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História S.O.S Coreia. - Capítulo 36


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Notas do Autor


Gente, esse capítulo é um pouco diferente, então deem uma olhada nas notas finais.
Boa leitura. <3

Capítulo 36 - Questão de princípios.


Fanfic / Fanfiction S.O.S Coreia. - Capítulo 36 - Questão de princípios.

Narrativa em terceira pessoa.

 

Depois que Sehun acompanhou S/N até a reunião os dois concordaram em se encontrar no escritório dela, uma vez que o Sehun não podia participar da reunião. Então o ex-cirurgião-chefe foi andando até o escritório da jovem médica, porém no caminho, quando ele cruzava com os médicos, ele os cumprimentava como sempre, mas ele podia perceber que alguns apenas desviavam o olhar ou olhavam para ele de forma receosa.

Por um momento Sehun tinha esquecido que o motivo dele ter sido afastado e da S/N ter assumido o cargo de cirurgiã-chefe foi porque tinham exposto a ficha criminal dele no hospital. Sehun já imaginava que isso poderia acontecer, ele já esperava essa hostilidade das pessoas, mas por um breve momento, enquanto ele estava com a S/N, ele tinha esquecido disso.

A verdade é que na presença da S/N o cirurgião tinha a sensação do mundo ser bem mais simples do que ele sempre achou que era, era como se a única coisa que importasse fosse fazer o seu melhor como médico e o resto não tivesse importância. Pensando sobre isso ele se questionava se era possível agir e ser assim mesmo, ou era algo que funcionava apenas para pessoas como a S/N.

A realidade é que não tinha como ele saber, ele não sabia nada sobre a vida da médica estrangeira, sabia que ela era inglesa, sabia que os pais trabalhavam, então ele automaticamente pensa que ela podia não ter uma vida de luxo, mas confortável deveria ser, ele sabia que ela ficava com a avó e que essa contava muitas histórias para ela, então ela foi amada, não foi uma criança excluída ou ignorada pela família.

Ele sabia que ela era muito inteligente, afinal tinha o título de prodígio, sabia também que ela muito cedo escolheu trabalhar como médica da Cruz Vermelha e por isso passou muito tempo em zonas de risco, e era apenas isso. Sehun não sabia detalhes sobre a vida da S/N, mesmo que ela fosse uma pessoa reservada, ele tinha a impressão que podia ter algo além disso.

Porém, com o pensamento que ele podia mudar sua postura e passar a levar uma vida mais tranquila e leve, Sehun atravessa o hospital enfrentando os olhares dos médicos e chega no andar do escritório da S/N. Assim que ele chega lá, ele vê uma das últimas pessoas que ele gostaria de encontrar, saindo do escritório que deveria ser dele, ele vê o dr. Jin, esse que assim que o vê sorri arrogante.

- Achei que estava afastado. – Jin fala sorrindo esnobe.

- E estou, está vendo?! – Sehun mostra ele mesmo. – Não estou usando jaleco.

- Então o que está fazendo aqui? Se veio buscar algo no seu escritório eu lamento informar, mas suas coisas foram levadas para o andar de baixo. – Jin aponta com o dedo para baixo.

- Não vim buscar nada no meu escritório, mas obrigado por me informar que já mudaram meu escritório, menos trabalho para mim. – Sehun sorri tranquilo, ele não ia cair na provocação de Jin.

- Sei. – Jin sorri de forma prepotente. – Você não me engana Sehun, pode bancar o superior, mas agora sua realidade é outra.

- Isso você está muito certo Jin, agora minha realidade é outra. – Sehun admite.

- Sim, você não é mais ninguém importante aqui no hospital. – Jin fala vitorioso.

- Sabe Jin, acho que tirando o fato de ter sido cirurgião-chefe, eu nunca fui alguém importante em lugar nenhum, não sei se você viu a minha ficha criminal, mas eu nunca fui o tipo de pessoa importante. – Sehun fala tranquilo.

- Já falei Sehun, você não me engana. Mas, admito que agora você está sendo sincero, você nunca foi uma pessoa importante, porém eu sei que você buscava isso com muito empenho.

- Jin, me responde uma coisa, por que eu te incomodo tanto?

- Hã? – Jin encara o Sehun.

- Sério, quando eu conheci você na faculdade eu achei que o máximo que eu teria de uma pessoa como você era desprezo, só que curiosamente você sempre quis competir comigo, o pior era que você sempre escolhia as competições que você perdia, sério eu nunca entendi isso.

- O que você quer dizer? – Jin pergunta incomodado.

- Jin, vamos ser sinceros, você é um homem inteligente, a vida toda teve tudo do bom e do melhor, eu tenho certeza que na escola você era aqueles caras que os professores e os alunos adoravam, nunca ninguém falou não para você, nunca ninguém te desprezou ou te humilhou. Completamente diferente de mim.

- E daí? Só por que eu tive tudo isso acha que minha vida foi fácil?

- Eu não acho, eu tenho certeza que sua vida foi fácil, mas isso não importa, se nossa vida foi fácil ou difícil é problema nosso. Eu só quero dizer que não faz sentido uma pessoa como você dar importância para mim? Você tem tudo, atualmente você é um cirurgião de sucesso, é rico e é bonito, por que eu ainda te incomodo tanto? – Sehun questiona confuso.

- Você está certo, eu sempre tive tudo e eu queria continuar tendo tudo, mas desde que eu conheci você, as coisas que eu queria começaram a ser tiradas de mim para serem dadas a você. – Jin admite irritado. – Sabe como isso é insuportável?

- Tirando o cargo de cirurgião-chefe o que mais eu tirei de você? A Rose? Sinceramente Jin, nós dois sabemos que se não fosse o plano de vida idiota dela, ela nem olharia para mim.

- Você tirou a atenção que davam para mim. Mesmo quando eu ficava em primeiro lugar e você em segundo, as pessoas falam “nossa como ele é incrível, mesmo com toda dificuldade ele ainda consegue ser tão bom”, as pessoas ignoravam o fato de eu ter conseguido o primeiro lugar.

- Espera aí, você está falando que tudo isso é por causa de atenção? – Sehun fica inconformado. – Você acha que algum dia eu quis essa atenção? Acha que eu gostava das pessoas me lembrando o tempo todo a minha origem, por mais que elas me dessem os parabéns no fundo ela apenas sentiam pena de mim, acha que eu gostava disso?

- Gostando ou não, você tinha toda a atenção.

- Eu sempre achei você uma pessoa sensata Jin, mas agora eu acho que estou decepcionado. – Sehun fala sincero.

- Acha que eu ligo para o que você acha ou não de mim? – Jin pergunta arrogante. – Eu estou prestes a conseguir que tudo volte ao normal, as pessoas não vão me comparar mais com você. Elas vão olhar para você e ver um ex-delinquente, nunca mais vão sequer cogitar a dúvida de quem é o melhor cirurgião do Gojong.

- As pessoas já não cogitam essa dúvida tem um tempo Jin, e não seja iludido de achar que é porque agora as pessoas vão falar que você é o melhor, talvez daqui uns meses sim, mas agora não.

- O que quer dizer? – Jin pergunta desconfiado.

- A melhor cirurgiã do Gojong é a S/N, pergunte a qualquer pessoa no hospital, ela pode ter uma personalidade diferente, mas ninguém questiona ou duvida da habilidade dela. Quando ela for embora, você pode assumir o seu posto de melhor cirurgião, mas sinceramente, por muito tempo as pessoas ainda vão lembrar dela como melhor. – Sehun fala sério. – Sabe Jin, eu busquei mesmo por muito tempo o topo, foi muito cansativo e estressante, sabe por que eu fiz isso?

- Hum? – Jin encara Sehun com desinteresse.

- Porque eu queria mostrar para pessoas que não são importantes o meu valor, queria provar para todos que eu não era o fracassado que eles falavam que eu era. Só que depois de tudo que aconteceu aqui no hospital eu percebi que essa minha atitude era muito infantil. Eu não preciso da aprovação de mais ninguém, eu estou satisfeito comigo mesmo.

- Satisfeito consigo mesmo?! – Jin ri debochado. – Sendo um cirurgião que perdeu o cargo de cirurgião-chefe porque é possui uma ficha criminal repleta de infrações vergonhosas?! É isso que te deixa satisfeito? De fato, Sehun, acho que eu valorizei você demais.

- Eu não tenho mais vergonha do meu passado Jin, eu já tive e só de lembrar isso eu me sinto envergonhado. É verdade, eu tenho uma ficha criminal repleta de infrações que eu nunca me orgulhei, mas só eu sei o que me levou a cometer tais infrações, porém, apesar de tudo que eu passei, de tudo que eu ouvi de pessoas como você, eu cheguei onde eu cheguei, ao ponto de incomodar alguém como você pela minha simples existência. – Sehun fala confiante. – Quer o cargo de cirurgião-chefe? Fique com ele, eu já avisei a S/N que não faço mais questão. Quer o escritório nesse andar? Fique com ele, eu nunca passei muito tempo dentro do escritório mesmo. Quer reatar com a Rose? Reate, eu e ela terminamos e eu apenas desejo que ela seja feliz. Quer ser melhor que eu? Seja, eu não ligo, eu vou continuar fazendo o meu melhor, mas porque eu quero isso, não porque eu preciso provar algo para alguém.

- Está confiante assim só porque a S/N está do seu lado, mas como você falou, ela vai embora daqui uns meses, aí eu quero ver você manter essa confiança toda quando as pessoas esquecerem que um dia você teve o apoio de uma pessoa como ela. – Jin fala sério e arrogante.

- Quem sabe quando a S/N for embora, eu não vou junto. – Sehun fala tranquilo. – Diferente de você Jin, eu não tenho família, nem um cargo importante, nem nada que me prenda aqui na Coreia do Sul, lembra quando eu perguntei porque você estava se voluntariando para ajudar a S/N a cirurgia do deputado e você respondeu para mim “porque eu posso”?! Então, finalmente eu entendo a satisfação que é poder falar isso.

- Seu... – Jin perde a paciência e agarra o colarinho do Sehun.

