História Sparami - Capítulo 1


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Categorias Black Pink, EXO, F(x), Red Velvet
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Irene, Joy, Kai, Kris Wu, Krystal Jung, Lay, Lisa, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Seulgi, Suho, Tao, Xiumin
Tags Baekhyun, Balada, Blackpink, Chaneyol, Chen, Exo, Festa, Gay, Hentai, Irene, Kai, Kris, Krystal, Lay, Lésbica, Lgbt, Lisa, Luhan, Original, Redvelvet, Sehun, Seulgi, Sex, Suho, Tao, Xiumin, Yaoi, Yuri
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Palavras 4.076
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Famí­lia, Festa, Ficção, Harem, Hentai, Lemon, LGBT, Orange, Policial, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Prefácio


Fanfic / Fanfiction Sparami - Capítulo 1 - Prefácio

Carabinieri da Roma – Roma/Itália            7:00 PM              25 de Dezembro de 2018

Tudo começou na noite em que fomos pegos, e o mundo estava desmoronando sob a cabeça de cada um. Todos presos, tanto na Itália, quanto na Coreia. Eles algemaram minhas mãos para trás e me levaram para uma sala de paredes pretas com uma mesa de metal na minha frente e um daqueles espelhos que sabemos que por trás dele há policiais reportando tudo o que viesse a ser contado ali.

Perguntei ao policial parado em frente à porta se eu poderia tirar os sapatos que apertavam os meus pés, ele se aproximou, tirou as algemas, eu tirei os sapatos e ele me deixou sem elas, foi quando entrou outro policial na sala e sentou na cadeira do outro lado da mesa. Diferente do que estava na porta ele não era asiático e sim um belo homem com seus trinta anos, cabelos castanhos muito bem penteados e um lindo par de olhos verdes que fazia um contraste muito bom com a sua pele bronzeada. Ele tirou o distintivo do bolso do paletó e colocou em cima da mesa para que eu o visse, FBI.

Eu estava mesmo ferrada, polícia secreta de três países diferentes, ao menos era o que eu sabia até então.

– Estamos observando vocês de perto há quase oito meses e de longe... bem, há mais tempo. – Ele sorriu. – E diferente dos outros que já estão atrás das grades você foi trazida aqui porque se contar tudo o que queremos saber de maneira correta talvez não seja presa. – Ele falou tudo de forma fluente no meu idioma natal.

– O que pode me acontecer se não for presa?

– Deportada. – Disse bruscamente.

Balancei a cabeça preocupada, deportada não era bom, mas ser presa era ainda pior, não sabia se poderia confiar nele, quem sabe eu não fosse os dois. Perguntei o que ele queria saber e como resposta obtive a palavra tudo, ele queria saber de tudo e disse saber que eu sabia de tudo.

– Você é a moça que sempre está lá, observando, ouvindo, nunca se pronunciando, você é a quem todos recorrem quando precisam desabafar, você observa tudo em silêncio, você sabe de tudo. Seja sincera e a ajudarei.

– Por que devo confiar no senhor quando sei que atrás desse espelho existem muitos outros agentes ouvindo essa conversa?

Ele sorriu, era realmente muito bonito, mas eu sentia medo, sabia que aquela não era uma boa situação. Então ouvi uma voz que vinha de algum lugar da sala, uma voz que pertencia a alguém do outro lado do espelho que confirmou tudo o que ele disse, se eu falasse a verdade as coisas seriam boas para mim, mas se mentisse seria presa por ser cumplice além de todas as outras acusações que caiam sobre mim.

– Por onde começo?

Ele balançou a cabeça para o policial da porta, esse a abriu e lá entraram dois homens, um asiático e outro não, eles montaram uma pequena câmera na sala com o foco no meu rosto e colocaram um pequeno gravador na mesa.

– Comece do início, se apresente, antes de tudo. – Disse-me o mesmo agente do FBI.

O olhei receosa, fiquei em silêncio por um minuto, lembrei da minha família, então balancei a cabeça de forma positiva e resolvi falar tudo o que sabia, fosse o que tivesse de ser.

