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História Sonhos de uma noite de verão - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Capítulo 4


Seus olhos não saíam da minha boca. Ele parecia estar em total autocontrole e seu olhar transbordava desejo. Me aproveitando da situação, fui me aproximando vagarosamente do seu pescoço e comecei a distribuir beijos por ali, o provocando. Eu sabia que ele estava gostando, pois sentia sua respiração levemente acelerada. Minhas mãos, que já estavam em seus ombros, partiram para a sua nuca e eu comecei a arranhá-la de leve. No mesmo instante, nossos lábios já haviam se encontrado e tínhamos começado um beijo calmo e lento.

 

De repente, Vlad foi direcionando os nossos corpos para debaixo da arquibancada e descendo os beijos para o meu pescoço, dando leves chupões. Ele apertava a minha cintura e me puxava para perto dele. Não que eu nunca tivesse pensado nele desta forma, mas eu nunca imaginei que algo realmente fosse acontecer entre nós dois. Eu ainda não sabia o que estava acontecendo, mas eu estava gostando.

 

- Você realmente quer fazer isso, aqui, embaixo da arquibancada? – Vlad perguntava ofegante durante o beijo que eu tentava ao máximo não quebrar.

 

Mas bastou eu me dar conta do que estávamos prestes a fazer, para voltar à sanidade. Nós poderíamos ser pegos a qualquer momento, afinal estávamos em um acampamento da Wolfmaya, cercados por alunos e pelos demais professores. Mesmo eu precisando urgentemente senti-lo de novo, seria muito arriscado.

 

- Me desculpe. – Eu disse, me recompondo.

 

- Por me fazer o homem mais feliz desse mundo? – Vlad respondeu um pouco desanimado. Mas no fundo, ele sabia que eu estava certa. – Se dependesse de mim, nós caminharíamos de mãos dadas até encontrarmos o restante do pessoal.

 

Essa última frase mexeu um pouco comigo. O silêncio que nos acompanhou até o outro lado do lago me fez perceber que aquilo estava errado. Por mais que eu estivesse gostando de verdade do Vladmir, eu sabia que ainda haviam muitas coisas para serem resolvidas. Eu o amava por ele ser tão errado e mesmo assim ser o certo pra mim. É complicado, eu sei.

 

(...)

 

- Oi, amiga! – Taís se aproximou de Adri assim que ela e Vlad chegaram junto ao restante do pessoal, que estava espalhado pelo gramado embaixo das árvores. – Eu nem consegui falar com você depois da nossa apresentação.

 

- É verdade! Eu estava tão nervosa...

 

- Adri, eu vou ali falar com o Lázaro. O nosso grupo ainda tem um ensaio marcado para hoje à tarde. Você sabe o que tem que fazer. – Vlad piscou para ela antes de sair em direção ao grupo do teatro.

 

- É claro!

 

- O que você tem que fazer? – Taís não se esforçou para esconder a curiosidade.

 

- Um convite.

 

- Pra mim?

 

- Unhum. Vem... Vamos sentar e eu te explico tudo. – Adri apontou para uma árvore que estava a poucos metros delas. - O Vlad me disse que estava andando pelo acampamento ontem e descobriu uma cachoeira não muito longe daqui. Ele me convidou pra ir lá hoje, depois dos ensaios, mas eu fiquei um pouco apreensiva, sabe? Pensei que talvez você quisesse nos acompanhar...

 

- E segurar vela? Eu? Nem pensar... – Taís respondeu decidida.

 

- Um passarinho me contou que o Lázaro também vai... – Adri disse isso olhando para o outro lado, como quem não quer nada.

 

As duas riram e Taís acabou aceitando o convite. Minutos depois, elas conversavam a respeito de Vlad.

 

Por mais que nós fôssemos amigas há muito tempo, eu não consegui confessar à ela o que mais me incomodava. Mas com certeza dividir este fardo com alguém me rendeu uma sensação muito melhor do que eu esperava.

 

- Sabe, amiga? – Ela me disse, enquanto nós nos levantávamos para seguir o pessoal. Havia um churrasco nos esperando no refeitório e a tarde seria livre somente para nós duas e para o grupo do coral. – Algumas coisas são pesadas demais para serem suportadas sozinhas. Você precisa se livrar dessa culpa e seguir o seu coração. Se tem alguém aqui que precisa se preocupar, esse alguém é ele. Você é uma mulher linda, livre, desimpedida e determinada. E tem mais: vocês dois são adultos. O peso da culpa destrói a gente. – Ela abraçou Adri. – Obrigada por dividir isso comigo, viu?

