História Sono koe wa moroku - Capítulo 5


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Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Kai, KAMIJO, Reita, Ruki, Uruha
Tags Clãs, Flashbacks, Folclore Japonês, História Japonesa, Inugami, Magia, Maldição, Período Moderno, Reencarnação, Reituki, Sutras, Xogunato
Visualizações 44
Palavras 4.873
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Luta, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oiii

Boa leitura! <3

Capítulo 5 - Xogum


Fanfic / Fanfiction Sono koe wa moroku - Capítulo 5 - Xogum

1185 – Período Heian

Baía de Yashima, ilha de Shikoku

O vento salgado que varria o convés do navio com violência fazendo as cordas pesadas serem sacudidas batendo contra a madeira, retumbando nos cantos da proa lá fora e causando a sensação que os gritos que deixou para trás na batalha anterior ainda o acompanhavam.

Dentro dos aposentos do importante homem do clã Minamoto, o frio ainda não havia penetrado, pois de baixo dos cobertores de lã e peles de animais seu corpo estava completamente morno contra a carne do chefe do clã Hojo. O conhecia desde o exilio, foi o único quem lhe concedeu abrigo e agora se possuía 3 mil frotas lutando por sua causa lá fora, parte disto devia a ele.

Minamoto no Yoritomo era jovem, sete anos mais jovem que o homem ao seu lado que dormia de bruços com parte do corpo sobre o seu, mechas escuras de cabelos cobrindo seu rosto sereno. Cicatrizes em seu corpo enfeitavam a pele que Minamoto tocava sutilmente com a ponta dos dedos, como se temesse acorda-lo. Quando criança, por desentendimentos políticos, os Taira emitiram a ordem de executar todos seus irmãos. Dois foram mortos, mas ele e Yoshitsune, que ainda era um bebê foram poupados. Yoritomo, porém foi enviado para Província de Izu, regida pelo então novo Hōjō Tokimasa. Yoritomo tinha apenas 11 anos quando chegou naquela terra desconhecida e seu anfitrião, 18. Era recém casado, mas assim que se entreolharam tudo ficou claríssimo.

Reconheceram quem eram, suas funções e naquele segundo como se não fosse mais a criança de onze primaveras, mas o Imperador Ojin ou qualquer um dos que viveu antes, Minamoto ordenou que Hojo, aquele que um dia foi seu conselheiro lhe desse sua lealdade para vingar seus irmãos mortos e restaurar seu clã.

Naquele período, o homem que um dia se tornaria Suzuki Akira não fez outra coisa a não ser concordar. Havia um filho á caminho de seu casamento recente, mas a partir daquele momento Minamoto lhe disse que poderia se deitar com sua esposa apenas com o intuito de ter mais filhos e sem poder evitar, Hojo o fez.

Os anos se passaram, a guerra chamava pelo seu nome como uma amante fiel, agora depois do assassinato de seu pai pelos Taira mais uma vez, após ter apoiado um candidato ao Império que os traidores desaprovavam.

Os Hojo possuíam uma pequena descendência dos Taira, mas isto não impedia a fé cega que o líder de seu clã possuía pelo jovem Minamoto exilado sob seus cuidados.

A ultima guerra em terra havia dado a vitória aos Minamotos, com a ajuda dos Hojo eram mais numerosos, mais hábeis.

Lembrava de andarem sob o cavalo, lado a lado enquanto os gritos de agonia eram selados com a ponta de sua lança, a armadura rubra como o sol de Minamoto e a negra de Hojo surgindo entre os estandartes com o brasão dos dois clãs atormentavam os inimigos.

E mais tarde o sangue que banhava seus braços ao escorrer pela espada era limpo um do outro dentro de uma grande tina de madeira na tenda do acampamento.

