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História S.O.S Coreia. - Capítulo 28


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Notas do Autor


Como hoje é dia dos namorados, eu vim postar.
Para quem não sabe eu estou bastante gripada e por isso sumi um pouco.
Mas vamos de capítulo novo.

Boa leitura. <3

Capítulo 28 - Uma sensação que se tornava uma certeza.


Fanfic / Fanfiction S.O.S Coreia. - Capítulo 28 - Uma sensação que se tornava uma certeza.

Narrativa em terceira pessoa.

 

Enquanto eles esperavam na delegacia, S/N percebeu a forma hostil e até grosseira que o policial falava e agia com o Sehun, mesmo que a atitude dele não tivesse sido das mais inteligentes, aos olhos da jovem médica, isso não dava motivo para o policial o tratar daquela forma. Outra coisa que a S/N podia reparar é que de alguma forma, Sehun apenas aceitava aquela situação, como se estivesse acostumado com aquilo, o que na cabeça da cirurgiã não tinha muita lógica.

Depois que terminaram de pegar o depoimento do Sehun e o do homem, foi a hora de pegar o depoimento da S/N e da mulher agredida. Se já estavam tratando o Sehun com rispidez a forma que a mulher foi tratada era quase desumana. S/N olhava aquela cena e não conseguia acreditar que as coisas eram assim em uma cidade como Seul.

S/N já tinha visto todo tipo de injustiça e atitudes desumanas em zonas de guerra, a dignidade humana lá tinha um valor bem diferente do convencional, porém ela acreditava que ao menos em grandes centros, a justiça não era tão injusta, porém, claramente ela estava apenas querendo se enganar.

A verdade era que não tinha local certo para acontecer injustiça, a injustiça andava junto com a falta de dinheiro e com o preconceito, mulheres, negros, nativos, crianças, idosos, todos esses núcleos eram sempre os que mais sofriam com a injustiça. Naquele momento a jovem médica não sabia se ficava mais irritada com a policial que tratava a mulher de forma rude ou com o Sehun ou com ela mesma, que por causa do Sehun tinha acabado se envolvendo com tudo aquilo.

- Muito bem, agora é a sua vez. – O policial encara a S/N.

- Hum? – S/N olha com indiferença para o policial.

- Seu depoimento. – O policial encara a S/N.

- Não vou falar nada. – S/N fala e olha para o lado.

- Rs... – O policial solta um risinho debochado. – Acho que você ainda não entendeu a gravidade da situação mocinha, mesmo que esteja com o braço o arranhado, isso não te faz vítima.

- Eu não tenho interesse de ser vítima, eu só quero sair daqui. – S/N fala séria.

- Acha mesmo que vai sair daqui? – O policial ri debochado. – Sabe quem é aquele homem? É o herdeiro de um grande conglomerado.

- E daí?

- E daí.... – O policial sorri inconformado. – E daí que você é só uma mulher estrangeira, acha mesmo que vai sair daqui tranquilamente? Você e o seu amigo ali, podem ser médicos, mas isso não muda nada. A situação dela é pior que a sua, ele tem mais de uma passagem pela polícia nem sei como ele se tornou médico para ser sincero, por isso mandei analisar ver se os documentos que ele forneceu não são falsos.

- Posso perguntar que tipo de passagens pela polícia ele tem que justifiquem você desconfiar da capacidade dele como médico? – S/N pergunta.

- Eu não deveria contar, mas como vocês dois vão passar bastante tempo aqui, é melhor vocês irem se conhecendo, ele tem passagens por agressão, das mais variadas possíveis. Fora que ele não tem parentes próximos, é natural desconfiar dele, afinal como uma pessoa assim se tornou médico. – O policial fala de forma preconceituosa e grosseira. – Enfim, mesmo que ele seja médico deve ser algum clínico geral de Pronto Socorro, nada importante.

- Entendo... – S/N fala pensativa.

- Ele pode ser bonito garota, mas estou falando isso para o seu bem, vocês mulheres são facilmente enganadas por um rosto bonito, eu sei, são naturalmente ingênuas. – O policial mostra empatia, mas essa, chegava a ser nojenta de tão machista que era. – Então que sirva de aviso, procure homens descentes para se envolver.

- Homens descentes... – S/N lembrava da última vez que ouviu uma expressão assim, naquele momento a jovem médica entende que não era apenas do hospital que ela fugia, era de toda aquela sociedade podre.

- Isso, você é até bonitinha, se cuidar um pouco mais da aparência pode até se tornar uma médica de sucesso. – O policial fala, era bem óbvio que aos olhos dele, como de qualquer pessoa que fazia parte dessa sociedade, a aparência era mais importante que a competência.

Isso fez ela lembrar do que o Jin tinha falado para ela naquele dia, o dia inteiro ninguém deu importância para nada além da aparência, o único que tinha sido diferente, agora estava sentada de cabeça baixa em uma cadeira no canto de uma delegacia, isso depois de ser tratado muito mal e muito desprezado. Ali foi impossível S/N não traçar uma comparação entre a situação dela e a do Sehun.

- Então... agora eu preciso do seu depoimento. – O policial insiste.

- Já falei que não vou falar nada. – S/N fala séria e encara o policial.

- Aishii... sua... – O policial dá a entender que iria bater com a pasta no rosto da S/N, mas o mesmo apenas bate com a pasta na mesa em uma tentativa de intimidar a estrangeira. – Se vai agir assim eu não posso ser bonzinho com você.

- Ok.

- Se depender de mim seu braço vai cicatrizar igual um formigueiro, ou apenas necrosar. Eu não dou a mínima. – O policial fala grosseiro.

- Ok. – S/N responde indiferente.

Por mais que a jovem médica estivesse sentido bastante dor no braço por causa dos cortes, a mesma sabia que reclamar de dor não iria adiantar em nada naquela situação. Diferente do que todos ali pensavam, essa não era a primeira vez que a S/N se encontrava nesse tipo de situação, era apenas a primeira vez na Coreia do Sul, então a estrangeira já sabia como agir e por isso continuava agindo com naturalidade.

Não demorou muito e o advogado do homem chegou, esse chegou todo elegante de terno, gravata, com uma postura confiante e esnobe que para alguns causava respeitos, no caso dos policiais; e para outros era apenas algo que eles desprezavam de formas diferentes.

Enquanto o advogado conversava com o policial, S/N e Sehun estavam sentando um ao lado do outro, porém sem conversar. O cirurgião estava constrangido pela situação toda, ele sabia que era o culpado de ter se envolvido, não que ele se arrependesse de ter se envolvido, mas ele se arrependia pela S/N ter se envolvido e se machucado.

