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História Sonhos de Julho - Capítulo 11


Escrita por: Renan_Shoujista

Capítulo 11 - 16 de Julho


Sonhei que estava de pé, diante de um supermercado. Eu olhava para a entrada me perguntando se eu devia mesmo entrar lá. Olhei para minha mão esquerda e vi que tinha um papelzinho escrito “– Leite” com a letra da minha mãe. Respirei um pouco e acabei entrando com um sorrisinho porque quando vejo as portas automáticas se afastando eu sempre lembro do meu irmão mais velho dizendo “Se Deus não existe, quem afasta essas portas quando eu me aproximo?”. Lembrar disso me deixou mais tranquila pra entrar.

Tinha algumas pessoas dentro do estabelecimento, então fingi estar lendo muita coisa no papel apesar de ser só uma palavra, e intercalei com olhar pro chão ou pras paredes. Queria a todo custo parecer que estava ocupada pra ninguém reparar muito em mim. A coisa piora com o fato de que eu fico perdida facilmente, mesmo dentro de um lugar. Será que eu conseguiria achar onde estava o leite?

Passava pelas sessões e não conseguia encontrar, às vezes parava e tentava analisar o que havia ao redor das prateleiras à minha frente sem estar entre elas, mas quando alguém com um carrinho olhava pra mim eu automaticamente fingia estar lendo o papel e ia pra próxima. Eu comecei a ficar mais incomodada e uma hora ou outra eu ia achar que todos dentro do supermercado sabiam que eu não tinha ideia do que estava fazendo ou de onde devia ir. Eu teria que pedir ajuda.

Parei num canto meio isolada e treinei mentalmente algumas vezes como eu faria pra pedir informação, até que resolvi finalmente agir. Só que as pessoas mais próximas de mim eram um casal adolescente e eu definitivamente não queria falar com eles dois. Fora que se eu focasse em falar com um deles, a outra pessoa talvez ficasse quieta me analisando e depois comentaria algo com quem me ajudou. Procurei mais um pouco, tendo uma séria impressão de que algumas sessões e prateleiras estavam diferentes de quando tinha passado por elas antes, assim como o lugar todo parecia maior do que quando eu entrei. Era quase como um labirinto.

Finalmente vi um homem de meia-idade sozinho. Só que eu tinha fantasiado que minha conversa seria com uma mulher simpática como as atendentes costumam ser, e ele além de homem parecia alguém de humor neutro. Meio a contragosto eu andei na direção dele, mentalizando umas duas vezes mais o que eu teria que dizer. Parei ao lado dele.

- Moço, você sabe onde fica a sessão de leite?

Ele me ignorou, enquanto checava o prazo de validade de alguma coisa.

- Moço, você sabe onde tem caixa de leite?

Ele me ignorou de novo, eu já estava deturpando a estrutura da frase.

- Moço, o leite, você sabe onde fica?

Fui ignorada pela terceira vez, enquanto ele punha algo em seu carrinho e estava começando a se afastar. Dei dois passos pra frente, tentando mudar a forma de me referir a ele.

- Tio, sabe me dizer onde tem leite?

Ele virou pra mim. Parece que eu só precisava chamar ele de tio mesmo. Não sei porque achei que era uma boa ideia chamar um homem de meia-idade de moço.

- Fica logo ali.

Ele literalmente apontou pra trás de mim, e ao me virar, eu percebi que tinha diversas caixas de leite no fundo do lugar. Eu me distraí pensando no que fazer e não notei.

-Ah, obrigada. – falei, meio envergonhada.

- De nada. – respondeu ele, me olhando de cima a baixo.

Saí andando meio rápido, mas me desviei pro lado pra ele não poder me ver mais. Não entendi se aquele jeito de olhar ela porque achou que eu estava louca, ou cobiçando meu corpo de adolescente. De qualquer forma, dava pra pegar a caixa de leite sem ser vista por quem estivesse entre aquelas duas prateleiras que eu estava antes, então só voltei a andar pra frente e peguei.

Missão cumprida! Nada poderia mais dar errado.

Mas é claro que deu.

- Yumi? Yumi! – chamou uma voz feminina alguns metros atrás de mim.

Eu tinha reconhecido a voz e me virei, franzindo um pouco a testa por ter reconhecido a voz. Um demônio disfarçado como uma humana loira e com aparência frufru veio sorrindo na minha direção.

- Quanto tempo, cunhada! – disse ela, com voz de quem quer parecer simpática. – Como você tá?

Andei dois passos pra trás, ela percebeu que eu não estava com o mesmo ânimo dela e parou, mas continuou sorridente.

- Novidades? Como tá a sua mãe? – perguntou ela, juntando as mãos na altura da cintura e entrelaçando os dedos.

Eu levantei uma sobrancelha, como alguém que não entende o que está acontecendo, embora eu reconhecesse bem a criatura diante de mim.

- Tá... tudo bem? – perguntou ela, confusa, tentando parecer ingênua.

Minha boca estava meio trêmula, mas eu tinha que dizer algo e felizmente minha voz saiu normal.

- Você tem a coragem de me chamar de cunhada ainda? É só pra me zombar, ou esqueceu meu nome?

- Mas eu falei “Yumi” quando te chamei.

- Você não é mais namorada do meu irmão, você já tem outro namorado. Já o meu irmão nunca mais vai poder namorar ninguém! – eu estava quase começando a gritar.

- Ahm... Yumi... você ainda me culpa por...

- Devolve o meu irmão! – disse em tom rancoroso, jogando a caixa de leite aberta nela. Molhou a roupa.

- Mas eu não fiz nada! Foi ele que...

- E você ainda tem a coragem de namorar outro depois dele?!

Acabei avançando nela e dei um tapa. Era meio difícil porque ela era bem mais alta que eu.

- Mas eu nunca te destratei, Yumi! – disse o demônio disfarçado de humana, com voz chorosa.

- Eu fui uma vítima indireta sua, sabia?!

De repente vieram dois policiais de longe.

-O que está acontecendo aqui?! – perguntou um deles, que vinha correndo.

- Seu guarda, prende ela! Ela fez meu irmão morrer! – gritei, olhando com olhos esbugalhados para os policiais, tentando hipnotiza-los.

- Vamos levar vocês duas! – disse o outro, que veio me segurar.

Que maldição! Não é sempre que consigo hipnotizar alguém nos meus sonhos. Comecei a me debater, enquanto ela não apresentou resistência. O outro policial viu que eu estava descontrolada e ela tranquila, e resolveu esquecer a outra e só vir me segurar.

- Você não sabe nada do que aconteceu, Yumi. Mas um dia vai entender. – disse ela, se afastando, com um sorriso que pra mim era maléfico

- VOCÊ VAI PRA CADEIA UM DIA, SUA VADIA! – falei, berrando, enquanto os policiais tentavam me conter.

Acordei suando, que porcaria. 



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