Dividiam a cama há pelo menos dois anos, Minamoto deixava os lábios sorrirem ao imaginar que nesta vida pelo menos o pobre coitado havia esperado pelo menos dois anos há mais que na primeira vida que o tomou com 15 anos. Em sua defesa havia a prática do Shūdō, "O Caminho para a Juventude", que consistia no relacionamento sexual entre samurais e seus ajudantes . Diziam ser benéfico, “pedagogia erótica”, mas Minamoto sabia que o pobre Hojo lançava mão daquela palavra em voga para não confessar as razões obvias de ser um doente por si há eras.

Minamoto era filho de seu pai com uma cortesã e esta antes que partisse, lhe ensinou coisas que agora usava a seu favor, portanto se havia alguma pedagogia na relação de ambos não havia sido o mais velho que a ensinava, absolutamente ao contrário já que quando iniciaram aquele tipo de relação mais uma vez, Hojo sequer sabia nada além de invadir. Sua senhora não é muito sábia, Minamoto sempre zombava.

A arte do Kinbaku, ou amarrações eróticas, aprendida quando conversava com as damas de companhia em casas de chá também agradou Hojo que alegava que as cordas de amarração da prática eram como as cordas que amarravam um cachorro fiel.

Era o que ele era, de qualquer modo e donos não temem nunca seus cães.

O clarear do amanhecer já adentrava pelo aposento que balançava sutilmente, o pequeno origami prateado que presenteou seu tutor e aliado na noite anterior estava ainda pousado sobre a pequena bancada de mapas, como prova de que havia consentido mais uma vez para o que fizeram.

Hojo despertava lentamente, sempre foi assim, soube no festival do Coelho, ainda há dois anos anteriores onde usava uma máscara festiva do animal em homenagem ao Coelho da Lua e seu anfitrião sem ter o tino devido a grande quantidade de saquê o havia levado para seus aposentos que dormia longe da esposa, mesmo sob seus protestos e provado que era o mesmo Takeuchi em todos os sentidos e na manhã seguinte podia ainda despertar daquele modo sonolento.

Dentro do navio, a mão não mais tão delicada do samurai foi de encontro aos cabelos negros do homem mais velho, a espada surtia efeitos indesejados retirando a maciez de sua palma, mas ele não reclamava jamais, até mesmo demonstrava grande apresso por seu manejo com as lâminas.

Lentamente os olhos pequenos se abriram e ainda entre os sonhos e a realidade rodou as orbitas pelos aposentos, concentrando sua atenção no origami dourado que havia ganhado na noite anterior. Um convite para estar ali com seu mestre.

— Amaterasu-ōmikami logo mostrará seu rosto. — o jovem Minamoto sussurrou quando sentiu o cálido beijo na palma de sua mão e o olhar apaixonado queimando nos olhos de Hojo.

— Amaterasu não se compara com o resplandecer de seu rosto, Yori-chan.

Um sorriso sutil surgiu no rosto do rapaz ao escutar aquela frase tão sincera, a mão que acariciava o rosto do aliado continuou o ato, sentindo como ele sempre ficava muito dócil quando o afagava.

Havia um complicado relacionamento de amor e ódio entre ambos, por orgulho do homem que um dia Hojo foi agora estavam amarrados um ao outro.

Seu irmão, Yoshitsune, que um dia seria Shiroyama Yuu que agora lutava contra os Taira em uma baia distante odiava profundamente Hojo, não lhe era concebível sequer lhe dirigir o olhar, devido aquela maldição, mas Minamoto simplesmente não conseguia nega-lo o tempo todo.

Lutava profundamente contra o que sentia, mas era fraco e sua fraqueza levava ambos á se magoarem na maioria das vezes.

— Haverá um dia que acordaremos em lados opostos de uma cama e eu não sinta o pesar da culpa por estar ao seu lado, Takeuchi? — o garoto sussurrou o encarando com intensidade, evocando o primeiro nome do conselheiro.

O olhar triste de um rosto cheio de culpa assumiu o controle de Hoje que apertou os lábios e abanou a cabeça, levando a mão aos bonitos lábios do garoto, se inclinando e selando os lábios de ambos enquanto ainda podia, antes de talvez aquela nova batalha fazer tudo desmoronar sobre eles, antes de possivelmente ser novamente afastado da companhia de seu senhor.