Outra coisa que causava constrangimento para o cirurgião-chefe era o fato de ele já ter várias passagens pela polícia e possuir uma ficha criminal. Isso era algo que ele se envergonhava, ainda mais agora na frente da S/N que era uma garota que ele gostava. Se o fato dele ter envolvido ela em uma briga, dela ter se machucado e eles terem parado na delegacia, isso apenas no primeiro jantar junto deles, já era o suficiente para ele saber que nunca mais iria existir um segundo jantar.

- Vocês são os agressores? – O advogado se aproxima e para na frente dos dois cirurgiões.

- Hum? – Os dois que estavam de cabeça baixa, cada um com seus pensamentos encara o advogado de pé na frente deles.

- Eu conversei com meu cliente, ele concordou em ser uma pessoa gentil, se vocês se desculparem pelo ocorrido ele irá apenas processar o médico e irá deixar a médica fora disso. – O advogado.

- Mesmo? – Sehun achava aquela uma boa ideia, mesmo que injusta, ele já estava tão acostumado a lidar com injustiça que não se importava.

- Não. – S/N fala séria.

- Oi? – O advogado se surpreende.

- O dr. Kim ainda não chegou nem as pessoas que eu liguei, então não tenho motivo para fazer nada. – S/N fala um pouco fraca e indiferente. – Pode sentar e esperar.

- Mas.... – O advogado se surpreende muito com a atitude petulante da estrangeira.

- S/N... – Sehun percebe a voz fraca e encara a jovem médica, ele coloca a mão na testa da mesma e se preocupada. – Você está com febre, precisa cuidar desse braço, vamos acabar logo com isso assim você poderá ir para o hospital.

- Isso, escute seu namorado, ninguém aqui vai te tratar como vítima só por causa do seu braço, afinal você apenas caiu em cima da garrafa, mulher não sabe nem se envolver em uma briga sem causar confusão. – O advogado fala e ri.

- Escuta aqui seu.... – Sehun em um ato impulsivo gerado pelo raiva e indignação levanta da cadeira e agarra a gola do advogado.

- Sehun... – S/N segura a camisa do Sehun, dando a entender que ele devia parar. – Para vai, não vale o esforço. – Sehun e o advogado ficam se encarando, até que Sehun entende que iria perder aquela batalha e resolve fazer o que a S/N tinha pedido, o advogado apenas arruma a gola e sorri ameaçador para o Sehun, esse que senta ao lado da S/N de novo.

- S/N, sério, você pode atirar em mim, você pode fazer o que for, mas agora você devia mesmo me ouvir, você precisa de atendimento médico. – Sehun fala sério.

- Mesmo eu falando que ia atirar em você, você nunca me deu ouvidos, custa agora você me ouvir?! – S/N falava em um tom baixo e até fraco. – Sério...

- Aff... – Sehun fala inconformado. – Por que está dificultando as coisas?

- Por que você quis se envolver? – S/N questiona.

- É que... – Sehun parecia até ter uma resposta, porém não queria dar ela.

- Ok, então não me pergunte porque estou dificultando. – S/N fala. – No fundo acho que temos os mesmos motivos. – S/N fala baixo na esperança do Sehun não ouvir.

O Sehun finge não ouvir, mas ele escuta e fica pensativo com o que ela queria dizer com aquilo. Não demorou muito mais e o dr. Kim chegou na delegacia, esse que parecia mais aflito e assustado que qualquer um ali, a vida inteira o médico nunca tinha pisado em uma delegacia. Aquele não era um ambiente o qual ele sabia se comportar.

- Aí meu deus... – O dr. Kim encontra rapidamente os dois cirurgiões e vai até eles. – Vocês estão be.... – Ele arregala os olhos ao ver o braço da S/N. – Meu deus... o que está fazendo sentada aqui, você precisa ir para o hospital. – O dr. Kim fala aflito. – Onde está o policial.... – Ele olha ao redor.

- Oi, o senhor é? – O policial se aproxima do dr. Kim.

- Eu sou o vice-diretor do hospital Gojong, eles são meus funcionários. Qual é o valor da multa? É só falar que eu pago.

- Ah, entendo. – O policial tratava o dr. Kim com um respeito do qual ele não tratou o Sehun nem a S/N. – Eu entendo doutor, mas o caso deles não é questão de multa.

- Hã? O que aconteceu? – Dr. Kim fica confuso.

- O médico ali... – O policial fala do Sehun. – Ele tem passagens pela polícia por isso não tem direito a multa e ela... – Ele se refere a S/N. – Se recusa a cooperar e dar o depoimento, se ela não pedir desculpas não posso fazer nada a vítima não quer aceitar multa.

- Vítima? – O dr. Kim fala inconformado. – A vítima aqui é ela, olha o estado do braço dela. Vocês todos vão ser responsabilizados por não dar tratamento médico adequado a ela.

- Ela se machucou quando caiu ao agredir meu cliente, ela não é vítima. – O advogado fala.

- Não é o que diz meu depoimento. – Sehun fala.

- E o depoimento de uma pessoa como você importa?! Não me faça rir. – O advogado ri.

- Pessoa como ele? – O dr. Kim era um homem justo, porém aos olhos tanto do Sehun como da S/N ele parecia uma pessoa inocente, uma pessoa que não era acostumado com injustiças. – Sabe quem ele é? Ele é o cirurgião-chefe do hospital Gojong.

- Ele é cirurgião-chefe? – O policial fica surpreso.

- Os dois são. – Dr. Kim confirma.

- Os dois? – O policial fica mais surpreso ainda. – Ela é uma cirurgiã-chefe?

- É sim, qual é o problema? – Dr. Kim questiona.

- Não, é que... por ela ser estrangeira e mulher.... eu achei que... enfim, sem ela prestar depoimento ela não pode sair. – O policial fala um pouco sem jeito.

- Ela está com febre e machucada, como poderia dar um depoimento nessa situação, isso é absurdo. – O dr. Kim fala inconformado.

Todos ficam discutindo, o dr. Kim não aceitava a injustiça ali, mas até ele não parecia ser uma pessoa que iria conseguir facilmente lidar com o fato de que o homem agressor era um herdeiro importante. No meio de toda aquela discussão generalizada, Taeyong entra na delegacia junto com mais dois homens, a simples presença dele faz com que os policiais que antes discutiam em favor do homem agressor parecem de falar.

- O que.... – O dr. Kim olha para onde os policiais encaravam e vê o secretário do empresário Soo. – Você....

- S/N. – Taeyong encontra S/N com os olhos e vai até ela e se abaixa preocupado. – Você está bem?

