História Sorry, honey... - Capítulo 23


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Age Of Youth, Bangtan Boys, Bangtan Sonyeondan, Bts, Choi Ara, Hello My Twenties, Hoseok, J-hope, Jikook, Jimin, Jin, Jungkook, Kookmin, Nam Taehyun, Namjin, Namjoon, Rap Monster, Seokjin, Suga, Suran, Taehyung, Taekookmin, Vkookmin, Yoongi
Visualizações 17
Palavras 4.350
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, LGBT, Literatura Feminina, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, pessoas! Aqui estou eu, atrasada, mas estou!
Espero que gostem! ^^

E obrigada Blue_Honey por sempre comentar aqui ❤

Capítulo 23 - Uma garota de pedra com um mole coração.


Fanfic / Fanfiction Sorry, honey... - Capítulo 23 - Uma garota de pedra com um mole coração.

— Você tem certeza de que tudo está bem? — A voz suave de Haneul ecoava através do viva-voz pelo apartamento silencioso de Seul. As duas estavam conversando fazia alguns minutos, tudo porque Hoseok por acaso acabara descobrindo sobre uma suposta briga entre Seul e Jungkook e contara à amiga de escola a respeito.

Na verdade o que os garotos sabiam não passavam de boatos ou meias verdades, ou partes bem incompletas e um tanto erradas de tudo o que aconteceu. Yoongi realmente havia guardado segredo, o problema era que Taehyung continuava a se comunicar com os meninos, e, bem, o Kim de Daegu não era o melhor em guardar segredos. Por sorte tudo o que ele contara soou confuso demais, e cada um foi espalhando a história para o seguinte de forma mais confusa ainda.

— Sim, claro. — Respondeu Seul esparramada sobre o sofá, logo após um suspiro de cansaço. — Quer dizer, não é como se fosse o fim do mundo, né?

— Sim, brigas não são incomuns entre casais… — Haneul falava suave e tentando ao máximo não dizer alguma coisa que pudesse deixar a amiga mais magoada com a situação. — Eu e Hana discutimos... às vezes… — Na verdade aquilo era raro de acontecer, mas uma mentira não fazia mal, não se fosse deixar Seul melhor. — Bastante, quer dizer.

— Aish, não precisa mentir. Eu sei que vocês nunca brigam. — Comentou a mais alta, fazendo a pequena Go rir sem graça do outro lado da linha. — E eu e Jungkook não brigamos realmente, tudo se resolveu até que bem…

— Unnie, eu sei que você gosta de minimizar as coisas e sempre finge que tudo está bem mesmo que não esteja. — Aquele comentário de Haneul fez Seul revirar os olhos. — Mas tenho certeza de que tudo vai voltar ao normal daqui à uns dias, afinal, vocês moram juntos e… — Seul parou de prestar atenção em tudo o que a amiga mais nova disse após aquilo. Haneul não sabia que ela e Jungkook estavam “dando um tempo”. Na verdade nenhum dos garotos do grupo, exceto Yoongi e Taehyung, sabiam de tudo. Os outros achavam que houvera uma briga e nada além disso. E eles sequer sabiam exatamente o motivo. E eles sequer sabiam que Jungkook nem ali morava mais.

“Ding-dong!”

— Ya, dongsaeng, eu preciso desligar. — Falou Seul e antes de sua amiga despedir-se, desligou a ligação, levantando-se preguiçosamente para atender a porta.

Ela sabia quem era antes mesmo de pegar o molho de chaves e andar despreocupada até a porta azul. Ela se perguntava o que diabos Yoongi estava fazendo ali na sua porta, depois de ter desaparecido por dois dias e não ter sequer respondido suas mensagens.

— Oi, noona… quer dizer, Seul. — Jungkook engoliu em seco e pigarreou, desviando o olhar de Seul para seus próprios pés.

— Ah, você…

— Eu vim aqui… conversar com você.

— Ok. — Respondeu Seul, tentando manter a voz firme e o semblante sério. Ela não queria transparecer sua tristeza ou mesmo raiva, gostava de parecer firme e forte não importava o que acontecesse.

