História SPECTRUM - Entre sombras e segredos - Capítulo 4


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Adulto, Demon, Hentai, Luta, Paixão, Romance, Sobrenatural
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Hentai, Luta, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - A caçada


Fanfic / Fanfiction SPECTRUM - Entre sombras e segredos - Capítulo 4 - A caçada

Júlia dobrou a esquina com passos rápidos, estava agitada, seu coração mais acelerado que o normal; por algum motivo aquele rapaz havia mexido com ela. Estava um pouco assustada, pois fazia tempo que não se sentia assim por causa de alguém. No início achou estranho a presença dele ali; bem arrumado, jaqueta cara, perfume importado e... lindo, definitivamente, mas parecia deslocado naquele lugar sujo e malcheiroso. Na hora não soube o que pensar... por que havia ficado tão ansiosa? Talvez tenha sido um pouco rude com ele. Julia se envergonhou quando se lembrou disso; não costumava agir assim! Ele não havia falado muito também... será que a havia achado sem educação? Uma ruga apareceu em sua testa. Devia parar com esses pensamentos, nem ia ver mais o cara, afinal! Uma pontada de frustração tocou-lhe o peito e ela suspirou.

A enfermeira tentou prestar atenção em outras coisas pelo caminho, nas pessoas, no clima, nos prédios, no entanto, não conseguia deixar as lembranças e os pensamentos sobre o rapaz de lado. Por que ele tinha ficado lá observando-a? O que será que ele queria ali? Ele disse que estava com quem mesmo? uma ONG? Mas tinha algo de estranho, alguma coisa ali parecia não se encaixar, e não era só pelas roupas que ele vestia, mas ele também não levava nada, nenhuma sacola de mantimentos ou roupas e estava sozinho... Esse pessoal das ONGs não costumam andar sozinhos por lá. Devia ter feito mais perguntas a ele...

Júlia balançou a cabeça em negativa. Por que ela ainda estava pensando nele? Só porque era um rostinho bonito? Já estava cansada de rostinhos bonitos e corações vazios. Desde que havia terminado seu último namoro não conseguia mais sentir atração por ninguém. Suas amigas sempre tentavam empurrar alguém para ela nas festas, mas não via graça; em sua cabeça os homens eram todos fúteis e bobos. Sentiu-se decepcionada, talvez nunca fosse encontrar alguém legal se continuasse a pensar e agir assim...

A imagem do rapaz francês veio-lhe à mente novamente; provavelmente nunca mais o veria... Apertou a boca frustrada, podia ter pelo menos pego um contato dele... Suspirou de novo, agora se sentia uma idiota...

 — Merda! — disse baixinho.

Júlia apressou o passo, quase correndo; o coração apertado. Não estava desesperada atrás de homens, mas já fazia um tempo mesmo que não saia com ninguém... Será que ele beijava bem? A garota mordeu os lábios sorrindo.

— Nossa! Para! Deixa de ser ridícula! — repreendeu-se, irritada com a avalanche de pensamentos sobre o rapaz em sua cabeça, mas ainda sorrindo.

Enquanto descia as escadarias da estação do metrô, respirou fundo desmanchando o sorriso, um pouco desapontada consigo mesma. Estava cansada! Felizmente era sua folga naquele sábado, mas no dia seguinte teria que ir cedo para o hospital. Era seu primeiro emprego depois de se formar na faculdade e estava animada. Ainda estava em treinamento, mas tinha esperanças que a efetivariam.

Próximo da garota, a jovem anjo a seguia; era uma guardiã. Ela tinha levado um susto quando viu o demônio naquele prédio, não esperava encontrá-lo depois de tanto tempo. Sentiu um frio na espinha ao vê-lo ali. Alegria, receio, tristeza... Uma soma de emoções, tudo ao mesmo tempo. Ainda bem que havia dado tudo certo. Ele não a tinha reconhecido, pensou com uma pequena pontada no coração...

Ricky voltou para o hotel pensativo. Talvez ele precisasse ficar na cidade mais do que o previsto. Havia calculado que cumpriria a missão em um ou dois dias, pois era o tempo que costumava demorar, mas não seria tão simples. Buhari não deve ter gostado muito de vê-lo se metendo em seu território. Normalmente, os supervisores regionais eram orgulhosos, gostavam de pensar que tinham tudo sob controle e que seus próprios demônios caçadores davam conta do recado. Infelizmente, não era bem assim. Ricky já havia sido convocado várias vezes para resolver casos em que os caçadores Classe III ou IV não conseguiram resolver. Alguns espectros das sombras eram ardilosos e até mesmo perigosos. Não foi o caso do capturado hoje, mas ele sabia, só de analisar a situação, que naquele lugar certamente existiam espectros assim.