— Se pudesse, arrancaria cada estrela do céu e contaria as gotas do Grande Oceano se assim fizesse você me perdoar.

Minamoto o contornou com os braços e sugou os lábios oferecidos á si, sentindo os longos cabelos escuros dele roçando contra seu rosto, o cheiro de ameixeira passando entre as eras e acariciando seu olfato.

— Eu não posso te perdoar jamais, isso nada significa sobre meus sentimentos. — sussurrou. — Amor e perdão não andam de mãos dadas.

A ânsia por possuir o corpo abaixo do seu fazia Hojo respirar ofegante, marcar a pele do pescoço alvo do seu líder.

— O que posso fazer para que me perdoe?

A mesma pergunta, a mesma resposta.

— Me liberte.

Com um movimento brusco segurou o queixo de Minamoto o apertou, magoado, fazendo que o olhasse. Mas ainda assim, não havia medo ali, não havia nada, apenas um rosto debochado com sua fraqueza.

Empurrou o líder da rebelião e se afastou respirando alto.

— Nunca vou te libertar de mim. — entoou com a voz amarga. — Eu prefiro o seu desprezo á esquecer você. Prefiro a miséria a qual me encontro, me contentando com sua boa vontade para me ter em sua cama que o esquecimento. Eu nunca vou te libertar até o fim dos tempos.

Minamoto suspirou, rolando na cama e ficando de bruços, fazendo Hojo observar o modo que a pele pálida coberta de cicatrizes de batalha pareciam chama-lo para que as cobrisse com seu amor. Beijou uma a uma das partes das costas dele, o ouvindo sussurrar sem emoção;

— Eu te odeio, Takeuchi.

***

Takanori acordou com um salto do sofá, a respiração descompassada, o suor escorrendo por seu rosto. Levou as mãos ao peito onde o coração batia tão acelerado que por um momento imaginou que fosse ter um colapso. As costas agora batiam contra a televisão onde o ritual de acasalamento das lebres dava espaço para a briga de uma aranha tecedeira contra um escorpião.

Tentou fazer com que os olhos se adaptassem á sala em que residia, mas tudo o que fez foi passar a mão pelo roupão que estava jogado sobre o sofá e marchado em direção á porta.

— Maldito desgraçado... Isso tudo é culpa dele...

A sensação do balanço do mar ainda o fazia enjoar, o gosto dos lábios de Hojo causavam ainda arrepios contra sua pele e uma dor profunda provocava uma tristeza que quase o fazia soluçar.

Não sabia a razão daquele maldito sonho ter se tornado tão real, mas o que quer que estivesse fazendo aquelas sugestões bizarras provinha daquele louro de faixa.

Abriu a porta ainda calçando as pantufas e andou apressado até as escadarias do prédio, descendo rapidamente.

Ao sair para o frio da calçada onde a garoa fina molhou seus cabelos, andou mais e mais rápido.

— Vai me pagar por isso...

Shiroyama Yuu no carro em frente ao prédio soltou um suspiro debochado ao ver o baixinho andando da rua daquele modo furioso vestindo nada mais que pijamas e roupão com pantufas de coelho.

Era apenas a historia se repetindo, como em qualquer ano, qualquer situação.

A historia sempre se repete, não é mesmo?

O seguiu por desencargo de consciência, mas sabia perfeitamente onde ele estava indo.

Akira observava o teto da sala deitado ainda no sofá e aspirando o cheiro da almofada que há algumas horas esteve em contato com o corpo do professor que esteve ali. Estava desolado de mais para rastejar ao quarto ou até mesmo para trocar seu turno com Shiroyama, apenas permaneceu deitado, a gravata aberta enquanto a pilha de cigarros no cinzeiro aumentava e a garrafa de saquê diminuía.

