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História South Park High - Capítulo 52


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Notas do Autor


Cartman decide fazer uma boa ação de natal e contar histórias natalinas para doces criancinhas! Não é incrivel?! Mas é claro é uma história narrada por ele então... Ninguém o impedirá contá-la da maneira que Cartman acharia melhor!

Olá pessoas! Feriados foram adiantados aqui no estado de SP onde moro, e portanto vai ser adiantado no AU tb. Então Feliz Natal pra vcs!! Hahaha (Mentira, cronologicamente dentro da história já estariamos aqui msm, mas vcs entenderam). "A Fat Christmas Carol" é um capítulo extremamente louco hahaha Aqui eu divido a minha posição como narradora com ngm menos do que Eric Cartman! Espero que vcs gostem... Ficou bem viagem, mas uma viagem dahora, que eu espero que tire uns risos de vcs durante esse período tão ruim que estamos vivendo. As principais bases pra esse capítulo foram "Um Conto de Natal" do Charles Dickens e o Ep "Woodland Critter Christmas" onde o Cartman conta a história com os bichinhos natalinos. (Ep da 8ª temp, pra quem ainda n viu essa obra prima hahaha)

Bjos, feliz natal adiantado e curtam o capítulo!

Capítulo 52 - Um Conto Gordo de Natal


Fanfic / Fanfiction South Park High - Capítulo 52 - Um Conto Gordo de Natal

- Olá pessoal! E um feliz natal para todos. Meu nome é Eric Cartman, seu anfitrião nessa gelada noite de dezembro. – Cartman começou, sentando-se acomodado na poltrona vermelha perto da lareira. – Para celebrar as festividades, eu contarei a vocês uma história que eu criei apenas usando a minha imaginação! Não é incrível? Vocês não estão animados? – ele sorriu apanhando um livro de trás de si apresentando para seu público. – Esta é a minha versão de “Um Conto de Natal” do Charles Dickens. Acho que vocês vão achar extremamente interessante. Vamos começar!

(“God Bless Us Everyone” do Andrea Bocelli tocando conforme o título “South Park High apresenta: Um Conto de Natal por Eric T. Cartman” aparece)

- “Nossa história se passa há muitos anos, no dia 24 de dezembro, em uma cidadezinha gelada nas montanhas. Nessa cidadezinha, vivia um cara sovina, um rato judeu que só pensava em dinheiro chamado... Kyle Scrooge! Mas nós vamos simplesmente chamá-lo de Kahl.” – Cartman fez um barulho com a garganta antes de continuar. – “Kahl não gostava do natal, a simples menção do espírito natalino o deixava puto, e por isso ele caminhava zangado pelas ruas em direção ao seu escritório de advocacia. Ele até mesmo chutou um mendigo no caminho que pedia por esmola, já que não dividia seu ouro judeu com ninguém. Parou apenas para admirar a placa na entrada com os nomes “Scrooge & Black”.”

- Ah! Meu sócio Token Black! Hoje faz sete anos que morreu... Mas que sujeito ele era! Roubava das viúvas e tapeava os pobres! – Kyle riu batendo na placa com sua bengala. – Em seu testamento me deixou uma grana pra pagar pela sua sepultura... Mas tenho certeza de que ele está bem no mar onde eu o joguei hahaha...

- “Kahl Scrooge entrou então em seu escritório e a primeira coisa que viu foi seu empregado, que era mais pobre do que todos na cidade.” – Cartman virou a página lentamente mostrando um desenho de um rapaz loiro com roupas alaranjadas. – “Vamos chamá-lo de... Kenny. Kenny Mccormick. Lá estava ele mexendo com um pedaço de carvão perto da lareira, algo que escondeu assim que viu seu patrão.”

- Kenneth! Que está fazendo com isso?! – Kenny se assustou virando-se rapidamente para responder.

- Ah... É que... Eu só estava tentando dissolver a tinta, senhor. – ele disse revelando o que tinha nas mãos antes de Kyle apanhar o pedaço de carvão e atirá-lo no lixo.

- Está perdendo seu tempo. E tempo é dinheiro, Kenny. – Kyle tomou seu lugar em sua mesa particular, relaxando em sua cadeira. – Continue o trabalho pelo qual eu pago você!

            Kenny consentiu, direcionando-se nervosamente à sua cadeira dura e gelada, perguntando ao mesmo tempo que sentava-se. – Por falar em trabalho, senhor... Amanhã é natal.

- E daí? – Kyle disse começando a se irritar.

- Pensei que poderia tirar meio dia de folga... – os olhos de Kyle queimaram com ódio. – O senhor pode reduzir do meu pagamento se quiser...

- Bem, creio que sim. Tudo bem, Kenny... Mas não quero que atrase com a minha roupa que você precisa lavar. Não quero ter que reduzir o aumento que lhe dei há três anos.

- “Vocês veem? Kahl é um homem miserável que só se importa com dinheiro, como a maioria dos judeus no natal, se pensarem bem. Ele passou grande parte daquele dia deliciando-se em sua mesa e contando e recontando centenas de vezes suas moedas de ouros. O barulho das moedas chocando-se uma na outra quase lhe davam prazer.” – Cartman disse bufando enquanto segurava o livro. – “Doentio, não? Mas não há motivos para aflição, pois a vida de Kahl Scrooge estava para mudar. Começando por quando foi interrompido pela chegada de um conhecido seu que entrou na loja, o Sr. Butters Stotch.”