O mais novo entrou no apartamento como se entrasse em um lugar completamente estranho. E era estranho para ambos pensar que, uns dias antes, aquele era o lar de ambos e que havia um futuro para eles juntos. Mesmo que não fossem se casar algum dia, o que sequer passava pela mente de nenhum dos dois, eles ainda poderiam ficar juntos por mais um ano. E mais outro. E outro.

— Como você… — Jungkook entrou lentamente no apartamento, soltou um suspiro, sentiu o desconforto tomar conta de cada parte do seu corpo. — Como está?

— Como você acha que eu… — Seul estava prestes a dizer algo bem rude, quase como se estivesse conversando com o Jungkook seu melhor amigo e não seu namorado… Ou ex namorado, ela nem sabia mais o que ambos eram um para o outro. — Eu estou… Bem… Eu acho.

A garota despencou no sofá e afundou a cabeça ali, soltando um suspiro. Jungkook a imitou, deixando seu corpo afundar no sofá macio enquanto sua cabeça quase pendia para o canto. Eles não faziam ideia do que dizer ou de como agir. Eles sabiam que nada seria como antes e Jungkook duvidava que Seul concordaria em continuar o namoro depois de tudo. E se o rapaz continuasse com a garota, tudo seria uma grande mentira, porque quem ele amava não era mais Seul.

— Deveríamos resolver isso logo. — Falou Seul como se aquilo se tratasse de algo banal. E mesmo que parecesse indiferente, a cada segundo que sentia o perfume de Jungkook inundar suas narinas, o coração da menina doía quase que literalmente.

— Desculpe, Seul…

— Eu já estou meio cansada de ouvir isso. — Interrompeu rispidamente, sem olhar nos olhos do garoto. Ele também não olhava para Seul, limitava a fitar a tela negra do televisor.

— Desculpe… Droga!

— Você gosta dele?

A pergunta de Seul atingiu Jungkook como uma bomba, e ele sentiu o peito ficar apertado, seu pulmão contrair e a cabeça latejar. Os olhos do garoto estavam arregalados e mesmo com o olhar da mais velha agora sobre ele, não tinha coragem nem força para virar o rosto e encarar Seul. Encarar a verdade. Ele não queria ter que fazer aquilo e muito menos falar sobre aquilo. Só queria que aquilo tudo acabasse. E se pudesse, gostaria de voltar no tempo e evitar tudo. Beijar Jimin. Se apaixonar por um rapaz.

— Tudo bem se não contarmos aos garotos sobre o que aconteceu? — Foi o que Jungkook perguntou, ignorando o olhar agora vermelho de Seul sobre ele.

— Jungkook, você não me respondeu.

— Podemos não contar ainda… Por favor? — A respiração do garoto era curta e por alguns milésimos de segundo parecia que ele poderia cair ali mesmo.

— Tudo bem… Eles acham que nós brigamos, de qualquer maneira. Podemos dizer que fizemos as pazes…

— Obrigado. — Finalmente encarou Seul, a qual sentiu uma pontada no peito bem nesse momento. Era difícil para a garota não ficar mexida com o rapaz por quem fora apaixonada por mais de um ano. Por quem ainda era apaixonada.

— Tudo bem. — Nada estava bem para ela. — Como está na casa do seu irmão? Eu sei que não se davam tão bem. — Haneul tinha razão, Seul era boa naquilo, em fingir que tudo estava bem. A jovem sabia bem disso, mas não podia evitar. Era muito pior ter que enfrentar os próprios sentimentos, principalmente na frente da pessoa que amava, mas que não a amava mais.

— Ah, sobre isso… Eu não estou na casa do meu hyung. — Respondeu Jungkook, e engoliu em seco em seguida. Ele sabia que teria que dizer aquilo para Seul mais cedo ou mais tarde antes que ela soubesse pela outra pessoa.

— Hã? Você voltou a morar com seus pais?

— Não.

— Então…

— Ya! — O som abafado vinha do lado de fora do apartamento, acompanhado pelo som de batidas fortes na porta. Seul soltou um xingamento e levantou-se em um pulo, pronta para socar o rosto daquele infeliz que parecia querer quebrar sua porta.

— O que você quer? Não sabe tocar a maldita campainha?

— Aish, Seul, você vive resmungando que detesta o som agudo da campainha. — Yoongi entrou na sala sem pedir licença e fez um gesto com a cabeça, como se chamasse pelo maknae. — E você, já pegou o resto das suas tralhas?

