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História Sorry - Capítulo 3


Escrita por: LBKX04

Capítulo 3 - Capítulo 02 - A ideia do professor


[Dia seguinte, 02h23]

Subitamente, o sono de Beomgyu fora interrompido ao mesmo tempo que reprimia um grito esganiçado para evitar o despertar do resto da casa.

Estava ofegante, levemente suado, mas foram as pequenas lágrimas que deslizavam pelo seu rosto que mais marcaram sua pobre condição.

Como já lhe ocorria recorrentemente...

Quando conseguiu, mesmo que minimamente, recuperar seu fôlego, o Choi levantou ainda atordoado do sofá, que limpara ao chegar em casa no dia anterior, e guiou-se pela escuridão do local até a janela única que ali tinha, que lhe ofereceria a vista para a rua deserta iluminada pelos poucos postes espalhados.

Em sua antiga casa, observar a cor amarelada que banhava as calçadas enquanto sentia o vento frio da madrugada bater em seu rosto era a única forma que tinha para se acalmar e voltar a dormir, mesmo que fosse por pouco tempo até amanhecer.

Não seria diferente daquela vez, com exceção do fato de estar num distrito novo e não ser os mesmos postes e ruas a assistir seu colapso.

Em poucos minutos, sua respiração voltou ao normal e, mais uma vez, o cansaço tomou seu corpo. Porém, o que impedia-lhe de voltar a dormir era a mente ainda perturbada com o retorno daquelas memórias dolorosas em seus sonhos.

Sua cabeça tornava-se uma verdadeira bagunça incontrolável até o amanhecer, ou até não aguentar mais e desmaiar de sono, como se o nocauteasse após um duro combate.

Contudo, aquela mistura pareceu acalmar-se ao lembrar de como o seu dia anterior seguiu-se. Os professores na escola o tratando bem, respeitando seu espaço, e então conhecendo Kai na cafeteria.

O último momento, involuntariamente, levou um sorriso aos lábios de Beomgyu. Sua felicidade, embora quase imperceptível por ser meio apático, era mais do que sincera e imensa.

Ter um amigo não fazia parte dos seus planos ao se mudar, e continuava assim. O máximo que conseguiu do Huening com aquele encontrinho foi perceber que o mais novo era uma boa pessoa e que não lhe faria mal algum.

Mas, se queria manter uma distância segura para aquilo não passar de nada além conhecidos, por que aquecia seu peito tão rapidamente?

Não obteria uma resposta naquela madrugada. Aquela simples ideia relaxou todo o corpo do Choi e o fez adormecer com a cabeça apoiada na almofada sobre a janela.

Talvez, a ideia de se aproximar de alguém não fosse tão tenebrosa assim.

📖

[12h34]

Estar sozinho constantemente não perturbava ou entristecia Beomgyu de forma alguma, o que exerceu aquele papel no almoço foi o barulho que preencheu o refeitório. Diversas vozes misturadas não o deixavam se concentrar em mais nada.

Por isso, colocava os fones sempre que tinha oportunidade, e lá não parecia que os coordenadores proibiam, visto que muitos outros alunos também usavam.

A garota do dia anterior não procurou por ele e muito menos o Choi pela mesma. Beomgyu não mentiu ao falar que em outro dia poderia ficar com seu grupo, mas estava longe da hora que se uniria a alguém naquela escola.

Naquele ponto, apenas cutucava a comida, que já não parecia ter mais atração alguma, embora estivesse faminto.

Não havia tomado café naquela manhã.

Simplesmente, não parecia que conseguiria... Impossível de explicar para si mesmo aquela anomalia em sua vida.

Para sua surpresa, mais uma bandeja, porém menor, foi posta na mesa em que estava, chamando sua atenção e atrapalhando sua linha de pensamento.

Menos mal, já que estava se torturando mentalmente. Ainda mais por ser alguém que "conhecia".

– Boa tarde, Sr. Yang. – Beomgyu cumprimentou o professor educadamente, que sorriu em resposta, logo sentando-se à sua frente. – Precisa de alguma coisa?

– Na verdade, percebi que estava muito solitário aqui, então vim te fazer companhia. – o homem disse sincero, percebendo que o Choi continuara com a mesma expressão neutra. Casualmente, apenas continuou falando. – Tranquilo seu primeiro dia?

– Sim... Nada demais. – o mais novo disse verdadeiro. A única coisa que consideraria demais no seu dia anterior trabalhava num café e tinha um belo sorriso no rosto.

– Não conseguiu fazer nenhum amigo por aqui?

– Não... E não me incomodo com isso, já está de bom tamanho estar sozinho. – indiretamente, Beomgyu pontuou seu desconforto ao mais velho, que arqueou uma sobrancelha para si antes de comer.