 

- Eu é que preciso te agradecer por toda essa força, Taís. Eu já teria enlouquecido aqui se não fosse você. – Adri sorria aliviada. – Agora vamos logo, porque esse churrasco está com um cheiro maravilhoso e nós vamos precisar de energia pra mais tarde... – Taís arregalou os olhos para a amiga. – Pra nadar, sua pervertida.

 

- É isso que acontece quando as pessoas abrem seus corações.

 

- Elas melhoram. – Adri completou.

 

Após o churrasco, Adri resolveu se deitar em sua barraca e aproveitar a tarde livre para descansar. De início, ela continuou a leitura do livro que estava lendo, mas, devagar, seus olhos foram se fechando e ela acabou adormecendo.

 

Eu corria por um campo repleto de flores de todas as cores. Haviam rosas, cravos, margaridas, violetas e também jasmins. O dia estava claro e haviam algumas nuvens no céu. Não haviam pássaros, nem insetos. Mas, de repente, eu percebi que não estava sozinha. Outra pessoa corria na minha direção, mas eu não conseguia distinguir mais do que a sua silhueta, pois o sol ofuscava o horizonte à minha frente.

 

- Eu preciso te contar uma coisa. – Ele falou ofegante, quando me alcançou. – Eu estou perdidamente apaixonado. – Continuou, enquanto tocava a minha face e tentava normalizar a própria respiração.

 

- É por alguém que eu conheça? - Perguntei séria. Eu sentia um medo incomum, algo que eu não podia controlar ou explicar.

 

- Na verdade, é sim. – Ele me respondeu como se contasse uma piada.

 

Me limitei a fitá-lo, ainda sem conseguir entender o que ele estava querendo me dizer. Será que ele estava arrependido? Será que eu havia sido apenas uma diversão? Uma brincadeira? Eu não conseguia entender. Balancei a cabeça de um lado para o outro, aflita, reprimindo meus pensamentos.

 

- Você pode me falar? – Pedi, olhando no fundo dos olhos dele, em uma tentativa de interpretar aqueles olhos que tanto me encantavam.

 

- Eu estou apaixonado por... - Ele hesitou.

 

- Por? – Indaguei.

 

- Você.

 

Por mim? Por mim? Por mim!

 

- Eu também gosto de você... – Respondi com insegurança. - Muito mais do que você pensa.

 

Quando eu disse isso, ele me pegou no colo e me girou no ar, enquanto distribuía vários beijos pelo meu rosto, testa... E quando ele foi chegando perto da minha boca e nossos lábios estavam quase se tocando, eu inspirei aquele cheiro delicioso, fazendo o possível para memorizá-lo para sempre. Mas foi somente quando nós encostamos as nossas testas e a nossa respiração se manteve no mesmo ritmo, que eu senti que ele iria finalmente me beijar, e... Eu acordei assustada, com o meu telefone tocando. Era a Naná.

 

Eu não acredito que ela tinha me acordado justamente na melhor parte do sonho. E, agora, pensando bem, aquilo tudo tinha sido tão real... Os sentimentos, as minhas emoções, as sensações que eu experimentei através do simples toque dele na minha pele. Não parecia um sonho comum, daqueles que você acorda e esquece. Era um sonho diferente, com um significado que eu sabia que descobriria em breve.

 

- Naná, eu estava dormindo... – Adri atendeu o celular de mau humor.

 

- Adri, você precisa me escutar...

 

- Aconteceu alguma coisa? – Ela se sentou na barraca a fim de conseguir ouvi-la melhor.

 

- Não... Quer dizer, sim.

 

- Ihhh, eu te conheço... Desembucha logo, vai... – Houve uma longa pausa, antes de Adri insistir: - Amiga??

 

- Eu não sei por onde começar...

 

- Que tal pelo começo? – Adri riu, mas Naná apenas suspirou do outro lado da linha, antes de continuar.

 

- Lembra da entrevista com o Vladmir Brichta? Aquela que eu pedi pra você me substituir...

 

- Mas é claro! Como eu poderia me esquecer disso?

