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História Sorteados em 1971 - Capítulo 6


Escrita por: LadyMary1994

Notas do Autor


Hoje alguns segredos serão revelados, e não apenas os de Remus...

Capítulo 6 - Lobisomem e otras cositas más


James, Sirius e Peter passaram o resto da noite sentados na cama, sem conseguir dormir. Volta e meia olhavam pros rostos uns dos outros, como se pudessem explicar o que havia acontecido apenas ao se olhar. Mas não houve resposta naquela noite. Nem nos outros dias que se seguiram. Muitos até acharam estranho ver James e Sirius tão quietos durante a semana, mas aquele silêncio foi necessário para que os garotos assimilassem as coisas. Remus Lupin, seu amigo, seu colega de quarto, era um lobisomem. E não havia nada que eles pudessem fazer para mudar isso.

Até que Remus voltou. Estava mais abatido do que antes e também mais assustado.

- Aconteceu alguma coisa enquanto estive fora?

James, Sirius e Peter ergueram a cabeça e olharam bem no fundo dos olhos de Remus. Aí ele percebeu: eles já sabiam.

- Como vocês descobriram?

Então, como se estivessem guardando tudo aquilo por muito tempo, Sirius, James e Peter começaram a falar todos de uma vez, ao mesmo tempo. Era tanto barulho que ninguém entendia nada.

-... Peter achou que era sangramento, mas aí James disse que...

-... foi então que eu falei com meu pai e ele me contou histórias sobre lobisomens...

-... então te seguimos e vimos você se transformar...

Remus nem conseguiu falar direito com todo aquele barulho. Ao final, ele criou coragem e fez a pergunta que guardara para si desde que entrara para o colégio:

- E então, como é que vai ser a partir de agora?

- Como assim?

- Vocês não vão mais querer ser meus amigos, certo?

James, Sirius e Peter se olharam e para a surpresa de Remus, eles deram uma sonora gargalhada.

- De onde você tirou isso, seu maluco?

- Tá querendo se livrar da gente, é?

- Pois pode esquecer – Sirius o segurou pelos ombros e disse – Nós ficaremos juntos até o fim.

Se foi impulso ou vontade, Remus nunca foi capaz de responder. O fato é que ele deu um beijo – um beijo na boca de Sirius, que deixou a todos sem palavras e sem fôlego. James sentiu uma tensão cada vez mais crescente em seu baixo ventre, e seu rosto corara tanto que ele estava quase vermelho. Peter não conseguia decidir se olhava para Remus e Sirius ou se tentava descobrir o que havia com James.

Ao término, Remus ficou vermelho de vergonha.

- M-me desculpe, Sirius, eu...

- Ôpa, vai com calma, amigão! – respondeu o Black, que olhava ao redor, procurando algum olhar cúmplice. Se deparou com James sentado na cama, abraçado ao travesseiro, e com Peter, que ainda encarava o Potter fixamente.

- Está tudo bem, galera! Nosso grande amigo aqui se empolgou demais e exagerou um pouco, agora vamos voltar à nossa programação normal.

Mas eles nunca mais voltariam ao normal. Não James. Ele sempre se sentira diferente dos outros rapazes e depois daquela noite, ele finalmente encontrara alguém igual a ele.

James sempre teve atração por garotos. Era assim desde que se entendia por gente. Gostava quando o Sr. Faraday, um homem alto, forte, louro e bonito que era amigo do seu pai, lhe colocava no colo e brincava de cavalinho. Ele foi crescendo e se sentindo cada vez mais estranho ao perceber que pessoas como ele eram exceção, principalmente entre os bruxos, e mais ainda entre bruxos sangue-puro.

- Você é nossa esperança, James! É nossa chance de impedir que o nome Potter não morra para sempre, como tantas outras famílias! Não se restrinja às moças sangue-puro, escolha a mulher de quem goste de verdade. E nos dê muitos netinhos! – pedia o seu pai.

Isso fazia com que James sentisse mais necessidade em provar ser mais que os outros garotos. Mais corajoso, mais esperto e mais temido. Achou que se o temessem, não se atreveriam a questionar sua sexualidade. E assim foi levando a vida em Hogwarts.

Até que viu Remus Lupin ter a coragem de dar um beijo na boca de Sirius Black na frente dele. James tinha uma queda por Sirius, mas achou que o amigo não fosse entendê-lo como Remus entenderia. Por isso, ele resolveu direcionar seus esforços para o Lupin.

