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História SOULMATES - shawmila - Capítulo 32


Escrita por:


Notas do Autor


Capítulo mais longo que eu já escrevi? TEM
Indicação de música nesse cap? TEM
HOT? TEM

A foto da casinha no capítulo é realmente a casa dos pais do Shawn <3 fofa demais né <3

Favorita e larga os comentários que não dói o dedo não, rs...

Capítulo 32 - I'm in Toronto and I got this view


Fanfic / Fanfiction SOULMATES - shawmila - Capítulo 32 - I'm in Toronto and I got this view

 

SHAWN

 

Passei a mão pelo rosto coçando meus olhos inchados. Eu tinha acabado de acordar e a única coisa que funcionava no meu cérebro até agora era o fato de que eu tinha que ligar a cafeteria elétrica para que o café fosse feito e eu pudesse, enfim, acordar de verdade.

Olhei pela janela da minha sala observando a cidade de Toronto, estava nublado de uma forma que eu saberia que logo iria chover.

Liguei a televisão no jornal local e fui até a geladeira ver o que eu tinha enquanto o café era passado.

Havia algumas frutas, leite, alguns legumes, comida congelada, pizza, água, suco e mais algumas coisas que minha mãe tinha comprado para abastecer minha geladeira. Ela sabia que eu estava vindo e fazia questão de deixar tudo certo como se eu usasse o apartamento todo dia.

Fiquei olhando pra geladeira aberta por alguns segundos, pensando no que iria comer... Tinha que ser alguma coisa prática e pronta, porque eu não sabia cozinhar nada.

No máximo conseguia fritar um ovo...

Peguei a caixa de leite e fui até o armário encontrando um pacote de cereal. Despejei tudo numa vasilha e sentei na bancada da cozinha, onde a cafeteria anunciava que o café estava pronto e o cheirinho maravilhoso tomava conta do apartamento.

Sentei quieto e me concentrei apenas em comer todo o cereal que eu tinha colocado.

Meu celular acendeu e começou a vibrar, avisando que alguém (minha mãe) estava me ligando via FaceTime.

- Oi, mãe. – Atendi entre uma colherada.

- Oi, filho. Bom dia! Acordou agora? – Assenti. – É, percebi. – Ela riu. Provavelmente da bagunça infernal que deveria estar o meu cabelo, já que eu tinha ido dormir com ele molhado ontem. Então tudo se tornava uma bagunça.

- Eu fui deitar tarde... Acabei dormindo demais.

- Tudo bem, você precisa descansar mesmo. Repor as energias! – Eu mostrei a caixinha do cereal, que havia exatamente uma frase como essa que ela tinha dito. – Pensei que você fosse vir tomar café da manhã comigo.

Dei um gole no café e engoli com calma antes de respondê-la.

- Tenho que ir buscar Camila no aeroporto.

- Ahhh, ela veio? Que maravilha!

- Está vindo... – Olhei a hora no relógio fixo na parede. – Daqui a pouco eu tenho que sair para busca-la, na verdade.

- E vocês vêm almoçar aqui? – Ela perguntou com um brilho genuíno nos olhos.

- Hoje não, mãe. – Dei mais uma colherada nos cereais. – Ela deve chegar cansada e vai querer descansar um pouco.

O que era verdade. Em parte.

Tenho certeza que se eu comentasse algo com Camila ela seria a primeira a topar e aparecer na casa dos meus pais para um almoço, café da tarde, ou qualquer coisa que fosse, tipo... Jogar algum jogo idiota e divertido.

Mesmo que ela estivesse cansada, sei que ela faria isso. E a verdade completa é que eu queria ter um tempo nosso.

Tê-la só pra mim.

- Ah...

- E o tempo tá estranho.

- Verdade. Mas vocês vão vir aqui amanhã então? Ou depois de amanhã?

- Mãe... Calma. – Eu ri do afobamento desnecessário dela. – É a Camila.

- Eu sei! Que inclusive é sua NAMORADA. Eu quis tanto dizer isso. Mas voltando... Ela é sua namorada e é da família. Acho bom você separar algum dia da sua agenda muito cheia e trazê-la aqui algum dia, Shawn.

- Nós vamos, dona Karen. Mas eu preciso falar com ela antes, concorda?

- É o Shawn? – Escutei a voz da minha irmã no fundo.

- Sim. Vem cá dar um "oi" pra ele. – Minha mãe respondeu, logo depois minha irmã apareceu ao seu lado com os cabelos presos.

- E aí, rockstar.

- E aí, pirralha.

- Ele não quer trazer a Camila aqui, filha.

- Nós vamos! – Eu disse rindo e levantando para guardar as coisas em seus devidos lugares. Leite na geladeira, cereal no armário e a vasilha suja na pia.

Aaliyah apenas ria, pelo teatro da minha mãe e pelo fato de perceber que eu estava apenas tentando ter um pouco de Camila pra mim.

- Se você não vier... Ela vai aparecer por aí. – Aaliyah avisou, sabendo das coisas.

- De jeito nenhum!

- Eu tenho a cópia da chave... Você sabe.

- Nós vamos, mãe. Prometo, mas de qualquer forma nós faremos uma chamada de vídeo mais tarde, okay?

Eu sabia que minha mãe estava apenas brincando sobre o fato de aparecer lá em casa como uma surpresa. A ideia dela chegando lá e nos pegando num momento... íntimo fez minha espinha gelar.

- Okay.

- Eu preciso desligar agora. Vou tomar um banho para ir até o aeroporto.

- Certo. Cuidado na estrada e juízo. Beijo, meu filho. Dê um beijo na Camila também.

- Beijo, mãe. Beijo, pirralha. – Aaliyah deu o dedo do meio antes da minha mãe finalizar a chamada.

Terminei de tirar o que restava no balcão e passei uma água na pouca louça suja, pelo menos isso eu sabia fazer. Encarei o relógio mais uma vez e fui tomar banho para poder buscar minha namorada no aeroporto.

 

O voo acabou atrasando vinte minutos. Não sei se por conta do mau tempo, mas o movimento não estava grande. Eu me preocupei em colocar um casaco com capuz para não chamar a atenção e fiquei sentado na área de espera mexendo no celular até o desembarque ser efetuado.