Havia passado das duas horas da manhã e o sono como seu impiedoso inimigo mais uma vez o havia abandonado para que pudesse sofrer mais um pouco, como se o espaço de uma eternidade não lhe bastasse.

Ouviu um estrondo contra sua janela e saltou do sofá com o cenho franzido, cachorros dos vizinhos passaram a latir longamente. Alguém estava realmente atirando alguma coisa contra sua janela.

Tateou a arma e espiou indignado, sentindo o ar dos pulmões escapar ao ver a figura pequena metida dentro de um roupão lá fora, parecia furioso.

— Ô Cara! — gritava ele, irritado. — Sei muito bem que está ai dentro, abre logo a porta!

Abriu a janela e olhou para o rosto de Takanori, o cenho franzido onde mechas de cabelos molhados estavam coladas, estava completamente ensopado e provavelmente congelando.

— Acha que vou subir pelas suas tranças? — reclamou cruzando os braços ao ver Akira na janela.

Quase riu diante aquele comentário e tornou a fecha-la, correndo até a porta e indo até a entrada lateral no primeiro andar onde Takanori já estava plantado.

Assim que abriu a porta, o baixinho o empurrou e entrou como se aquela casa lhe pertencesse.

— Tennō Heika, está todo molhado e...

Takanori lançou um olhar de ódio ao ouvir novamente aquele tratamento, realmente tremia, estava molhado e vestindo roupas de dormir, mas o ódio era um combustível que eliminava o desconforto.

— Para de me chamar desse jeito, eu não sou Imperador de nada. É Matsumoto Takanori. Matsumoto-san pra você.

Akira fez uma mesura respeitosa e concordou tocando seu ombro.

— Por favor, Matsumoto-san, venha comigo para que eu possa lhe dar roupas secas.

— Roupas secas... — debochou o seguindo. — Acha que não conheço as suas intenções pervertidas, Cara?

O louro o olhou sobre o ombro e um sorriso de canto cheio de zombaria se apossou de suas expressões.

— Bem, se conhece minhas intenções pervertidas não deve estar tão desagradado com isso, já que veio até mim ás duas horas da manhã depois de sair da cama...

Takanori corou e apenas sussurrou uma praga, deixando os chinelos na porta de entrada da sala e o olhando agora finalmente sem saber por que estava ali. Era uma ideia estupida, o que havia lhe dado para fazer aquilo?

Akira fez um gesto para que o seguisse pela casa e mesmo desagradado com aquilo, o seguiu por um corredor onde ele indicou um banheiro.

— Prometo não fazer nada desagradável, pode entrar ai e trocar as roupas.

— Ah, que engraçadinho, e vou ficar sem roupas pra facilitar pra você? — retrucou emburrado.

O louro arqueou o cenho, confuso e se perguntou o que será ele havia lembrado para o olhar tão acusador.

— Eu não sou um estuprador, Tennō Heika, vou buscar as roupas para você... — sussurrou humildemente dando as costas em direção a ultima porta do corredor.

O professor mordeu os lábios, desconfiado enquanto esperava por ele ali, sem tirar os olhos da porta onde ele havia entrado. Aquelas visões estavam se mesclando á realidade de uma forma tão assustadora que se puxasse pela memoria poderia perfeitamente ver aquela noite onde Hojo o guiou até seu quarto e aquilo que aconteceu não parecia aos olhos de um expectador distante com nada que lembrasse sexo consentido... Mas...

Mas ele não era um expectador distante e sentia dentro de si que apesar da violência imposta, fazia tudo parte de um jogo doentio entre ambos.

Passou as mãos pelo rosto tirando os óculos e respirou fundo.

“Meu Deus, estou mesmo pensando que esse absurdo todo é real”, pensou chocado.

Poderia ser indução, hipnose, autossugestão, não poderia?

O louro voltava pelo corredor com uma pequena pilha de roupas dobradas e uma toalha, lhe ofereceu e como prova de seu bom comportamento virou-se sem sequer o olhar.

