado o antigo acampamento dos Fosrworns, então a entrada era mais fácil. Coloquei os pilares no lugar e a ponte desceu, andei mais e mais até chegar lá dentro. Encontrei Esbern e Delphine sentados sobre a mesa de pedra, eles haviam recutrado mais gente para a irmandade e também reformado o lugar, agora deixando bem mais claro e arejado. Quando me viram se levantaram.

— Dragonborn, por favor sente-se.

Me sentei na cadeira e olhei para eles, eu estava na ponta, eles do outro lado.

— O que é?

— Nós sabemos de tudo.

— Tudo o que?

— Sobre Paarthurnax.

— Você fala sobre o meu mestre, e mestre dos greybeards?

— Mestre... Um dragão não é mestre! Passamos anos tentando extinguir eles desse lugar e logo você encoberta a existência de um?! — Delphine dizia nervosa.

— Quem você acha que ensinou os humanos a usar sua voz? Se você não sabe os dragões foram uma criação de Akatosh. Inclusive Alduin.

— E olhe no que deu!

— Paarthurnax não é nenhuma ameaça, ele dedicou sua vida a ser pacífico, se voltando contra o próprio irmão. E seguindo o caminho da voz.

Delphine ia rebater, quando Esbern ergueu a mão.

— Dragonborn... Valkyrja... Ele tem que morrer, você tem que o matar... Do contrário não poderemos mais te ajudar, nunca.

— E quando eu pedi a ajuda de vocês? Vocês me trouxeram aqui e mandaram eu matar Alduin, e eu fiz porque o mundo estava em jogo. Mas eu não vou matar Paarthurnax, nunca.

— Então pode se esquecer da existência dos blades.

Me levantei da mesa e tirei a espada que eles haviam me dado da bainha, foi quando contei a queda de Alduin, a espada era antiga, tão antiga quanto os dragões, uma relíquia e se chamava Dragonbane. Joguei a espada na mesa, bem na cara deles.

— Que assim seja. Não ousem tentar qualquer coisa contra Paarthurnax. Pois se eu descobrir... Vocês terão uma inimiga pro resto da vida. Eu destruo esse lugar e aniquilo um por um de vocês, até não sobrar nenhuma história para contar. Não duvidem, pra quem foi até Sovngarde derrubar o devorador de mundos isso vai ser uma tarefa fácil. Vocês estão avisados.

Eles não falaram nada, eu me virei e sai dali irritada. Imagine, eu matar meu mestre?! Nunca. Posso ter sido ladra, assassina, mas nunca desleal. Subi em Shadowmere e falei para ele correr para casa novamente. Estava tão irritada que não tive pique para ir em qualquer lugar novamente.

Ao chegar, deixei Shadow nos estábulos e entrei em casa cansada, para minha surpresa dei de cara com meu filho e minha nora.

— Olha só que surpresa boa. Vocês dois por aqui.

Abracei cada um com carinho.

— É bom te ver mãe.

— O que fazem aqui?

— Viemos para o casamento do pai de Kris. — Bryana disse.

— Casamento?

— Sim mãe, foi adiado. É daqui a uma semana... Mas viemos antes porque eu precisava descansar a cabeça. E Bry também, sua vó está doente.

— O que ela tem? — Eu disse preocupada.

— Estão achando que é uma doença no sangue.

— Oh querida, eu sinto muito... Você já pediu para o avô de Kris dar uma olhada nela? Ele é muito bom, pode ser que tenha alguma poção que ajude. E bem, sei que eles são intolerantes sobre o namoro de vocês mas meu pai é um Dunmer também. Eles podem aceitar melhor.

— Ele já foi... Ela está se cuidando, mas não há mais nada que possamos fazer. Eu passei um bom tempo lá com eles, claro que voltei para ajudar Kris no colégio...

— Bem, farei minhas orações no santuário aqui em baixo. Vocês estão mais do que bem vindos para ficarem o tempo que quiserem, como sempre.

— Obrigado mãe.

— Vão tomar um banho e descansar, imagino que a viagem foi longa.

— Vai primeiro, Bry.

— Não vou negar o convite... Estou morrendo de frio.

Ela se levantou e agradeceu, eu fiquei na sala de entrada sentada com Kris.

— Então... Seu pai vai realmente se casar não é? Depois de tantos anos.

— Não precisava ser com ela. — Kris disse incomodado.

— Não fale assim, Kristof. É a mulher que seu pai escolheu.

— Escolheu... Mãe, por cinco anos meu pai adiou esse casamento. Ele está encurralado, como uma presa.

