História Sono koe wa moroku - Capítulo 10


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Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Kai, KAMIJO, Reita, Ruki, Uruha
Tags Clãs, Flashbacks, Folclore Japonês, História Japonesa, Inugami, Magia, Maldição, Período Moderno, Reencarnação, Reituki, Sutras, Xogunato
Visualizações 50
Palavras 4.069
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Luta, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oooooooooi
Então, digam pra eu criar vergonha na cara e ir escrever o cap 13 pq tenho até o 12 pronto, escrever por celular é horrivel.
RIP PC
Boa leitura.

Capítulo 10 - Encarnação do Fogo.


Fanfic / Fanfiction Sono koe wa moroku - Capítulo 10 - Encarnação do Fogo.

Soga no Umako.

Quando pensava naquele nome o coração de Gackt batia acelerado de asco. O clã Soga desde sempre foi muito poderoso, começando com Soga no Takeuchi, o braço direito do Imperador Ojin e em seguida o maior dos Sogas que não era ninguém menos que a reencarnação do mesmo desgraçado.

A segunda vida de Takeuchi, Umako, era como o bastardo líder de seu clã, havia instalado o próprio sobrinho como Imperador e o assassinado para colocar Imperatriz Suiko, que era meramente uma peça decorativa dele e de seu sobrinho, amante de Soga, o Principe Umayado e assim que assassinaram o próprio pai do Principe ele se tornou Imperador e puderam absorver o poder como os dois imorais que eram.

O príncipe que um dia foi Ojin, era tão prepotente que disseminou o budismo no Japão e quando foi enviar uma carta ao Imperador da China se autodenominou de “Do Filho do Céu na Terra do Sol Nascente para o Filho do Céu na Terra do Sol Poente”.

Naquele tempo, Gackt não era mais uma yamauba branca da floresta de Fuji, mas um homem das letras que reverenciava o mesmo Deus que há tanto tempo com o nome dos espíritos da região.

Youma, Kotonotaki, Oni... Todos eram títulos que os ignorantes davam ao mesmo Deus, o Deus Torturado e quem o cultuava passou a ser considerado tão demoníaco quanto ele, por influencia do príncipe budista, mas Gackt sabia que a perseguição ao culto do Deus Torturado não tinha a ver com a moralidade inexistente daquele que amaldiçoou e sim de uma rixa antiga que ambos possuíam.

Quando o cão fiel do Principe que governava por sua tia, a Imperatriz, farejou quem Gackt era naquela época e o encontrou em uma das cavernas rochosas da costa de Kanto, levou homens consigo, sob ordem de seu amante e lá o executaram com torturas para por fim enterrarem-no como o cão, lembrava-se das zombarias que o cruel Soga lhe fez enquanto definhava, lembrava-se das humilhações que seus homens lhe fizeram passar e naquela cova, jurou vingança contra aqueles que ousaram o desrespeitar mais uma vez.

Na vida anterior, era uma bruxa antiga, tão antiga quanto a terra embora pelo mesmo processo de reencarnação pudesse se tornar imortal, não iria mudar depois daquele segundo assassinato sob as ordens do mesmo homem.

Amaldiçoou ambos mais uma vez e daquele em seu berço de morte foi mais fatal, pois todos sabiam que as palavras de alguém prestes á morrer são sempre mais poderosas, até mesmo seu Deus lhe teve piedade e não poupou mastigar a alma daqueles dois quando voltaram até ele.

Embora um dia Takeuchi acreditasse que quando morriam voltavam para as entranhas do Kotonotaki, tudo que ocorria era que suas almas energizavam o Deus por alguns anos e então sem poder de mantê-los mais tempo, retornavam como uma reencarnação. Cinco almas que ofertou para seu Deus que funcionavam á cada época como pilhas.

Pilhas.

Eles cinco não passavam de pilhas para seu Deus e sendo assim, para si mesmo, embora não soubessem daquilo.

Após sua morte, Soga e o Principe possuíam um estreito laço que beirava ao perdão, o regente era querido por todos, havia estabelecido uma boa relação politica com a China, criou a Constituição dos Dezessete Artigos e construiu muitos templos budistas, disseminando sua religião. Era um homem santo, diziam, mas a maldição que foi lançada aos dois não permitiu que tudo continuasse naquele marasmo entre os dois.

