História Sparks of Change - Interativa - Capítulo 17


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Interativa, Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Científica, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sci-Fi, Sobrenatural, Suspense, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Perdão pela enrolação sem capitulos - deixo aqui a continuação da fic.

Já sem enrolar demais, espero que gostem e honre seus personagens como eu sempre tento. Obrigada pelo apoio e espero que curtam!

Bjos da autora! :3

Capítulo 17 - Parte 16 - Goodbye, Good Times...


 

Horas antes

Cela de Elrick Raymond...

 

– E do que ele trata? Qual seu nome e o que ele faz? Já que demonstrou tanto interesse assim nesse caso, então creio que a Agencia se interessará também.

– Ele sempre comprou armas do ocidente. Mexeu com drogas aqui e ali, e as vezes, ferrou com outros criminosos. Eu sei disso porque é o que eu sei. Eu conheço cada filha puta do submundo. Trabalha com contrabando, principalmente contrabando de pessoas – riu, como se fosse divertido. Mas humor daquele homem não era de fácil compreensão, e Neville se acostumara com aquilo.

– O que então, sr Raymond, ele planeja? Disse que ele seria uma grande aquisição na nossa busca. E que a Agencia ganharia um grande recompensa o capturando. Bem, concordo em partes. Por isso, estou aqui falando com voce. A começar do início – ele suspirou. – O que ele quer e o que sabe sobre esse homem? Seja útil e quem sabe podemos conversar.

 – Ele é uma sombra, um rastro. Mas alguns nomes poderosos o conhecem, nomes do mercado negro.

– E suponho que voce já o conheceu.

–  Bem, não que eu esteja nesse meio atualmente – deu de ombros, olhando para a  cela. – Alemanha, Afeganistão, Cuba, Itália... O que esses lugares têm em comum para você, Nevillezinho?

Neville hesitou, inclinando na cadeira. – Bem, os quatro possuem grande concentração de meta humanos atualmente. E se bem me lembro, também são de grande índices de doenças, AIDS e criminalidade infantil. É isso o que quer saber?

– Também tem um lance que pode ter esquecido, Stafford  - o vampiro sorriu, misterioso. – Como prometido, ajudaria-os com nomes. E esses países? Tem relação com ele. Sabe que um grande numero de desaparecimentos cresceu e criminalidade diminuíu, respectivamente, nesses países, não é?

– De fato. – concordou. – Esqueci de tal ponto.

Elrick se aproximou do homem, divertido. – Veja, posso contar uma historinha, Sr. Stafford?

– Por favor, sou todo ouvidos.

Lambeu os lábios, fazendo som de risadinha, e entrelaçou os dedos. Seu semblante havia mudado para mais sério.

– Sabe, fiz uma viagem para Siena uma vez. O melhor comprador de escravos estava lá. Italia era ótima naquela época do ano, e quis testar algo diferente na minha vidinha. Então, lá, conheci o cara, um figurão do tipo, doido. Eu queria conhecer o negocio de perto, e queria uma diversão a mais enquanto estava no país. Me recomendaram perguntar por ele. Atendia pelo nome de Sr “A”. Apenas isso.

– E parece que loucos se entendem. – Neville comentou. – Então, o que esse Sr. “A” tem de tão interessante?

Raymond sorriu, acido. 

– Indo do começo, eu disse que queria mercadoria da boa, mas no sentido de uma boa foda, se é que me entende. Não para guardar na minha casa com algemas e servir minha comida. Não. Ele sorriu e me disse que a melhor bocetinha italiana estava em uma de suas vitrines de escravos, e eu como bom cliente, fui atrás de checar. Lá, conheci a garota. Uma beleza, jovem, ingênua, roupa apertada e peitos durinhos.  No fim da foda, ou sei lá, as cinco fodas, diga-se de passagem – o vampiro riu. - ela começou a chorar mais do que antes do sexo. Aos prantos, do modo irritante mesmo, sabe? Mas mulher chorando é o inferno, então perguntei por que ela tava fazendo aquilo além do fato de que fudi ela até ela começar a babar.

– E o que ela disse?                                                                                        

– Que o cara que a sequestrou era outro. Que ela sabia de algo, que ela, junto das outras putas, estavam ali a mando de um nome maior, e que aquele desgraçado que conheci era só um... pau mandado. Não era o cara, na verdade. Um trabalhava, e o figurão, aquela merda toda, era só fachada. Fazia isso para não atrair atenção indesejada. Basicamente, ao deitar com outros clientes uma vez, ouviu um gordão careca cheio de grana comentar que elas passariam por Nice, depois seriam enviadas para Alemanha, e aí seguiriam para a Russia. Coisa internacional, e ali era só um passatempo pros chefões do crime locais antes do verdadeiro evento. Antes que fossem vendidas pros compradores reais. A verdadeira carga seria ela e uma leva de afegãs estrangeiras, foragidas do próprio pais – e outras mulheres angolanas, cubanas, russas, e umas francesas magrelas. Só do tipo criminosa, adoentada, e moradora de rua, do tipo que ninguém sentiria falta.

– Um engodo, então? – Neville concluiu, coçando a barba. -  Quer dizer que o verdadeiro chefão do crime era outro. Então nem preciso perder tempo perguntando a aparência do homem que você conheceu.  O que sinceramente, é uma pena...  - suspirou.

– Exato. Mas ai onde está a pegadinha, Nevillezinho, meu amigo. Não sacou a relação? Ela disse que não sabia exatamente quem a sequestrara, e muito menos quem mandou, o que nesse ponto, é praticamente inútil, mas dá pra tirar uma pista de uma coisa... as conexões. Pensa só...

– Contrabando nacional. Origem na Itália... – pensou, parando em frente a janela. – O.K. Alguém sequestra pelas sombras, de modo que sua imagem fica oculta. Ninguém sabe direito quem ele é, dada a figura falsa. Um porte de vendas desse e sua influencia devem ser consideráveis, dado o que voce disse. E com base na Alemanha, mas influente em Siena, principalmente.

– A garota mencionou também que o cara era lunático, coisa de família. Não lembrava do rosto direito. Na verdade, nem soube descrever pica nenhuma. De fato, não serviu de quase merda alguma.

– Ela mencionou algum sotaque? Normalmente diminuiria em muito o rastro do sujeito. Um que não fosse exclusivamente italiano...

O vampiro pensou. – Não, mas pelo que lembro dele, parecia francês, ou algo do tipo. Mas era bem leve, então suponhamos que ele sabia falar vários idiomas, dada a grandiosidade do negocio, certo? – ele foi acido. – Nesse ponto, não sabemos direito a nacionalidade, mas sabem de onde começar. Só sei que a vadia só sabia repetir “oreche appuntite ” ou uma caralha assim o tempo todo.

– “Oreche appuntite”... Tem certeza que ela dizia isso? – ele anotou numa folha - Pois bem. Como dizia...?

