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História Sorry - Capítulo 2


Escrita por: LBKX04

Capítulo 2 - Capítulo 01 - Nova Escola


[07h44]

Não foi novidade o fato de que o caminho até Busan fora coberto por um silêncio mortal, mas que evidenciou o desconforto dos adultos quanto ao garoto no banco de trás.

Beomgyu, para não ter que olhar para eles, apenas ficou com a cabeça levemente abaixada, concentrando-se nas músicas que ouvia no headphone e escrevendo palavras que pareciam um pouco desconexas em um caderninho.

Infelizmente, eram perceptíveis os olhares de repulsa nos espelhos do carro para o que estava fazendo, mas bastava ignorar até pararem ou desviarem para outro lugar.

Agradecia por não terem trocado uma palavra até a nova casa, mas sua decepção se recusou a tardar. O Choi não tinha e nem teria um quarto, não porque faltavam cômodos para chamar de seu naquele lugar, mas os adultos fizeram favor de obrigar que dormisse no sótão para vê-lo o menos possível.

Já era surpreendente sua mãe ter feito a matrícula na escola por conta própria, sem Beomgyu precisar pedir. Talvez sua consideração esgotara-se só com aquilo.

Se ao menos tivesse uma cama... O caminhão com os pertences de todos chegaria naquele mesmo dia ou no seguinte, ou seja, tivera que se contentar com um sofá empoeirado que resguardava-se naquele topo sujo.

Aquela foi mais uma horrível noite que mal fechou os olhos, fazendo o cansaço que já residia em seu corpo aumentar.

Antes de sair de casa, se preocupou em fazer um sanduíche e comer para que, no mínimo, não desmaiasse no caminho.

Embora fosse magro e suas roupas já estivessem folgadas para evitar qualquer curva de sua estatura corporal, tinha que se concentrar no que fazer ao menos para estudar direito.

Ninguém merecia ter uma péssima e distorcida primeira impressão do novo aluno logo de manhã.

Outros estudantes caminhavam distraídos nos corredores, o que foi motivo de alívio para Beomgyu por poder atravessá-los sem ser percebido enquanto procurava a diretoria, uma missão difícil.

Talvez, nem tanto assim.

– Ei, garoto. – um homem pálido de cabelos castanhos parou em sua frente, forçando-o a parar e encarar-lhe desconfortável. – Perdão por abordá-lo desse jeito, mas está procurando a diretora, não é?

– Sim. Pode me dizer onde é sua sala, senhor? – o Choi pediu rouco, quase inaudivelmente.

– Me acompanhe. – o provável professor disse começando a andar, sua ordem não demorando a ser atendida.

Beomgyu não expressou nada o trajeto todo e nem na pouca conversa que teve com a superiora sorridente da escola, que lhe entregou os horários e as chaves do seu armário. Apenas se limitou a ser educado e, novamente, tornar-se invisível para todos.

Isso se o professor, que se apresentou como Yang Hongseok, não tivesse sido tão gentil e o assegurar que poderia chamá-lo caso houvesse algum problema, ou simplesmente quisesse conversar.

Uma pena que socializar não estava nos planos do novato.

Quando deu o horário, seguiu até a sala que teria sua primeira aula e foi direto para uma das carteiras do canto, evitando os garotos que já estavam no local.

Depois de tanto sofrer na sua antiga escola, era melhor que não se aproximasse de ninguém.

O Choi apenas abaixou a cabeça para esconder-se dos diversos grupos que entravam animados e, por sorte, ninguém pareceu o notar.

A não ser o professor, que perguntou se queria se apresentar em frente a todos. Beomgyu, para respondê-lo, se limitou a acenar negativamente sob os olhares dos alunos curiosos.

Para seu alívio, o adulto assentiu, disse o nome do rapaz e para que o tratassem bem, além o seu próprio para ele saber como chamá-lo. Ao menos, ele respeitara sua decisão com um sorriso fofo no rosto.

Ok, parece que os professores não seriam problema lá. Menos mal.

📖

[12h15]

Com o tocar do alarme para o horário do almoço, Beomgyu decidiu esperar para que todos saíssem da sala para, só então, segui-los até o refeitório.

Realmente, ninguém procurara conversar com o rapaz e isso, para ele, estava de bom tamanho. Até mesmo o professor não o perturbou, apenas o observou anotar o que estudar enquanto os outros alunos conversavam sobre o conteúdo que havia sido explicado, ou simplesmente banalidades.

Por mais quieto que fosse, o Choi sabia que evitar chamar atenção sendo novato era quase inevitável. Os olhares que recebeu até agora não passaram de gentis ou curiosos, como alguns garotos daquela turma qual não queria se envolver.

Enfim, nada com que se importasse.

Quando conseguiu pegar seu almoço, buscou sentar-se numa mesa isolada e pôr seus fones para não ouvir o que parecia um galinheiro naquela escola.

Porém, sua paz foi momentânea. Ela interrompeu-se no momento em que alguém cutucou sua nuca, chamando sua atenção, uma garota baixinha e loira.

– Com licença? Essa daí é a mesa que costumamos sentar... – ela disse no momento que a encarou de forma neutra, provavelmente referindo-se ao seu grupinho.

– Perdão, vou sair agora. – sem querer discutir, Beomgyu levantou-se junto de sua bandeja, mas, quando andaria para sair, a menina segurou a manga de seu uniforme para que parasse.