Aparentemente a minha ideia de passar despercebido estava dando certo, uma vez que ninguém tinha me reconhecido. Ou se tinham, não fizeram alarde sobre isso. O que era ótimo, diga-se de passagem.

Quando os passageiros começaram a passar pelo portão eu me levantei e fiquei próximo à uma pilastra esperando-a sair.

Camila saiu olhando para os cantos, me procurando. Levantei a mão e ela passou os olhos ao redor, não me vendo. Eu ri e fui andando em sua direção, como quem não quer nada. Quando cheguei perto, ela notou minha presença e abriu um grande sorriso.

- Eeeeeei... Não tinha te visto. - Abri os braços esperando seu abraço, que veio sem demoras. – Eu não enxergo bem de longe.

- Percebi. - Ela me deu um selinho e eu peguei sua mala em uma mão enquanto com a outra entrelaçava nossos dedos. – Vamos sair daqui antes que alguém nos note.

Camila entrelaçou nossos dedos e fomos sem muitas dificuldades até o estacionamento. Mais uma vez, se alguém notou nossa presença, não percebemos. Tirei o capuz assim que terminei de pagar o estacionamento.

- Como foi o voo? – Perguntei soltando sua mão para encontrar a chave do carro, destravando-o e abrindo a porta traseira para colocar a mala de Camila lá dentro.

- Tranquilo. Atrasou por conta do mau tempo.

Fechei a porta com sua mala lá dentro e ao invés de ir até o banco do motorista voltei até sua pessoa, passando meus braços por sua cintura e girando-a de forma que suas costas de apoiaram na lateral do carro.

Sem esperar mais um segundo, segurei seu rosto e juntei nossas bocas num beijo lento e profundo. Camila segurou meu casaco e me puxou mais pra si, aprofundando nosso contato. Com fome e saudade deslizei minha língua pelos seus lábios macios e fui recebido pelo calor da sua boca.

Ela suspirou quando diminui a intensidade do nosso beijo e fomos parando com selinhos. Parecendo um pouco fora de órbita, ela passou a mão pelo meu peito.

- Vamos... – Abri a porta e Camila deslizou para dentro do Tesla enquanto eu dava a volta para irmos para o meu apartamento.

 

Durante todo o caminho fomos de mãos dadas e conversando sobre como foram nossos últimos cinco dias longe um do outro. Simplesmente não faltava conversa entre nós dois.

- E ele fez xixi em tudo. – Camila disse quando paramos em frente à porta do meu apartamento. – Tipo... em tudo mesmo. Eu consegui pegar algumas coisas de Sofi.

Eu parei por um momento, franzindo o cenho e tentando imaginar a cena. Ela estava contando sobre o fato de seu novo cachorro, uma pequena bola de pelos nominada nada mais nada menos do que Eugene, ter feito xixi em uma muda de roupas que ela estava separando para trazer.

- Bem, eu posso te emprestar algumas coisas... – Abri a porta, entrei e esperei Camila entrar para fechar.

- Ah, sim, claro. Suas roupas cabem duas de mim, você sabe... Woooowwww, olha essa vista! Uau. Isso é lindo.

Deixei sua mala no canto da sala (levaria para o meu quarto depois) e me aproximei dela puxando-a para mais perto das janelas enormes de vidro que compunham minha sala, com uma vista espetacular para a CN Tower.

Foi basicamente a mesma reação que eu tive quando vi aquilo pela primeira vez. Era de tirar o folego, e mesmo com o tempo fechado... Ainda assim era uma puta vista.

- É, é lindo. – Beijei seu rosto vendo seu fascínio. Imagina quando ela visse isso tudo aceso. – De noite é mais lindo ainda.

- É... – Ela olhou em volta, reparando minha sala e uma parte da cozinha, já que meu apartamento era com conceito aberto. – É tão sua cara. Eu amei.

Eu sorri pra ela, indo até a cozinha e pegando uma garrafinha d'água. Eu tinha basicamente centenas delas na minha geladeira ou onde eu fosse.

- Minha mãe me ajudou. Babe, você quer comer alguma coisa? Eu sei que o voo foi longo e... – Olhei para meu relógio de pulso, o mesmo que Camila tinha me dado no meu aniversário. – Eu tenho comida na geladeira, mas eu não sei fazer nada. - Ela deu uma risada gostosa. Dei de ombros. – Vamos sair pra comer algo? Tem um restaurante bom aqui perto.

- Vamos.

Ao invés de pegarmos o carro, fomos andando, porque realmente ficava perto de onde eu morava. Por via das dúvidas peguei um guarda-chuva, já que o tempo estava bem esquisito. E não deu outra... No meio do caminho alguns respingos de chuva começaram a cair e Camila se enroscou no meu braço enquanto eu segurava o guarda-chuva em cima de nós e andávamos até o restaurante.

Quando chegamos eu percebi que estava muito movimentado. Talvez teria sido melhor se eu pedisse para que entregassem alguma coisa lá em casa.

Mas quem está na chuva... É pra se molhar.

Escolhi uma mesa no canto e Camila escorregou no estofado ao meu lado. E ficamos apenas na água enquanto olhávamos o menu para escolhermos algo.

De repente meu telefone começou a tocar de novo.

- É a Aaliyah. – Eu avisei antes de rolar o dedo no display e atender a ligação da minha querida irmã. – Eiii, o que você quer? - Seu rosto apareceu enorme na tela, mas basicamente eu só conseguia ver suas narinas dilatadas. – O que você está fazendo?

- Sentindo cheiro de trouxa de longe. – Ela me sacaneou e de repente disse alegre. – Oi, Camila!

- Oi, Aaliyah. Como você está?

- Bem. E você? Acho que meu irmão já te arrastou para comer?

Camila deu de ombros.

- O que houve? – Perguntei afastando o celular de forma que nós dois aparecêssemos na tela. – A mamãe está aprontando alguma coisa?

- Nah, ainda não. Eu queria saber se você conseguia alugar um barco pro meu aniversário.