– Enfim, a putinha disse que ouviu algo sobre nova carga, composta de outras mulheres estrangeiras e sem lar fixo, antes de ser sedada e enviada com as outras, e por isso pediu ajuda a mim. Ela tava aterrorizada, aquela porra se agarrou no meu braço e clamou que a ajudasse, pedia que eu a tirasse do país ou sei lá o que... – meneou displicentemente. – Ela não ouviu nomes. Mas na cama do primeiro cliente, ela tirou algumas coisas como “negocio da família” e afins. Disse que  do pouco que conseguiu ouvir de italiano, o dono da cambada de putas agradeceria pela carga de sangue novo.

Neville estalou os dedos. Finalmente chegara algum ponto.

– Então... o negociante entregava as cargas, de modo clandestino. As sequestrava, tirava da rua, ou seja como fosse, e enviava para o chefe original. Desse modo, evitava rastros desnecessários... – virou-se, acompanhando o sorriso do vampiro se formar. – Como engodo, assumia um nome falso e tomava o lugar do cabeça do crime. A segurança do chefe era assumida e os negócios tocavam normalmente. Negocio da família... – mordeu o lábio. - Então tem relação. São parentes, mais precisamente, uma relacionada a esse tipo de negócio. E de forma grandiosa, do contrário, não haveria tantos contatos fora de apenas um país.

– Garantindo o dinheiro do cara e assumindo nomes diferentes por vários países. Ninguém sabe quem ele é direito, mas sabem que ele existe.

– Frances, precisamente. – Neville ponderava. – Francês... internacional. Família. “Oreche Appuntite”... Ao menos, um nome, embora nunca tenha ouvido falar sobre algum homem com tal nome. – olhou-o antes de deixar a sala.

Estava sendo útil naqueles tempos, e o que ouvira fora bem mais do que pediria do vampiro, na verdade. Claro que era algo maior que ele queria – mas ainda assim, não deixava de ser útil para a Agencia, e isso não tinha preço.

Raymond olhava para as algemas, risonho, antes de acenar para o inglês que deixou o recinto.

- Boa sorte, Sr Nevillezinho. Me conta se descobrir algo. – disse, seu rosto fechando. – E espero que me diga mesmo.

 

*

 

 

Seus olhos demoraram a se acostumar com a luz.

 Piscou, sentindo a visão se acostumar. A cabeça estava incrivelmente leve. E por algum motivo, havia uma faixa em sua abeca, que ele começou a desatar. Logo ouviu passos do lado de fora se aproximando da sala.

Um grupo entrou na sala, parando ao vê-lo sentado na maca. Demorou m tempo para perceber que dois dos borrões voaram em sua direção. Ao menos, um deles. Envolvendo em um abraço confortavelmente quente, a primeiro borrão o apertou, e Philip pode sentir o calor úmido descer por seu ombro. As lagrimas foram enxugadas pela garota, e ela sentou ao seu lado, enquanto outra se aproximava, timidamente, e parou a sua frente.

Philip nunca pensou que veria Lenora abrir o mínimo de sorriso que não fosse cínico ou divertido com sua desgraça.

- Você tá bem... – Tessa chorava, abraçando o garoto. – que bom... eu senti muito sua falta, Philip.

- É... Eu to bem... – ele segurou o rubor que se formava. – Eu tô legal... Acho – sentiu a cabeça latejar ao se levantar. – Ai...

Caramba... a Tessa tá tão perto... se acalma, se acalma...”

– Relaxa. Não se levanta agora – Gwen o empurrou de volta suavemente. – Deite aí e não levante por um tempo.

– É, não queremos que durma permanentemente por mais tempo, Farrell – disse Lenora, surpreendentemente para Philip, sem tom debochado. – Só relaxa, seu idiota.

 – O que você fez? – Edward se inclinou perto de Gwen.

– Ah, o serviço completo. Reconstruí boa parte do cérebro, consertei a falha nas possíveis memórias fragmentadas. É – sorriu. – diria que fiz um bom trabalho. Então, Ed, o que eu mereço? – ela virou o rosto, tocando a bochecha sugestivamente.

- Mandou bem, bruxinha, mas sem beijo agora... – sussurrou, tímido.

 – Tudo bem... – sentiu-se derrotada - Enfim, diria que tive uma boa motivação, alem dos óbvios motivos morais a se pensar – olhou para Tessa. – Aquele sorriso valeu a pena.

– A propósito - Neville disse, se aproximando. – agradeço, em nome da Agencia, pelo trabalho que fez aqui. Pode ser apenas uma vida, mas toda é importante, e sendo um dos nossos jovens, não deixa de ser menos importante. Não saberíamos como contar a família, sendo sincero.

– O pagamento vocês enviam para nossa conta depois – Edward disse, nariz empinado. – Ok?

– Entendi porque é parente de Elizabeth – ele ressaltou. – Você lembra mesmo ela em certos aspectos. – brincou – principalmente

– Oh, vejo que nosso querido Philip esta de volta – Elizabeth entrou na sala. – Como se sente, rapaz? – afagou o garoto.

– Bem confuso... Mas vivo, senhora... – ele coçou a cabeça.

– E tudo graças a ela – Lenora apontou Gwen – E ai? Como se diz quando alguém salva sua bunda de um coma profundo?

– Serio? Obrigado... Err...?

– Gwen. Às suas ordens. – pensou em dizer “meu caro futuro genro”, mas seria inadequado e deveras confuso, e o olhar de Edward lhe dizia “não diga nada” – Err... Philip.

– Melhor tomar cuidado garoto. – Edward parou ao lado dele. – Soube que a Tessa... Se preocupou bastante com você. – o olhou. – Melhor não fazer besteira de novo, certo, Phil?

Agora que percebeu, ela ainda estava abraçada nele – e ele engoliu em seco. Sentiu-se desajeitado, e riu um sorriso amarelo. 

– Err, claro... Eu nunca quis preocupar ninguém...

– Edward... – sorriu, sentindo uma veia latejar em sua testa. – Só... Edward. – meu “caro genro”.

– Então, ficarão por quanto tempo? – Zoe sentou na maca, aos pés de Philip.

–  Foi mal, pessoal. Mas já estamos de saída. – declarou Triss, checando o relógio. – Mas foi bom conhecer vocês. A Gwen se prontificou para ajudar, e foi um prazer, mas não podemos ficar mais.

- Mas quanto ao Phil, não se preocupem. Em alguns minutos, ele estará firme e forte. Só toma cuidado, rapaz – Gwen tapeou o dedo na testa dele, fazendo-o gemer. – O.K?

 

*

 

– Por que precisam do heliporto? Vocês vieram dentro de uma sala de prédio? – perguntou Lenora, olhando em volta.

– A volta é sempre mais intensa,  preciso de um lugar aberto. – explicou a bruxa. – E cansativo também, por isso vou evitar de ficar aqui tempo demais. Minha bateria “bruxistica” não funciona direito nesse mundo, entende?

– Mas já estão de partida? Qualé, vocês não vão ficar mais tempo?