– Me nome é Lisa Simpson, sou sino-canadense, tenho 24 anos. – Disse eu olhando diretamente para a câmera, então tirei a minha peruca loira e as lentes de contato azuis, exibindo meus olhos negros e cabelos curtos, cortados de uma forma conhecida como “Joãozinho”, da mesma cor dos olhos. – Isso é o que consta nos meus documentos, mas é uma mentira. Me chamo Pranpriya Manoban e tenho 22 anos, nasci na Tailândia e vim ilegalmente para a Coreia quando tinha doze anos. Toda essa história começou para mim há dez anos e eu contarei exatamente tudo o que sei, tudo o que veio até mesmo antes de mim.

 

***

 

Los Angeles – USA           

 

Há exatos doze anos o Kris morava em Los Angeles na Califórnia com a sua família, seu pai era um influente pastor de uma das maiores congregações protestantes da cidade e a sua mãe sempre uma mulher dedicada à igreja junto com o marido. Missionário Li é como todos o conhecem. Filho de chineses, mas nasceu e cresceu nos Estados Unidos, já a sua mãe era uma jovem chinesa que conheceu quando fazia um trabalho de evangelização em Pequim. Ela era filha de um importante e rico empresário, logo se converteu a palavra do senhor e se casaram. Anos depois nasceu Kristopher, ao qual chamavam pelo apelido de Kris.

Desde criança ele sempre fora muito traquina e quando adolescente as coisas perderam totalmente o controle, aos treze anos conheceu Kevin Shin, um americano filho de uma famosa atriz coreana que vivia nos Estados Unidos desde jovem e fazia parte do elenco de uma importante sitcom do país, seu pai era um famoso jogador de basquete que pagava uma pensão gorda no fim do mês e via o filho vez ou outra ao ano, quando lembrava-se que tinha um.

Ricos tem privilégios e desde os quinze eles conseguiam entrar em baladas facilmente, as identidades falsas sempre eram entregues aos seguranças da portaria junto com cinco notas de cem dólares e a entrada era garantida. Com a frequência do jovem em boates do tipo e, sempre saindo de lá bêbado na companhia de belas moças maiores de idade,  o nome dele começou a virar manchete. Kris se tornou uma subcelebridade adolescente nos tabloides americanos, ele era como uma Paris Hilton da vida, sempre envolvido em escândalos por causa de seu nome, visto que em 2006 as Kardashians ainda eram nada mais nada menos que a sombra da loira em questão.

Seus pais já tinham tentado fazer de tudo para que ele seguisse os princípios cristãos que eles tanto pregavam, mas nada adiantava, na verdade tudo só piorava a situação. Quando seu pai tentou cortar a sua mesada ele saiu do time de basquete da escola e isso os enlouqueceu porque ele era o melhor do time.

Foi quando fez algumas tatuagens, furou as orelhas e tingiu os cabelos de loiro, se negou a voltar à escola e o pior foi quando uma noite voltando do culto o pegaram transando com a sua professora particular de chinês na piscina, ele só tinha catorze anos e a mulher vinte e cinco. Sua mãe ficou estática e correu para dentro com a sua irmãzinha, o seu pai o deu um tapa no rosto com tanta força que sangrou o canto da sua boca. Ele apenas sorriu e a moça fora demitida. Sua mãe passou duas semanas sem falar com ele e resolveram dar a sua mesada de volta porque ele havia prometido voltar à escola e ao time. Ele não era um mau aluno, mas faltava constantemente por causa das noitadas.

Então houve um acordo e elas aconteceriam apenas durante as sextas e sábados e aos domingos ele teria de ir ao culto. Ele concordou contanto que a sua mesada aumentasse, seu pai então cedeu aos pedidos.

Nos cultos do domingo de manhã ele sempre estava com uma cara de ressaca, vestia ternos caros e sorria para as pessoas que o olhavam com desaprovação, não um sorriso simpático, mas sim um sorriso de deboche. Ele costumava gostar de uma parte do culto em que tinha que sair abraçando as pessoas e saia abraçando todas as moças bonitas enquanto encarava os seus pais com um olhar que continha o mais puro deboche e se eu falasse que as moças não se derretiam por ele estaria mentindo.

***

– Tem umas meninas muito gostosas na igreja cara, fico imaginando todas de biquíni rebolando em uma festa na piscina.

– Você não presta mesmo, na igreja e pensando promiscuidades. – Kevin riu.

– Você deveria vir um dia.

– Tá louco, a gente sai das festas às cinco da manhã, os cultos são as nove, que horas iria dormir?