- Eu continuo te incomodando Jin. – Sehun sorri irônico. – Cuidado Jin, não torne sua existência uma mera ferramenta para as pessoas conseguirem o que querem.

- O que você quer dizer? – Jin pergunta irritado.

- Eu sei que não foi você que foi atrás da minha ficha criminal, você é muito esnobe para se dar esse trabalho, mas alguém foi e está usando essa sua implicância comigo para conseguir o que quer. Cuidado Jin, a S/N pode estar certa, esse caminho pode não ser bom. – Sehun segura firme a mão do Jin fazendo o mesmo soltar sua gola e depois o empurra.

- Você não sabe de nada. – Jin encara Sehun irritado.

- Posso não saber, mas você que diz saber é o único aqui que parece nervoso. – Sehun fala tranquilo.

- Quer ir embora com a S/N? Vá, as coisas vão mudar no hospital Gojong e eu sinceramente acho que não vai ter espaço para você aqui no futuro. – Jin ajeito o jaleco e encara Sehun com arrogância.

- Mudar? – Sehun pergunta desconfiado.

- Ignorância é uma benção Sehun, continue ignorante e tranquilo. – Jin sorri esnobe. – Aproveite sua folga Sehun. – Jin dá as costas para Sehun e caminha tranquilo até o elevador.

Mesmo que parecesse que Jin saia confiante dali a verdade era que o cirurgião estava bastante incomodado com o que tinha ouvido de Sehun, para o Jin ficar na sombra de alguém era insuportável, e mesmo agora que era apenas uma questão de tempo até ele conseguir o cargo que ele sempre quis, ele ainda tinha a sensação que Sehun estava certo, ele sempre ficaria na sombra da S/N, a melhor cirurgiã que o Gojong um dia teve, e isso o incomodava muito. Incomodava o suficiente para ele não deixar com que aquilo acontecesse.

Sehun que via o cirurgião se afastar fica pensativo, mas para desconfiado. Ele queria saber o que o Jin quis dizer quando disse que o hospital Gojong iria mudar, mesmo que ele tivesse falado que nada o prendia na Coreia, Sehun no fundo se importava com algumas pessoas, uma delas era o diretor Choi, o mesmo sempre agiu de forma justa, não se importando com a origem de histórico do Sehun.

Por causa disso, Sehun tinha um grande carinho e gratidão com o diretor Choi, ele era como se fosse mentor do cirurgião, então quando Jin falou que as coisas iriam mudar Sehun pensou que talvez, apenas uma possibilidade que aquela ameaça não era apenas direcionada a ele, mas também ao diretor Choi.

Ignorando aquela situação que, naquele momento, não tinha como Sehun resolver, o mesmo apenas digita a senha do escritório da S/N e entra para esperar a mesma até que ela saísse da reunião. No escritório ele entra e vê o mesmo de sempre, nada que fosse particular.

Já fazia meio ano que a S/N estava trabalhando no Gojong e usando aquele escritório e mesmo assim, ainda parecia o mesmo escritório que ele entrou no primeiro dia que ela chegou, com exceção de um único porta-retrato digital, a o escritório não tinha nada que a jovem médica tivesse colocado ou trazido para tornar aquele ambiente mais aconchegante ou familiar.

Observando isso Sehun apenas confirmava o que antes ele tinha dito com tanta ênfase para o Jin, que era que dali uns meses a S/N iria embora do hospital Gojong. Pensar isso fazia o coração do Sehun apertar, a sensação de perder algo, ou no caso, alguém tão importante para ele era muito ruim.

Se ele pudesse ser egoísta ele gostaria que a S/N ficasse para sempre na Coreia do Sul, que ela nunca fosse embora, mas quando ele olhava para ela e também para aquele escritório, ele entendia que ela não pertencia a aquele lugar. Mas, mesmo assim, o cirurgião não estava disposto a simplesmente abrir mão da médica estrangeira.

Ele se aproxima da mesa e pega o porta-retrato digital e começa a ver as fotos que iam passando, todas fotos da S/N na Cruz Vermelha, foto com soldados, foto com médicos, fotos com crianças e pessoas comuns. Em todas aquelas fotos a jovem médica estava sorrindo, com um olhar alegre, um olhar que ele nunca viu pessoalmente.

- O que será que deixava ela feliz trabalhando lá e não deixa ela feliz aqui?! – Sehun pergunta para si mesmo em volta alta.

O cirurgião queria descobrir porque a jovem médica não parecia feliz no hospital. Atualmente ele entendia que ela não gostava do cargo da cirurgiã-chefe, mas antes ela trabalhava no Pronto Socorro fazendo as mesmas coisas que fazia na Cruz Vermelha, então por que ele nunca viu ela sorrindo ou feliz igual nessas fotos?!

As fotos iam passando até que ele vê uma foto da S/N com um soldado, era uma foto só dos dois, não parecia ser uma selfie já que a foto tinha uma certa distância, então ele entende que alguém tirou aquela foto. Naquele momento Sehun sentiu inveja daquele soldado, eles estavam meio que abraçados, com os rostos próximos e ambos estavam sorrindo.

S/N parecia muito à vontade perto dele, e até perto da pessoa que tirou aquela foto. Sehun analisa a foto com mais cuidado e consegue ver o nome do soldado no universo do mesmo “Bobby”, ele fica na dúvida se aquele era o nome ou não daquele soldado, parecia muito vago apenas Bobby, mas ele tinha que admitir que o soldado era muito charmoso.

- Aishii... – Sehun resmunga sozinho, sentido ciúmes e um pouco de insegurança. Quando a foto passa, uma foto estilo selfie pode ser vista, ela tinha o mesmo cenário que a foto anterior, mas agora não tinha apenas a S/N e o tal Bobby, mas sim um outro soldado, os três estavam sorrindo, era uma foto muito bonita, então Sehun deduz que provavelmente quem tirou a primeira foto tinha sido esse outro soldado. – Por que esses soldados precisam ser bonitos assim?! Eles treinam para combater na guerra e não para serem idols.

Frustrado Sehun deixa o porta-retrato em cima da mesa, não querendo mais sentir inveja ou ciúmes, mesmo que leve, das fotos que ele via. Porém, o cirurgião ficou pensando e resolveu que não iria desistir sem lutar, ele sabia que a S/N amava ser médica por isso ela gostava tanto de trabalhar na Cruz Vermelha, mesmo que agora ela estivesse um pouco fora de contexto por causa do cargo de cirurgiã-chefe, ela ainda podia ser apenas médica.

Pensando dessa forma Sehun resolve que iria fazer tudo que estivesse ao alcance dele para fazer a jovem médica feliz no hospital Gojong, afinal ele gostava dela e antes de declarar os sentimentos dele por ela, ele queria que ela confiasse nela, se ela estivesse feliz no ambiente que eles estavam sempre juntos, só iria facilitar tudo.

Com essa determinação Sehun sai do escritório da S/N e vai até o elevador, ele aperta para descer até o térreo, o lugar onde a jovem médica tinha passado a maior parte do tempo era no Pronto Socorro, sem falar que lá ele também iria encontrar as duas pessoas mais próximas delas, o interno Jimin e o enfermeiro Hoseok. Sehun iria pedir a ajuda dos dois para que eles conseguissem fazer a médica estrangeira feliz ali, para assim quem sabe ela não ir embora em definitivo.

 

[...]

 

No Pronto Socorro o clima era confuso, para alguns apenas indecifrável. A enfermeira-chefe, Dara, estava diferente do que de costume, a mesma parecia com o pensamento longe, distraída, para conseguir a atenção dela os médicos e enfermeiros tinham que insistir, chamando sua atenção mais de uma ou duas vezes.

Outra pessoa que estava com o olhar distante e quase que parado era a dra. Yeri, a médica estava trabalhando, praticamente, no automático, ela não esboçava um sorriso ou qualquer reação emocional a nada. Porém, quando algum médico ou enfermeiro se aproximava dela para qualquer coisa a mesma parecia sempre se assustar, mesmo que não tivesse motivo, deixando as pessoas no Pronto Socorro um pouco desconfortáveis.

Outra coisa estranha no Pronto Socorro eram as visitas confusas dos outros médicos, a dra. Solar e o dr. Seung Min sempre que tinham um tempo vago desciam no P.S. para não falar nada, apenas escoltar com os olhos a dra. Yeri, essa que sempre que via os dois médicos abaixa a cabeça envergonhada.

Outra pessoa que descia sempre que tinha uma brecha na sua agenda era o ortopedista, dr. L, o mesmo descia e parava no balcão, por sempre que o mesmo descia a enfermeira Dara dava um jeito de sair dali, nem se dando muito ao trabalho de esconder que ela estava, de fato, fugindo dele, o que só deixava as coisas mais confusas para quem via de fora.

Apesar do grande movimento de visitantes que o P.S. estava recebendo, o balcão da emergência nunca teve um dia tão sossegado e silencioso. Por conta disso, quando Sehun entrou no Pronto Socorro o mesmo olhar confuso, estranhando o ambiente no geral, o ex-cirurgião-chefe fica ali observando um pouco distante, tentando entender o que acontecia naquele ambiente, porém é em vão, até que ele resolve ir ao encontro do seu amigo, L.

- Ei. – Sehun se aproxima de L que estava apoiado no balcão com um olhar perdido.

- E ae Sehun. – L fala tranquilo, até que ele rapidamente volta a si e encara o Sehun surpreso. – Espera, o que você está fazendo aqui? Você não está afastado?

- Não estou aqui trabalhando, olha. – Sehun mostra ele mesmo. – Nem estou usando jaleco.

- Está doente? – L olha preocupado para o amigo. – Se machucou? Onde dói? – O ortopedista começa a apalpar o corpo de Sehun para examina-lo.

- Não estou doente, nada dói, me larga L. – Sehun se afasta do ortopedista e o encara um pouco constrangido. – Por que as pessoas acham que eu estou doente?

- Ué, geralmente você vem para o hospital para trabalhar ou porque... – L ia falar, mas é interrompido pelo Sehun, que já tinha ouvido aquela justificativa naquele dia.

