História Sonho piscótico - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
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Palavras 1.060
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Fantasia, Mistério, Suspense, Terror e Horror

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Obs shot


Abro meus olhos e deparo-me com uma mulher de longos cabelos negros escorridos. Percebi que no canto esquerdo de sua face havia uma grossa cicatriz, que cortava desde o canto de seus lábios até parte superior de sua sobrancelha, evidenciando a falta de um de seus negros olhos. Mas, o que me fez suar frio, foi à faca ensanguentada apontada em minha direção.

—Agora você está marcado. —sua voz medonha trazia calafrios ao meu corpo.

Vejo-me encurralado entre ela e a parede, e em questão de segundos, pude sentir a gélida faca atravessar meu abdômen, fazendo-me soltar um alto gemido de dor e cair no chão, desorientado.

Acordo repentinamente com minha respiração descompassada e um pouco atordoado pelo pesadelo. Decido tomar um banho para me livrar do suor. Enquanto me ensaboava, pude perceber uma cicatriz em meu abdômen, a qual nunca tinha visto antes.

Passei o resto do dia sendo atormentado pelas lembranças do meu sonho, sentindo a presença perturbadora daquela mulher que me observava a cada passo. Os poucos minutos que me permitiam esquecer tudo, era quando subia ao palco. Tentava me concentrar no show e nos fãs, que gritavam loucamente meu nome, "Liam, Liam, Liam", porém, só me sentia em paz quando recebia um caloroso abraço de minha namorada.

No meio de um show, meus olhos se prenderam numa figura horripilante, idêntica a mulher de meu pesadelo. Ela me olhava, dando-me um sorriso malicioso, entendendo que eu a reconhecera. Finalizo o show assombrado e sem desviar a atenção dela.

Entro no banheiro, deparando-me com meu reflexo pálido. Jogo água em meu rosto, tentando me recompor. "Não é real, foi apenas uma alucinação...". Olhei de relance para o espelho, avistando o rosto da mulher e fazendo-me virar por instinto para encontrar a mesma se dissipando.

Apavorado e com medo, corro até a saída de emergência e ignoro os funcionários me chamando para fazer o fansign. Andava pelas ruas atormentado pela voz da mulher, que insistia em chamar meu nome, vendo seu rosto refletido nas janelas e vitrines, o que me fazia andar cada vez mais rápido.

Entrando em minha casa, escuto o alto barulho da porta se chocando contra o batente. Jogo um vaso contra a parede e vejo-o se partir em centenas de cacos de vidros. De repente, encontro a porta aberta e com a mulher de meus sonhos me observando. O medo que tinha desde que acordei se transformou em raiva, me fazendo ir para cima dela, sufocando-a com minhas próprias mãos, contra a parede.

—O que você quer de mim?— gritei. Não aguentava mais aquela situação.

—Solte, Liam!— gritou meu irmão, fazendo-me desviar minha atenção para ele. Quando volto a olhar para frente, vejo Kim, minha namorada, sendo sufocada por mim. Solto ela imediatamente pedindo desculpas e me afastando, deixando as lágrimas desesperadas caírem.

Quando me acalmei, contei a eles tudo o que acontecera nesses poucos dias, fazendo-me chegar naquela situação. No dia seguinte, eles decidiram que me levariam ao psiquiatra. Tive que falar sobre tudo novamente e responder todas as perguntas que o médico me fazia. Quando terminei a sessão, ele chamou meu irmão até a sala e começou com o diagnóstico: esquizofrenia em estado avançado. Disse para eles que não era louco, mas ninguém acreditava em mim. Teria que começar o tratamento a base de remédios. Que apenas pioraram a minha situação. Os pesadelos também pioraram. Comecei a vê-la mais frequentemente e a escutá-la dizer, "Tentando fugir de mim?!", e desaparecendo logo em seguida. Consegui ter mais dois surtos naquela semana. Um em cima do palco e o outro na rua, mas nada que se comparasse com o da primeira vez.

Os dias iam se passando, e acordava quase todas as madrugadas no mesmo horário. Minha cicatriz, de um pequeno traço, agora se parecia mais com "X". Nesse dia, meu vizinho decidiu vir discutir comigo, bêbado. Encontrávamos na sacada, onde me apoiava na grade tentando me acalmar. Sinto sua mão tocar meu ombro e quando me viro por reflexo, acabo vendo ela, e sem pensar direito consigo empurrá-la da sacada, caindo treze andares abaixo.

Quando vejo o que tinha feito, desespero-me e desço correndo para o térreo e observo o corpo morto de meu vizinho. Passo minha mão pelo pescoço desesperadamente.

—Isso é tudo culpa sua!—grito, apontando para o fantasma, fazendo-a lançar um sorriso malicioso.

Depois daquele surto, acordei em quarto completamente branco, composto de uma cama e uma cômoda branca, a janela tinha grades de ferro e a porta era do mesmo material. Encontrava-me preso por amarras de couro e percebo que estava em um hospício.

Diferente de todos que havia ali, não estava louco. Ela realmente me perseguia e não era apenas minha imaginação, mas como provar algo que só eu podia ver?!. Afinal, era considerado maluco para os médicos, não importando o que dizia para eles, apenas me confinavam a dosagens cada vez maiores de remédios e diziam que eram apenas alucinações causadas por minha doença.

O ponto positivo daquilo tudo era que não estava mais preso naquele quarto, podia ao menos frequentar as outras áreas do hospício, mas continuava a ser perseguido por ela e a ouvi-la falar sussurrando a cada noite "Você foi marcado". Não conseguia dormir após escutar a voz repugnante dela. Ficava pensando quem era ela e o motivo de me atormentar tanto.

Em uma noite, escutei a mesma frase: "Você foi marcado". Desta vez não era apenas um sussurro, e sim em um tom aterrorizante. Assim como nos sonhos, era totalmente visível o seu rosto pálido e seu vestido branco, que a cobria totalmente. Segurava sua faca ensanguentada, que até hoje nunca havia visto pessoalmente. Seu sorriso, até então calmo, se transformara em uma gargalhada mortífera. Em um piscar de olhos me encontrava encurralado na parede por ela. Ali, tive certeza que não estava louco, sabia o que viria e era tarde demais para impedir o que aconteceria.

Em um golpe mortal, senti a faca perfurar meu abdômen no local onde se encontrara o "X". Caia no chão, vendo a poça de sangue  se formar, gemendo de dor. Meu pior pesadelo se tornara real e ninguém saberia o que realmente acontecera naquele quarto.

Olhei para porta vendo o enfermeiro fazendo sua ronda noturna, observando cada quarto até me encontrar caído. Numa expressão abismada, gritou: "suicídio, quarto 4". Não pude fazer nada, a morte já encontrara meu corpo, minha última visão foi a do fantasma com um sorriso vitorioso desaparecendo dentre a noite.


Notas Finais


Espero que tenham gostado
beijos 😘😘😘


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