– O ruim é isso. – Disse Kris.

Os dois estavam escondidos atrás da escola fumando maconha, faziam sempre isso nas aulas de economia doméstica.

– Eu acho essa aula a pior merda que já existiu sabe. Aqui só tem rico, ninguém precisa aprender a fazer um bolo, todo mundo tem empregada em casa. – Disse Kevin enquanto cortava com cuidado o papel que usaria para o próximo baseado.

– Penso o mesmo.

– Ei Kris, o que vamos fazer no seu aniversário de dezesseis anos?

– Sei lá, minha mãe disse que não mereço festa. – Ele riu. – Dou graças a Deus por isso, imagina um monte de religioso na minha casa e eu lá bebendo ponche, pagando de bom samaritano.

– Sabe, a gente podia ir naquela boate nova que abriu em Malibu.

 

E foi o que fizeram, na semana seguinte Kris completaria dezesseis anos e alcançaria a tão sonhada “meio-liberdade” americana. Tiraria sua carteira de motorista e iria chantagear seus pais de algum jeito para que ganhasse um carro, todas as suas notas no último semestre eram máximas já com esse intuito.

 

***

 

   Malibu – USA           02:35 AM              06 de Novembro de 2006

 

Kris não conseguia tirar os olhos da moça que rebolava em cima do balcão suado daquela requintada boate de Malibu, aquele sem sombra de duvidas era o seu melhor aniversário. “Não se faz dezesseis anos todo dia” – pensava o rapaz enquanto bebia de forma lenta o champanhe de sua taça.

A beleza latina da moça era algo totalmente novo para ele que sentia-se extasiado diante de sua presença. E foi quando ela desceu de seu pedestal decadente para servir mais uma taça ao rapaz que pôde finalmente perguntar qual era o seu nome e em um sotaque forte e voz suave ela respondeu em um tom de voz alto no meio daquela música mais alta ainda, “Adha” e ele sorriu por achar o seu nome tão lindo quanto ela. Era uma paixonite adolescente que havia acabado de se formar.

Mas o momento logo foi quebrado quando uma das tantas funcionarias do local chegou para Adha a falar algo em um idioma que o rapaz não conseguia compreender e desculpando-se ela desceu do balcão e saiu desesperada correndo pela boate, Kris levantou-se subitamente perguntando para a outra moça o que estava acontecendo.

            – Nada que precise se preocupar e se o senhor não se importa irei tomar o lugar da minha colega. – Disse ela já se preparando para subir no balcão do bar particular do rapaz foi quando ele a segurou forte pelo pulso e a pediu-lhe de forma brusca que contasse o que estava acontecendo. – É a imigração, eles sabem que pessoas ilegais trabalham em lugares assim, então volta e meia aparecem de surpresa. – Confessou-lhe por fim.

            Kris tirou cinco notas de cem dólares do bolso traseiro da calça e deixou nas mãos da garçonete, enquanto isso puxou o amigo que estava sentado recebendo um lap-dance de forma brusca fazendo que ele o seguisse de forma desesperada pela boate.

            – Hey, cara! O que está havendo? – Perguntava-lhe Kevin e sem tempo para explicar nada Kris apenas seguia a moça que via sair desesperada por uma porta que dava para os fundos da boate.

            Era novembro e estava frio mesmo que fosse Malibu, aliás, a boate era à beira do mar e o vento ali fazia com quê tudo ficasse ainda mais frio, Adha que saiu fugida apenas com um jeans fino todo rasgado e um top cobrindo os seios de forma muito precária não iria aguentar muito, Kris correu em direção a ela que já corria para a orla seguido por seu amigo, quando ele gritou o seu nome a moça parou.

            Os cabelos cobriam-lhe o rosto e ainda sim, esvoaçantes de uma maneira bagunçada revelava a sua beleza mexicana. Adha era uma jovem de vinte anos, pele morena, olhos verdes e penetrantes, cabelos pretos e lisos que quase lhe caiam sobre os quadris de tão longos, magra, mas com curvas muito bem distribuídas assim como toda mulher latina.

            – Espere! – Gritou Kris correndo em direção à moça e Kevin o seguiu sem entender nada de nada do que estava acontecendo ali. – Você não vai durar muito e a polícia deve está na frente da boate, vem, a gente te dá uma carona! – Disse o rapaz que estava de carona com o amigo que o encarou como quem dizia “O quê?”, da forma mais perplexa que alguém pode dizer.