            Butters segurava uma guirlanda de natal, sorrindo de orelha a orelha empurrando a porta com um dos pés para poder entrar enquanto anunciava. – Feliz natal! – ele parecia muito feliz, completamente consumido pelo espírito do feriado, mas sua súbita entrada tinha feito o rabugento Kyle derrubar seu dinheiro, por isso ele lançou-lhe um olhar irritado. – Eu disse, feliz natal!

- Feliz natal, Butters! – Kenny disse se levantando e cumprimentando o rapaz, mas Kyle levantou-se intervindo.

- Ah mas que bobagem...O que há de tão feliz no natal afinal? – ele cruzou os braços enquanto os dois se entreolhavam. – Pois vou lhes contar o que é o natal. É só mais um dia de trabalho, e qualquer idiota que pensar o contrário vai acabar se fodendo grande!

- Ah hambúrgueres... – Butters disse cabisbaixo.

- Mas patrão... – Kenny suplicou. – O natal é um dia especial. É um dia dedicado á família e ao amor!

            Kyle resmungou dando as costas para os dois, pronto para voltar para sua mesa, antes de Butters novamente voltar a sorrir. – Sabe... Eu não me importo, vim lhe desejar um feliz natal e é isso que eu vou fazer. – ele correu até Kyle e tocou seu ombro. – Feliz Natal, Sr. Scrooge! – Kenny bateu palmas rindo, mas ao receber outro olhar furioso do patrão, voltou a sua mesa rapidamente. – Na verdade, vim até aqui para convidar você para minha ceia de natal amanhã à noite.

- Butters, meu caro... Eu sou judeu! E judeus não podem celebrar ceias de natal! Nem comer aquelas comidas deliciosas que servem nos feriados, você por acaso é burro? – Kyle empurrou a mão de Butters para longe de si, frustrado. – Agora dê o fora daqui antes que eu chute a sua bunda pra fora!

            Butters se afastou, mas parou à porta, suspirando tristemente vendo Kyle voltando aos seus afazeres. Kenny deu de ombros em direção a ele como se não houvesse o que fazer, antes de receber a guirlanda em seus braços. – Feliz natal, Kenny... Espero que isso lhe traga um pouco de alegria. – e então ele se foi, deixando Kenny sorrindo em direção ao presente.

- Ah esse Butters... Sempre cheio de bondade...

- É um tolo, isso sim! Agora volte ao trabalho! – Kyle voltou a contar suas moedas quando alguém bateu novamente na porta. – Oh! Clientes! – Kyle abriu a porta se deparando com Tweek e Craig usando roupas de inverno e segurando latas vazias nas mãos. – Bom dia, senhores. Em que posso ajudá-los.

- Bom dia. Estamos solicitando doações para os indigentes e desvalidos! – Tweek disse abrindo um sorriso nervoso.

- Uh... Para quem? Desculpem eu sou um pouco lento... – Kyle disse fazendo-se de desentendido apenas para receber um dedo do meio do voluntário com gorro azul.

- É para os pobres, babaca.

- Oh... – Kyle piscou antes de se afastar da porta com desgosto estampado em seu rosto. Ele pensou por um segundo, Kenny o observando do canto dos olhos, quando de repente ele sorriu. – Bem, eu suponho que se conseguirem dinheiro para os pobres, eles não serão mais pobres. E se eles não forem mais pobres, vocês não terão mais que pedir dinheiro para eles.

- B-Bem... Sim... Acho que... – Tweek começou quando Kyle o interrompeu.

- E se não tiverem mais que pedir dinheiro para eles, perderão o emprego! – os dois se entreolharam confusos. – Por favor, cavalheiros, não me peçam para tirar o emprego de dois homossexuais numa véspera de natal!

- A gente não ia te pedir isso, imbecil! Por que caralhos estamos nessa história no fim das contas?! – Craig disse rolando os olhos, recebendo um olhar confuso de Tweek antes de Kyle começar a fechar a porta.

- Nesse caso, sugiro que vão andando! – Kyle fechou a porta, respirando fundo apoiando-se nela enquanto Kenny o observava, algo que Kyle reparou, ajeitando sua postura. – Nossa... Onde será que vamos parar, Kenny? Trabalho a vida toda para ganhar dinheiro e as pessoas querem que eu jogue fora!

******

- Ei espera um pouco ai! – Cartman piscou interrompendo sua narrativa e olhando para as pessoas a sua frente. Ike, Karen e Tricia estavam sentados no chão com as pernas cruzadas e casacos quentinhos o ouvindo. – Isso não faz o menor sentido! Por que meu irmão é o senhor Scrooge?

            Novamente Cartman piscou perplexo. Que tipo de pergunta era aquela? – Porque seu irmão é judeu, Ike. Você não ta prestando atenção, não? Judeus odeiam o natal! Scrooge odeia o natal! Kahl tem que ser o Scrooge, falou?! – ele disse perdendo a calma, enquanto Ike o observava com os braços cruzados, insatisfeito.

- Bem, se você trocou os personagens de Dickens pelo pessoal da nossa cidade baseado na personalidade, não deveria você ser o Scrooge? – Karen cobriu a boca rindo ao ouvir aquilo, enquanto o olho esquerdo de Cartman tremia desconcertado.

- EU TENHO CARA DE JUDEU PRA VOCÊ POR ACASO?

- Não, mas com certeza tem cara de um arrogante, filho da puta que só pensa em dinheiro... – Ike disse sorrindo afetado, antes de Karen sorrir olhando para o gordo que estava prestes a saltar sobre o irmão de Kyle.