— O quê? — Seul estava tão confusa com aquilo quanto irritada. — Do que está falando? Jungkook?

— Ah, Seul-ah, eu…

— Puta que merda! — Yoongi interrompeu Jungkook com tom impaciente. — Jungkook vai ficar comigo uns dias. Mas não precisa fazer um drama por causa disso!

— O quê?! — Indagou Seul completamente confusa. Aquilo só poderia ser uma brincadeira de muito mau gosto de Min ou apenas um pesadelo, pelo menos era o que ela preferia acreditar. — Você tá brincando… Certo? — Encarou o mais novo como se esperasse uma resposta positiva. Este, no entanto, apenas mordia os lábios nervosamente sem saber o que dizer. — Jungkook?

— Ah, qual é! — Yoongi caminhou apressadamente até o quarto de Seul, que antes era dela e de Jungkook, a procura das coisas que ainda pertenciam ao maknae. E enquanto ele procurava impaciente por roupas do rapaz no guarda-roupa compartilhado, sem saber se as camisas pretas enormes que haviam ali eram da garota ou do garoto, Seul olhava para um ponto no além, com a mente perdida em pensamentos.

Ela gostaria muito de odiar Jungkook pelo que acontecera, mas não conseguia. Ela sabia que as coisas não poderiam voltar a ser como eram antes, porque os sentimentos de Jungkook haviam mudado, isso ela sentia, ela sabia sem que ele houvesse dito qualquer palavra sobre. E mesmo que demorasse um tempo, semanas, ou meses, ela realmente gostaria que ambos voltassem a se falar, apesar do medo de que não pudessem ser amigos como antes.

Seul tinha medo de tornar-se uma estranha para seu futuro ex-namorado, e que ele se tornasse apenas uma mera lembrança em sua cabeça. Mas ter ele ali tão perto, pouco tempo depois de tudo acontecer, aquilo simplesmente fazia Seul se sentir perdida. Ela sentia a dor palpitar em seu peito e sentia raiva. Muita raiva. E em parte, por mais que fosse infantilidade sua e ela até soubesse disso, sentia-se traída pelo amigo Yoongi, que sumira por aqueles dias e aparecera ali na sua casa para pegar as coisas de seu namorado e dar a ele um lar bem ali perto dela.

“Droga!” Pensou consigo mesma. Ela era realmente egoísta por pensar daquela forma, não era? Era só nisso que podia pensar.

— Porra, eu não sei diferenciar as roupas de vocês dois! — A voz de Yoongi vinha do quarto bem ali perto, mas parecia distante.

Seul sentia os olhos arderem, mas não podia chorar ali naquele momento. De jeito nenhum. Respirou fundo e soltou um resmungo ininteligível. Caminhou apressada até o quarto. Ela não queria topar em Jungkook por aqueles dias. Ela só queria que o maldito Yoongi pegasse logo as coisas do amigo e fosse embora ali o quanto antes.

— Isso é do Jungkook! — Pegou uma camisa preta sem estampa e jogou na cama. — E isso. — Fez novamente, e assim continuou, de forma cada vez mais agressiva, até sentir as mãos ossudas de seu amigo mais baixo pegar seu punho com força, fazendo Seul parar e encará-lo olho no olho.

— Me desculpe por isso. — Disse o rapaz antes de Seul soltar-se rispidamente e desviar os olhos. — Mas o que eu podia fazer? Os pais de Jungkook não estão na cidade, ele foi praticamente expulso da casa do irmão, porque a namorada dele vai morar lá e você sabe… — Seul voltou a encarar o mais baixo. — O resto dos nossos amigos não sabem de nada. Nada.

Seul sabia o que aquilo significava. Não se tratava apenas do término entre ela e Jungkook, mas sobre o motivo. Sobre o beijo. Sobre Jimin. Sobre Jungkook ter beijado um garoto. Ela sabia que seus amigos não discriminariam o mais novo por algo como aquilo, mas por algum motivo Jungkook tinha medo. E ela sabia que provavelmente Yoongi havia conversado com Jeon sobre falar a verdade, mas sabia que Min não falaria nada até que o mais novo estivesse pronto.