— Vou preparar algo quente pra você beber. — entoou monótono. — A chave está na porta, pode se trancar ai se isso te faz sentir mais seguro.

Sem hesitar, Takanori entrou e girou a chave da porta. Era um banheiro revestido de madeira, havia uma grande banheira escura de madeira também e ao lado um pequeno boxe de vidro. Até mesmo naquele espaço a influencia tradicional estava empregada.

Enquanto secava os cabelos e tirava as roupas molhadas deu uma olhada sobre a pia e percebeu um pequeno sabonete roxo, aquilo o fez soltar a toalha imediatamente e o pegar levando ao nariz.

Ameixas.

Levou a mão a boca e arregalou os olhos enquanto sentia aquele cheiro penetrando em seus pulmões.

Ameixas, ele sempre gostou daquele cheiro das flores da ameixeira. Takeuchi exalava aquele cheiro e agora...

Olhou para a porta como se ali visse o sujeito que a pouco estava consigo e engoliu em seco.

Aquilo não era racional, mas como explicar todas aquelas alucinações? Descobriu que a roupa que lhe trouxe consistia em uma um conjunto ainda embalado, pequeno de mais para Akira, provavelmente de uma camiseta de mangas compridas branca e calça de algodão, cinza. Um par de meias escuras e roupa de baixo. Vestiu sentindo o calor das peças contra seu corpo frio dar a sensação de conforto e saiu vagarosamente pelo corredor, com a toalha sobre os cabelos.

Através da sala onde se demorou olhando uma das armaduras, esta vermelha ao lado de uma preta, via no outro lado por uma bancada aberta a cozinha onde Akira parecia esquentar algum tipo de sopa de carne, pois o cheiro estava exalando pelo ambiente.

— Reconhece as armaduras? — Akira comentou o observando olhar quase desconfiado para elas. — São replicas.

— Replicas de quem? — perguntou quase hesitante com a resposta, engolindo em seco.

O louro sorriu minimamente.

— Para estar aqui á esta hora acho que sabe perfeitamente de quem.

Takanori tocou o vidro que protegia as duas e ouviu os passos do louro vindo em sua direção, poderia ter se encolhido para longe dele, mas a ideia de sentir o cheiro agradável de ameixeiras que vinha de sua pele não era ruim, ficou e assim que ele chegou perto, descobriu que havia o cheiro do saquê impedindo que o sentisse.

— Estava bebendo? — sussurrou o olhando abrir o vidro e tocar no capacete da armadura, disposto sobre um grande pano de seda vermelho como as peças e uma grande katana na bainha.

— Estive. — respondeu tirando o capacete e lhe entregando com um olhar de carinho. — Experimenta.

Takanori olhou para aquilo com certo receio, não queria colocar aquela coisa e lembrar-se de todos os detalhes que estavam voltando lentamente á sua cabeça, além de assustador, sabia que havia algo lá... Algo que não queria lembrar.

Ergueu os olhos para ele e se entreolharam por alguns segundos.

— Não posso.

— Por que não? — Akira retribuiu o sussurro. — Era seu. Você era mais bonito que o sol quando usava sua armadura... “Amaterasu não se compara com o resplandecer de seu rosto, Yori-chan”.

Takanori se afastou dele com o rosto se contorcendo em horror com aquela frase, aquele sussurro e negou freneticamente.

— Meu Deus do céu, como você está fazendo isso? Como tem influenciado nos meus sonhos e como... Como sabe que foi isso o que ele disse?

Akira parecia compreensivo deixando o capacete ali, disposto para ele com o vidro aberto como um convite. Enfiou as mãos nos bolsos vendo as reações desesperadas dele o olhando e suspirou.

— Não foi ele quem disse. Fui eu. E você sabe que fui eu. — respondeu. — Não foi um sonho, dentro de você, lá no seu intimo você sabe que eu estou falando a verdade. Não foi um sonho, foi uma lembrança.

