1. Spirit Fanfics >
  2. South Park High >
  3. Um Homem do Espaço

História South Park High - Capítulo 67


Escrita por:


Notas do Autor


O último projeto em duplas da escola começa, porém, o pior pesadelo de qualquer aluno é anunciado: O professor irá escolher as duplas! Ao mesmo tempo, Tweek e Craig discutem sobre o futuro, o espaço sideral e o que deverá existir entre eles caso Craig decida seguir em frente com seus sonhos.

"A Rocketman" (obviamente baseado na música do SIR ELTON JOHN kkkkk) é o último capítulo com um plot em destaque pra Creek. Eu queria ter postado esse cap antes pelo Pride Month, desculpem pelo atraso, mas saiu!! Hahaha Espero que gostem muito, se emocionem, deem uma risadas, e deixem seu comentário caso se sintam confortáveis!! Temos só mais alguns capítulos pela frente, mas eu espero surpreendê-los até o final! Beijão pessoal de SP!!

Capítulo 67 - Um Homem do Espaço


Fanfic / Fanfiction South Park High - Capítulo 67 - Um Homem do Espaço

Era mais um dia comum na escola. O Sr. Nipples escrevia suas orientações na lousa, a maioria dos alunos não estava nem ai e alguns poucos, como Wendy e Kyle tentavam prestar atenção, o que, para o ruivo, estava sendo um desafio, uma vez que a cada 10 segundos, ele sentia uma maldita bolinha de papel no seu pescoço. Ele grunhiu, olhando para trás, apenas para ver Cartman, com um canudinho na boca e papeizinhos amassados espalhados pela mesa que ele ainda pretendia atirar em Kyle. Kenny estava ao lado dele, rindo um pouco, conforme o gordo sorria afetado.

- Será que dá pra você parar? – ele disse num sussurro, mas Cartman deu de ombros, fingindo-se de inocente.

- Parar com o quê, Kahl? Eu não to fazendo nada... – ele respondeu ao mesmo tempo que Stan se virava para olhar para ele também, suspirando fundo com um olhar entediado.

- Tá sim! Agora para com isso ou eu... – Kyle começou dizendo, mas foi cortado quando recebeu mais uma bolinha de papel, mas dessa vez no rosto, que ficou vermelho de raiva vendo Cartman e Kenny rindo como dois idiotas. Ele se virou preparando-se para erguer a mão, quando Cartman o interviu.

- Ta! Tudo bem, parei... Como você é chato, cara! – o gordo soltou o canudinho na mesa e cruzou os braços. – E dedo-duro também! Quantos anos você tem, hein, Kahl? Não sabe resolver as coisas conversando?! – Kyle piscou desconcertado. Ele realmente estava sendo chamado de imaturo por um cara que atirava bolinhas de papel na sala de aula? Que ridículo. Kyle rolou os olhos e voltou a copiar a lousa, quando Stan se inclinou um pouco na direção dele.

- Calma, respira... – ele disse com vontade de rir, sabendo que seu melhor amigo geralmente era uma pessoa controlada, a não ser quando se tratava de Cartman. – Parece que vamos ter um projeto, hein? Porque não pensa nisso? Eu e você vamos arrasar e os dois jumentos, não.

            Kyle ergueu a cabeça ao ouvir aquilo e olhou para Stan, perplexo, antes de soltar um risinho escrachado. – Como você é idiota...

- É, e é por isso que o meu melhor amigo é o cara mais inteligente da sala. Pra compensar, entende? – Stan brincou para animá-lo, o que por um momento pareceu ter dado certo, porque Kyle riu e socou o braço dele. Ele não gostava de tarefas de casa, mas ele não ia mentir que trabalhos em dupla eram menos incômodos, uma vez que ele podia fazer com Kyle. Entretanto, o judeu parou de rir quando sentiu outra bolinha no seu pescoço.

- MERDA, CARTM...! – ele se virou num rosnado apenas para ver Cartman apoiado em sua cadeira e Kenny com o canudo na boca, sorrindo nervosamente e acenando.

- Desculpa, eu queria ver como era... Hehe... – Stan e Kyle se entreolharam, quando a voz do Sr. Nipples chamou a atenção de todos até a frente da sala de aula para que ele pudesse explicar o objetivo dos experimentos que eles teriam que realizar.

- Meus garotos... – o tom do professor era quase emotivo, o que fez todos ficarem um pouco confusos. – Este será o nosso último projeto juntos. Não é comovente? – Cartman ergueu sua mão rapidamente como se precisasse dizer algo. – Uh... Sim, Sr. Cartman?

- Não. Não é não. – ele respondeu, fazendo seus colegas rirem um pouco e o professor bufar, consertando seus óculos e recompondo-se.

- Foi uma pergunta retórica, Eric... Ainda sim, quero que saibam que foi um prazer, na maioria das vezes pelo menos... – ele reforçou com um sorriso nervoso olhando de relance para Cartman e Kenny. – Ensinar ciências da natureza para vocês. – alguns alunos se entreolharam e sorriram, antes de professor bater uma palma, para que não ficasse sentimental demais. – Muito bem! Assim que as duplas estiverem formadas, um de vocês colocará a mão nesse saco do saber...! – Nipples revelou um saquinho com algo que eles não podiam enxergar dentro. – E poderão ter a chance de fazer o trabalho em uma das grandes três ciências: Fisica, Quimica ou Biologia.

- Ei galera, qual de vocês vai dar uma pegadinha no saco do saber do Nipples? – Cartman disse inclinando-se para frente, olhando para Stan e Kyle que rolaram os olhos, ainda que rissem um pouco, juntamente com o resto das fileiras que ria também, até que o professor pigarreou alto, alertando-os.

- Eu vou selecionar as duplas. – Nipples disse, virando-se de costas e pegando a lista de chamada e uma caneta para anotar os nomes na lousa.

            Porém, Stan e Kyle arregalaram os olhos ao descobrir aquilo. – Uh... S-Separar as duplas... Como assim separar as duplas, Sr. Nipples? - Stan perguntou com um riso nervoso, fazendo o professor se virar para encará-lo novamente.

- Sr. Marsh, um dos objetivos desse projeto é vocês trabalharem juntos. A escola está chegando ao fim, então porque não variamos um pouco as duplas? Tentamos nos sair bem com outras pessoas com as quais não estamos acostumados trabalhar? – e então ele se virou novamente, anotando os nomes na lousa, enquanto Stan mordia o lábio nervosamente.

- Puta merda! Por favor, me coloque com o Kyle ou com a Wendy. Me coloque com o Kyle ou com a Wendy... – ele juntou as mãos em sinal de prece, enquanto Kyle olhava para ele aflito.

- ...Stanley... Vai com o Kenny... – Nipples disse colocando seus nomes juntos e então o moreno abriu os olhos, engolindo a seco, antes de virar-se para encarar o amigo com o rosto apreensivo. Kenny sorriu e acenou para Stan, que retribuiu com um sorriso nervoso.

- Ótimo... Eu vou bombar nessa matéria...

- Wendy... Com o Clyde...

- QUÊ?! – a menina gritou inconformada.

- Yes! – por outro lado, Clyde festejou, já que com certeza ia acabar tirando uma boa nota.

            O professor continuou juntando as duplas aleatoriamente. Alguns por sorte acabavam caindo com amigos próximos, mas a maioria, não. Este não era o problema. Kyle estava começando a ficar preocupado, porque sobravam cada vez menos nomes na lista de Nipples e o seu ainda não tinha sido escolhido... Nem o de... – Kyle, você vai com o Eric. – os olhos de Kyle se arregalaram quando ele disse o que tanto temia.

