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História Soulmates - Capítulo 1


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Notas do Autor


iae, voltei com mais uma drarry e dessa vez eu quis ultrapassar meus limites em palavras e felizmente fiquei satisfeita

espero que vocês fiquem também

quero agradecer a @nixany pela capa maravilhosa e passem no projeto perfeito que ela faz parte no twitter @DesignBiy ♥️

enfim, boa leitura! 💖

Capítulo 1 - Time


Draco achava essa "coisa" de soulmates muito injusto. Porque desde que você vê sua soulmate você tem dez anos até se aceitarem, ou morrem. Não era necessário casarem ou se apaixonarem, apenas tinham que se aceitarem, uma espécie de respeito. O que diferenciava é que você dividia a alma com a pessoa. Se ela sentisse dor você sentia, se ela morresse, você morreria.

  Tinha pessoas que não sentiam quando encontravam sua soulmate, e dez anos depois morrem, sem saber o porquê. Injusto. Era isso que Draco achava, injusto e cruel. Mas lá no fundo, ele sempre desejou encontrar sua soulmate. E também desejava que se apaixonassem, como seus pais. Desejava ter uma vida feliz ao lado da pessoa que o amava. 

Mas não admitiria nem se lhe jogassem um cruciatus!

[...]

Sinceramente, Draco esperava encontrar sua soulmate quando fosse adulto. Era muito mais prático conversarem e se resolverem. Nenhum dos dois morreria e ponto. Final feliz. 

Nunca em toda sua vida passou por sua cabeça que encontraria sua soulmate em Hogwarts, ou melhor, seu soulmate. 

Foi no primeiro ano. Todos os alunos estavam agitados, Harry Potter estudaria em Hogwarts! E Draco não estava nem aí. Mas seu pai lhe disse que ele tinha que fazer amizade com Potter, e Draco sempre obedecia seu pai. 

Quando colocou seus olhos no moreno, ele soube. Tinha encontrado seu soulmate. Soube porque sentiu fraqueza nas pernas, sua visão embaçou, suas mãos suaram e sua cabeça zumbiu. Todos os sintomas que sua mãe disse que ele sentiria. E teve logo quando olhou para o Potter.

 Naquela hora ele se desesperou por dentro, tinha que ser logo o Potter? 

Mas o moreno parecia gentil, e não ligava para toda atenção que estava recebendo. Parecia o sol. Sorria ao lado dos amigos, um sorriso grande e brilhante, que Draco jurou que iria lhe cegar. Draco sentiu que devia se aproximar, pela primeira vez, sem sentir que estava fazendo mais de umas das obrigações que seu pai lhe mandava. 

E da mesma forma que esse pensamento veio, ele se foi. Porque Harry não queria ser seu amigo. Harry ignorou sua mão estendida. E o olhar de nojo que Harry lhe lançou foi o suficiente para Draco, com seus onze anos, decidir que iria odiar Harry Potter pelo resto de sua vida.

Porque Harry tinha quebrado seu coração.

[...]

No segundo ano Draco contou para sua mãe o que tinha acontecido em seu primeiro dia em Hogwarts. E ele nunca esqueceu o olhar de pena e pesar que sua mãe lhe lançou. Harry nunca iria lhe aceitar. Porque Harry Potter o odiava. 

Sua mãe lhe perguntou se ele tinha visto Harry reagir a ele do mesmo modo que Draco reagiu. Draco respondeu que não. Tinha prestado atenção em Harry desde que o menino subiu as escadas e Harry nem mesmo piscou quando viu o Malfoy. Foi quando mãe e filho perceberam que Harry fazia parte dos 3% da população que não sentiam quando encontram seus soulmates. 

Draco sentiu mais um pedaço do seu coração quebrar, como da primeira vez que Harry o olhou e percebeu que Draco não passava de mais um mimado da Sonserina. 

Não contaram para Lucius. O homem era um seguidor fiel a Lord Voldemort e se soubesse que seu filho dividia a alma com o Potter, Draco estaria em perigo. 

No fundo Draco sabia que não tinha contado porque queria proteger Harry. Mas se lhe perguntassem, ele diria que o maldito Potter merecia morrer. 

E ninguém precisava saber o que Draco guardava em seu coração.

[...]

No terceiro ano, Draco se sentiu particularmente satisfeito quando lutou com Harry. Mesmo que tenha perdido, ele gostou do fato de que toda atenção de Harry estava em si. 