 

- Então... Eu não tinha compromisso nenhum naquele dia. Eu fiquei em casa o tempo inteiro, enquanto você foi até lá...

 

- Você o quê? – Adri estava visivelmente alterada.

 

Eu não conseguia entender aonde a Naná queria chegar com aquela história, mas previsava admitir que estava profundamente chateada pelo fato de ela ter mentido pra mim. Ela era a minha melhor amiga, poxa.

 

- Adri, me escuta. Só me escuta, por favor. Depois, se você quiser me xingar, me bater, desligar o telefone na minha cara, sei lá, qualquer coisa... Faz o que você quiser, mas DEPOIS. Agora, eu só preciso que você me escute, por favor... Tudo isso tem me incomodado muito nos últimos dias e eu estou preocupada com você. É sério.

 

- Mas você não se preocupou comigo quando resolveu me colocar na (quem sabe) pior confusão da minha vida? Que tipo de amiga você é?

 

- Do tipo que mete os pés pelas mãos. Do tipo que faz tudo errado... Mas me deixa explicar. Por favor? – Como eu não respondi nada, ela continuou: – Eu estive na festa de lançamento de Amor de Mãe. Fui escalada pela equipe da redação para cobrir o evento e produzir uma matéria para a revista, enfim... Eu conheci uma pessoa lá... Um cara legal, que me ofereceu um drink e... Conversa vai, conversa vem, nós nos beijamos. Isso foi completamente errado, eu sei... Eu estava lá à trabalho e eu nem sabia quem ele era...

 

- Naná, você pode por favor me dizer aonde você quer chegar com toda essa história?

 

- Adri, a princípio, ele era só mais um, como todos os outros caras que eu já beijei em baladas e por isso eu não achei que era algo relevante para te contar. Mas acontece que ele me ligou lá na revista poucos dias após a festa, me pedindo para almoçar com ele e eu fui. Chegando lá, eu descobri que o nome dele era Paulinho Moska. Ele é amigo do Vladmir e me disse que poderia me apresentar a ele e que se eu tivesse sorte, talvez conseguisse uma entrevista exclusiva.

 

- Hum... E daí? – Eu ainda não estava entendendo muito bem aonde tudo aquilo iria nos levar ou que relação havia entre esse tal de Moska e o fato de eu tê-la substituído naquela entrevista, mas me controlei e me mantive paciente.

 

- No começo eu não entendi porque ele estava fazendo aquilo por mim, mas fiquei tão empolgada com a possibilidade de entrevistar o Vladmir que não fiz muitas perguntas. Apenas aceitei o convite dele para jantar, no mesmo dia, com o Vladmir, a mulher e um outro casal de amigos deles.

 

- Espera aí... Então você conheceu o Vladmir antes da entrevista? Então ele sabia que eu não era você desde o momento em que eu pisei naquele camarim... Vocês dois mentiram pra mim. E pior: eu fui pedir desculpas a ele... Eu fui me explicar pra ele naquele dia lá na Escola. Naná, como você pode fazer...

 

- Ei, calma aí... Me escuta. Eu não conheci o Vladmir naquela noite. Ele não compareceu ao jantar... Fomos apenas eu, o Moska, a tal da Ana Paula e o outro casal, que eu nem lembro o nome.

 

- E por que você está me contando tudo isso, então?

 

- Porque é aqui que eu queria chegar. Bastaram quinze minutos de conversa com a Ana Paula para eu perceber que o casamento dela com o Vladmir estava prestes a desmoronar. Você me conhece. Bastou eu fazer as perguntas certas e ela começou a desabafar e... Enfim... Essa parte não é importante. O jantar se tornou um martírio para mim e o Moska também começou a ficar um pouco incomodado, afinal ele é muito amigo do Vladmir. Logo depois da sobremesa, nós dois fomos embora e ele me levou até a minha casa. No meio do caminho, ele me falou que já sabia da situação do Vladmir com a Ana, que eles estavam prestes a se separar e que tinha inventado essa história de jantar e de entrevista só pra ver se ele se animava um pouco. Então, mais uma vez a nossa conversa tomou rumos diferentes e nós acabamos nos beijando de novo, mas dessa vez, no sofá da minha sala. Não aconteceu nada além disso. Ele foi embora no meio da madrugada e me ligou no outro dia à tarde, pra me dizer que o Vladmir tinha topado ser entrevistado por mim.