– Não podemos, Zoe. Já temos problemas demais lá em casa. Nosso lar tá uma bagunça, tem irmãs psicóticas atrás de nós. É, um problemão... Mas foi legal passar por ai. Agradecemos o convite – Triss deu uma piscadela. – Na próxima, trazemos alguns salgadinhos.

– Obrigada mesmo! – Tessa abraçou Gwen. - Não fossem por vocês, não teríamos salvo ele.

Gwen segurou uma lagrima, mordendo o lábio. Retribuiu o abraço levemente, tentando se segurar – Tá... tá, tudo bem... foi um prazer, Tessa...

– Se precisar de aulas de magia, pode me procurar ok? – provocou Lenora.

– Claro. Mas não acho que mestre bruxos precisam tomar aulas. – retrucou Gwen, sorridente. – Foi mal, Lenora. – a outra sorriu. Sabia que estava apenas brincando.

– Até, Gwen – a lupina sorriu. – Muito obrigada! Vocês são muito legais. Podiam passar mais vezes.

– Pensaremos nisso, fil... – Gwen pigarreou. – lhote de lobinho. - a bruxa virou-se para Elizabeth, abrindo um feitiço. - Cuida bem dela, ok?

– Não querem mesmo contar a ela?

Os garotos se olharam, hesitantes.  - Não podemos, tia. Seria errado com ela. Dar uma esperança que ela nunca poderia tirar proveito. Eu já senti o gosto disso uma vez e não é nada agradável. Ter meus pais de volta? Eu quase tive isso. A Tess não precisa passar por isso também, não enquanto estivermos de olho nela.

– Mas não seria melhor para ela? Saber ao menos que vocês são pais dela? – Neville, que soubera do fato, perguntou.

– Para nós, nem um pouco. E para ela? - olhou para Edward. Então, voltou-se a Elizabeth. – Beth, pode fazer um favor para a gente? Pode entregar isso para ela? – ela entregou uma fotografia a Elizabeth. - Esperamos que seja especial, de alguma forma, para a Tess.

A loira a olhou, abrindo meio sorriso, e a guardou.

– Não se preocupem. Farei com que seja especial para ela também. - O portal fazia seus cabelos esvoaçarem, e a loira olhou para os garotos, quase segurando um riso. – e difícil imaginar que vocês fizeram tudo que disseram. São inacreditáveis, sabia? Vocês tem o que? Tipo, 18 anos? Qualquer outra pessoa não acreditaria no que disseram.

– A Gwenny podia te mostrar nossas memórias qualquer dia, só para você ter certeza. – disse Triss. – mas é assim mesmo. Ninguém nunca confia nos pirralhos enxeridos. Devia ver a irma dele – sussurrou a loira. – Aquela ali é maluca das ideias.

- Maluquice é coisa de família. – disse o garoto. – certo, “tia”? Ficará bem? Com a Tessa? Qualquer coisa, pode nos contatar de novo – entregou-a  o medalhão, apertando seus dedos. – Qualquer coisa.

– Farei isso.

– Obrigada, Elizabeth. – os três se posicionaram juntos, e sumiram junto da explosão arcana, esvoaçando as roupas de todos. – ate mais. – sua voz se esvaiu, sumindo no clarão mágico. O que restou foi apenas pequenas fagulhas azuis piscando no ar.

A caçadora Zoe pegou um das faíscas, levando entre os dedos.  – É, até que foram bem divertidos... – ressaltou Zoe, olhando para onde estavam eles. – ainda to curiosa sobre como eles... Senhorita Elizabeth – ela a olhou. A loira virou o rosto, se afastando da cena. – A senhora está... chorando?

- Não. É só a chuva. Só isso.

Lenora estendeu a mão. Mas não sentiu nada cair entre os dedos.  - Ué, mas não esta chovendo...

- Agora está – ela disse, rigidamente, e virou-se aos agentes. - Vamos, vamos, vocês não tem nada melhor para fazer?

 

*

 

A Land Rover avançava pela rodovia, não em alta velocidade. Não havia necessidade.

Evitaram as autoridades, o que, seguindo o conhecimento de Saimon de toda Londres, não fora nada difícil, Effialtis tinha de lhe dar o credito nisso. Seguiram as recomendações de Trent. Por sorte, o dinheiro e os passaportes falsos do homem o fariam jus a seu trabalho bem feito – agora era seguir as pistas de Trent e encontrar aquele tal contato. Itália era a próxima parada. Effis ia atrás, com Aiden no meio, balançando de lado a outro a cada virada do jipe, o que Effis descobriu ficar cada vez mais irritante na primeira hora.

Luna ia na frente, ao lado de Saimon, que dirigia. Do lado de Aiden, Nyssa olhava pela janela, abraçando os joelhos contra seu peito. A elfa, ainda calada desde que entrara no carro, era objeto de curiosidade de Luna.

- O que tá pensando? – Luna a olhou pelo retrovisor. O vento batia pela janela, esfriando seu rosto. - Preocupada com os rumos da nossa viagem? Não se preocupa. Temos tudo sob controle, e não tem de se preocupar com uma luta. Temos poder de fogo mais que suficiente.

– Não é exatamente isso que me preocupo. – baixou os olhos. – Mas sim com minha família. Ao menos, o que tento me lembrar dela. Me foi dito que ela foi separada. Que não é mais a mesma. Imagino porque... – tentava se lembrar de alguma forma.

– Olha família nem sempre é fácil de lidar. – Luna sorriu, sarcasticamente – sabe? Não fossem meus pais e seus costumes estranhos para lá de Bagdá, eu ainda... – mordeu os lábios, a virando o rosto. Baixou o gorro sobre os cabelos, e mordeu o dedo com força que não desejava,  fazendo-o sangrar. – Eu ainda estaria com minha irmãzinha...

Houve silencio. Ninguém disse nada, mas claro, fora Aiden que quebrara o péssimo humor.

– O que houve com sua irmã? – perguntou.

– O que tô tentando dizer é... – Luna mudou de assunto. – Que você reclama, e reclama de sua família, ou do que não se lembra dela, mas tem de lembrar que ao menos, ainda tem uma. E você sabe que tem, mesmo que seja fragmentada. Assim, você é tecnicamente a menos fudida de nos todos, amiga.

Uma risada baixinha veio de trás. –  Ao menos, vocês tem família – Effis rolou os olhos.

– Que família? – brincou Aiden. – eu não tenho pais. E nem por isso to reclamando... – fechou o rosto.

Saimon a encarou pelo visor, - Pessoal, que tal uma musica hein? – ele ligou a radio, mudando de estação. – Vamos, lá. qualquer merda... Justo quando o dia tava ficando bom... – resmungou.

Estavam se aproximando de uma averiguação na estrada - uma guarita estava no cruzamento, com uma fila de carros ali, onde um guarda falava com o motorista do primeiro veiculo. O carro se aproximou, e Luna puxou a mão de Saimon levemente, fazendo-o diminuir a velocidade. Não lembrava-se daquilo no passado – ao menos, da única vez que passou por aquelas estradas. Nunca precisara sair e entrar em Londres constantemente.

