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História Sounds of Someday - Wincest - Capítulo 9


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Notas do Autor


Capítulo novo pra vocês 🤩

Boa leitura 📖

Capítulo 9 - "Não Me Procure"


Fanfic / Fanfiction Sounds of Someday - Wincest - Capítulo 9 - "Não Me Procure"

— Meu pai me diria se… ele diria. Eu… eu saberia! — Dean grita exasperado, mãos agarrando os cabelos com nervosismo, antes de apontar pra Castiel — Você é um deles, não é? Você é um demônio também e está tentando confundir a minha cabeça com toda essa porcaria!

— Dean…

— Não! Me leva de volta! Eu quero que me leve de volta pra minha família, agora!

Castiel abaixa o rosto com tristeza, antes de levantar a mão e tocar a testa de Dean, mandando-o de volta para a casa de Bobby instantaneamente. 

***

Dean tropeça pra frente, ainda meio tonto pela viagem interdimencional — se é assim que ele pode chamar.

— Dean! Oh, meu Deus, você está bem?!

Adam aparece na frente dele num instante, agarrando Dean num abraço apertado que o ômega não esperava. Seu estado letárgico o impede de responder ao irmão, apenas deixando Adam abraça-lo sem reação.

Ele busca com os olhos por Castiel, e suspira quando não o vê em lugar algum.

— O que?… graças a Deus, garoto. Estava quase arrancando os cabelos com preocupação — Bobby aparece na sala, alívio óbvio em suas feições cansadas. Ele procura ferimentos em Dean antes de puxa-lo pra um abraço rápido.

— O que aconteceu? — Dean pergunta, ainda um tanto anestesiado.

— Nos diz você — Adam fala, caminhando de um lado pro outro — Você simplesmente sumiu.

— Simplesmente sumi?

— Um cara de sobretudo apareceu e então vocês dois sumiram na nossa frente. Sequer conseguimos ver o rosto dele — Responde Bobby — Procuramos você por horas, Adam tentou rastrear seu celular mas achamos que houve algum problema, porque segundo o GPS, você estava numa ilha chamada Ko Pha Ngan, na Tailândia.

— Tailândia? — Dean se espantou com isso. Ele caminha até o sofá e se senta completamente quieto, tendo conhecimento dos olhares de Bobby e Adam — Eu não… não sei o que aconteceu comigo. Eu simplesmente apareci aqui.

— Você não lembra de nada?

— Não — Dean sussurra, engolindo em seco antes de levantar — Acho que preciso dormir.

Ele sobe antes que alguém diga mais alguma coisa.

Quando chega no quarto ele fecha a porta e escorrega por ela até sentar no chão, deixando as lágrimas que querem cair finalmente pingarem.

Ele soluça abraçado a si mesmo, a agonia apertando seu peito como o peso de uma bigorna. As palavras de Castiel voltando a sua mente com toda a força.

Eles querem mata-lo, Dean. Mais importante… eles querem matar seu filho por nascer.

Filho…

Dean franze o rosto vermelho de choro e funga, antes de levar uma mão trêmula até a barriga plana. Nenhum indício de que existe um bebê dentro dele.

Se existir…

Castiel falou a verdade? Porque Dean nunca sabe quando é a hora de confiar em alguém. Mas aquele cara não pareceu estar mentindo. Dean sentiu a verdade nos olhos dele.

Existe graça dentro de você, Dean. Graça de anjo. Correndo em seu sangue desde que você nasceu.

Sua mãe era Saraphiel, um dos anjos mais desobedientes da guarnição. Ela caiu, e com isso parte da sua graça foi perdida, o que sobrou passou pra você através do vínculo de sangue enquanto estava em seu ventre.

Parece tão louco, como uma história estranha que leu em algum livro barato de ficção. Simplesmente não parece real. E mesmo que parte dele não acredite em algo tão estúpido, a outra parte consegue enxergar o mundo que vive, onde tudo de mais insano pode ser real.

Nada mais deveria surpreende-lo levando em conta a vida que tem.