            Cartman estava rindo com Kenny de alguma coisa idiota, mas parou quando ouviu aquilo, erguendo uma sobrancelha confusa. – Espera ai... O que? – ele disse antes de esbugalhar os olhos vendo seu nome perto do de Kyle na lousa. Em seguida, os dois se encararam angustiados. Não era como se eles nunca tivessem feito um trabalho de escola juntos, mas Stan e Kenny sempre estavam no grupo para segurá-los nos momentos em que as discussões chegavam ao ponto deles se socarem e, até mesmo, tentarem destruir todo o trabalho no outro. Mas só os dois? Sozinhos? Aquilo ia dar merda... – Oh... Puta...

- Merda...! – Kyle completou.

- E o Tweek vai com o Craig! – o professor anunciou a última dupla com um sorriso.

- Ei! Por que caralhos os dois vão juntos? Pensei que a proposta fosse “trabalhar com pessoas que não estamos acostumados”! – Stan disse já irritado com aquele trabalho idiota.

- Ora, Stanley... Porque eles são fofos! – o professor respondeu como se não fosse óbvio, fazendo Stan virar-se para os dois com um olhar de desaprovação, mas Craig apenas mostrou seu dedo do meio ao mesmo tempo que mascava um chiclete debochadamente.

- Dá pra acreditar nisso, Kyle? – seu amigo não respondeu. Stan ergueu uma sobrancelha, virando-se para ele, apenas para ver que ele parecia nervoso com tudo aquilo. O moreno tentou sacudir uma mão na frente dele para ver se seu amigo tinha alguma reação, mas nada. – Kyle...?

 

- Porque estamos aqui? Já passou da minha hora de vazar dessa porra... – Cartman disse com os braços cruzados, enquanto Kyle suspirou fundo. Stan e Kenny também estavam lá, mas apenas porque eles acabaram tirando o mesmo projeto que seus amigos. A tarefa de biologia consistia em pegar um rato no laboratório da escola e levá-lo para casa para testá-lo por dias, checando sua coordenação motora e rapidez quando exposto a diferentes substâncias como água, refrigerante, café, etc...

- Nós temos que alugar o rato por uns dias, você não ouviu, não? – Kyle disse rolando os olhos. Aquilo mal tinha começado e ele já desejava que pudesse alterar o passado e ter caído com qualquer outra pessoa que não fosse Cartman. Merda, ele preferia até mesmo ter sido colocado com Clyde, que era o cara mais burro da sala, mas pelo menos não ficava enchendo o saco.

- Que rato?! – Cartman perguntou e Stan e Kenny se entreolharam confusos.

- Uh... Cara, o rato que precisamos usar nos testes. – Cartman ergueu uma sobrancelha, confuso. – Deus, cara, você realmente não presta atenção nas aulas, né?

- A voz do Nipples me irrita. Além do mais, o Kahl é a minha dupla e o Einstein aqui deve ter prestado atenção, então... Porque eu deveria? – ele disse dando de ombros conforme eles entravam no laboratório e Kyle suspirava fundo. Entretanto, quando a monitora do laboratório, colocou as gaiolas com os ratinhos para que eles pudessem escolher um, instantaneamente, Stan e Cartman guincharam correndo até lá e olhando para os pequenos animais com os corações derretidos. – Cara...!

- Eles são tão bonitinhos! – Stan disse fazendo Kyle estapear o próprio rosto e Kenny rir um pouco. – Saca só esse aqui! Olha só como ele bebe água, Kenny! – os olhos de Stan brilhavam vendo o pequeno ratinho branco bebendo água. – Nós vamos pegar esse aqui! – a monitora sorriu assinando a documentação de retirada do laboratório e entregando a gaiola a Stan. – Até mais, gente! – Stan estava tão feliz com o bicho que acabou esquecendo que sua dupla não era Kyle, que andou até Cartman que observava os outros três ratos disponíveis.

- Certo, Cartman. Escolhe um e vamos dar o fora daqui... – o gordo o ignorou assistindo os ratos se moverem por suas jaulas até que percebeu que um deles parou e ficou olhando para ele por um longo tempo, mexendo o nariz rosado curioso, como se tivesse desenvolvido uma espécie de conexão e... – Cartm...

- ESSE! – ele apontou rapidamente para o que olhava para ele. – Temos que levar esse, Kahl! – Kyle hesitou por um segundo antes de entregar o formulário para a monitora para que eles pudessem levar o rato embora.

 

            Tweek estava sentado na cama observando Craig espalhar os objetos que tinha coletado para a construção do foguete de garrafa PET pelo chão do quarto. Os dois tinham tirado o projeto de física e o loiro podia imaginar o quão animado seu namorado devia estar quando leram o cartão com as instruções de Nipples. – Acho que nunca te vi tão empolgado com a lição de casa... – Tweek disse bebericando seu café, quando Craig piscou se virando e abrindo um sorriso embaraçado.

- Uh... Bem, você sabe o quanto eu gosto dessas coisas, baby... – Tweek sorriu vendo o quanto ele estava sendo adorável. Craig se levantou e se sentou ao lado dele na cama. – Eu pensei que podemos decorá-lo com todas as coisas que gostamos. Talvez vestir o Stripe com a roupinha de astronauta e tirar umas fotos?

- Stripe tem uma roupa de astronauta? – Craig riu dando de ombros. – Cara, você é um bobão haha! – o moreno corou, desviando o olhar, mas então Tweek o cutucou com braço sutilmente. – Mas isso só faz com que eu... Q-Queira ficar mais perto de você. – Craig piscou e Tweek sorriu de uma forma fofa que fez com que ele tivesse vontade de suspirar. – Tenho certeza que esse vai ser o melhor foguete que o Sr. Nipples já viu!

- Ah pode apostar! Eu já consegui todas as coisas! Menos os esparadrapos... Pensei que você pudesse ter. – Craig deu de ombros, erguendo os canos que ele tinha comprado numa loja de utilidades antes de encontrar-se com Tweek para começar, orgulhoso. – E algumas tintas também? Você pinta por causa da terapia, né?

- É... Às vezes, Craig... – Tweek respondeu sorrindo enquanto o contemplava alegre por conta do projeto. Puxa, como ele o amava. Tweek nunca pensou que fosse capaz de se apaixonar tanto por Craig, ainda mais considerando como, no inicio, eles apenas fingiam estar em um relacionamento para agradar os cidadãos de South Park. Agora, lá estava ele o admirando enquanto mantinha o café quentinho próximo aos lábios para justificar o rubor em suas bochechas. Ele se lembrava como se fosse ontem quando seu pequeno teatrinho tinha se tornado um pouco mais... Verdadeiro.

(Flashback On – 6 anos atrás)

- Viu só?! Não é o máximo?! – Craig disse com os punhos cerrados de tanta felicidade vendo o rosto de Tweek pressionado contra o visor do telescópio que ele tinha ganhado de natal. – Ainda não acredito que o papai realmente me deu um desses, cara! Não é uma beleza?