O Clã Mononobe era opositor a religião do budismo, e o que se tornou uma conhecida batalha histórica onde Soga foi de encontro ao inimigo de seu Principe, a Batalha de Shigisan, as margens do Rio Ega, próximo ao Monte Shigi na Província de Kawachi.

Aquilo foi o marco de perdão para o príncipe que recebeu seu Soga com os braços abertos, estava completamente pronto para perdoá-lo.

Mas a maldição, aquilo que nunca viria a ser contado foi que assim que retornou para a cama do príncipe, eufórico como nunca, os planos de Soga ficaram claros; era ele quem manipulava e trazia a tona todos os opositores do budismo e sendo assim, cada vez que vencia-os em batalhas, estava apenas forjando a boa vontade para seu líder.

Furioso, o Principe resolveu o abandonar devido aquela traição em sua confiança. Os demônios de ira, ou a ira do Deus Cão assolou o coração de Soga mais uma vez, como há muitos anos assolou Takeuchi e no seu descontrole, não havia uma esposa para assassinar do príncipe, mas o próprio Principe.

Sua ideia era o assassinar e depois cometer o suicídio, mas ele foi preso muito antes e foi ordenado que nunca morresse até o dia que seu senhor fechasse os olhos, talvez tenha sido a vingança mais prazerosa de Gackt, saber que o bastardo havia vivido tempo o suficiente em uma cela longe de seu príncipe que jamais foi o visitar, não por que não queria, mas por que havia feito uma promessa ao seu Deus de clausura até a próxima vida.

Felizmente, para Gackt, jamais houve uma vida de ambos que não fosse recheada daquelas traições por si só e quando estava em algum impasse, o Cão Deus lhe ajudava a fazer com que o homem que agora era conhecido como Suzuki Akira vacilasse pela tangente e jamais fosse perdoado.

Era provável que sequer ele próprio soubesse que suas piores ações havia uma força maior por trás, mas a sua ignorância fazia com que enlouquecesse de culpa e isto, isto era um sabor doce que jamais iriam tirar de Gackt.

Ouvia a voz sussurrante, assustada embora tentasse fingir que não do rapaz ás suas costas enquanto acendia as velas negras do salão dos rituais.

Um á um dos pavios de vela, um por um dos incensos no circulo que rodeavam o local onde o professor era mantido sentado em uma grande cadeira com tiras de couro que prendiam seus pés e braços ali, um a um foi acesso e agora a penumbra se encontrava apenas por fora do circulo.

Era ali que as patas do Cão Deus iriam correr, enquanto seus olhos sedentos iriam esperar a primeira chama apagar para entrar no circulo e dilacerar aquela alma, desta vez, definitivamente.

Não lhe daria uma pilha, agora, não.

Lhe daria uma oferenda do homem que disseminou pouco a pouco seu culto, o homem que fez com que a sua linhagem fosse marginalizada ao ponto de se tornar comum no Japão atual as famílias tradicionais verificarem a linhagem dos pretendentes á casarem com seus filhos, caso encontrassem no passado algum Inugami-mochi, controlador de Inugami, o casamento era desfeito para que não manchasse a linhagem.

O Cão possuía poucos seguidores na atualidade, quase nulos, mas seu poder embora ferido, não iria morrer, não quando estava ás beiras de soltar a fúria dele sobre todos os que os ofenderam.

Iria abrir o Inferno ás portas daquele país hipócrita, com ajuda dos Taira que iriam despertar, nada iria os parar.

— Ele vai vir atrás de você, como sempre veio... — arfava Takanori entre os dentes, os olhos cheios de raiva, mas medo fixos nas costas do yukata negro que Gackt vestia enquanto ia acendendo as velas.

— Seu amante? — a voz melodiosa dele parodiou, com um sorriso perverso que deu sobre o ombro ao encarar o sujeito baixinho ali amarrado, este por sua vez, aquietou-se e apenas tremeu na cadeira ao ouviu os sussurros das trevas ao seu redor. Olhou em volta para a estranha escuridão fora do circulo de velas, onde a luz das chamas parecia não ser capaz de penetrar.

Desta vez, Takanori se inclinou para frente o máximo que podia, deixando os braços presos para trás e o encarou sem vacilar.