— Isso é impossível, será que não entende que isso é um absurdo? — gritou chocado. — Isso não é racional, isso...

— O que sinto por você não é racional também. — retrucou calmamente sem tirar os olhos do rosto do baixinho. — No entanto existe, olha bem pra mim, Matsumoto-san e diga se não existe.

Fez o que ele lhe pediu e fitou o rapaz á sua frente. Não havia como negar, ele o olhava de um modo que ninguém mais olhou, como se estivesse apenas com aquele olhar despindo suas roupas e possuindo sua alma. Takanori sentiu a respiração falhar e se jogou no sofá onde permitiu que o nó em sua garganta se desatasse e as primeiras lágrimas passaram a rolar pelo rosto gelado.

Aquilo era uma loucura, mas ele sabia, sabia perfeitamente que era a verdade. Poderia não querer a aceitar, mas sabia.

— Eu não quero me lembrar de mais nada. — sussurrou secando o rosto e lhe lançando um olhar de raiva. — Por que tinha que aparecer? Quando você apareceu isso começou, por que tinha que voltar e estragar tudo?

Akira o observava com uma máscara de monotonia agora, comprimindo tudo de dentro de si e controlando o ímpeto de se jogar contra ele e secar suas lágrimas, abraçar seu corpo, fazia tanto tempo que não o abraçava e sentia tanta, tanta saudade...

— Você sabe por que. Além do mais, preciso te proteger.

— E se eu não quiser mais voltar, Akira? — ele bradou subitamente.

Com um quase soco no vidro, que fez a porta das armaduras se fechar o louro o fitou com irritação, deu as costas e retornou á cozinha.

— Então vou ter que ser o vilão de novo e te trancar comigo.

Takanori ouviu aquilo sentindo um arrepio de pavor. Correntes, correntes geladas contra sua pele e um rosto diferente daquele, mas sabia ser exatamente a mesma pessoa. A memória estava embaralhada, por isso ergueu o rosto e o olhou assustado.

— O que você fez comigo, Akira?

Na cozinha, ele quebrou o contato visual se voltando á sopa que passou a servir em silêncio. Takanori fechou os olhos e se escorou ao sofá, tentando absorver aquelas memorias que agora pareciam se confundir em imagens, muitas e muitas imagens.

— E se eu não te amar em uma das vidas? — Takanori perguntou fracamente, sabendo que o menor suspiro seu ele ouviria. — Você vai me matar e se matar para que a gente renasça e você corra atrás de mim de novo?

Akira derrubou uma colher na pia e apoiou-se ali, sentindo o coração acelerado no peito ao ouvir aquela pergunta que não soava como uma acusação, mas apenas um questionamento plausível.

— Em nenhuma das vidas você não me amou. — respondeu seguro. — Você me ama nesta também, só não sabe disso ainda.

Um riso amargurado veio da sala.

— Eu não gosto de caras. Vai me matar?

Colocou a sopa dentro de uma tigela e a levou consigo com cuidado.

— Não preciso que goste de caras. — disse suavemente lhe entregando a tigela quente e permanecendo em pé a sua frente, o olhando com desejo, mas logo virou o rosto e se jogou na outra ponta do sofá cinza de L. — Você gosta de mim e isso me basta.

O professor o observou abanando a cabeça, remexendo a sopa com a colher e sentindo o vapor dela subindo e abrindo seu apetite. Deu uma colherada e quase suspirou ao constatar que havia cogumelos ali dentro, talvez aquilo fosse coincidência, mas desde criança gostava muito de cogumelos. Percebeu que era observado e depois de mastigar fez um gesto interrogativo com a cabeça.

— O que foi?

— Está se perguntando como eu sabia. — Akira disse com um sutil sorriso. — Você sempre se pergunta.

— Então em todas as minhas encarnações o meu amor por você acompanha o meu amor por cogumelos?

Finalmente Akira deu um sorriso que poderia ser o mais próximo de um sorriso comum. Nem sarcástico ou amargo, apenas um sorriso de alguém que acha uma frase engraçada. Takanori sorriu também, sentindo a tensão não diminuir, mas ser apenas remediada.