Ele não sabe em que momento pega seu celular ou começa a discar os números, mas quando percebe já está com o celular no ouvido, apenas esperando…

Este é John Winchester, estou ocupado no momento, mas caso seja urgente você pode falar com meu filho Adam…

Dean desliga frustrado e joga o celular do outro lado do quarto, caindo em cima da cama próxima a parede.

Dean sufoca outro soluço e aperta os lábios, pensando em qual reconfortante seria ter Sam com ele agora, lhe abraçando, ou talvez lhe beijando… ele queria tanto de uma forma que é quase patética.

Ele não pode contar a Sam do suposto bebê, porque nem mesmo a medicina pode provar que existe mesmo um bebê lá. Eles transaram nem uma semana atrás, simplesmente não existe como saber.

Além do mais Sam provavelmente o chutaria junto com o bebê quando soubesse. O cara nem deve querer ser pai, ele só tem 24 anos e estava procurando por uma boa transa.

Ele conseguiu.

Dean chora mais ainda quando percebe o quão estúpido foi. Mas então ele lembra do que Sam disse pouco antes de desaparecer. Ele deu a Dean a escolha de ficar. Se Dean quisesse, Sam ficaria com ele.

Sam realmente ficaria?

Ele cuidaria dele e o bebê quando soubesse?

Porque a sua maldita mente masoquista só consegue imaginar a pior hipótese em tudo? Porque ele não pode ter um pouco de esperança? Apenas um pouquinho?

Dean corre até a cama e pega o celular, suspirando quando vê que o aparelho não foi danificado pelo impacto na parede. Ele liga pra Sam, e mesmo que ele não saiba os motivos, ele sabe que precisa ouvir a voz do alfa.

Apenas isso pra que ele consiga se acalmar.

Ele chora porém quando a voz gravada de Sam surge pelo fone como a de John, dizendo algo sobre estar ocupado e pra deixar o recado.

Dean tenta segurar o soluço, ele apenas se sente tão mal, tão quebrado. Porque o mundo sempre parece estar contra ele?

Talvez ele esteja mesmo grávido, mesmo que seja cedo demais, ele sabe que seu comportamento carente e choroso não é comum, mesmo em seu piores dias Dean tenta controlar suas emoções afloradas, e em grande parte do tempo ele consegue.

Ele lembra de Castiel dizendo sobre a graça em seu sangue que passou pro seu filho, sobre seu filho ser poderoso e importante pro céu. Uma criança especial.

Isso apenas o faz se sentir pior. Querendo tanto não acreditar em todas essas loucuras, mas sabendo lá no fundo que Castiel não mentiu.

Por mais que Dean tenha acusado o cara de mentir, de ser um demônio e estar lhe manipulando, no fundo Dean sabia… ele simplesmente sabia que não era uma mentira.

É como se Dean pudesse sentir a conexão com seu filho nascituro, mesmo tão cedo, algo impossível, mas real. Ele toca sua barriga e suspira, deixando então uma mensagem pra Sam.

— Sam, eu… eu sinto muito. Me desculpa — Ele funga e tenta controlar o tremor em sua voz — Não queria que você fosse embora… eu apenas sou idiota demais pra admitir que você mexe comigo, faz com que eu me sinta… seguro. E-eu me sinto péssimo agora e… só… é tão difícil controlar… Queria que estivesse aqui.

O sinal toca, impedindo que ele termine. Ele segura o celular na mão, torcendo pra que Sam ouça a sua mensagem, e então sente medo quando percebe que isso pode afastar Sam ainda mais, lhe vendo como o ômega patético e carente que ele se tornou.

Assustado com a reação que Sam vai ter a sua fraqueza, Dean deixa o celular caído no chão, decidido a fingir que nada disso aconteceu.

Enquanto isso Sam segura a sua mochila no ombro enquanto abre a porta do hotel, ainda em Pittsburgh, mas querendo sair dessa cidade o mais rápido possível.

Samuel insistiu pra que ele ficasse hospedado na sua casa, mas Sam recusou educadamente, dando uma desculpa de que preferia ficar sozinho pra pensar, e por mais louco que seja, os hotéis em que fica acabaram se tornando o único lugar onde ele consegue relaxar.