— Não é assim. Se ele está com ela até hoje é porque a ama.

— Eu não acredito nisso não. Acho que ele está com ela por conforto, isso é o erro de muita gente. Você já esteve numa relação assim.

— Estive? E com quem que nem eu sei?

— Com Brynjolf. Eu te conheço, mãe. Você não amava ele, não da mesma forma que amou meu pai ou Hadvar.

Fiquei sem palavras. Ele ergueu a sobrancelha.

— O que eu tive com Bryn foi diferente. Não tínhamos compromisso. Por isso não assumimos.

— Pode até falar como quiser. Eu aposto que se você estalar o dedo meu pai vem correndo.

— Kris, eu amo seu pai, mas não é certo...

— Nada disso é certo mãe! — Ele me interrompeu. — Você estar sofrendo por tantos anos e ele enrolando uma pessoa.

— Eu me afastei justamente pra não ter problemas. Seu pai é bem grande, ele já tem 36 anos, sabe muito bem o que faz. Não tenho nada com isso, é a vida dele.

— Você tem razão... Desculpe.

Ele se levantou e eu também, o olhei de cima a baixo e sorri com certo aperto no coração. Kristof agora era um homem, tinha cerca de 1.90 de altura, uma barba não tão longa, cabelos compridos e postura de guerreiro, seus olhos azuis se ressaltavam ainda mais agora que seu cabelo havia escurecido um pouco, antes era um loiro claríssimo, agora um loiro mais escuro, e por Talos... 21 anos. Por trás de tudo isso eu ainda enxergava meu menininho, pequeno e frágil, com medo, assustado e reservado, batia no meu ombro, com seus 10 anos...

— O que foi mãe?

— Nada meu amor. Você está tão grande... — Eu disse segurando as lágrimas. — Você está com a idade que eu tinha quando sai de casa.

— A quase onze anos atrás, né?

— É, deve ser isso... Parece fazer séculos... Por Talos, imagine, eu não sabia segurar numa adaga, morria de medo. Não sei mais o que é ficar o dia todo dentro de uma casa, como naquela época que era a coisa que eu mais queria... Tinha uma pequena estátua de Dibella em casa, gostava de ler três, quatro livros por dia, quem diria que eu nunca mais teria tempo de pegar em um livro novamente?! Quando eu fui pegar a garra dourada, foi a primeira aventura que eu realmente tive na vida. Era tudo tão novo, tão especial... Quase morri lá dentro. — Eu disse rindo. — Jamais imaginei o sangue que carrego... Me sinto nostálgica. E agora olhando pra você assim, o Archmage, guerreiro, estudante do caminho da voz... Só consigo ver o meu menino.

Ele riu, e me abraçou forte.

— Eu nunca vou deixar de ser o seu menino, mãe. Eu te amo.

— Eu também te amo.

— Mãe, posso te fazer uma pergunta?

— Claro meu amor.

— Quando você esteve em Sovngarde... Viu meus pais biológicos?

— Eu conheci a sua mãe. Ela é linda como você.

— Jura?! Caramba... Que legal. Eu não te perguntei antes porque não estava pronto pra ouvir a resposta... Ela... Disse algo sobre mim?

— Sim. Ela está te esperando, disse que você se tornou um homem muito honrado, e que ficará lá aguardando o dia que te verá novamente para poder te dar o último abraço.

— Obrigado, mãe... E meu pai?

— Bem... Seu pai não esperou, ele foi para os campos de caça... Eu acho que pelo tanto que ele serviu a Hircine não teve como ficar em Sovngarde.

— Ah... Entendo. Tudo bem. Eu estou feliz que finalmente tirei isso da cabeça.

— Se anime então. Vocês partirão para Whiterun quando?

— Bem, pensamos em ir amanhã, só pra ver todos mesmo já que ainda faltam dias pro casamento. Vem conosco mãe.

— Vou sim.

Bryana chegou de roupas trocadas, com uma cara melhor.

— Não estou com mais frio, graças a Azura.

— Que bom, vem, vamos comer. Kris, pro banho.

— Não precisa mandar igual antigamente, já estou indo.

Ele subiu as escadas e eu segui com Bryana para a cozinha, começando a preparar uma janta já que o sol já havia se posto. Nós ficamos conversando e eu tentei a confortar da maneira que conseguia sobre sua avó, ela até estava bem, mas eu podia ver que estava abalada. Quando todos já estavam de banho tomado, sentamos para jantar. Argis apareceu e jantou conosco. Tomamos hidromel e conversamos, Kris contava entusiasmado as coisas que aconteciam no colégio e como ele tinha que lidar com aquilo, sempre reforçando a ajuda dos amigos. Eu contei sobre algumas pessoas que ajudei, e algumas coisas que passamos desde que mudamos. Depois de algumas horas fomos todos dormir. Eu pensei tantas vezes sobre se iria para lá com eles, ou se permanecia quieta no meu canto... Decisão difícil.