- Eu adorei o ajudante do Scrooge, Eric! – Cartman virou-se para ela prestes a responder que ele não era um ajudante, e sim um pobre empregado, mas então Tricia cortou-o antes que fosse possível.

- Eu tenho uma pergunta! Qual a probabilidade dos dois voluntários que pedem dinheiro pros pobres se pegarem até o final da história? Digo... – ela disse ficando de joelhos para poder apontar para a página com os desenhos de Tweek e Craig pedindo dinheiro para um Kyle feioso e narigudo à porta. – Eles são super fofos juntos.

- CERTO, CERTO! CALEM A BOCA! – os garotos se endireitaram parando de falar, conforme Cartman se endireitava novamente na cadeira e virara a página. – Se me permitem continuar... Onde eu estava... Ah sim! “Quando o expediente acabou e Kenny foi para casa carregando a trouxa de roupas fedidas do Sr. Kahl Scrooge, este também se dirigiu para seu velho e enorme casarão, onde ele vivia sozinho e miserável... O vento soprava pela corrente criada pela casa, e por um segundo, Kahl pode jurar que ele falava seu nome. Kahl... Kahl... Kaaaaahl...”

******

- Que estranho... – Kyle disse abaixando o livro que estava lendo, apenas para dar de ombros e voltar à leitura. Novamente o vento pareceu chamar seu nome, mas ele preferiu ignorar pensando que era apenas sua imaginação. Nem mesmo abaixou o livro para ver que o fantasma de seu ex-sócio, Token Black surgiu diante de seus olhos clamando por ele, carregando correntes pesadas por todo o corpo. – Ora, mas o que... AH!

- Boo! – Token disse fazendo com que Kyle saltasse da poltrona sentindo um calafrio percorrendo por toda a sua espinha. Ele se escondeu atrás da cadeira com mais medo do que jamais sentiu em toda a vida. – Kahl...

- VÁ EMBORA!

- Não até você me ouvir! – Token disse, mas então ergueu uma sobrancelha ao vê-lo tão assustado. Ele flutuou dando a volta na poltrona e parando novamente na frente de Kyle. – Qual é, Kyle! Não me reconhece, não? Sou eu, seu ex-sócio, Token Black!

- T-Token...? É você? – Token concordou, fazendo com que Kyle curvasse a cabeça para a forma transparente e fantasmagórica do amigo. – Que está fazendo aqui?! Você deveria estar...

- Morto? E estou! – ele riu parando ao lado de Kyle. – Você se lembra de quando eu era vivo e roubava e tapeava as pessoas?

            Kyle abriu um meio sorriso, rindo um pouco com a lembrança. – Ah sim, como poderia me esquecer! Você tinha classe, Black.

- É mesmo... – Token disse suspirando convencido, mas então sacudiu a cabeça, lembrando-se de que estava ali para alertá-lo do exato contrário. – Não! Eu estava errado! E como castigo, sou forçado a carregar essas correntes por toda eternidade! Ou talvez mais... Não tenho esperanças, fui condenado! E a mesma coisa vai acontecer com você, Scrooge!

            Kyle soltou um suspiro desesperado subitamente. – Oh não... Não pode ser! – ele desviou o olhar antes de voltar-se para Token tentando apanhá-lo sem sucesso, pois suas mãos o atravessavam. – Você precisa me ajudar, Token!

- Pois bem... – Token disse se erguendo e cruzando os braços olhando para seu amigo encolhido no chão. – Hoje à noite, você será visitado por três espíritos. Ouça-os. Faça o que mandarem. Senão suas correntes serão ainda mais pesadas! E olha que eu sou negro! – Kyle se tremeu todo ouvindo a voz de Token ecoar pelo quarto. – Agora preciso ir. Adeus, Kahl!

- Token! Não! Espere! – ele se levantou tentando apanhar o amigo que já estava se dissolvendo. – Que fantasmas são... São esses... – ele olhou em volta se vendo novamente sozinho em seu quarto. Retornou a sentar na poltrona, apanhando o livro do chão, perplexo, mas então riu, rolando os olhos. – Ora, devo estar imaginando coisas... Pensando em bobagens do passado...

- Verdade? Eu faço isso o tempo todo. – Um rapaz com um terno e uma cartola azul e vermelha na cabeça disse com os braços apoiados na parte de cima de poltrona de Kyle, fazendo com que ele caísse do assento, assustando-se outra vez. – Eu... Te assustei?

- Quem caralhos é você?!

- Eu sou o fantasma do natal passado! E eu vim te levar até a nossa primeira...

******

- Esse ai sou eu? – Stan disse apoiado no corrimão das escadas, com um olhar confuso, fazendo com que novamente Cartman interrompesse a narrativa. – Puta merda... Não me diga que está refazendo contos de natal com a gente no lugar outra vez, bundão...

- É exatamente isso que ele está fazendo! – Karen disse rindo, enquanto Stan rolava os olhos.

- Quem mata o Kyle dessa vez? Frosty, Papai Noel...? – Stan perguntou pegando a bacia de roupas e descendo o resto das escadas parando perto da máquina de lavar.

            Ike cruzou os braços com um meio sorriso. – Ninguém ainda, mas Kyle é o Sr. Scrooge. – Stan piscou antes de rir daquela idiotice, deixando Cartman enfezado por ter sido brecado outra vez.

- QUE PORRA SE TA FAZENDO AQUI?! Não ta vendo que eu to ocupado, não, otário?!