- Já estive melhor. – S/N sorri fraco.

- Eu já vou tirar você daqui... – Taeyong levanta, mas S/N segura o braço. – Eu não te chamei para me ajudar, eu preciso que você ajude esses dois. – S/N aponta para o Sehun e para a mulher que tinha sido vítima do homem.

- Hum? – Taeyong fica surpreso, assim como Sehun.

- Não se preocupe comigo, eu... – Sehun tenta falar, mas é impedido pela S/N.

- Por favor, Tae. – S/N encara o amigo.

- Ok eu vou tirar vocês daqui. – Taeyong fala sério.

- Não, não se envolva no meu caso. – S/N fala.

- Como não? – Sehun arregala os olhos.

- Pare de falar besteiras S/N.... eu posso tirar todos vocês daqui com facilidade. – Taeyong fala sério.

- Tae.... – S/N levanta da cadeira e segura o braço machucado. – Não envolva meu nome, sério. – Ela fala encarando Taeyong de forma séria.

- Está bem. – Taeyong concorda um pouco contrariado. – Mas é bom você ter uma justificativa para isso.

- Eu tenho, só está demorando por causa do fuso horário. – S/N fala tranquila.

Sem entender muito bem, Taeyong se afasta dos dois médicos e vai até os policiais que discutindo junto com o advogado do agressor e o dr. Kim sobre a situação de todos. Sehun encarava S/N sem entender, o cirurgião não conseguia entender as atitudes e posturas da jovem médica, se isso não fosse ruim o bastante, agora ele se preocupava com ela, ele podia ver que a mesma não conseguia mais esconder a dor que estava sentindo.

- Muito bem, como vamos poder resolver essa situação? – Taeyong se aproxima dos policiais e fala de forma calma.

- É.... – O policial se esforçava para não gaguejar. – Como você está envolvido nisso tudo?

- Aquel... são meus protegidos. – Taeyong ia mencionar S/N, mas se controla. – Ela... – Ele fala da mulher agredida. – E ele. – Ele aponta para o Sehun.

- Ela? – O homem agressor ri quando ele menciona a mulher que ele tinha um relacionamento. – Não me faça rir.

- Se você quiser eu faço você rir. – Taeyong encara o homem com um olhar frio e indiferente. – Já assistiu Coringa?

- Isso foi uma ameaça? – O homem levanta irritado.

- Calma senhor. – O policial entra na frente. – Taeyong me dê um tempo para resolver essa situação.

- Só não demore. – Taeyong fala indiferente.

- Senhor... – O policial puxa o homem e o advogado dele de lado para conversar com um pouco de privacidade. – Não sei se vocês sabem, mas esse homem que entrou agora, é secretário do empresário Soo. Mesmo que ele não seja tão importante como o senhor.... – O policial puxava o saco do homem. – Eles são conhecidos por serem bastante perigosos, talvez o fato do médico ter muitas passagens pela polícia seja por causa disso.

- Será que eles pagaram a faculdade dele? – O advogado questiona.

- Muito provavelmente, não é incomum a máfia comprar seus médicos dessa forma. Eles pegam jovens problemáticos e sem ninguém, os que são um pouco mais inteligentes e fazem eles estudarem e se formarem para aí trabalhar para eles. – O policial explica.

- Mas o velho ali disse que eles são cirurgiões do hospital Gojong. – O homem fala.

- Talvez seja apenas fachada. – O advogado fala pensativo. – O hospital Gojong é um hospital particular, deve receber doação dessas pessoas também por isso eles empregaram o médico deles.

- Tem bastante sentido. – O policial confirma.

- Então, o que eu devo fazer? Não posso só ignorar tudo, isso vai ferir meu orgulho. – O homem pergunta pensativo.

- Ele não mencionou a médica, acho que ela não está envolvida com eles, ele envolveu a sua namorada apenas para disfarçar, certeza. Então coloque a garotão como sua maior agressora e vamos dar a multa para os outros. – O policial sugere.

- Isso, eu também acho essa uma boa saída. – O advogado concorda.

- Certo. – O homem concorda.

Os três homens voltam ao ambiente que todos estavam, inclusive o Taeyong e o dr. Kim. Os três com um olhar gentil e intimidado pelo olhar frio e indiferente de Taeyong surpreendem o dr. Kim, esse que podia ser um pouco ingênuo, mas não era bobo, ele tinha entendido o tipo de respeito que o secretário do empresário e, apesar de não aprovar aquela situação, não era capaz de ir contra, afinal ele queria liberar logo tanto o Sehun como a S/N.

- Então eu conversei com ele. – O policial falava sobre o homem agressor. – E ele concordou em reverter essa situação em multa, uma vez que a maior agressora foi a estrangeira mesmo.

- Oi? – O dr. Kim fica surpreso e confuso. – Como assim?

- O médico e a mulher podem pagar multa e ir embora, a estrangeira vai ter que prestar depoimento e depois ser processada legalmente pela agressão. – O policial fala firme.

- Não, isso é errado, ela é a vítima aqui. – O dr. Kim protesta.

- Ela ainda pode se desculpar, quem sabe eu resolvo ser bonzinho. – O homem fala sorrindo malicioso para a S/N o que irrita Sehun e Taeyong.

- O que é isso? – Dr. Kim fica enojado. – É algum tipo de assédio? Policial você vai permitir isso aqui?

- Eu não vi assédio nenhum. – O policial disfarça. – Foi só uma forma de falar.

- Isso é um absurdo. – Dr. Kim fica revoltando. – Faça alguma coisa. – Ele encara o Taeyong, esse que esfregava a mão no cabelo irritado e cogitando seriamente ignorar o que a S/N tinha dito e tirar ela dali também.

- É que... – Taeyong estava na dúvida, ele respeitava a jovem médica, acreditava que se ela tinha pedido aquilo era porque tinha um motivo, mas ele questiona as razões desse motivo.

- Senhor... – Um policial chega correndo próximo a todos e fala com o policial que lidava com toda aquela situação.

- O que foi? Não está vendo que estou ocupado?! – O policial fala um pouco grosseiro.

- Me desculpe senhor, mas é que.... – O policial parecia aflito.

- Fala logo. – O policial fala sem modos.

- Tem uma pessoa da Casa Azul (na Coreia é Casa Azul é o mesmo que a Casa Branco nos EUA ou Palácio da Alvorada no Brasil) aqui. – O policial fala.

- Da Casa Azul? – O policial fala alto e arregala os olhos e todos ali ficam igualmente surpresos.

- Sehun... – S/N chama o médico discretamente.

- Hum? – Sehun se aproxima da S/N para ouvir o que ela tinha para dizer.

