História Sorores - Capítulo 7


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Palavras 1.955
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Magia, Misticismo, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - Two.


    O lugar parecia nada além de um corredor estreito e escuro, mas, mesmo no breu, enxergavam uma sombra bruxuleante algum ponto adiante. Com os corpos dormentes pela descarga de adrenalina, as meninas puseram-se a caminhar pelo corredor estreito até alcançarem seu misterioso fim, o qual descobriram se tratar de uma sobreposição de paredes. Instigadas pelo obstáculo, transpuseram-no rapidamente, sem nem qualquer resquício de hesitação; afinal, já estavam ali mesmo, não é? E não seria um crime maior ainda permitir que a curiosidade lhes corroesse quando poderiam saciá-la dando apenas mais alguns passos?

    Mas não veio nenhuma surpresa exuberante. Tudo que lhes aguardava era o que parecia ser um pequeno hall fracamente iluminado e uma escada em espiral que levava… para baixo? As garotas se entreolharam, apreensivas por um instante, mas resolveram seguir Kira, que tomou a dianteira e desceu um degrau de cada vez feito um gato. Não faziam a menor ideia de para onde estavam indo, mas não queriam e não podiam retornar. Sayuri pousou as mãos nos ombros da mais velha, enquanto os seus serviram de apoio para as mãos de Sakura, que por sua vez foi a guia de Harumi. Em perfeita sincronia, o quarteto desceu sem pressa e sem o menor ruído.

    O ambiente que lhes recebeu mostrou-se bem mais interessante do que o anterior, mesmo na penumbra. Vislumbravam silhuetas estranhas, prateleiras e mesas repletas de quinquilharias pedindo para serem exploradas. Sabiam que ali era território proibido - mas sabiam também que não podiam mais ficar de braços cruzados. Felizmente, Harumi logo encontrou maneira de aumentar a iluminação e puderam contemplar o espaço amplo, repleto de bancadas, mesas, prateleiras cobertas de livros e potes de ingredientes, utensílios e tantas outras coisas que parecia impossível absorver tudo de uma só vez.

    — Ok. — Suspirou Kira, tomando a liderança mais uma vez. — Aqui deve ter algo que possa ajudar. Sei que as ervas e a maioria dos ingredientes secos ficam naquelas prateleiras ali. — E apontou com segurança para um extenso conjunto de potinhos de cerâmica e barro.

    — Vou dar uma vasculhada nos livros. — Informou Sayuri, subitamente tomada por um novo fôlego ao lembrar-se de seu objetivo; encaminhou-se rapidamente para o lado oposto da sala, enquanto Kira foi para o lado direito, remexendo nos potinhos como se estivesse familiarizada com eles.

    — Como é que você sabia que as ervas ficavam aí? — Indagou Sakura, enquanto se aproximava de uma das bancadas, ansiosa para analisar os instrumentos ali dispostos.

    — Entrei aqui uma ou duas vezes. — Respondeu a outra, distraída, destampando um potinho de barro e cheirando-o. — Procurar alguma coisa pro meu cabelo, sabe?

    — E você já ouviu falar em tinta de cabelo? — Intrometeu-se Harumi, puxando um banquinho de três pernas para perto de uma outra mesa, com o intuito de facilitar seu acesso aos outros ingredientes que repousavam sobre a superfície.

    — Eu descolori meu cabelo, mas precisava de um pigmento fácil pra cobrir, né.

    — Admita que só queria uma desculpa pra entrar aqui. — Riu Sakura, e a mais velha também sorriu, embora estivesse concentrada demais em sua tarefa para responder de verdade.

    Havia de tudo e mais um pouco ali. E nesse último estavam inclusas coisas como pêlos, penas, presas e partes de animais que nunca haviam ouvido falar, pós de chifres de criaturas místicas, plantas venenosas e até mesmo um grande pote de vidro cheio de escamas gigantes e multicoloridas que poderiam facilmente pertencer à sereias. Quanto aos instrumentos, frascos de todos os tamanhos e formas, medidores, misturadores e balanças de latão por todos os cantos. Havia também uma grande lareira equipada com um enorme fole e - que clichê! - um grande caldeirão de estanho. Sim, eram oficialmente bruxas e negar o título agora seria simplesmente ridículo.