- Uh... Eu moro aqui? – Stan disse apoiando-se contra a máquina e cruzando os braços ofendido. – O que você ta fazendo aqui?

            Cartman travou, sentindo-se um pouco nervoso com aquela pergunta. Ele tinha esquecido onde estava por um momento. Ele olhou em volta coçando o pescoço, antes de corar. – Bem, é a minha boa ação de natal, Stan! Estou contando histórias para criancinhas! A culpa não é minha que você é a pessoa mais próxima que eu conheço com uma lareira no porão, ta?! – Karen e Tricia se entreolharam dando de ombros.

- Você invadiu a minha casa pra isso...? Cara, você é muito retardado... – Stan replicou estapeando o próprio rosto, antes de Ike suspirar fundo.

- E nós não somos criancinhas...

- SÃO SIM, AGORA CALADOS QUE EU QUERO CONTINUAR! – Cartman berrou antes de se recompor, e olhar para seu livro para voltar onde estava, percebendo que Stan permaneceu parado ali. – Se você vai querer escutar o resto da história, é bom ficar de bico calado, fantasma do natal passado!

- Eu sou o fantasma do natal passado...? – Stan disse coçando a cabeça confuso.

******

- E eu vim te levar até a nossa primeira parada da noite! – Stan, ou o fantasma do natal passado disse, com um sorriso, mas Kyle grunhiu, virando-se de costas.

- Eu não vou a lugar nenhum com você, assombração do capeta, mas que mais parece um hippie. Você morreu quando? Nos anos 60? – Stan pareceu ofendido e então apanhou Kyle pela gola da camisa, o que o deixou chocado porque diferentemente do espírito de Token, este era palpável.

- Ah, mas você vem sim! Precisa aprender a ser bom! E por isso, nós vamos começar visitando o seu passado. – Stan sorriu, embora Kyle ainda tentasse se afastar.

- A bondade não leva a lugar algum! – ele disse antes de Stan estralar os dedos e Kyle se ver perdido em uma espécie de rodamoinho, até cair na neve próximo a um salão cheio de decorações de natal, enquanto música ecoava lá dentro. – E-Espirito? Onde estamos?

- Não reconhece, Kahl? – Stan removeu sua cartola, usando-a para apontar para uma placa acima da entrada do salão. Kyle piscou perplexo lendo o que estava escrito.

- É o restaurante do Chef! Eu costumava trabalhar aqui! – Kyle se aproximou da janela vendo a festa de final de ano acontecendo do lado de dentro. – Eu nunca conheci um homem tão bom... Veja! É ele! E todos os meus velhos amigos e... – os olhos de Kyle se arregalaram quando ele viu a si mesmo, mas com uma aparência mais jovem. – Sou eu...

- É... Mas isso foi antes de você se tornar um judeu infeliz e rabugento destruído pela ganância. – Kyle lançou um olhar ofendido para Stan, que apenas deu de ombros. – É a verdade...

            Kyle suspirou voltando a olhar para suas lembranças dentro do salão, quando se deparou com a mais bela garota que já tinha conhecido. Lily usava um vestido rosado e dançava com as outras pessoas, curtindo a festa de natal, enquanto o Kyle do passado permanecia sentado em um canto, calado e tímido. Ele olhava da garota para outros casais se beijando, inclusive uma versão de Cartman e Heidi se pegavam loucamente próximos a ele, o obrigando a se levantar, mas quando o fez, ele acabou trombando com Lily.

- Oh... Olá, Kyle. – ela disse sorrindo, enquanto ele corava e mordia o lábio.

- Boa noite, Lily...

- V-Você... Gostaria de dançar comigo? – ela perguntou, fazendo com que Kyle sorrisse como um bobão antes de concordar, aceitando que ela pegasse em suas mãos e dançasse pelo salão.

            Da janela, Kahl Scrooge suspirou, voltando-se para o espírito. – Puxa, eu me lembro de como estava apaixonado por ela...

- Mas em pouco tempo, sua verdadeira paixão se tornou outra coisa, não é mesmo? – Stan disse transformando o cenário ao redor dos dois no escritório de advocacia de Kyle, onde ele estava sentado contando moedas de ouro. Lily entrou pela porta com uma expressão triste no rosto.

- Kyle, meu querido... Há anos que eu reservo aquele chalé para nossa lua de mel... Esperando que você cumpra sua promessa de se casar comigo. – ela fez uma pausa vendo o rosto do namorado surgindo acima do monte de dinheiro. – Bem, você já se decidiu?

- Já! – Lily abriu um sorriso esperançosa, mas então Kyle revelou uma papelada de hipoteca de imóvel vencida. – Seu último pagamento do chalé atrasou. Vou ter que executar a hipoteca! – e então ele voltou a conta o dinheiro, sem se importar em como tinha acabado de quebrar o coração de Lily. Stan virou-se para o Kyle do seu lado com uma expressão decepcionada, enquanto ele encarava a cena com tristeza.

- Você amou seu ouro mais do que aquela preciosa garota e então a perdeu para sempre!

            Kyle apoiou-se contra a parede do escritório com vontade de chorar. – Por favor, espírito, me leve para casa. Eu não suporto essas lembranças... – Kyle cobriu o rosto ao mesmo tempo que Stan tocou seu ombro.

- Lembre-se Kahl Scrooge... Quem traçou seu destino foi você mesmo...

******

- Você desenhou você e a Heidi se pegando na página da festa? – Stan disse cobrindo a boca para não rir, enquanto Cartman erguia os olhos em direção a ele outra vez. – Você tá tão na seca assim?