– Na sua idade, é bom conhecer novas pessoas. – Hongseok advertiu sorrindo, sendo friamente ignorado em seguida. – Persistente você...

– Obrigado pela parte que me toca... – o Choi disse sem precisar encará-lo para evidenciar que estava desconfortável.

– Tente dar uma chance. – o professor pediu tendo ideias rodando sua cabeça sobre a escola. – Nosso grêmio promove atividades de clubes extracurriculares para integração dos alunos--

– Perdão, mas não estou interessado. – o aluno respondeu frio, arrependendo-se no mesmo segundo ao erguer o olhar ver o rosto entristecido do mais velho. – É que...

– Tudo bem, Beomgyu, mas pense em considerar o que lhe falei. Olha, dalve o engano, as vagas para o clube de música ainda estão abertas. – Hongseok advertiu, sorriu para o garoto e levantou para sair.

Uma dor súbita atingiu o coração do Choi ao ver o mais velho pegar sua bandeja e organizar-se para sair ainda magoado com suas palavras. Ele realmente estava se esforçando para que Beomgyu ficasse mais confortável na escola...

Embora estivesse com medo por ser aidna o começo de sua primeira semana ali e não conhecer quase nada, o moreno sentiu-se tocado. Por fim, suspirou derrotado e segurou a manga do professor, o impedindo de sair, encarando-o curiosamente.

Talvez, não fosse ruim dar uma chance para ele já que se importava consigo.

– Em que o horário que os clubes costumam fechar?

☁️

[15h59]

À medida que ficava mais próximo o fim da aula, Beomgyu mordia os lábios ansioso para os outros saíssem rápido para que estivesse sozinho para fazer o que, em parte, queria evitar.

Ir ao clube de música.

Hongseok dissera que os clubes fechavam meia hora após o toque de saída e, geralmente, quem organizava tudo para que fechasse era o próprio presidente.

Não poderia negar que era uma oportunidade, assim como dito pelo mais velho, mas o Choi era cercado de inseguranças apenas ao pensar na possibilidade de estar envolvido com mais pessoas.

Era um sentimento muito agridoce estar fazendo aquilo por alguém, mas não era de todo mal, considerando que o sorriso que o professor abriu ao se prontificar em tentar foi tão brilhante que chegou a atrair olhares estranhos dos alunos que o cercaram no intervalo para o almoço.

Como pensou antes, bando de curiosos e fofoqueiros. Mais um motivo para quase recusar a proposta.

O baladar do sinal o chamou de volta para a realidade, mas ainda demorou alguns segundos para perceber que era o único que ainda estava sentado na sala, sem preocupação para arrumar as coisas já que estavam prontas.

Vantagens em terminar exercícios e poder ficar na dele enquanto os outros tinham dificuldade.

Beongyu não soube quanto tempo demorou, contudo, quando se deu conta, estava frente à vítrea porta do clube de música, onde podia se observar que, no interior do local, um garoto limpava a sala tranquilamente.

Provavelmente, o presidente, dando conta da desenvoltura com que tinha enquanto passeava pelo lugar.

Quase que por reflexo, bateu leves e repetidas vezes na passagem para chamar a atenção sua atenção. Afinal, se ousasse devanear novamente, poderia pensar em fugir.

Surpreso, o rapaz encarou-lhe sorridente através do vidro ao que concedeu a permissão para entrar.

– Posso ajudar?

– É o presidente do clube de música?

– Sou sim, Choi Soobin. Prazer em conhecê-lo. – o maior apresentou-se fofo, não tão nitidamente estranhando a aura pesada que acompanhava-o. – Você é o novato, não é?

– Humrum... Choi Beomgyu. – o mais pálido disse o nome, não demorando a dizer o motivo de sua visita. – Ainda tem vaga no clube?

– Olha, não é do meu feitio autorizar novos integrantes no segundo semestre do ano, mas tem sim. – Soobin ressaltou pensativo, o que o outro tensionar os ombros por debaixo de seu olhar. Percebendo isso, o presidente gesticulou levemente apontando para uma cadeira de forma mais tranquila. – Sente-se.

Receoso, obedeceu o mais alto, mentalmente se questionando se havia feito a escolha certa, ao máximo evitando se preocupar. O Sr. Yang não o recomendaria se achasse que seria recusado.

Era no que tinha para acreditar, já que em si mesmo era outra história.