Harry o olhava toda vez que se viam nos corredores, mesmo que o olhar fosse de raiva e Draco retribuia junto de um insulto, se sentia especial. 

Soube que o padrinho de Harry Potter tinha escapado de Azkaban, todos falavam que ele tinha entregado os pais de Harry para Voldemort. Draco não acreditava. Ele era padrinho de Harry, e todas as pessoas envolta de Harry eram boas. E sua mãe também lhe disse que Sirius nunca foi uma pessoa ruim, foi deserdado da família Black porque não queria seguir o mesmo caminho da família. Ficou feliz em saber, porque provavelmente Harry estava feliz. 

Em uma noite, Draco acordou sentindo como se sua vida estivesse sendo sugada para fora de seu corpo, sua vista escureceu e ele desmaiou. Acordou apenas pela manhã, sentindo o corpo cansado, como se tivesse lutado com Dementadores. E na hora do café, soube que Harry Potter quase morreu, quase morreu para Dementadores.

Foi quando soube que mesmo que Harry Potter nunca o aceitasse, ou ao menos soubesse que eles eram soulmates, seu coração estaria tranquilo. Porque enquanto Draco ainda respira, ele sabe que Harry ainda estava vivo. 

E não importa se toda noite comensais da morte se juntavam em sua sala de jantar para planejar a volta de Voldemort. Harry estava vivo, ele sentia. 

[...]

No quarto ano as coisas ficaram um pouco mais complicadas para Draco. Era o ano do Torneio Tribuxo. Draco não iria se candidatar, claro que não. O príncipe da Sonserina não servia para aquela coisa de brutamontes. Ele estava com medo. Tinha escutado uma reunião dos Comensais da Morte, e estranhou a animação dos presentes, só entendeu quando as palavras "reviver" e "Voldemort" foram ditas. 

Eles iriam reviver Voldemort no último desafio do Torneio Tribuxo, e iriam usar Harry. Ficou mais tranquilo quando se deu conta que apenas alunos maiores de idade poderiam participar, nunca agradeceu tanto por Harry ser menor de idade. Não iriam conseguir pegar Harry, seria impossível o tirar da plateia serem percebidos. 

Mas quando voltou para a escola, e o nome de Harry saiu do Cálice de Fogo, Draco sentiu como se seu coração fosse puro gelo. Pela primeira vez, depois de muito tempo, temeu pela vida de Harry. 

Fez de tudo para o moreno desistir do torneio, fez bottons personalizados com o rosto de Cedrico Diggory, criou musiquinhas para insultar o Potter e quando percebeu que o moreno não iria desistir por vontade própria Draco teve que intervir ele mesmo. Fez a corrente que prendia o dragão de Harry se soltar, na esperança do animal voar para longe e Harry ser desclassificado, mas só serviu para colocar o rapaz em perigo, e mesmo assim ele conseguiu pegar o maldito ovo de ouro. 

Na segunda tarefa ele tentou deixas as criaturas do Lago Negro irritadas e inquietas, para impedir que Harry consiga pegar Hermione e assim ser desclassificado. Mas o menino que sobreviveu era corajoso e esperto. E Draco odiou essa personalidade de herói do Potter.

A última tarefa tinha chegado, e com isso o medo de Draco. Não tinha mais o que ele fazer para sabotar Harry. Então, tudo que ele podia fazer era pedir que em nome de Merlin, Harry saísse vivo daquele labirinto. 

Viu quando seu pai saiu de perto dele na arquibancada e soube que a hora tinha chegado. Ele iria perder Harry, e não tinha nada que ele podia fazer. Se sentiu inútil e covarde por nunca ter dito a Harry que era seu soulmate, quem sabe as coisas poderiam ser diferentes? 

Então, o inesperado aconteceu, Harry aparatou no meio do campo com um corpo no chão. Draco sentou alívio e quase chorou de alegria. 

Harry Potter tinha sobrevivido mais uma vez. 

[...]

No quinto ano estava tudo um pouco mais tranquilo, tirando o fato de Dolores Umbridge ser a nova professora de Defesa Contra as Artes das Trevas. Ela implicava especialmente com Harry, e Draco até que gostava de ver o moreno bravo. Ele sabia que Voldemort tinha vontade, e claramente Harry também, soube imediatamente quando Harry montou a Armada de Dumbledore. 

