História Soturno - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ficção, Sobrenatural, Violência
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Capítulo único


 

O dia acabou de começar para mim. As luzes da cidade se acendem lentamente enquanto a escuridão aproveita seus poucos segundos. Está na hora de me alimentar e é sempre muito difícil, pois nunca consigo encontrar uma vítima rapidamente.

Eu gostaria de dizer que sou um vampiro que ajuda a sociedade caçando ladrões, assassinos e estupradores, mas essa não é a verdade. Claro que já me alimentei deles, mas não é algo de que gosto. O sangue tem um gosto ruim, uma mistura enlouquecida de álcool e drogas. Nunca é uma boa refeição.

    Andando pelas calçadas,  costumo observa-los. A sociedade humana banhada em tantas ideologias e controlada das maneiras mais ridículas possíveis. Logo eles que se julgam livres e independentes, uma raça totalmente superior. Isso é engraçado. Durante tantas noites em que sai, em tantos anos que já vivi, só o que posso concluir é que são governados pelo medo. Medo este que vem disfarçado em diversas situações, levando esta sociedade a se dividir. Usam qualquer coisa como divisória, religião, etnia, opção sexual, política... Diversos grupos são formados por conta disso, alguns possuem mais coisas em comum que outros, mas que mesmo assim não aceitam ninguém que não tenha essas coisas em comum.

 É demasiadamente triste, porém não pense que nós, os vampiros, somos melhores. Também existem divisões entre nós, os puros e impuros. Os puros são vampiros de nascença, já os impuros são humanos transformados. É um preconceito tão grande que não encontrará esses dois grupos em uma mesma cidade. Os humanos também tem seus preconceitos, mas num geral não são tão extremistas. Eu sou impuro, vamos por assim dizer. Não me importo com essa divisão, talvez por ser novo demais nesse mundo, porém sei o quando ela move a sociedade vampiresca. Essa divisão na verdade me favorece, depois de ser transformado me adaptei tão bem que me tornei o rei desta cidade. Ninguém me atrapalha enquanto caço e nem disputam comigo. Eles seguem minhas ordens e me respeitam como um verdadeiro líder.

 Mas chega de jogar tanta conversa fora. Agora é a hora mais esperada. Comer. As ruas estão praticamente vazias, o tempo está frio e isso não me favorece. Não consigo ver nenhuma  vítima em potencial. Poderia me alimentar de animais que é mais fácil, porém não é o suficiente. Mataria todos os bichos nesta cidade em menos de um mês. Já com humanos... Bem, estou aqui há anos, não é mesmo?

   Cinco passos... Encontrei um mendigo. Triste, sozinho e com frio. Uma das consequências das divisórias que falei anteriormente. Talvez morrer fosse uma boa opção para ele.  Eu me aproximo, pronto para ataca-lo, mas algo surge por entre as poucas roupas dele. Era um cachorro. Pequeno, magro e me olhava atentamente. Estava pronto para defender seu amigo mesmo que isso lhe custasse a vida.

  O pequeno animal rosnou quando me aproximei mais e com isso seu dono acordou. 

-O que houve, amigo? – perguntou ao cão.

 O pequeno olhou rapidamente para seu dono e depois para mim, seus dentes ainda estavam a mostra.

-Você tem um grande amigo. – falei.

-Sim, ele é como um filho para mim. – disse ao coçar levemente a cabeça do cãozinho.

  Eu sorri. Estava com um grande impasse, se matasse o homem o cão ficaria sozinho e não viveria muito depois disso. Porém, se eu matasse o cão, o homem poderia ficar deprimido e talvez morresse por conta disso também. Foi então que tive a solução, mataria os dois e ninguém seria deixado sozinho.

Você deve estar pensando que sou um ser sem sentimentos e que na verdade deveria sentir pena deles. Mas vamos lá! Sou um vampiro,  não sinto nada há anos. Minhas presas se alegraram com a minha decisão e saiam lentamente. Já estava pronto para atacar quando ouvi uma mulher gritar, quer dizer não era bem um grito, afinal o homem a minha frente não ouviu. Mas eu, graças a minha super audição, sim. E agora? Matar o mendigo e seu cão ou ajudar a mulher? Ah foda-se! É tudo comida. Deixei o homem e fui atrás do som, admito que prefiro achar minhas vítimas em situações mais excitantes.