 

- Naná, por que você me mandou no seu lugar?

 

- Porque eu achei que vocês poderiam descobrir algo em comum... Porque eu sei da admiração que você sempre teve por ele... Porque eu sou sua amiga e quero o seu bem. Eu estou morrendo de vergonha pelo que eu fiz e mesmo que você não queira mais falar comigo depois disso, eu não me arrependo. Eu fiz o que eu achei que era o melhor a se fazer... – Ela chorava.

 

- Se eu estivesse aí agora, eu te daria um abraço.

 

- Oi??

 

- É isso mesmo que você ouviu...

 

- Como assim? Você não quer me matar?

 

- Te matar? Por ter me apresentado ao homem da minha vida?

 

- Adri, do que você está falando?

 

- De nada. Como castigo por você ter mentido pra mim todo esse tempo, eu só vou te contar quando eu voltar de viagem. Beijos. – Ela fez menção de desligar. – Ah, e antes que eu me esqueça... Eu quero conhecer esse tal de Moska aí. Eu não gostei nadinha dessa história de Moska pra lá, Moska pra cá. Eu tenho que aprovar, você esqueceu? – E desligou o celular, deixando Naná sem entender nada.

 

Assim que eu baixei o celular, ouvi passos do lado de fora e guardei rapidamente o meu livro, imaginando que seria a Taís. Por um momento, a Naná havia me feito esquecer do que eu estava prestes a fazer e eu sequer havia decidido o que levaria para a cachoeira.

 

- Amiga? – Ela me chamou baixinho, ainda do lado de fora.

 

- Já estou indo. – Respondi da mesma forma, juntando tudo o que eu julgava necessário para um passeio em uma cachoeira: óculos de sol, protetor solar e um repelente.

 

Quando enfim saí da barraca, olhei para todos os lados e percebi que o acampamento parecia bastante vazio.

 

- Onde está todo mundo? – Perguntei, preocupada.

 

- O Murilo inventou uma competição de karaokê para distrair os alunos. – Taís respondeu animada. A empolgação dela era muito nítida e eu parei por um segundo para pensar no que estávamos prestes a fazer: se comportar pior do que os próprios adolescentes no acampamento da Wolf. Ótimo. – Você está pronta? – Suspirei.

 

- Estou sim.

 

- Então é melhor a gente ir logo, porque eu estou prevendo uma outra tempestade para o final dessa tarde e também porque se eu pensar por mais um segundo, eu vou desistir dessa loucura.

 

Nós rimos e partimos seguindo pela trilha que levava à cachoeira, de acordo com as orientações que o Vlad havia deixado comigo mais cedo. Não demorou muito e uma cachoeira deslumbrante fez-se visível à nossa frente, descendo por entre as pedras e formando um lago enorme e cristalino, onde eu pude ver a silhueta do Lázaro, de costas, por entre a vegetação.

 

Taís sorria encantada, e eu mal acreditava que um lugar tão lindo pudesse se esconder tão perto de onde nós estávamos acampados.

 

- Que lugar maravilhoso! – Ela disse, finalmente.

 

- É lindo, não é?

 

- É sim!

 

- Você viu quem está ali? - Eu disse apontando na direção do lago. – Vai lá. Vai logo. – A encorajei.

 

- Você não vem?

 

- E segurar vela? Não, obrigada. Eu prefiro ficar por aqui mesmo. – Menti.

 

E assim que ela saiu, esperei apenas até ela tomar uma certa distância e dei meia volta, esbarrando na razão de todas as loucuras que eu vinha cometendo nas últimas horas.

 

- Pensando em fugir de mim?

 

- Nunca! – Sorri e iniciei um beijo calmo e apaixonado.

 

Naquele momento eu não lembrava nem o meu próprio nome. Definitivamente, não havia nada melhor do que aquele sentimento. Palavras eram desnecessárias e ele foi me empurrando devagar, até que eu encostei em uma árvore e deixei escapar um gemido com a pressão do seu corpo no meu.

 

- Vem cá. – Ele disse interrompendo o beijo e me puxando pela mão. – Vem comigo.

 

- Pra onde?

 

- Apenas confie em mim.