– O que foi?

– Diminui... – pediu ela. – Droga, esqueci disso...

No retrovisor, viu Effis a olhar com cenho erguido. – O que? O que esqueceu de tão importante para só nos contar agora? – ela olhou para a estrada. – Estamos quase saindo de Londres.

– A questão, Effis querida, é que minha memória foi lobotomizada. – ela ergueu a voz – lobotomizada, estuprada e manipulada. Até dizer chega. Agora, sobre o lance, é que eles registram meta-humanos e qualquer caralha que não seja comum nessas rodovias. Se a Agência registrou com o pessoal nossos poderes e passarmos por aquele sinal, seremos descobertos, e não acho que uma umbracinetica, um lupino, uma Elemental e uma elfa escapam da agencia com tanta frequência...

Outro carro avançou. Estavam mais próximos.

– O que faremos?  - Nyssa não virou o rosto. – Não podemos correr do carro né?

– E sem chance de transportar todos ou um por um, mesmo - Effis declarou, vendo como o sol estava raiando do lado de fora.  – Além disso, tá um puta sol do lado de fora. Nem fodendo que vou conseguir levar alguém comigo.

– Vou tomar o caminho fora da estrada. – disse Saimon.

– O... o que?

 – Segura a bunda no assento que eu vou passar por umas estradas emburacadas agora... – Saimon virou com toda força o volante, as faíscas do veiculo surgindo ao chocar contra outro na estrada – o carro acelerou o mais rápido que Saimon pisava fundo, e Aiden caiu para trás, sentando no colo de Effis.  

– Oi... – sorriu Aiden.

– Ai! – a morena guinchou. – Toma cuidado, ruiva!

– Foi mal... – ela foi empurrada para o lado, caindo no ombro de Nyssa.

– Segurem, moças! A estrada vai ser esburacada a partir de agora! – o lupino desviava dos carros na estrada por um triz, inúmeras buzinas e gritos de fúria ficando para trás a cada ultrapassagem.  

Um guarda notou a comoção, e se jogou na frente do caminho, erguendo a mão.

– Pare esse veiculo agora!

Saimon não o fez – o guarda saltou para o lado, ralando os braços no chão asfaltado. O veiculo passou feito um borrão, riscando borracha na estrada. Já estava na quarta marcha quando olhou pelo retrovisor.

 – Alguma chance de eles nos alcançarem, Luna?

– Ah, meu amigo, isso não é o maior dos problemas... – ela rangia os dentes. – É o que acontece depois que me preocupa.

– O que acontece? – perguntou Nyssa, o rosto surgindo do seu lado. – Algo muito ruim?

– Em escala de 1 a 10? 11. Podem esperar reforços atrás de nós, com certeza. Ao menos era assim que me lembrava no livreto de regras malucas da Agência. Problemas nesse caso, são alertados as autoridades...

– Então melhor fugir, Saimon. – declarou Effis, olhando pela janela de trás. – Se a Luna diz, então não vejo coisa boa chegando. Acelera o máximo que puder.

        O carro quase sumia na estrada no mar de veículos, e o guarda se levantou, limpando o braço machucado – por sorte, não fora junto, loucos como aqueles ali eram.  Recobrou os sentidos e lembrou-se de sua função - correu até a cabine, entrando esbaforido, sem folego. Limpou os lábios e apontou para um dos rapazes o encarando.

– Você! Ligue para a central! Esses meta humanos estão deixando Londres! Alerta nível 3! – ele checou o monitor outra vez, só para ter certeza. – Mande uma equipe vir de uma vez! – ele disse com leve satisfação no rosto enrugado. – Finalmente um pouco de ação nesses últimos tempos.

– Sim, senhor!

 

*

 

– Mas você não cansa de contar essa, Neville? – reclamou Elizabeth, apoiada na mesa.

– Talvez seja boa... – Philip comentou. – A ultima foi legal.

– Não canso, não quando é uma das melhores que tenho – retrucou ele a loira. – Enfim, como dizia, o advogado.. – dizia Neville, o qual logo fora interrompido pelo som do telefone na mesa.

O homem olhou para o objeto, entreolhando os outros ali – Elizabeth, Philip, Lenora, Zoe e Tessa estavam ouvindo uma de suas infames piadas – que provavelmente Elizabeth ouvira umas 5 vezes antes. Mas a sala era de Elizabeth – normalmente apenas ligavam quando era importante, tamanho era o receio deles ligarem em momentos inoportunos.

Mas daquela vez, algo lhe dizia que devia atender.

– Alô? – ela fez sinal que continuassem, virando para trás. Checou o numero da chamada - Era da vigilância externa da cidade – Acredito que tem bons motivos para me ligar agora, certo?

– Senhorita, desculpe o incomodo, mas temos um Alerta nível 3. – informou, sem folego. – Cruzamento externo de Londres, na saída da cidade. Rodovia 235, senhora. Uma Land Rover atravessou fora da estrada e evitou o sinal de checagem. Temos motivos para crer que são criminosos, senhora.

Ela parou, divertida. – Alerta meta humano? Não há mesmo outros motivos para evitar a checagem, devo dizer. Farei o seguinte: enviarei uma equipe o mais rápido possível. Mantenham-nos ocupados, até lá. Preparam as barreiras da estrada, do tipo não letal. – ordenou, tapeando a mesa. – Como são as aparências deles? Algum contato visual?

Houve uma pausa.

– Sim, os radares e as câmeras pegaram seus rostos, ao menos. Um deles é uma jovem adolescente ruiva. Outra é uma moça negra, com marcas na pele. Outra, uma moça caucasiana, cabelos castanhos. Outro é um homem de cabelos ralos, com marcas no rosto. E outra tem cabelos negros, branca, rosto redondo.

Luna. Nyssa. Ao menos, batem com suas descrições...

– Batem perfeitamente com os foragidos... Luna... – coçou os olhos. – Pois bem, segure-os. Enviarei uma equipe de resposta. Por enquanto, as equipes armadas farão seu trabalho até lá.

– Sim, senhora. – encerrou a ligação.

– Algum problema, Elizabeth? – Neville se aproximou, curioso. – Normalmente nunca a vi desse jeito, divertida e... séria ao mesmo tempo... – ponderou, cocando a barba. – É estranho ve-la assim.

– Estou apenas num bom dia, Neville querido. Normalmente esse humor é limitado após uma boa transa, mas hoje é especial. Philip está bem, vi meu sobrinho querido. E hoje alguns ratinhos foram encontrados em plena fuga  - sorriu, suspirando. – O que torna seus dias bons, Neville? – disse, tocando o queixo do homem, sorridente.

– Não diria que dias tão diferentes dos seus. – Ele sentou a seu lado, – Mas se é algo que posso ajudar... estou as ordens.