Ele larga sua mochila ao lado da cama e começa a tirar a roupa enquanto caminha até o banheiro. Ele toma um banho bem demorado, parando pra ensaboar seu corpo e largar no ralo todas as impurezas.

Ele pensa em Dean durante algum momento daquele banho, se perguntando como o ômega está, se pensa nele pelo menos uma vez durante o dia, se a sua presença na vida do ômega fez alguma diferença a ele.

Mas Dean não o quis perto dele, Dean o rejeitou, e por mais que doa, Sam precisou respeitar isso, exatamente como prometeu a Adam, que respeitaria Dean.

Ele viu as ligações de Adam, e num instante sua mente traidora já pensou o pior, até que ele viu a mensagem do beta dizendo que está tudo bem.

Pareceu estranho, forçado, e não houve nenhuma outra ligação depois disso. Sam pensou em ligar de volta, mas então ele lembrou novamente da rejeição de Dean, e ele imaginou que Dean pediu a Adam pra mandar aquela mensagem.

Aquela dúvida lhe deixou preocupado e pra baixo, pendendo entre ligar e ignorar, ou pelo menos fingir que aquelas ligações não torceram seu coração.

Ele dorme logo em seguida, e seu sono é tranquilo a princípio, até que isso muda quando resquícios de um pesadelo começam a aparecer.

Ele ouve o choro de um bebê ao longe, ecoando no ar numa sintonia de vai e vem. Tudo parece escuro e sombrio, realmente pavoroso de uma forma que lhe causa arrepios.

Sam caminha sem saber até onde está indo, sem saber onde vai chegar. Ele não pode ver nada, e o único som que ele ouve é aquele choro de bebê contínuo em seus ouvidos que não para nunca.

Ele para quando percebe que o lugar está ganhando forma, mas ainda não parece nada físico, como uma tela estranha e sem profundidade. Ele nota silhuetas escuras surgindo ao longe e de repente ele entra no modo caçador, buscando algo pra se defender, mas não encontrando nada neste breu.

— Quem está aí?!

Sam grita, mas é inútil, ninguém responde de volta, e Sam sente seus medos ganhando forma.

O alfa sente seu peito apertar, como uma pressão fantasma em seu coração, mas ainda desconfortável demais pra ignorar.

O choro para instantaneamente, e então um berço surge a sua frente, mal iluminado e desgastado, mas lá. Sam engole em seco e volta a caminhar, sentindo uma aflição terrível dominar seu peito. Quando está há meros passos do berço, Sam vê sangue escorrendo através das grades de proteção que o envolve, banhando o cobertor macio de bebê e pingando no chão numa visão perturbadora.

Sam corre até lá, sentindo que precisa chegar até aquele berço, seu peito dói com a necessidade disso, mesmo que a sua garganta esteja fechada e as palavras entaladas com pavor.

Por mais que ele corra, ele não chega a lugar nenhum, como se o berço fugisse dele e não lhe permitisse alcança-lo. Sam tenta gritar, mas a sua voz não parece existir.

Ele está preso dentro de um pesadelo arrepiante, daqueles que costuma ter quando se perturba demais durante o dia, mas este parece pior, mais real e amedrontador.

Quando vê que não vai chegar a lugar nenhum, Sam para e se joga no chão de joelhos, cabelos caindo em seu rosto quando ele abaixa a cabeça, lágrimas escorregando de seus olhos até cair no chão. Por algum motivo ele se sente derrotado, perdido e aterrorizado, como se nada mais fizesse sentido pra ele.

— Sam! Por favor!! Sam!

Sam salta quando ouve aquela voz lhe chamando, lhe pedindo ajuda entre soluços altos de agonia. Ele conhece aquela voz tão bem, ele ainda a ouve as vezes mesmo quando está sozinho, quase como uma canção de ninar. Agora porém parece rachada e aflita, tomando toda a sua doçura.

Dean.

Ele levanta e volta a correr em direção a voz de seu ômega, ouvindo o choro de Dean, e seus soluços quebrados que partem o coração do alfa.

— Sam!

— Dean!

Ele consegue gritar de volta, querendo que o ômega o ouça e saiba que ele está aqui pra protege-lo, pra levá-lo desse lugar, mesmo não sabendo onde está. Ele vai fazer exatamente como havia prometido a Dean naquele hospital enquanto o ômega estava inconsciente.