- Ok, ok já entendi, eu admito sou uma pessoa que não tem nada para fazer em casa, então vim para o hospital com a desculpa de ajudar a S/N no primeiro dia dela como cirurgiã-chefe. – Sehun fala sincero.

- Ah, que lindo. – L sorri meigo. – Quem diária que o nosso dr. Sehun, dono de uma carranca profissional e séria, seria capaz de atitudes tão fofas. – L faz chame.

- Uau. – Sehun encara o L constrangido. – Não faça mais isso na minha frente, sério, por favor.

- Nossa, esquece o que eu falei sobre atitudes fofas. – L faz careta. – Enfim, se você veio aqui ajudar a S/N, cadê ela?

- Reunião.

- Ah. – L balança a cabeça de forma positiva. – Entendo, será que não é perigoso colocar ela em uma sala cheia de pessoas que não são médicos? Quero dizer, ela não vai ameaçar atirar em ninguém lá, né?! – L pergunta receoso.

- Não faço ideia, espero que não, essas reuniões são importantes para o hospital, mesmo que ela fale que não é função de médico, eu acho que deveria ser sim. – Sehun fala pensativo.

- É complicado, eu prefiro nem me envolver, tem horas que eu concordo com o meu pai sobre o fato de que hospitais deveriam ser gerenciados por médicos, porém tem horas que eu acho que não, afinal o que médico sabe sobre gerenciar alguma coisa?! – L fala confuso. – É um dilema que eu prefiro ignorar.

- Realmente é sempre uma questão complicada, mas enfim, deixando isso de lado, você está fazendo o que aqui no P.S.? – Sehun pergunta.

- Eu? – L fica um pouco apreensivo com a pergunta, ele pisca algumas vezes, buscando em sua mente uma resposta que fosse convincente, porém sem revelar a verdade. – Estou só passando....

- Passando? – Sehun encara confuso, aquela resposta não respondia nada, mas ele percebe que o ortopedista parecia um pouco confuso, talvez fosse melhor não insistir em algo que o cirurgião não via tanta necessidade de explicação. – Enfim, você não acha que o clima do P.S. está um pouco estranho?

- Hum... – L que antes estava apenas focado nos seus assuntos, resolve observar o ambiente e constata que o cirurgião estava certo. – Verdade, parece.... não sei, desconfortável, será que é culpa minha? – L pergunta preocupado.

- Por que seria culpa sua? – Sehun fica confuso.

- Sei lá, não sei também. – L fica confuso com seus pensamentos. – Vamos perguntar para a Yeri. – O ortopedista sai do balcão e se aproxima da médica de forma tranquila. – Yeri o que....

- Não. – Yeri rapidamente se encolhe e fecha os olhos.

- Hã? – L fica confuso com aquela reação. – Não o que?

- Ah. – Yeri percebe que sua reação não era necessária e bastante fora de contexto. – Nada, é que... eu me assustei, só isso.

- Me desculpe. – L fala um pouco sem graça. – Está tudo bem?

- Hã? – Yeri encara o médico e o cirurgião com receio, quase medo, de pensar que eles poderiam saber de alguma coisa. – Como assim?

- É que você parece um pouco tensa, e o Pronto Socorro todo está meio.... diferente. – Sehun responde de forma calma e pausada.

- Eu estou bem! – Yeri fala em um tom um pouco histérico, mas ela engole seco e controla sua voz. – É que.... é.... – Yeri não sabia o que responder, ela não queria falar sobre o que estava preocupando ela, ela tinha vergonha, ao mesmo tempo que ela achava que apenas a situação dela não era responsável pelo clima do Pronto Socorro todo. – Acho que é porque a S/N não está aqui.

- Ah. – Sehun e L parecem ver lógica na explicação.

- É o primeiro dia que ela não fica no Pronto Socorro né?! – L comenta.

- Sim, acho que todos ficamos um pouco preocupados caso algo aconteça. – Yeri fala de forma vaga.

- Verdade, eu estou afasto, a Rose e o Kai estão fora porque estavam de plantão ontem, então sobra apenas a S/N que está com a agenda lotada de reuniões e o Jin que.... – Sehun fica pensativo. – Anda meio estranho.

- Tem sentido a preocupação então, eles podiam revogar seu afastamento né. – L comenta.

- Sei lá, até eu chegar aqui no Pronto Socorro eu tive a sensação que algumas pessoas seriam capazes de jogar spray de pimenta em mim se eu as cumprimentasse. – Sehun fala um pouco sem graça.

- É oficial, no Gojong é o único cirurgião normal é o Kai, o que torna essa situação muito séria, afinal estamos falando do Kai né. – L comenta.

- Não quero pensar nisso. – Sehun balança a cabeça em negação.

- Bom, eu tenho que.... – Yeri sorri tímida, faz uma breve menção com a cabeça e se afasta dos dois médicos.

Yeri não estava em condições de trabalhar, ela estava assustada, mesmo que ela soubesse que era absurdo achar que a qualquer momento outro homem iria dar um tapa nela, afinal em anos trabalhando ali, aquela situação só tinha ocorrido uma única vez, mesmo que seu raciocínio lógico dissesse isso para ela, o seu emocional não correspondia.

A médica já estava passando por conflitos internos, o fato de não ter tido coragem de dar os pontos do braço da S/N, o estresse de estar assumindo todos os plantões, o que causava privação de sono e agora tudo relacionado ao incidente do dia anterior. Até o momento Yeri não tinha visto do dr. Minho, porém só dela imaginar que eles, mais cedo ou mais tarde iriam se encontrar, afinal trabalhavam no mesmo local, fazia a médica entrar em pânico e perder o compasso da respiração.

Vendo de longe aquela cena, Solar se preocupava com a colega de trabalho, porém ela sabia que o máximo que ela podia fazer era dar apoio, mas não podia força-la a nada. Solar queria que Yeri denunciasse o Minho para o hospital, ela não achava certo o médico sair impune, mas Yeri tinha dito que precisava de um tempo para pensar se iria ou não denunciar.

Seung Min conseguia entender melhor a situação da médica geral, era uma situação delicada e até constrangedora. Nem todos tinham a personalidade irreverente e corajosa de Solar, às vezes, tomar uma atitude, por mais justa que fosse, não era nada fácil, o médico anestesista entendia muito bem como Yeri se sentia, tanto que ele insistia para que Solar respeitasse o tempo que Yeri tinha pedido.

 

[...]

 

L e Sehun saem do Pronto Socorro, o ortopedista entendeu que não iria conseguir falar com Dara tão cedo, por mais que ele estivesse ansioso para finalmente revelar tudo e ter a chance de viver o que ele sempre quis com a enfermeira-chefe, ele entendia que para ela as coisas não seriam tão simples. Porém, o ortopedista se sentia esperançoso com o simples fato de que Dara não o tratou com frieza, afinal pior que ela estar fugindo dele, seria ela fingindo que nada tinha acontecido.

Sehun pretendia conhecer melhor a S/N, mas além do clima no Pronto Socorro estar confuso, os dois mais próximos dela, Hoseok e Jimin, não estavam lá, ambos tinham ficado no plantão e por isso tinham saído durante o dia. Dessa forma, Sehun entendeu que teria que deixar isso para outro dia, mas ele não ia desistir.

S/N passou o dia em reuniões e aprendendo a fazer relatórios, felizmente ela teve ajuda de Sehun então não foi tão péssimo, mas para ela aquele dia estava sendo o cumulo do absurdo. Para a jovem médica ela estava fazendo qualquer coisa, menos trabalhando como médica e aquilo a irritava muito, porém ela não deixava aquilo transparecer, ela continuava com sua postura neutra e sem expressão, o que só deixava Sehun ainda mais confuso.

Jin tinha passado o dia todo refletindo sobre sua discussão com Sehun, o cirurgião começava a admitir que existir sim uma grande chance de ele viver à sombra da dra. S/N por muito tempo. Afinal os feitos dela desde que tinha chego no hospital já eram consideráveis. Ele já tinha vivido na sombra do Sehun por muito tempo, ele nem conseguia imaginar como seria viver na sombra de uma pessoa que ele nem poderia combater, uma vez que a S/N iria embora dali uns meses.

Com esses conflitos em mente, Jin resolve ir buscar orientação em uma pessoa que ele sabia que tinha uma índole questionável e também não escondia sua opinião negativa em relação a médica estrangeira. Mas, Jin sabia que naquele momento, o dr. Kang tinha sido a única pessoa que tinha ajudado ele a tirar o Sehun do cargo de cirurgião-chefe.

A secretária do dr. Kang avisa que o dr. Jin estava querendo vê-lo, então o velho médico esboça um sorriso manipulador e avisa para a secretária deixar o cirurgião entrar, ele se levanta e vai até o balcão atrás da sua mesa para preparar um café para o seu visitante.

- Dr. Kang? – Jin entra na sala de forma cautelosa.

- Entre Jin, por favor. – Dr. Kang sorri simpático e faz sinal para o mesmo se sentar no sofá que tinha no escritório. – Estou fazendo café, você aceita?

- Sim, por favor. – Jin aceita com educação.

- Então, aconteceu algum problema? Gostou do seu novo escritório? – Dr. Kang pergunta tranquilo.

- Ah, o escritório é ótimo, obrigado. – Jin responde tímido. – Mas, foi uma surpresa para mim também, não achei que iria me mudar para aquele escritório tão cedo.

- Imagina, é apenas questão de tempo, achei que era melhor você já ir se acostumando e se adaptando as novidades.

- Entendo. – Jin fala pensativo, a mente do cirurgião era um caos de pensamentos conflitosos.

- Aqui. – Dr. Kang coloca na mesa na frente do Jin uma xícara de café e se senta na poltrona ao lado. – Então, aconteceu alguma coisa?

- O dr. Sehun veio para o hospital hoje. – Jin comenta olhando para a xícara de café em sua mão.

- Hum, como médico? – Dr. Kang estranha a atitude do antigo cirurgião-chefe. – Ele está afastado, não pode trabalhar.

- Não, ele veio apenas para ajudar a dra. S/N no primeiro dia como cirurgiã-chefe.