  Quando a encontrei, a mulher estava no chão e sangrava. Que desperdício... Alguém a havia assaltado e esfaqueado na tentativa. Era uma moça jovem e bonita que teve a infelicidade de estar sozinha naquela hora.  E ao julgar pela quantidade de sangue que perdera não iria sobreviver. Queriam uma boa ação, não era? Suguei seu sangue antes que a vida deixasse seu corpo, mas aquilo não era suficiente para mim, o que sobrou do sangue não me manteria cheio nem por 2 horas. Então... Que tal mais uma boa ação?

Segui o rastro do assassino, quando o encontrei estava quase dentro de um prédio. O agarrei pelo pescoço e o trouxe para perto de mim. Seus olhos se arregalaram e eu pude sentir seu medo e pelas batidas de seu coração ele sabia o que eu era. Alguns humanos sabem da nossa existência, mas nunca dizem nada. Ora por medo, ora por não terem provas concretas. Seus braços forçaram meu corpo para trás, mas não me movia um centímetro sequer. 

Sem mais delongas, mordi seu pescoço e suguei seu sangue ali mesmo, totalmente exposto, sem escrúpulos algum. Não me importo com exposição, embora os outros vampiros optem por discrição e queiram manter nossa existência em segredo para a maioria dos humanos. Depois do jantar, tirei o casaco que o ladrão usava e levei para o mendigo e seu cão. Aproveitei e deixei o dinheiro da moça também, ela não ia mais precisar. Ele ficou bem feliz. Mas não pensem que fiz porque senti pena, não... Longe disso. 

  Após deixa-lo me atentei a hora. Era quase meia-noite. Aquilo me deixou espantado, levei mais tempo que o normal procurando comida e ainda me distraí com aquele homem e seu cão, mas tudo bem. Agora posso aproveitar o resto da noite sem me preocupar com a fome. E com aproveitar eu quero dizer isso mesmo que está pensando.

  Perto do amanhecer, eu retorno a minha morada. Chegando lá me lembrei que certa vez conheci uma vampira  enquanto aproveitava o resto da noite. Ela era impura assim como eu. Ela desejava ser humana de novo e sempre me perguntava se eu desejava ser também. Sinceramente não, eu dizia. Só o que aprendi com os humanos é que só se importam com alguém quando este morre. Somente neste momento e não antes disso, que pensam em coisas que poderiam ter feito ou dito, só quando já é tarde demais para se fazer alguma coisa a respeito. Desde criança te ensinam a ter empatia e dizem que deve se importar com o próximo, mas quando crescemos vemos que nada disso é verdade. Os vampiros não são diferentes, mas desde o início deixam essa individualidade clara. Neste mundo é cada um por si. Já com os humanos eles te iludem dizendo que vão te apoiar, te proteger, que estarão sempre do seu lado... Mas isso não passa de uma puta mentira. É, sou bastante rancoroso em relação aos humanos. Digamos que minha vida antes de ser vampiro foi uma verdadeira merda. Falsos amigos, namoradas que só te usam, família que não se importa... E o pior disso é que eu era uma cara legal, ajudava quando precisavam, sempre dava o melhor de mim,  mas com eles é assim mesmo. Pessoas legais tendem a se foder com uma frequência maior do que as que não valem nem uma bala. É tenso.

Então, não. Não sinto falta alguma de ser humano.

 Mas voltando a vampira, ela tinha suas filosofias. Eram boas e até comoventes, mas nunca me fizeram mudar de ideia. Há pouco tempo soube que ela morreu tentando ver o nascer do sol. Um final digno de seus ideais. 

6h. Deito-me. Não durmo. Apenas fico pensando em ser mais rápido da próxima vez, atacar a primeira vítima que vir pela frente. Comer é bom, mas tem outras coisas que quero fazer também. E por isso tenho que me apressar. 

6h45. Ainda está escuro em minha casa, então resolvo dormir. Apesar de querer ser mais rápido sei que não vou conseguir. Viverei sempre este problema em encontrar o jantar perfeito. Mas de todo jeito... Se não achar nada em vinte minutos, sei onde encontrar aquele mendigo e seu cão.



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