– Claro.  Prepare um grupo. – ordenou, colocando um fone no ouvido, ligando os monitores. Um zunido acompanhou as telas se ligando. Parou em frente a elas, braços cruzados.

– Algo acontecendo, senhora...? – questionou Zoe, se aproximando junta dos outros garotos.

– Só o melhor dia da minha vida ate agora, Zoe. – ela respondeu. – Um bando de passarinhos está deixando o poleiro, e preciso que vão atrás deles. – informou. – Posso contar com vocês?

– Eu liderarei dessa vez – se prontificou Tessa, parando em frente a ela.  – por favor, Elizabeth... me deixe cuidar disso. Faz tempo que não lidero.

– Como posso recusar esse rostinho fofo? Claro que o fará, Tess. Mas fará seguindo minhas recomendações. Não quero mais problemas batendo a nossa porta – olhou para Philip, receosa. – Olhe, não pedirei que vá sem certeza de que ficará bem. Sinceramente? Não posso arriscar você outra vez, e não gosto de brincar com suas vidas. No entanto, seguirão hoje minhas ordens. Façam apenas o que eu disser, e o que eu disser.

– O que estamos enfrentando, senhora? – Lenora perguntou, rosto estoico. – Desordeiros? Criminosos?

A loira hesitou. – Diria que foragidos, Lenora querida. Do tipo que quero confrontar diretamente. E infringiram a checagem de rotina. Algo que não é exatamente cometido por civis inocentes.

– Quantos são? Eles são que nível? – Tessa perguntou rigida, num profissionalismo que Elizabeth esquecia que era praticamente sua criada desde criança.

– Admiro sua coragem, Tess, sabe disso. Mas hoje eu darei as ordens. Você parece estar motivada quanto a isso...  – ela olhou para ambos, Tessa e Philip. – Mas tenho ordens bem especificas de não arriscar demais com voce. Sabemos... sei, que pode se cuidar, mas ordens são ordens. Portanto, hoje voce será a segunda lider, comigo no comando. Entendido?

– Sim, senhora – todos assentiram, Tessa a leve contragosto – não gostava de ser deixada de lado assim. Por um momento, sentiu a bile subir a garganta.

Todos saíram, deixando o recinto em silencio. Elizabeth encarou Neville – estava no celular, de costas. Parecia tratar de algo serio, pois seu cenho fechou-se, e por um momento, a olhou de volta.

– Certo, certo... Elizabeth, preciso resolver uma coisa com voce. – ele jogou o celular no bolso, e coçou as pálpebras. Sentou na mesa, enlaçando os dedos.

A loira o olhou de cenho erguido – sabia ler outros, mas não sabia quando aquele homem estava ocultando algo. Era simplesmente... interessante.

– Algo a dizer, Sr Stafford? – cruzou os braços.

– É com relação a Connall. Na verdade, outra - ele sentou ao seu lado. – Estive analisando algumas coisas antes. Coisas relacionadas a algumas pessoas, fora e dentro dessa organização. E Connal Grimmaldi é uma delas.

– Connall? E quando ele não é um problema? – ela riu.

– Na verdade, riria com voce, mas não é o melhor no momento. Veja, não apenas se tratando da personalidade laciva e doentia dele, o qual sei que conhece muito bem, mas também de suas inimizades... no passado – ele sabia o currículo de cada de cabo a rabo, bem como ambos se entendiam desde que começaram a trabalhar juntos.

E tratando-se de Elizabeth e Connall, não era exceção que a explosão no inicio daquela aliança nada saudável.

– O que quer dizer? Sei bem que Connall é metódico e questionável em seus gostos e... fetiches.  Mas nunca confiei inteiramente nele. – deu de ombros. – Na verdade, sempre apertei sua mão cruzando os dedos da outra.

– Por isso queria tratar disso com você  - assinalou. – Veja, sabe que tenho controle sobre o que entra e sai da Agência. Bem como dados, números...  E negociações. Transações. Dinheiro na conta de cada um que trabalha aqui. Nos últimos tempos, notei que a conta de Connall estava mais generosa que de costume e...

–  Uhum... – ela sorriu, se aproximando. – E...? quer mesmo começar a manhã com assuntos tão chatos? 

–  Elizabeth, creio que o momento é serio... E... – ele parou, sentindo a mao quente na sua.

–  E o que? Não aceita uma bela dama ao seu lado, sr Stafford? – riu. – Sempre trabalhando... é uma pena que estamos sempre ocupados. Fará algo nessa semana? Ou quer me ver com outro antes que perca sua chance?

– Na verdade, não... – ele abriu um sorriso, o que a surpreendeu. – Mas veja, Elizabeth. – pegou sua mao. – melhor que tratemos do que vinha a falar e...

– E o que?

Mas seu telefone tocou – e com raiva, rangendo os dentes, ela atendeu. Assentiu lentamente, esfregando os olhos, impaciente.

– Uhum... – assentiu. – Oh... e-entendo. Eu... Obrigada por me informar... – desligou o celular, fechando lentamente.

– Elizabeth... Tudo bem? Parece pálida...

– A presidenta Volskaya faleceu hoje... – informou, em tom brando. Elizabeth estava parada, seria, mas seu sorriso dissipou-se pouco a pouco.

– Oh... Elizabeth...

– O apartamento do hotel estava carbonizado. O quarto explodiu esta manhã, na Alemanha. As autoridades ainda estão investigando, mas isso foi só que precisaram me contar.

Ele piscou. – Oh... Ah, Elizabeth...– ele estendeu a mão, mas ela se afastou. – Tudo bem...? – ele fechou a expressão, tênue. - Quer que busque uma agua ou--?

– Na verdade, não. – ela ergueu a mão, gesticulando para a porta. – Só... resolva o que tem que resolver. Prepararei tudo contra os fugitivos. – sentou na cadeira, afundando o rosto nas mãos. – Não se preocupe. Farei tudo certo. Trate... de ver isso com Connall direito. Depois me informe o que descobriu. 

Ele hesitou. Pensou em dizer algo, mas não sabia o que. Talvez no fundo, fosse melhor não dizer nada.  Ajeitou a gravata, e deslizou os dedos pelos cabelos.

– Certo. Estou saindo. Se quiser suporte na luta, ou algo do tipo... – e virou-se. Parou e olhou para trás. – Sei que era sua amiga e conhecida,  Elizabeth. Também a conheci. Era uma boa mulher. É uma tragédia o que houve. Sinto muito. Sinto muito mesmo, Elizabeth.

Ela o olhou de soslaio, ajeitando sem razoes a blusa. – Obrigada...

– Tudo bem. – ele assentiu, deixando a sala para trás.

 

*

 

        – Sabe que pode confiar em mim. Faça seu trabalho e farei o meu.

         Fora aquela voz que ouvira dentro da sala – Zoe parou no mesmo lugar. Encostou a orelha na porta, parando na ponta dos pés. Lenora e Philip seguiram na frente, sem notar que ela ficara para trás.