- Ah. – Dr. Kang sorri debochado. – Que amável da parte dele, podemos usar isso, quem sabe.

- Como assim? – Jin pergunta confuso.

- A dra. S/N ficou “do lado” do dr. Sehun na questão sobre a ficha criminal, se a gente conseguir que ela fez isso apenas por estar em um relacionamento amoroso, podemos quem saber levar a questão para o comitê de médicos e pedir uma votação. – Dr. Kang sugere tranquilo. – Acha que eles estão em um relacionamento romântico?

- Acho que não. – Jin fala. O cirurgião não tinha certeza, mas ele preferia que estivesse certo, ainda era doloroso pensar que ele tinha perdido a S/N para o Sehun. – Ao menos não por enquanto....

- Hum, podemos ficar observando isso. Toda situação pode ser uma oportunidade para a gente. – Dr. Kang toma um gole do café. – Mas, então, aconteceu alguma coisa para você vir me procurar?

- Dr. Kang... – Jin parecia relutante em falar, ou apenas não sabia como falar ou explicar o que ele queria, talvez nem ele soubesse direito o que ele queria. – Eu aceitei expor a ficha do Sehun, porque realmente não achava certo ele esconder o passado e ficar bancando o correto, quando nem sempre foi assim.

- Você está certo, somos médico Jin, temos que manter nossa integridade e moral, não é qualquer pessoa que pode ser médico, muito menos qualquer um que pode assumir um posto como o de cirurgião-chefe no hospital Gojong, pessoas como o Sehun iam de encontro com tudo isso, um mal exemplo para todos.

- Eu sei. – Jin fala receoso. – Mas.... esse não foi o único motivo pelo qual eu decidi fazer aquilo.

- Hum... – Dr. Kang encara o cirurgião de forma curiosa.

- A verdade é que.... – Jin escolhia as palavras com cuidado. – A verdade é que.... o Sehun sempre me incomodou, desde a época de faculdade. – Jin resolve ser sincero. – Ele chegou ficando em primeiro lugar nas provas e trabalhos e de repente todo mundo só falava como ele era incrível, mesmo que eu ficasse em primeiro e ele em segundo, o segundo dele parecia mais importante.

- Eu entendo Jin. – Dr. Kang fala de forma compreensiva. – As pessoas adoram enaltecer um pobre coitado, eles querem se sentir menos hipócritas, melhores consigo mesmo em dizer que apoiam uma pessoa que agora está se superando, mas essas são as mesmas pessoas que quando o Sehun era adolescente o julgavam como um fracassado.

- Eu sei disso, mas mesmo assim isso sempre me incomodou, achei que era apenas algo que ficaria na faculdade, que depois eu e ele seguiríamos caminhos diferentes, mas acabamos no mesmo hospital e pior.... – Jin fala frustrado e irritado. – Ele conseguiu tudo que eu queria, desde o cargo até a Ro.... – Ele para de falar, afinal não queria ser desrespeitoso com o dr. Kang, afinal ele era pai da Rose.

- Hum. – Dr. Kang sorri discreto e tome um gole de café. – Eu compreendo Jin, não se preocupe, não precisa ficar receoso em falar sobre essas coisas comigo, eu melhor do que ninguém sei como é ruim ficar sempre atrás de uma pessoa.

- O senhor sabe? – Jin se surpreende.

- Sim, eu e o dr. Kim sempre fomos colegas de trabalho, trabalhamos a anos juntos, mas ele sempre ganhava a simpatia de todos, era sempre “o dr. Kim é muito amável”, “como o dr. Kim é gentil”, mesmo ele sendo apenas um médico comum, as pessoas preferiam ele do que eu, que era um cirurgião. Preferiram tanto ele, que ele ficou com o cargo de vice-diretor e não eu, então Jin, eu entendo bem o seu sentimento.

- Ah. – Jin se sente mais tranquilo, era confuso, mas o cirurgião começava a se identificar com o médico mais velho, esquecendo completamente o aviso que a S/N tinha dado sobre o perigo das suas escolhas. – Eu não sabia.

- Eu sou uma pessoa elitista Jin, nunca fingi ser uma pessoa simpática ou boazinha quando não queria, sempre fui orgulhoso de ser médico. Você já viu algum médico gostar de ser comparado a um funcionário metalúrgico por acaso? Eles detestam, todo médico se acha mais importante por ser médico, mas quando somos sinceros sobre isso nos tornamos pessoas arrogantes, as pessoas preferem as pessoas que vivem sorrindo do que as pessoas sinceras. – Dr. Kang fala tranquilo. – Porém, logo tudo isso vai mudar, eu vou mostrar que apesar da opinião dos outros, eu apenas quero o melhor para o hospital.

- Eu entendo, concordo um pouco eu acho, na realidade nunca pensei muito sobre isso. – Jin fala confuso.

- Você é igual a mim Jin, quer uma prova? – Jin responde que sim com a cabeça. – O que mais te incomodou quando a dra. S/N veio para o hospital?

- Hum... – Jin fica pensativo por uns instantes. – Acho que a forma dela agir, ela ignora todas as convenções sociais e faz apenas o que quer e mesmo assim tinha ganho um cargo de cirurgiã-chefe.

- Exatamente. A dra. S/N é o tipo de médica que acha que não existe uma divisão hierárquica e social entre os médicos. O discurso dela é lindo, romântico, pode até funcionar lá nos lugares que ela trabalhava, mas dentro de um hospital isso não funciona, e sabe por que? Porque quando um médico geral atende um paciente na emergência e é um paciente em estado crítico ele passa para um cirurgião, se esse paciente morrer quem você acha que vai levar a culpa? Quem vai ter que assinar o atestado de óbito como médico responsável? Não é o médico clinico geral da emergência, é o cirurgião. – Jin fica pensativo, vendo coerência no discurso do médico mais velho. – A partir do momento que temos mais responsabilidades temos sim que exercer superioridade, se não, do que vale a gente arriscar nossas carreiras para salvar vidas? Seria muito mais fácil ficar como clinico geral na emergência.

- Isso é verdade. – Jin admite.

- É por isso que eu quero tirar a dra. S/N do hospital, porque ela não combina com esse ambiente. – Dr. Kang fala confiante.

- Sobre isso dr. Kang... – Jin finalmente se sente confortável para falar o que ele queria. – Eu pensei, a S/N ficou muito famosa no hospital, você sabe, ela faz coisas que os funcionários acham surpreendentes.

- Sim, eu sei disso, infelizmente.

- Então, eu estou com receio de que, mesmo depois que ela vá embora do Gojong e eu assumo o cargo de cirurgião-chefe, eu acabei ficando na sombra dela, em um eterno segundo lugar. As pessoas podem falar “o dr. Jin é o melhor agora, mas quando a dra. S/N estava aqui ela era a melhor. “

- Hum... – Dr. Kang fica pensativo. – É Jin, isso é uma possibilidade mesmo, não vou negar, mas tem uma forma bem lidar com isso, antes que aconteça.

- Como? – Jin pergunta com expectativa.

- Antes dela ir embora, nós podemos colocar a reputação dela em dúvida. – Dr. Kang sugere.

- Como assim? Você diz, dizendo que ela é ruim?

- Quando eu passei a cirurgia do deputado para ela, essa já era minha ideia, mas você acabou ajudando ela e a cirurgia foi um sucesso, mas aquela foi uma situação, podemos ter outras. Uma médica como a dra. S/N, que sempre trabalhou em zonas de guerra, sempre tem um passado, um motivo pelo qual escolheram esse caminho, afinal ninguém em sã consciência larga família e amigos para arriscar a vida para salvar pessoas que não vão nem lembrar do seu nome. Desculpe, mas eu me recuso a pensar que exista pessoas realmente tão altruístas assim.

- Acha que a S/N esconde alguma coisa? – Jin pergunta.

- Acho que não custa nada eu investigar melhor o passado dela. Enquanto eu faço isso Jin, você pode ajudar aqui no hospital.

- Como eu posso fazer isso? – Jin questiona.

- Hum, hoje eu olhei a escala de plantão, você vai ficar de plantão junto com a dra. S/N, pense nisso como uma oportunidade, afinal casos complicados sempre chegam na emergência, em algum momento a dra. S/N pode cometer um erro, quando ela fizer isso, você pode aproveitar e mostrar para os outros que a opinião que eles possuem da nossa querida dra. S/N está equivocada.

Jin e dr. Kang ficam conversando por mais um tempo, o médico mais velho explicava em maiores detalhes as coisas que o dr. Jin podia fazer para ir minando a imagem que as pessoas tinham da médica estrangeira. Conforme ele ia falando Jin pensava nas coisas que ele conhecia sobre a S/N, o fato dela ser uma pessoa fria, com pouca empatia, inexpressiva e até um pouco indiferente, mesmo que ele soubesse que algumas dessas características a jovem médica tivesse adquirido após passar por situações complicadas na Cruz Vermelha, ele agora iria usa-las para benefício próprio.

Se o Jin se questionava se ele estava agindo certo ou não? Sim ele se questionava, porém o mesmo entendia que isso era uma questão apenas dentro do hospital, ele se desculpava com a ideia de que dali uns meses a S/N iria embora e ela nem iria se importar com o que tinha acontecido ali no hospital. Afinal só era importante para ele e não para ela.

 

[...]

 

Depois que a agenda da S/N tinha sido cumprida, Sehun tinha se despedido da mesma, o cirurgião insistiu em ficar com ela no plantão, mas a mesma falou que não era necessário, uma vez que pessoas que não estavam para ajudar no Pronto Socorro, acabavam inevitavelmente apenas atrapalhando.

Com essa visão realista e dura, Sehun não foi capaz de insistir, então apenas foi embora. S/N desceu na cafeteria do hospital para jantar e se assumir seu posto no Pronto Socorro. Outras pessoas podiam achar que a cirurgiã-chefe estava cansada, afinal tinha trabalhado o dia todo e agora iria assumir um plantão, mas indo contra o que as pessoas pensavam S/N se sentia aliviada por finalmente trabalhar como médica.

