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História Sonhos Lúcidos - Capítulo 3


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Notas do Autor


Oi terráqueos, novamente uma de nós. Desta vez é a Hina falando. Yep, tudo beleza?
Então, estamos aqui com mais um cap, desejo uma boa leitura.
A história tá meio complicada por agora, e como a Mel disse antes, prestem atenção nas palavras, elas estão dizendo o futuro.

Capítulo 3 - Capítulo 3


Fanfic / Fanfiction Sonhos Lúcidos - Capítulo 3 - Capítulo 3

"Talvez o pior não seja a morte, e sim o sentimento que ela deixa toda vez que aparece."

Acordei de súbito respirando fortemente, mordi meus lábios tentando não deixar que algum gemido escapasse. Dava para sentir como os pontos estavam cruzados, o remédio parecia ter perdido o efeito, porque agora a única coisa que eu sentia era um peso enorme sobre minha perna, como se estivesse sendo esmagada. Respirei profundamente algumas vezes tentando me acalmar. Aquilo é normal, a dor não é insuportável, mas para quem nunca sentiu algo parecido, era horrível. Me sentei com cuidado, esperando que a dor não piorasse. Ignorei isto por um tempo e olhei ao redor, ainda era o mesmo quarto branco de mais cedo, dei um suspiro pesado reparando que lá fora estava escuro, era noite. Fiquei encarando a janela esperando o tempo passar, até que sinto um movimento no corredor, me virei vendo uma enfermeira que passava por ali com alguns papéis em sua mão.

- Eii, você! - Gritei em sua direção, ela parou de andar e seus olhos em dúvida viraram para mim, mostrando surpresa em sua face, voltou apressadamente pelo caminho de onde veio.

- Eii, aonde vai? - A chamei algumas vezes, mas não adiantou, ela já tinha ido embora.

Respirei fundo em desistência e tornei deitar, relaxando com o ar silencioso no quarto. Não passado nem 5 minutos nessa quietude, o médico de mais cedo apareceu na porta, mostrava um sorriso aliviado, e meio cansado. Ele andou em minha direção com a intenção de falar, mas antes que pudesse, eu o interrompi.

- Doutor, o que houve com minha irmã? Ela está bem? - Minha voz ainda estava fraca, mas foi o suficiente para uma conversa audível.

Ele me observou por um tempo, enquanto pegava um prancheta em cima de um balcão perto da cama e olhava atentamente. Sua face era pensativa, como se estivesse calculando certos pontos. Parado ao meu lado, o médico se moveu e puxou uma das cadeiras perto da janela se sentando logo em seguida. A respiração do médico pareceu se acalmar, ele fechou seus olhos por um momento e depois os abriu me encarando. Seu rosto era sério e firme, parecia querer contar alguma coisa, por conta disso, acabei apreensiva.

- Antes de tudo, poderia me dizer seu nome? Pelo nervosismo você não conseguiu nos dizer. - Sua voz se soltou suavemente, eu o fitei por um tempo, tentando entender o porquê dessa expressão, mas não insisti, o respondendo com certo pesar.

- Melissa. - Ele olhou para o meu rosto de forma contente, parece que ter lhe contado o deixou mais satisfeito dissipando o ambiente silencioso.

- Dr. Marlo. - Ele acenou com a cabeça enquanto me dizia seu nome, olhou novamente para os papéis, e sua voz, agora mais grossa e triste, ecoou com sinceridade pelo quarto.

- Sua irmã teve uma parada cardíaca. - Naquele momento, eu havia deixado meu corpo, anestesiada pelas poucas palavras, mas como se não fosse o bastante, sua voz continuou sem fim.

- Tentamos a manter viva com a ajuda das máquinas, mas não adiantou. - Eu ainda estava paralisada, sem reação, nem lágrimas caíam. Sua voz apenas entrava, destruindo tudo.