– Não se preocupe, não, não. Deixarei que tudo siga nas mãos dele. – disse, a contragosto. Ela engoliu em seco, e olhou para trás só para ter certeza de estar sozinha.

“Quem ele está...?”

– Quando ele o fizer, então ela ficará vulnerável. Como todos, na verdade. Então, so tem de confiar nele, não que eu confie na verdade. Pessoalmente, o acho—

– Zoe... Né? – uma voz a chamou por trás, quase a fazendo pular. – O que está fazendo aqui?

Ela virou, sentindo coração subir pela boca. Se afastou da porta por precaução, e puxou Alana para longe. Vira a menina outra vez, um dia antes. Não a conhecera totalmente, mas parecia legal – estava acompanhada outra vez de Lenora, andando pelos corredores, embora o rosto de Alana não parecia nada contente perto da arcanista.

–  Oi... o que tá fazendo? – Zoe a sondou. – seu cabelo ta desarrumado. Sua roupa tá meio mal passada, e seus olhos tem olheiras. Parece meio grogue também. Você acabou de acordar? – checou o relógio. – Caramba. Voce dorme tarde, hein?

Alana a olhou desconcertada – Como você..? Vem cá, você é sempre intrusiva assim quando quer descobrir algo de alguém? Tipo, “elementar meu caro Watson”? – brincou, fazendo Zoe se encolher.

– Foi mal. Eu sou boa nisso, mas as vezes faço sem perceber. É tipo um passatempo. Besteira... – ela riu fracamente , o que Alana achou muito fofo. - Meu nome é Zoe – estendeu a mão. – Mas acho que já sabe disso.

Zoe era bonita, até, Alana reconsiderou, a olhando de perto. Os cabelos curtos davam um charme especial a garota, e os intensos orbes azuis eram tímidos e fortes ao mesmo tempo, o que Alana achou nada menos que curioso. A voz era agradável de se ouvir também, e o sorriso era tênue, ainda que tímido.

Zoe seguiu pelo corredor, Alana indo junto. A loira parecia apressada para algo.

– Passatempo?  - Alana sorriu. – Tipo, cantar as vezes? – Zoe ruborizou, sem perceber, e não olhou para Alana. – É, eu te ouvi cantando no seu quarto outra hora. Voce canta bem,, até – considerou.  – Zoe...

– Na verdade, Reyna. – admitiu. – Zoe? É só... um  outro nome. Meu nome mesmo é Reyna Zabat – disse, braços para trás. – É um prazer, Alana. Mas você pareceu acordar agora, está toda assanhada – percebeu o que disse, e se corrigiu. – Err, mas não que esteja arrasada nem nada, não tô te chamando de mal assanhada nem nada assim... É só uma duvida... – sorriu para a morena.

–  Eu que pergunto isso. –  deu de ombros. –  Você tava bancando uma das três “Panteras” ouvindo os outros conversarem? Não sabia que gostava de bisbilhotar outros.

– E não gosto... Digo, é importante. – disse, olhando para trás. – Mas quer saber? Deixa para lá. – mudou de assunto. – Tá saindo para algum lugar?

– Não exatamente...

– Então vem conosco. Nosso time foi chamado para lidar com uns foragidos – ela parou na sala onde devia ir. – Sabe, vai ser legal.

– Ah, eu adoraria – disse de modo arrastado, o que a loira não entendeu se fora sarcasmo ou não. – Mas não dessa vez, embora adorasse meter uns sopapos em alguns babacas criminosos. Mas tenho que priorizar um lance com um tal de... Neville Stafford ou algo assim – ela parecia procurar a sala.

– Quer ajuda? É logo depois daquele corredor, três portas a direita. – Zoe apontou. – É onde quer chegar. O Sr Stafford fica lá  o dia todo.

– Obrigada, Reyna. – sorriu. Ao menos alguém legal por esse lugar... Que bom que ela não tava aqui quando invadi o lugar...

– Zoe, vem logo! – Philip passou por ela , afagando seu ombro. Alana se afastou levemente, ainda receosa na presença do garoto. – Ou vai perder a carona. E a Lenora é chata quando a gente demora.  E ai, Alana? – ele cumprimentou, sobre o ombro. – Tudo bem?

– Chata é o escambau, Farrell. – resmungou Lenora, passando por Alana. – Finch. – chocou-se contra o ombro da morena.

- Evangeline... – Alana sorriu de modo ácida.

– Ok. Até, Alana! Depois a gente se vê por aí! –  Zoe se despediu.

– Até... – Alana a observou correr com os outros. Sorriu, lembrando do rosto dela. – E até que ela é bonitinha. – ela tentou esquecer, balançando as mãos enquanto tomava seu caminho. – Cacete, por que eu to pensando nisso?

 

*

 

11:35

Pequim

 

Ela gemeu outra vez, enfiando os dedos entre os cabelos do elfo.

Sentiu ele lhe invadir, de forma quente, úmida e macia, fazendo suas pernas tremerem a cada movimento. Conteve os gemidos entre os dedos, mordendo o próprio dedo, em êxtase. O rosto estava vermelho, os cabelos desgrenhados. A mão escorregou e desceu ate os cabelos loiros, aquele rosto movimentando-se entre suas coxas. Fez com que parasse, mas ele não parou. Ela nem soube porque tentou fazê-lo – era o que em seu intimo, ela queria que continuasse. Deixou a voz sair, e quando sentiu o momento se aproximar, deixou o melhor dos seus gemidos escapar – e com um úmido ruído, ela deixou-se deitar lentamente na mesa de mármore, respirando pesado.

Ainda sentia pulsos por seu corpo, subindo sua virilha e indo ate seu âmago.

– Então... – limpou os lábios com as costas das mãos, e deixou um dedo escorregar entre suas coxas, fazendo-a tremer levemente. – Estamos entendidos? O faremos? Ou preciso fazê-la gozar outra vez para cumprirmos nosso acordo? Pessoalmente, eu não me importaria em fazer outra vez.

A mulher tremeu, e se remexeu, a mecha negra caindo sobre seu olhos, e ele levou o dedo a boca dela. Ela sentiu o próprio gosto nos dedos do homem. – S-sim... estamos entendidos... eu... f-faço isso. Sem problemas. – sorriu fracamente. – Eu posso fazê-lo. 

– Creio que entendeu bem as implicações que seu auxilio lhe trará a si mesma. O melhor das funções em Denebrah, com salário aumentado. Disse que mantém olhos próximos ao governo Britanico e ao parlamento, estou certo?

– S-sim... – arfava.

– Exato. Portanto, fique com isto, é meu contato pessoal – passou-lhe uma folha. – de agora em diante, me mantenha informado sobre tudo que o governo inglês desejar. Tudo que pensarem em fazer. Todo pais que desejarem invadir, ou cada decisão governamental. Qualquer coisa que lhe seja notável e de importância a me contar, entendido?

– Sim...