Assim que ela chega no Pronto Socorro a mesma é recebida por um abraço caloroso e manhoso do interno que não desistia de faze-la sua mentora, mesmo quando a mesma já tinha o rejeitado tantas vezes.

- Que saudades S/N. – Jimin fala enquanto abraçava a jovem médica.

- Me larga Jimin. – S/N fala enquanto ergue um pouco os braços, não retribuindo o abraço e fazendo careta para a situação.

- Larga ela Jimin. – Jisoo fala incomodada.

- Não, não largo. – Jimin faz manha e envolve ainda mais os braços na cintura da médica estrangeira.

- Aí meu deus. – Hoseok olha aquela cena e apenas ri discreto.

- Eu não mereço isso. – S/N fala olhando para cima, como se buscasse paciência e ajuda divina para lidar com aquela situação.

- Larga logo Jimin. – Jisoo puxa o interno enciumada.

Vendo aquela cena Dara e Yeri apenas esboçam risos, para as duas que passaram o dia todo buscando esquecer os conflitos em suas mentes, ver a inocência e a alegria que aquele grupo trazia para o ambiente do Pronto Socorro era reconfortante. Porém, logo atrás chega o dr. Jin, esse que olha aquela cena com uma repulsa e um desdém que ele nem esconde, porém o mesmo é ignorado e a situação continua.

- Me solta Jimin. – S/N fala um pouco mais firme e tenta empurrar, sem violência, o interno para longe.

- Não solto, eu estava com saudades da minha mentora. – Jimin insiste no abraço.

- Já falei que não sou sua mentora. – S/N rebate.

- É minha mentora sim. – Jimin fala apertando mais os braços na cintura da jovem médica.

- Deixa de ser maluco Jimin. – Jisoo insiste.

A cena fica apenas mais caótica, S/N tentava se soltar dos braços de Jimin, Jisoo o puxava pela cintura. Até os outros funcionários e pacientes que estavam ali no Pronto Socorro se controlavam para não rir.

- Hoseok. – S/N encara o enfermeiro que até o momento apenas observava e ria discreto. – Faz alguma coisa, por favor.

- Ok. – Hoseok sorri e se aproxima. – Jimin larga a S/N vai, acha que ela vai te levar a sério parecendo uma criança assim?!

- Aff. – Jimin escuta as palavras do enfermeiro e rapidamente larga a cintura da jovem médica e faz careta para o enfermeiro. – Não precisa jogar na minha cara assim.

- Foi necessário. – Hoseok sorri carinhoso.

- Ela é minha mentora, ela já me conhece. – Jimin se justifica.

- Ela não é sua mentora. – Jisoo fala rapidamente.

- Você também não vem não. – Jimin resmunga com a interna.

- Nossa.... – S/N bufa discreta e se afasta indo até o balcão para cumprimentar a Dara e a Yeri. – Oi gente, como vocês.... – S/N percebe uma leve e discreta marca no rosto da dra. Yeri, marca essa que ela tinha escondido muito bem com maquiagem, mas para uma médica experiente aqueles sinais não passaram desapercebidos. – Tudo bem? – S/N pergunta desconfiada.

- Tudo bem sim. – Dara responde tranquila com um sorriso. – E você? Como foi seu primeiro dia como cirurgiã-chefe?

- Foi.... – S/N queria dizer que tinha sido horripilante, mas a estrangeira apenas sorri de forma vazia. – É... foi diferente.

- Imagino, mas eu confio que você vai tirar de letra. – Dara fala confiante.

- E você Yeri. – S/N encara a médica. – Tudo bem?

- Ah. – Yeri nota que existia a pequena possibilidade de a S/N ter notado a marca em seu rosto e leva a mão na bochecha discretamente e sorri constrangida. – Sim, tudo bem.

- Hum. – S/N sabia que não devia estar tudo bem, mas ela entende que se a Yeri não queria falar sobre isso, ela também não iria insistir, não era da conta dela. – Então, como foram as coisas no Pronto Socorro hoje? Algum problema?

- Não, hoje foi até que ca.... – Dara ia falar, mas a mesma para no mesmo instante. – Você sabe.

- Sei. – S/N ri fraco.

Existia uma superstição no Pronto Socorro, sempre que alguém falava que o mesmo estava calmo ou sossegado, as chances de algo complicado acontecer eram enormes. Supersticioso ou não, todos seguiam aquela regra apenas por cautela.

O plantão seguia de forma rotineira, o clima entre o dr. Jin e a dra S/N não era dos melhores, eles trocavam olhares conflitantes, enquanto S/N tentava entender o motivo do Jin ter mudado tanto do que ele era antes para o que ele estava sendo agora, o Jin buscava coragem para explorar as falhas da médica estrangeira, afinal, essa era uma atitude bastante cretina da parte dele, e ele sabia disso, pior era que no fundo, ele ainda tinha sentimentos por ela.

Porém, no geral o clima no plantão era bom, Jimin agia como uma sombra da dra. S/N, se ela dava um passo ele dava dois, Jisoo era a sombra implicante do Jimin e o Hoseok era a pessoa tranquila e cautelosa que só se envolvia quando percebia que a médica estrangeira já não aguentava mais, mesmo que ele confiasse que a paciência da S/N fosse inegavelmente grande.

Só que antes da tormenta, sem existe um momento de calmaria, e era exatamente isso que estava acontecendo no Pronto Socorro. Se existia pessoas que acreditavam que pensamentos negativos atraiam situações negativas, era possível dar esse crédito ao dr. Jin, já que ele desejava tanto uma oportunidade de colocar o plano dele em ação, que essa oportunidade chegou quando o telefone do Pronto Socorro tocou e a enfermeira Dara atendeu.

- Temos um problema. – Dara fala aflita, e todos os funcionários disponíveis se aproximam do balcão, a enfermeira ainda segura do telefone próximo ao rosto. – É da penitenciaria Hong Ji, um dos detentos que faz tratamento de diálise acabou se envolvendo em uma briga e se machucou gravemente, o hospital público mais próximo não está com cirurgiões disponíveis.

- O que você quer dizer? – Yeri fala com os olhos arregalados. – Eles querem trazer o preso aqui?

- A pressão dele está caindo, por causa da insuficiência renal ele está em entrando em choque, não acham que consegue chegar no hospital público de Incheon a tempo de o paciente sobreviver. – Dara fala preocupada e confusa.

- Não vamos receber preso nenhum, primeiro que tratar presos é igual tratar pacientes com HIV positivo, requer vários cuidados específicos, ainda mais um que sofre de problemas renais, fora que ele pode ser uma ameaça aos outros pacientes, sem condições. – Jin fala sério.

- Vamos negar o paciente? – Hoseok pergunta confuso.

- É um preso, não um paciente. – Jisoo fala um pouco assustada.

- O que eu faço? – Dara encara a S/N com o telefone em mãos, buscando uma resposta definitiva.

- Eu já falei, não vamos aceitar, não é nossa obrigação atender presos. – Jin insiste.

- Pode falar para trazer. – S/N fala séria.

- O que? – Jin arregala os olhos. – Está louca? Vai colocar todos em risco?

- Risco de que? – S/N questiona.

- Ele é um detento, não sabemos que crime ele cometeu, ele pode ser uma ameaça. – Jin fala em um tom de voz alto.

- Ele está entrando em choque por causa do sangramento. Como ele pode ser uma ameaça? – S/N pergunta tentando se manter equilibrada diante dos gritos de Jin.

- ELE É UM PRESO! – Jin fala alto e autoritário.

- ELE ESTÁ EM CHOQUE DEVIDO AO SANGRAMENTO! – S/N, pela primeira vez, grita com Jin e todos no P.S. se encolhem.

- Você não vai conseguir nenhuma equipe para entrar na sala de cirurgia com você. – Jin fala irritado.

- Eu entro. – Jimin fala um pouco receoso, mas corajoso.

- Eu também. – Hoseok fala.

- Ótimo, pode ser apenas um procedimento simples, mas como o Jin falou precisamos de cuidados extras. Dara por favor ligue para o Seung Min, eu preciso dele aqui para ontem. – S/N fala.

- Se ele se recusar a abrir a sala de cirurgia? Já pensou nisso? – Jin para na frente da S/N e encara.

- Ele não vai fazer isso, eu confio nele. – S/N não se intimida.

- Se esse paciente tiver complicações sendo nosso paciente, você sabe as consequências? Ele não é um paciente qualquer, é um preso. – Jin insiste irritado.

- E daí? – S/N encara o cirurgião.

- Está por sua conta em risco dra. S/N, eu não vou protege-la, apoia-la ou acoberta-la. – Jin fala firme.

- Eu nunca te pedi nada. – S/N fala de forma fria.

O clima entre os dois cirurgiões era inegavelmente tenso, nem dava para esconder. No Pronto Socorro os funcionários dividiam opiniões, uns acreditavam que apesar de ser complicado, e de certa forma até desagradável, atender um preso, o preso ainda era um paciente como qualquer outro.

Já outros pensavam que se a pessoa estava presa, algo de muito errado tinha feito, sendo dessa forma se questionavam até que ponto eles tinham a obrigação de ajudar essa pessoa.

As dúvidas só pioraram quando Dara recebeu por e-mail os dados do preso que o hospital iria receber, uma vez que esse paciente teria que ser vigiado e também recebia tratamento de dialise foi necessário ter todas as informações dele antes. Quando a enfermeira-chefe pega a folha impressa do e-mail a mesma sente as mãos tremerem.

- Dara o que foi? – Yeri pergunta vendo o estado da enfermeira.

- Nã... – Dara se concentrava para falar sem gaguejar. – Não é um preso comum.

- Por que? – Jisoo se aproxima curiosa e preocupada, assim como os outros.

- Que preso é? – Jin pergunta receoso.

- É um assassino, Kim JaeJoong. – Dara fala com a voz tremula. – É o assassino Guryong.

- O que? – Todos ficam em choque com a revelação. Nesse momento S/N passa apressada pelo balcão, até que Hoseok segura o pulso da jovem médica delicadamente e a encara preocupado e confuso.