Acordei pela manhã e tomei um banho rápido, sai de lá e coloquei minha armadura nórdica antiga, prendi os cabelos molhados em uma trança que começava na raiz de meus cabelos e ia até o meio das minhas costas, antigamente eu nunca prendia o cabelo, mas agora que voltei a deixar ele crescer se tornou um pouco incômodo quando estava molhado. Eu gostava desse tipo de trança porque mantinha meus cabelos bem presos por horas e não atrapalhava quando eu colocava minha máscara. Como eu tinha jogado a Dragonbane na mesa dos blades, segui para o local onde eu guardava as armas e armaduras, pegando minhas velhas e afiadas espadas de ébano. Coloquei as mesmas sobre as bainhas e coloquei também a adaga no suporte da bota. Voltei para a cozinha e preparei o café da manhã pra todos. Não demorou para eles sentirem o cheiro e descerem as escadas.

O caminho até Whiterun era longo, como estava bem de manhãzinha chegaríamos em torno de quatro horas de viagem, três se eu fosse em Shadowmere e Kris na forma de lobo, mas quando eu ia perguntar o que ele ia fazer vi Bryana montada nas costas dele, e ele já transformado.

— Eu falei para irmos de carroça... Eu não gosto de andar nas costas dele. Ele não é um cavalo. Mas não quero discutir logo de manhã. — Ela dizia, com uma cara mais fechada. Ele deu uma rosnada e ela olhou para sua cabeça. — Quieto! Eu já aceitei, não reclama.

— Não briguem. — Eu dizia enquanto subia em Shadowmere. — Kris, se quer ir na forma de lobo pelo menos vão pelas florestas. Se eu chegar primeiro te espero nos estábulos, se vocês chegarem primeiro me esperem lá.

Puxei a rédea de Shadow e partimos, correndo rapidamente. Passei a mão por sua crina e respirei fundo o vento que batia em meu rosto.

— Whiterun garoto... Mas sinto que você já sabe disso.

Ele relinchou e correu mais rápido. A viagem foi tranquila, segui caminho diferente de Kris, seguindo pela estrada. Dentro de algumas horas cheguei até os estábulos, onde vi os dois me esperando lá. Ao chegarmos no portão, os guardas nos cumprimentaram, respondemos e entramos em Whiterun. Tudo estava como sempre... Fomos direto para Jorrvaskr, até a parte de treinos. A maioria dos companions estavam por lá. Kristof andou na nossa frente.

— Que vida boa! Todos aí sentados, sem se preocupar com nada!

Eles viraram. Vilkas foi o primeiro a se levantar, indo até ele e o abraçando.

— Meu filho! Quantos meses fazem que não te vejo?! Uns dois?

— Nem um mês pai.

— Pois parece muito mais.

Nós aproximamos deles. Vilkas cumprimentou Bryana com um aperto de mão, e me olhou, meio sem saber o que fazer. Eu estava evitando de ver ele a tempos, fazia quase um ano que não ficavamos cara a cara, isso sem conversar.

— Vilkas. — Eu disse com um sorriso de canto de lábios.

— Valkyrja, bom te ver... — Ele disse, sorrindo.

— Igualmente.

— Faz tempo né? O que tem feito? Acredito que ande muito ocupada...

— É... Faz tempo. Na verdade eu tenho andado muito ocupada mesmo. Ultimamente tenho dedicado meu tempo para ajudar as pessoas. Claro que eu sempre vinha pra cá, mas acredito que nos desencontramos...

— Realmente. Às vezes eu só te via saindo. Mas é muito bom te ver, senti sua falta por aqui.

Quando percebi estávamos sozinhos, eu nem reparei que Kris e Bryana saíram de perto de nós.

— Eu também as vezes só te via de longe. A última vez que conversamos direito foi...

— Quando você partiu. A cinco anos.

— Caramba, nós temos isso de ficarmos sem se falar muito né? — Eu disse, rindo.

— Pelo menos você respondia minhas cartas de vez em quando. Assim tive certeza que estava bem. E claro, Kris me contava as vezes.

— Aí... Dá pra acreditar? 21 anos...

— É, nosso menino cresceu. Não poderia ser um pai mais orgulhoso.

— E nem eu como mãe.

— Eu já disse que é bom te ver?

