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História Souls and Smiles - Capítulo 16


Escrita por: ElizaSVieira

Notas do Autor


Mais um capítulo pra vcs meus amores
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• Na imagem há alguns versos de duas músicas.
Akaza e Rengoku= "Dandelions" da Ruth ✨
Tengen e Zenitsu= "Accidentally in Love" de Counting Crows ✨
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💖Espero que gostem e boa leitura💖

Capítulo 16 - Unidos


Fanfic / Fanfiction Souls and Smiles - Capítulo 16 - Unidos


O barulho de conversas prevalecia pela casa, mesmo sendo altas horas da madrugada. Apesar da empolgação da família Kibutsuji, Akaza só se importava com uma coisa naquele momento, já havia conseguido entrar em contato com Gyokko, e agora caminhava rapidamente pelos corredores da casa até seu quarto. Abriu a porta devagar, e foi agraciado com a confortante visão de seu ômega, sentado numa poltrona com o irmão menor dormindo em seu colo.

Akaza jamais se cansaria de chegar em casa e ser acolhido pelos braços calorosos de Kyojuro, cheirar seus feromônios de rosas e terra molhada, observar as belas orbes bicolores que reluziam como uma estrela. Se lhe dissessem há anos atrás, que hoje estaria sorrindo como um bobo, só de ver o belo sorriso de um ômega tão incrível como Kyojuro, ele certamente levaria essa pessoa á um médico para verificar possíveis alucinações. 

Se aproximou da poltrona, dando um leve susto no outro ao depositar um beijo no topo de sua cabeça, Kyojuro ergueu o rosto e abriu um sorriso largo.

- Achei que ia ficar lá mais um pouco.- O loiro depositou um beijo na bochecha do alfa.

- Prefiro ficar com você. - Respondeu sentando no braço da poltrona, bagunçou os cabelos rosa e estalou o pescoço, estava cansado de tanto problema para resolver. - Senjuro é mesmo fraco pra se manter acordado. - Observou o pequeno beta de nove anos dormindo com a cabeça no ombro do irmão.

- Ele nem tentou, dormiu antes das nove. Como foi lá? - Se levantou da poltrona com o irmão no colo, dando um tapa na mão de Akaza quando o mesmo tentou ajudá-lo. 

- O plano inicial falhou, Muzan-sama ficou furioso como de costume. O desgraçado do Douma resolveu o problema sugerindo outro plano, e as coisas acabaram por aí. - Akaza tomou cuidado para ser o mais breve possível e não mencionar o envolvimento dos Uzui, não queria nem imaginar o que poderia acontecer com Kyo se as coisas fugissem do controle. 

- Você pega pesado demais com o pobre Douma-san, ele é problemático, mas ele se esforça pra ser gentil com todo mundo. - Kyojuro repreendeu enquanto depositava o irmão menor em sua cama, do outro lado do cômodo. 

- Você tem mesmo que ser compreensivo com todo mundo? Até com aquele traste?- Perguntou abraçando o loiro por trás. 

- E você tem mesmo que ser tão chato com todo mundo? Com exceção de mim, é claro. - Sorriu com o aperto dos braços em volta de si, seguido de um beijo no pescoço.

Akaza cheirou os cabelos loiros e ruivos com devoção, não conseguia se manter estressado ou cansado quando tinha a companhia de Kyojuro, não quando só a visão dele já afastava todas suas dores, como um sol brilhando em meio á névoa. 

As circunstâncias das quais se uniram não foram nem de longe certas. A principio, Muzan havia feito um acordo com Uzui Hajime para se livrar dos Rengoku, Douma e Daki foram os responsáveis por destruir a casa enquanto Akaza e Gyokko raptaram os dois irmãos. Kyojuro ficaria sob a responsabilidade de Gyokko, mas o mesmo nem sequer considerou a ideia e viajou para a cidade grande no dia seguinte, deixando os dois loiros nas mãos de Akaza. Nunca foi do feitio do rosado ser minimamente agressivo ou desrespeitoso com ômegas (com exceção de Douma), então a relação dele com Kyojuro nunca foi conturbada ou problemática, com o tempo ele acabou se atraindo pela personalidade tão reconfortante e amorosa do Rengoku, passou a se aproximar de forma mais cuidadosa e gentil, consolando o loiro do infortúnio de toda aquela situação, e o ajudando com o irmão menor.