Draco queria participar, queria aprender a se defender. Mas nunca que Harry iria o aceitar, e nem Draco iris pedir pra entrar. Então quando Umbridge chamou alguns alunos para descobrirem onde ficava a A.D ele meio que sabotou todos os planos. Não queria que Harry fosse pego porque sabia o que Umbridge iria fazer com o moreno. Mas não adiantou. A dor que sentiu quando a frase ”Não devo contar mentiras" apareceu nas costas da sua mão não era igual a nenhuma dor que sentiu em toda sua vida.

E mesmo depois de falar com o padrinho, Severo Snape, que Harry estava na sala de Umbridge, consequentemente ajudando o garoto a se livrar de mais um castigo, Harry ainda o olhava como se o Malfoy não passasse de um inseto. 

E agora, Draco tinha apenas cinco anos para viver. 

[...]

Medo do pouco tempo de vida que tinha não chegava nem perto do medo que sentiu em seu sexto ano. Voldemort o escolheu para matar Dumbledore e ele não pode fazer nada além de dizer sim, caso contrário, iria morrer e levar sua família junto e consequentemente, matar Harry também. 

Harry Potter ficou obcecado por si, não de um jeito bom. Sempre com os olhos em Draco, como se soubesse o quão temeroso o loiro estava. Draco não conseguia mais dormir, chorava a noite toda se amaldiçoando por ter aceitado a marca negra e manchando seu corpo. Já não tinha esperanças que Harry poderia o aceitar, agora pior ainda. 

Ele era um Comensal da Morte agora, e isso não tinha como reverter. Já tentou vde várias formas, até se automutilar. A marca ficava desfigurada por um tempo mas logo voltava  a sua forma normal. 

Tentou matar Dumbledore com alguns planos, mas sempre falhava. Seu padrinho tentava lhe ajudar mas Draco sempre negava, já não bastava ter levado sua familia a ruína e trazer a única pessoa que ainda se importava consigo, além de seus pais, era egoísmo demais. 

O Malfoy sempre usava o banheiro do quinto andar quando queria ficar sozinho e chorar. Mas naquele dia Harry foi atrás de si. Draco estava em pedaços naquele dia, e só queria descontar sua frustração em alguma coisa, foi quando atacou Harry com um feitiço. Sentindo toda tristeza e paixão reprimida dentro de si sair naquele feitiço, tudo que Harry o fez sentir.

Sentiu seu corpo voar para longe quando escutou um "Sectusempra" e seu corpo parecia que estava sendo rasgado por milhões de facas, agonizando no próprio sangue. E antes de escutar a voz de Snape murmurando feitiços em seu corpo, Draco olhou para o lado vendo Harry agonizando no chão igual a si.

Finalmente Harry sentiu um pouco da dor de Draco, mesmo que a dor que o loiro sentia naquele momento não fosse física.

[...]

A mente de Draco estava uma bagunça, depois do episódio do banheiro tudo estava uma bagunça. Dumbledore tinha morrido, não por suas mãos, e sim pelas dos seu padrinho. Nunca esqueceria os gritos de Harry naquela noite. 

Sua mente não parava de trabalhar, em busca da resposta da única pergunta que rondava sua cabeça. Por que Harry não foi o procurar depois do episódio do banheiro? Estava óbvio que O Eleito sofreu o Sectusempra porque Draco estava sofrendo, já que Draco não acertou nenhum feitiço em Harry! Mas o maldito Potter nem ao menos chegou perto de si depois daquele dia. 

Ele sabe que você é o soulmate dele, só não te aceita. Foi essa a conclusão que tirou depois de resolver parar de se questionar. Harry Potter não o aceitava. 

Quando Voldemort tomou posse de Hogwarts Draco soube que Harry fugiu com seus amigos. Só soube de notícias do moreno quando estava em seu quarto na mansão e sua mãe lhe disse que tinham capturado um garoto que parecia com Harry. Draco sentiu como se seu coração tivesse corrido uma maratona quando colocou os olhos no garoto que estava ajoelhado no meio do salão. 

Ele estava desfigurado por um feitiço, e se não tivesse estudado com Harry por todos esses anos ele diria que não era Harry Potter ali. E o que saiu de sua boca foi exatamente isso.

 Não ficou com medo do que Lord Voldemort poderia fazer consigo se soubesse que ele tinha mentido. Mentiria mais mil vezes se fosse para salvar o Potter.

[...]