- Não ia ser lá em casa? – Perguntei confuso. O último aniversário da minha irmã foi lá no meu apartamento com uma vista magnífica em um fim de tarde, na cobertura e foi um sucesso.

- É, ia, mas o ano passado foi lá. Eu queria fazer uma coisa diferente esse ano, sabe?

- Hum, sei senhorita Mendes. – Suspirei. – Vou ver o que consigo.

Impressionante como eu simplesmente fazia todas as vontades da minha irmã.

Impressionante!

- Yay! Falo com você depois. Beijo, mano. Beijo, cunhadinha!

- Beijo, Aali. – Joguei um beijo e Camila mandou outro.

- Quando é o aniversário da sua irmã?

- Dia 15, mas cai num domingo e ela quer comemorar no sábado, dia 14. Você vem, não é?

Ela coçou os olhos.

- Dia 11 eu tenho um evento em Napa. Não sei como vai estar a minha agenda. – Encostou a cabeça no estofado onde estávamos sentados.

Eu estava concentrado demais nela para poder notar qualquer outra coisa que acontecia ao nosso redor agora. Desde o momento em que estávamos juntos, apenas era bom saber que eu só podia... Beijá-la quando eu quisesse.

Segurei seu rosto com todo o cuidado do mundo, como se ela pudesse simplesmente quebrar caso eu segurasse com muita força e abaixei meu rosto beijando-a delicadamente.

Acho que ela não esperava essa atitude agora, num restaurante cheio de pessoas, mas eu estava pouco me importando realmente.

Dei seguidos beijos demorados nos seus lábios, basicamente selinhos demorados e carinhosos. Ela correspondeu, mantendo o olhar no meu quando me afastei.

Passei o dedão pelos seus lábios acariciando.

- Vem comigo... Vai ser um evento privado.

- Pra Napa?

- Sim. – Ela ficou me encarando daquele jeito. Seus olhos castanhos estudando meu rosto como se ela estivesse hipnotizada comigo.

Meu ultimo show seria dia 6, com a participação de Camila. Depois eu teria algumas semanas livres antes de pegar o próximo voo para a continuação da turnê, que seria na Ásia, seguindo posteriormente para a Oceania e... América Latina.

Eu não sabia quando iríamos no ver de novo, uma vez que eu estaria em outro continente e Camila também tinha seus compromissos. O Disco estava vindo com tudo e teria a divulgação, além de shows que ela faria pela América.

Tudo o que eu mais gostaria seria passar alguns dias com ela em Napa Valley.

- Eu soube que tem umas vinícolas ótimas por lá. – Pisquei sabendo que minha garota curtia um bom vinho.

- Tem, eu fiz o dever de casa.- Sorriu. - Vamos ficar em Meadowood. O que me diz? – Ela entrelaçou nossos dedos, pousando nossas mãos em seu colo.

- Claro. – Sorri em sua direção. – Vamos pedir a comida? – Ela assentiu e fiz nosso pedido.

 

Eu e a latina comemos, mas não ficamos muito tempo por lá. Prometi que levaria Camila para passear pela cidade, mas estava um vento frio e uma chuva fina, então nossa melhor opção agora era voltar para o meu apartamento, nos enrolamos em uma coberta e nos aquecer. Eu também percebi que ela estava cansada, uma vez que coçava mais do que o normal e parecia um pouco preguiçosa.

- Quer deitar um pouco? – Soltei sua mão quando entramos. Deixei meu celular e carteira na mesa de centro e apontei para o corredor, que levava ao meu quarto.

- Quero, mas quero tomar um banho antes e colocar uma roupa quente. – Ela disse mexendo em sua mala.

- Perfeito. – Segurei seu corpo por trás, levando-a em direção ao meu quarto. – Bem, esse é o meu quarto...

- Esperava mais. – Soltei dela, que começou a rir. – Estou brincando.

Meu quarto era modesto. Não era enorme, mas tinha uma grande e confortável cama. Duas cabeceiras, uma televisão tela de cinema e uma estante suspensa onde ficavam os meus videogames, perfumes e outras coisas decorativas.

A parte mais bonita era, definitivamente a vista perfeita para a CN Tower.

Dei de ombros, entrando na brincadeira dela.

- Eu só uso ele pra dormir, de qualquer forma. – Ela semicerrou os olhos, me desafiando. – Acredite: você vai ser a primeira mulher a dormir na minha cama.

- Mentira.

- Tem a minha irmã, mas ela não conta. – Camila continuava me encarando, como se não acreditasse. Apontei para a porta de espelho fechada. – Ali é o closet e aqui. – Abri a porta. – Banheiro, Camila. Camila, banheiro.

Ela entrou no banheiro, que basicamente era do tamanho do meu quarto na antiga casa dos meus pais. Todo de mármore branco com detalhes pretos. Gabinete duplo (mesmo que eu só fosse um), box enorme de vidro espetacular com aqueles chuveiros que disparam água em vários pontos e uma banheira enorme.

- Por que eu acho que você fica mais no banheiro do que no quarto? – Ela brincou, notando o luxo.

- Você sabe... a acústica é boa.

- Idiota.

Me aproximei rodeando sua cintura e dando um beijo no seu rosto.

- Depois eu termino de te mostrar o lugar. E mais tarde vou te levar lá em cima, acho que você vai gostar da vista.

- Acho que sim. – Ela espalmou as mãos no meu peito, me empurrando. – Mas agora me dê licença para eu tomar um banho.

Fiz um bico triste.

- Me expulsando do meu próprio banheiro?

- Sim! – Deu um sorrisão.

Aff, faço tudo por essa latina.

- Tudo bem. Vou te esperar na sala. Tem toalhas no armário.

- Eu faço isso. – Começou a me empurrar para fora do banheiro e quando passei pela porta ela fechou trancando-a para não ter perigo de eu invadir seu banho.

 

Fui para sala e procurei alguns filmes ou séries para assistirmos juntos. Abaixei as cortinas da sala e esperei por Camila. Ela demorou um pouco no banho, mas quando apareceu estava com os cabelos quase secos (provavelmente ela tinha secado logo depois do banho) e vestia um conjunto de pijamas engraçado.