- Vai ficar interessante. – S/N fala sorrindo fraco.

A jovem médica já sabia o que ia acontecer, porém Sehun olha para ela confuso e depois olha para um homem mais imponente que o advogado entrando na delegacia, o mesmo parecia ser tão importante que os policiais preferiam evita-lo do que agradá-lo, era um efeito bem diferente.

- Se-senhor.... – O policial não consegue controlar o nervosismo ao falar com alguém importante, ele endireita o corpo, faz reverencia de formalmente.

- Quem é você? – O homem importante pergunta um pouco cansado.

- Policial Lee Dae Ho, senhor.

- Ótimo, policial Lee, onde está o delegado? – O homem pergunta.

- O delegado... – O policial fica um pouco sem graça. – É que... ele teve que dar uma saidinha, mas é rápido ele já deve voltar.

- Não me admira que em uma delegacia sem delegado vocês estejam causando confusão. – O homem fala e suspira, ele olha ao redor e seus olhos encontram S/N. – Você, é a doutora S/N S/S?

- Sim. – S/N levanta da cadeira e confirma com a cabeça.

- Você devia ter ido buscar isso quando chegou. Não devia ter demorado tanto. – O homem se aproxima da jovem médica e entrega para ela um envelope.

- Me desculpe, não achei que isso seria necessário aqui na Coreia do Sul. – S/N fala de forma educada e formal.

- Ela prestou depoimento? – O homem importante pergunta ao policial.

- Nã-não... – O policial responde confuso.

- Ótimo, encerre esse caso logo. – O homem importante fala um pouco sem paciência, até que ele olha o braço da S/N enrolado em uma toalha bastante suja de sangue. – Você se machucou?

- Sim. Aquele homem me acertou com uma garrafa de vidro. – S/N aponta para o homem agressor.

- Não... – O advogado interfere. – Quando ela foi agredir o meu cliente ela tropeçou e caiu em cima de uma garrafa de vidro.

- Isso faz algum sentido?! – O homem pergunta frustrado. – Fora ele, alguém mais pode afirmar essa versão dele?

- Não senhor. – O policial admite e abaixa a cabeça.

- E por qual motivo ela, mesmo sendo talvez responsável pelo ferimento, está aqui parada na delegacia em vez de receber atendimento médico?

- É que nós não achamos necessário.... – O policial parecia envergonhado por dizer tais coisas.

- Meu deus. – O homem balança a cabeça em negação. – Doutora S/N, eu peço desculpas, eu posso garantir que esse não é o padrão ou o sistema do nossos país. – O homem faz uma breve reverencia.

- Tudo bem, acredito que se eu tivesse pego isso antes. – S/N se refere ao envelope que ela tinha em mãos. – Isso não teria acontecido.

- É, de uma certa forma sim. – O homem importante admite um pouco sem graça. – Sabe doutora S/N, eu entendo que casos assim é necessário papelada e ...

- Não tenho intenção de nada disso, eu aprendi um pouco enquanto estou aqui na Coreia do Sul, é um país muito apegado a moral e tradição. – S/N fala sorrindo.

- Sim, para nós isso é muito importante. – O homem confirma.

- Então, nesse caso, acho que podemos esquecer tudo se o homem pedir desculpas.... – S/N encara o homem agressor.

- Claro, ele deve pedir desculpas para você sim... – O homem importante fala.

- Não para mim. – S/N interrompe. – Para ela. – S/N encara a mulher agredida. – Ela sim foi a vítima dessa história toda, tudo isso começou porque o dr. Sehun não conseguiu não se envolver em um caso de violência contra uma mulher, essa que para deixar a situação ainda mais sensível está grávida. Me senti profundamente triste por ter tido que chamar um amigo... – Ela se refere ao Taeyong. – Para garantir que essa mulher tivesse os direitos dela preservados. Esse é o tipo de situação que eu não esperava ver na Coreia do Sul.

S/N falava com calma, mas o que ela falava causada uma reação de surpresa e choque em todos ali envolvidos. Sehun não sabia como interpretar aquela situação, ele estava confuso sobre o que tinha naquele envelope e de onde tinha surgido esse homem importante.

Taeyong escondia o sorriso, o mesmo entendeu que o que fosse que estava acontecendo ali, era óbvio que a jovem médica já tinha tudo planejado, por isso ela não queria que ele a envolvesse, uma vez que o que ele iria fazer era nada mais que pressionar os policiais pelo medo e não por algo certo.

O dr. Kim, o advogado e o homem agressor estavam muito confusos, eles tinham entendido que aquele homem ali era alguém muito importante do governo, porém o que ele estava fazendo ali e como a S/N estava envolvida nisso tudo era muito ilógico e quase surreal para eles.

Já o policial gostaria de ter idade para pedir aposentadoria, já que ele tinha certeza que depois de tudo aquilo seria demitido. Agora ele se arrependia de ter tratado mal a estrangeira, o médico e a mulher, influenciado em agradar a pessoa mais importante, que no caso ele imaginou ser o homem agressor. Mesmo sabendo que ele era o culpado, afinal o policial não era tonto, ele achou que era melhor ficar do lado do homem, porém agora se arrependia profundamente.

A pessoa mais discreta e talvez mais amedrontada era a mulher que tinha um relacionamento com o agressor. Ela não sabia da onde tinha surgido o casal que tinha ajudado ela, porém era agradecida a eles. Porém, mesmo com a ajuda que tinha recebido ela ainda não tinha coragem de ir contra o namorado, ele era o pai da filha dela e ela precisava da boa vontade dele, mesmo que ele fosse um ser humano horrível, ele ainda era o pai da filha dela.

Na delegacia ela só confirmava os seus pensamentos, o seu namorado vinha de uma família importante e por isso ele era intocável, ela se sentia mal pelo casal que tinha ajudada ela e agora passava por tudo aquilo, se preocupava com o braço da mulher estrangeira que teve coragem de fazer o que ela não tinha. Porém, o médico mais velho chegou, depois aquele homem bonito um pouco ameaçador e por fim aquele homem importante, ela começou a ver que as coisas podiam ser diferentes

Quando a estrangeira pediu para o namorado se desculpar com ela, ela ficou realmente surpresa, ela achou que o máximo que iriam fazer por ela ali, era tirar ela da delegacia, nunca imaginou que alguém ali realmente se importava com o que tinha acontecido com ela. Ela agora sentia um profundo sentimento de gratidão.

- Grávida?! – O homem importante balança a cabeça tentando se conformar com a situação. – Realmente, é algo imperdoável. – Ele encara o homem agressor. – O filho que ela está esperando é seu?