 

Eu o segui por alguns metros à frente, até que a trilha revelou um novo caminho, que seguia para o lado oposto do qual nós estávamos. Depois de mais alguns minutos de caminhada nós chegamos a uma espécie de caverna que ficava atrás da corredeira. Eu já não conseguia mais observar a Taís e o Lázaro, uma vez que a água formava uma parede à nossa frente.

 

- E agora, Brichta?

 

- Agora ninguém pode nos ver. – Ele se aproximou um pouco de mim. – Agora ninguém pode nos ouvir. – Eu não pude evitar dar alguns passos para trás enquanto ele não hesitava em se aproximar. – Agora... – Ele disse por fim, tocando o meu rosto. – Agora seremos só nós dois.

 

Eu não sei dizer quanto tempo se passou desde que ele segurou o meu rosto me beijando com voracidade até o momento em que nós adentramos a caverna. Seus toques eram leves no início, mas depois começaram a ficar mais intensos e ele abaixou a calcinha do meu biquíni e começou a provocar a me provocar assim que eu senti que a peça havia alcançado o chão.

 

Eu me contorcia enquanto seus dedos longos e habilidosos me tocavam, primeiro com leveza e depois mais forte. Seu dedo descia e subia em mim, alternando entre fundo e superficialmente. Eu gemi seu nome quando ele me penetrou com um dedo e logo depois com dois. Minha cintura simplesmente não conseguia ficar parada e eu rebolava implorando por mais daquele toque incrivelmente selvagem, o estimulando a ir mais fundo em mim.

 

Com uma mão ele mantinha os dois dedos em mim, enquanto com a outra ele segurava o meu cabelo por trás da minha nuca. Seus dedos entravam e saíam de dentro de mim. Deuses, eu iria ficar louca. Se Vlad não estivesse dentro de mim em alguns minutos, ou segundos, eu não iria aguentar mais. Iria explodir a qualquer momento.

 

- Vlad...

 

- Você quer... – Aquilo claramente não era uma pergunta. Ele mordiscou o meu lábio e se esquivou quando eu tentei fazer o mesmo com ele.

 

- Por favor... – Joguei minha cabeça para trás em protesto. - Isso é tão errado... – Ele tentou me calar com um dedo, mas eu continuei. – Mas eu quero...

 

Quando eu disse isso, Vlad tirou seus dedos de dentro de mim e segurou firme nas minhas coxas, me posicionando em sua cintura e me desencostando da parede da caverna. A princípio, ele olhou para os dois lados, parecendo avaliar as possibilidades, antes de caminhar lentamente comigo até uma pedra e me colocar sentada sobre ela. Eu segurei o elástico de sua calça e ele me ajudou a descê-la junto com sua boxer.

 

Eu estava sucumbindo enquanto ele me beijava, agora com calma. Eu sentia uma atração incontrolável e ao mesmo tempo um magnetismo quente e sedutor, ambos inexplicáveis.

 

- Feche os olhos e se deixe guiar. – Vlad sussurrou.

 

Eu obedeci e nós voltamos a nos beijar, agora de forma mais faminta. Nossas línguas dançavam em um ritmo quente e molhado. Quando nossos corpos se encaixaram, ele soltou um grunhido que fez meus pelos se eriçarem. A forma com que ele me apertou com as duas mãos me fez praticamente ronronar pedindo por mais. Eu sentia meus seios que já estavam rígidos, sendo pressionados contra o seu peitoral.

 

Quando nos separamos para que eu pudesse tirar o vestido, ele me encarou com um olhar tão ardente e brilhante, que eu poderia alegar ter visto o sol refletido em sua íris. Eu tremi, pois sabia que ele ia me amar como nenhum homem jamais fizera.

 

O que se seguiu após essa constatação foi um misto de loucura e prazer, ao qual nos entregamos de corpo e alma, sem nos preocupar com o mundo exterior.

 

Nesse momento, há sete bilhões, quatrocentos e oitenta e oito milhões, quinhentos e sessenta e três mil, quinhentos e sessenta pessoas no mundo. Algumas estão fugindo assustadas. Outras estão voltando para casa. Algumas dizem mentiras para suportar o dia. Outras estão corajosamente enfrentando a verdade. Alguns são maus e lutam contra o bem e alguns são bons e lutam contra o mal. Sete bilhões de pessoas no mundo. Sete bilhões de almas… E, às vezes, tudo que o que nós precisamos é de apenas uma.