— Eu sei que o seu coração está estraçalhado agora… — Yoongi continuou. — Mas eu não poderia deixar ele na mão apesar de tudo. E...

— Eu sei. — Respondeu Seul, sentando-se na cama e suspirando. — E está tudo bem. — Mentiu.

— Hã… Acho melhor eu arrumar minhas próprias coisas. — Jungkook finalmente entrou ali após ficar o tempo inteiro na sala, andando de um lado a outro, ouvindo tudo o que se passava no quarto, pensando sobre o que fazer. Às vezes ele queria apenas desaparecer. Ou voltar no tempo, nem que fosse apenas para não magoar sua melhor amiga.


 

Após Jungkook finalmente pegar tudo o que havia deixado no apartamento de Seul, finalmente os rapazes saíram do lugar levando duas mochilas empanturradas de coisas: fossem roupas que ainda estavam por lá, jogos, controles velhos, DVDs, CDs, bonecos, sapatos que quase nunca eram usados. A despedida entre o moreno e a mais velha foi estranha e desconfortável até mesmo para Yoongi. E logo que Seul fechou a porta, deixando tudo do namorado para trás, ambos sentiram um aperto no peito mesclado com um enorme alívio.

— Aish, eu me sinto péssimo! — Comentou o mais novo colocando uma das mochilas nas costas enquanto Yoongi fazia o mesmo, um pouco mais à sua frente.

— Que bom que se sente assim. — Foi o que Min disse, para surpresa do mais alto. — Isso quer dizer que você tem consciência.

Jungkook não falara nada, e quase riu com o comentário sincero do amigo. Então ambos esperaram o elevador parar naquele andar em completo silêncio. Não havia muito a ser dito e o mais novo se sentia tão estranho que agradecia por aquele seu hyung ser tão reservado. Yoongi era um pouco tímido, apesar de não ser tanto quanto Jungkook, mas era muito introspectivo mesmo quando estava com os amigos mais íntimos. E, naquele momento em especial, era daquele silêncio que Jungkook precisava.

— Então eu consegui os ingressos… — Uma voz familiar para Jungkook interrompeu seus pensamentos. Foi nesse instante que notou que Jimin e um rapaz alto e magro saíam do apartamento do loiro rindo. Pelo menos era o que Jimin fazia até perceber que Yoongi e Jungkook estavam parados ali fora esperando o elevador. — Hey, você é um amigo do Jimin, não é? — O rapaz perguntou a Jungkook, soltando um sorriso cínico em seguida. Jeon detestava aquele sorriso.

— Esse é Jeon Jungkook e Min Yoongi. — Apresentou Jimin antes que Jungkook abrisse a boca. Na verdade, o choque de ver Jimin com aquele cara tornou o moreno incapaz de pronunciar qualquer palavra.

— Você mora bem ali, não é? — Moon Bae indagou, sempre encarando apenas Jungkook, apontando para o 707.

O mais novo não respondeu de imediato, sentindo seu estômago se retorcer e a garganta embolar. Ele não entendia exatamente o que era aquilo ou talvez quisesse fingir não entender. Jimin também sentia-se incomodado, sequer conseguia olhar nos olhos do rapaz que, dias antes, o havia beijado.

— Ele não mora mais lá. — Yoongi respondeu pelo mais novo, com tom despreocupado e levemente ríspido. Ele parecia não esboçar qualquer reação, fosse de surpresa ou irritação, qualquer coisa, e quem o visse parado ali tão despreocupado não imaginaria o que se passava por sua mente. Estava tão óbvio o que se passava ali, que Min quase riu quando parou para pensar. Aquele rapaz com Jimin deveria ser seu namorado e Yoongi podia sentir a fúria e o ciúme que emanavam de seu amigo Jeon Jungkook.

— O que aconteceu? — Perguntou Moon, realmente surpreso. Jimin soltou um riso anasalado com tom de irritação, porque mesmo quando Bae era sincero, parecia um ator fingindo o tempo inteiro. Aquela era uma característica que Park detestava no rapaz. — Ah… Foi mal, acho que isso foi um pouco invasivo. — Riu Moon, ao receber como resposta o silêncio de Jungkook.