— Sam!

Uma nuvem escura e sombria surge no chão por trás de Sam, lhe perseguindo enquanto o alfa corre. Ele tropeça algumas vezes e rosna quando cai no chão, algo agarra sua perna o impedindo de levantar, e ali ele sabe que está perdido.

A escuridão que o perseguia consegue alcança-lo e então está lhe envolvendo sem que ele consiga fugir. Sam grita pra ser livre, chutando e socando algo não físico, mas a escuridão parece devora-lo.

— Sammy!

Sam começa a tossir, sua visão começa a escurecer, mesmo que ele lute contra isso, é impossível se libertar. Ele quer tanto chegar a Dean e tira-lo daqui seja onde for, mas ele se sente impotente, fraco.

Quando ele abre os olhos ele não vê mais a escuridão de antes, no lugar disso ele se encontra num quarto que ele não conhece, com apenas uma cama de solteiro no centro dele.

Sam respira fundo e se arrasta até lá, ganhando forças mais uma vez até a sua mão tocar no colchão. Ele se pergunta quando esse pesadelo vai acabar, quando tudo vai voltar a fazer sentido.

Ele arrasta a mão cegamente pelo colchão, tocando com os dedos nos vincos do cobertor que cobre a cama, ainda não pronto pra abrir os olhos, quando sente sua mão tocar em algo úmido.

Sam aperta os olhos e quando os abre novamente ele tropeça pra trás com o que vê na cama. Sua respiração sai em sopros trêmulos e aguados, seu peito palpita perigosamente.

Dean está deitado na cama, usando roupas brancas mas manchadas de vermelho, principalmente na região de sua barriga. Sangue.

O ômega está acordado, mas parece muito distante dali, olhos semicerrados encarando o teto e lágrimas secas manchando suas bochechas pálidas.

— Meu Deus, Dean… — Sam sussurra, ainda meio entorpecido, até que o peso do que está vendo finalmente cai por cima dele como uma bigorna em sua cabeça — Dean!

O alfa toca o lado do rosto de Dean com uma mão trêmula, enquanto que a outra escorrega pro estômago do ômega, onde tenta identificar a causa de tanto sangue.

Ele está no meio desse processo quando a mão de Dean agarra seu pulso e aperta com força, fazendo Sam quase saltar no susto repentino.

— Você não o salvou! Você o deixou morrer! — Dean grita acusações com uma voz rouca e rígida, diferente de sua voz natural — Você deixou ele morrer!

— Quem? — Sam pergunta com medo, e então os olhos de Dean deixam de ser verdes pra se tornarem negros, um sorriso de puro escárnio em seus lábios, fazendo o sangue de Sam gelar em sua veias.

— Não! — Sam grita no momento em que acorda. Seu corpo encharcado de suor e suas roupas grudadas a pele. Ele chuta os cobertores e se senta na cama, tentando controlar seu coração que palpita apressado demais.

Ele olha em volta e percebe que o dia ainda não amanheceu, o relógio despertador ao lado da cama lhe diz que são quase 4h.

Ele se encolhe quando um sopro gelado o faz se arrepiar e ele levanta, ansioso e ainda assustado demais com o pesadelo terrível que acabou de ter.

Cada imagem ainda está grudada por detrás de seus olhos, cada detalhe, parecendo tão real. Ele sacode a cabeça, pensando que assim esses pensamentos iriam sumir, mas não é tão simples assim, eles continuam lá, lhe atormentando.

Sam pega sua calça jeans, jaqueta e sapatos, querendo apenas sair daquele quarto e cair na estrada, talvez dirigir até sentir que não pode mais, quando pega seu celular no bolso da calça e nota uma nova mensagem de voz.

Dean.

Ele aperta ansiosamente para ouvi-la e no momento em que a voz de Dean soa pelo aparelho, ele sabe lá no fundo que nem tudo está perdido, ainda existe luz nesta sua vida tão escura e sombria.