- Ela sofreu uma morte cerebral, foi apenas uma questão de tempo para que seu coração parasse de bater. - Não podia ser. Era mentira. Ele estava mentindo pra mim. Como ela...Como a Hina poderia...Não!

- Sinto muito, Melissa. Infelizmente, sua irmã faleceu. - Eu o encarei começando a chorar. Sua face possuía um misto de tristeza e culpa.

- Mentira! O que vocês fizeram com ela!? Ela não pode estar morta, não...a Hina, ela...Não! - Minha voz saía seca e incerta.

Eu tinha deixado a Hina ir. Meu rosto estava encharcado de lágrimas, angústia e culpa pareciam descer por essas pesadas gotas. Eu queria gritar, mas a única coisa que eu conseguia fazer era soluçar mais e mais. Isso era tão ruim, uma sensação tão intensa e horrível.

- Não! Não..... - Meu corpo tremia, me dando uma dor desnecessária pela ferida na perna. Pressionei minhas orelhas com às mãos, como se eu tentasse me convencer de que era mentira. Mas era impossível, aquele peso, aquela dor no meio do meu peito, não tinha como apaziguar aquilo. O médico se aproximou tentando me acalmar.

- Nós fizemos de tudo pela sua irmã, mas ela já não estava aqui. Eu sei como se sen..- Eu o cortei no meio, não deixando que suas palavras de pêsames chegassem a mim.

- Não! Você não sabe...Minha irmã era tudo pra mim..Tudo para nossa mãe. Eu deixei ela morrer. Você não pode entender o que sinto! - Minha voz se alterou quando disse aquilo. Me encolhi na cama e fechei meus olhos com força esperando que tudo aquilo acabasse, que não passasse de um pesadelo. O senti se afastar de perto mim e depois o som de folhas sendo viradas.

Eu não sabia o que fazer. Não sabia o que dizer.

Uma lembrança de Hina e a mamãe na cozinha fazendo bolo passou pela minha mente, e uma tristeza ainda mais pesada desceu dos meus olhos. Levantei minha cabeça tentando parar os soluços para que pudesse falar sem tremer a voz.

- Tem...como eu fazer uma ligação? - Me abracei em gesto de consolo. Eu não sabia como iria dizer a nossa mãe que a Hina...que ela não...eu nem sabia se queria dizer algo a ela.

Eu presciso ver a Hina, talvez não...eu não sei, ela não pode ter morrido. Ainda não dava para acreditar.

- Eu quero ver a Hina. - Minha voz saiu fraca, mas audível. Me ajeitei na cama na cama tentando ficar calma, mesmo que fosse impossível.

Ele não respondeu. Estava folheando papéis na prancheta até que parou e levantou da cadeira, ajeitou seu jaleco, e se virou para mim com um rosto sério.

- Por favor... - Insisti, tentando fazer minhas lágrimas pararem.

- Fazer uma ligação em seu estado não será adequado. Afinal, você está hospitalizada e sem documentos, isso dificulta muitas coisas. Além disso, ver ela agora pode não ser possível. - Ele pegou uma caneta do bolso do jaleco e novamente olhou para às folhas em suas mãos.

- Você lembra do contato de alguém? - O olhei meio confusa. Não é possível?

- Como assim? Vocês por acaso não acreditam que ela é minha irmã? - Isso era inacreditável. Eu olhei para o Doutor que tinha um rosto lavado em desamparo.

Eu não senti raiva do mesno, e sim, de mim, do que fiz. Eu nunca vou me perdoar, como poderia.

- Sentimos muito pelo que aconteceu com sua irmã, mas o hospital como responsável por sua pessoa no momento, contatar alguém é necessário, por favor, compreenda e me diga. - Eu não queria, não podia fazer isso com a nossa mãe, não depois de tudo.

- Tem a nossa mãe, ela... - Respirei fundo. Olhando para baixo, fiquei em silêncio pensando na situação que nossa mãe estaria com tal notícia.