            – Mas quem diabos é essa garota? – Perguntou Kevin, em meio a uma respiração ofegante de tanto que precisou correr.

            – É a Adha! – Disse-lhe Kris.

            – Mas quem diabos é Adha?

            – Ela, Kevin, ela é a Adha! – Gritou Kris apontando para a garota parada em frente os dois que nada estava entendendo.

            – Ok, eu ser Adha, mas quem inferno é vocês? – Ela perguntou exibindo o seu inglês horrível sob um sotaque tão pesado que os dois quase não entenderam o que a moça queria dizer.

            – Kristopher, mas pode me chamar de Kris! – Disse-lhe enquanto estendia uma das mãos em uma forma de cumprimento a qual ela apertou desconfiada.

            – Shin, Kevin Shin! – O outro rapaz lhe disse dando de ombros para toda aquela situação a qual ele já havia desistido de entender.

            – Esperar, Kevin Shin e Kristopher… Li? – Perguntou-os desconfiada e com medo de que fosse verdade. Para a sua infelicidade eles balançaram a cabeça orgulhosamente afirmando que sim. Já Adha abriu um sorriso amarelo, agradeceu, mas disse-lhes que tinha que ir antes que a polícia a achasse.

 

            Até porque se a situação da moça já estava ruim, mas imaginem se ela fosse encontrada com aqueles dois playboys. A verdade é que tanto Kris e Kevin eram a dupla que mais saiam nos tabloides americanos, mais que as próprias Kardashians, que naquele ano nada mais eram que a sombra de Paris Hilton. A dupla sempre estampava as capas das revistas e sites de fofocas com suas encrencas. Kris era o filho do mais famoso pastor protestante das Américas e Kevin filho de uma das mais influentes atrizes de Hollywood, a qual sempre estava lutando para garantir os direitos das mulheres e proteger animais. Mas lá estava o seu filho usando drogas e brigando em boates, com apenas dezessete anos e na companhia do filho rebelde de um pastor de uma das maiores congregações americanas, que também ficava para morrer sempre que saia uma notícia escandalosa de seu filho mais velho.

 

            A moça já estava saindo de fininho quando viu no escuro atrás dos rapazes dois policiais se aproximarem com cachorros tão grandes que em uma só mordida poderiam arrancar uma perna de qualquer um deles, foi quando em um surto nervoso ela decidiu aceitar a ajuda daqueles dois que tinham tudo, menos uma boa fama.

            – Ok, eu aceitar a carona. – Disse-lhes em um tom de voz desesperado.

            Kevin olhou para trás e percebeu que os policiais vasculhavam o beco dos fundos da boate, mas assim que percebessem a presença deles ali iriam com tudo para cima dos três azarados da vez, a política da imigração ilegal era só uma, prenda primeiro e pergunte depois. Então eles precisavam agir.

            – Tirem os sapatos e quando eu contar até três nós iremos correr pela areia e muito, muito rápido. Você consegue correr rápido Adha? – Ela apenas confirmou com a cabeça enquanto retirava rapidamente os sapatos que calçava e o mesmo fez os rapazes.

 

            Enquanto Kevin contava eles andavam lentamente até a areia da praia e no três saíram correndo em disparado, Kevin na frente guiando os outros dois, Kris estendeu a mão direita para Adha ao perceber que ela estava perdendo as forças para correr e assim os dois conseguiram manter o ritmo, saíram da areia e entraram em um beco. Kevin os mandou ficar ali esperando que em dois minutos ele chegaria com o carro que estava estacionado há alguns metros do local.

            Dez minutos que pareciam nunca ter fim se passaram até que o rapaz parou em frente ao beco, cantando pneu de sua Ferrari vermelha, presente do pai para compensar a ausência paterna. Kris e Adha pularam no banco de trás e Kevin dirigiu o mais rápido possível para longe dali, eles passaram voando pela viatura da polícia que estava tão preocupada em prender imigrante iligais que nem notou dois menores de idade e uma imigrante no banco do carro. Foi, quando eles já estavam saindo de Malibu que Kevin sentiu que finalmente estavam a salvo e estacionou em frente a uma de suas lanchonetes 24 horas favoritas. Os três desceram e adentraram no local, ainda com os sapatos em mãos, sentando-se em uma das mesas ao fundo do local, comeram, riram, Adha parabenizou o rapaz pelo seu aniversário e depois de muito rirem daquela situação louca Kevin a deixou na pensão que ela morava, deixou Kris em sua casa e foi para a dele.