— Sam, eu… eu sinto muito. Me desculpa — O coração de Sam se quebra quando ouve o tremor na voz do ômega, e de repente Sam sabe que deve chegar até ele — Não queria que você fosse embora… eu apenas sou idiota demais pra admitir que você mexe comigo, faz com que eu me sinta… seguro. E-eu me sinto péssimo agora e… só… é tão difícil controlar… Queria que estivesse aqui.

Sam quer dizer "eu também queria estar com você agora, seu idiota teimoso" mas ele não diz. Dean parecia tão abalado nesta mensagem, algo lhe fez ficar assim, e o alfa de Sam ruge pra descobrir o que foi e elimina-lo.

Ele não sabe se essa mensagem foi seu passe livre pra voltar pro ômega, ou se isso foi apenas uma fraqueza passageira a qual Dean irá se arrepender quando o sol nascer.

Sam odeia se sentir tão perdido, e quando se trata de Dean ele nunca parece saber o que fazer. É frustrante, mas apenas lhe deixa mais instigado a descobrir cada pequeno detalhe do ômega ao qual se sente terrivelmente atraído.

Ele está prestes a ligar pra Dean e perguntar o que está acontecendo quando uma outra chamada faz seu celular vibrar. O nome de Adam aparece na tela e Sam não perde tempo antes de atender.

— Adam? Aconteceu alguma coisa?

Sam?! Graças a Deus eu consegui falar com você.

A voz de Adam parece errada. Assustada e aflita. Isso apenas faz Sam se preocupar ainda mais.

— O que está acontecendo?

É Dean.

E aquilo já basta pra fazer Sam agarrar a sua mochila e sair do quarto como um vulto.

— O que?! Ele está bem? — Pergunta o alfa apressado enquanto liga o carro.

Eu não sei. Num minuto ele estava no quarto e no outro tudo o que sobrou foi um bilhete dizendo "Não me procure"Eu não sei mais o que fazer e onde procurar, Sam. Aconteceram muitas coisas nos últimos dias e tenho medo do que tudo isso possa ter feito a cabeça dele — Adam explica, e o medo em sua voz faz Sam apertar o acelerador com mais força.

— Onde vocês estão?

Ainda estamos em Sioux Falls, Dakota do Sul. Viemos pensando que o caso de Bobby seria fácil e rápido… bem, não foi. Existe algo grande acontecendo, Sam. E, cara… eu estou realmente assustado.

Ouvir Adam admitindo estar com medo não é algo que Sam esperava ouvir. Ele aperta os dedos no volante e respira fundo.

— O que quer dizer?

São demônios, existe algo matando essas coisas, mas não é esse o grande problema... Parece que os demônios estão procurando Dean pra… eles querem mata-lo, Sam, alguém mandou pra que eles fizessem isso.

Sam sente sua garganta secar quanto escuta isso. Demônios atrás de Dean é um grande problema. E então ele lembra de Ruby, de Azazel, de todas as coisas que podem machuca-lo.

Sam cerra o maxilar, querendo matar alguma coisa pra se sentir melhor.

— Eu estou chegando aí em algumas horas, no meio tempo procure Dean em todos os lugares. Ele não pode ficar sozinho agora — Sam comanda e não espera a confirmação de Adam antes de desligar.

Algumas horas antes disso Dean ainda se encontra deitado na cama encarando o teto com o rosto cheio de lágrimas. Ele não se importa mais em enxuga-las, ele apenas se sente vazio e perdido demais pra se importar.

Ele fecha os olhos e está quase sentindo os delírios do sono quando seu celular toca.

Seu primeiro pensamento é que Sam ouviu a sua mensagem e ligou pra dizer o quanto Dean é patético, e isso o faz hesitar. Mas então ele lembra que seu mundo não se resume a apenas Sam e Dean.

Lentamente ele pega o celular e suspira meio aliviado meio decepcionado quando percebe que não é Sam ligando, mas sim um número desconhecido.

Ele levanta da cama e se senta nela, antes de atender a chamada.

— Alô?

Existe um sopro do outro lado da linha antes de uma voz conhecida surgir:

— Filho?

Dean levanta da cama num grande salto, quase tropeçando nos próprios pés quando ouve a voz de John Winchester depois de meses.