— Não, tudo bem. — A resposta seca de Jeon sobressaltou todos os demais garotos. — Eu não moro mais ali porque terminei com a minha namorada.

— Ah, bem… Sinto muito. — Falou Moon Bae, e Jimin não tinha certeza se aquilo era sincero ou não.

— Tudo bem, eu não gosto mais dela. — Continuou Jungkook com a voz ainda mais rude, tentando controlar o tom enquanto apertava forte ambos os punhos. — Me apaixonei por outra pessoa, mas ela não parece estar disponível. — Soltou, fazendo Yoongi, que até então apenas olhava fixamente para a porta metálica do elevador que nunca chegava, encará-lo e franzir a testa completamente chocado.

Jimin teve quase a mesma reação, passando a fitar Jungkook, o qual retribuia o olhar com raiva e pesar. Já Moon Bae, esperto o suficiente para perceber o que se passava ali, apertou um dos punhos e semicerrou os olhos. Ele não sabia o que havia acontecido, mas podia perceber que Jimin não era mais o mesmo fazia dias e notou o quanto o namorado ficou estranho repentinamente assim que saíram do apartamento e viram os dois rapazes ali.

— Ah, finalmente essa merda chegou! — A voz de Yoongi interrompeu o silêncio, e a porta do elevador se abriu. Primeiro o magro entrou ali, seguido por Jungkook. Então Moon Bae, sem qualquer constrangimento e sem sentir-se intimidado, entrou, seguido por um calado Jimin.

Yoongi apertou o botão para o nono andar e Moon Bae para o térreo. Primeiro o elevador subiu, o que não levou muitos segundos, mas pareceu uma eternidade para todos ali. Jungkook não queria olhar para Jimin, que estava bem na sua frente, virado de costas para ele. Jimin, por outro lado, queria muito virar e encarar os olhos castanhos do único garoto ali que fazia seu corpo inteiro derreter, mas tinha vergonha. Moon só queria tirar o namorado de perto do suposto rival. Yoongi só queria chegar logo em seu apartamento para tirar um cochilo.

Quando a porta metálica abriu, os que estavam na frente deram espaço para que os de trás passassem. Jungkook não queria encostar sequer um fio de cabelo em Jimin, mas assim que passou pelo loiro, foi como se uma descarga elétrica atravessasse sua espinha de cima a baixo, e ele sentiu a pele do braço de Jimin encostar na sua. Aquilo era um detalhe tão pequeno, mas que fez o mais baixo ficar ainda mais encabulado, enquanto Jungkook sentiu o corpo inteiro tremer.

Antes que a porta se fechasse e descesse, Jeon olhou uma última vez para Jimin, que não parava de olhá-lo também. Para quem estivesse atento, era óbvio os sentimentos mútuos que os dois rapazes sentiam um pelo outro. E tanto Moon Bae quanto Min Yoongi tinham olhos de águia para aquelas coisas.


 

“Ding-dong!”

— Argh! — Seul levantou-se mal humorada e, ainda segurando um pacote de salgadinhos, arrastou-se sem ânimo até a porta.

Aquele dia, depois de ver Jungkook e sentir o cheiro do seu perfume fraco que tanto adorava, depois de ouvir sua voz suave, Seul só queria fingir que nada fora de sua casa existia. Ela sentia falta do garoto e se odiava por isso. Se odiava também por não conseguir odiá-lo e detestava quando, em um lapso de memória, chamava por Jungkook e pedia alguma coisa, como se ele ainda morasse ali. Aquela era sempre a pior parte.

— O que você quer?

Min Yoongi estava, mais uma vez, parado diante daquela menina que era mais alta que ele, olhando naqueles olhos inchados e perdidos. Então ele abaixou os olhos para o salgadinho e meteu a mão ali dentro, fazendo Seul soltar um xingamento e abrir caminho para que ele entrasse. Aquilo já era tão natural que, antes de Jungkook e Seul começarem a namorar, a garota havia pensado na possibilidade de dar uma cópia de sua chave para o amigo apenas para não ter que ficar ouvindo a campainha tocar e ter que se arrastar até a porta para dar de cara com o carrancudo baixinho.

— Você está horrível. — Yoongi falou assim que sentara no sofá, como se estivesse na própria casa.