— Ele mesmo. Ele vai arrancar essa sua maldita garganta. — ameaçou com aquele olhar prepotente que Gackt tanto conhecia. — Ele vai fazer você pedir perdão, abominação.

Uma sonora gargalhada saiu dos lábios do Inugami-mochi que virou-se para Takanori e o encarou, embora cheio de sarcasmo, seus olhos queimavam de fúria.

— Não desta vez, Pederasta. Agora ele vai provar aquilo que pediu para si mesmo; a Imortalidade. Mas não vai haver nenhuma alma que vai o acompanhar e ele vai presenciar sozinho até o fim das eras como este majestoso mundo que construíram com base de matança, mentiras e seus desejos pecaminosos ruir. E você vai ser apenas uma lembrança dolorosa que o faça cometer o Seppuku... Para sempre e sempre e sempre e sempre...

Apenas aquela palavra fazia Takanori se arrepiar de horror. A imagem do rosto coberto de dor de Akira que tomava lugar do rosto do jovem Nobunaga Akeshi entoando Sono koe wa moroku fazia seu peito arder.

Manteve o olhar sobre o bruxo enquanto a respiração se acelerava e ali já não era mais Matsumoto Takanori, ou pelo menos não mais apenas Matsumoto Takanori, mas havia sentido Ōjin-tennō, Principe Umayado, Minamoto no Yoritomo e Toyotomi Hideyoshi.

Seu rosto intransigente de autoridade pareceu calmo, mas cheio de rancor ao o olhar com um pequeno sorriso de canto.

— Entendo... É você, não é? — os lábios sorriram daquele modo debochado que Gackt detestava. — É você quem tenho odiado por todos aqueles anos... É você quem enegreceu a minha memória. Há algo lá, algo que não consigo ver, mas sei que foi você o culpado disso e não o Akira, como ele pensa que foi, por que convenhamos, não importa os atos terríveis que ele faça, eu nunca iria querer esquecer voluntariamente dele.

O semblante pálido do Inugami-mochi se desfez em descontentamento, parecendo não gostar do tom abusivo que aquele rapaz falava consigo, mesmo depois de tanto, tanto tempo ele ainda acreditava tanto em sua superioridade que anojava-o.

— Você nunca sairá deste circulo, Kagutsuchi. — bradou ele com os dentes cerrados. — Nunca dará a paz que aquele que te amaldiçoou, pois se está aqui hoje a culpa é dele e da sua fraqueza carnal. Nenhum de vocês terá a paz depois da morte, pois agora é a sua ultima vida nesta terra. Quando essas velas queimarem em nome do Cão e a escuridão total cegar os seus olhos, tudo o que você foi ou é, desaparecerá.

Takanori via todo o ódio que havia nos olhos negros daquele sujeito e quando ele partiu rumo á saída, oculta nas sombras, o professor o acompanhou de esguelha e permitiu-se desesperar. Não havia nada a não ser os pequenos pontos de luzes ao seu redor, mas quando fixava os olhos na escuridão, podia mais que ver a silhueta de um enorme cachorro rondando a menor brecha para entrar, podia senti-lo, podia sentir o frio da morte eterna em seus ossos como se uma mão fantasmagórica estivesse apertando seus ossos.

Engoliu em seco e abaixou a cabeça.

Poderia tudo ter sido tão diferente, mas sabia que embora fossem amaldiçoados, Akira e nenhum dos outros três possuía dom místico algum.

Se aquela besta devoradora de almas estava rondando a sua, era provável que a tivesse.

Respirou profundamente e fechou os olhos, não queria sequer ver quando a morte final chegasse.

***

“Nada”.

Foi a vez de Kai dizer aquilo no fone de ouvido conectado ao celular de Akira, informando não ter ideia do paradeiro de Takanori.

O louro olhou para o teto do carro e fechou os olhos. Kouyou ao seu lado se encolheu instintivamente, lembrando sem saber a razão de como ele poderia ser brusco consigo quando Ojin lhe negava.

Mas naquele momento, pensou que talvez ele pudesse explodir, literalmente. Ficou observando a forma acelerada que ele respirava, como se estivesse á beira da morte. Ergueu a mão, indeciso e a colocou sobre o ombro dele que se sobressaltou e enfim explodiu.

Passou a soquear o volante do carro enquanto praguejava e ofegava, até o limite de deixar a testa bater ali no volante e soltar um grito de ódio mordendo a própria manga.