Ela se deitou comigo no sofá, e como imaginei acabou dormindo no meu peito. Eu segui acordado por um tempo, mas acabei dormindo também e basicamente dormimos a tarde toda.

- Shawn... – Camila fazia carinho no meu rosto.

- Hm.

- Acho que dormimos muito. Acorda. – Beijou meu queixo e eu apertei mais meus braços em volta do seu corpo.

- Que horas são?

- Sete e quarenta. Quase oito...

- O que? – Abri os olhos assustado. Puta merda, a gente tinha apagado por o quê? Umas cinco ou seis horas? Peguei meu celular, confirmando que a gente realmente tinha simplesmente apagado. – Uau. Apagamos.

- Uhum.

- Está com fome? - Ela fez uma carinha engraçada, como uma criança quando faz uma besteira e é pega no flagra. Com sua cabeça no meu peito, beijei sua testa. – Imaginei... – Com cuidado a tirei de cima de mim e me levantei. Camila continuou deitada, apenas olhando pra mim. Estendi minhas mãos em sua direção, chamando-a. – Vem, preguicinha. – Ela fez charme. – Quero te mostrar uma coisa.

Ela me encarou mais alguns segundos, antes de segurar minha mão e eu puxá-la, ficando em pé na minha frente.

Passando minhas mãos por sua cintura e pousando-a em suas costas, por baixo do pijama fino, começo a fazer carinho por ali.

- Ahhhh, então era isso que você queria me mostrar? – Espalma a mão no meu peito fazendo carinho. Arrumo uma posição que deixa ela de costas para a vista da janela.

Depois de um sorriso sem vergonha, com certa destreza aperto no controle sobe a persiana.

- Não exatamente... Olha... – Balanço a cabeça e olho além de sua cabeça. Ela se vira depressa e eu a seguro carinhosamente por trás diante da sua surpresa.

- Uau . Shawn, isso é...

- Lindo, né? – Apoio meu queixo em sua cabeça, observando a cidade de Toronto completamente iluminada.

Os prédios com suas luzes reluzentes e a CN Tower brilhando num tom de azul índigo. Ela se ajeita melhor no meu abraço.

Impossível não lembrar quando eu estava escrevendo If I Can't Have You. E agora a musa inspiradora estava aqui, nos meus braços apreciando desse momento e dessa visão espetacular comigo.

- Não sei se quero mais sair pra jantar... Posso ficar a noite inteira aqui. Vendo essa vista.

Eu rio, sabendo exatamente a sensação de tranquilidade e paz que isso nos traz.

- Não fala isso que meus fãs vão pegar no seu pé também. E a menos que você não queira ficar com fome, ou comer algo queimado, acho que a gente devia sair pra comer.

- Então vamos...

 

•••

 

- Amanhã provavelmente eu vou ter que sair cedo. – Comento bloqueando o celular após trocar mensagens com Josh.

Camila me encara de perto. Estamos em um restaurante que fica basicamente na esquina do meu apartamento e está praticamente vazio. O tempo lá fora ainda é frio, o que é compreensível já que estamos no Canadá, mas não chove mais.

- Por quê? – Ela pergunta se ajeitando no meu colo.

Eu ainda não acredito que ela fez isso. Seguro uma risada lembrando quando ela simplesmente pulou no meu colo e apenas... grudou como um coala.

Longe de mim reclamar.

Inclusive eu acho que estou gostando até demais.

- Eu preciso queimar tudo isso que nós comemos hoje.

- Posso ir com você?

- O quê? Pra academia? – Ela assente. Isso é estranho e animador ao mesmo tempo, porque eu sei o quanto Camila foge de academia. – Sim, é claro. Mas já vou avisar que o Josh não vai te dar moleza. E isso é engraçado. – Tiro uma mexa de cabelo dos seus olhos. – Você faz exercício por obrigação.

- Indelicado você. – Me dá língua.

- Quem dá língua pede beijo... – Ela me dá língua de novo e eu apenas deixo um selinho em sua boca manchada de vinho.

- Eu quero saber que tipo de gostosona frequenta a mesma academia que você, Mendes. – Ela diz com nossos lábios juntos. Eu rio na sua boca e afasto meu rosto um pouco.

- A única gostosona que eu quero é você.

- Awn... – Ela cede e quando me preparo para beijá-la mais uma vez meu celular vibra em cima mesa, notificando uma nova ligação. Pego o celular já imaginando quem está me ligando e acerto na mosca quando vejo a foto. – É a sua mãe.

- É... Ela está obcecada com a gente. E quer que eu te leve lá em casa o mais breve possível... – Aviso antes de atender. – Oi, mãe.

- Oi, meu filho. – Seu sorriso se abre quando ela nota minha garota. - Olá, Camila!

- Oi, Karen. – Camila acena um pouco tímida, mas saudosa. Ela não sai do meu colo e me aperta mais firme com os braços em volta do meu pescoço.

- Como vocês estão? Curtindo a cidade, querida? – Minha mãe fala como se Camila nunca estivesse aqui antes e eu quero rir da sua tentativa de puxar assunto. É fofo.

- Um pouco... – Ela ri tímida. – Está tão frio lá fora.

- Sim, está friozinho mesmo.

- Nós nem conseguimos sair direito hoje, mãe. Só viemos comer alguma coisa...

- Ah, sim. E falando nisso, quando vocês dois vão vir aqui em casa?

- É só o Shawn me levar. – Camila joga pra cima de mim e minha apenas dá aquela encarada que não precisa nem de meia palavra para eu entender seu pensamento.

Passo a mão pelo cabelo, me dando por vencido e aceitando o fato de que vou ter que dividir Camila com dona Karen, ou então não vai existir um >eu< no futuro.

- O que você está esperando, Shawn?

- Nada... E o nome disso... – Aponto para as duas. – É complô! Amanhã, pode ser? – Encaro as duas. Camila assente e minha mãe bate palminhas, contente. – Fechado. Então amanhã nós vamos para Pickering.