Draco nunca pensou que sentiria tanto medo em sua vida quando sentiu enquanto estava na sala precisa, enquanto está pegava fogo. Sentia seus braços cansados enquanto tentava subir a pilha de objetos para fugir do fogo. Queria sentir mais um pouco da felicidade que sentiu quando viu Harry, mesmo eles tendo que lutar segundos depois. 

Sempre pensou no moreno em alguém que salvaria todos que estivessem a seu alcance, mas Harry e seus amigos correram para a saída, deixando o Malfoy ali. Draco sentia o calor do fogo o deixando tonto, ao ponto dele sentir que iria desmaiar. Olhou para a saída novamente, e nem sabia o que esperava com esse ato, não tinha mais esperanças. 

Mas seu coração errou uma batida quando viu Harry voltando montado em uma vassoura, Harry voltou para tirá-lo dali. Estendeu o braço que foi agarrado pelo Menino-que-sobreviveu e quando deu por si estava sentado atrás dele, abraçando sua cintura como se sua vida dependesse daquilo. E realmente dependia.

Draco estava tremendo tanto e com tanto medo que nem percebeu como agarrava o mais alto que estava quieto, concentrado em os tirar dali vivos. Quando finalmente passaram pela porta, caíram da vassoura, o Malfoy acabou batendo a cabeça na parede e antes de desmaiar ele viu o olhar de Potter sobre si. Harry Potter lhe lançava um olhar preocupado. 

Acordou escutando gritos e luta por todo o lado, Hogwarts estava um caos. Draco sentia seu coração apertar e sentir vontade de chorar toda vez que passava por um corpo de algum aluno. Foi atacado várias vezes por Comensais da Morte mesmo sendo um também, eles estavam cegos pela maldade e sede de sangue. 

Quando estava no fim das escadas sentiu o ar faltar em seus pulmões e uma dor excruciante atingir seu corpo, o fazendo cair no chão e agonizar, como um inseto que se pisa mas não se mata. A marca negra em seu braço queimando como nunca. Não soube quanto tempo ficou agonizando no chão, mas quando se deu conta tudo parou. Conseguiu respirar novamente e assim como a dor chegou ela foi embora, como se nunca estivesse ali. Mas uma coisa Draco sabia, tinha acontecido alguma coisa com Harry. 

Andou para fora do castelo, ainda confuso com a multidão que parou de lutar e se juntou na entrada, alguns alunos chorando e outros chocados. Foi quando viu Harry desacordado nos braços de Hagrid, ele parecia morto. 

Então era isso que tinha acontecido a alguns minutos atrás, sentiu Harry morrendo. Mas se Draco ainda estava em pé, então Harry não estava morto. 

Sentiu-se como um traidor quando sua mãe lhe chamou e hesitante ele foi. Sentiu-se pior ainda quando teve que fugir assim que Harry acordou e começou a lutar com Voldemort. Queria ficar para ajudar, com medo de sentir Harry morrer pela segunda vez. 

E tentou gravar em sua memória o olhar preocupado de Harry de mais cedo, porque sentia que aquela seria a última vez que veria o Potter. 

A única coisa que o confortava era a sensação de dividir a alma com quem amava, mesmo Harry não fazendo a mínima ideia disso. 

[...]

Nos dois anos que se seguiram Draco achava que estava saindo bem nessa coisa de esquecer Harry e ignorar que tinha mais um ano de vida. 

Viu que o Menino-que-sobreviveu tinha se casado com Ginevra Weasley no ano passado, e agora estava trabalhando como auror. Não sentiu inveja da ruiva, era ele quem dividia a alma com o Potter, no final das contas. E os dois morreriam por culpa do medo de Draco. O loiro não estava sendo egoísta, estava sendo realista. Mesmo que o Potter tenha toda a bondade do mundo ele nunca aceitaria um ex Comensal da Morte como seu soulmate.

Apenas a mais dura e crua realidade.

Conseguiu um emprego na área investigativa dos aurores no Ministério da Magia, e particularmente era o melhor de sua área. Mesmo que o chefe do departamento investigativo não lhe dava casos grandes, apenas objetos amaldiçoados de famílias antigas ou pessoas que desapareciam, que na verdade só era um descontrole da magia os fazendo aparatar do nada. 

Na verdade Draco estava frustado, tinha pouco tempo de vida e nunca tinham lhe dado uma promoção! 

Bufou, olhando para a papelada encima de sua mesa, que continha informações de quem sabe o vigésimo caso de objeto amaldiçoado da semana. E ainda era quarta feira!