 

POV Vlad On

 

Acordei com o barulho de um estrondo que eu logo deduzi ser um trovão, a julgar pela chuva que caía torrencialmente do lado de fora e pelo frio congelante que fazia dentro da caverna. Fechei os olhos em uma tentativa fraca de dormir de novo, até lembrar que a Adri estava ali junto comigo.

 

Ao perceber que ela estava gelada, eu instintivamente lembrei de onde nós estávamos e o que havíamos feito e me coloquei de pé, procurando minhas roupas que estavam espalhadas. Andei pelo perímetro, juntando também aas roupas dela e estava prestes a voltar ao local onde ela estava deitada quando ouvi sua voz rouca:

 

POV Vlad Off

 

- Vlad? – Ela estava sentada, tentando se situar.

 

- Oi, amor. Aqui... – Vladse aproximou estendendo as roupas na direção dela.

 

- É sério isso? A gente caiu no sono? – Ela perguntou risonha.

 

- É... – Ele coçou a cabeça... – Parece que sim, né? Eu só estou um pouco preocupado com a chuva.

 

Houve um segundo trovão, que fez os dois se entreolharem por alguns segundos antes de ela resolver quebrar o silêncio:

 

- Você acha que nós teremos problemas para retornar ao acampamento?

 

- Não sei... – Ele pareceu pensar. – Você me espera aqui... Eu vou até ali fora dar uma olhada. A gente precisa sair daqui antes que escureça. – Vlad saiu, terminando de abotoar a calça e Adri aproveitou o tempo para terminar de se vestir também. Ela andava de um lado para o outro quando ele retornou, minutos depois. – Ao que tudo indica, podemos ir embora sem problemas. Eu acredito que o Lázaro e a Taís já tenham ido também, mas vamos dar uma olhada no lugar onde eles estavam, só por precaução.

 

- Ótimo! Eu acho melhor a gente ir então... Eu não quero que o pessoal do acampamento dê pela nossa falta também.

 

Uma corrente de ar frio passou por mim no momento em que nós pisamos do lado de fora da caverna e eu tive uma sensação estranha, como se algo de ruim estivesse prestes a acontecer. A chuva caía forte e gelada e não demorou muito para estarmos os dois encharcados. No caminho que nos levava ao ponto onde a Taís e o Lázaro estavam no início da tarde, os únicos sons que nós ouvíamos entre os trovões, que por sinal estavam cada vez mais frequentes, eram as nossas próprias vozes e as gotas grossas de chuva que batiam nas folhas das árvores.

 

- Amor, eu preciso te confessar uma coisa... Estou com medo... – Falei baixo, quando ele parou de caminhar e me olhou, preocupado.

 

- Eu sei... – Respondeu, beijando a minha testa. Eu pude sentir o quanto os lábios dele estavam gelados. Ambos já estávamos encharcados devido à chuva. – Mas é melhor nós irmos logo. Quanto mais cedo sairmos daqui, mais cedo chegaremos. – Falou.

 

Nós andamos mais alguns poucos metros à frente, seguindo pela trilha que agora estava duplamente escorregadia e então ouvimos a voz do Lázaro:

 

- Vladmir? Adri? São vocês?

 

- SIIMMM! Onde vocês estão?- Gritei para a escuridão.

 

- Aqui! – Era a voz da Taís.

 

Lázaro foi o primeiro a aparecer. Ele vinha na nossa direção pela trilha, seguido de perto pela Taís, que segurava uma lanterna. Logo atrás deles, vieram Débora e Marcello.

 

- Adri! Graças à Deus! Eu fiquei tão preocupada... – Débora abraçou a amiga, prestes a chorar.

 

- Assim que o tempo começou a fechar, nós voltamos ao acampamento. – Taís começou a se explicar. – Nós não sabíamos onde vocês estavam, mas sabíamos que o Vlad conhecia bem o caminho de volta. Adri, nós não imaginávamos que vocês ficariam perdidos aqui.

 

- Mas na verdade nós não... – Vlad avaliou a expressão no rosto de Lázaro e sua voz foi ficando mais baixa... - Não lembrávamos o caminho de volta. – Pigarreou.

 

- Vamos voltar agora? – Eu desviei o assunto e o olhar de todos para mim. – Acho que todos precisamos de um banho e de um bom chocolate quente.