— Pai? Onde… o que…

Dean, você precisa me escutar agora... Eu preciso de sua ajuda… Eu estou meio enrolado num caso e eu não acho que consiga me livrar disso sozinho — John diz entre pausas pequenas.

Seu pai ligou pra ele por causa de um maldito caso?

— Onde você está? Eu vou chamar Adam e vamos…

Não! — A negação alta do seu pai assusta Dean Venha sozinho, a coisa que me pegou pode ser um perigo pra ele, costuma descartar betas por sua falta de cheiro. Adam pode se tornar nosso backup caso as coisas deem mais errado.

Dean estranha isso, lembrando perfeitamente que John jamais iria chamar Dean pra uma caça sozinho, muito menos sem Adam, que graças a John se tornou o seu guarda-costas pessoal.

A verdade é que por mais que isso possa ferir seu orgulho, ele não se sente capacitado de tomar conta de um caso sozinho no momento. Ele se sente fisicamente esgotado e emocionalmente quebrado.

— Pai, eu não acho que seja…

Isso é uma ordem, Dean!

Dean se cala imediatamente depois disso, nunca antes desobedecendo uma ordem de John. O tom de voz do alfa mais velho parece diferente, Dean sabe que algo maior do que apenas um caso está errado.

— Tudo bem, preciso da sua localização e vou dar um jeito de chegar aí o quanto antes.

Não deixe Adam vir de forma alguma, não enquanto podemos resolver isso sem ele, sua presença aqui acabaria tornando o problema bem pior — John avisa. Dean engole em seco, balançando a cabeça até perceber que seu pai não pode ver isso.

— Estou chegando.

John manda uma mensagem com a localização de onde ele está: Oak Ave 71, em Rapid City.

— Mas isso é em Dakota do Sul — Dean murmura, e então uma grande mágoa se apossa em seu peito.

John estava tão perto esse tempo todo e nunca pensou em talvez dar uma olhada em seus filhos? Quem sabe ter certeza de que ambos ainda estavam vivos?

Não é como se Dean deixasse de informar ao alfa mais velho sempre que chegam em uma nova cidade pra cuidar de um caso, diferente de John que nunca se importa em mencionar onde diabos se encontra.

— Idiota.

O ômega sussurra, balançando a cabeça antes de pegar uma folha de caderno em deixar uma mensagem pra Adam. Ou quase isso.

"Não me procure" parece clichê demais, mas é sua própria forma de avisar ao irmão que mesmo sendo sua decisão sair sozinho, ele ainda pode precisar de ajuda a qualquer momento, por tanto esteja preparado.

E ele sabe que Adam não vai sentar e esperar por Dean, mas Dean não pode prender Adam no porão de Bobby, e não pode sair sem dizer nada, isso apenas o preocuparia mais.

Então ele deixa o papel em cima do travesseiro e começa a arrumar as suas coisas. Ele precisa sair sem ser detectado, por tanto não pode levar muitas coisas.

Ele deixa seu celular por cima da mesinha de cabeceira, sabendo que seu irmão pode lhe rastrear. Por sorte, ou azar, Adam acabará encontrando um outro jeito. Dean só espera que isso aconteça quando o caso estiver resolvido.

Dean ainda sente que pode começar a chorar a qualquer momento, mas não pode se entregar ao seu estado emocional deslocado agora, seu pai precisa de ajuda, mesmo que de uma forma muito estranha, mas o velho ainda é a sua família.

E Dean cuida da família.

Isso também lhe dará a chance de questionar a John o que ele sabe sobre a suposta queda de sua mãe anjo. Deus, parece ridículo quando se pensa dessa forma.

E depois de tantas coisas rondando em sua cabeça ele lembra do motivo por se encontrar tão emocional.

Ele deixa a sua mão cair na sua barriga e a toca, como se apenas isso fosse o suficiente pra provar que esse bebê é mesmo real, que ele está mesmo lá, microscópico, mas ainda vivo, e lentamente crescendo em seu ventre.

— Devo estar enlouquecendo — O ômega suspira antes de pegar a sua mochila e abrir a porta do quarto. Ele torce silenciosamente pra que os caras não estejam no caminho pra porta de saída, e por sorte eles realmente não estão.