- Eu... – O homem não sabia o que responder, ele sabia que era dele, mas ele sempre negava, afinal ele não queria o filho nenhum com aquela mulher.

- Vamos fazer assim, por hora você se desculpa pela agressão, um policial vai acompanha-los até o hospital...

- Gojong. – S/N interrompe o homem importante. – Eu mesma vou presenciar cada detalhe do exame de corpo de delito. – A jovem médica não esconde sua desconfiança o que irrita o homem importante, porém o obriga a sorrir e concordar.

- Claro. – O homem importante concorda relutante. – Então agora você se desculpa pela agressão, o policial vai acompanha-los até o hospital Gojong, se for provada a agressão e também a paternidade, o estado vai processa-lo.

- O que? – O homem agressor arregala os olhos. – Mas eu... não!

- A Coreia do Sul não é um país que tolera esse tipo de violência. – O homem fala firme. – Então, se o senhor não quer ficar preso, peço que colabore e peça desculpas e vamos dar prosseguimento de forma justa como é prevista na lei.

- É bom saber que a Casa Azul segue responsável e justa. – O dr. Kim fala vitorioso. – Por um momento achei que o mundo estava mesmo perdido.

- Imagina. – O homem sorri forçado.

A cena do homem se desculpando formalmente para a mulher foi algo que Sehun não se deu ao trabalho de esconder a satisfação ao ver. O sorriso dele foi algo que a jovem médica notou e ficou pensativa, ela não sabia direito o motivo daquele sorriso, porém parecia mesmo ser sincero. Depois de toda aquela confusão ter terminado, todos saiam da delegacia.

- Obrigada Tae. – S/N sorri fraco para o amigo. – Espero não ter estragado sua noite.

- Imagina, a cena que eu vi hoje foi bem mais legal que mais um encontro tedioso. – Taeyong sorri charmoso.

- Outro encontro? – S/N pergunta.

- É, o meu pai é muito persistente quando coloca uma coisa na cabeça, você sabe disso. – Tae sorri.

- Facilitaria sua vida eu aceitar? – S/N ri fraco.

- Acho que sim, para ser sincero as vezes eu acho que não, não dá para saber. – Taeyong ri charmoso.

Sehun observa aquela cena e sente um pouco de ciúmes, parecia que a S/N e aquele homem tinham uma amizade próxima e ele era uma pessoa importante, ao menos importante o suficiente para conseguir tirar o Sehun e aquela mulher da delegacia sem muitos problemas.

Naquela situação o cirurgião se sentia inferior, alguém que não merecia a atenção ou os sentimentos da S/N. Ela agora sabia que ele tinha uma ficha criminal, sabia que não tinha família, por mais que Sehun não sentisse vergonha da própria vida, ele sabia que a mesma não era nem um pouco atrativa, a realidade era cruel para ele e ele já estava acostumado.

Ignorando a cena da S/N com aquele homem, Sehun entra no carro do dr. Kim junto com a mulher que iria para o hospital, porém antes de entrar no carro ele se surpreende com a voz mais alta de Taeyong.

- S/N! – Taeyong fala aflito e segura S/N de forma desajeitada.

- Aí meu deus. – Dr. Kim olha assustado.

- S/N... – Sehun se aproxima rapidamente da jovem médica. – O que aconteceu?

- Eu não sei, ela estava falando comigo agora e do nada ela desmaiou... – Taeyong fala confuso e aflito.

- Ela está com muita febre. – Sehun coloca a mão na testa da jovem médica, depois coloco os dedos no pescoço dela, depois seguro o pulso dele e olho no relógio de pulso. – Os batimentos dela estão fracos.

- Sehun...  – O dr. Kim tira a toalha enrolada no braço da S/N. – Olha isso...  

- Aishii... – Sehun olha o estado dos ferimentos do braço da S/N. – Ficamos tanto tempo aqui que o que era um corte simples está piorando. – O cirurgião parecia irritado e preocupado ao mesmo tempo. – Vamos levar ela logo para o Gojong.

Sehun tira S/N dos braços do Taeyong, sem a menor cerimônia e leva ela até o carro do dr. Kim, a mulher vendo a cena, sai do carro e Taeyong faz sinal para a mesma ir no carro dele, afinal ele sabia que quando S/N acordasse se ela não visse a mulher lá fazendo os exames o ela mataria ele e o pai dele iria acoberta-la.

No hospital Gojong todos estavam no Pronto Socorro agoniados querendo saber notícias do dr. Kim que tinha ido busca o dr. Sehun e a dra. S/N na delegacia. No começo cada um criou sua teoria do motivo que levou os dois cirurgiões até a delegacia, porém conforme o tempo passava ninguém mais conseguia fazer piada com a situação e todos apenas ficavam preocupados.

- Por que estão demorando tanto? – Kai pergunta ao Jin de forma discreta.

- Não sei. – Jin tentava esconder sua preocupação, mas era impossível, o cirurgião estava para explodir de preocupação.

- Olha eles estão... – Jimin fala animado, porém assim que ele vê a cena sua animação desaparece.

- Aí meu deus. – Jisoo leva a mão na boca em uma demonstração de susto.

- Essa não.... – Dara arregala os olhos.

- O que.... – Jin vira para olhar a cena e quando seus olhos veem o Sehun entrando, quase correndo, no Pronto Socorro com a S/N nos braços, Jin não sabia que sentimento ter primeiro. Porém, seu coração apertou, uma mistura de preocupação, ciúmes, inveja, arrependimento, ressentimento e até raiva era o que definia o cirurgião naquele momento.

- O que aconteceu? – Hoseok corre até eles para ajudar Sehun a colocar S/N em uma cama.

Longe do hospital Gojong, ainda na delegacia, o outros envolvidos naquele caso estavam arrumando os últimos pontos necessários de papelada e burocracia. Até que o policial encarregado de acompanha os outros até o hospital entrou na delegacia afobado.

- O que está fazendo aqui? – O policial Lee repreende o policial. – Falei para você acompanha-los até o hospital.

- É que.... – O policial parecia amedrontado e receoso em falar.

- Fala logo. – O homem da Casa Azul fala esfregando lentamente a testa. – Essa noite não tem como piorar mesmo.

- A estrangeira.... aquela garota... – O policial fala aflito. – Ela desmaiou e eles levaram ela às pressas para o hospital.

- Aff.... – O homem importante fecha os olhos tentando aceitar a realidade.

- E agora? – O policial Lee pergunta aflito ao homem da Casa Azul.

- Vai até o hospital Gojong e garanta que essa estrangeira fique bem, se não serão as nossas cabeças. – O homem fala sério.