            Tweek sorriu afastando-se depois de observar um pouco as estrelas, virando-se para Craig, com quem estava “namorando” há quase dois anos agora. Era estranho chamar aquilo de fingimento ainda, depois de tanto tempo. Ainda mais porque, mesmo quando estavam sozinhos, os dois continuavam, talvez por força do hábito, agindo como se estivessem rodeados por toda cidade. Chamando-se por apelidos fofos, segurando as mãos, coisas desse tipo, o que deixava Tweek extremamente confuso. Ele gostava de Craig... Se sentia melhor perto do rapaz e quando ele sorria, como estava fazendo no momento, olhando para o céu estrelado, seu coração batia mais forte. – É... Uma beleza...

            Os lábios de Tweek se contorceram em um sorriso apaixonado, quando Craig olhou para ele. – Uh... Tudo bem? – os olhos de Tweek se arregalaram, antes dele desviar-se do namorado, tendo um espasmo nervoso.

- T-Tudo... – mas de repente, não estava. Naquela noite gelada de inverno, abaixo das estrelas, observando o céu pelo telescópio novo de Craig, Tweek percebeu uma coisa. Aquela sensação do coração bater mais forte e do furacão que parecia acontecer no seu estômago, era como se uma pequena versão do big bang explodisse dentro dele toda vez que Craig chegava um pouco perto demais. Ele tinha uma queda pelo seu namorado de mentira? Isso era estranho... – E-Eu acho que preciso de c-café...

- Tem certeza de que você ta bem? Você pode me contar o que quer que se... – o moreno começou, ameaçando tocar o ombro dele. Depois de quase dois anos, ele sabia bem que às vezes Tweek precisava de um empurrãozinho para se soltar, parecido com o que ele precisava para se comunicar como um ser humano normal. Entretanto, antes que acabasse, Tweek o cortou.

- Nós ainda estamos fingindo, Craig...? – ele disse, corando um pouco, sem olhar nos olhos do garoto, que engoliu a seco instantaneamente ouvindo aquilo. – P-Porque... Eu meio que acho que gosto de você... De verdade... – Tweek notou que Craig não disse nada, o que o incentivou a levantar a cabeça confuso, apenas para encontrá-lo, corando o dobro, com as mãos nos bolsos. – C-Craig...?

- Eu... Eu também gosto de você de verdade. – mesmo que ele tivesse dito baixo, o que não colaborava com sua voz que já era pra dentro, Tweek pode escutá-lo. – Acho que isso nos torna gays, huh? – pelo menos eles não teriam que se assumir para seus amigos, uma vez que todos já achavam que eles eram mesmo. Tweek olhava para ele, piscando sem poder acreditar que ele também sentia-se daquele jeito. Subitamente, o loiro sorriu e apanhou a mão dele.

- É... Somos bem gays. – Craig esbugalhou os olhos e seus lábios tremeram um pouco conforme ele olhava para suas mãos entrelaçadas. – Se... Somos um casal de verdade... A gente devia... Fazer como os outros casais? – Tweek estremeceu, em meio a um tique nervoso que ele tentava ao máximo controlar para ajudar Craig naquele momento.

- Fazer como outros... Espera ai, você quer dizer, beijar?! – os olhos sutilmente diferentes de Tweek se arregalaram mais uma vez ouvindo o tom de Craig. Ele afastou sua mão, envergonhado, mas então o moreno mordeu o lábio, criando coragem e a apanhando mais uma vez. – Uh... Olha... Se nós vamos mesmo seguir em frente pra valer com isso, Tweek... Mesmo que os outros nunca saibam que existiu um momento em que não foi verdade... Nós devíamos... – Craig coçou sua nuca encabulado. – Quer dizer... Você quer?

- Nnnnhggg... Q-QUERO!

- Merda, eu também quero...

            Os dois desviaram o olhar um do outro um pouco confusos e muito nervosos com aquilo. – E-Eu só preciso de um segundo... Eu não quero ter um ataque de pânico enquanto faço isso... É a minha primeira vez... – Craig soltou uma pequena concordância, mas não disse mais nada. Não ia ser a sua primeira vez. Ele tinha dado um selinho em Annie Knitts há alguns anos, bem antes dos boatos com Tweek começarem. Mas era a primeira vez que ele de fato queria beijar alguém. – C-Certo... Acho que estou bem...

            Craig se virou e encontrou Tweek com os olhos fechados fazendo um bico como se estivesse segurando o ar debaixo da água, o que fez ele sentir vontade de rir por um momento, mas sabia que se o fizesse, tudo iria pelo ralo. Craig mordeu o lábio se inclinando para baixo, fechando os olhos e o encostando nos de Tweek sutilmente e foi como se anjos cantassem sobre eles, a noite se enchesse de cor e aquele frio passasse no mesmo segundo. Quando se afastaram, nenhum dos dois podia acreditar. – W-Wow... Isso foi...

- Bom... – a boca de Tweek tremeu antes de se curvar, nervosamente, em um meio sorriso. – N-Não é...?

- É! F-Foi bom... – silêncio constrangedor. Craig colocou as mãos atrás das costas e se balançou suavemente para frente e para trás. – Então...

- Acho que vou indo! – Tweek disse pegando suas coisas e rapidamente se afastando dali, mas então Craig piscou, percebendo que não podia deixar algo tão perfeito acabar daquele jeito.

- Ei Tweek! Espera! – ele disse correndo até o namorado, apanhando sua mão e dando-lhe um beijinho na bochecha. – A gente pode... Fazer isso uma outra hora de novo... Se você quiser, é claro...

            Tweek sorriu, antes de concordar, envergonhado. – E-Eu gostaria disso, C-Craig... – e a partir daquele dia, Tweek e Craig tornaram-se um casal 100% real.

(Flashback Off)

- Tweek...? – o loiro piscou sendo sugado de volta à realidade, olhando para Craig a sua frente. – Cara, você ta me ouvindo?

- Uh? O que...? CRAIG! GAH! – ele estremeceu, tendo seus tiques acentuados com o susto logo em seguida. – O-O que foi?

- Perguntei se pode me passar a cola... – os dois estavam sentados no quintal, construindo o foguete. Como tinham chegado ali? Ele estava viajando nas suas lembranças durante todo esse tempo? Craig usava a cola no foguete, antes de sorrir, um pouco orgulhoso. – Ah, isso ta ficando bom... Acha que eu vou pilotar um desses daqui a alguns anos, querido? Quero dizer, um de verdade, é claro...

            Tweek piscou ouvindo aquela pergunta, acalmando-se de repente. – Aqui, deixa eu te ajudar... – o loiro disse apanhando a cola e com toda a firmeza do mundo, por incrível que fosse, vindo dele, colou a asa traseira do foguete. – Primeiro, vamos ver se esse troço vai voar... Eu não quero que você pilote um foguete que exploda do nada haha... – os dois riram, antes de Tweek se inclinar sobre Craig. – Falando sobre o futuro... E-Eu to tão animado pro próximo final de semana!

- Oh... – Craig disse, vacilando. O próximo final de semana era a visita ao campus da Universidade do Colorado. Naquela época do ano, grandes faculdades tinham o costume de abrir as portas durante um final de semana inteiro para que estudantes pré-vestibulandos tivessem acesso a palestras informativas sobre o local, conhecessem melhor as oportunidades de ingresso, e etc e as escolas próximas costumavam levar seus alunos. – É... Claro.

            Tweek curvou a cabeça, desvencilhando-se do namorado. – Você hesitou.

- Não... Eu... Não hesitei.

- Sim, cara... E hesitou de novo agora. – o loiro não tinha gostado nada daquilo, subitamente cruzando os braços. – O que foi? V-Você não quer ir?