— Já. — Eu respondi sorrindo.

Katrina se aproximou de nós, parando ao lado de Vilkas, sem o tocar e nem nada demais. Ela estava ainda mais bonita que antigamente, acredito que foi o tempo.

— Harbinger, como sempre uma honra.

— Igualmente, Katrina. Enfim, como eu ia dizer para Vilkas, vim aqui antes desejar minhas felicidades para vocês. Infelizmente não poderei comparecer ao casamento.

— Não? Por que? — Ela perguntou.

— Infelizmente tenho algumas questões para resolver em Solitude que não posso recusar como embaixadora de Skyrim. — Sim, era mentira. — E acredito que não conseguirei chegar a tempo. Mas ficarei feliz em lhes enviar algum presente. E eu realmente desejo toda a felicidade para vocês dois e que tudo dê certo.

A expressão de Vilkas parecia de mágoa. Katrina percebeu ao olhar pra ele mas disfarçou.

— Muito obrigada, Harbinger. Eu espero que dê tudo certo em sua missão.

Sorri e sai de perto de deles, indo até minha irmã, a qual dei um abraço apertado, da maneira que consegui, pois a barriguinha de sete meses atrapalhava um pouquinho. Sim, depois de tanto tempo eles estavam esperando um bebê, Lydia ficou sem reação quando descobriu e Farkas desmaiou. Agora ele estava mais tranquilo.

— E então, como está a pequena pessoinha?

— Chutando. Sem parada, não me deixa dormir.

— Faz parte. — Eu disse com a mão na barriga dela.

— E você sumida, como está?

— Eu estou bem. Correndo pra lá e pra cá com Shadow. Argis está cuidando bem de mim e da casa.

— Argh, sinto até inveja. Era pra eu estar cuidado de você. Fui sua primeira guardiã, você lembra né?

— Agora você vai ter outra pessoa pra cuidar e para ser guardiã.

— Então... Você vai vir pro casamento?

— Não.

— Imaginei.

Ela disse, indo se sentar. Eu peguei em sua mão e a ajudei. Logo me sentei ao seu lado.

— Imaginou o que? Tenho uma missão.

— Imaginei que ia arrumar alguma desculpa. Mas acho que faz bem você evitar essas coisas.

— Não há nada pra evitar. É indiferente pra mim.

— Claro, e eu estou grávida de um Skeveer.

— Nossa, você é um caso que precisa ser estudado. Seu filho será o Skeveerborn.

Ela riu e nós conversamos mais, fiquei um tempo com todos e então me lembrei que precisava ir até Riften, no templo de Mara. O sacerdote tinha me pedido alguns favores. Me despedi brevemente de todos e disse que voltava, partindo novamente para uma nova tarefa.

POV / PONTO DE VISTA / NARRAÇÃO FEITA POR VILKAS

Não consigo descrever o quanto os dias passaram rápido, se tornando anos. Cinco anos passaram, e durante todo esse tempo casar não estava sendo minha prioridade, portanto fomos adiando, adiando, adiando... Até que não tive escolha ao marcar de vez, pois via Katrina cada dia mais triste. Eu não queria a machucar, e desde que Valkyrja foi embora tomei a decisão de tentar ser feliz novamente com alguém que me fazia bem, porém nunca disse que a amava. Porque realmente não sentia amor por ela. Mas decidi dar realmente uma chance para nós. O afastamento da mulher que eu amava me machucou, mas foi bom para colocar minha cabeça no lugar. Claro que eu mandava algumas cartas para ela as vezes apenas para saber se ela estava bem, eu sabia que ela estava com Argis, seu braço direito, o que me deixava tranquilo.

Após ver ela direito depois de tantos anos meu coração bateu mais forte, ela estava ainda mais linda que antes, com os cabelos presos, e longos... De qualquer forma, linda. Katrina estava ainda mais estranha quando terminamos a conversa com Valkyrja. Dei espaço a ela e não fui atrás, fiquei um bom tempo com meu filho, ele me contava muitas coisas sobre o colégio e as magias avançadas que estava aprendendo. Era muito bom o ver feliz daquele jeito.

Depois de uma hora, segui para dentro e fui até meu quarto, onde encontrei Katrina sentada na minha cama, com uma bolsa, chorando.

— O que foi? O que aconteceu?

— Você acha que eu sou boba, não acha?

— Não. Nunca pensaria isso de você.

Ela se levantou.

— Só uma criança não percebe o jeito que você olha pra ela. Ela é seu grande amor.

— Pare com isso... Eu estou tão cansado desse assunto, Katrina. Se eu estou com você é porque quero isso. Entendeu?