Ela fechou o zíper, subindo a saia, e subiu a calcinha. - Mas... – disse, antes que ele abrisse a porta. – Veja...

– Não se preocupe minha linda. Poderemos fazer isso quantas vezes quiser. Basta bater na minha porta quando pegar seu próximo trabalho e farei-a ver estrelas ate amanhecer. Entendido ? – deu-lhe uma piscadela.

– Sim, estamos... Entendidos. – sorriu, enquanto o elfo fechava a porta atrás de si.

Encontrou Ece encostada na parede, esperando fora do quarto – era incrível como ela veio ali com uma missão e ele se desviava daquela forma. Mas ela teria de se surpreender. Ela tinha seus métodos, e Orion tinha os dele.

– Terminou de comer alguém já?

– Por que tanta raiva, Ece? Sabe que tem mais de onde isso veio – ele apalpou sua pélvis. – Ciúmes?

– Não irei nem responder, Orion – ela indicou o caminho, emburrada. – Podemos? Ou vai foder mais alguém em vez de fazermos logo o que viemos fazer?

– A “foda” não foi de toda inutilidade, devo dizer. A senhorita em questão era uma dos pontos chaves dos enviados da Inglaterra. Claro que além da deliciosa boc...

– Nem continua.

– --ceta – continuou, o que a fez bufar. – Ela tinha notável influencia no governo inglês. E com influencia, digo que a senhorita Ivy Jordan, se é esse o nome dela, era uma parlamentar, que veio junto do embaixador britânico para assinar junto do presidente chinês o tratado de Rendição. O que a fará me mantê-la sob conexão e controle, devo ressaltar, isso já tratei com ela. Na verdade, diria que a tenho na palma da mão com uma oferta irrecusável. E agora, sou ainda tão fútil?

Ela deu de ombros.

– Diria que foi um recurso útil. A questão é se ela é confiável...

– Ela será. Farei com que seja. Alem disso, não posso recusar uma bela dama que se joga a meus pés. Tive sorte de cruzar com ela enquanto andava pelo local. Ela ia ao banheiro, creio, mas foi fácil fazê-la mudar de rota. – ele riu. – Sabe, meu pau pode ser muito convincente às vezes. Se fosse candidato à presidente, venceria na primeira rodada. Ou ela já havia ido ao banheiro? – lambeu os lábios. – pensando bem, ela tinha gosto salgado demais...

– Você é inacreditável...

Pararam em frente a dois guardas chineses. Ece checou o relógio. Era onde seria assinado o acordo. Foram barrados pelos homens – Orion ajeitou os cabelos platinados, e sorriu aos homens.

– Preciso passar.

– Não podemos deixar, senhor – o homem disse em inglês arrastado. – Peço que saiam daqui. Ou—

Orion sorriu, olhando para Ece.

– Sabem ao menos quem está falando? Não conhecem o rosto de seu salvador?

– Salvador...?

– Que vergonha... Acredito, então, que não podem permitir que o Magistrado Élfico não tenha passe livre com um pais a qual já auxiliamos abertamente? – ele olhava a unha, despreocupado. – É isso que estou ouvindo? Ou quer mesmo que seu líder acorde amanhã com a descoberta que acabamos com a Aliança entre China e Denebrah? Quem acha que o pagará e manterá no trabalho depois disso?

Os guardas se entreolharam, nervosos.

– Oh, perdoe-me, senhor, por aqui, não fazia ideia. – ele deixou o elfo passar. – Por aqui, senhor Magistrado.

– Ah, as vantagens do poder, certo, Ece? – ele riu, junto do sorrisinho formado de Ece.

A decoração local era bela, deveras – a quantidade de quadros, o tapete rústico que eles pisavam. As decorações douradas dos vasos, as lâmpadas artesanais decorando o recinto. Era um espetáculo belo, de fato, mas não era a preocupação principal de Orion. Muito menos Ece, que o acompanhava por trás. O homem abriu a porta, nervoso, Orion sorridente atrás dele, e deixou-o entrar na sala.

 A sala estava silenciosa, de modo que os lideres orientais liam e passavam entre si o documento que mudaria tudo. O presidente tomou a folha, olhou-a por alguns segundos e apertou a caneta, pronto para escrever – mas uma voz surgiu da porta, rindo baixinho.

– Senhores, é isso mesmo que querem? – o elfo sentou na mesa, despreocupado, e olhou para a folha. – Serio?

Todos ergueram os olhos, encarando os elfos ali presentes.

– O que significa isso!!? – vociferou o Embaixador inglês, ajeitando os óculos. – Magistrado... Orion? O que está fazendo aqui?

– Apenas observando de perto esse evento histórico. Mas afinal, onde a Inglaterra não entra na historia nos últimos tempos hein? Sempre atrás de poder. Fama. Diria que estão fazendo de tudo para conquistar metade do globo, e hoje China é so um dos obstáculos já ultrapassados.

– O que estão dizendo? – o embaixador inglês cocou os olhos, impaciente – Que acusação acham que estão fazendo aqui?

Ece tapeou a mesa. – Eles tomarão sua cultura pouco a pouco. Vejam o que houve com a Italia. Olhem para o antigo Vaticano e me digam o que sobrou dele – disse Ece. – onde esta o resto do que Itália tinha de bom? Olhem para o povo de lá, revoltado e infeliz com ocupação britânica. – olhou para todos – É isso que querem? Eles tirarão, pouco a pouco, seus ideais, cultura, armas, dinheiro... meta humanos e magos. Influencia. E a China será apenas um pontinho na equação da Inglaterra. Que outro pais está na sua mira, huh?

– A China entrou em conflito com Inglaterra, e como tal, pagou os preços que deveria – o homem retrucou. – A historia sempre foi resolvida através de conflitos, conquistas. Vitorias. Hoje clamam Alexandre o grande como herói, mas na época não era visto como tal. Não finjamos que China não cometeu erros também... E Denebrah? – olhou Orion. – O que dizem? Não foram os elfos, senhor Magistrado, que acabaram com aquele país minúsculo 6 decadas atrás? Qual era o nome dele mesmo? Ah, sim. Irlanda não deu praticamente lugar o que é, hoje, Denebrah?

– Isso não vem ao caso...

– Então Não finjamos que Denebrah nunca cometeu atrocidades antes. E não são atrocidades que faremos aqui hoje – abriu os braços – A China não será sitiada e os cidadãos presos em jaulas. Ninguém será metralhado. Convenhamos, estamos sendo gentis com os cidadãos chineses, e por isso paramos a guerra ao sinal de rendição do presidente Hung. Outros tomariam à força, com mais mortes e destruição.

– Verdade, verdade. – ela cruzou os braços, assinalando como se lembrasse de algo. – Mas estão se esquecendo de algo? É exatamente o motivo de estarmos aqui hoje, na verdade. Para lideres nacionais de detalhes tão importantes, vocês até que são lentos, hein? – riu.

– Do que está falando?