– Você toca ou canta? – Soobin o questionou, completando-se em seguida. – Se não, não se preocupe. Temos membros que amam ensinar--

– Ambos... – Beomgyu o cortou em um sussurro, mas bastou para que o outro ficasse em silêncio, surpreso com a informação. – Toco teclado, guitarra e violão. – ao se expor daquela maneira, sabia que ganharia mais pontos positivos para ingressar mais facilmente, mas o seguinte pedido do maior o deixou nervoso.

– Ainda não guardei os instrumentos. E já que só tem nós dois, que tal mostrar o que sabe fazer?

[16h45]

Caso Hongseok olhasse o sorriso, mesmo que leve, com que Beomgyu saiu da escola, morreria de satisfação, ainda mais ao saber o que se passou dentro da sala do clube.

Mesmo nervoso, o mais novo aceitou a tarefa e se pôs a tocar o violão que Soobin trouxera para si e, no instante que se empolgou, soltou suavemente sua voz.

Já que estava de olhos fechados, afinal, sabia de cor quais notas dedilhar para a música que escolheu na hora, não viu as feições do outro Choi serem tomadas por profunda admiração e prazer ao ouvi-lo.

Não que Beomgyu não soubesse do que poderia fazer, mas não esperava que fosse tão clamado e adorado assim que terminou.

Fazia muito tempo desde que a última vez que alguma outra pessoa ouvira-o tocar, ainda mais essa sendo uma das memórias que mais lhe causavam a dor que tanto buscava esquecer.

Ao menos, tinha agora algo bom para substituir tal lembrança.

A maior demora naquela sala foi o preenchimento da ficha, pois embora tivesse poucos informações a serem postas, Soobin fez questão de puxar assunto com o novato.

Para a própria surpresa do menor, não se sentiu totalmente desconfortável perto do presidente do clube, visto que o sorriso dele era tão receptivo quanto sua própria personalidade.

Fez mais que certo em não desperdiçar a oportunidade, teria que agradecer Hongseok quando pudesse.

Beomgyu reconheceu estar mais alegre do que de costume e gostou disso, mas, ao ver as mensagens que deixou passar despercebido em seu celular, toda a luz do sorriso que pensou em dar se esvaiu.

Seu pai estava o cobrando para voltar para casa. Não era como se ele estivesse preocupado consigo ou algo assim, então o Choi pressentiu que coisa boa não o aguardava e, assim como esperava, o inferno quem lhe deu boas vindas.

Ao chegar em casa, o olhar da mãe estava tão pesado quanto nos outros dias, mas piorou ao ver o marido se aproximar do moreno, quase instantaneamente arrando a parte de trás dos seus cabelos e forçando-o a encará-lo.

– Me explica o que são aquelas coisas que trouxe, criança imunda! – os gritos eram tão altos que alguns gotas de cuspe saíam da boca do patriarca, enojando o garoto que era forçado a acompanhá-lo.

– O-O que-- – no segundo seguinte, Beomgyu foi atirado contra o chão da sala, rente a algumas caixas que ele não demorou a reconhecer e perceber que traziam seus pertences.

Levou um tempo para ele entender por que seu pai estava enfurecido: seus caderno, onde estavam as letras que improvisava para algumas músicas que eram presentes em sua cabeça.

O Choi mais novo, trêmulo, se reergueu, segurou os lágrimas enquanto pôde, mas forçado as liberar no primeiro soco que levou no rosto.

– Eu falei para não trazer essas merdas! Já nos é uma desgraça você ter nascido e ainda quer ser um vagabundo? – os gritos apenas se tornavam mais altos, porém, a mente de Beomgyu trouxe à tona tantos pensamentos que a voz do seu pai tornou-se distante, quase imperceptível.

Já não aguentando mais ficar ali, o garoto pegou as três únicas caixas que tinha ali e, sem se importar com o peso, carregou para o único espaço que poderia chamar de seu: o sótão.

Numa manobra rápida, fechou sua portinhola e colocou diversas coisas em cima como uma barragem para caso tentassem o seguir, o que, ironia, ocorreu.

Os minutos seguintes, esses em meio aos irados gritos do pai do rapaz, se resumiram a Beomgyu gritando contra seu próprio travesseiro como uma forma de conter o som de seu incessante pranto.

Por quê? Por quanto tempo teria que aguentar isso? Será que tudo o que falavam era, de fato, verdade? Era um estorvo tão grande para as pessoas?

Seria melhor se sumisse da vida de todos...? Assim, ficariam tranquilos e teria paz para si?

Uma pergunta que ficaria sem resposta. Após quase perder sua voz de tanto chorar, o Choi não aguentou e adormeceu com a cara no sofá e traços no rosto que transmitiam seu verdadeiro estado de espírito.

Totalmente envolto de tristeza, mágoa e raiva silenciosa, que esconderia como já fazia há anos.

Continua...



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