- Ela mora no Canadá. - Novamente lágrimas desceram e junto delas veio um soluço. Uma órgão parecia ter sido arrancado do meu corpo sem dó. Doía até para respirar, e como que eu poderia, Hina nem estava mais aqui.

- Se acalme, você precisa me passar o contato dela. - Sua voz era sua quando disse, não o respondi de primeira, estava perdida demais nos meus pensamentos tentando encontrar um jeito de olhar no rosto da minha mãe.

Ele se aproximou e me ofereceu um papel com caneta para anotar. Minhas mãos tremiam quando toquei o papel, não comecei a escrever pois às lágrimas desciam infinitas dificultando ver o que iria escrever. Um tempo silencioso passou, até que minha respiração estava leve o suficiente para se controlar. Anotei o número dela ali e depois o entreguei.

- Obrigado por compreender. - Seus olhos pediam desculpas quando pegou o papel da minha mão, e saiu pedindo licença, me deixando sozinha naquele quarto. Deitei novamente, às lágrimas pararam de sair depois de um certo tempo, nem deveria ter mais o que chorar. Fechei meus olhos e permaneci quieta.

Tudo parecia mais silencioso fora do quarto, provavelmente já era tarde da noite. Não conseguia deixar de imaginar o médico avisando minha mãe sobre a urgência, e nem de lembrar da cena aonde a Hina estava entubada.

Tentei me virar, mas minha perna me impediu, fiquei reta olhando para o teto que parecia mais branco que o normal. Após ficar batendo os cílios sem cansaço algum, o sono estava acalmando lentamente a minha mente, me deixando entrar vagarosamente em um sonho distante.

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{{{Sonho}}}

Abri meus olhos assustada pelo intenso frio, mas eu não enxergava nada, tudo que havia ao redor era uma escuridão infinita. Meu corpo parecia flutuar, como se eu estivesse dentro de uma piscina funda, entretanto, mesmo que eu estivesse mesmo dentro de algo parecido, minha respiração era normal.

- Mel....- Uma voz distante mas doce chegou aos meus ouvidos, junto a si um calor ondulou ao meu redor, como se me protegesse. O gelo que antes parecia me corroer, parou tão rapidamente quando como chegou.

O tom suave me trouxe a mente a imagem de uma garota sorridente, o que fez minhas emoções explodirem.

- Hina! Onde você está, Hina! - Algo descia ardente sobre minhas bochechas, minha voz saía cada vez mais alta, a todo momento em que a chamava.

- Venha Mel, estou aqui... - Uma luz surgiu na minha frente, porém me sentia parada no mesmo lugar, não importa o quanto eu me mexia, não dava para sair do lugar. Tentei nadar novamente, até que senti algo pegajoso se enrolar em minhas pernas.

- Venha Mel, rápido! - Sua voz era ecoante, o que tornava difícil distinguir se ela estava ou não perto dali.

Toquei o que se enrolava em mim, reparando o quão gosmento era, puxei, me surpreendendo com o quão firme era aquilo. Olhei novamente para luz, e vi a sombra de alguém passar a sua frente. Mas antes que eu pudesse sentir uma mera felicidade, a gosma subiu e cobriu meu corpo até o pescoço.

- Hina! Eu não consigo! - Desespero saía em minhas palavras enquanto eu me debatia. O calor que a voz me causou antes perderá todo seu efeito, tornando tudo novamente frio.

- Mel!! - Uma última vez, vi a luz brilhar com um intenso tom, e de lá, uma voz triste soar. O abismo nojento me puxou rapidamente para baixo, cobrindo meu corpo completamente.

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Acordei em sobressalto, estava suada. Me lembrei da voz de Hina no sonho, e não dava, simplesmente não dava para segurar isso sem chorar.

Olhei pela janela com a vista borrada e o sol brilhava com toda a sua força, o que me fez desviar os olhos rapidamente.