- S/N... – Hoseok falava pausadamente. – Não é um preso qualquer.

- Hã? Por que? O que mais ele tem fora o problema renal? – S/N pergunta, a mesma ignorava com naturalidade o fato do paciente em si ser um preso, ela apenas pensava nas questões médicas.

- Não, não é isso, nós acabamos de receber isso aqui. – Dara entrega a folha para a jovem médica.

- Hum. – S/N pega o papel e olha as informações. – Ele é jovem ainda, tem apenas trinta e quatro anos, mas tem doença renal em estágio terminal, aqui tem o tipo sanguíneo dele, vamos precisar de bolsas extras, paciente com problema renal tendem a ter as veias e artérias mais finais por isso o risco de hemorragia é maior, então se preparem para isso.

- S/N não estamos falando disso, ele é o assassino de Guryong. – Jisoo fala amedrontada.

- Hã? – S/N fica sem entender. – Assassino de onde? O que isso quer dizer?

- Essa pessoa é um assassino famoso, a uns cinco ou seis anos atrás, ele matou de forma brutal cerca de dez pessoas, isso apenas as mortes que ele confirmou, mas dizem que ele matou mais de vinte. Ele é um serial killer. – Jin fala sério.

- E daí? – S/N encara todos ali.

- S/N eu já entendi que você trabalha bem em situações de risco, eu entendo que você lida bem com emoção, mas a gente não. – Jin fala sério. – Eu quero que o hospital seja um local seguro e estável.

- Quem te disse que discriminar pacientes tornaria esse hospital seguro e estável? – S/N questiona.

- ELE NÃO É UM PACIENTE NORMAL, ELE É UM ASSASINO! – Jin novamente perde a paciência e grita com a jovem médica.

– Eu não me importo se ele é o assassino de Gury... sei lá. – S/N parece nem lembrar mais do nome que tinham falado, mas diferente de Jin, ela não se altera, ela continua falando de forma calma e séria. - Ou quais crimes cometeu, eu não sou policial, não sou juíza, não sou promotora, eu sou médica, e como médica vou trata-lo de acordo. Se vocês não estão confortáveis com essa situação, façam como bem entenderem, eu vou fazer a minha obrigação.

S/N fala e se afasta, a mesma pega um dos telefones do balcão e liga para pedir mais bolsas de sangue. Jimin e Hoseok trocam olhares confusos, porém os dois, mesmo receosos, seguem o princípio de sempre, eles confiavam na dra. S/N, se ela iria operar o preso e acreditava que aquilo era o certo, eles iriam acompanha-la.

Dessa forma, Hoseok corre até a porta do Pronto Socorro para esperar a ambulância e Jimin corre para a sala de cirurgia esperar o anestesista Seung Min, para explicar para ele a situação do paciente e também ajuda-lo a preparar a sala.

Jin não se conformava, porém antes que o mesmo insistisse novamente para que a jovem médica mudasse de ideia, ele entende que aquela era a uma boa oportunidade de colocar o plano dele em prática, então ele desiste de argumentar com a S/N e resolve fazer como todos os outros ali, ou seja, comentar e inflamar a situação pelas costas da cirurgiã-chefe.

- Isso é um absurdo. – Jin fala.

- Concordo. – Jisoo enfatiza. – Esse homem é um monstro, não merece viver.

- Ele foi sentenciado a prisão perpétua porque a promotoria julgou ele muito jovem pena de morte. – Yeri comenta.

- Eu geralmente apoio as decisões da dra. S/N, mas agora eu fiquei sei lá... – Dara comenta.

- Pior que ela além de tomar essas atitudes impensadas é ela levar o Jimin e o Hoseok nisso. – Jisoo fala inconformada.

- Realmente, se algo der errado nessa cirurgia, já que é um paciente com uma situação delicada, tanto o Jimin, que é apenas um interno, como o Hoseok vão sair manchados. Ela devia ter mais consideração com a equipe dela. – Jin fala de forma provocativa.

Os burburinhos no Pronto Socorro aumentam, quando finalmente a ambulância do presídio chega, junto com a viatura de polícia todos ficam apreensivos. O paciente passa pelo corredor do Pronto Socorro e é imediatamente levado até a sala de cirurgia. Nesse curto trajeto onde o paciente passou pelo balcão, ninguém conseguiu ver o rosto dele, uma vez que ele estava já usando máscara para de oxigênio, mas todos notaram um dos braços, esse que era fechado por várias tatuagens.

- Aí meu deus. – Yeri se sente insegura e se esconde atrás de Dara.

- Vocês viram o braço dele? – Jisoo pergunta com os olhos arregalados e estáticos com o medo.

- Espero que corra tudo bem e que ele vá embora o mais rápido possível. – Dara fala preocupada.

- Eu não vou atender ele na UTI. – Jisoo fala aflita.

- Não se preocupem, eu vou garantir que ninguém seja obrigado a se expor a isso. – Jin fala firme.

Naquela frase Jin pode perceber que ele recebeu a admiração dos funcionários que estavam preocupados. O plano dele corria melhor do que o esperado, talvez fosse o destino falando que ele não estava errado em fazer o que estava fazendo, a verdade era que naquele momento Jin torcia para a cirurgia ter várias complicações, quanto mais complicado fosse, melhor seria para ele e pior para a S/N. Esse era o preço que a teimosia dela iria custar.

Depois da realização de exames, como tomografia e ultrassom, S/N terminava de lavar as mãos para entrar na sala de cirurgia. Assim que ela termina a mesma aperta a alavanca com o pé e abre a porta da sala de cirurgia, lá Hoseok ajuda ela a enxugar os braços e mãos e a colocar o avental da frente e suas luvas.

- Obrigada Seung Min. – S/N encara o anestesista.

- Não me agradeça, estou tão nervoso que não respondo por mim. – Seung Min admite com a voz tremula.

- Não se preocupe, vai correr tudo bem. – S/N fala confiante. – Podemos começar?

- Sim. – Seung Min confirma um pouco relutante, o mesmo estava seguindo o mesmo princípio dos outros dois, confiar na jovem médica. – Eu tive problemas para achar um vaso que eu conseguisse administrar a anestesia.

- Hum? – S/N fica confusa e então resolve olhar para o paciente na mesa, o mesmo tinha tatuagens por todo o corpo e todas estavam infeccionadas, então ela entende a dificuldade do anestesista. – Isso vai ser complicado.

- Nossa, onde será que ele fez todas essas tatuagens? – Jimin pergunta surpreso.

- Provavelmente na prisão. – S/N responde analisando o corpo do paciente.

- Acho que é ilegal fazer tatuagem na prisão. – Hoseok comenta.

- Acho que os presos não ligam muito para isso, quando os guardas não estão olhando eles fazem, é uma forma de serem integrados e reconhecidos em grupos. – S/N fala tranquila, a mesma parecia ter bastante conhecimento sobre essas coisas. – Mas, aqui nós temos um problema.

- Um problema? Eu já contei alguns desde a hora que você resolveu aceitar esse paciente. – Jimin fala preocupado.

- Não isso. – S/N balança a cabeça em negação. – Todos os vasos estão comprometidos por causas dessas tatuagens infecionadas, precisamos suturar o braço dele, mas não podemos comprometer outros vasos, se não será impossível ele realizar diálise.

- Está falando que onde eu apliquei a anestesia é o último vaso que restou? – Seung Min pergunta preocupado.

- Acredito que sim. – S/N fala pensativa. – Se ele não for mais capaz de fazer diálise, não terá outra escolha além de um transplante de rim.

- Ele deve estar na fila de espera para um transplante. – Hoseok comenta. – Já que é um paciente terminal.

- Acho que sim, porém agora as coisas mudaram, eu duvido que os médicos da prisão tenham percebido ou até dando atenção para a situação dessas tatuagens. – S/N fala preocupada, mas ela suspira para se manter focada. – Bom, vamos começar a suturar esses vasos sanguíneos, com sorte ele vai conseguir prosseguir com a diálise até acharem um rim para ele.

- Pinça número cinco. – S/N estica a mão para receber a ferramenta e então Jimin respira profundamente e entrega o bisturi para ela e a cirurgia começa.

 

[...]

 

Enquanto a cirurgia acontecia, no Pronto Socorro não se falava de outra coisa, todos estavam apreensivos, se não fosse pelo simples fato de que naquele momento nos andares acima dali estavam operando um serial killer, tinha também o fato de que nos corredores próximos da ala cirúrgica e na porta do hospital, tinham policiais de prontidão. O clima era intimidador para qualquer pessoa que escolhesse o hospital Gojong como sua salvação na madrugada.

Porém, quando se está em desespero temendo pela própria vida, ou vida da pessoa que você ama, nada importa. Sem se incomodar, ou talvez perceber, os policiais, um casal entra correndo no Pronto Socorro. Um homem levava nas costas um garoto que aparentava ter seus quinze anos, esse que estava desacordado, e uma mulher que parecia aflita e desesperada.

- EU PRECISO DE AJUDA. – A mulher fala alto em desespero.

- Por aqui. – Jisoo corre até eles e indica uma das camas do Pronto Socorro, ali o homem deita o jovem garoto e Yeri já começa examina-lo.

- O que aconteceu? – Yeri pergunta.

- Hoje de manhã na escola, na aula de educação física ele estava jogando futebol quando caiu e bateu a cabeça. – A mãe contava rapidamente. – Ele nem chegou a desmaiar, falaram que apenas reclamou de dor na cabeça, mas a enfermeira da escola falou que era por causa da batida. Durante o resto do dia ele reclamou de dor de cabeça, até que no começo da noite ele começou a vomitar até que desmaiou.

- Intubação. – Dra. Yeri fala rapidamente.

Enquanto a mulher contava, Jisoo já ligava os aparelhos de monitoramento no jovem, o atendimento era realmente rápido. Porém, quando Yeri pega a lanterna e abre os olhos do garoto para ver seus reflexos, a mesma sente um arrepio, a sensação era como se fosse um soco no estomago.

- Dr. Jin.... – Yeri chama o cirurgião com a voz receosa e cautelosa.  