- Não é que eu não queira ir, Tweek... – Craig disse olhando para o foguete enquanto esfregava sua nuca nervosamente. – É que eu não vou. – e então ele apanhou um dos canos para continuar construindo seu projeto de escola. – Acho que vou precisar dos esparadrapos agora.

- E-Espera... Como assim, você não vai? – o garoto ergueu uma sobrancelha confusa.

- M-Meu pai conseguiu uma semana de férias no trabalho... E vamos viajar pra California. Ele disse que eu posso aproveitar o final de semana de visitação para conhecer as minhas opções por lá... – o sonho de Craig, desde que ele era um menininho, era ser um astronauta da NASA. Claro, ele não era o maior gênio da Terra, mas Craig Tucker sabia se esforçar quando necessário. – Acho que se eu conhecer melhor, tenho mais chance de conseguir uma vaga no final do semestre.

- Ah... – Tweek sabia de tudo aquilo. Sabia que os planos de Craig eram estudar no Vale do Silicio, conseguir um emprego dentro de um departamento da NASA e, se tudo desse certo, virar astronauta. Existia uma chance de nada daquilo acontecer, mas mesmo assim, Tweek tinha muito medo. Ele podia suportar, com muitos pesares, ficar em um estado diferente de seu namorado... Mas outro planeta?! Ele não sabia se podia aguentar. – M-Mas... – outro detalhe era que a escola chegava ao fim e, caso Craig fosse aprovado, ele iria embora logo. Tweek queria aproveitar ao máximo aqueles últimos meses. – E-Eu pensei que...

            E então ele se calou. Tweek olhou para o chão, desolado, os cabelos loiros cobrindo seus olhos enquanto seu lábio tremia, sem que Craig pudesse enxergar seu rosto. Ele não podia pedir a Craig que largasse o seu sonho por ele... Seria egoísta. Aquela era a vontade dele mesmo antes dos dois... Não. Ele simplesmente não podia. – Tweek...?

- É... V-Vai ser muito bom pra você mesmo, Craig... Eu... – ele levantou a cabeça, tentando sorrir amigavelmente. – Fico feliz que seja por uma boa causa. – Craig não sorriu. Na verdade, ele encolheu os ombros, incerto. Esteve incerto sobre muitas coisas com as quais não dividiu com Tweek desde que o último ano da escola tinha começado. – E-Eu... Acho que estou me sentindo um pouco... Nnngh... Indisposto! P-Podemos terminar isso depois? Você pode trazer o Stripe e aquela roupinha amanhã, o que acha? – Craig concordou com um suspiro antes de pegar suas coisas e se levantar.

- Eu... Te vejo mais tarde, então? – Tweek confirmou ainda com aquele sorriso, mas quando Craig saiu do quintal e fechou a porta, ele deitou na grama, sentindo um tremendo vazio no seu coração. Eles se amavam, podiam sempre contar um com o outro... Mas não tinha como se abrir a ponto de dizer “Eu gostaria que você ficasse”.

 

            Não muito longe dali, Cartman e Kyle estavam no quarto do segundo, que digitava a introdução da experiência científica que precisariam realizar enquanto Cartman ficava brincando com o rato que estava dentro da gaiola. – Quem é a coisa fofa?! É você! Bebezinho fofo do caralho! – Kyle olhou de relance para ele, rolando os olhos.

- Para, você ta soando como um retardado. – Cartman franziu o nariz, olhando para Kyle ofendido. – Você podia me ajudar a pesquisar em vez de ficar ai sem fazer nada...

- Eu não to fazendo nada, Kahl! – Cartman cruzou os braços, antes de erguer a cabeça convencido. – Estou brincando com o Júlio Cheddar, caso você não tenha notado...

            Kyle desviou a cabeça da tela do computador piscando perplexo. – Júlio Cheddar...? – ele perguntou, olhando para o gordo. – Você deu o nome desse rato de Júlio Cheddar. Sério...?!

- Claro, Kahl! Ele é foda, será que você não vê? Eeee... – Cartman apanhou o rato da gaiola rapidamente, colocando uma coroinha de folhas que ele tinha feito de papel na cabeça do animal, antes de colocá-lo em seu ombro. – Ele é o imperador dos ratos!

            Kyle ficou sem reação inicial com aquilo, mas então estapeou o próprio rosto porque aquilo era definitivamente uma das coisas mais idiotas que ele já tinha visto. – Esse rato estúpido nem é seu, saco de banha! – Cartman guinchou ofendido, cobrindo as orelhas do ratinho.

- KAHL! – mas então ele o puxou para perto. – Ele não quis dizer isso, JC... Ele é judeu, não sabe o que faz... – o rosto de Kyle ficou vermelho de repente, vendo como Cartman estava agindo. Ele não ia surtar... Ele não ia surtar... Ele não ia...

- Se você não vai ajudar a escrever o relatório, pode pelo menos montar o labirinto com os legos pra podermos fazer os testes...? – os olhos de Kyle, assim como seus punhos, estavam cerrados, conforme sua voz saia entre os dentes. Cartman, abriu a boca, dizendo um pequeno “Mas...”, antes de Kyle abrir os olhos, furioso. – VAI AGORA ANTES QUE EU DEIXE O SEU BEBÊ ORFÃO! – Cartman engoliu a seco, abrindo um sorriso nervoso, antes de colocar o rato de volta na gaiola e ir construir o labirinto com as peças.

 

- O que precisamos fazer de novo? – Cartman perguntou após colocar a última peça no lugar, deitado no chão do quarto de Kyle com a barriga para cima. Kyle por sua vez, pegou o rato nas mãos e o colocou no inicio do labirinto cuidadosamente, colocando um obstáculo para prendê-lo ali. – Uh... O que se ta fazendo? Assim ele não vai conseguir se mexer, animal!

- Cala boca, bundão. É só até eu ligar o cronômetro. Nas últimas horas, a cobaia não foi exposta a nenhum liquido que não fosse água... Só precisamos fazer ele correr pelo labirinto e chegar até o pedaço de queijo no fim. – Kyle colocou um cubinho de queijo e então se sentou novamente, ajustando o cronômetro. – Vamos fazer isso algumas vezes e estabelecer uma média.

- É só isso? Que trabalho mais merda...

- Essa é só a primeira etapa... – Kyle rolou os olhos. – Amanhã temos que fazer o mesmo com refrigerante e depois com café e comparar os resultados. Pronto?

            Cartman deu de ombros, se preparando para tirar o obstáculo. – Então eu vou ter que ver a sua cara depois da aula por mais três dias? Acabou de ficar ainda mais merda... – a pálpebra de Kyle estremeceu conforme ele acionava o botão e Cartman liberava o ratinho. – Vai Júlio Chedd... WOAH! – ele disse recebendo um caderno bem no meio da cara. – Ei qual é o seu problema?!

- Você é o meu problema! – e então os dois, como sempre faziam, começaram a se xingar de todos os nomes possíveis, cada vez mais próximos de se atacarem, quando ouviram o chiado do rato, fazendo os dois virarem os rostos, apenas para encontrá-lo comendo o pedacinho de queijo no fim do labirinto. Ou eles tinham perdido a noção do tempo no meio dos gritos, ou aquele rato era muito rápido. – W-Wow...

            Cartman cruzou os braços orgulhoso. – Viu? Imperador dos ratos... Quem dera os judeus fossem rápidos assim, né Kahl? Com certeza não teriam tantos mortos... – Kyle virou-se para ele e nem um minuto depois, Cartman sentia a porta da frente da casa dos Broflovski batendo na cara dele. – AH ENTÃO É ASSIM?! EU NUNCA QUIS FAZER ESSE TRABALHO TOSCO COM VOCÊ MESMO, FILHO DA PUTA!