            A surpresa daquela noite foi que ao chegar em casa Kris não estava bêbado e nem parecia ter usado drogas, sua mãe que sempre ficava a noite toda o esperando no sofá da sala estranhou ao ver o filho chegar sóbrio em casa, ele estava muito sorridente e dizia ter se divertido muito, beijou a testa da mãe e subiu para o seu quarto, a mulher sem nada entender, mas aliviada foi dormir, se perguntando se finalmente o filho iria mudar a sua postura.

 

***

 

            Seguiram-se semanas e depois meses os quais Kris sempre ia a boate encontrar com Adha, eles às vezes se viam fora de lá também e algumas vezes Kevin estava com os dois, se formou então um trio amigos. Kris ainda era um típico adolescente apaixonado pela moça mais velha, que nada queria dele além da sua amizade, mas ele tinha esperanças. A amizade com Adha o fez ser uma pessoa melhor, bebia menos, assistia aulas com mais frequência. Não havia virado um garoto modelo, mas havia melhorado no mínimo cinquenta por cento. Seus pais estavam felizes.

 

            Foi então que a senhora Rose, mãe de Kris, resolveu voltar a trabalhar como designer de interiores, mas tinha um problema, Kris tinha uma irmã caçula de apenas três anos e a mãe estava em busca de uma babá para a menina. Foi quando ele teve uma ideia, por que não Adha pegar o trabalho?! Ela finalmente iria trabalhar de forma digna, até porque ela dizia que odiava ser reduzida a uma moça que rebolava em cima de um balcão em troca de um salário e a dona da pensão que ela morava costumava mexer nas suas coisas, mas ela não tinha dinheiro o bastante para morar num lugar melhor. E o emprego oferecia moradia, então seria perfeito.

            Quando ele contou sobre tudo isso para Adha a primeira coisa que se passou na sua cabeça foi insegurança, mas o que ela tinha a perder? Tudo o que tinha a fazer era se vestir de forma recatada e não mencionar conhecer Kris. Ela então ligou e marcou uma entrevista, suas pernas tremiam como vara verde na tarde marcada, mas os seus pais adoraram-na e o emprego era seu, no dia seguinte ela se mudou para o palacete onde os Li moravam.

 

            Tudo parecia caminhar bem, com Adha e Kris morando na mesma casa a amizade entre os dois aumentou, os pais de Kris estavam felizes por perceber que a presença da moça fazia um enorme bem para o seu filho. As notas de Kris começaram a subir, ele parou de cair na noite, não usava mais drogas e raramente saia para beber. Tudo estava indo perfeitamente bem para todos eles e assim foi por quase dois anos quando em uma tarde o missionário Jonh Li deu uma notícia durante o almoço. Ele havia recebido o convite para ser o novo pastor da Yoido Full Gospel – nada mais nada menos que a maior igreja evangélica sul coreana, sendo assim eles se mudavam depois da formatura de Kris no ensino médio e infelizmente Adha ficaria para trás.

 

***

 

– Quando você veio para a Coreia a boate SPARAMI tinha acabado de ser inaugurada, certo?

– Sim, havia sido inaugurada há menos de seis meses.

– E o que uma adolescente de catorze anos veio fazer aqui sozinha?

– Eu estava fugindo.

– Da polícia?

– Não, de uma gangue que vende drogas na Tailândia.

– Você comprava drogas a eles?

– Nunca usei drogas, minha irmã gêmea sim, ela devia dinheiro a essas pessoas e foi morta por eles. Vivíamos ela, meu irmão caçula, minha mãe e eu na periferia de Bangkok. Quando ela foi assassinada a minha mãe ficou com medo por eu ser gêmea dela e até tinha sim, homens dessa gangue atrás de mim, foi quando conhecemos a Adha.

– A empregada?

– Sim, nessa época ela trabalhava como sócia do Kris na boate recrutando meninas para trabalharem como dançarinas lá. Mas nunca foi algo enganado sabe? Elas sabiam que iriam trabalhar como dançarinas, mas também poderiam ser “acompanhantes de luxo” – era o termo que usávamos.