— Seu amor por cogumelos é lendário. — respondeu em tom de brincadeira o observando comer naturalmente, em silencio enquanto olhava novamente para os detalhes da sala.

— Me fala sobre as outras vidas. — disse enfim depois de terminar a sopa. Não falou antes não por que não queria perguntar, ou por que queria uma pausa dramática, mas por que realmente a sopa estava muito boa. Apontou para a cozinha quando ele ia começar a falar. — Tem mais?

Akira arqueou o cenho e concordou, se levantando e indo ao encontro da tigela, mas Takanori se ergueu estralando os lábios e se dirigindo até lá sem se importar em deixa-lo plantado ali, confuso.

— Para com isso, não estamos mais no mundo onde você me serve. — reclamou Takanori. — Posso muito bem servir minha própria comida.

— É hábito. — Akira desculpou-se, retornando ao seu lugar.

— Mas e então. — disse retornando a sala e sentando mais perto de Akira cruzando as pernas sobre o sofá, muito á vontade para alguém que havia chegado ali atirando uma pedra em sua janela como um maluco de pijama e encharcado. — Quantas vidas tivemos?

Akira apertou os lábios, pensativo.

— Dezoito. Dezenove com esta.

— Nossa... E sempre fomos pessoas assim, históricas?

— Não, nem sempre. — Akira sussurrou. — Houveram vezes não tão significativas para a historia da humanidade, mas significativas pra nós dois. Eram nossas vidas, entende?

Takanori abanou a cabeça, sem saber como dizer que poderia entender na teoria.

— Quando foi a ultima?

Akira mordeu os lábios, indeciso em dizer aquilo.

— Em 1960... Eu não quero falar desta vida, pelo menos por enquanto se não se importar.

— Você fez merda, não fez, safado? — Takanori disse com um sorriso maldoso e os olhos cerrados o olhando acusador. — Fez, não fez?

Ele desviou o olhar, ou realmente iria atirar aquela sopa pelos ares e começar mordendo aquela boca perfeita que via e então iria perder o controle mais uma vez.

— Digamos que as coisas saíram do controle.

Com a colher ainda na boca Takanori abanou a cabeça, fingindo compreender.

— Não houve alguma vez que você veio e eu era uma pessoa muito feia e você lamentou isso?

Aquela pergunta fez Akira o olhar rapidamente e sem controlar a risada veio facilmente.

— O que?

— Ah, vamos, houve ou não?

— Não! — disse agora gargalhando. Eram perguntas tão estranhas vindas dele que contrastavam totalmente com as pessoas que havia conhecido em todas as outras vidas. Talvez se devesse ao fato que ele era apenas fruto daquele tempo que vivia, era apenas Matsumoto Takanori por hora, não havia a consciência de todas as outras existências, por tal razão era tão imaturo.

— Eu já fui mulher?

— Sim.

— E você? — questionou curioso, quase debochado.

Akira assentiu.

— Já.

— E o que rolou?

— Não te encontrei.

Takanori sentiu uma estranha tristeza sobre aquilo e terminou a sopa, colocando a tigela sobre a mesinha de centro.

— O que aconteceu?

— Eu morri. — deu os ombros. — Você era meu irmão. Quando minha consciência despertou, eu não pude aceitar que não iria te ter e... Bem...

— Você se suicidou. — Takanori suspirou pesadamente e novamente se escorou ao encosto do sofá, abraçando o próprio corpo com um olhar distante para a luminária do centro da sala. — Você tem sofrido dezenove vidas e me levado com você... Eu não posso imaginar como é ter dezenove existências dentro de si ao mesmo tempo, mas acredito que tem tanta tristeza ai que não saberia o que fazer... Você não acha que um dia amou de mais o Imperador Ojin e então fez isso tudo, mas as pessoas que eu me tornei ao longo da historia não são mais aquele garoto que você amou?