— Deus, Akira se acalme! — Kouyou gemeu, assustado com o comportamento dele, encolhido contra a porta e o encarando com certo pavor.

Ofegante com o rosto contra o volante do carro ele pareceu ouvir a voz do professor de matemática e secou o rosto com as mãos, se concentrando na rua desértica do fim de tarde.

Shiroyama havia o conseguido tirar da delegacia perto do meio dia, e desde então estavam procurando por locais onde Kamijo costumava frequentar, mas assim como a presença de Takanori na universidade, todos os lugares a menção de Kamijo havia sido apagada.

Não havia a menor chance de encontrar alguém que está oculto pelas trevas.

— Fui eu. — Akira grunhiu desta vez apertando a camisa contra o peito, as lágrimas sendo iluminadas pela iluminação pública da rua lá fora que refletia em seu rosto úmido. Fungou e olhou em direção ao sujeito que ocupava o banco carona, finalmente vacilando e cobrindo o rosto com as mãos. — Fui eu de novo, Kouyou, fui eu, sempre sou eu! Como eu sou burro, por que eu nunca aprendo?

Aquela informação nova fez Kouyou se inclinar para encará-lo, agora visivelmente mais bravo que preocupado. Estreitou os olhos na direção dele e abanou a cabeça.

— O que foi que você fez, Akira?

Incapaz de responder, ele apenas controlou o choro amargurado e secou as lágrimas com a manga, respirando fundo e puxando do bolso um maço de cigarros, levou um aos lábios e ficou evidente o quanto tremia. Deu uma tragueada e no interior escuro do carro, jogou a fumaça em direção á janela.

— Eu estive longe por tanto tempo, mas não aguentava mais, Kouyou...

— Ah não! — ele entoou erguendo o rosto e cruzando os braços. — Ah, não é possível que de novo essa mesma merda. Porra Akira!

— Eu estava com tanta, tanta saudade dele, Kou... — explicou mesmo sob os protestos. — Havia aquele trato de eu nunca mais aparecer, desde os anos 60, mas... Eu queria ver ele, eu precisava ou se não iria acabar morrendo...

— Você sabe que não pode morrer mais do que já está morto, cretino. — Kouyou arrancou o cigarro das mãos dele e tragueou, indignado. — O que mais você fez, como fez?

Akira segurou a respiração e fungou enfim.

— Encontrei o Taira, o procurei durante muito tempo, soube que ele ainda queria a tal maldita vingança dele e mandei que se organizasse pra parecer que havia um grupo deles querendo vingança... Eu pensei que ele iria fazer isso apenas com meia dúzia de gente, eu ia matar todos eles depois, o plano era haver uma ameaça pra eu poder voltar. Sabia que ele estava bem melhor sem lembrar de nada, sabia que não podia voltar, mas... Mas eu precisava de uma desculpa e foi isso o que eu fiz. — deu uma pausa para respirar e abanou a cabeça. — Eu nunca, nunca imaginei que o Kamijo pudesse ter aquele bastardo ao lado dele e agora... E agora o que eu vou fazer, Kouyou?

O professor de matemática o encarava tão perplexo que seus lábios entreabertos não saiam som algum, abanou a cabeça e escorou o rosto na mão.

— Sabe, as vezes eu acho que tudo que você passou é bem feito. Você não aprende nunca! Olha o que fez agora!

— Eu sei!

— Mesmo que ele se salve, nesta vida esquece, garotão, ele vai é dar um chute nessa sua bunda.

— Pouco me importa se ele vai me perdoar nessa vida ou não, agora a prioridade é achar ele... — estralou os lábios, em seguida ligou a ignição do carro mesmo sem saber pra onde ir. — O que eles vão fazer com o meu Takanori, Kouyou?

O professor riu soprado com aquele modo que ele o chamava. Haviam tantos “meus” de Akira que achava que qualquer uma das reencarnações de Ojin que nascessem logo seriam dele. Pelo menos era o que ele acreditava, aquilo nem sempre queria dizer ser verdade.

— Acho que nenhum de nós aqui pode fazer nada, Akira, é a grande verdade...

— Apenas uma pessoa pode fazer alguma coisa nessa situação.

Kouyou franziu o cenho, esperançoso e o olhou.

— Quem?