 

            Algumas horas mais tarde, Kyle estava deitado em sua cama lendo um livro tranquilamente. O ratinho do laboratório andava pela gaiola, corria na rodinha e bebia água, o que fez com que o ruivo abaixasse o livro para observá-lo por um segundo. Até que ele era bem bonitinho mesmo. Kyle sempre teve um pouco de inveja, mesmo que ele não admitisse, pelos pais de seus amigos permitirem que eles tivessem bichinhos de estimação. Foi fisgado de seus pensamentos quando seu celular começou a tocar. Cartman.

            Ele não ia atender. Jogou a chamada na caixa postal e então continuou sua leitura, só que Cartman não parava de ligar. Kyle bufou, silenciando o celular e mandando uma mensagem para o gordo. “Para de me ligar, cacete”, e então colocou o celular na cômoda, relaxando outra vez. Cerca de dois minutos depois, Ike entrou no quarto sem bater. – Uh... Kyle? – ele novamente abaixou o livro e encarou o irmão que tinha o celular levantado. – O Cartman pediu pra te dizer que ele quer ver o Júlio... O que isso quer dizer? – Kyle fez uma expressão entediada, antes de dar de ombros.

- Diga que ele só vai vê-lo amanhã... – ele respondeu, mas então piscou tendo uma ideia. – E só se ele for bem gente fina comigo. – Ike ergueu uma sobrancelha e então repetiu o que o irmão disse no celular, que ecoou um grito irritado de Cartman em seguida. Kyle riu um pouco, olhando para a gaiola outra vez.

 

            No dia seguinte, Kyle trocava a água do bebedouro do rato por café para a segunda fase dos experimentos quando, abruptamente, a porta de seu quarto se abriu com um chute. - O que você quer, Cartman? – Kyle disse sem se virar, o que fez o gordo parar se perguntando como ele sabia que era ele.

- Uh... Bem, não importa! O que importa é que você não pode me privar de ver o Júlio Cheddar, Kahl! – Cartman disse apontando acusador para ele, que rolou os olhos, cruzando os braços.

- Você é um péssimo parceiro de trabalho, então sim... Eu posso, sim. Eu prefiro fazer sozinho e garantir que você não vai estragar tudo. – Kyle ouviu o bichinho chiar antes de ir até o seu bebedouro e tomar um pouquinho do café, o que o fez sorrir, achando aquilo muito fofo. Cartman ergueu uma sobrancelha se aproximando. – Inclusive, acho que eu e ele já estamos nos dando muito bem!

- Qual é, ele gosta de mim muito mais do que de você! – o gordo bufou irritado, olhando para o ratinho dentro da gaiola também. – Alias, aposto que ele prefere ficar comigo do que ter que correr por esse seu labirinto idiota, judeu...

- Cartman, ele é um rato... Cada vez que ele corre pelo labirinto ganha um pedaço de queijo, é óbvio o que ele prefere! – Kyle ponderou irritado. – Agora dá o fora da minha casa! Já disse que não quero mais você como minha dupla!

            Cartman piscou ofendido, olhando para o animal e de volta para Kyle, repetindo o movimento algumas vezes. Merda, aquele rato era muito fofo. – Quer saber? Foda-se, se eu fizer tudo direito, podemos dividir ele? Você já ficou com ele, hoje à noite é a minha vez!

- E por que eu faria isso? – Kyle cruzou os braços, não se convencendo de que Cartman faria o trabalho sem incomodá-lo.

- Ora, porque... Porque nós alugamos ele juntos! Eu também tenho direito, quero dizer! Obrigação de cuidar dele... – Kyle ergueu uma sobrancelha, embora ainda estivesse incerto sobre aquilo, mas então Cartman deu de ombros. – Além do mais, você é uma velha chata com coceira na vagina e vai me dedurar pro Nipples se eu não te ajudar em nada. – o judeu riu com escárnio, concordando com a parte de que ele reclamaria com o professor, e então, deixou que ele ajudasse. – Viu só? Eu conheço o seu eleitorado, seu judeu de merda...

- Cala boca... Prepara o labirinto.

Cartman, de fato, tinha conseguido levar Júlio Cheddar para casa naquela noite. Claro que ele teve que revelar para a Sra. Broflovski em determinado momento, quando tinha ido usar o banheiro, que Kyle estava o mantendo em casa e ele sabia muito bem que os pais de Kyle não permitiam bichinhos de estimação. Diferentemente de sua mãe, que assim como ele, os amava e sempre deixava que ele os trouxesse para casa. Liane até mesmo deixou que ele tivesse uma porquinha quando era criança, pelo amor de Deus. Um rato seria fichinha.

            Ele estava cagando no banheiro, quando subitamente ouviu um grito vindo de seu quarto, que o fez rapidamente voltar para o quarto. – M-Mãe?! O que foi? – Liane estava em cima da cama, tremendo, apontando para a gaiola na escrivaninha do filho.

- U-UM RATO!

- Uh... É, um rato...? É o meu projeto da escola. – ele coçou a cabeça, antes de rir um pouco. – Ah nem fodendo! Você tem medo de ratos? Que porra, mãe...

- T-Ta bem, Eric... Só... Mantenha essa coisa na gaiola, certo? – ela disse descendo devagar da cama, com o pano úmido com o qual limpava a escrivaninha, antes de, às pressas, deixar o quarto. Cartman riu um pouco antes de ver Mr. Kitty e Britney, que estava bem barriguda, se aproximarem, miando, porém, quando viram o rato correndo em sua rodinha, os gatos surtaram e Mr. Kitty ergueu as costas na defensiva.

- Não, Mr Kitty! Gatinho mau! – Cartman disse empurrando os dois e batendo a porta, e indo até a gaiola de seu novo bichinho. – Relaxa, cara... Não vou deixar esses gatos de merda te pegarem...

 

- Como vai indo o seu trabalho? – Stan perguntou, pegando as coisas no seu armário.

- Cartman é um cuzão. Não acho que algum comentário descreva melhor a situação... – Kyle disse suspirando, enquanto fazia o mesmo. – Minha mãe ficou gritando comigo ontem por causa dele! E eu tive que ficar explicando que eu não comprei o maldito rato, que era só um trabalho! – Stan ergueu uma sobrancelha, confuso ao ouvir aquilo, mas antes que pudesse perguntar qualquer coisa, viu Tweek passando pelo corredor sem tremer, sem nenhum tique, só... Cabisbaixo e tristonho. Kyle curvou a cabeça vendo aquilo também. – Huh... Acha que o foguete deles não está dando certo?

- Eu não sei... Só espero que eles não briguem. As coisas ficam estranhas quando Tweek e o Craig brigam... – Stan completou fechando o armário, prestes a contar como ia o seu trabalho com o Kenny, quando Cartman apareceu ao lado, abrindo o seu próprio armário, porém, ele tinha um daqueles suportes para carregar bebês em volta de seu peito e Júlio Cheddar estava lá, chiando e cheirando ao redor. – Que porra...?

- E ai, Stan. – Cartman sorriu, acenando para o amigo, antes de encarar Kyle com indiferença. – Kahl. Como estão as coisas? Sua mãe ta mais calma?

            Kyle olhou para o rato preso à Cartman e então o fitou desgastado. – Eu te odeio muito, sabia disso? – o gordo fechou o armário abruptamente, com seu livro nas mãos e então colocou as mãos na cintura.