Também pensou na garota com quem havia esbarrado. Estava se sentindo incomodado com aquilo, com a sensação que tinha deixado passar alguma coisa. Ela era bonita, okay, mas ele já havia saído com inúmeras garotas, até mais bonitas do que ela. Por que motivo, então, aquela moça não lhe saía da cabeça? Por que tinha agido como um retardado? Por que não conseguiu puxar assunto? Ele sempre se saia bem com as mulheres. Então, como aquela moça pôde pegar ele desprevenido daquele jeito? Ricky estava frustrado. Se pudesse, voltaria no tempo e faria diferente. Quem sabe conseguiria convidá-la para sair... Não. Não tinha tempo para aquilo! pensou aborrecido.

O caçador aguardou até próximo da meia-noite para voltar à Crackolândia. No caminho, após sair da estação do metrô, dois homens se aproximaram dele; estavam armados com facas e exigiram seu celular e sua carteira. Ricky já esperava por esse tipo de coisa, roubos eram comuns na região. Não foi difícil desarmá-los. O demônio foi tão rápido, que os ladrões nem viram o que aconteceu; em segundos tirou a faca de um, torcendo seu braço, e chutou a cara do outro. Por fim, saíram correndo.

 As ruas estavam vazias agora, alguns humanos estavam dormindo nas calçadas, enrolados em cobertas sujas. Um pequeno grupo fumava crack numa esquina. Viu alguns anjos socorrerem uma alma, arrancada da vida por overdose.

Seguiu até o prédio que havia visitado mais cedo e subiu as escadas. Foi até onde estavam a mãe e as crianças, o espectro não estava lá. Resolveu dar uma volta e o encontrou em outro quarto, tirando energia de um trio de drogados inconscientes. O atormentador tinha uma aura escura como o breu. Ele virou a cabeça e o viu, certamente o reconheceu e desconfiou, pois, arredio, se afastou dos humanos e tentou sair pela janela novamente.

Ricky não permitiu. O caçador invocou e arremessou a boleadeira, um instrumento composto de duas esferas metálicas unidas entre si por uma corrente, tendo em cada uma das extremidades uma das esferas. A boleadeira se enrolou no espectro e o imobilizou, antes de conseguisse fugir. Os instrumentos dos caçadores tinham a capacidade de prender qualquer alma; e se fosse uma arma que permanecesse nas mãos do demônio, como uma espada ou uma lança, ainda era possível, através desta, drenar a energia do espectro.

O atormentador começou a guinchar e blasfemar, até que Ricky se aproximou dele e o silenciou. O caçador geralmente retirava energia o suficiente para fazer os espectros perderem a consciência, assim era mais rápido levá-los ao porteiro. No entanto, o barulho que o espectro fez acabou por chamar a atenção de outros atormentadores e logo havia dois deles no aposento.

Os espectros não fugiram, eram antigos e fortes, suas auras eram tão densas que encobriam parcialmente suas faces. Um deles invocou um facão, daqueles usados para entrar na mata, e o outro invocou uma machadinha, provavelmente acreditando que espantariam o caçador. Ricky sorriu, a hora da diversão tinha chegado.

O demônio invocou sua espada, uma espada longa da época medieval, com cabo trabalhado no modelo que os cruzados usavam. Os espectros partiram para cima. Ricky se desviou do que estava com a machadinha e deu um golpe em suas costas. O espectro caiu de joelhos. O outro hesitou, mas acabou se lançando para frente com o facão em riste. Não foi difícil para o demônio se defender do golpe e contra-atacar. A espada penetrou no meio do corpo do atormentador e começou a drenar sua energia, logo ele apagou. O outro que havia caído tentou se levantar, mas o caçador já estava sobre ele, fazendo-o inconsciente também.

Ricky levou os três ao porteiro, que de olhos arregalados o cumprimentou:

— Ei Ricky! Hoje rendeu, hem! — Gargalhou.

— Só estou esquentando — disse sorrindo e foi descarregar a energia.

O demônio voltou aos portões do inferno mais duas vezes naquela noite. Na segunda trouxe apenas um espectro, na terceira, mais dois. O Porteiro quis saber em qual “buraco” Ricky havia se metido para capturar tantos de uma vez.

— Em um bem complicado — respondeu. — Parece que todos os espectros da região resolveram se concentrar naquele lugar. — Ele se espreguiçou com as mãos atrás da cabeça. Capturar espectros também demandava energia do caçador e ele já estava exausto. — Por hoje chega, preciso descansar um pouco. —  Despediu-se do porteiro e voltou para o hotel.