Estava tão distraído pensando em como sua vida estava desmoronando aos poucos que nem percebeu a porta de seu escritório abrindo e a cabeça de Thomas, o mais jovem investigador da área, aparecer com um semblante preocupado.

— Sr. Malfoy? - Chamou, vendo o loiro se assustar minimamente mas logo se recompor, a coluna reta e a expressão superior de sempre. — O chefe Bill quer você na sala dele agora.

— Esse homem não consegue ficar um dia sem me ver, não é? — Resmungou, revirando os olhos e se levantando da cadeira. 

— Ele parece bravo hoje. — Thomas disse, enquanto andava ao lado do loiro no corredor. — Vi o chefe dos aurores sair da sala dele mais cedo, parecia preocupado.

Draco estranhou imediatamente a situação. Os chefe dos aurores nunca ia no departamento investigativo, sempre mandava alguns aurores caso precisasse pegar algum documento. Thomas o deixou na porta da sala e saiu, depois de murmurar um "boa sorte".

Respirou fundo e bateu na porta, abrindo quando escutou um "entre". Seu chefe estava sentado em sua cadeira atrás da pequena mesa do escritório, fez um gesto indicando para o Malfoy se sentar na cadeira em sua frente. 

— Vou direto ao ponto, Sr. Malfoy. — A voz séria não intimidou o Malfoy. — Você foi promovido de cargo para uma área mais séria da investigação criminal dos aurores, por conta do seu desempenho durante esses anos que atua aqui. Você é o melhor que temos. — Draco não escondeu a expressão de surpresa e também não deixou passar o desgosto na voz de seu superior. — Agora você não responde mais a mim e sim ao Chefe dos Aurores Smith. Está de acordo?

— Sim, senhor. — Não hesitou na hora de responder, olhando sério para, agora, antigo chefe. 

— Suas coisas serão transferidas para o quinto andar ainda hoje e Thomas indicará sua nova sala-...

— Perdão, senhor. — Interrompeu o mais velho, sentindo suas mãos suarem. — O senhor disse quinto andar? Meu novo departamento fica no quinto andar? 

— Sim, Sr. Malfoy. Algum problema? — Perguntou, não entendendo o nervosismo que percebeu se instalar na face do loiro.

— Nenhum, senhor. Problema algum. 

Iria ser transferido para o departamento do quinto andar, onde Harry Potter atuava.


Draco nunca sentiu-se tão nervoso depois da batalha de Hogwarts. Suas coisas já estavam em seu novo escritório e ele não conseguia simplesmente sair do corredor que levava ao elevador. Na verdade, não sabia nem como tinha conseguido a proeza de entrar no elevador e apertar o botom que o levava ao quinto andar. 

Fazia tanto tempo que não via Harry, anos, na verdade. Não sabia como ia reagir caso trombasse com o moreno e ele lhe olhasse como nos tempos na escola. Draco tinha mudado com o passar dos anos, e esperava que o Potter também. O pior de tudo seria olhar para ele e ver sua outra metade casado com outra pessoa e vivendo uma vida que Draco nunca teria.

Era doloroso. O sentimento chegava a sufocar-lhe a garganta. Respirou fundo e conseguiu fazer suas pernas se mexerem, finalmente andando em direção a sua sala. E não encontrou o moreno antes de conseguir entrar em seu próprio escrito, como pensava. 

Fechou a porta atrás de si e respirou aliviado. Esperava que nunca desse de cara com o Potter e de qualquer modo ser promovido não era de todo ruim, seu salário tinha triplicado, mesmo que não precisasse de todo aquele dinheiro.

Ao contrário do que pensava, Draco não encontrou Harry não dia seguindo, nem no outro e nem uma semana depois. Já estava trabalhando a duas semanas ali e nem uma vez tinha trombado com Potter. Não sabia se estava aliviado, frustado ou preocupado. Porque no dia anterior o possível divórcio do casal de ouro, vulgo Harry Potter e Ginevra Weasley, estava estampado na primeira capa do Profeta Diário. 

Não estava feliz e nem triste, estava neutro perante aquela notícia. Queria ver Harry feliz, independente se ele estava com a água de salsicha ou não, e aquele possível divórcio poderia ter abalado O Menino de Ouro. Estava preocupado, acima de tudo. 