- Ela foi viajar Stan! Mas ela vai voltar antes, pra sua informação... – ele virou a página, levantando o nariz arrogantemente. – Você pode ir embora se quiser, sua parte já acabou.

- Ah não... Eu quero ouvir isso até o final haha...

******

- Por que fui tão idiota com ela? Eu sou mesmo um tremendo merda! – Kyle choramingava antes de perceber que estava de volta ao quarto, mas quando abriu os olhos, percebeu que o ambiente estava cheio de comida, um verdadeiro banquete que poderia alimentar uma cidade inteira. – Uau... Da onde veio tudo isso?

- Sinto um cheiro estranho... – uma voz ecoou pelo quarto fazendo Kyle se virar percebendo que se tratava de uma pessoa enorme, usando uma coroa de visgo na cabeça, que se parecia muito com o Clyde. O rapaz gigante segurava um taco proporcional ao seu tamanho e o comia deliciado antes de se inclinar e olhar para Kyle aterrorizado. – Ah! Olha só! Um judeuzinho sovina! – Clyde apanhou Kyle nas mãos que se remexia tentando se libertar.

- P-Por favor, não me devore!

- Por que caralhos eu, o fantasma do natal presente, comeria você? Eu tenho um taco pra mim bem aqui... – Clyde inclinou a cabeça confuso. – Alias, aposto que você não teria um gosto bom.... – o gigante disse dando mais uma mordida no taco enquanto Kahl Scrooge olhava pela sala cheia de comida.

- Mas da onde veio tudo isso afinal de contas?

- Da Terra, ora... São alimentos de generosidade, Kahl Scrooge, algo que há muito tempo você nega aos seus semelhantes. – Clyde disse o colocando no chão e apanhando um burrito, sorrindo imensamente antes de abrir a boca para comer.

            Mas Kyle não estava satisfeito com aquela resposta. Cruzou os braços, virando-se ofendido. – Generosidade? Ninguém nunca teve isso comigo!

- Você diz como se já tivesse dado motivos pra isso... – o espírito deu uma bela mordida antes de continuar. – Mas, por incrível que pareça, ainda existem pessoas que sentem algo tipo de carinho por você...

- Ah é? E quem seria? Porque eu não conheço ninguém! – Kyle disse antes de sentir tile caindo do burrito de Clyde em cima de sua cabeça. – Ei!

******

            Cartman piscou novamente despertando de sua história quando ouviu alguém falando do alto da escada outra vez. – É... Ele tá fazendo outra vez. Parece que te colocou na história, Clyde... Eu tento tirar uma foto... Você ta devorando um taco... Aham... – Tweek observava ansiosamente enquanto Craig falava no telefone. Todos que estavam reunidos perto da lareira os encaravam curiosos.

- CRAIG! – Cartman berrou de repente, fazendo-o desligar o celular e virar-se entediado. – Eu estou lendo!

- É, eu vi. – o garoto disse dando de ombros como se não desse a mínima, o que era verdade. – Minha mãe quer que a Tricia venha jantar, só to aqui pra buscar ela.

            Tricia soltou um grunhido irritado, antes de lançar um olhar pedinte ao irmão. – Ah cara... Ta quase acabando! Você não pode esperar acabar? Ainda nem chegou a parte em que vocês se pegam!

- E-Estamos na história? – Tweek disse em meio a um espasmo enquanto Craig erguia uma sobrancelha confusa. O loiro lançou um olhar em direção ao namorado como se silenciosamente pedisse para que eles ficassem também, o que fez Craig bufar, aceitando.

- Tudo bem... Mas só um pouquinho, ou a mãe vai me matar. – os dois desceram o resto das escadas se acomodando perto dos outros enquanto Cartman semicerrava os olhos em direção ao casal.

- Muito bem... ONDE eu estava...?

- Clyde derrubou tile na cabeça do Kyle? – Stan disse com a cabeça apoiada nas mãos, suspirando fundo. Aquilo era bem idiota, mas pelo menos ficar aquecido perto da lareira era melhor que congelar em seu quarto.

- Ah sim, sim... – Cartman consentiu, encontrando-se novamente. – “O fantasma do natal presente, que tinha cara de um idiota perdedor chamado Clyde, apanhou Kahl Scrooge e o colocou em seu ombro levando-o pelas ruas geladas da cidade até eles pararem em uma pequena cabana do gueto...”

******

- Espírito, por que me trouxe a esta velha cabana? – Clyde usou seu dedo para empurrar Kyle em direção a janela.

- Esta é a casa de seu empregado explorado e mal pago, Kenny Mccormick. – Kyle piscou, seus olhos ajustando-se a luz quando ele viu Kenny e a família enfeitando a casa para o natal. A mãe de Kenny cozinhava algo, mas quando retirou do forno pequeno e que mal funcionava direito, era um frango minúsculo que mal dava para uma pessoa.

- Ah... Está de brincadeira! Eles com certeza tem mais comida que isso! – Kyle estreitou os olhos vendo um saco enorme em um canto da casa. – Veja! Olhe aquele saco! Certamente tem comida ali!

- Aquela é a sua roupa... – Clyde disse tirando mais um taco do casaco e o mordendo com um sorriso fazendo Kyle se encolher embaraçado.

            A mãe de Kenny colocou o prato de comida na mesa e seu pai e seu irmão se apressaram tomando seu lugares, mas Kenny os interrompeu. – Ei! Ainda não, temos que esperar a pequena Karen, pessoal!