- Sim senhor. – O policial bate continência e sai correndo da delegacia.

- Agora o senhor... – O homem da Casa Azul encara o homem agressor. – É bom o seu santo ser forte, porque se alguma coisa acontecer com essa garota, não vai ter dinheiro no mundo que melhore sua situação nesse país.

- Afinal, o que essa garota tem de tão importante? – O advogado pergunta.

- Importante nada, mas ela é o tipo de pessoa que a existência é um problema. – O homem importante responde.

- Eu não entendi. – O agressor fala confuso.

- Ela é médica voluntária, pacifista, são aquelas pessoas que deixam o conforto da casa delas para ir no fim do mundo ajudar pessoas que vão morrer de qualquer jeito, só para fazer pessoas como nós, que preferimos o conforto se sentirem pessoas egoístas. – O homem importante explica. – Ela é uma médica da Cruz Vermelha.

- E por que isso a torna tão importante? – O advogado pergunta.

- Porque essas pessoas que trabalham em zona de guerra, veem coisas que não deveriam ver, salvam vidas tanto de pessoas inúteis como, as vezes, de pessoas muito importantes. Sem falar que são pessoas que abrem mão da vida deles para cuidar dos outros, é impossível uma imagem mais magnânima. – O homem da Casa Azul explica. – Outro detalhe, essas pessoas geralmente possuem imunidade diplomática, o que é o caso dessa garota, ou seja, ela não pode ser processada por meios normais, é uma dor de cabeça sem fim.

- Nossa, mas.... – O policial Lee fica pensativo. – Por que uma pessoa como ela está aqui na Coreia do Sul?

- Porque, para piorar tudo, ela veio trabalhar no hospital Gojong para liderar uma equipe de médicos para uma missão voluntária do governo, ou seja, o hospital cedeu os médicos para uma missão do governo, essa garota veio ajudar. Conseguem imaginar o drama que vai ser se amanhã a notícia no mundo for “Médica da Cruz Vermelha morre ao tentar parar uma briga na Coreia do Sul, a delegacia ignorou o fato da médica possuir imunidade diplomática e negligenciou atendimento médico. A médica estava na Coreia do Sul para liderar equipe de médicos voluntários em missão pacifista do país. “

- Uau. – O advogado arregala os olhos.

- Exatamente, por isso é bom essa garota estar inteira amanhã ou serão as nossas cabeças e você.... – O homem encara o agressor. – Aí deixa para lá.... policial Lee termina isso aqui, eu vou embora, se amanhã eu acordar sem emprego eu ao menos quero ter uma última noite de sono como um homem descente.

O homem da Casa Azul sai da delegacia andando desanimado, o mesmo sabia que tudo poderia ficar mais complicado do que deveria ser. O homem não era uma pessoa má, talvez egoísta, e por isso ele não queria problemas para ele e parecia não se importar com os outros, muito menos com quem dava trabalho para ele.

Na delegacia o policial Lee terminava de preencher tudo que era necessário, agora sem proteger o homem agressor. Depois que tudo estava feito, o homem e seu advogado saem da delegacia, ele estava muito irritado e revoltado com tudo que tinha acontecido, para ele era inadmissível aquela garota estrangeira ter cobrado que ele se desculpasse. Mas sua irritação não era apenas com a médica, e sim também com o médico, afinal ele que se envolveu primeiro em um assunto que não era dele.

- Doutor.... – O homem chama o advogado de lado.

- Sim? – O advogado encara o homem.

- Vamos esperar ver como tudo isso se resolve, não vamos contar ao meu pai agora, vamos dar um tempo.

- Sim senhor.

- Até lá, eu quero que você mande investigar esses dois médicos.

- Mas senhor.... – O advogado não aprovava a ideia, porém não podia recrimina-lo afinal era seu chefe.

- Não vou fazer nada agora, mas é sempre importante saber onde existem pontos fracos e algo me diz que aquele médico pode ter algo de interessante. – O homem fala.

- Sim senhor. – O advogado apenas concorda.

Os dois entram em um carro luxuoso e se afastam da delegacia.

Enquanto isso no hospital Gojong, Sehun coloca S/N em uma cama e todos se mobilizavam para atende-la.

- Sinais vitais? – Kai pergunta preocupado.

- Estão... – Sehun vai responder, mas é interrompido e surpreende a todos.

- Estão bons. – S/N responde acordado, a jovem médica vê todos olhando para ela com os olhos arregalados e preocupados. – Por que todo esse drama?

- S/N! – Jimin se aproxima da jovem médica com lágrima nos olhos. – Aí você está bem. – Ele rapidamente começa a chorar de alivio.

- Pronto, vocês fizeram o Jimin chorar, felizes? – S/N levanta da cama e fica sentada nela.

- Você.... – Sehun não sabia como interpretar aquela situação. – Você desmaiou.

- É, essas coisas podem acontecer quando perde sangue, a temperatura abaixa e machucados não são tratados rapidamente. – S/N sorri tranquila. – Eu estou bem.

- Você tem ideia do susto que deu na gente? – Dara fala de forma enérgica. – Vocês dois. – Ela olha para Sehun e S/N que olham receosos para a enfermeira-chefe. – Como assim vocês ligam para o hospital e falam que foram parar na delegacia?! Depois de horas vocês aparecem aqui, um com o rosto todo machucado, a outra desmaiada com o braço sangrando. – Dara falava irritada. – Vocês dois não são crianças, são os cirurgiões-chefes do hospital Gojong, tratem de se comportar de acordo. Meu deus que estresse....

Dara fala e sai andando de volta para o balcão, todos ficam em silêncio, ninguém aí esperava aquele sermão da enfermeira-chefe, porém o mesmo parecia ter um grande impacto. Depois desse tempo de silêncio, Hoseok que era o único que conhecia essa personalidade da chefe sorri e resolve voltar ao normal.

- Bom, dra. Yeri acho que a S/N devia tirar uma raio-x do braço, para saber se teve mais lesões, não? – Hoseok pergunta.

- Si-sim. – Yeri volta ao normal. – Isso mesmo, por favor Hoseok e Jisoo levem a S/N tirar raio-x, Jimin por favor pare de chorar, o Sehun vai precisar de uma tomografia, por favor podem acompanha-lo?

- Sim. – Todos ali concordam e se afastam.

O Pronto Socorro, aos poucos ia voltando ao normal, depois de todos aqueles sustos. Não demorou muito e os resultados de ambos os exames saíram e mostraram que nenhum dos dois cirurgiões-chefe tinham sofrido lesões mais profundas, Sehun apenas tinha escoriações no rosto e a S/N os cortes no braço.