- Ótimo! Vou esperar vocês. Agora vou deixar os pombinhos aproveitarem. - Camila ri e passa a mão pelo rosto, como se estivesse com vergonha. – Fofos. Nos vemos amanhã. Beijo, queridos.

- Tchau, Karen. – Camila joga um beijo com as mãos.

- Tchau, mãe. Beijo. – Jogo beijo também e logo a ligação é encerrada. – Minha mãe é oficialmente uma Camilizer. É isso.

- CAMIlizer ou CamiLIZER? Eis a questão. Eu não sei pronunciar isso correto até hoje...

Eu rio passando a mão pela sua perna.

- Vou pedir a conta, okay?

- Uhum. – Ela beija meu rosto e sai do meu colo, sentando do meu lado.

 

•••

 

Camila segue à risca e acorda cedo pra ir comigo acompanhar o meu treino e inclusive arrisca fazer alguns exercícios também. Eu não sei se me concentro na série de malhação ou no seu corpo perfeito marcado na roupa de academia.

Desde que ela chegou aqui nós não fizemos sexo, uma vez que ela estava no seu período menstrual e eu apenas senti que devia respeitar seu espaço. Dormir de conchinha era suficiente pra mim.

Não preciso dizer que Josh gostou dela logo de cara e então ela tinha mais um fã. E amigo.

 

Saímos da academia e passamos em casa só pra tomar um banho e trocar de roupa, já que minha mãe tinha mandado trezentas mensagens me lembrando do nosso dia juntos.

Da minha casa até a casa dos meus pais durava mais ou menos entre 30 e 40 minutos. Dependia do transito, mas como eu estava com Camila fui bem devagar para que ela aproveitasse o passeio. De longe já vi meu Jeep estacionado em frente à garagem e parei o Tesla bem atrás dele, ao lado da BMW da minha mãe.

- É aqui, chegamos.

- Tão fofa sua casa...

Descemos juntos e Camila deu a volta no carro juntando nossas mãos. A casa dos meus pais ainda era a mesma, por mais que eu quisesse colocá-los em um palácio... Minha mãe dizia que gostava da vizinhança, nossos familiares moravam perto e a vida simples.

Além disso, estar aqui era como um refúgio e eu acho que jamais conseguiria perder minhas raízes.

Subimos os pequenos degraus da entrada e eu preferi fazer uma surpresa, ao invés de simplesmente entrar, uma vez que eu já tinha morado ali e sabia que a porta estava sempre aberta.

Toquei a campainha e Camila me encarou com expectativa.

- Já vai! – Gritaram e eu olhei para ela animado.

Logo minha irmã abre a porta. E uau, ela está quase do meu tamanho, maior que Camila com certeza. Ela abre um sorriso vindo me abraçar.

Dou um abraço apertado nela, sentindo falta dos momentos em família que aconteciam com mais frequência do que hoje. Ela bagunça meu cabelo quando se afasta, e faz porque sabe que eu odeio isso.

- E aí, rockstar. – Olha pra Camila e abraça a latina fortemente, da mesma forma que tinha feito comigo. – Oi, Mila. Vem, entra.

- Cadê a mamãe? – Pergunto fechando a porta atrás de mim.

- Lá atrás com o Jordan. E o papai foi ao mercado, mas já deve estar chegando.

A casa ainda é a mesma, a única diferença é um móvel ou outro e a grande tela na parede da sala que eu dei para que o meu velho pudesse ver suas coisas na melhor comodidade.

Diferentemente do meu apartamento, a casa dos meus pais não era conceito aberto. Da sala de estar, passamos pela sala de jantar e chegamos até a cozinha, que dava para a área coberta dos fundos da casa, que era onde minha mãe estava com o namorado da minha irmã terminando de arrumar uma mesa bonita.

- Ei, mãe. Chegamos.

- Aaaaaa, que bom que vieram. – Ela larga os talheres e vem até nós. Ela abraça Camila antes de mim. – Seja bem vinda, Camila.

- Awn, obrigada. – Minha namorada está com as bochechas rosadas.

- Fique à vontade. A casa é sua! – E então me encara, vindo me dar um abraço também. – Oi, meu filho.

Beijo seu rosto.

- Oi, mãe. Precisa de ajuda? – Olho em volta, mas praticamente a mesa já estava arrumada. Jordan me encara fazendo joinha com as mãos. Faço o mesmo sinal para ele.

- Já arrumamos tudo. Só esperando seu pai, que já deve estar chegando... Você quer alguma coisa, querida? Água, suco?

- Nah, não precisa...

- Se quiser é só pegar, ou pedir ao Shawn que ele pega pra você. Eu vou subir rapidinho e volto logo.

E sai deixando apenas nós quatro ali. Estávamos nos fundos da casa, na parte coberta da varanda e um sol gostoso brilhava no céu, mesmo que ontem estivesse chovendo, hoje o dia estava lindo. Frio, porém lindo.

- Ei, Shawn.

- E aí, cara... – Cumprimento Jordan quando chego perto.

- Olá. – Ele diz sorridente para Camila.

- Então você que é o famoso Jordan? – Camila diz sorridente também e dá um abraço nele, como se já o conhecesse há séculos. Ele parece sem graça e com vergonha, mas devolve. – Já ouvi falar muitas coisas sobre você.

Jordan gruda na minha irmã. É meloso o jeito como eles ficam grudados o tempo todo. Camila se enrosca no meu braço.

- Ah, legal. – Ele está muito tímido e eu fico com vontade de rir agora, mas me seguro. É essa a reação que Camila causa nas pessoas. Até mesmo no namorado da minha irmã.

O "constrangimento" durou apenas alguns segundos, pois logo Camila já estava puxando conversa com ele e minha irmã e tudo estava correndo bem.

Meu pai chegou do mercado com uma sacola e três engradados de Corona. E foi esse o único momento que saí da conversa. Quando olhei pela janela da cozinha, minha mãe já tinha descido e se juntado e então todos estavam conversando e rindo.

- Quer uma? – Meu pai pergunta me oferecendo uma cerveja.

Me encosto no batente observando as três mulheres da minha vida juntas. O intruso não conta.