— Kagutsuchi.

***

“No inicio, antes do Antes, os deuses criaram um casal divino, o Izanagi e a Izanami e lhes ordenou que construíssem sua morada, para ajudar ambos no processo, os deuses lhes deram uma lança adornada em joias, A Lança do Céu, tão bonita quanto o primeiro amanhecer e ela agitou o mar, a ilha Onogoro-Shima foi formada onde os dois desceram á Terra por uma ponte do céu e tiveram dois filhos, Hiruko e Awashima, mas eram crianças imperfeitas que foram colocados em um barco e deixados á mercê da correnteza do mar.

Rogaram aos deuses e da segunda vez obtiveram da união outro filho, a ilha Ohoyashima.

Eles geraram todos os outros kamis conhecidos, os novos deuses, mas Izanami morreu ao dar a luz a Kagutsuchi, que era tão quente a ponto de matar sua mãe.

Kagutsuchi, a encarnação do fogo provocou a ira de seu pai que o matou, com sua espada, a Ame no Ohabari e o partiu em oito pedaços que deram origem á oito vulcões, assim como as gotas que caíram da espada geraram uma nova série de divindades, enquanto seu pai por ter cometido o cruel crime, saiu rumo ao Yomi, a terra dos mortos em busca de sua amada, onde bestas guardavam as saídas e nenhuma alma poderia retornar depois de entrar.

Inicialmente Izanagi não poderia vê-la porque as sombras a escondiam, mas ele pediu a Izanami para ela voltar com ele. Izanami disse que era tarde demais, pois já tinha comido o alimento do submundo e pertencia agora a terra dos mortos. Ela não poderia voltar à vida, inconformado ele concordou, mas resolveu acender uma tocha com o fogo que seu filho havia dado ao ser morto, mas percebeu que a esposa agora já não era mais formosa como antes, era um habitante do submundo e estava em decomposição, irada com por o marido ver sua aparência terrível, ela mandou as bestas o perseguirem e ele consegue selar o Yomi com os demônios lá dentro. Assim foi criada a Morte na terra, devida ao orgulho da Izanami... Em seguida, Izanagi foi até o rio se purificar por ter estado no submundo e as impurezas que saiam dele se transformavam em outras entidades, de seu olho esquerdo, surgiu Amaterasu, Deusa do Sol. Do direito, Tsukuyomi, Deusa da lua e do seu nariz, Susanoo, Deus do Mar...”

— Como você pode saber de todas essas coisas, Takeuchi? — sussurrava o rapazinho alvo com a face rubra do mais bonito tom da primavera, se erguendo sobre o braço e se colocando sobre o peito do conselheiro enquanto seus olhos pareciam ter adquirido o dobro do tamanho, muito perplexo com a história que ele contava, beirando o desconfiado mesmo que sempre que ele pedisse, contasse a mesma história.

Takeuchi estendeu a mão e tocou o queixo do jovem Ojin com carinho enquanto a sombra da ameixeira que os encobria do olho da Deusa, fazendo apenas pequenos focos de luz solar pincelar a ambos que estavam deitados sobre o manto do conselheiro naquela tarde doce.

— Assim me foi contado por meu pai, Tennō Heika, e antes dele por meu avô. — respondeu com carinho.

Ojin mordiscou os lábios, se inclinando e deixando que eles conhecessem novamente os do conselheiro que depois daquela ocasião na praia cantante agora possuía mais que apenas seus lábios, mas seu corpo e alma.

— Meu pai não está mais aqui para me contar histórias sobre o Inicio e Yamato no Kama não gosta de falar sobre o incidido... — entoou o nome do homem que o ensinou a arte da escrita, mesmo sabendo que Takeuchi não gostava dele, mas dentro do Imperador, ele sabia que gostava de ver Takeuchi com aquela expressão engraçada de desagrado, ria baixinho quando o ciúme corroía o sujeito, para ele sempre era divertido.

— Yamato no Kama é apenas uma hiena que sabe escrever. — ele retrucou de modo ríspido.

Ojin riu contra o peito do conselheiro e deitou sua cabeça ali sentindo parte das costas nuas devido a recente união dos corpos haver acontecido, seu yukata ainda estar parcialmente desamarrado.