Quando foram dividir quem iria tratar de quem, Yeri ficou para dar os pontos no braço da S/N enquanto Minho cuidada das escoriações do Sehun. No balcão, estavam Dara, Jin e Kai, esses que apenas encaravam a cena dos dois cirurgiões-chefes, cada um sentado em uma cama recebendo atendimento.

- Esses dois são estranhamente parecidos, não acha? – Kai pergunta tranquilo ao Jin.

- Por que você está dizendo isso? – Jin pergunta sério.

- Sei lá, olhando agora, parece que os dois se parecem. – Kai responde pensativo.

- Se você está dizendo. – Jin fala de forma indiferente e revira os olhos e vira de costas para sair do Pronto Socorro.

- Ei, onde você vai? – Kai pergunta.

- Eu vou para o meu escritório, é óbvio que esses dois não vão poder assumir o plantão hoje, então nós que vamos ficar, porém eu não tenho intenção de ficar aqui sem ser necessário. – Jin fala arrogante e sai do P.S.

- Nossa que mau humor. – Kai comenta enquanto via o Jin ir embora.

- Dá um desconto para ele. – Dara comenta discreta.

- Hum? – Kai encara a enfermeira-chefe.

- Ele estava quase comendo os dedos de nervosismos, ele estava mesmo preocupado. – Dara fala.

- Hum, eu não tinha reparado. – Kai fala pensativo. – Enfim... deixa ele, não é de hoje que o Jin é estranho mesmo. – Kai dá de ombros e deixa de lado aquele assunto.

Minho terminava de tratar os ferimentos de Sehun, enquanto isso Yeri nem tinha comendo a dar os pontos no braço da S/N, a mesma segura a pinça de sutura, mas não conseguia fazer nada, apenas ficava parada olhando o braço da S/N.

- O que foi? – S/N pergunta confusa.

- Não consigo. – Yeri fala agoniada.

- Oi? – S/N olha para o Hoseok sem entender. – Está tudo bem Yeri?

- Não. – Yeri deixa tudo na bandeja e levanta. – Eu não consigo tratar você, é muita pressão, me desculpe. – Yeri se desculpa e se afasta rapidamente.

- Mas eu não falei nada.... – S/N fala desanimada.

- Eu vou lá falar com ela. – Hoseok sorri e vai atrás da Yeri.

- Ok. – S/N concorda um pouco frustrada.

Sozinha na cama a jovem médica observa o braço e resolve que era melhor ela cuidar do braço, então ela pega o algodão para começar, ela tenta de forma desajeitada aplicar a anestesia, depois de certa dificuldade ela consegue. Quando ela começa a pensar como iria suturar seu braço apenas com uma mão, a cortina que servia de isolamento da cama dela se abre e ela se surpreende um pouco.

- O que você está fazendo? – Sehun pergunta olhando aquela cena desanimado.

- Ah... isso.... – S/N sorri sem graça. – Não sei bem o motivo, mas a minha médica fugiu.

- E você resolveu que poderia fazer isso sozinha? – Sehun encara a S/N sério.

- Não é tão complicado como parece. – S/N responde sorrindo tranquila.

- Qual é o seu problema afinal hein?! – Sehun senta no banco ao lado da cama da S/N e pega os instrumentos de sutura para começar a cuidar do braço da S/N.

- Meu problema? – S/N pergunta sem entender. – Eu não tenho um problema, eu tenho cortes.

- Você falou para eu não me envolver, porque foi acabar assim? – Sehun pergunta sem olhar para o rosto da S/N, apenas focado em dar os pontos no braço dela.

- Ah, você não me escutou... e.... – S/N responde pensativa. – Eu não ia deixar você se machucar. Aquele homem é muito baixo, ele ia acertar a garrafa em você enquanto estava de costas, muito covarde.

- E você resolveu que colocar o braço da frente era uma atitude certa?

- Ferimento nas costas e nuca podem ser piores que nos braços.

- Por que você parece as vezes se importar, as vezes não? – Sehun para de suturar e encara a S/N rapidamente.

- Quem disse que eu me importo?! – S/N disfarça.

- Você chamou o seu amigo para tirar a mulher da delegacia, depois exigiu um pedido de desculpas para ela. Para uma pessoa que não queria nem se envolver na discussão você fez muita coisa. – Sehun volta a dar os pontos.

- Eu já tinha me envolvido... – S/N fala tentando disfarçar algo. – Então já que o estrago estava feito.... Mas, e você?! Por que se envolveu? – Sehun não responde e apenas continua dando os pontos. – Se não quiser responder tudo bem. – S/N fala um pouco sem graça.

- Me desculpe. – Sehun fala sério focado nas suturas.

- Pelo que?

- Se eu não tivesse me envolvido, você não teria se machucado... – Sehun olha chateado para o braço da S/N. – Alguns cortes vão deixar cicatriz. Sinto muito.

- Hum? – S/N encara o Sehun surpresa e sorri. – Acha que eu me importo com isso?

- Eu sei que mulheres são vaidosas.... – Sehun fala um pouco chateado e envergonhado. – Eu não sou cirurgião plástico para dar pontos tão finos, me desculpe.

- Ei. – S/N sorri. – Eu não ligo para isso, não vai ser minha primeira cicatriz e ouso dizer que nem será a última. Será que foi por isso que a Yeri fugiu?!

- Não é porque você é bonita que devia não se importar com coisas assim. – Sehun fala sincero, sem pensar.

- Hum? – S/N se surpreende. Naquele dia ela só tinha sido menosprezada por fazer parte do padrão de beleza, era a primeira vez que alguém falava que ela era bonita de uma forma tão simples o que demonstrava ser sincera.

- É.... – Sehun fica tímido e é capaz até de sentir seu rosto esquentar, então ele volta a se concentrar apenas nos cortes do braço da S/N. – Da próxima vez não se envolva.

- Sei. – S/N sorri, receber aquele elogio foi algo que fez bem para a jovem médica, era um tipo de fuga depois de um dia tão péssimo. Ela lembra do motivo que fez ela se envolver e fica feliz de ter tido a sensação ou impressão certa. – Aí... – S/N resmunga por sentir um pouco de dor.

- Fo-foi mal. – Sehun estava um pouco nervoso e sua mão acabou ficando mais pesada, ele respira para se acalmar e relaxar a mão de novo. – Então... – Sehun pensar em puxar assunto para aliviar aquele clima desconfortável que tinha ficado depois do que ele tinha falado sem pensar. – O que tinha no envelope que aquele homem foi te entregar na delegacia?