- Não, estou dirigindo.

Meu pai segura no meu ombro e da uma risada.

- Eu sei, isso foi um teste. – Olhei pra ele dando um sorriso e voltei a atenção para a mesa quando escutei algumas gargalhadas gostosas. Meu pai para do meu lado, bebendo sua cerveja em silêncio e observando a cena comigo.

Ele não diz nada, mas eu sei que quer dizer. Seu silêncio e seu olhar orgulhoso já dizem muito sobre o que ele está pensando.

- Conheço esse olhar. – Aviso trocando o peso de perna.

Ele segura uma risada.

- Eu não disse nada...

 

 

- Por que você está sozinho aqui e não comemorando com todo mundo? – Ele pergunta em pé ao meu lado.

É final de janeiro, um dia antes da 60ª edição do Grammy. Toda a minha equipe/amigos/família se encontra feliz e se divertindo na cobertura de um hotel em Nova York. Eu estava lá antes, mas só...

- Só... respirando um pouco.

Ele olha para as luzes longe. É meu pai, não tem como eu esconder qualquer coisa dele. Mesmo que eu tente. E ele sabe que eu não estou bem agora.

- Você quer conversar sobre isso? – Coloca sua mão quente no meu ombro, em sinal de conforto. E eu não quero falar sobre isso.

- Sobre o que? – Me faço de tonto.

Ele ri sem vontade e coloca a cerveja na mesinha à nossa frente. Suspira antes de cruzar os braços.

- Eu sou seu pai. Eu percebo as coisas antes de você mesmo perceber, filho. – Eu apenas encaro seu rosto sério e passivo. – E se você acha que ela é a pessoa certa para você... Lute por isso. – Deixa um beijo na minha cabeça. – Eu sei que ela é.

Meu peito se aquece com a névoa da lembrança que passa sobre mim, levando tudo de volta para pouco mais de um ano e meio atrás.

What if my daddy's right

When he says that you're the one

No, I can't even argue

Um suspiro profundo sai dos meus lábios quando eu desencosto do batente, pronto para ir lá para fora e ficar com as pessoas que são importantes pra mim.

Antes disso, passo meu braço carinhosamente pelo ombro do meu pai, abraçando-o de lado para arrastá-lo comigo.

Um pequeno sorriso repuxa o cavanhaque no seu rosto e eu sei que ele quer sorrir.

- É, pai... Você não disse. – Ele por mim abre o sorriso, tendo noção de que eu me lembro perfeitamente de suas palavras. – Vamos lá, meu velho.

 

•••

 

Chegamos ao meu apartamento já de noite, com duas sacolas cheias de comida em minhas mãos, já que Dona Karen fez comida suficiente para um batalhão e também fez questão que eu trouxesse caso eu quisesse jantar e não precisaria sair de casa.

Passamos o dia todo lá e foi um dos dias mais felizes da minha vida. Camila ficou tímida no começo, mas depois que ela se soltou as coisas fluíram como mágica e foi como se ela sempre pertencesse à nossa família.

Tanto que meus pais não queriam nos deixar vir embora.

Queriam que dormíssemos lá (no quarto de hóspedes, devo frisar, já que minha querida irmã roubou o meu antigo quarto na primeira oportunidade que teve), mas meu teste de direção estava marcado para o dia seguinte e eu só queria ter uma noite tranquila na minha cama.

Camila me abraça por trás e deixa um beijo nas minhas costas quando eu deixo as sacolas em cima do balcão da ilha.

- Cansada? – Pergunto segurando suas mãos em cima do meu peito. Ela ainda está atrás de mim. Sinto mais um beijo.

- Na verdade não. Eu amei o dia de hoje. – Consigo soltar suas mãos por apenas um momento, para poder me virar. Escoro o quadril na ilha apenas para puxá-la pra mim. – Me senti em casa.

- Essa é a ideia. – Levo um dedo até seu queixo, levantando seu rosto de forma que posso beijá-la agora.

Ela fecha os olhos e fica esperando eu me aproximar. Só consigo encarar sua boca cheia, vermelha e perfeita. E então abaixo meu rosto beijando sua boquinha linda.

Sinto suas mãos segurando na minha camisa e ela corresponde ao beijo. Eu amo o fato dela aprofundar nosso contato quando pede passagem com sua língua.

E isso é demais pra mim agora.

Mesmo que eu tente, não consigo controlar as reações do meu corpo ao seu toque, ao seu beijo e seu cheiro. Eu a puxo mais pra mim e o movimento faz com que nossos corpos de esfreguem por um breve momento, o suficiente para deixar mais do que claro o início de uma ereção na minha calça.

Ela chupa minha língua e me afasta suspirando.

- Vou tomar um banho.

- Okay. – Solto sua cintura libertando-a e tentando me concentrar em apagar meu fogo, uma vez que eu sei que não vou ter nada essa noite.

Camila some pelo corredor e eu fico parado tentando me controlar.

Preciso ocupar minha mente.

Tiro o celular do bolso e monto uma playlist curta para escutar enquanto abro a sacola e tiro tudo o que minha mãe mandou aqui pra casa. Depois de conectar meu celular com o sistema de som, vou colocar as mãos à obra.

Faço tudo e Camila ainda não saiu do banheiro. Aproveito para tomar um banho no banheiro social, rezando para que assim eu consiga amenizar a situação constrangedora que se encontra aqui em baixo.

E funciona.

Quando volto para a cozinha, usando apenas um short da under, Camila já terminou seu banho. E hoje ao invés de um pijama ela usa uma blusa de manga comprida minha que vai até a altura de suas coxas bronzeadas.

Ela parece minúscula mexendo na minha geladeira.

Percebo uma garrafa de vinho e duas taças em cima do balcão.

- O que você está procurando aí, gata?

Ela pula de susto.

- Aaaaaa... Idiota. – Me dá um tapa ardido quando paro ao seu lado e pego uma garrafa d'água. – Não me assusta assim. – Faz um bico e eu dou um selinho rápido.

- Tá. Desculpa. O que você está procurando aí?

- Queijo.

