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História Sonhos de Julho - Capítulo 8


Escrita por: Renan_Shoujista

Capítulo 8 - 9 de Julho


Acho que é comum algumas pessoas terem sonhos que se repetem várias vezes, talvez com pequenas variações. Hoje eu tive um sonho que eu tenho tido todo mês pelo menos duas vezes.

Cercada por uma noite escura, me vejo atravessando uma ponte, com um pouco de medo dela romper, mas nunca rompe. Evito olhar para os lados ou para baixo. Ao final dela, tem aquelas lanternas com fogo dentro, uma de cada lado. Mais à frente percebo que tem uma luminosidade parecida e sigo andando. Só preciso andar reto, passando por um caminho meio aberto, mas com muitas árvores à direita e à esquerda. Era como um intermédio entre duas pequenas florestas. Eu estava sentindo uma certa melancolia dentro e fora de mim.

Logo cheguei em um cais, iluminado por algumas dessas lanternas com uma vela dentro. É estranha a sensação de fazer tudo de forma robótica nesse sonho. Não questiono nada, apenas faço. Quando estava chegando na beira do cais eu pus a mão no bolso e dele tirei uma moeda um pouco grande de um real.

Olhei pra baixo, encarando o oceano. Era possível ouvir um barulho estranho que não sei descrever. Era como uma mistura do barulho do mar com a de comida esquentada além do ponto. Joguei a moeda quase como se fosse um grande poço de desejos, e após a moeda cair na água, subiu uma pequena fumacinha. Uma forma de me dar a entender que de alguma forma aquele mar dissolvia as coisas, quase como se fosse feito de ácido. Abri os braços e simplesmente me deixei cair, em forma de cruz. A forma como eu caía no mar era uma das duas coisas que variava nesse sonho, hoje eu simplesmente escolhi cair assim.

Debaixo d’água, eu sentia um misto estranho de frio e calor, como se quisessem brigar para saber o que eu realmente devia sentir, o frio predominou minimamente. Eu conseguia respirar vagamente, como se o mar fosse composto de algo que mistura água e oxigênio. Eu não deveria só ter sido dissolvida? Bem, nada faz sentido nesses sonhos. Após dar uma espécie de cambalhota submersa naquele mar escuro, voltei a fazer a pose de cruz, só que virada pra cima, e de repente eu comecei a subir, voltando para a superfície do mar.

De repente parecia que tudo ao redor tinha sumido, só existia o mar e o céu. Nunca houve cais, terra firme, nem nada. Só o que eu podia fazer então era olhar pra cima, contemplar umas poucas estrelas espalhadas. Não lembro se vi a Lua também, provavelmente sim. Não sei se a presença ou não da Lua é uma terceira coisa que varia nesse sonho, não é como se eu estivesse com o estado de espírito que me permitisse pensar naquela hora. Eu sentia um misto de calmaria melancólica com um certo medo. O medo do que podia ou não vir depois. Continuei olhando pra cima, contemplando a escuridão celestial, sem saber se de alguma forma eu era considerada uma criatura viva ou morta naquele momento, embora estivesse consciente.

Às vezes o sonho acabava aí, eu acordava tranquilamente (embora meio triste, sem entender o motivo) ou ia pra outro sonho. Pra minha infelicidade, hoje não foi assim.

Com os braços ainda abertos, eu comecei a distanciar minhas pernas também. Com os lábios começando a tremer de ansiedade, sentia a água contornando meu corpo e continuava olhando pra cima, quando de repente... surgia um ponto escuro lá em cima e começava a crescer, era algo se aproximando. Que maldição! Aquela coisa que eu tenho 100% de certeza que é um corpo, simplesmente cai do céu e me atinge. Um corpo que no fundo eu sei de quem é. Alguém que compartilha do meu sangue, mas não sou eu.

Após o impacto eu acordei com o coração acelerado e desesperada. Levei um tempo pra me acalmar e não consegui dormir de novo. 



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