- Júlio não precisa ouvir essa negatividade toda de você. Não faz bem pra ele. – Cartman se virou pronto para dar o fora dali, antes de se virar sutilmente. – Até mais, Stan. – e então o moreno acenou confuso. Kyle inclinou-se em direção ao armário, grunhindo com vontade de socá-lo.

- Merda! Por que o Nipples não me colocou com QUALQUER outra pessoa?! – Stan tocou o seu ombro, amigavelmente.

- Ah calma... É só um trabalhinho idiota. Você tira de letra... Não é como se vocês fossem passar o resto da vida grudados um no outro... – Kyle descobriu o rosto e olhou para ele, engolindo a seco, imaginando aquilo. Entretanto, ele se ergueu, semicerrando os olhos. Por que de repente, Stan parecia tão de boas com aquele trabalho? Não era ele quem tinha ficado puto por eles não poderem escolher os parceiros? – O que foi...?

- Como vai o seu trabalho, Stan...? – Kyle perguntou, cruzando os braços. – Você e o Kenny estão... Se divertindo...?

- Uh... O quê?! N-Não! Nem pensar! – Stan ergueu as mãos na defensiva, abrindo um sorriso nervoso. – Pfft... Nos divertindo com esse trabalho besta? Que é isso...

(Flashback On – Dia anterior)

            Stan e Kenny estavam no porão no primeiro, onde eles tinham montado o labirinto com algumas caixas de papelão que o loiro tinha encontrado perto de casa. Kenny enchia os dois copos de cerveja mais uma vez, enquanto virava um boné da NASCAR para trás, confiante. – Certo, quem chegar mais perto do tempo, ganha! – Stan riu, sentindo-se um pouco alto, antes de ver Kenny apertando o cronômetro para que ele soltasse o rato no labirinto. – VAI LÁ, MEU FILHO! MAIS RÁPIDO! MENOS DE 15 SEGUNDOS!

- Ele não é tão rápido assim, seu otário... Eu vou ganhar essa rodada... E ele já ta cansado... – Stan disse ficando de joelhos para poder assistir o rato correr por ali. – UHUUUL! 17 SEGUNDOS E MEIO, KENNY! PODE VIRAR!

(Flashback Off)

            Stan continuava a sorrir nervosamente, com os braços para trás, olhando para Kyle que continuava a mirá-lo, entediado. Foi quando Kenny parou ao lado dos dois puxando Stan pelo braço e tirando o gorro dele para bagunçar seu cabelo. – E ai, parceiro! Que horas hoje? Eu vou passar no mercado pra comprar mais um fardo depois do trabalho! – Stan piscou olhando novamente para Kyle, com os olhos arregalados, mas então parou vendo que Kyle tinha se virado para ver Cartman, há alguns metros dali, recostado na parede com ar de superior, exibindo o rato para Heidi, que sorria emocionada com o quão fofo aquele bichinho conseguia ser. Kyle bufou e então seguiu para sua próxima aula.

 

            A introdução da música S.O.S do Abba ecoava pela sala de estar de Eric Cartman. Ele e Heidi tinham perdido a conta de quantas vezes tinham assistido Mamma Mia juntos desde que voltaram a namorar na sétima série. Honestamente, Cartman estava feliz porque tinha resolvido deixar Júlio com Kyle durante o final de semana. Ele gostava do rato, sim, mas ele não precisava de um roedor chiando enquanto ele e Heidi faziam seu número musical cantando, respectivamente, as partes de Pierce Brosnan e Meryl Streep, e depois quando eles acabassem, inevitavelmente indo para cama.

Juntos: SO WHEN YOU NEAR ME DARLING, CAN’T YOU HEAR ME S.O.S... THE LOVE YOU GAVE ME, NOTHING ELSE CAN SAVE ME S.OS.!

Heidi: WHEN YOU’RE GONE!

Cartman: WHEN YOU’RE GONE!

Heidi: HOW CAN I EVEN TRY TO GO ON! (Cartman e Heidi mexendo a cabeça no ritmo da guitarra)

Cartman: WHEN YOU’RE GONE!

Heidi: WHEN YOU’RE GONE!

Juntos: THOUGH I TRY, HOW CAN I...!

- Cartman, preciso que fique com o Júlio Cheddar hoje a noite e... Que diabos vocês dois estão fazendo? – Kyle perguntou, entrando na casa de Cartman e pegando os dois berrando em cima do sofá, que pararam instantaneamente, corando quando foram interrompidos. Kyle ergueu uma sobrancelha, e deu de ombros. – De qualquer forma, eu preciso que...

- KAHL! NÃO TA VENDO QUE EU TO OCUPADO, CUZÃO?! – Kyle piscou, ainda segurando a gaiola nas mãos. – É a sua vez de ficar com ele!

- Uh... Não. Eu preciso sair, vou jantar com a minha família e vai passar da hora dele comer, então... – sutilmente Kyle colocou a gaiola na mesinha de centro. – Vocês podem continuar com o showzinho ai, eu não ligo. Só não vai esquecer de dar comida pra ele, falou? Se voltarmos com esse rato morto na segunda, o Sr. Nipples vai fuder com a gente. – Kyle se virou, seguindo até a porta, antes de se virar e acenar com a cabeça. – Heidi. – e então ele se retirou.

- Humpf... – Cartman saltou do sofá, apanhando a gaiola nas mãos, conforme Heidi mordia o lábio, imediatamente sendo infectada pela fofura do ratinho. – Que otário... Como se eu tivesse escolhido ter um rato com esse filho da puta...

- Awn... Mas ele é tão fofinho! Eu queria ter pego esse projeto! – Heidi disse cutucando a gaiola com um dedo para que o ratinho a cheirasse.

- E eu queria que o Sr. Nipples tivesse me colocado com você, Boo... – ele se sentou no sofá, emburrado. – Mas nem tudo é do jeito que a gente quer... Imagina eu e você... Fazendo um projeto de química. – ele piscou os olhos inocentemente para ela, antes de umedecer os lábios esperando que ela sacasse a piadinha. - ...Entende?

- Oooh... – ela sorriu, rindo um pouco, antes de sentar-se ao lado dele e acariciar seu peitoral. – Nós podemos fazer um trabalho... Independente, Eric... – Cartman sorriu afetado, antes dos dois começarem a se beijar, mas então ela se afastou, confusa e com vontade de rir se lembrando de algo. – Kyle entra na sua casa assim, sem bater?

- Cala boca, Heidi... Não corta o clima. – ele disse, tirando a camiseta e jogando por cima da gaiola do rato. – Desculpa, JC, mas você é novo demais pra essas coisas... – Heidi riu novamente antes dos dois continuarem a se pegar no sofá.

 

            Craig passou os últimos dias mais calado do que normal. Ele tinha uma incrível filosofia de falar apenas quando fosse completamente necessário ou pertinente. Do contrário, para que gastar suas palavras? Na maioria das vezes, elas eram usadas com seu namorado, Tweek, mas... Ele simplesmente não sabia o que dizer quando o viu tão triste. Grande parte dos seres humanos provavelmente teriam dito algo naquele momento, mas não Craig. Ele precisou de longas horas sozinho para poder encontrar a coisa certa.

            Caminhou até a casa de Tweek no final da tarde, uma vez que não tinha o encontrado na cafeteria de seus pais, para que eles finalmente pudessem conversar sobre o futuro. A escola estava chegando ao fim. Não havia nada que eles pudessem fazer para evitar aquilo... Mas Craig estava, pela primeira vez em muito tempo, certo do que tinha que fazer e agradecido por aquela ter sido sua decisão.