- Eu estou indo, Kenny... Já chego! – Karen apareceu mancando e apoiando-se na muleta de madeira. A locomoção parecia algo difícil para ela, mas ainda sim, a menina tinha um sorriso no rosto. Kenny alegrou-se ao vê-la, correndo na sua direção e a pegando nos braços, fazendo com que ela risse, antes de ser levada até seu lugar. Karen cheirou o ar, suspirando com prazer. – Puxa, olha só quanta coisa gostosa pra comer! Devíamos agradecer o Sr. Kahl Scrooge... Certo, Kenny?

            Kenny pareceu encabulado, especialmente ao ver a expressão de desgosto na cara do resto de sua família, mas ainda sim ele acariciou a cabeça de Karen e concordou. – Espírito... O que há de errado com essa menina? – Kyle perguntou observando tudo da janela, sentindo-se muito mal de repente.

- Muita coisa, na verdade... – a mãe de Kenny fazia o possível para que houvesse o mínimo de comida no prato de todos, mas deixava a parte com mais carne para Karen, embora ele insistisse em dividir, o que parecia quebrar o coração de Kenny. – Se essa situação não mudar... Eu vejo uma cadeira vazia em breve onde a pequena Karen se senta.

- Não... Espere... Isso quer dizer que... Karen vai... – Kahl Scrooge subitamente se viu no escuro. Toda a cena desaparecera e ele não fazia ideia da onde estava. – P-Pra onde foram eles? Espírito? Fantasma do natal presente...? CLYDE?!

            “Quando algum tipo de luz voltou, o judeu sovina viu-se em um cemitério, mas antes que pudesse gritar por ajuda outra vez, uma nuvem de fumaça bateu em seu rosto, fazendo-o tossir... E então outra, e mais outra. Kahl Scrooge olhou para cima vendo um homem encapuzado fumando um charuto e assoprando a fumaça na direção dele, coisa que o fez estremecer e dar um passo para trás, tal era a magnitude da figura!” – Q-Quem é você? – “Este homem, que por sinal se parecia muitíssimo comigo, nada respondeu, apenas continuou encarando o judeu”. – V-Você é o fantasma do natal futuro?

******

- Você é o fantasma do natal futuro?! Que porra é essa?! Por que, hein?! – Ike disse interrompendo a história outra vez e cruzando os braços inconformado. – Isso não faz o menor sentido!

- Por que ele é o personagem mais fodão, Ike! E obviamente tem que ser eu? Supera! Pra alguém considerado um prodígio, você ta agindo como um jumento hoje, mini judeu! – Cartman respondeu torcendo o nariz em direção ao garoto, que bufou contrariado.

- E-Eu não vou morrer, vou? – Karen perguntou preocupada e Stan ouvindo a voz dela tão tristonha, sentiu pena como se estivesse diante de um animalzinho perdido e fofo.

- É! Ela não vai morrer, vai?!

- Eu juro por Deus... Se o Tweek e o Craig não se pegarem até o fim dessa história eu... – Tricia começou, mas então Cartman se levantou, perdendo a paciência.

- VOCÊ TODOS VÃO MORRER SE ME INTERROMPEREM DE NOVO! EU QUERO TERMINAR A HISTÓRIA, CARALHO! – todos ficaram estáticos, antes de Cartman respirar fundo e se sentar na poltrona novamente. – Certo... Vamos tentar de novo. “Este homem, que por sinal se parecia muitíssimo comigo, superem, nada respondeu, apenas continuou encarando o judeu. V-Você é o fantasma do natal futuro?, disse Kahl Scrooge”.

******

            O ser encapuzado consentiu suavemente, ainda sem dizer uma palavra, fazendo com que Kahl Scrooge ficasse com as pernas bambas e engolisse a seco. – Por favor... Fale comigo! Precisa me contar o que vai acontecer com a pequena Karen. – Cartman sorriu maquiavelicamente antes de apontar para uma colina no alto do cemitério. Próximo a uma cova, estava a família de Kenny, desolada, mas não mais do que o próprio rapaz que estava ajoelhado em frente ao túmulo da irmã, segurando a muleta de madeira nas mãos. – Oh não... – Kenny fungou, antes de cair no choro. – Espírito! Eu não queria que isso acontecesse! Diga-me que isso ainda pode ser mudado!

            O fantasma do natal futuro deu de ombros, dando mais uma tragada no charuto, antes dos dois ouvirem duas vozes à distância, de dois coveiros, que eram idênticos a Bill e Fosse, conversando. Eles jogavam terra por cima de uma cova ainda aberta enquanto conversavam. – Dá pra acreditar nisso? Hehe... Nunca vi um enterro assim... Sem ninguém pra visitar. Muito gay.

- Gay pra caralho! Nenhum parente ou amigo pra se despedir... Esse deve ter sido um infeliz. – disse o segundo coveiro, pegando um relógio de bolso e checando a hora. – Vamos fazer uma pausa... Ele não vai a nenhum lugar mesmo hehehe.

            Kahl Scrooge se aproximou assim que eles se afastaram, olhando dentro da cova, mas não vendo ninguém. – Espírito...? De quem é este túmulo? – Cartman usou um fósforo, o acendendo na sepultura e iluminando o nome que estava gravado ali. “Kyle Broflovski Scrooge”.

- É SUA, KAHL! – o judeu soltou um suspiro exasperado ao ver aquilo, antes de Cartman o empurrá-lo cova abaixo. – O HOMEM MAIS RICO DO CEMITÉRIO! – Cartman gargalhava enquanto assistia a terra engolir Kyle por completo, que berrava e pedia perdão aos prantos.