Com o tempo, conseguiu (com muito trabalho, diga-se de passagem), conquistar o afeto sincero de Kyojuro, e nem hesitou em se unir em matrimônio com ele, tendo recebido uma certa ajudinha de Senjuro, que gostava dele por notar todo o cuidado e preocupação do rosado para com o irmão. Kyojuro estava grávido quando se conheceram, mas por conta do estresse de toda aquela situação trágica, acabou perdendo o bebê, Akaza reforçou seu cuidado com o ômega durante esse tempo, desejava nunca mais ter que ver aquele belo rosto tomado por tristeza e dor. 

Ele sabia que não estava certo esconder as coisas de seu ômega, sabia que devia contar sobre o plano de destruir os Uzui, mas isso significava trair sua família e correr o risco de deixar Kyojuro vulnerável. Não podia correr esse risco por agora, não quando um lindo bebê estava completando poucas semanas de existência, ocupando um pequeno e fofo volume na barriga do loiro. Prometeu a sí mesmo, ali deitado entre os lençóis com seu amado, que resolveria toda essa situação e viveria em paz com sua própria família feliz.



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A luz do sol começava a iluminar o quarto pelas frestas das cortinas, ainda era cedo, Kyojuro havia acordado e não conseguia voltar a dormir de forma alguma. Se virou na cama, ficando de frente para seu alfa, do qual dormia com o rosto tranquilo, o cabelo rosa totalmente bagunçado. Sorriu se aconchegando entre os braços que o cercavam, não queria levantar tão cedo.

Depois de tudo que havia acontecido consigo, Kyojuro mal acreditava que realmente havia conseguido uma família. Seu pai nunca deu importância para ele ou para Senjuro, depois que sua mãe morreu, passou a sofrer com o descaso e a ausência do mais velho, desde jovem. Sempre foi uma pessoa solitária, sempre foi somente ele e Senjuro cuidando um do outro, até conhecer Tengen naquele festival. Jamais esqueceria de como tudo começou, de como se apaixonou pela primeira vez e de como foi feliz naqueles tempos.

Agora as coisas estavam completamente diferentes, ele havia perdido coisas importantes até ali, perdeu sua casa e foi parar debaixo do teto de uma família mafiosa, havia perdido seu primeiro alfa e seu primeiro filhote. Todas aquelas perdas o devastaram por dentro, por várias vezes passou a noite em claro tentando lidar com a própria dor. Quando pensou que sua vida havia caído em total desgraça, Akaza apareceu com toda sua gentileza e afeto, dissipando aos poucos suas tristezas e suas muralhas, até conseguir alcançar seu coração. 

Admitia que era um tanto contraditório se apaixonar por alguém que fez parte de um plano para separá-lo de Tengen, mas muito tempo havia se passado, e depois de dar tanto trabalho para Akaza, não conseguia se sentir errado com a relação amorosa que tinham. Akaza foi sua luz de esperança mesmo em meio á tanto breu e maldade, ele se importava de verdade consigo e com seu irmão, jamais se arrependeria de ter se apaixonado novamente.

Cansado de ficar deitado sem nada pra fazer, Kyojuro se afastou devagar de seu alfa, saindo da cama cuidadosamente para não acordar nem ele nem Senjuro, que dormia completamente torto em sua cama, do outro lado do cômodo. Não se importou muito com os cabelos bagunçados, passou os dedos pelos fios rapidamente apenas para abaixar os que estavam levantados e saiu do quarto em silêncio. Já estava acostumado a andar sozinho pela imensa casa Kibutsuji, os criados conversavam bastante consigo quando podiam, e os irmãos de Akaza o respeitavam e interagiam com ele de vez em quando, os que mais viviam o enchendo de conversas era Douma, Enmu e Daki.

Não foi surpresa encontrar justamente a morena na cozinha, Daki acordava cedo apenas para atacar os armários e voltar a dormir. Sorriu com a visão engraçada da jovem sentada na mesa, com as pernas dobradas, mãos e boca lotadas de pãozinhos recheados de geléia de amora, geléia essa que havia pingado dos lábios e sujado o pijama estampado de coelhinhos amarelos.

- Isso ai tá bom?- Perguntou se divertindo com o susto da mais nova. 

- Por kami-sama, que susto!- Daki engoliu de uma vez o pãozinho e tossiu. - O que faz acordado á essas horas, Kyo-san? 

- Não sei também, acordei do nada e não consegui dormir novamente. - Se aproximou da mesa, roubando alguns pães do pote. Instintivamente acariciou a barriga ainda pequena demais para sequer aparecer no vestido de forma evidente. 