            Antes que ele pudesse tocar a campainha, sua mão foi travada por um som incrível que vinha lá de dentro. Ele quase podia visualizar os dedos suaves de Tweek percorrendo pelas teclas do piano, enquanto seus olhos estavam fechados na tentativa de encontrar sua paz interior, que era tão valiosa para ele. Os lábios de Craig se partiram, antes dele caminhar até a janela da sala, que estava aberta, encontrando-o sentado, tocando o instrumento calmamente. – Ah Tweek... – ele murmurou para si mesmo, não querendo atrapalhá-lo.

            Tweek passava os dedos pelo marfim, pensando em Craig. Seu namorado era um cara esquisito, calado e tranquilo, basicamente o oposto dele nesses quesitos, mas ele sabia que eles se completavam. Ele se lembrava de tudo. Sua mente ansiosa não permitia que ele esquecesse nem mesmo os pequenos detalhes: Como tudo começou, como se tornaram um casal de verdade, as brigas, os abraços, as maratonas de Red Racer, as brincadeiras com Stripe e até as coisas aleatórias que Craig tinha a mania de dizer de repente. As notas subitamente se tornaram a canção “Rocket Man” do Elton John. Tweek tocava e cantava a letra da canção perfeitamente.

            Ele cantou os dois primeiros versos, quando sentiu um arrepio percorrendo sua espinha, como se soubesse que estava sendo observado. Ele tremeu, virando-se, apenas para ver Craig sentado na janela, o observando. – Continua...

- GAH! CRAIG! – Tweek bateu nas teclas do piano que emitiram um som completamente desafinado e estridente, fazendo Craig tapar os ouvidos.

- Uh... Oi pra você também...

- O-O que está fazendo aqui...? V-Você não mandou mensagem, s-sabe que eu fico nervoso com chegadas... – Tweek falava ininterruptamente, antes de Craig sentar-se no banco do piano ao seu lado e apanhar sua mão. – Inesperadas... – Tweek olhou para suas mãos entrelaçadas e corou, mirando-o outra vez. – O que veio fazer aqui?

            Craig suspirou fundo, tocando uma nota qualquer, uma vez que ele não fazia ideia de como tocar piano. – Sabe... Eu gosto dessa música. Tem uma letra muito bonita.

- É... E-Eu me lembro de você quando escuto... – Tweek revelou, coçando o pescoço nervosamente, fazendo Craig olhá-lo. – Afinal... Você é o meu homem do espaço, não é? Ou pelo menos vai ser um dia...

- Tweek, eu...

- N-Não... Por favor, ta tudo bem. Eu sei o que você deve ta pensando... – Tweek não tinha sido o melhor em esconder seus sentimentos quando a conversa tinha surgido há dois dias. – Eu vou ficar triste quando você for embora... Ainda mais se você... Sair por ai viajando pelas estrelas que a gente olhava do seu telescópio... Vou sentir muita, muita saudade, Craig. – o moreno continuou o olhando nos olhos, suas sobrancelhas se curvando piedosamente enquanto o ouvia. – Mas... O orgulho que eu vou sentir de você vai ser ainda maior. – Tweek tocou o rosto de Craig com sua mão trêmula. – E não importa o tempo que for... Eu vou ficar aqui esperando por você...

            Craig inclinou a cabeça na direção do toque dele, sentindo as lágrimas se formando, embora ele fosse se esforçar para não derrubá-las. Craig não era do tipo que chorava. Ao invés disso, ele optou por fazer algo que também não era de seu feitio. Ele ia se abrir. – Não vai demorar muito tempo...

- Uh...? O que quer di...

- Eu vou visitar as faculdades na California, Tweek. E se eu passar, eu vou até lá realizar alguns dos meus sonhos. – ele começou, pensando com cuidado na escolha de palavras. Droga, aquilo era difícil. – Eu sempre fui... Desapegado das pessoas, entende? Desde pequeno... Elas eram tão sem graça, mas... Quando eu olhava para o céu, eu tinha esperança de que em algum lugar as coisas seriam menos merdas que aqui. – Tweek curvou a cabeça, atônito. – O que eu quero dizer é que... Eu me permiti sonhar grande demais, aspirar às estrelas, porque eu sabia que não tinha nada que me segurava aqui... Até eu me apaixonar por você. – os olhos de Tweek se arregalaram, não esperando aquilo dele. Craig sentiu que ele apertava sua mão um pouco mais forte, o que o incentivou a sorrir. – E... Eu percebi que por você... Vale a pena eu manter os meus pés no chão.

- C-Craig... Você... Sabe o que está dizendo...?

- Sei... Eu olhei na internet. Tem bases da NASA espalhados por todo os Estados Unidos, inclusive no Colorado. Eu posso até ir estudar fora, já que existem várias formas da gente se ver, mas nada me impede de vir trabalhar pra esses lados... Com alguma coisa relacionado ao espaço... Sem que eu seja mandado pra ele... – Craig riu, corando timidamente.

- M-Mas... Gah! Craig! É o seu sonho! Ser astronauta, desbravar o espaço sideral! É o que você sempre quis! – Tweek disse puxando os próprios cabelos nervosamente, antes de olhar para ele, com a pálpebra esquerda tremendo. – N-Não é? – Craig deu de ombros, puxando-o para mais perto e lhe dando um beijo na testa.

- O espaço é infinito, Tweek... E esse é o tanto que eu te amo. Ficar com você o resto da minha vida não vai ser muito diferente do que flutuar entre as estrelas. E esse é o meu sonho agora. – Tweek abriu um sorriso emocionado, antes das lágrimas começarem a escorrer e ele jogar seus braços trêmulos em volta do pescoço de Craig e puxá-lo para um abraço, enquanto ele chorava. O moreno retribuiu, acariciando seu cabelo louro rebelde. – Como é que as garotas asiáticas costumavam dizer mesmo...?

- Creek para sempre. – Tweek respondeu com uma risada, antes de erguer o rosto, olhando nos olhos castanhos do namorado, encostando sua testa na dele. – E que assim seja...

- Porque você não continua a tocar, hein...?

 

            Na segunda-feira de manhã, antes da aula, Cartman e Kyle estavam com a gaiola nas mãos prontos para devolver o rato, afinal aquele dia seria o da apresentação de seus experimentos. Stan também estava lá, aflito, uma vez que Kenny tinha ficado com seu roedor durante o final de semana. – Ei, Stan! Calma... Ele já vai chegar. – Kyle disse enquanto assistia o melhor amigo andar em círculos.

- Ou talvez a família do Kenny tenha comido ele... Digo, é melhor do que o que eles comem por lá de qualquer forma. – Cartman disse rindo, o que fez Stan arregalar os olhos e encará-lo de forma chocada. Kyle socou o braço de Cartman para fazê-lo calar a boca. – AH! KAHL! – Júlio Cheddar chiava adoravelmente em sua gaiola, olhando para a interação de seus supostos “donos” temporários.

            Naquele momento, Kenny apareceu. Sua parka estava levantada, uma das mãos segurava firmemente na alça da mochila e a outra na gaiola, que ele parcialmente escondia atrás das costas. – Oi pessoal... – ele disse acenando alegremente e parando do lado de Stan, vendo que o laboratório ainda não tinha sido aberto. – Huh... Fechado ainda, né...?