— Vilkas se você quisesse realmente nós já estaríamos casados. Anos inventando desculpas... Eu percebi tudo isso, não sou boba. E outra... Você nunca me disse um "eu te amo"

— É complicado...

— Sabe, nós costumávamos ser amigos antes de ser namorados. Mas não conversamos mais, não rimos... E mal nos falamos. Se eu não sou tudo que você precisa, simplesmente me liberte, se você não é a pessoa pra mim não sinta medo de me deixar. Eu queria ler sua mente, mas me contento em ler só os seus olhares, e eles me dizem que... Você não me ama. E sabe, se tem uma coisa que eu aprendi é que dói menos deixar ir do que segurar. Você não é pra ser meu, Vilkas. Foi muito bom o tempo que passamos juntos, mas está na hora de dar um ponto final.

— Katrina...

Ela se aproximou de mim e passou as mãos no meu rosto.

— O meu erro foi crer que estar ao seu lado bastaria. Nós dois estamos errados, eu não posso continuar com você sabendo que ama outra pessoa. E eu realmente estou te deixando livre, livre pra seguir o caminho que seu coração deseja. Eu não vou ser egoísta, consigo ver que seu lugar não é do meu lado.

Eu abaixei a cabeça, ela tinha razão em cada palavra. A encarei, olhando em seus olhos.

— Eu queria que você tivesse me machucado mais do que eu machuquei você. Você fez planos e eu... Só trouxe problemas... Me desculpe. Eu espero que alguém te ame da maneira que eu não consegui, alguém que cuide de toda a bagunça que eu causei, alguém que você não precise mudar...

— Está tudo bem... Eu vou ficar bem.

— Você vai embora?

— Eu acho que não tem mais clima de eu ficar por aqui agora.

— Mas você não precisa ir... Sério.

— Não vou permanentemente. Eu só preciso por minha cabeça no lugar.

Eu a abracei com carinho, um abraço forte. Ela retribuiu e em seguida pegou a bolsa, conforme ia saindo olhou para trás

— Vilkas...

— Sim?

— Dessa vez não deixe ela escapar. — Ela disse num tom sincero e com um sorriso curto.

— Não deixarei.

Ela afirmou com a cabeça e saiu, fechando a porta. Respirei fundo e sentei na cama, me senti a pior pessoa do universo, o pior tipo de covarde. Tudo bem, eu tentei dar uma chance para nós dois para fazer ela feliz, eu não a amava mas ela era muito especial pra mim, ela apareceu no momento em que mais precisei de alguém e me ajudou a me recuperar da maneira que foi possível, e eu serei eternamente grato a isso. Depois de um tempo sai lá fora de novo e vi todos sentados conversando, coloquei a mão sobre o ombro de meu filho.

— Pai, vimos Katrina saindo daqui com uma bolsa. Aconteceu algo?

— Bem, chegamos a um consenso e vimos que não era a decisão certa a se tomar. Não terá mais casamento.

— Poxa pai... Sinto muito. Vocês ainda estão juntos?

— Não. Mas está tudo bem, nós dois quisemos isso. Vimos que não estávamos mais... Na mesma sintonia. A melhor coisa a se fazer foi deixar ela ir para ser feliz com alguém que a ame de verdade.

Kris tentou conter um sorriso.

— Que pena.

— Não finja, é feio. Sei que você nunca gostou dela.

— Graças aos nove, ninguém nunca gostou tanto dela assim.

— Sério? Todos vocês?!

Eles afirmaram com a cabeça, até Aela. Eu fiquei surpreso.

— Ela é uma pessoa legal, mas vocês não tem nada em comum e muito menos química. — Lydia falou.

— Você é gentil demais, querida. Eu achava ela uma chata. — Meu irmão falou.

— Onde está...

— Minha mãe? Partiu. Tinha uma missão em Riften para fazer.

— Ah... Entendo.

— Vamos comemorar! — Kris disse. Sua namorada o olhou com reprovação e empurrou a perna dele, já que estava sentada do seu lado. — O que?! Todos queremos.

— Seu pai acabou de terminar um noivado, parece até Onmund falando.

— Eu só estou sendo realista.

— Sem comemoração por enquanto meu filho.

— Tudo bem então, né...


Notas Finais


Essa cena dos blades eu sempre quis fazer. Sempre imaginei ela desse jeito mais ou menos.
Sim gente, cinco anos se passaram... Esse capítulo foi mais leve, afinal apesar de todas as batalhas a Valk será pra sempre a Dragonborn.
Obrigada a todos que estão acompanhando. Logo teremos mais ações. :)


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