Dean ouve suas vozes vindas da cozinha, o que acaba se tornando o momento perfeito pra sair.

Ele ainda não entende porque está praticamente fugindo como um adolescente, mas se John disse que essa caça é um perigo pra Adam, estão Dean fará qualquer coisa pra evitar que ele se machuque.

Ele ainda é o irmão mais velho entre os dois.

Leva 5 horas pra que Dean chegue em Rapid City. O endereço que John lhe passou é fácil de se achar, se trata de uma grande avenida residencial.

Alguns minutos depois de chegar ele para em frente a uma casa bastante detonada, o mato já começou a invadir o lugar e as pichações nas paredes informa a Dean que ninguém mora ali por muito tempo.

Ele se pergunta porque seu pai lhe passaria esse endereço, e então os alertas começam a soar no mente de Dean. Ele agarra a sua arma nos dedos apertados, antes de empurrar a porta, não surpreso quando ela se abre facilmente.

Um calafrio percorre a sua espinha mas ele não deixa seu desconforto para-lo. Com passos leves ele prossegue, sabendo melhor do que alertar qualquer coisa que possa estar se escondendo na casa.

De um por um degrau ele sobe até o segundo andar, olhos estreitos para todos os lados e todas as portas do corredor. Todas estão fechadas, todas menos a do quarto principal, cuja se encontra entreaberta.

Ele ainda mantém a guarda quando caminha lentamente até lá, apenas pra quase perder o controle dos joelhos quando vê seu pai muito machucado, com cortes e contusões pelo corpo, desmaiado e preso a uma cadeira.

— Pai!

Dean corre até ele e freneticamente começa a procurar por um pulso, aliviado quando encontra, fraco porém insistente.

Ele começa a trabalhar nas amarras que prendem seu pai a cadeira, mas antes de desatar o último nó, algo o puxa com uma força bruta até seu corpo estar preso a parede mais próxima, uma mão forte o prendendo pelo pescoço, cortando parte de sua respiração.

— Sabia que viria. Dean Winchester e seu complexo de herói — O homem cospe divertido, duplicando seu aperto na garganta de Dean, o fazendo engolir convulsivamente.

— Q-quem… é… v-você?…

— Sou quem vai fazer um favor ao nosso rei e eliminar você agora mesmo, antes que essa pequena aberração que carrega começe a causar problemas pra nós — O homem rosna, seus olhos ficando então negros. Dean não tem tempo de se assustar quando sente um punho pesado socando seu estômago.

Dean grita a dor quase insuportável, caindo no chão e fechando os olhos, sem sequer conseguir levantar.

— Sua cabeça já estava a prêmio no inferno, Dean, se eu matar você ganharei uma bela medalha, sempre quis ser escoteiro antes de, você sabe… vender a minha alma por um preço alto — O demônio continua falando despreocupadamente, diversão e satisfação em sua voz enquanto anda ao redor de Dean, como um leão faminto zombando de sua presa.

Dean consegue se arrastar até estar meio sentado no chão, suas costas contra a parede e seu mundo se inclinando perigosamente. Ele pisca várias vezes antes de começar a falar.

— O que… quer com meu pai? — Dean pergunta com a voz rouca e trêmula.

— Oh, foi uma feliz coincidência. O encontrei num bar da cidade enquanto procurava um terno de carne, o cara estava deplorável, bebendo até seu rosto inchar. Sinceramente eu achei que seria mais difícil tomar posse de John Winchester, mas estava errado — O demônio chuta a perna de Dean, ignorando o rosnado de Dean — Depois disso tudo o que tive que fazer foi ligar pra você e eu sabia que viria correndo ajudar o papai. A forma perfeita de pegar você, Dean.

— Deixa ele ir.

— E viver ameaçado por ter matado seu filho? Acho que não — O demônio diz — Assim que eu matar você, vou dar um jeito nele também, e então tudo o que restará será o irmãozinho, mas com ele não existe pressa.

— Você encosta neles e eu juro que te mato, seu filho da mãe! — Dean grita, a adrenalina do momento lhe dando forças pra levantar.