- Oi. – Jin se aproxima prestativo. – O que temos aqui? – Assim que Jin se aproxima ele coloca o estetoscópio para examinar o paciente, quando ele percebe que os batimentos estavam alterados, ele olha rapidamente para o monitor e seus olhos se arregalam. – É uma parada, eu subo.

Jin rapidamente tira o jaleco, para ter maior movimentos nos braços, e sobe na borda da cama e começa a massagem cardíaca. Se fosse antes, Jin teria apenas prosseguido com a massagem como habitual, mas ele lembrava de quando a S/N brigou com o dr. Minho para ela subir na cama para realizar a massagem da melhor forma possível, então agora ele sempre fazia dessa forma, mesmo que nunca admitisse, ele tinha aprendido algo com ela. Depois de um curto espaço de tempo, Jin desce da cama.

- Eu vou checar. – Jisoo fala e coloca dois dedos no pescoço do paciente. – Ele voltou. – RCE? (Retorno da circulação espontânea)

- Voltou após um ciclo. – Jin fala ofegante após a massagem. – Administrem uma dose de x.x.x, a cada hora, eu quero um conjunto completo de exames, raio-x e tomografia. – Jin passa as ordens enquanto isso Yeri pega sua lanterna para examinar novamente o paciente.

- As pupilas estão dilatadas. – Yeri fala relutante, nesse momento todos os médicos e enfermeiros que estavam próximos param o que estavam fazendo e ficam apreensivos.

- Hã? – Jin arregala os olhos e encara a médica, essa que apenas demonstra em sua fisionomia um olhar triste. Então rapidamente Jin pega sua lanterna e checa os olhos do garoto e constata que a Yeri estava certa. – Eu preciso de uma tomografia urgente e encaminhem ele para a UTI.

Todos correm para seguir as ordens do cirurgião, Dara se aproxima dos pais do jovem garoto para afasta-los dali, para deixar os médicos e enfermeiros trabalharem, conforme todos corriam o desespero da mãe só aumentava, a mesma temia que algo de grave acontecesse ao seu filho e o homem, que aparentava ser o pai, abraçava forte sua esposa tentando ser forte, mas seus olhos eram de medo e desespero.

Depois de um tempo, não muito longo, os resultados dos exames que Jin tinha pedido saem, o cirurgião que sempre era elegante e arrogante, agora sente as pernas bambearem, como se aquele resultado colocasse em cheque tudo que os médicos são capazes de fazer para salvar um paciente, tornando-os incapazes, quase inúteis, diante de uma situação irreversível e, de certa forma, injusta.

Olhando para aqueles exames, Jin buscava força para falar para os pais a situação do filho deles, porém até para o médico mais experiente, aquela situação não era fácil, mas como nenhum médico que tivesse um mínimo de respeito pelo paciente podia se dar ao luxo de apenas fugir daquela situação, o cirurgião respira profundamente e se aproxima dos pais do garoto.

- Olá. – Jin fala em um tom calmo e respeitoso. – Vocês são os responsáveis pelo Jeon JungKook?

- Sim, nós somos os pais dele. – O homem fala preocupado. – Meu filho está bem doutor?

- Eu... – Jin buscava escolher as palavras com cuidado, ele precisava explicar algo que era extremamente doloroso. – Eu imagino que vocês não soubessem, mas o filho de vocês tinha um aneurisma no cérebro.

- Hã? – A mãe arregala os olhos confusa, como qualquer mãe que amava o filho, a mesma já conseguia pressentir algo ruim, mesmo que ainda não entendesse o que o médico estava falando.

- O que doutor? – O pai buscava manter a calma e tentar entender o que o médico estava explicando.

- Um aneurisma, é uma dilatação que se forma na parede enfraquecida de uma artéria do cérebro, é uma condição que pode permanecer escondida a vida toda, porém uma vez que esse aneurisma é rompido, uma grave hemorragia começa, os sintomas do rompimento do aneurisma é uma dor de cabeça muito forte. – Jin buscava escolher palavras e termos de fácil entendimento.

- Nosso JungKook tinha isso doutor? – A mãe pergunta confusa e assustada.

- Sim. – Jin puxa os lábios para tomar coragem para continuar falando.

- E como podemos tratar isso? Doutor a gente faz qualquer coisa para ajudar nosso filho, ele é nosso único filho, mesmo que seja caro, eu não me importo. Por favor doutor, salve meu filho. – O pai implora assustado.

- Quando seu filho chegou no hospital, ele não apresentava reflexo, fizemos os exames e agora ele não respira espontaneamente e também não possui atividade no tronco encefálico. – Jin suspira e estica os ombros para falar. – Eu sinto muito, mas não podemos fazer nada pelo seu filho.

- O QUE? – A mãe escuta aquelas palavras e quase desmaia, rapidamente Jisoo se aproxima junto com outro enfermeiro e seguram a senhora, essa que começa a chorar descontroladamente.

- O que quer dizer doutor? Meu filho morreu? – O pai perguntava confuso e assustado, querendo que aquela situação não fosse real.

- Seu filho está agora em coma induzido, mas ele teve o que nós chamamos de morte cerebral, o corpo dele não reage mais a estímulos naturais, ele não está morto porque nós o entubamos e agora “vive” até que o aparelho seja desligado. – Jin fala e abaixa a cabeça derrotado. - Desculpe.

- Não! – O pai arregala os olhos em negação e desespero, rapidamente as primeiras lagrimas escorrem sem que ele conseguisse controla-las.

- Ele estava saudável hoje de manhã, eu fiz o café da manhã dele, eu o vi sorrir e me dar bom dia. – A mãe falava chorando muito em desespero.

- Eu sinto muito. – Jin engole seco, se esforçando ao máximo para ser profissional, mesmo que aquela situação fosse muito dolorosa.

- Por favor doutor, salve meu filho, por favor doutor. – O pai suplicava enquanto chorava. – Por favor doutor! É meu único filho, eu faço qualquer coisa, por favor doutor não desista do meu filho.

- Desculpe. – Jin apenas falava com a cabeça baixa, controlando a respiração para não chorar.

A mãe levanta do chão e caminha lentamente a porta de vidro que separava a UTI do corredor, ela olhava para a cama que seu filho estava deitado e coloca a mão no vidro, como se atrás dali ela pudesse encostar no próprio filho. Até que em algum momento ela apenas vai descendo até o chão, deixando sua mão escorregar pelo vidro enquanto era engolida pelo maior sofrimento de uma mãe ou pai, que era ver seu filho doente e não poder fazer nada por ele.

O marido rapidamente corre para consolar a esposa, o casal fica ali abraçado no chão, na frente da porta da UTI se consolando. Jin olhava aquela cena e acaba deixando uma lagrima escorrer, mas ele seca rapidamente e se esforça para se recompor. Ele vai até o balcão da UTI para dar o mínimo de privacidade ao casal administrar seu sofrimento.

- O que vai acontecer agora dr. Jin? – Jisoo pergunta com a voz baixa e discreta.

- Agora precisamos esperar todos os exames necessários para a documentação de morte cerebral ficar pronta e ver como que os pais vão querer prosseguir. – Jin explica no mesmo tom de voz.

- Eles podem querer não desligar os aparelhos? – Jisoo pergunta.

- Não. – Jin abaixa a cabeça. – Não é um caso de coma normal, ele não responde mais a nada, só vive por causa dos aparelhos. Mesmo que os pais sejam muito ricos e queriam prolongar essa “vida” até que a medicina evolua, vai ser difícil encontrar um hospital que aceite um paciente assim, prolongar uma vida de forma forçada, ou seja uma vida que só existe por conta de aparelhos, vai contra a dignidade de um paciente.

- Coitados. – Jisoo olha para o casal que ainda chorava na frente da porta da UTI e se lamenta. – Era um garoto tão jovem, ninguém poderia imaginar que algo assim aconteceria.

- São casos raros, mas mesmo assim existem. – Jin fala tentando ser profissional, mesmo estando visivelmente triste. – Mas.... esses são os casos mais frustrantes para nós médicos, nos mostra como somos inúteis diante de uma força maior.

 

[...]

 

Depois de duas horas a cirurgia da dra. S/N terminou, Jimin e Hoseok encaminharam o paciente até um leito de UTI e a jovem médica foi até os policiais responsáveis dar os detalhes de como tinha corrido a cirurgia.

- Vocês são os responsáveis? – S/N pergunta a um dos policiais.

- Sim, eu sou o responsável, sou chefe do presidio Hong Ji, como o detento não tem família, ele fica sob nossa responsabilidade. – O homem fala.

- Entendo, então não foi um procedimento complicado, uma micro-cirurgia foi necessária para suturar os vasos sanguíneos que foram rompidos por conta da lesão, porém.... – S/N pensa em como explicar aquilo para o homem. – Eu vi que o paciente tem uma doença renal terminal, ele faz diálise ao menos três vezes por semana a dois anos já.

- Sim, isso mesmo. – O homem confirma.

- Então, não sei se foi informado ao senhor, mas o paciente tem várias tatuagens feita de forma.... ilegal. – S/N encara o homem.

- Infelizmente é difícil controlar os presos a todo momento, eles sempre se ajudam para encobrir esse tipo de procedimento no presídio. – O homem admite um pouco envergonhado. – Mas, por que está falando isso?

- Por conta da doença dele e o modo nada higiênico que essas tatuagens foram feitas, os vasos sanguíneos dele estão quase todos infeccionados, se somar isso ao fato de que ele teve um corto profundo no braço onde ele também rompeu os vasos sanguíneos, eu ouso dizer que o único lugar disponível nele agora é um que encontramos no pescoço, porém para o tratamento de diálise ele não pode repetir consecutivamente o mesmo vaso, porque o mesmo não aguenta e acaba rompendo. – S/N explicava. – Então acredito que ele não será mais capaz de realizar diálise, não por um tempo.

- Mas isso significa que... – O homem fica confuso e preocupado.

- É, ele precisa de um transplante de rim urgente, se ele não receber o tratamento de diálise ou o transplante ele vai vir a óbito já que a doença dele já está em estágio terminal. – S/N fala séria.