Esperou um momento em que Remus estivesse sozinho e então agiu.

- Ai, que susto, cara! – disse Remus, ao ver o Potter aparecer de repente na sua frente no banheiro masculino.

- Olha, Remus... Eu só queria dizer que eu sei como você se sente. Não que eu seja um lobisomem, mas sinceramente, eu não me importo que você vire um monstro peludão todo mês. Até porque nós somos amigos e seremos assim para todo o sempre.

- Valeu, James... Você é demais.

- Eu sei – James riu e Remus sorriu com ele. Então, James foi se aproximando cada vez mais e Remus recuou.

- O que foi? – indagou o Potter.

- Eu... Eu... Não sou assim, cara... Não sou o que vocês estão pensando, eu sou homem e...

- E daí? Eu também não me importo com isso.

E James ia beijando Remus, mas o garoto o empurrou no último instante.

- Tá de brincadeira, Potter?

Aquele gesto deixou James sem saber como agir. Ele esperava que Remus correspondesse, afinal, ele presumia que os dois eram iguais. Mas talvez não fosse bem assim, então James decidiu levar na esportiva.

- RÁ! Você me pegou, Remus, realmente, eu tava planejando fazer uma pegadinha com você. Mas você é esperto, você não caiu, acho que você tá aprendendo direitinho comigo e com o Sirius, né não?

Remus deu um sorrisinho sem graça. Não acreditou na conversa de James, mas não quis que o garoto percebesse isso, afinal, ele era um de seus únicos amigos e não queria perdê-lo.

- Ei, Peter tá vindo aí – disse o Potter, ao esticar a cabeça em direção à porta e ver o outro amigo caminhar pelo corredor à procura deles – Se esconde, vou tentar pegar ele.

- Vê lá, James, você pode se dar mal! – alertou Remus, enquanto se escondia em uma das cabines.

Peter foi chegando mais perto do corredor, até que James o puxou pelo colarinho em sua direção.

- Oi, Peter – disse o Potter, em um tom exageradamente teatral.

- Oi, James... – respondeu Pettigrew, de forma tímida – O que foi?

- É que... – James quase deixou escapar uma risada – Aquilo que aconteceu mais cedo, com Remus e Sirius...

- O beijo, né? – murmurou ele, corando as bochechas – Você também achou aquilo estranho?

- Não tem nada de estranho, eu mesmo, achei extremamente inspirador.

Remus, que assistia a tudo por uma fresta da porta, se surpreendia com o talento que James tinha, não só para a atuação, como também para seduzir quem ele quisesse. Pois Peter não tirava os olhos de James e parecia ansioso por seus próximos passos.

- Inspirador, é? – Peter corava cada vez mais.

- Sim, ele me fez perceber certas coisas – James ia chegando cada vez mais perto, e Remus estava começando a ter pena de Peter. Parte dele queria interromper tudo, mas sua curiosidade em ver onde aquilo iria dar estava vencendo.

- Que tipo de coisas? – indagava Peter, com ainda mais ansiedade.

Agora os rostos de James e Peter estavam a poucos milímetros de distância, e eles estavam tão distraídos que nem percebiam a cabeça de Remus saindo da cabine.

- Que... Não importa quem se ama, mas sim o amor que se sente.

James estava a ponto de beijar Peter, quando Remus finalmente se manifestou:

- Já chega, James! – James se afastou de Peter num pulo, e o baixinho apenas olhou pros dois e soltou um risinho sem graça.

- Você tava aí, Remus? – murmurou ele.

- Sim, e VOCÊ CAIU NA NOSSA PEGADINHA!!! – gritou James, deixando Remus e Peter ainda mais sem graça. Remus se sentiu mal por ter entendido que James se aproveitou dos sentimentos dele e da inocência do Pettigrew, mas o outro, por outro lado, procurou disfarçar ao máximo sua decepção e fez questão de dar uma gargalhada exagerada.

- HAHAHA, MUITO BOA, JAMES! Por uns instantes, achei mesmo que você ia me beijar!

- O Remus aqui não caiu nessa por pouco também, mas e o Sirius, hein, o que vocês acham que ele vai fazer?

O Lupin ficou sério, para ele, James estava indo longe demais.

- Ah, vamos, James, deixa Sirius fora dessa.