Naquela manhã, olhava novamente a capa do Profeta Diário e suspirava vendo como o tempo tinha feito bem para Harry. Na foto estava ele e Gina, ela estava vestindo um vestido de noiva que ficava perfeito em seu corpo, e Harry ao seu lado vestia um terno preto, a barba cheia perfeitamente aparada e o sorriso gigante nos lábios. Suspirou, sentindo seu peito doer e nunca quis tanto ser o motivo do sorriso de Harry Potter. 

Era realmente lindo. 

— Sr. Malfoy? — Tomou um susto quando a voz de seu superior preencheu a sala e olhou para a porta, vendo o homem grande parado ali. Que mania era aquela das pessoas abrirem sua porta sem bater? — Preciso conversar com o senhor, agora. 

Se levantou da cadeira e indicou a cadeira em sua frente, nem notando que seu chefe estava acompanhando de mais alguém.

— Claro, senhor. Entre.

Sua boca ficou seca e sentiu seu coração parar na garganta quando viu a figura morena entrar depois de seu chefe. Harry Potter o olhava com certa nostalgia e o rosto bonito estava carregado de algumas olheiras. E mesmo assim Draco praguejou baixinho por ele continuar gostoso. 

— Imagino que já se conhecem, já que estudaram na mesma época em Hogwarts. — A voz de Smith cortou o contato visual dos dois homens. 

— Malfoy. — Harry o cumprimentou, assentindo com a cabeça minimamente. 

— Potter. — Cumprimentou de volta, voltando com a postura rígida de sempre. Aquilo era seu escudo, seu sarcasmo e sua petulância eram seu escudo contra Potter.

— Então não vou mais enrolar no assunto. — Smith disse, atraindo a atenção dos dois homens e dando tempo para o coração de Draco se acalmar. — Vocês são meus melhores homens e sabem disso. E presumo que também saibam que temos uma série de desaparecimentos, especialmente com bruxos nascidos trouxas. Quero vocês no comando desse caso. Trabalhem juntos e rápido, o Profeta diário quer respostas que não podemos dar. Thomas vai deixar todos os arquivos do caso daqui a pouco em seu escritório, Malfoy. Conto com vocês, rapazes.

Smith disse tão rápido e sem brechas para discussão que Draco nem percebeu quando este se retirou da sala deixando apenas os dois ali. Draco odiava isso no seu novo chefe. Ele te jogava um caso com dois arquivos relevantes e esperava que você resolvesse em dois dias. E felizmente, Draco resolvia com menos.

O silêncio incômodo foi cortado por Harry, fazendo barulho com a garganta, desconfortável. Draco acordou do pequeno choque inicial e deixou para que surtasse quando chegasse em casa. Ele trabalharia junto a Harry, céus, aquilo tinha que ser um sonho.

— Sente-se, Potter. Ou vai ficar me olhando até a resposta da investigação aparecer magicamente no meu rosto bonito? — Provocou, sorrindo de lado de lado ao ver o olhar irritado que o moreno lhe lançou.

 Se irritava fácil como sempre, algumas coisas nunca mudam. 

Harry revirou os olhos mas não se sentou, assim como Draco que continuava em pé.

— Não vamos começar, Malfoy.  Não estou de bom humor hoje e realmente não queria que a nossa primeira conversa depois de anos fosse resumida a troca de farpas. — O moreno falava sério, Draco percebeu. E realmente não queria ter sentido seu peito doer com o tom usado e o olhar duro que Harry lhe lançou. 

— Não está de bom humor? — E aí estava a auto defesa de Draco se erguendo. — O que houve, Potter? A Weasley fêmea te colocou para dormir no sofá essa noite? — Sarcasmo líquido pingando pelo canto de seu sorriso traiçoeiro. 

Harry bufou, irritado. A paciência do moreno já tinha atingido o limite. Era impressionante como desde do tempo da escola Draco o levava ao limite. O Malfoy sempre o levava ao limite. 

— Parece que sabe mais da minha vida do que eu mesmo, Malfoy. — Devolveu no mesmo tom, apontando para o Profeta diário aberto na página sobre si e Gina. Draco não se mostrou abalar. — Se divertiu vendo o meu divórcio? 

Oh, então era verdade sobre o divórcio. Draco sorriu mais abertamente, desfilando envolta da mesa até apoiar as costas na mesma, ficando na frente de Harry. 

— Muito. Vocês eram o casal mais provável e sem graça de Hogwarts. — Deu de ombro, sem desmanchar o sorriso e vendo que Harry sorria igualmente. 

Ambos nunca admitiriam, mas estavam com saudade do tempo que a única coisa que se preocupavam era inventar um insulto novo para o outro. 