Dei um longo suspiro tentando acalmar minha mente e meu corpo que tremia mais que tudo. Olhei ao redor parando na poltrona ao lado da janela, notando uma presença que me surpreendeu. Minha mãe, abaixo de seus olhos fechados, olheiras eram visíveis, tornando explícito as noites sem dormir. Deitada de um jeito relaxado, seu corpo que parecia preso a poltrona, se remexeu levemente. Sua expressão cansada se alterou para uma face aliviada logo depois que me fitou, ela se levantou e veio em minha direção rapidamente, apertando meu corpo em seu abraço. A retribuí com tudo que tinha.

- Mel! Minha filha o que houve? Cadê sua irmã? - Sua voz fina e gentil, me fez perder a noção de que tudo que acontecia neste momento era real. Desvencilhando de seu abraço, ela me olha confusa. Novamente com a visão borrada, mordi meus lábios enquanto engolia a seco, apreensiva e triste. Por quê? Ela nem sequer sabia.

- Mãe, me perdoe, eu não queria...É tudo culpa minha, mãe, me desculpa... - Não aguentando o que estava guardado dentro de mim, soltei essas palavras cálidas em sua frente. Com uma face ainda confusa, seus olhos me perguntavam o que acontecia aqui.

- Mãe, a Hina...- Funguei. - ...ela não... - Tentei dizer de forma mais direta, mas não pude continuar minha frase.

Ela pressionou suas mãos sobre a boca e saiu apressada do quarto com um rosto chocado que começava a ficar vermelho.

Entrei em desespero mais uma vez, eu estava destruída, meu mundo estava destruído. Abaixei minha cabeça e chorei tudo que ainda parecia existir dentro dos meus olhos.

Depois de um longo tempo, minha mãe entrou no quarto, seu semblante carregava uma tristeza profunda, o vermelhidão e a face baixa demonstrava isso. Ela foi chegando perto de mim andando lentamente, e me abraçou de surpresa. Seus soluços agora foram ouvidos por mim. A apertei entre meus braços deixando que dessa vez fosse sua vez de soltar o monte de angústia em seu peito. Minhas lágrimas silenciosas desciam acompanhando às que ela derrubava.

- Eu sinto muito mãe, foi tudo minha culpa, não consegui salvar a Hina, tirei ela de você, perdão... - Ela saiu do meu abraço e segurou o meu rosto de maneira firme, mas gentil. Me encarou com uma face vermelha, e deixou que sua voz grogue chegasse a mim.

- Nunca mais repita isso Melissa. Você não tem culpa sobre o que aconteceu, foi um acidente. - As palavras desciam tão intensas quanto a água que nunca mais pararia de correr.

- Vamos pra casa, todas nós. - Aquele sorriso doce que eu conhecia não era mais tão maravilhoso assim, o amargo preenchia cada centímetro dele, e nunca mais voltaria a ser o que era antes.

Abraçadas, ficamos assim até que o tempo pedisse espaço, e só quando nossos corações estavam um pouco mais preparados para sentir o que viria nos dias que se seguiriam, minha mãe se soltou do abraço e beijou o topo da minha cabeça.

Se virou e seguiu para o corredor procurando alguém, a observando de longe, pude de ver que depois que virou, seus olhos que antes pareciam demonstrar mais força, agora estavam com um sentimento tão quebrado quanto o meu.

A vendo desaparecer entre as paredes, me virei para a janela olhando a cidade movimentada que existia no outro lado desse vidro.

Com a mente perdida e de olhos secos, senti meu corpo mais gelado, e um coração mais solitário.

- Você que me protegia, então quem vai me ajudar agora que você se foi...Hina. - A dor era a única coisa que me restava. Era a única que me acompanharia agora.


Notas Finais


Gostaram?
Foi triste, não é? Desculpa por fazer alguém chorar aí viu, mas eu também chorei kkkkk.
Esperamos que tenham gostado desse cap, na quarta-feira o capítulo 4 vai ser solto viu.
Obrigado por lerem.
Ahhhh, e aqui está o link da foto do capítulo: https://pin.it/xuttavcu6u7uvp

Até mais.


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