— Você veio aqui para me dizer isso? — Seul perguntou e se juntou ao garoto.

— Não. Eu vim trazer isso. — Yoongi mostrou uma caixa pequena, mais ou menos do tamanho de uma embalagem de chá.

Seul olhou para aquela caixa e soltou um riso de canto de boca, aquele riso meio sarcástico, meio rude, que ela sempre soltava. Yoongi balançou a caixa como se dissesse para a amiga pegar e ela ainda levou alguns segundos até finalmente pegar aquela coisa pequena em suas mãos longas.

— O que é isso? Um pedido de desculpas?

— Pfff, por quê? Eu não tenho que te pedir desculpas por nada.

Seul abriu a caixa e soltou uma risada fraca acompanhada por um revirar de olhos. O que havia na caixa nada mais era do que vários sachês de chá verde.

— Isso é sério? — Indagou, jogando a caixa em um canto.

— Ya! Esse chá aí não foi barato! — Resmungou Yoongi, pegando a caixa de volta. — Você precisa de um pouco disso para ver se acalma essa sua cabeça.

— Está tudo bem! — Respondeu a garota rispidamente.

— Aish, essa frase não cola comigo. — Ao ouvir o comentário do amigo, Seul afundou ainda mais no sofá. Tudo o que ela queria era não falar sobre Jungkook. — E eu sei que ter ele por perto não é fácil, mas…

— Então esse é mesmo um pedido de desculpas. — Resmungou, fazendo Yoongi soltar uma risada anasalada. — Tudo bem então, eu te desculpo. — Pegou a caixa de chá e estalou a língua.

— Não quer falar sobre isso? — Yoongi estava tão determinado a arrancar algo de Seul quanto ela estava em fugir do assunto.

— Não.

— Sabe que você começa a se coçar toda quando não coloca seus problemas para fora. — E aquilo era verdade, o emocional de Seul sempre atacava de alguma forma, e quase sempre em sua pele. Então a comichão a torturava por dias e dias.

Fazia muito tempo que aquilo não acontecia com Seul. Ela sequer se lembrava. Então olhou para a própria pele e depois para as mãos ossudas de seu amigo. Elas estavam um pouco irritadas, mas não muito secas e nem com feridas. Ele parecia melhor e Seul não sabia como ele conseguia suportar aquilo sem tomar nenhum remédio ou fazer terapia. Mas ele, assim como ela, era teimoso demais para admitir que algo ia mal.

— O que quer que eu diga? Que odeio o fato de não conseguir odiar Jungkook? Ou mesmo Jimin? Que eu sempre me esqueço que ele não está aqui e chamo por seu nome quando…

— Quando precisa que ele pegue alguma coisa para você? — Completou o rapaz, arrancando um riso seco, mas ainda sim um riso, de Seul. — Talvez demore um tempo para isso passar. — Falou, quase como se falasse aquilo para si mesmo. E ele queria acreditar naquilo, e quase começou a rir quando percebeu o que estava acontecendo. Ele estava ali ao lado da garota que amava, consolando-a por causa de seu coração partido por outro rapaz.

— Eu sei que vai passar…

Ambos ficaram calados, até esqueceram os salgadinhos de lado, concentrados em seus próprios pensamentos.

— Você sabia? — Foi a garota quem interrompeu o silêncio. — Sabia sobre Jungkook? Você sempre disse que tinha olhos de águia para essas coisas. — Yoongi riu com aquele comentário. — O quê?

— Você entendeu errado. Não disse que sou bom em saber se alguém é gay ou não, mas eu percebo quando alguém sente algo por outra pessoa.

— Mas você disse que sabia sobre Haneul, na escola.

— Sim, depois que eu vi os olhares apaixonados dela por outra garota. — Yoongi encarou Seul, e se odiou quando sentiu aquela pontada no pé do estômago. — É isso que eu percebo, quando alguém gosta de alguém.

— Então você sabia sobre os sentimentos de Jungkook por Jimin?

— Não, mas não era eu quem convivia com ele. Você nunca percebeu nada de estranho?