— Claro, você é um especialista em casais, Malfoy. — Andou mais um pouco, ficando centímetros do loiro. Deus, o que diabos estava acontecendo? — Me fale com quem eu faço um casal não-sem-graça?

O moreno não desviou o olhar enquanto falava, os olhos esmeraldinos deixando Draco intimidado. O que era aquele clima que tinha se instalado em sua sala? Porque Harry o olhava como se… Draco fosse alguma coisa para ele? Aquilo só podia ser seu cérebro lhe pregando uma peça. 

Resolveu ignorar seu coração palpitando como nunca dentro da caixa torácica e se obrigou a responder, ignorando o leve rubor em suas bochechas.

— Comigo que não seria. Você é tão sem graça que acabaria infectando meu charme com esses óculos bregas e essa cicatriz ridícula. — Respondeu na mesma altura, ou tentou, vendo o maior rir um pouco. 

Nem percebeu o braço de Harry se esticando e tocando em sua mão. Em segundos o corpo de Harry estava tombando para frente e Draco, assutado, o segurou pelos braços. Harry respirava ofegante com a cabeça em seu pescoço e tremia levemente. Céus, o que estava acontecendo?

Harry, o que houve? Por que está tremendo? — Perguntou desesperado, segurando nos cachos do moreno fazendo-o olhar em seus olhos e vendo Harry recobrar a consciência aos poucos. 

— Eu… Você… — Tentou pronunciar, mas ainda estava estático e meio assustado. Sentiu o loiro lhe dar dois tapas fracos na face o fazendo finalmente fixar o olhar nas orbes cinzas do menor. — Eu acabei de sentir… Merlin, como isso é possível? 

Foi quando a ficha de Draco caiu e o loiro se afastou rapidamente do moreno, como se Harry estivesse em chamas. Harry Potter tinha sentido o que ele tinha sentido na primeira vez que se viram. O que Draco escondia por nove anos, com medo do olhar que Harry lhe lançaria assim que descobrisse. E agora Draco estava encolhido  no canto se seu escritório, olhando para baixo, com medo do inevitável, com medo de não ser aceito.

—  Draco, você sabia? — Foi até o loiro, vendo-o recuar quando tenho lhe tocar a face. O loiro assentiu, hesitante, ainda sem olha-ló — Olhe pra mim, Draco. Por favor. — Sussurrou, tentando tocar o rosto do menor que dessa vez não se esquivou e deixou o mais alto erguer seu rosto.

Draco tinha os olhos marejados e Harry nunca o viu tão quebrado, apenas no sexto ano. Tinha sentindo o que sempre sonhou em sentir sempre que tocava Gina. Mas nunca sentiu, até aquele momento. De repente, os sentimentos que tanto enterrou dentro de si vieram a tona. Sentimentos que pensou que não passava de bobeira adolescente e hormônios a flor da pele.

 Mas agora tudo fazia sentido e se encaixava, como em sua adolescência ele tinha pesadelos envolvendo o loiro, como sempre foi obcecado pelo Malfoy menor e quando jogou um Sectusempra no  menor e sentiu como se tivesse jogado em si próprio, mesmo sabendo que Draco não tinha lhe acertado nenhum feitiço. Os sinais estavam todos ali. Estava indignado como tinha sido tão cego por todos esses anos. 

E Draco esperava encontrar tudo no olhar de Harry, asco, nojo, ódio, esperou tudo, menos um olhar preocupado e carinhoso direcionado a si. Aquilo era no mínimo, surpreendente. Tinha escondido isso por anos justamente para evitar aquele momento e… não era nada como ele imaginava. 

— Voce sabia, Draco? — Perguntou novamente, baixo e cauteloso, com medo de fazer o loiro chorar. 

— Sim. — Sussurrou, sem desviar o olhar dessa vez. Resolveu enfrentar a verdade de uma vez por todas! Não podia mais fugir, não tinha mais saída. 

— Desde quando?

— Desde a primeira vez. 

— Merlin! A nove anos? — Perguntou, um pouco mais alto, assustado. Iria morrer sem saber que era soulmate de sua primeira paixão, aquilo era no mínimo… chocante.  — Por que não me contou?

— "Por que" - Repetiu, rindo amargo e se afastou do maior, tirando as mãos quentes de seu rosto. — Você me odiou desde o momento que nos vimos e agora pergunta o porquê. 

— Você ofendeu meus amigos! Esperava o que? — Exclamou, ofendido. Não era o único errado da história, oras! 