    O grupo manteve-se ocupado por um bom tempo, todas trabalhando em silêncio em suas funções, o ambiente sendo preenchido apenas pelos ruídos dos objetos sendo movidos de um lado para o outro. Não estavam preocupadas com uma possível bronca, ou com a bagunça que estavam fazendo; era tudo por um bem maior, e precisavam se concentrar nele. Mas…

    — Hã… Gente? — Chamou Sayuri, que estivera todo aquele tempo sentada sobre o chão frio cercada por diversos livros; todas imediatamente correram para ela, que acabou por erguer-se para apoiar sobre a mesa mais próxima um pequeno e surrado caderno de páginas soltas e amarelas. — Isso é o que eu penso que é?

    As frágeis folhas soltas foram desdobradas e expostas ao redor do pequeno caderno de anotações; os quatro pares de olhos avidamente passearam sobre as informações dispostas em diferentes caligrafias. Não era preciso analisar muito para compreender do que se tratava, o que não diminuiu o interesse das jovens. Todos os nomes e datas eram rapidamente registrados pelos cérebros astutos que tentavam ao máximo realizar todas aquelas contas o mais depressa possível…

    — Isso é… — Manifestou-se Sakura, ainda sem piscar. — A árvore genealógica da família?

    — Todos esses homens… Morreram por nossa causa? — Questionou a caçula, franzindo a testa.

    — Não. Nós não fizemos nada. Não temos culpa. E elas também não tiveram. — Sussurrou Kira, embora parecesse querer tranquilizar mais a si mesma do que as irmãs.

    Como se tivessem combinado, todas correram para a última anotação, que consistia em nomes bem mais familiares do que os anteriores; em igual sincronia, sentiram seus estômagos afundarem desagradavelmente após concluírem seus cálculos.

    — O vovô morreu quando a mamãe tinha só seis anos. Isso… Não está certo, está? — A nota desesperada era evidente na voz aguda de Harumi, mas ninguém veio em seu conforto

    — Por que ela nunca disse nada?

    — Isso não significa que o nosso pai…

    — Não! — Interveio Sayuri, num tom cortante, fazendo com que as duas mais novas se calassem. — Isso não quer dizer nada! Olha só… — E voltou algumas páginas em busca de uma data em particular. — Aqui, viu? Eles tiveram seis filhas e uma vida longa juntos… E esses aqui também!

    — Whoa, eu preciso me sentar. — Anunciou Kira, desabando sobre um banquinho frágil, parecendo sinceramente desnorteada. — É diferente olhando dessa forma. É tão…

    Não conseguiu completar sua sentença, mas não havia necessidade. Todas sabiam o que ela queria dizer: saber sobre a maldição era totalmente diferente de encará-la. Todos aqueles nomes de todos aqueles homens que haviam tido a infelicidade de cruzar o caminho de uma mulher condenada… Não era mais apenas uma história, e aqueles não eram apenas nomes em um papel. Tudo tornou-se extremamente real de um segundo para o outro - e também muito doloroso. Significava que Naoki poderia morrer naquela noite, ou dali uma semana… ou poderia viver o suficiente para ver todas as filhas se tornando adultas… poderia envelhecer ao lado da mulher que amava… Não havia como saber. E aquilo era desesperador.

    — Como alguém pode viver assim? — Indagou a mais velha, e uma sombra sinistra passou por seus olhos. — Sabendo que foi responsável pela morte de outra pessoa? É quase um assassinato!

    — Não é como se existisse escolha. — Suspirou Sakura, com uma expressão totalmente vazia. — Faz parte da maldição.

    — É tão cruel… — Harumi havia se encolhido em seu assento e observava as irmãs feito um gato assustado.

    — Eu não vou cair nessa armadilha. — Havia um novo vigor na voz de Kira, que elevara o volume. — Mamãe nos deu isso por um motivo. — E indicou o colar em seu pescoço. — Para nos deixar mais fortes. Nós podemos quebrar essa maldição.

    — Não seja boba. — Interrompeu Sayuri, que mantinha os olhos grudados no caderno, folheando-o com todo o cuidado possível. — Durante todo esse tempo, você acha que ninguém tentou parar isso?

    — Bom, nenhuma delas era eu!

    — Kira… essa história toda começou porque uma mulher se recusou a aceitar a morte e foi condenada a viver com ela. Seja mais esperta.

    — Então devemos ficar aqui e aceitar isso?!

    — Eu não sei o que fazer. — Interveio Sakura, antes que a gêmea pudesse responder. — Você sabe?

    — Eu quero dormir. — Pediu Harumi, tentando disfarçar a voz trêmula. — Eu quero dormir e fingir que isso não aconteceu.