— Você é realmente casca grossa pra um pequeno ômega grávido e indefeso — O demônio zomba, e mesmo que Dean não tenha percebido antes a insinuação explícita, dessa vez seus ouvidos ouvem bem.

Não existe como ser coincidência, existe mesmo um bebê dentro dele!

Um bebê muito ameaçado antes mesmo que respirar pela primeira vez. Dean sempre cuidou dos que não podiam se proteger, seu filho deve fazer parte dessa regra pessoal.

— Eu vou matar você, eu juro — Dean garante baixo porém com raiva. Muita raiva — Não vou deixar que machuquem a minha família.

— Mesmo? E como pretende fazer isso, mamãe-urso? — O demônio ri, esticando a mão e jogando Dean novamente na parede por uma força invisível.

Malditos demônios.

A coisa de olhos negros se aproxima e sorri próximo ao rosto de Dean, seu polegar acaricia de uma forma não muito gentil os lábios do ômega. Tudo o que Dean pode fazer e virar o rosto pra longe dos dedos intrusos.

— Tão arisco, uma preciosidade.

— Vai se foder — Dean murmura com nojo na voz. O demônio torce as feições, antes de largar uma risada aberta.

No momento em que o demônio se afasta e inclina o rosto pro lado, encarando Dean com quase fascínio, o ômega sabe que está ferrado. Ele começa a se contorcer na parede, não encontrando forma de se soltar da força que o segura.

E então ele lembra do exorcismo que decorou dos livros de Bobby, tão alheio ao seu próprio medo que esqueceu algo de vital importância.

— Exorcizamus te, omnis immundus spiritus,

omnis satanica potestas, omnis incuriso infernalis adversarii, omnis legio, omnis congredatio et secta diabolica… Ergo… Perditionis venenum propinare. Vade, satana…

Mas o demônio sequer pisca, apenas torce os lábios num pequeno sorriso. Dean engole em seco.

— Realmente achou que seria tão fácil? — Ele bufa — No momento em que tomei este belo corpo aqui, usei um link de ligação, uma pequena marca em seu braço que me impede de ser exorcizado. Vocês caçadores não são nada imprevisíveis.

— Droga. Pai! — Ele grita, tentando talvez acordar John pra que seu pai o salve dessa maldita emboscada — Pai!

— Não acho que ele acordará a tempo, mas valeu a tentativa — O demônio zomba, antes de esticar a mão e se aproximar da barriga do ômega, uma ansiedade cruel em suas feições quando arranha sua unha na pele quente, deixando um rastro de sangue — O rei vai voltar, e nada pode ameaçar seu trono.

— Não! — Dean vocifera, sentindo então medo de morrer, e maior ainda, medo de que seu filho morra tão cedo. Não é justo! Dean apenas acabou de conhecer a sua existência — Por favor.

Ele não consegue segurar os soluços de raiva e de medo que exala, ansiando por se livrar, matar essa coisa, e então se esconder debaixo de um cobertor pelos próximos meses.

— Acho que assustei você, não era a minha intenção, pretendia fazer isso de forma rápida e prática, mas você, Dean Winchester, é tão tentador. Seu sofrimento consegue mexer com meus instintos mais obscuros — Os lábios do demônio se aproximam dos dele, e por um instante Dean acha que pode acabar vomitando ali mesmo.

O demônio puxa então uma faca pequena do cinto, bastante afiada e suja de sangue, olhando pra ela por algum tempo. Dean volta a se contorcer, mas como antes, não tem sucesso.

O ômega exala um grito quando o demônio corta a pele por cima de suas costelas, lentamente descendo e tomando profundidade até o seu umbigo. A dor é insuportável e paralizante, Dean não pode fazer nada além de gritar e chorar pra que alguém faça isso parar.


Notas Finais


Sim, Dean se meteu em problemas mais uma vez, mas é necessário 😛 Sam está chegando para o resgate 🤩

Gente, deem uma olhada no canal do Youtube das "Irmãzinhas contam" elas leem fanfics Padackles e estão lendo uma das minhas também, My Angel.

Link: https://www.youtube.com/channel/UC5k48mh1iIYUFZVVca9xxxQ


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