- POR FAVOR! DEIXE-ME SAIR DAQUI! EU VOU MUDAR! DEIXAREI DE SER JUDEU! EU PROMETO! – Kyle esperneava, sacudindo-se como se tentasse se desprender de algo. Fechou os olhos esperando o pior enquanto a risada de Cartman ecoava por seus ouvidos, mas então... Tudo parou. Ele abriu os olhos e se viu no chão de seu quarto, enroscado nas cobertas, como se tivesse simplesmente caído da cama. – Ora... Mas o que...? – estava de dia. Manhã de natal, mais precisamente. – E-Eu não perdi o natal?! – ele correu até a janela ouvindo os sinos da igreja tocarem, enquanto um sorriso se formava em seu rosto. – Eu já sei o que vou fazer!

            Kyle colocou um casaco por cima do pijama, apanhou algumas coisas e saiu correndo pela cidade, onde crianças brincavam de jogar neve umas nas outras e estreiavam seus brinquedos novos. De repente, ele se deparou com Tweek e Craig de mãos dadas, enquanto o loiro erguia um visgo natalino acima da cabeça dos dois, fazendo Craig corar intensamente, antes de serem interrompidos por Kyle. – Sr. Scrooge! B-Bom dia! – Tweek disse escondendo a planta.

- Bom dia, cavalheiros! Tenho algo para vocês! – e então lhe entregou um saquinho com 20 moedas de ouro, deixando os dois perplexos.

- M-Mas... O que é tudo isso?

- Para os pobres, lembram-se? Por quê? Não é o suficiente? – Kyle disse coçando a cabeça e lhes entregando mais dois saquinhos com a mesma quantia. – Aqui. Vocês são bons negociadores... Agora preciso ir. Espero que isso ajude!

- A-Ajuda sim! Obrigada Kahl Scrooge! E um feliz natal!

            Após isso, Kahl Scrooge passou em uma loja de brinquedos, porém na saída, se deparou com seu amigo, o Sr. Butters Stotch, que estava com sacolas de compras, preparando-se para a ceia de natal naquela noite. – Butters! – o rapaz piscou, abrindo um meio sorriso. – Só quero te dizer que estou ansioso para sua ceia de natal esta noite.

- E-Espera ai... Quer dizer que você vai? P-Pensei que você tivesse dito que judeus não podem comemorar o natal...

- Eu disse! Acontece que eu não sou mais judeu, meu caro Butters! Eu mudei! – Kyle jogou as mãos ao alto sentindo-se leve. – Pode me aguardar lá!

- Eu irei! Um natal muito feliz pra você, Kahl Scrooge! – Butters disse acenando vendo seu amigo se afastar pelas ruas com aquele enorme saco pendurado nas costas.

******

- Ahem... – Kyle fez um som do fundo da garganta interrompendo a história enquanto encarava Cartman com uma expressão entediada no rosto. – Que caralhos você ta fazendo?

- Contando uma história estúpida! – Ike disse bufando em direção ao gordo.

- Ike, eu juro por Deus... A minha história estúpida é o que permite que você segure a mãozinha da sua namorada sem o Kenny te comer na porrada! – Cartman disse entre os dentes apontando para as mãos de Ike e Karen juntas. – Então cala a boca!

            Kyle estapeou o próprio rosto, impaciente. – Cartman... – entretanto, foi interrompido quando Craig se virou para ele subitamente.

- Ei, babaca! Espera ele acabar!

******

            Em seguida, Kahl Scrooge bateu na porta de Kenny, forçando-se a fazer uma cara irritada enquanto esperava que ele abrisse. Quando seu empregado abriu, hesitou, sentindo-se um pouco confuso. – Sr. Kahl Scrooge? O-Olá... Feliz natal? – Kyle o empurrou para o lado, entrando na casa com passos pesados. – Você não quer entrar...?

            A família de Kenny estava reunida perto da árvore pequena e mal-acabada, e Karen curvou a cabeça ao finalmente conhecer o chefe de seu irmão. – Feliz natal? Eu vim aqui trazer mais roupa pra você lavar! – ele disse soltando o saco no chão.

- Mas patrão... É dia de natal... Eu estou com...

- Isso é só uma desculpa para vagabundagem! – Kyle cruzou os braços como se aquilo fosse inaceitável, não notando Karen se aproximando e olhando dentro do saco. – E outra coisa, Kenny! Estou farto dessa coisa de meio dia de folga! Não me deixa outra alternativa...! – Kenny tremeu vendo Kyle erguer-se para cima dele nervoso, mas então o ruivo abriu um sorriso. – A não ser tornar você meu sócio.

- S-Sócio?! – Kenny disse antes de se inclinar ao ouvir o riso de Karen atrás dos dois.

- Veja, Kenny! Brinquedos! – Karen disse erguendo uma boneca e então um frango congelado que alimentaria o dobro de pessoas que se encontravam ali. – E olha só quanta comida!

- Sr. Scrooge... Eu... – Kenny não podia acreditar no que estava acontecendo, então apenas sorriu emocionado. – Obrigado!

- Feliz natal, Kenny. – Kyle disse tocando o ombro de seu novo sócio, mas seus olhos se arregalaram quando ele sentiu Karen o abraçando apertado, largando sua muleta para que pudesse fazê-lo melhor.

- Feliz natal, Sr. Kahl Scrooge! E que Deus abençoe a todos nós! – Kyle segurou uma lágrima e...