- Hmmmm... – Eu nem sei se tenho isso aqui, mas por ela vou procurar. E se não tiver, posso pedir para que alguém traga aqui em casa. – Deixa eu ver se minha mãe abasteceu.

Ela se afasta me dando espaço para olha a geladeira de cima até baixo.

- Sua mãe que arruma sua geladeira?

- Eu quase não fico em casa, então nunca tem nada aqui. Quando eu estou para chegar, ela faz umas compras pra mim.

- Mas você corre pra se alimentar na casa dos seus pais... – Ela ri lembrando das coisas que minha mãe contou sobre mim pra ela.

- É... tipo isso. Aqui, achei. – Estava na primeira prateleira e Camila não dava altura. – Queijo e... presunto de parma. – Olhei mais um pouco, vendo se tinha mais algo que pudéssemos degustar. – Ah, aqui também. – Peguei um cacho de uvas.

- Que prendado...

- Nenhum um pouco. – Assumo. – Vai levando o vinho pra sala que eu vou cortar isso aqui e já levo pra lá.

Ela me da um beijo na bochecha, pega o vinho, as taças e vai em direção à sala. Logo volta para pegar o cacho de uva também.

O presunto de parma já vem fatiado, então eu apenas estou terminando de cortar o queijo em cubos.

 

*música aqui* Indicação: trey songz; na na [tradução/legendado] (stwo remix) - Ou qualquer outra com pegada explicit que vcs queiram

 

Coloco tudo em uma bandeja que eu acho no armário, pego o saca-rolhas e vou caminhando até a mesa de centro onde Camila deixou tudo arrumadinho. A música ainda tocava nas pequenas caixinhas de som embutidas pelo apartamento.

Eu acendi algumas velas aromáticas antes de sentar ao lado dela. Abri o vinho sem muitas dificuldades e enchi sua taça primeiro, depois coloquei só um pouquinho pra mim.

- Ao nosso dia maravilhoso.

Ela levanta a taça tocando na minha de leve. Eu dou um sorriso e me inclino dando um selinho nela.

Engatamos uma conversa sobre tudo e nada ao mesmo tempo. Não consigo manter minha mente sã o tempo todo com Camila graciosa. Tudo o que ela faz chama a minha atenção e eu gravo cada detalhe seu.

Principalmente o fato dos seus dedos pequenos tamborilando no cristal da taça, ou como ela mordia os lábios despretensiosamente. Isso me matava.

O líquido da garrafa está abaixo do meio quando fico preso à forma graciosa que ela fica enrugando o nariz às vezes, ou como pisca lentamente quando me encara por muito tempo.

- O que foi? – Ela pergunta brincando com meus dedos.

- Nada.

- Fala...

- Só apreciando a vista. - Ela vira para a janela, como se quisesse olhar para o que estava achando tão lindo. - E não é da CN Tower que eu estou falando.

Camila larga a taça em cima da mesa e vem em minha direção, tirando a minha taça da minha mão para fazer a mesma coisa e sentando no meu colo de frente pra mim, com uma perna de cada lado do meu quadril. Seus braços passam pelos meus ombros e meu cabelo fica refém dos seus dedos.

Minha mão descansa em sua coxa febril e agora ela está me encarando profundamente.

- Te amo. – Ela diz passando o dedo carinhosamente como se desenhasse a minha sobrancelha.

- Amo você. – Passo o polegar pela sua boca desenhada.

Então o que acontece a seguir é uma explosão de lábios, língua e dentes. Eu entendo que existe um limite entre nós, mas é difícil lembrar disso quando ela rebola em cima de mim e larga minha boca para chupar um ponto em baixo da minha orelha.

Um gemido sai da minha boca e seguro firme sua cintura.

- Quero você.

Meu coração acelera ainda mais. Eu realmente ouvi isso ou foi minha mente tentando me engabelar?

Ela passa a língua pelos meus lábios.

- Camila...

- Tudo bem. Meu período acabou.

- Quando? – Pergunto tentando entender se ela está falando a verdade ou apenas brincando comigo.

- Isso importa? – Ela ri e pisca devagar.

Ok, me mate agora.

- Não. – É a ultima coisa que digo antes de parar de resistir e atacar seus lábios. Somos um emaranho de beijos e mãos quando eu toco seu seio livro em baixo da >minha< camisa que ela usa. E eu não sei se vou aguentar as preliminares. – Quarto. – Eu digo quando sua boca escorrega para o meu pescoço.

Ela me morde leve.

- Não. Aqui.

Aqui? Ok, você quem manda!

- Certeza? Minha cama é macia.

Seus lábios voltam para a minha boca e ela toma meu ar.

- Foda-se sua cama, Shawn. Eu só quero montar em você. – Eu arregalo os olhos, totalmente surpreso. Ela para e me olha, não sabe se ri ou se me beija de novo. – Desculpa, é que eu estou com muito tesão.

- Vou resolver isso pra você, babe.

- Acho bom. – Ela rebola mais uma vez e meu pau marca no limite do short, já que eu não estou usando boxer.

O Canadá parece quente agora. Ela roça em mim mais algumas vezes e eu sinto que não aguento uma preliminar agora. A gente tem a noite toda pra resolver isso.

Com Camila no meu colo eu consigo me esticar até uma pequena caixa que deixei na mesa de centro desde que soube que ela estava vindo. Puxo o pacote do preservativo e me sento de novo com ela no meu colo.

Ela me fuzila com os olhos, mas não me larga.

- Me preparei pra você, gata.

- Cala a boquinha, vai. – Ela tira a camisinha da minha mão e se levanta apenas o suficiente para que eu consiga puxar meu short para fora. Não consigo perceber em que momento ela se livrou das suas roupas de baixo.

Seguro na barra da minha camiseta que ela usa e puxo pra cima, deixando-a nua como eu. Aproveitando da nossa posição: ela sentada em cima de mim, com seus peitos no meu rosto eu abocanho o anel rosa.

Ela se abaixa de novo e esfrega nossas intimidades superficialmente.

- Isso. – Eu chupo com mais vontade, tenho certeza que isso vai deixar uma marca. Ela segura meu cabelo e dá um puxão forte. Meu gemido sai uma mistura de prazer e um pouco de dor pelo puxão.