- Meus documentos coreanos. – S/N fala tranquila olhando os pontos que o Sehun dava no braço dela, vendo que ele era habilidoso. – Eu tenho imunidade diplomática, só que como não fui buscar meus documentos acabou que o policial não sabia.

- E você ligou para pedir isso?

- Eu liguei para um amigo que poderia garantir isso para mim. – S/N explica.

- Eu reparei que seu amigo perguntou algo e você respondeu que não tinha matado ninguém e nem tinha arma de fogo envolvida, que tipo de pergunta foi respondida com essas coisas?

- É que é uma pessoa que me conhece desde algum tempo, ele sabe que eu as vezes posso me envolver em situações complicadas. – S/N admite.

- Hum.... – Sehun ri discreto. – Não sei porquê, mas isso não me surpreende.

- Ei. – S/N percebe o riso do cirurgião-chefe. – E você, age todo certinho aí, mas tem uma ficha interessante.

- Ah... – Sehun fica sério no mesmo momento. – Sobre isso.... se você puder não comentar com ninguém, eu ficaria agradecido.

- Não vou comentar com ninguém, mas não consigo imaginar você brigando com as pessoas, até hoje me surpreendi. – S/N comenta tranquila. – O que você fazia antes de ser médico para se envolver em tanta briga?

- Eu tive uma adolescência complicada, só isso. – Sehun responde sério e de forma vaga.

- Hum.... – S/N percebe que não era um assunto que o cirurgião-chefe gostava de falar então ela para de falar.

Os dois ficam em silêncio até o Sehun terminar de suturar, quando ele termina ele coloca os curativos e sorri para a S/N.

- Prontinho.

- Obrigada, a minha médica fugiu mesmo. – S/N comenta e percebe que a Yeri não tinha voltado. – E eu nem sei o que eu fiz para assusta-la.

- Você é um pouco intimidadora... eu sei bem disso. – Sehun admite.

- Mas, você não parece intimidado por mim. – S/N comenta e encara o Sehun.

- Hum.... – Sehun fica pensativo e sorri carinhoso. – Acho que estou me acostumando.

- Que bom. – S/N retribui o sorriso.

Sehun e S/N ficam se encarando por um tempo, era como se de alguma forma os dois começassem a se aproximar ou até se identificar, mesmo que não fosse necessário muitas palavras para aquilo. Porém aquele momento é interrompido pela dr. Yeri que volta junto com o Hoseok.

- Aí S/N me desculpa eu vol... – Yeri encara os dois cirurgiões. – Atrapalho?

- Não... – Sehun sorri para disfarçar. – Eu já terminei aqui.

- Você deu os pontos? – Hoseok se surpreende.

- É...- Sehun fala sem graça. – É que se não a S/N ia fazer sozinha.

- Sozinha? – Yeri encara a S/N surpresa.

- Lógico, minha médica fugiu. – S/N dá de ombros e levanta da cama. – Não sei como o Gojong é um hospital tão bom aqui na Coreia do Sul, o Jimin chora, a médica foge, os dois cirurgiões-chefe se envolvem em confusão....

- Onde você vai? – Hoseok pergunta.

- Para o meu escritório pegar minhas coisas e ir para casa. – S/N responde.

- Você não pode dirigir. – Yeri fala.

- Eu pego um táxi, chega de hospital para mim por hoje. – S/N fala pensativa. – Devia fazer o mesmo Sehun, amanhã o plantão é nosso. Ah Hoseok, eu quero uma cópia dos exames da mulher que veio com a gente viu.

- Pode deixar. – Hoseok confirma.

- Até amanhã gente, bom trabalho para vocês. – S/N se despede informalmente de todos e sai do Pronto Socorro.

S/N sai andando tranquilamente do Pronto Socorro até o elevador, no elevador ela apoia as costas na parede e fica pensativa, ela olha o braço dela e lembra do dr. Sehun dando os pontos e sorri sozinha. Ela não sabia explicar, mas tinha uma boa sensação, porém sua boa sensação acaba quando ela chega no andar do seu escritório e vê que parado na porta do seu escritório estava o dr. Jin. A jovem médica respira fundo e anda até lá.

- Precisa de alguma coisa? – S/N aborda do Jin parado na frente do escritório dela.

- Você está bem? – Jin pergunta direto e seco.

- Estou.

- Sério S/N, qual é o seu problema? – Jin fala irritado. – O que passou na sua cabeça de se envolver em uma briga?! Parece que não tem juízo, nem dá para acreditar que é uma cirurgiã de respeito.

- Jin... – S/N respira fundo, ela não queria ser grosseira com o cirurgião, porém era difícil se controlar depois de tudo. – A última coisa que eu quero agora é sermão.... já passou ok?! Se está preocupado eu agradeço a preocupação.

- Por que você foi jantar com o Sehun? – Jin pergunta direito e sério.

- Acabou acontecendo.

- “Acabou acontecendo”... vocês parecem estar se aproximando cada vez mais, isso não me parece situações aleatórias do destino. – Jin insiste irritado.

- Olha, eu não sei onde você quer chegar, mas realmente as coisas acabaram acontecendo desse jeito. – S/N fala sincera. – Agora Jin eu quero mesmo ir para casa, com licença....

- Eu te levo. – Jin fala.

- Não! – S/N olha séria para o Jin.

- Você não pode dirigir.

- Eu sei, eu vou pegar um táxi.

- Por que não pode aceitar minha carona? – Jin pergunta inconformado.

- Porque o dia pode ter sido longo Jin, mas eu não esqueci o que você fez ontem e também hoje. – S/N responde séria. – E eu não vou esquecer isso nunca Jin, então vamos voltar para antes da cirurgia, quando eu e você éramos apenas dois estranhos que trabalhavam juntos. Assim é melhor.

- Essa é a sua escolha então? – Jin encara a S/N.

- Escolha?

- Entre eu e o Sehun.... – Jin fala sério.

- Eu que desmaio e tomo remédios e você que não fala coisa com coisa.... ai por favor Jin, estou cansada ok?! – S/N apenas balança a cabeça em negação.

- S/N... – Jin fala sério. – Eu posso garantir que vai se arrepender ao escolher o Sehun...

- Ótimo, agora deixa eu ir embora. – S/N pega as coisas dela no escritório e sai dele deixando Jin para trás para ir até o elevador.

- É sério S/N, você vai se arrepender. – Jin fala sozinho enquanto observa a jovem médica indo embora. – Vocês dois vão. - Ele fala aquilo com um sentimento de ódio e rancor. 


Notas Finais


E aí?
Estão gostando?

Feliz dia dos namorados <3
Amo vocês.


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