 

E assim, seguimos os seis pela trilha, que aos poucos ia ficando mais estreita e completamente enlameada. O chão estava liso e eu já havia escorregado umas três ou quatro vezes. Tive a sensação de que a chuva estava ficando mais forte, e logo o céu começou a relampear, me fazendo gritar a cada trovão. Eu me obriguei a andar de braços dados com a Taís, pois se eu ficasse perto do Vladmir por mais um minuto e houvesse mais um trovão, eu provavelmente acabaria agarrando ele e não era bem isso o que eu queria. Ou melhor, era. Mas não na presença do Marcello, pois com a Débora eu me entenderia facilmente depois.

 

- Olhem... – O tom de voz do Lázaro fez com que todos parássemos onde estávamos.

 

À nossa frente, interrompendo a trilha, havia uma árvore caída.

 

- Venham! – Chamou Marcello. – Vamos contorná-la.

 

Passado algum tempo, eu comecei a prestar atenção à nossa volta e notei que estávamos em um lugar onde a mata era completamente fechada. Não estávamos mais seguindo pela pequena trilha que havia e eu não lembrava deste trecho do caminho. Definitivamente, não era por onde eu e a Taís havíamos chegado à cachoeira mais cedo.

 

Marcello e Débora, que encontravam-se adiantados, caminhando alguns passos à nossa frente, se entreolhavam confusos e eu notei que eles também não tinham muita certeza de onde nós estávamos indo.

 

- Ei, pessoal... – Vlad, que estava um pouco mais atrás, havia parado. - Nós já passamos por essa bifurcação. Acho que faz uns cinco minutos. Estamos andando em círculos.

 

- Vlad... - Eu já estava completamente encharcada. A temperatura do meu corpo havia baixado e eu tinha a certeza de que minha boca  ganharam um tom arroxeado. Cruzei os braços, tentando me aquecer, mas nada do que eu fazia estava funcionando. - Eu estou morrendo de frio... – Pela primeira vez, senti o medo crescendo desgovernadamente dentro de mim.

 

- Eu também. Estou tremendo. – Taís se encolheu. Ela continuava grudada em mim.

 

Lázarp se aproximou dela e a pegou pela cintura. Eu não posso negar que senti uma vontade insana de que o Vlad fizesse o mesmo naquele momento. Olhei em sua direção e vi pela expressão em seu rosto, mesmo na escuridão em que nos encontrávamos, que ele estava pensando no mesmo que eu. Então, se aproximou e me puxou pelo braço, me fazendo virar. Eu perguntei o que ele queria, mas ele não respondeu. Apenas me abraçou e me deu um beijo na testa. Minha barriga havia gelado mais ainda, mas eu não me importei. A única coisa que me importava, é que eu estava nos braços do homem que eu amava.

 

Ambos continuamos caminhando abraçados, mas eu mal pude desfrutar da sensação de segurança que ele me transmitia, pois em questão de segundos, vi que um arbusto se mexia estranhamente do nosso lado. Um pavor tomou conta do meu corpo e eu pude perceber que Vlad também havia se assustado, pois ele passou a apertar a minha cintura com mais força.

 

E foi quando a Taís mirou a lanterna na direção daquele arbusto que eu pude reparar em um par de olhos vermelhos, que fez subir um arrepio pela minha espinha. Nesse momento, Marcello se adiantou, na direção do lugar e...

 

... um coelho saiu disparado, cruzando a nossa frente correndo.

 

- Maldito coelho. – Vlad bufou.

 

- Vamos continuar. Eu não quero ficar aqui por mais muito tempo. – Débora falou olhando para Marcello, que concordou com a cabeça e continuou a andar.

 

Caminhamos silenciosamente por mais quinze minutos. Acho que à essa altura, todos nós já estávamos com medo e cansados. Até mesmo os meninos que eram extremamente barulhentos, estavam quietos. Para piorar, a chuva só aumentava a cada minuto.

 

- Estranho seria se eu não me apaixonasse por você. O sal viria doce para os novos lábios. Colombo procurou as índias, mas a terra avistou em você, o som que eu ouço são as gírias do seu vocabulário... – Resolvi fazer algo que sempre me ajudava nas horas difíceis: cantar.