    Mas ninguém conseguia se mover no momento. Um enorme peso havia recaído sobre seus ombros, e não havia nada que pudessem fazer; de repente, aquilo não se tratava apenas de salvar seu pai, mas o futuro de cada uma delas. Sequer se importavam com a bagunça que haviam feito, ou com a bronca que provavelmente levariam por conta da pequena invasão. Não conseguiam se importar com mais nada.

    — Acho… — A voz de Sayuri vacilou como a da irmã caçula, mas recuperou-se rapidamente. — Acho que posso dar uma olhada nesses livros. Deve ter algo que ajude. Vou pedir pra mamãe.

    — Eu ajudo. — Kira parecia aliviada com a perspectiva de ter algo para fazer. — Quanto mais eu souber sobre essas plantas, melhor.

    — Eu também! — Animou-se Sakura, erguendo a mão. Todos os olhos caíram sobre Harumi, que hesitou, mas fez um sinal positivo com a cabeça. Satisfeitas, as irmãs se retiraram em silêncio, e cada uma entocou-se no próprio quarto.

    

    Kira desejou um “boa noite” sereno para as irmãs antes de fechar a porta de seu quarto; mas, tão logo entrou debaixo das cobertas, sentiu seus olhos marejarem contra a sua vontade. Sayuri tinha razão: provavelmente tudo já havia sido testado. Jovens apaixonadas desesperadas para salvar o amor de suas vidas das garras frias da morte… Mas a ideia de apenas aceitar aquilo era perturbadora demais! Como poderia ficar ali, parada, enquanto seu pai pagava por um crime que não havia cometido? E como poderia aceitar que seu destino era o mesmo de sua mãe? Entregar seu coração à alguém e depois vê-lo sofrer até a morte? Como conseguiria aceitar aquilo? Aquilo tudo já era perturbador demais antes de tomar ciência do quão era real. Estava de mãos atadas. Mas não queria estar. Não suportava.

— Sayuri? — Chamou Harumi, antes que a irmã adentrasse o próprio quarto. — Você acha mesmo que tem algo que pode ajudar?

    Embora fosse a mais realista das quatro, a garota soube, ao fitar os olhos da irmã na penumbra, que ela não buscava por uma resposta sincera - apenas por conforto. Sakura havia parado na porta de seu quarto e observava a dupla, como se também quisesse ouvir da gêmea que ficaria tudo bem. Sayuri esboçou um sorriso cansado e virou-se para encarar a caçula de maneira apropriada.

    — Em algum lugar, deve ter. — Sussurrou, da maneira mais doce possível. — Alguma combinação que ainda não foi testada. E nós vamos encontrá-la, uh? Pelo papai. E por nós também. Agora vá pra cama antes que nos peguem. Boa noite.

    Harumi acenou com firmeza, inconscientemente agarrando-se àquelas palavras; mesmo sabendo que não passavam de uma conveniente mentira, ficou grata pela gentileza da irmã. Apressou-se para seu quarto no fim do corredor, fechou a porta, enfiou-se na cama e fitou a janela que filtrava a luz da rua. Será que conseguiria acordar Akihiro se focasse sua concentração o suficiente? Precisava de companhia…

    — Você realmente acredita nisso, ou só estava tentando fazer ela dormir? — Cochichou Sakura, antes que a outra adentrasse seu quarto. A diferença entre elas era de minutos, mas às vezes a mais nova parecia ser ainda mais jovem do que Harumi. Os olhos repuxados de repente pareciam muito maiores e muito mais desesperados do que antes, clamando por algum sossego.

    — Tenho que acreditar, né? — Respondeu Sayuri, inclinando-se no batente de sua porta com a intenção de aproximar-se mais da outra. — Vamos ficar bem, Sakura-chan.

    As garotas se encararam durante mais alguns segundos, como se estivessem dispostas a apanhar a outra em um vacilo, mas ninguém cedeu; derrotadas, abrigaram-se em seus próprios quartos e fecharam as portas em sincronia.

    Os quatro corações apertados ansiavam pelo conforto da presença de outras quatro pessoas que nada tinham a ver com aquela bagunça. Queriam esquecer um pouco do peso de ser quem eram, brincar de serem crianças normais com problemas normais.


Notas Finais


PARA REFERÊNCIA:
- Kira - Hyoyeon (SNSD)
- Sayuri - Lee Jieun/IU
- Sakura - Somin (K.A.R.D.)
- Harumi - Bae Joohyun/Irene (Red Velvet)


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