******

- ISSO FOI TÃO FOFO! – Stan disse segurando-se para não chorar, enquanto Karen sorria e acariciava a mão dele, concordando. – Droga, Karen, você é a melhor personagem!

            Kyle rolou os olhos, antes de fechá-los. – De novo, bundão? O “Como Kahl roubou o natal” de dois anos atrás não foi o bastante? – Cartman olhava para Kyle com um sorriso afetado. – Você é um idiota... Vamos Ike... Mamãe mandou te buscar. – o garoto se levantou mostrando um dedo do meio para Cartman antes de ameaçar seguir o irmão. – Quantas vezes já te disse pra ficar longe dele, Ike?

- Você já vai, mini judeu? Ainda não acabou... – Ike se virou curioso. O que ele queria dizer? Scrooge tinha se arrependido... A história deveria ter acabado. Ele conhecia “Um Conto de Natal” muito bem.

- Acho bom! Por que essa sua cena do visgo foi muito ruim! Como assim eles foram interrompidos?! – Tricia berrou apontando para seu irmão, que suspirou fundo, e Tweek.

- Permitam-me... “Kahl segurou uma lágrima e aquele foi o melhor natal de sua vida. Todos estavam bem. Os voluntários se casaram...” – Cartman apontou para um desenho de Tweek e Craig vestidos como noivas se beijando. – “Butters teve sua ceia de natal, Kenny se tornou sócio da loja e Karen viveu feliz para sempre. Tudo estava perfeito, menos para Kahl Scrooge, que mesmo depois de se arrepender, morreu de câncer no cu. Fim” – ele sorriu apontando para o último desenho de Kahl Scrooge morto com um cu inflamado. – Agora acabou!

            Tricia berrou batendo palmas vendo o desenho de Tweek e Craig se casando, enquanto Stan e o resto dos que estavam ouvindo permaneceram estáticos sem reação, mas então se viraram para Kyle, cujo rosto estava vermelho de ódio. – Eu odeio você.

- O sentimento é mútuo, Kahl. Eu desejaria um feliz natal pra você... Mas diferentemente da minha história, você ainda é judeu miserável, então... – Cartman fechou o livro, levantando-se da poltrona, sentindo-se pleno e satisfeito, especialmente porque Kyle estava lá para ouvir o final. Porém, toda sua alegria foi cortada, quando o ruivo pronunciou as palavras seguintes.

- Ainda não é natal, Cartman... Mas você sabe que dia é hoje? – os olhos de gordo se arregalaram. – A quanto tempo você ficou aqui contando a sua fanfic idiota pra me zoar por ser judeu no natal? Aposto que a Heidi deve estar bem puta que você deixou ela no frio esperando...

            Heidi. Ela ia voltar mais cedo... Já era mais cedo! Como ele tinha esquecido?! Seus pais iam passar o natal com a avó, mas Heidi tinha pedido para passar seu último natal no ensino médio com seus amigos e por isso voltaria de ônibus um dia antes e Cartman deveria buscá-la na rodoviária. Ele se virou vendo todos o observando sem expressão, exceto por Kyle que sorria maldosamente. – AH PUTA MERDA! – Cartman largou o livro, subindo as escadas e dando o fora da casa de Stan.

            Kyle piscou aborrecido vendo-o desaparecer dali, enquanto os outros se levantavam e Stan parava ao seu lado dando de ombros. Craig apanhou suas coisas pronto para ir embora com Tweek e a irmã, mas antes mostrou um dedo do meio para Kyle. – Você morreu de câncer no cu... Que final mais idiota. – Kyle olhou para Stan, erguendo uma sobrancelha sem saber o que dizer.

 

            Cartman dirigiu o mais rápido que pode até a rodoviária central, nos limites da cidade. Caia bastante neve do lado de fora e o frio estava mesmo de matar, o que não devia ser a única coisa considerando que Heidi devia estar no mínimo duas horas esperando por ele. – Ah buceta! Como é que eu fui esquecer?! – ele parou o carro e correu até as estações, mas parou quando viu, há mais de dez metros, Heidi olhando para ele, pálida de tanto frio, como se estivesse possuída por um demônio. – Oh oh...

- Eric. Theodore. Cartman. – Heidi disse e embora ele estivesse longe, Cartman conseguiu ler as palavras saindo de sua boca lentamente, antes dela berrar. – EU VOU MATAR VOCÊ! – ele engoliu a seco, vendo as pessoas se afastarem dela assustados e então tomou coragem para se aproximar.

- O-Oi Boo... Que frio, né? V-Você quer por a minha blusa? – Heidi continuou o encarando sem dizer nada. – Feliz natal? – ela abriu a boca prestes a gritar, quando ele a puxou para mais perto, a abraçando e cobrindo sua cabeça para impedi-la. – Me atrasei, né...? Foi mal... Mas eu tenho uma ótima história sobre isso. Que tal eu te contar na volta pra casa, hein?

(“God Bless Us Everyone” do Andrea Bocelli tocando conforme um “Fim” aparece)


Notas Finais


Espero que tenham gostado e logo estarei postando mais capítulos :)
O AU pertence exclusivamente a mim (Maitê Malvasi) e minha amiga (Mariana Vasconcelos), não compartilhem sem dar os créditos! Obrigada desde já!
E caso queira acompanhar todo o projeto na integra, segue lá no insta @jukeboxnerdy e no Tumblr www.friendlyfaceseverywhere-sp.tumblr.com


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