- Kenny... – Stan pronunciou desconfiado, vendo Kenny continuar a sorrir nervosamente, desviando o olhar com um assobio. O moreno rolou os olhos puxando a gaiola para frente, apenas para gritar com um susto quando viu o gambá ali dentro, mordendo uma das barras da gaiola. – QUE PORRA É ESSA?!

- Uh... – Kenny coçou sua nuca, olhando para Cartman e Kyle que tinham os olhos vidrados no gambá também, e então virou-se novamente para Stan. – Cara! Você não vai acreditar! Acho que alguma das coisas que demos pro rato beber devia estar infectada, porque durante a noite ele sofreu uma mutação muito louca e virou esse rato mutante gigante e...

- Você perdeu o rato, não foi? – Stan perguntou o cortando. Kenny ficou ereto novamente, envergonhado, antes de dar de ombros.

- É, perdi o rato. Exatamente. – silêncio total. Kyle olhou para o seu melhor amigo ficando assustado, uma vez que o rosto de Stan começava a ficar mais e mais vermelho, como se ele fosse explodir a qualquer momento. Cartman ameaçou soltar uma risada, mas se conteve para ver onde aquilo ia. – Acha que vão notar a diferença?

- KENNY! – Stan berrou, fazendo o loiro dar um passo para trás. – É CLARO QUE VÃO NOTAR A DIFERENÇA, SEU ANIMAL DE TETA! – ele se virou, estapeando o próprio rosto. – Argh! Vamos nos fuder agora!

            Kyle ameaçou abrir a boca para dizer algo, quando a monitora do laboratório finalmente abriu as portas por dentro do local e sorriu ao vê-los. – Oi meninos. Vieram devolver os ratinh... Woah! Mas o que é isso?! – ela perguntou apontando para o gambá.

            Sem prestar mais atenção naquilo, Kyle e Cartman se levantaram ao mesmo tempo, olhando para a gaiola. – Bem... Chegou a hora, Cartman. Temos que devolvê-lo. – Kyle disse vendo a boca de sua dupla tremendo sutilmente. Ele não queria admitir, mas também tinha se afeiçoado ao bichinho. – Qual é, bundão, você não vai chorar, né?

- N-Não... Eu só... Preciso me despedir dele. – Cartman apanhou a gaiola e olhou para o rato. – Adeus, Júlio Cheddar... Eu vou sentir a sua falta, carinha... – o ratinho se aproximou e cheirou o nariz de Cartman, num gesto de afeto e então virou-se para Kyle, que não pôde evitar sorrir.

- Até mais... Imperador dos ratos. – Kyle disse fazendo uma pequena reverência e Cartman piscou surpreso ao vê-lo usando sua piadinha idiota, antes de sorrir também. A monitora apanhou a gaiola deles enquanto reprimia Stan e Kenny por terem perdido uma propriedade da escola, mas tudo o que eles ouviam eram os chiadinhos do rato ficando mais baixos conforme a mulher se afastava. Kyle mordeu o lábio, melancólico, soltando um suspiro.

- Eles crescem tão rápido... Não é, Kahl? – Cartman disse com os olhos lacrimejando, se aproximando do judeu, que concordou sutilmente, mas então eles piscaram e se entreolharam, confusos, antes de darem um passo para longe um do outro com expressões de nojo. – Mas eu preferia que tivesse sido com outra pessoa!

- Óbvio, você é o pior parceiro de projeto que eu já tive! – Kyle retrucou, mas antes que a briga pudesse piorar, como de costume, Butters apareceu ali, sacudindo as mãos animado. – Butters...?

- Amigos! Vocês precisam ver isso! Tweek e Craig vão lançar seu foguete juntos! – aparentemente, o Sr. Nipples já tinha começado a verificar os experimentos de física na quadra. Os garotos se entreolharam antes de correrem atrás do loiro para poderem assistir àquilo também.

Não apenas a sala deles, mas grande parte da escola estava lá, apenas para poder assistir o casal mais amado de South Park fazer aquele lançamento juntos. Tweek e Craig acenderam o foguete e o assistiram cruzar a quadra da escola com um certo orgulho. O foguete era prateado com detalhes em azul e verde, além de decorado com desenhos de estrelas, grãos de café e porquinhos da índia e na lateral estava seu nome – Creek I. Quando o projétil finalmente pousou, todos aplaudiram e os donos se entreolharam, segurando na mão um dos outro, felizes.

 

            Dois dias depois, Tweek, juntamente com Clyde e Token foram até a casa de Craig para vê-lo uma ultima vez antes dele viajar. O garoto ajudava o pai a colocar as malas no carro em silêncio. Ele ia voltar na próxima semana, mas como todos sabiam o sentido daquela viagem, era como se fosse demorar muito mais para que o vissem. Quando terminou, suspirou fundo, vendo seu pai entrar no carro. – Dê tchau pro seus amigos e vamos... É uma longa estrada até a California, Craig. – ele concordou e foi até o grupo. Token sorria, emotivo, Clyde estava aos prantos por saber que seu melhor amigo não ia na viagem da faculdade com eles e Tweek... Simplesmente o olhava com uma mistura de amor e melancolia.

            Craig se despediu dos outros dois e então abraçou Tweek o mais apertado que pode. – Eu amo você... Volto na semana que vem, ta bem? – o loiro concordou, conforme eles se afastavam e, para sua surpresa, uma única lágrima escorria pelo olho direito de Craig, o que deixou seus outros amigos igualmente perplexos.

- Ei... N-Não fica assim... Vamos ter que nos acostumar com isso nos próximos anos se você quer ser um cientista da NASA, não é? – ele disse erguendo a mão e limpando seu rosto. – Eu também te amo... – Tweek ficou nas pontas dos pés, beijando os lábios do namorado, sutilmente, quando se inclinou na direção do ouvido dele. – Gravei uma coisa no seu celular... Escuta quando estiver saindo.

            Craig concordou, curioso, mas então ouviu seu pai buzinar, acenando uma última vez antes de entrar no carro. – Certo, vamos indo. – ele disse para sua família, mas assim que o pai ligou o carro, Craig plugou os fones de ouvido no celular e encontrou o arquivo de MP3 que Tweek tinha gravado ali durante o final de semana. Ele clicou e a versão dos dois cantando Rocket Man que eles tinham feito depois que conversaram começou a tocar. Ele nem tinha percebido que Tweek estava gravando, mas fazia sentido, uma vez que ele gostava de ouvir sinfonias quando estava meditando. Ele devia gravar-se tocando para ouvir mais tarde.

            Ele olhou pela janela e sorriu, olhando para Tweek que tinha Clyde e Token ao seu lado e então eles foram ficando mais longe, e mais longe, até desaparecerem quando o carro virou a esquina. Craig recostou sua cabeça para trás no banco do carro, dublando silenciosamente o refrão da música, sabendo que sua família não prestaria atenção de qualquer forma. Eram cinco anos de faculdade... Ia demorar muito tempo. E ele sabia que sua família não o conhecia realmente, não como Tweek conhecia... Craig era um homem do espaço... Seu homem do espaço.  


Notas Finais


Obrigada novamente e espero que tenha curtido!
O AU pertence exclusivamente a mim (Maitê Malvasi) e minha amiga (Mariana Vasconcelos), não compartilhem sem dar os créditos hein?
E caso queira acompanhar todo o projeto na integra, segue lá no insta @jukeboxnerdy e no Tumblr www.friendlyfaceseverywhere-sp.tumblr.com


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...