Seul não respondeu de imediato, parando para pensar por alguns segundos. A única coisa estranha que ela havia reparado fora a mudança nas atitudes de Jungkook, tanto em relação à ela quanto Jimin. Mas para ela aquilo tudo era culpa de Taehyung e a proximidade de seu namorado e do vizinho não parecia nada demais. Apenas amigos. Apenas isso.

— Talvez, mas como eu poderia adivinhar que… Droga! — Seul não queria chorar, não ali na frente de Min Yoongi. — Eu só… Eu sinto falta dele.

Ouvir aquilo fez o coração de Yoongi doer da pior forma possível. Mas aquele era um preço a se pagar. Um preço pelo passado, pela sua amizade com a garota, pelo seu amor por ela. Então a risada de Seul o surpreendeu, trazendo sua mente de volta à pequena sala do apartamento da garota.

— Eu até sinto falta do amigo barulhento dele. — Ela sequer havia pensado em Taehyung por aqueles dias, mas não podia deixar de admitir que não ter ele ali já deixava um buraco enorme nos seus dias. — Eu só queria que as coisas voltassem a ser como antes.

— Eu sei. Eu também. — Soltou o garoto, mas ele não sabia exatamente se o seu “antes” era o mesmo de Seul.

— E eu sinto falta do meu dedo. — Soltou Seul falando seriamente, mas Yoongi começou a gargalhar, mesmo que tentasse se controlar. A menina revirou os olhos e começou a resmungar, xingando-o de tudo o que existia de pior na Terra.

— Desculpa, mas isso do dedo cortou completamente o clima dramático. — Falou Yoongi quando finalmente parou de rir.

— Isso é muito engraçado para você, mas não para mim. Merda! Eu até me esqueci que não vou ficar aqui por muito tempo.

— Hmmm? Como assim?

— Meus pais estão passando por dificuldades financeiras e vão cortar minha mesada. E como eu não trabalho, não tenho como pagar o aluguel, o mercantil, as contas… AISH!

Yoongi nada disse, sentindo um aperto no peito. Era verdade que ele e Seul eram grandes amigos e provavelmente, depois de tudo o que passaram, nada abalaria aquela amizade, mas tê-la ali tão perto era o que tornava seus dias menos insuportáveis. Só de pensar em não poder vê-la todos os dias, ele sentia um nó se formar em sua cabeça.

— Se você não fosse tão preguiçosa, poderia estar tentando arrumar um emprego. — Falou serenamente, disfarçando seu medo de perder Seul.

— O que acha que eu tenho feito nesses dias?

— Jungkook sabe sobre isso?

— Não vamos falar sobre ele. Por favor. — Foi tudo o que Seul conseguiu dizer. Porque se ela continuasse pensando em Jungkook, não conseguiria mais se segurar. Então afundou-se ainda mais ali, tentando não pensar, não lembrar as coisas que ela tinha perdido. — Eu sou uma inútil. E não tenho mais nada.

— Isso não é verdade. — Contrapôs Yoongi firmemente, com feição despreocupada, tentando não transparecer seu medo por Seul. — Você tem seus pais e a idiota da sua irmã. E tem Namjoon, Haneul, Hoseok e Seokjin. E até a louca da Sunhee. E você tem a mim.

Seul encarou Yoongi assim que ele terminou aquela frase. Ambos ficaram se observando como a muito não faziam, sem saber exatamente que palavras dizer. Porque tudo aquilo era verdade, Seul não estava só e, apesar de tudo, ela e Yoongi nunca haviam desistido daquela amizade. Mesmo depois de tudo.

 


Notas Finais


Sim, eu sei. A pobre Seul não está em seu melhor momento. Mas para quem gosta dela e está com pena, não precisa se preocupar que as coisas vão melhorar HEHEHEHEHEHE.
E quanto à Jikook: EU AMO ESCREVER A PARTE DOS DOIS <3
Ah, e eu já estavam com saudades de escrever as falas mal educadas do Suga kkkkk.

Espero que tenham gostado e espero que eu consiga postar na próxima semana T_T
Até o próximo! o/

AH! E eu comecei uma nova fanfic com o BTS e Red Velvet (cada vez mais eu amo essas meninas :3). Vai ver uma fic bem mais curta e mais direta, e aqui vai o link para quem estiver curiosa/o: https://www.spiritfanfiction.com/historia/when-you-call-my-name-13843219


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