- Como está meu sobrinho favorito?- Daki se esticou na mesa até estar praticamente deitada, apoiando-se nos cotovelos para se aproximar da barriga alheia. - Espero que você seja tão bonito quanto Kyojuro, se você nascer igual á Akaza, ficarei decepcionada. - Daki fez voz melosa enquanto acariciava de leve a barriga pequena. - Akaza deve estar cansado para não ter levantado até agora, ontem a nossa reunião demorou por conta do atraso de Ume, e foi uma confusão bem chata. Nossa sorte é que meu oni-chan é inteligente e resolveu rapidinho o problema com os Agatsuma e os Uzui. Agora eu finalmente tenho uma folga, e ficarei rindo da cara de derrota que Kaigaku vai estar durante o casamento do pirralho Agatsuma e o bonitão Uzui. - Soltou uma risada fingidamente maléfica para logo em seguida enfiar outro pão na boca. 

Kyojuro mal havia conseguido processar o que ouviu, sentia seu sangue gelar nas veias. Não podia ser o que estava pensando, certo? Se os Uzui tivessem problemas de verdade com Muzan, significava que Tengen estava em perigo. Queria acreditar com todas as forças que aquilo não passava de mal entendido, se despediu brevemente de Daki e voltou para o quarto apressadamente, buscaria respostas com Akaza. Mas ao entrar no quarto, o rosado já não estava mais. 



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Zenitsu resmungou com um raio de sol que batia em seu rosto, se amaldiçoava por ter esquecido de fechar as cortinas noite passada. Tentou se esticar para estalar os ossos e movimentar os músculos doloridos, mas foi impedido por um peitoral forte praticamente em cima de si, cuspiu quando alguns fios platinados entraram em sua boca. Quando entendeu a situação em que estava metido, sentiu suas bochechas esquentarem.

Tengen dormia pesadamente, ressonando baixinho com o rosto apoiado no peito do Agatsuma, os braços fortes seguravam sua cintura numa posição totalmente constrangedora. Após terem conversado a noite quase toda, acabaram pegando no sono ali mesmo sem nem trocar de roupa ou comer a janta. 

Ele ainda se lembrava bem de toda a confusão da noite passada, aquela situação com seu avô foi um grande baque para seu coração e mente, desejava com todas as forças que tudo terminasse bem. Ainda não tinha ido conversar com o velho, mas de qualquer forma não conseguiria ir naquele momento, não com o peso de Tengen em seu corpo. Com hesitação, levou as mãos até os cabelos brancos, fazendo um tímido cafuné enquanto observava o rosto sereno, a boca estava levemente aberta, e um fio de saliva molhava sua roupa, não era a visão mais bonita de se ver, mas Zenitsu achou fofo. Não se importava de ver aquilo todas as manhãs, por mais estranho que fosse.

- A gente tem mesmo que levantar?- Se assustou com Uzui falando de repente. - Aqui esta tão confortável. - Choramingou o mais velho enquanto apertava mais o corpo menor em seus braços. 

- Você é folgado, hein?- Zenitsu sorriu quando o rosto sonolento se ergueu em sua direção, o olho antes pintado com bolinhas e linhas vermelhas estava totalmente borrado agora. - Está se sentindo melhor?- Perguntou ao se lembrar da conversa que tiveram, ele entendia como era doloroso falar de feridas, mesmo que antigas.

- Quem deveria estar preocupado sou eu, ontem as coisas ficaram difíceis pra você.- Tengen se apoiou nos cotovelos para erguer o tronco e tirar um pouco de seu peso do mais novo. Observou a bela visão que estava exposta á sua frente, os longos cabelos loiros revirados, os olhos levemente estreitos pelo sono e bochechas coradas, tudo aquilo junto com a roupa totalmente amarrotada e fora do lugar deixava o Agatsuma muito sexy, na opinião da mente pervertida de Tengen. 

O platinado sentiu seu coração errar uma batida quando os feromônios de Zenitsu se espalharam em demonstração de afeto, um lindo sorriso se abriu na face do ômega. Pela primeira vez na vida sentiu suas bochechas esquentarem quando foi surpreendido pelos dedos delicados tocando seu rosto, o polegar passando por seu olho esquerdo, numa falha tentativa de limpar a tinta borrada. 

- Seu olho está um caos, não quer ir no estúdio pra eu arrumar?- Foi surpreendido novamente com a sugestão repentina do mais novo.

- Se você prometer não arrancar meu olho, posso pensar em aceitar. - Sorriu quando uma risada nasalada escapou dos lábios do ômega.



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