Ela apoia o peso nos joelhos e se inclina pra trás, deixando meu pênis livre, duro e molhado de lubrificação exposto entre nós. Quase morro quando ela começa a desenrolar a camisinha e a minha pele se estica.

- Hm... – Ela ri tendo total noção do poder que tem sobre mim. Sua pequena mão segura a base e ela faz seguidos movimentos para cima e para baixo, de forma lenta e tortuosa enquanto me masturba. – Hmmm... Isso, gata.

- Bom? – Sua voz está num tom rouco de excitação e isso me deixa louco.

- Muito bom. – Ela me beija ao mesmo tempo em que se posiciona melhor e vai descendo lentamente. – Ahhh...

Eu deixo a cabeça cair no sofá e Camila apoia as mãos no meu peito começando a subir e descer devagar, acelerando gradativamente e rebolando o quadril no meu.

Minhas mãos passam desde a base de suas costas até sua nuca, onde eu a seguro firme e dou um puxão de cabelo apenas o suficiente para deixar a linha do seu pescoço livre. Minha língua rasteja pela pele quente e minha mão está agora praticamente em volta do seu pescoço, apertando com a pressão perfeita. Eu sei que ela ama isso.

Seu ritmo fica lento de novo, e ela tira as mãos do meu peito para segurar no sofá, próximo ao meu rosto. Seu cabelo cai em uma cortina sobre nós dois e cada vez que ela sobe e desce a pressão na minha pélvis vai crescendo.

E eu não quero gozar agora.

- Bom... Tão bom. Isso. – Ela fala entre suspiros e gemidos. – Aaaah... – Ela dá um gritinho quando eu me levanto e tomo o controle da situação.

Saio de dentro dela por um instante, apenas para ela se apoiar no sofá (de frente pra vista da cidade) e deixar aquela bunda maravilhosa virada pra mim. Olho pra baixo vendo o meu pau molhado e muito duro.

- Assim... – Apoio a mão na base da sua coluna, apenas deixando a latina um pouco mais inclinada e logo em seguida entrando devagar. – Ah... Meu Deus.

É impossível manter o ritmo apenas com os movimentos lentos, então eu simplesmente meto com força. Camila não esperava isso e sua mão voou para o vidro.

- Porra!

Sinto-me perder o controle e os movimentos se tornam mais rápidos e curtos, intercalando entre movimentos lentos e profundos.

Toda vez que sinto que vou explodir, tento diminuir o ritmo ou mudar de posição. Eu quero prolongar isso o máximo possível.

Estar dentro dela é o paraíso.

- Ah... Shawn... – Ela morde meu ombro enquanto eu apoio o peso do meu corpo nos meus braços. Suas mãos arranham de leve as minhas costas e ela aperta a minha bunda puxando-me mais pra si.

Corpos suados e febris se chocando freneticamente.

- Eu vou gozar. – Aviso sentindo que não posso prolongar mais. Aquela sensação na pélvis cada vez mais forte.

- Eu também. Shawn... Shawn. – Ela repete meu nome como um mantra e enrola as pernas na minha cintura quando começa a tremer sob meu corpo.

- Camilaaa! – Empurro mais uma vez e alcançamos o clímax juntos enquanto gememos o nome um do outro.

 

•••

 

- Esse é o percurso que você vai fazer. – A instrutora me explica.

Tenho que fazer um teste de direção para "renovar" minha habilitação, já que eu estava usando a minha carteira provisória.

- Ok.

- Alguma duvida?

- Nenhuma.

- Podemos começar, então!

Encaro Camila parada próxima ao estacionamento. Ela tem um sorriso encorajador nos lábios e me jogar um beijo. Sem som eu consigo ler sua boca me desejando "boa sorte" e "te amo".

Jogo vários beijos para ela e entro no Chevrolet Cruze para dar fim logo à tudo isso e poder voltar para casa com ela.

Vivendo nossa pequena lua de mel.

- Pode começar! – A instrutora senta do meu lado e eu executo todos os procedimentos.

É basicamente como um trabalho de casa, uma vez que eu sei dirigir e apenas estou executando isso por conta das nossas leis.

Faço o trajeto calmo e num tempo ótimo, mas aquele nervoso comum prevalece na boca do meu estômago. Estaciono o carro na vaga designada e desligo ao mesmo tempo em que respiro fundo.

- Tudo certo. Você está aprovado! – A mulher avisa e me dá um sorriso.

- Aprovado? – Ela assente. – Obrigado! – Tiro o cinto e desço do carro.

Dou a volta e vou direto em direção à Camila. Seus olhos brilham quando ela me vê e tenho certeza que os meus estão da mesma maneira.

Seu vestido balança conforme o vento abraça seu corpo e ela tem as mãos viradas para trás. Seu sorriso é a coisa mais linda que eu já vi.

E eu ainda vou fazer uma música sobre ele.

- Passei! – Digo contente quando consigo alcançar a pequena cubana. Seus braços se enrolam no meu pescoço e ela beija meu rosto repetidas vezes.

- Estou tão orgulhosa de você. – Ela me beija mais uma vez e então eu percebo que ela está escondendo algo de mim.

- O que você tem aí?

- Eu já sabia que você iria passar no teste. Fui até a dollarama e trouxe isso pra você. – Ela tira as mãos de trás do corpo e consigo visualizar o pequeno elefante de pelúcia. – Você é um pequeno elefante para mim. E eu amo elefantes. – Ela ri e seu nariz franze, do jeitinho que eu amo.

Camila sabe que esse animalzinho tem um grande significado para mim. E não só pra mim, uma vez que minha mãe tem uma tatuagem igual a minha.

Isso significa o mundo pra mim.

A gratidão no meu olhar diz tudo.

- E eu amo você.

 

"Eles são animais bem legais se você começa a entender sobre eles. Os elefantes se lembram de rostos de familiares e amigos, são muito sensíveis".

 


Notas Finais


O Shawn realmente disse isso sobre os elefantes em uma entrevista <3

me deeeeem o feedback e tmj
bjs


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