 

- Estranho é gostar tanto do seu All Star azul. – Taís passou a me acompanhar e continuamos juntas: Estranho é pensar que o bairro das Laranjeiras, satisfeito sorri, quando chego ali. E entro no elevador; aperto o 12 que é o seu andar. Não vejo a hora de te reencontrar e continuar aquela conversa, que não terminamos ontem... Ficou pra hoje.

 

Logo, todos nós estávamos cantando juntos a música:

 

-  Estranho, mas já me sinto como um velho amigo seu. Seu All Star azul combina com o meu preto de cano alto. Se o homem já pisou na lua, como eu ainda não tenho seu endereço? O tom que eu canto as minhas músicas, para a tua voz parece exato...

 

Andamos mais e mais, cantando algumas músicas e tentando nos distrair, até que eu simplesmente esqueci que estávamos perdidos no meio da mata, em um lugar desconhecido, e tive a certeza de que todos ali haviam se desligado também. Mas uma pergunta não saía da minha cabeça:

 

- Onde estamos? – Perguntei, assim que cantamos a última nota de uma outra música do Lulu.

 

- Não sei. – Débora me respondeu, e nessa hora ela se virou para o Marcello. - Nós estamos no caminho certo? – Ela parecia insegura.

 

- Pensei que você soubesse o caminho. – Ele respondeu passando a mão direita sobre a cabeça. – Eu estava seguindo você.

 

- O quê? Mas eu estou seguindo você esse tempo todo. – Sua voz agora estava esganiçada.

 

- Nós estamos perdidos, então? – Taís se descontrolou.

 

- Eu não queria ter que dizer isso , mas sim, nós estamos perdidos. – Débora falou se virando para nós com cara de desespero.

 

- Me dá aqui a lanterna. – Pedi, sem paciência. Apontei a mesma em todas as direções, não reconhecendo nada e também sem me lembrar de nada que pudesse nos ajudar. – Não tenho a mínima ideia de onde estamos. – Bufei.

 

- Amor... – Meus olhos se arregalaram quando o Vlad me chamou assim na frente de todos. – Deixa comigo. – Eu estava paralisada. Me segurei para não olhar a expressão do Marcello naquele momento e entreguei a lanterna a ele. - Eu acho que sei o que fazer. – Ele agora falava olhando para todos nós.

 

- O que foi isso? – Débora cochichou para mim, quando ficamos para trás, de propósito. Vlad seguia à frente, junto com Marcello, enquanto Lázaro e Taís andavam em silêncio, abraçados, à nossa frente. Eu me sentia um pouco culpada por ter metido a minha amiga naquela situação.

 

- Nada.

 

- Galera, vamos continuar por aqui. Fiquem juntos. Em algum lugar esse caminho vai ter que dar. – E eu agradeci aos deuses pelo Marcello ter feito aquilo, pois a Débora acabou voltando para junto dele, adiando a explicação que eu teria que dar.

 

Após mais algum tempo de caminhada, a paisagem foi mudando bruscamente. Não haviam mais aquelas árvores assustadoras e as vegetações altas à nossa volta. Agora haviam apenas algumas casas antigas e cerca de uns cinquenta metros à frente, um galpão que eu logo reconheci.

 

- Acho que finalmente estamos chegando. – Taís exclamou animada.

 

- Vamos logo, então. – Eu tomei a frente do grupo, passando Vlad, Marcelo e Débora. Eu não via a hora de chegar, poder tomar um banho e descansar.

 

Mas, infelizmente, eu era a mais azarada do grupo e acabei tropeçando em uma pedra. Senti uma dor tremenda no meu tornozelo e me deixei cair sentada. Vlad veio correndo em minha direção, agachou perto do meu pé e viu que o meu tornozelo havia virado uma bola, enquanto a dor só aumentava. Ele se sentou ao meu lado, fazendo uma leve massagem no meu tornozelo e cochichando algo como “já vai passar”.

 

- Adri, você consegue levantar? – Taís se aproximou correndo, preocupada.

 

- Eu não sei. Só sei que está doendo muito. – Disse, me apoiando nos braços dela e tentando levantar. Os outros já estavam à minha volta, tentando me ajudar também.

 

- Pode deixar, Lázaro. Eu vou carregar ela até o acampamento. – Vlad disse, me erguendo do chão e me aninhando em seu colo. O meu olhar ficou preso ao dele por um tempo, mas eu fiquei com vergonha e tratei de desviá-lo, mesmo contra a minha vontade.



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