— O que quer dizer com isso? — questionou seriamente.

— Você é apaixonado por alguém que não existe mais, Akira. — Takanori disse dando de ombros. — Eu, Matsumoto Takanori, sou a projeção daquele Imperador que um dia existiu se essa historia toda for verdade. Não há mais nada dele em mim, sou apenas um professor de historia... Acho que você está se iludindo em amar a mim, você nem me conhece. O seu Imperador foi um filho da puta que cortou a sua cabeça, você foi um filho da puta que amaldiçoou todo mundo. No inicio, nas primeiras reencarnações ele até podia viver dentro do Principe Umayado e depois no primeiro Xogun Minamoto, mas depois... Depois tudo foi se dissolvendo. Olha pra mim, acha que eu tenho qualquer coisa desses caras que você amou?

Akira o contemplou pensativo e suspirou.

— Acha que não me perguntei isso quando minha consciência voltou? Eu me perguntei. Eu disse a mim mesmo que não valia mais a pena, mas quando eu te vi... — deu os ombros. — Não estou apaixonado pelo Imperador Ojin, Takanori. Estou apaixonado por você.

— Ai, cara... — gemeu corando com uma confissão tão direta. — Assim eu fico sem graça...

Takanori desviou o olhar colocando uma mecha para trás da orelha, confuso sobre aquilo. Nunca havia se interessado por algum rapaz, mas com ele era como se não fosse um fato muito importante. Entreolharam-se novamente, desta vez, Akira se ergueu e hesitante como se estivesse se decidindo sobre o que fazer, apenas suspirou deixando as mãos na cintura e fez um gesto em direção ao corredor.

— Vou tomar um banho e se quiser pode dormir na minha cama, eu vou ficar acordado mais um pouco.

Takanori negou, completamente sem graça.

— Não... — abanou a cabeça e se ergueu do sofá. — Não, eu acho melhor ir pra minha casa, sinceramente, eu não sei o que deu em mim, apenas sai e...

— Não acredito que depois de tanto tempo vai falar todo formal justamente comigo. — Akira disse com um sorriso de canto. — Por favor, é o mínimo que posso fazer. Amanhã pela manhã eu te levo em casa e fico de olho no Kamijo.

O professor concordou, o seguindo em direção ao corredor mais uma vez, agora em silencio e constrangido.

— Obrigado pelo que fez lá na faculdade, acho que ele ia mesmo usar aquela adaga.

O louro abriu a porta do quarto e o encarou seriamente.

— Ele quer mesmo usar aquela adaga, mas se usar em você, terá que usar em mim primeiro. — o observou por alguns segundos e puxou a porta para fechá-la. — Boa noite, Tennō Heika.

Takanori ficou olhando para a porta fechada e enfim deu uma olhada ao redor, o quarto escuro, mas igualmente tradicional que lembrava muito o estilo da sua própria casa. Andou até a cama onde ergueu o edredom escuro e se aconchegou ali, apagando a luz e deixando a luminária acesa ao lado da cama. Estava silencioso, ali dentro, mas o cheiro que estava impregnado nos lençóis e no travesseiro faziam que apenas um som fosse escutado; o do seu coração que agora batia aos solavancos.

Não queria acreditar naquela historia toda, não queria imaginar que seu coração estava tão acelerado pelo cheiro de um sujeito maluco que conheceu em uma situação absurda, mas os fatos para Takanori sempre seriam os fatos e naquele momento apontavam apenas para uma verdade.

Estava atraído por ele.


Notas Finais


Uma dúvida, está dando pra entender direitinho? Não tá confuso sobre as datas e vidas passadas? Está dando pra por cronologicamente tudo certinho? Qualquer dúvida chamem no grito.

PS: na história de vdd o Minamoto se casou com a filha do Hojo e ele era bem mais velho, caso alguém fale sobre isso, mas né kkkk é uma fanfic então só fiquem de boas

Espero que tenham curtido o/


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