- Não – agora, o Potter estava decidido. Não era mais pegadinha, era um desejo pessoal – Temos que pegar o Sirius também, não seria nada justo ele ficar de fora. Vocês vão vir comigo ou não?

Como não tinham nada melhor pra fazer, Remus e Peter o acompanharam. Mas os dois tinham a mesma sensação: aquela “pegadinha” de James era na verdade uma maneira que ele encontrou para extravasar seus impulsos mais íntimos. Para Remus, James quis realmente beijá-lo. Já a cabeça de Peter estava confusa, pois ele quase deixou escapar seu maior segredo: ele era apaixonado por James desde o primeiro dia que viu aquele garoto belo e forte na Seleção das Casas. Ele ouvira James fazer propaganda da Grifinória enquanto esperava pela seleção e foi por causa dele que Peter insistiu tanto para o Chapéu Seletor o deixar ir para aquela casa. Todavia, Peter achava que nunca seria correspondido, pois um garoto tão perfeito como James jamais olharia pra ele. Até o dia em que James se insinuou para ele. Ele odiou quando Remus interrompeu o que seria a realização de seu grande sonho, e desejou fortemente que aquela pegadinha fosse realidade.

Mas agora, o próximo alvo era Sirius. O trio o procurou por toda a parte, até que James chegou à brilhante conclusão de que o Black deveria estar do lado de fora e decidiu sair do castelo.

- James, não, já é tarde da noite, Sirius só pode estar na Torre da Grifinória, vamos voltar.

- Não. Sirius nunca iria perder uma noite como esta, ele tem que estar lá fora, vamos, se juntem a mim – e o Potter cobriu a si mesmo e aos outros dois com sua capa de invisibilidade, para que o grupo saísse sem ser visto.

Eles encontraram Sirius, mas não deram seguimento à pegadinha, porque Sirius já estava ocupado, mais precisamente, beijando alguém. Era Cindy Baker, uma lufana do quarto ano. Uma garota loira, alta, esguia e de formas arredondadas. Que sem saber, estava sendo motivo de inveja de três garotos que fingiam cobiçá-la.

- Nossa, que deusa! – exclamou James.

- Ela é linda! – disse Remus.

- Linda não, perfeita! – atalhou Peter.

Então, eles mudaram os planos.

- Ei, vamos dar um susto neles?

- Bora, James!

E assim, os três garotos deram os gritos e assovios mais altos que puderam.

- Ah, não acredito – falou Sirius.

- Que foi, querido? – perguntou a garota, sem conseguir ver de onde vinham os gritos.

- Não é nada, Sandy, são só uns babacas querendo zoar, mas eu dou um jeito neles.

- É Cindy! – a garota tentou corrigir, mas Sirius não lhe deu atenção. Caminhou sorrateiramente e antes que os amigos pudessem fugir, conjurou um feitiço que lançava um jato de tinta na direção dos gritos, acertando o grupo em cheio.

- Aê, Sirius!

- Bela jogada!

- Marcou um pontaço!

E os quatro ficaram se empurrando e brincando entre si, sem notar que uma decepcionada Cindy Baker retornava rumo ao castelo.


Notas Finais


E...
NA TRAVE!!!
OK que tivemos o primeiro beijo Wolfstar, mas James e Peter surpreenderam, hein?
Não que James tenha agido certo com essa "brincadeirinha" que ele inventou, mas ele ainda está se descobrindo, e para ele, é tudo uma grande novidade, e ele quer aproveitar cada chance que tiver
Já o Peter, coitado... Deve estar chorando até agora, afinal, faltou tão pouco pra ele conseguir um beijinho de James
Agora, se vamos ter mais momentos, digamos, afetivos desse quarteto, sim, mas talvez não agora, porque eles terão coisas mais importantes (pelo menos no ponto de vista deles) para se ocupar, e isso vai consumi-los por um bom tempo
Antes, teremos mais um pouco de Lily, Hestia, Marlene e Severus: no próximo capítulo, Lily vai embarcar numa missão impossível: tentar fazer com que seu maior amigo Sev faça amizade com suas grandes amigas da Grifinória
Será que ela vai conseguir?
Enquanto isso, sugiro visitar meu insta. Embora seja focado em minha outra história (a saga Sobrevivendo em Hogwarts), de vez em quando eu posto alguma coisinha relacionada a esta fic, especialmente em meus stories, vale a pena conferir
https://www.instagram.com/sobrevivendoemhogwarts/


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