– Presidente, vai mesmo permitir isso? Quando Denebrah tem pura e clara aliança com nossas terras e povo? – lembrou Orion – ou esqueceu do artigo 21, do decreto 3.460? Caramba, isso foi difícil de lembrar até para mim, devo dizer – o elfo riu, deixando o trabalho para Ece, que rolava os olhos a seu lado. – Bem, creio que pela lei... Tecnicamente, enquanto a aliança com Denebrah durar, o que ainda acontece – Orion parou na frente do presidente – O pais em questão, no caso, China, tem apoio e suporte pela lei gerada pelas nações unidas. O que ela diz, Ece...?

– “Denebrah honrará os laços de união e lutará ao lado do território alvo. Graças a proteção e acordos unindo os dois países, uma trégua será mantida até um período de um mês,” e seu país, seus ingleses de merda, “devem permitir que o território se erga e prepare sua nação. Qualquer ação tomada antes do período estipulado será  considerada quebra de Lei e o pais ofensivo será punido pela ONU.”  Não é a primeira vez que Denebrah cobra a ação dessa lei, mas certamente ela nunca foi desonrada. Não querem faze-lo hoje, né? – fez biquinho.

Orion pegou o documento, estendendo para o embaixador. – É suficiente para você, Sr. Embaixador? – sorriu. – Ou devemos repetir para ouvir melhor?

Ele olhou para os colegas – de fato, não havia o que fazer. Era o trunfo preparado por Orion e Ece. Se quebrassem as leis ali mesmo, não havia saída para a Inglaterra. E quem pagaria o preço com as outras nações eram eles.

– Qual o período estipulado... Sr Presidente? – o embaixador questionou.

Ele olhou para Orion, como se pedisse uma sugestão.

– Ficaremos com um mês inteiro, por que não? – Orion sugeriu. – Quanto mais tempo, melhor. Ao menos era o que minha mãe sempre dizia. Ece?

– Não vejo por que não, Orion.

– Então será decidido assim, Embaixador – Lee Hung declarou, rasgando a folha. – Eu declaro que China cederá a Lei ao lado de Denebrah, com apoio do Magistrado e seus afiliados. A nação abre as portas para o povo Antigo, e pedimos que siga o protocolo correto de um mês.

– Assim será feito, então – disse o inglês, entreolhando Orion e o presidente. – Se assim desejam, a Inglaterra permitirá a paz predeterminada no período estipulado. Façam como desejarem. Até lá, não peçam piedade quando retornarmos com nossas forças a sua nação. Não prometemos a mesma bondade que tivemos hoje, Sr Hung.

– Diria que foi um bom começo, Ece. – Orion sussurrou no ouvido dela. – E agora? Vê o que fizemos?

– Sim, Orion. Salvamos uma nação. É questão de tempo para mantermos China a salvo, e faremos isso do nosso jeito. – respondeu.

– Não só isso, Ece – ele sorriu, afagando seu ombro. – Diria que iniciamos uma Terceira Guerra com proporções que nem posso imaginar bem. Mas façamos do nosso jeito, como você disse. Vamos embora?

 

*

 

 

Enfer Rouge

Lar dos Lugosi

 

Foi tão irônico que os dias seguintes se preencheram de paz que a primeira noticia chegada a seus ouvidos naquela manhã não fora nada agradável. E ainda mais recebida de uma voz tão rouca e nada musical quanto a de Vincezo Hortalli, apenas tornou tudo menos poético.

–  Ouvi dizer que tem alguém atrás de você. – ele disse, sem rodeios, encarando a gota de vinho que preenchia o fundo do copo.

Deixou-se embebedar – não que seus sentidos o permitissem fazê-lo de modo adequado, na verdade – e limpou o gosto doce com os próprios lábios. Erkan não costumava perder tempo com futilidades, mas se havia algo que não gostava era mau agouro contra si mesmo provido por outros. E para o hibrido, não era o melhor dos assuntos.

– E o que sugere que faça, Vicenzo? – ergueu a taça de vinho, o qual a criada tratou de encher novamente.

– Normalmente, mandaria todos os caras da minha folha de pagamento atrás do figlio di puttana (filho de uma cadela) – considerou. – Mas nesses casos, não gosto de criar caso com coisas pequenas. Iria atrás dele por mim mesmo e comeria o cu do desgraçado.

Erkan se deixou pensar, enrolando uma mecha de cabelo castanho. – Então se é um caso pequeno, não estaria atrás de mim. Não. Sabe quantos conhecem meu nome? – olhou para o outro figurão, que limpava os labios com a língua. – muitos. Muitos estão na minha folha de pagamento. Outros conheceram antes de partir desse mundo. E os outros? São meus conhecidos. Não acho que esse cara é um desses três ainda. Vou adicionar uma quarta lista para isso. “Aqueles que querem matar Erkan”.

Vincezo cuspiu no chão, se apoiando na varanda do prédio. Olhou para o chão abaixo dali, onde o vento frio acolheu aos dois naquela manhã.

– Sinceramente? Me foi dito que começou em Londres, passando pelos Estados Unidos, e chegou aos meus ouvidos semana passada. Parece que tem alguém, um cara dos grandes, atrás da sua fuça. – arrancou cutícula de unha. – Acha que são problemas?

– Problemas, sim. Problemas existem em vários tamanhos? Com certeza. Agora, se foi um dos grandes – esvaziou a taça em um gole. – diria que está para se tornar, ainda que sob algo tao ingênuo quanto alguém atrás de mim. Alguma pista de quem seja? Não. Não diga nada – interrompeu o homem – Não quero receber isso de mao beijada, não desta vez – virou-se, e ajeitou a jaqueta, abotoando-a e salvando a pele do frio matinal.

Entrou na mansão de volta, e ouviu os passos de Vincezo atrás de si.

– Vai atrás dele, Erkan? – riu. – Quer que eu vá também? Sinceramente, adoraria foder alguém nesses dias, e se for alguém perigoso, então vai ser mais divertido ainda. Sabe que não fiz minha fama à toa.

– Obrigado pela oferta, Vincezo, mas farei isso eu mesmo. – ele olhou-o de soslaio. – Alem disso, digo o mesmo, homem. Não fiz minha fama a toa.

– Mas não seria mais arriscado para ti,  Petsha? – ele meneou, não entendendo o lupino. – Homem, às vezes não te entendo. Num dia, quer foder os outros usando seus contatos. Em outro, quer fazer tudo por si mesmo...

– Mas ai que está a graça, Vincezo. Nem sempre é a melhor jogada brincar usando os peões. Afinal, não sabia que a melhor peça do xadrez ainda é a rainha? A guilhotina nem sempre atinge aqueles que se colocam nela. Se eu ganhar algo com isso e tenha como escapar antes da lamina me alcançar, então ter me metido no jogo terá valido a pena. Não... – declarou – Farei isso eu mesmo. Faz tempo que não mexo nos pauzinhos com meus próprios dedos.

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado! Bjos e até o próximo capitulo, seus lindjos! :3


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