– Se quiser, pode ficar com a gente. – a menor ofereceu com a voz leve, numa tentativa de se aproximar do novato. Porém, sem demora, ele segurou sua mão e a afastou delicadamente, voltando a pegar sua bandeja sem encará-la.

– Prefiro ficar sozinho. Talvez, outro dia, eu aceite. – por fim, recusou, curvando-se educadamente e saindo dali.

Embora tenha sido a aproximação mais calma que tentaram consigo, a única coisa que passou em sua mente foi uma memória perdida de uma pessoa que fizera a mesma coisa consigo, mas não ficou ao seu lado quando precisou.

Com um suspiro pesado, sentou-se em outra mesa vazia e se preocupou em terminar o almoço o mais rápido possível para que saísse dali.

Exceto pelo olhar da garota sobre Beomgyu, que não se deu conta de que estava sendo observado por ela, não obteve companhia.

Será que era um novato tão curioso assim?

📖

[16h32]

Por mais tranquilo que tivesse sido seu primeiro dia, foi um alívio para Beomgyu quando o alarme anunciou o fim das aulas.

Não encontraria ninguém, e muito menos iria para casa. Ao invés disso, decidiu conhecer melhor o novo distrito no qual viveria de agora em diante.

Precisaria ao menos saber em que lugares poderia ficar para evitar voltar até a péssima companhia dos pais.

Felizmente, encontrou uma cafeteria não muito longe da escola, a qual, acima de ter vários clientes já ocupando os lugares disponíveis, era muito organizada e tinha uma energia que fazia o Choi sentir-se aconchegado.

Era óbvio o motivo pelo qual estava lotado.

Timidamente, ele foi até uma mesa pequena, onde colocou seu caderno com a listagem dos livros que os professores recomendaram para que fizesse a leitura, com exceção dos didáticos que utilizavam normalmente nas aulas.

Se quisesse escapar de casa o mais rápido que pudesse, tinha que estudar para estabilizar um futuro ao menos.

– Vai pedir algo ou só vai estudar mesmo? – uma pessoa perguntou séria apoiando-se na mesa em que se acomodara. Assim que Beomgyu ergueu o olhar, viu que se tratava de um garoto loiro, uniformizado com as vestes dos funcionários do estabelecimento.

– Só... Estudar mesmo, se não for incômodo. – respondeu baixo, um pouco tenso pelo olhar que o outro lhe direcionava, mas, em questão de segundos, aquele semblante iluminou-se animadamente.

– Não é incômodo nenhum! Muita gente vem aqui para fazer isso, pode ficar relaxado. – o maior disse sorridente quase que de forma lúdica. – Nunca te vi por aqui... Qual seu nome?

– Beomgyu... Choi Beomgyu. – o moreno respondeu rápido e voltou ao seu próprio caderno, já sentindo o peito apertar pela aproximação repentina do outro garoto.

– Me chamo Huening Kai. – ele apresentou-se, mas, ao perceber o acanhar desconfortável do menor, resolveu abaixar o tom. – É novo por aqui?

– Sim, me mudei ontem... – curto, Beomgyu respondeu sem desviar das folhas. Percebendo que quase não conseguia conforto algum para o novato, Kai refletiu brevemente antes de voltar a distanciar-se e ir ao balcão.

Aliviado, o Choi deu um sorriso soturno e repôs o headphone em suas orelhas, desligando-se do mundo ao redor para, finalmente, ver as bibliotecas no mapa de seu celular.

Porém, não contava que uma xícara seria posta bem na sua frente, tornando inevitável não olhar ou inalar seu maravilhoso aroma. Quase instantaneamente, viu que era capuccino, recheado com chantilly e um pouco de canela no topo.

Após tirar os fones, o moreno percebeu que Kai estava apoiado do outro lado da mesa, com o sorriso no rosto, mas com um semblante bem mais leve e meigo.

– Perdão por ter forçado agora há pouco. Preparei isso para me redimir, se não for incômodo, é claro. Por conta da casa. – pediu enquanto coçava o cotovelo desajeitadamente, usando da mesma fala do de cabelos longos de poucos minutos atrás.

Surpreso, Beomgyu largou o celular ainda envergonhado, mas respirou fundo para se acalmar em consideração ao esforço do garoto. Timidamente, esfregou as mãos na própria calça antes de dar o primeiro sorriso sincero desde que chegara naquele distrito e falar.

– N-não é incômodo nenhum! Obrigado, Kai. – curvou-se agradecido, podendo ouvir uma mini comemoração do outro. – É-é que... Eu não sou muito de conhecer pessoas novas dessa forma...

– Tudo bem. – o funcionário disse antes de ouvir seu nome ser chamado para, novamente, voltar para trás do balcão. – Preciso ir. Prazer em conhecê-lo e seja bem vindo, Beomgyu!

Em resposta à despedida de Kai, o Choi retribuiu à sua maneira a simpatia num aceno desajeitado, ainda envergonhado, mas seguro de seu novo conhecido.

Era inacreditável ter conseguido, após tanto tempo, trocar palavras com alguém de forma confortável, acima de sua própria tendência antissocial. Kai não era alguém para temer.

Mal esperava que, além do loiro, mais pessoas entrariam em sua vida e despertariam sentimentos que fora obrigado a enterrar há anos.

Continua...




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