— Conta pra mim de novo por que às vezes me chama de Kagutsuchi. — pediu com um suave tom manhoso que fez Soga no Takeuchi o apertar contra si, poderia fazer qualquer coisa que ele pedisse caso lhe falasse naquele tom.

— Gosta mesmo de Kagutsuchi, não gosta Tennō Heika?

— Não me chama de Tennō Heika agora... — replicou no mesmo tom subindo completamente sobre o conselheiro que o aninhou sobre si mantendo as mãos na cintura esguia do adolescente. Ele possuía dezesseis aniversários, estava já há pelo menos três anos passando da idade de casar-se, apenas imaginar tal fato fazia uma dor corroer o coração de Takeuchi.

— Jin-chan. — o chamou enfim, vendo o sorriso se alastrar no rosto do menino que retornou a deitar com o corpo sobre o dele, mantendo-se parcialmente sentado sobre seus quadris. — Kagutsuchi teve uma vida breve, mas se não fosse ele, não teríamos nenhuma das divindades conhecidas. Kagutsuchi foi a luz e a escuridão na vida de Izanagi, mas quando contemplo o seu rosto eu não consigo ver nada a não ser a chama do amor que sinto por você e as vezes isso queima... Queima profundamente...

Ojin se ergueu novamente sorrindo, o rosto corado. Ele realmente gostava de ouvir o quanto Takeuchi o venerava. Encostou os lábios aos dele novamente, o encarando e sussurrou ali;

— Se um dia voltarmos a vida juntos e houver muita escuridão ao seu redor, me chame de Kagutsuchi e eu irei ao seu encontro iluminar tudo para você...

***

Akira parecia distante em doces pensamentos, mas ao mesmo tempo, pareceu completamente chocado.

— Kagutsuchi. Era assim que ele se chamava quando encontramos com aquela maior concentração do culto desse maldito Deus Torturado. — assentiu ligando o carro com vontade e pisando no acelerador.

Kouyou segurou-se no carro, colocando o cinto de segurança e arregalou os olhos.

— Reita! Onde pensa que está indo? O que aconteceu? O que isso tem a ver com a situação?

— Não lembra que o Takanori foi um sacerdote naquela época contra esse culto? — o encarou quase eufórico. — Ele havia nascido com outro nome, mas o seu nome no sacerdócio era Kagutsuchi, por que assim ele seria a chama ardente contra as trevas do Deus Torturado. Eu estou indo pra casa, Kouyou e vou rezar.

Aquilo não fez o menor sentido para Kouyou. Lembrava-se de Takanori, um Takanori quase idêntico ao de agora com exceção de usar um bonito yukata negro com detalhes em dourado, os cabelos escuros presos para cima e uma maquiagem festiva tão escura quanto o restante, algo que não fazia muito sentido quando ouviu que seu nome era aquele, Kagutsuchi, encarnação do fogo, mas como se posicionava contra a palidez da morte do outro sujeito que havia os amaldiçoado, parecia fazer sentido.

Mas mesmo ele sendo religioso de tantas maneiras no passado, em nenhuma das vezes viu Akira sequer tirar um minuto do seu tempo para rezar, portanto aquela informação era chocante. Ou ele estava desesperado de mais ou estava finalmente louco.

— Não sabia que era religioso... —arfou quando o carro atingiu uma velocidade realmente surreal, passando sinal, voando como há muitos anos ele voava em seu cavalo negro talvez pelo mesmo lugar, mas sem aqueles prédios e o concreto.

— Eu sou muito religioso. — Akira sussurrou com uma expressão compenetrada, a voz ofegante.

— Buda? — tombou a cabeça o encarando e soltou uma risadinha com a piada decorrente que sempre iria o lembrar, mesmo em uma situação tão desagradável como aquela. — Ou ainda está vivendo a sua vida de monge?

Ele negou, se permitindo um vago sorriso.

— Não. Ojin... Seja lá como queira chamar por ele.

— Mas Takanori não é um Deus, seu imbecil.

Os olhos confusos de Akira o olharam de canto e naquele segundo Kouyou soube, na verdade ali ele teve certeza que realmente todos os atos absurdos e aquela aura insana que o rodeava era mesmo apenas uma coisa; ele era louco.

Completamente louco. Talvez sempre havia sido louco.

Sequer ficou surpreso quando ele completou;

— Pra mim ele é.


Notas Finais


Opa, o que acharam?


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