— Esperava o que de uma criança criada por Lucius Malfoy? — Draco disse um pouco mais alto, sentindo pequenas lágrimas descerem por usa bochecha. Virou o rosto, o limpando com as costas da mão. — Eu tinha acabado de descobrir que era seu soulmate e no mesmo momento você me rejeitou! 

— Eu não sabia! — Gritou de volta, sentindo seu coração enquanto olhava os olhos cinzas tão quebrados quanto. 

— Por isso mesmo que eu nunca contei! — Tentou gritar mais alto que o maior, com a voz quebrada, agradecendo internamente pelo feitiço que impedia das pessoas de fora escutarem. — Eu sou a porra de um ex Comensal da Morte, Harry. — Sua voz foi abaixando, na medida que mais lágrimas vinham e o homem não conseguia mais controla-lás — Quem me aceitaria? 

Falou tão baixo que se Harry já não estivesse caminhando até o loiro não escutaria. Segurou mais uma vez o rosto bonito em suas mãos e limpou as lágrimas com a ponta dos dedos. 

— Eu aceitaria, Draco. — Sussurrou, fechando os olhos e encostou a testa na do menor. Eu aceito. 

E todo o sentimento de rejeição e medo sumiram como um passe de mágica do coração de Draco. Então era esse o sentimento de quando seu soulmate o aceitava? Draco não sabia, mas sentia como se fosse guardião de toda felicidade do mundo. 

Harry esfregou os narizes, fazendo Draco sorrir pequeno. E não demorou para o loiro sentir os lábios quentes se fundirem aos seus. No começo era apenas os lábios juntos e se movendo devagar, se conhecendo aos poucos, mas logo Harry pediu passagem com a língua, aprofundando o beijo. Uma mão desceu até a cintura do Sonserino, o trazendo para mais perto, mantendo os corpos juntos. O beijo foi se quebrando aos poucos, com Harry deixando alguns selinhos nos lábios até finalmente chegar ao fim.

— Eu preciso me sentar. — Draco sentia que suas pernas foram transformadas em gelatina depois daquilo tudo. Deus, era muito coisa para processar.

Harry rapidamente puxou uma cadeira, se sentando nela e trazendo o loiro para o seu colo, abraçando a cintura fina o impedindo de sair.

— Sinceramente, Harry. — Revirou os olhos, rindo enquanto sorria bobo. — Você é brega. 

— E você não poderia ter um soulmate melhor. — Se gabou e riu vendo o menor revirar os olhos. Não resistiu em roubar um selinho da boca chamativa. 

O clima ficou leve. No escritório tudo que se podia ouvir era a respiração calma dos dois rapazes. Draco estava com a cabeça encostada no ombro de Harry, ainda sem acreditar naquilo tudo. Era bom demais para ser verdade.

— Então… E agora? — Sussurrou, com medo da resposta. 

Ainda estava inseguro, mesmo depois de tudo. Harry tinha acabado de se divórcio, entenderia se o maior lhe disser que não quer nenhum tipo de relacionamento agora. Doeria, mas entenderia. 

— Eu assinei os papéis do divórcio ontem. — Murmurou, olhando para o loiro que o olhava confuso. — Estava pensando em voltar para o Largo Grimmauld, Sirius deixou a casa pra mim mas ela precisa de muitas reformas ainda. 

Draco negou com a cabeça, sorrindo, quando entendeu a linha de pensamento do maior.

— Imagino que tenha que ficar em algum lugar até às reformas acabarem… — Harry Potter voltou a acariciar seu rosto, enquanto Draco falava baixo, como se estivesse contando algum segredo. — A Mansão ficou pra mim depois que mamãe se mudou para Paris, você podia… sei lá… 

Harry riu baixo e negou com a cabeça vendo que o orgulho do loiro iria fazer ele terminar aquela frase. Uma vez Sonserino, sempre Sonserino.

— Morar Mansão até às obras acabarem? — Perguntou, beijando a pontinha do nariz do loiro quando o viu assentir. — Eu adoraria.

Talvez o começo da história de ambos não tenha sido uma dos melhores, nem o meio e talvez não poderiam contar muito com o final. Mas  tinham que concordar em uma coisa, o presente estava sendo melhor do que qualquer conto de fadas.



Notas Finais


É isso, pessoal. Espero tenham gostado pq eu me esforcei muito pra produzir esse capítulo, de verdade.

até! 💖


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