- Nossa. – O homem fica surpreso e um pouco sem reação. – Eu vou informar isso ao hospital que faz o tratamento dos presos. Obrigado por informar. – O homem agradece de forma formal a médica. – Só mais uma coisa, quando ele pode ser transferido? O hospital Gojong é um hospital particular, e os presos são atendidos na rede pública, então....

- A situação dele é delicada, acredito que o melhor que o senhor pode fazer é pedir para os seus superiores que ele fique internado aqui, o hospital Gojong recebe apoio do governo então acredito que isso não será um problema burocrático.

- Certo eu vou resolver isso, obrigada doutora. – O homem faz um breve reverencia e se afasta para fazer uma ligação.

S/N observa por mais alguns instantes o homem e depois apenas suspira e se afasta, indo até a UTI para ver como o paciente estava. Chegando na UTI ela encontra com o dr. Jin esse que parecia bastante tenso e com uma fisionomia cansada e triste, então a jovem médica que não guardava rancor da discussão que eles tinham tido mais cedo no Pronto Socorro se aproxima dele.

- Aconteceu alguma coisa? – S/N pergunta.

- Recebemos um paciente com um aneurisma rompido no Pronto Socorro, um jovem de quinze anos. – Jin fala frustrado e triste.

- Hum. – S/N sabia o que significava um aneurisma rompido, então ela compreende a fisionomia triste do cirurgião. – Sinto muito, essas coisas acontecem.

- Eu sei, mas.... – Jin dá um soco no balcão da UTI para extravasar a sua raiva e frustração. – Não é justo.

- Quebrar a sua mão também não vai ajudar. – S/N comenta tranquila. – Já juntou os documentos necessários para oficializar a morte cerebral?

- Já. – Jin fala com a voz tremula de sentimentos ruins e triste. – Aqui está. – Ele entrega uma pasta para a jovem médica. – Você tem que assinar, é a cirurgiã chefe.

- Eu sei. – S/N pega a pasta e olha com atenção os exames e documentos que tinham ali dentro, todos relacionados ao paciente do dr. Jin. – Os responsáveis foram informados sobre a doação de órgãos?

- O funcionário desse departamento está falando com eles agora, não sei se vão doar ou não. – Jin fala triste. – É uma decisão difícil, afinal eles sabem que para doar os órgãos é necessário abrir o corpo e tudo mais, é um procedimento bastante agressivo.

- É, pessoas comuns tendem a não se sentir confortáveis quando pensam essas cenas, mas os médicos que fazem a extração de órgãos são muito profissionais. – S/N comenta tranquila enquanto olhava a pasta.

- Eu sei, mas sinceramente se fosse meu irmão ou filho, eu não sei se seria capaz de autorizar algo assim. – Jin comenta ainda chateado.

- Você não é doador? – S/N pergunta sem tirar os olhos da pasta.

- Não. – Jin responde. – Eu não quero que meus pais ou filhos sofram com essa imagem macabra, a morte já é suficientemente ruim. Você é?

- Sou, todos na Cruz Vermelha são, nós assinamos um termo sobre isso, muitos de nós morrem longe de casa, como a retirada dos órgãos precisa ser feita rapidamente em casos assim, muitas vezes não dá tempo de os responsáveis serem contatados. – S/N responde tranquila.

- Como você... – Jin se incomodava com a frieza e naturalidade que a jovem médica falava sobre aquele assunto.

- Olha! – S/N vê algo nos documentos da pasta que chama sua atenção. – O tipo sanguíneo do garoto é o mesmo do meu paciente.

- Hã? Que paciente? – Jin pergunta, mas logo ele encara a jovem médica com os olhos confusos e assustados. – Não está falando do...

- Se os pais aceitarem doar os órgãos, os pacientes que estão no mesmo hospital tem preferência, ou seja, meu paciente pode receber o rim. – S/N fala levemente animada.

- Você não pode estar falando sério. – Jin fala incrédulo. – Você está sugerindo que os pais desse garoto doem os órgãos dele para um assassino viver?

- Eu vou falar com os pais do garoto, se eles doarem podemos fazer o transplante daqui dois dias. – S/N ignora o que o Jin tinha falado, a mesma assina o termo de morte cerebral, sem nenhum cerimonia e gira o corpo para se afastar do balcão da UTI, até que é impedida quando Jin segura o braço dela. – O que foi?

- Você está se escutando? – Jin questiona irritado.

- Hum? – S/N encara o Jin sem entender.

- Você não tem respeito ou sentimentos? Ou até quem sabe o mínimo de consideração?

- Do que está falando?

- O filho deles acabou de morrer de uma forma inesperada e chocante, eles estão arrasados e com razão. Você quer que eles além de aceitarem doar os órgãos do filho, que até hoje de manhã estava vivo de saudável, você quer que eles doem para um assassino, uma pessoa que não merecia nem estar viva. – Jin fala inconformado e irritado.

- Jin, o filho deles não vai voltar a vida, não exista nada que a gente possa fazer em relação a isso, fora o meu paciente, outros pacientes vão receber os outros órgãos. Se o meu paciente não receber um transplante de rim ele vai morrer. Por que você não pensa de forma lógica? – S/N questiona.

- ISSO NÃO É QUESTÃO DE LÓGICA, É UMA VIDA! – Jin fala sério e irritado. – É tão difícil para você sentir empatia S/N, você ao menos sabe o que é isso?

- Me deixa em paz Jin. – S/N encara o Jin séria. – Eu sou médica, como médica eu quero que meu paciente viva, o seu paciente já morreu infelizmente, não é culpa sua, nem minha.

- Seu paciente tirou várias vidas, por que ele merece continuar vivendo? – Jin questionava.

- Não vou responder isso Jin, sinceramente. Agora me dá licença, que eu tenho que ir falar com os pais do seu paciente.

S/N segura a mão do Jin e o faz soltar seu braço, assim que ela se solta, a mesma caminha a passos largos até o departamento de doação de órgãos. Chegando lá ela encontra os pais de JungKook, era um casal de meia idade que tinham em comum os olhos vermelhos e inchados de quem já tinha chorado muito e também a fisionomia derrotada e triste. Sem pensar muito sobre isso ela entra na sala com cautela.

- Boa noite. – S/N cumprimenta todos ali na sala e vai até o funcionário responsável do departamento. – O responsáveis já se resolveram?

- Ah. – O funcionário olha receoso para S/N e depois olha para os pais. – Eles estão pensando, eu falei que podemos dar até dois dias para eles pensarem, os aparelhos podem ser mantidos por esse tempo.

- Hum... – S/N morde os lábios. – É que nós recebemos hoje um paciente com doença renal terminal, se ele não receber um transplante rápido ele não vai viver. Eu vi os exames e eles são compatíveis.

- Alguém está morrendo? – A mãe pergunta com a voz fraca.

- Sim. – S/N responde. – Ele precisa de um rim urgente se não vai morrer, o seu filho e ele tem o mesmo tipo sanguíneo e são compatíveis, por isso eu vim saber se vocês já tinham se decidido.

- A gente ainda não sabe, nunca pensamos nisso. – O pai fala com a voz triste.

- Eu entendo, eu sinto muito pela perda de vocês, mas o meu paciente... – S/N ia insistir para que os pais decidissem pela doação até que Jin entra na sala.

- É um serial killer. – Jin fala e surpreende o casal e também o funcionário do departamento. – Ele é o assassino de Guryong, acredito que vocês saibam quem é.

- Assassino de Guryong? Aquele que matou todas aquelas pessoas a uns anos atrás? – O pai fala assustado e surpreso. – É verdade isso doutora? – Ele encara jovem médica.

- É. – S/N responde relutante. – Ele é um detento, o nome dele é Kim JaeJoong.

– Meu filho é um jovem bom, tinha muitos amigos, com um futuro todo pela frente, por que ele precisa sofrer para salvar uma pessoa que já tirou a vida de tantas pessoas? – O pai pergunta irritado e triste. – Como eu vou poder encarar os pais e filhos das vítimas desse assassino se eles descobrirem que graças ao meu filho quem tirou a vida das pessoas que eles amavam vai continuar vivendo?

- Senhor a questão não é essa... – S/N tenta argumentar.

- Você quer que doemos um rim do nosso filho para um assassino? – A mãe pergunta horrorizada.

O clima na pequena sala do departamento de doação de órgãos fica tenso. Jin não concordava com a doação dos órgãos, era um procedimento agressivo, mesmo pessoas que já estavam mortas precisavam ser tratadas com respeito. Sem mencionar que ele não achava certo, um homem que matou brutalmente várias pessoas não merecia viver.

Já S/N não parecia se importar muito com a situação no geral, a médica olhava para a questão de uma forma fria e objetiva. Ela não se ligava para os sentimentos dos pais de JungKook, nem os sentimentos dos parentes das vítimas que seu paciente, JaeJoong, tinha assassinado. Ela apenas via na morte do paciente do Jin a chance do paciente dela viver, apenas isso.

Qual dos dois médicos está certo? Seria justo um assassino ter a chance de viver, mesmo que ele já tinha tirado essa chance de tantas pessoas? É certo os pais de JungKook, esses que nem tinham tido a chance de lidar com o luto, afinal seu único filho adolescente tinha morrido de forma repentina, terem que decidir sobre doar ou não doar os órgãos do seu amado filho?


Notas Finais


Então gente, um assassino merece viver?
Os pais do JungKook deveriam submeter o filho deles ao procedimento de remoção de órgãos?
Quem está certo aí o dr. Jin que pensa nos sentimentos dos pais do JungKook e também nos sentimentos dos parentes das vítimas que Jaejoong tirou a vida?
Ou a dra. S/N que apenas age de forma lógica, ignorando tudo e todos?


Então VOCÊS DECIDEM.
Se quiserem votar é só falar:

SIM - para os pais do Jungkook doarem os órgão e assim salvar a vida do assassino JaeJoong.
NÃO - para os pais do JungKook não doarem os órgãos e deixar para que o assassino JaeJoong morra ou espere outro transplante (poucas chances de conseguir um a tempo).

Amo vocês. <3


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