– E onde você a conheceu?

– Num supermercado. Ela perguntou quantos anos eu tinha, disse que me achou bonita e me falou que era de uma agência na Coreia, mas quando eu disse que era de menor ela disse que não trabalhava com pessoas menor de idade. Eu estava com a minha mãe que nessa época ela já estava desesperada demais por causa dessas pessoas que me perseguiam. Então ela perguntou se eu poderia, mesmo que de menor trabalhar nessa agência dela. A Adha disse que não e tentou se sair, a minha mãe começou a chorar e pediu por favor que ela me desse uma chance contou toda a nossa história, foi quando ela nos levou para uma cafeteria próximo dali e nos disse porque eu não poderia ir.

– E como veio?

– Eu insisti. Também estava com medo de continuar lá. Disse que faria de tudo para ir com ela, poderia até mentir a idade. Minha mãe disse que eu era útil, sabia falar oito idiomas diferentes.

– Se você era de uma família pobre como poderia ter estudo para falar tantos idiomas?

– Eu era bolsista na melhor escola da Tailândia, lá aprendíamos cinco idiomas, Inglês, Mandarim, Japonês e Coreano. Ganhei uma bolsa em três cursos diferentes de idiomas por ter boas notas e aprendi, Italiano, Espanhol e Francês. Então com a minha língua natal eu sabia falar oito idiomas.

– Entendi, prossiga.

– Adda telefonou para o Kris, falou da minha situação, disse que eu era muito boa com os números e que eu sabia falar oito idiomas, que estava desesperada e precisava ir embora da Tailândia, mas era menor de idade. Ele disse que eu poderia ir, mas trabalharia como tradutora para eles e se fosse boa mesmo com os números iria ajudar nas finanças, ele disse que estava me dando uma chance e esperava não se decepcionar comigo. Conversamos em inglês pelo celular e depois em chinês, ele disse que eu era boa. Iria para a Coreia com a Adda, mas iria terminar os estudos lá, ele pagaria. Então eu vim, estudava aqui, ajudava nas finanças e nas traduções, recebia um bom salário para me manter, nos três primeiros meses eu morava com a Adda, depois aluguei um apartamento para mim, ninguém da escola sabia que eu estava sozinha na Coreia. Todo mês eu mando ou mandava né, uma parte do salário para a minha mãe. Até que quando fiz dezoito mandei uma grande quantia para ela ir embora de Bangkok, apesar do tempo ter passado a gangue ainda a rondava e ameaçava ela e o meu irmão. Então eles foram para uma cidade do interior.

– Nos nossos arquivos diz que a sua mãe comprou uma casa no valor de cinquenta mil dólares e que você no começo transferia para ela o equivalente a quinhentos dólares, mas depois passou para dez mil. Como conseguiu ganhar tanto dinheiro do nada?

– Simples. Quando fiz dezoito anos leiloei a minha virgindade no Sparami, ganhei muito dinheiro com isso e não foi pago em dólares e sim em euro. Então depois disso eu não era só uma tradutora e ajudante nas finanças eu trabalhava como acompanhante de luxo. Lá eu era Lisa a canadense mestiça de asiáticos de olhos puxados, mas azuis.

– Esse foi o acordo? Quando fizesse dezoito anos entraria para a prostituição?

– Não, eu pedi para Adha. Eu queria ganhar tanto dinheiro quanto eu via aquelas meninas ganhando lá.

– Mas você não foi a única a leiloar a sua virgindade lá, não é mesmo?

– Não, mas eu dei início a essa moda. – Disse com um sorriso nos lábios.

– Certo, agora, continue...


Notas Finais


Não sabe o que comentar?

Fale sobre os pontos que gostou do capítulo, o que não gostou, o que espera dos próximos. Se tem alguma teoria deixe nos comentários também, a interação é importante e muito preciosa.

Espero que tenham gostado e nos vemos na próxima atualização.

XOXO


Ah, e antes de ir embora gostaria de falar que estou postando a história também no wattpad e aviso aqui porque temo que em breve a história possa ser excluída do site por causa dos temas que podem surgir, por via das dúvidas, caso a história suma aqui você sabe onde me achar!


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