Ricky se largou no sofá imaginando que, àquela altura, os espectros já deviam estar sabendo que havia um novo caçador na área. Seria mais difícil capturá-los dali para frente, provavelmente eles estariam mais espertos; bocejou. Resolveu, então se levantar e tomar um banho quente; depois ligou a TV para se distrair, mas logo adormeceu. Como demônio, não precisaria dormir se não quisesse, no entanto, manter o corpo materializado exigia descanso e alimentação, e ficar materializando e desmaterializando a todo momento também despendia energia, por isso não dispensava uma boa noite de sono.

Acordou com o Sol alto e com fome. Pediu algo para comer no próprio quarto e resolveu ficar por lá o resto do dia. Já havia recuperado suas forças, mas não encontrou ânimo para sair e achou melhor poupar energia, pois naquela noite sairia para mais uma caçada.

Após o jantar Ricky seguiu para a região em sua forma espiritual, não materializado. Supunha que os espectros já sabiam de sua presença, tinha perdido, portanto, o efeito surpresa. Ia ter que procurá-los e capturá-los um a um. Decerto fugiriam, duvidava que algum se dispusesse a enfrentá-lo.

Encontrou um próximo a uma esquina, perturbando a energia de uma humana que estava ali fumando e aguardando um “cliente” qualquer. Quando este o viu, fugiu, como havia previsto. Ricky estava longe demais para lançar uma arma, então saiu no encalço do espectro.

O atormentador era rápido e entrou em um prédio que parecia um palacete abandonado; o prédio estava lacrado para a entrada de humanos e parecia ser tombado como patrimônio histórico, mas estava caindo aos pedaços. O demônio o seguiu logo atrás e entrou em um grande aposento vazio, estava na sala principal do palacete. Olhou em volta, o espectro havia sumido. A sala possuía um pé direito alto com um mezanino em toda sua volta. Os corrimãos do andar superior eram de madeira escura e muitos balaústres estavam quebrados. Não havia móveis, nem lustres. O chão parecia ser de mármore, mas estava escondido sob a sujeira.

Ricky teve um mau pressentimento. O ar estava denso e a energia pesada. De uma porta interna saiu um espectro das sombras e o demônio estudou-o rapidamente, nunca havia se deparado com um atormentador daqueles. Com a aura mais escura e sombria do que qualquer outra que já vira, sua face se deformava enquanto parecia sorrir e os dedos das mãos eram longos e magros. Vestia uma espécie de túnica, mas não era nítido, sua aura densa cobria seu corpo inteiro. Sem dúvida, era uma alma muito antiga, talvez mais antiga do que ele próprio. Precisava ser cauteloso.

O atormentador exibia um sorriso cínico, zombeteiro. Ricky estreitou os olhos e se manteve em alerta.

— Então você é o novo caçador? — perguntou com voz áspera. — Me disseram que é bom. —  O espectro se aproximou um pouco, mas mantendo ainda uma certa distância.

— Sim, para sua infelicidade.

— Minha infelicidade? — O espectro gargalhou. — Penso que não. Talvez para a sua!

— É o que vamos ver... — disse Ricky sorrindo e invocando sua espada.

— Creio que você não está entendendo sua situação, demônio! — O atormentador fechou a cara e abriu os braços, indicando as laterais da sala.

Ricky olhou e de todos os cantos começaram a surgir mais espetros sombrios, eram mais de uma dúzia. O caçador se pôs em guarda.

— Ah, entendi...Vejo que você é o líder da matilha! — disse zombando.

— Parece que gosta de piadas, caçador — rosnou o espectro. —  Mas isso aqui não é piada! Quero propor um acordo com você... — disse, agora sorrindo sordidamente.

— Acordo? —  Ricky ficou sério e franziu as sobrancelhas, todo seu corpo estava rígido, preparado para atacar ou se defender ao menor movimento.

— Sim, você finge que não nos vê, e nós deixamos você “viver” — propôs. — Seu antecessor durou bastante tempo até resolverem tirar ele daqui. No entanto, parece que seus superiores não perceberam ainda que não podem conosco. Não importa quantos caçadores eles enviem para cá, não vamos sair daqui! Entendeu? Mas, se quiser, você pode tentar. Vamos acabar com sua raça, demoniozinho de merda!  Sua alma vai virar pó! — E gargalhou histericamente.

— Não faço acordos — respondeu secamente o caçador.

O espectro o olhou colericamente.

— Se é o que deseja...

O atormentador fez um sinal com a cabeça e de uma só vez, todos os outros espectros avançaram para cima do demônio, munidos de vários tipos de armas.

Ricky teve que usar toda sua habilidade para não ser atingido. Golpeava, defendia, se abaixava, saltava. Em poucos segundos, havia abatido dois, mas eles não paravam de atacar. Percebeu que não chegaria a lugar algum daquele jeito. Poderia, inclusive, ser atingido, e se eles o pegassem, estaria perdido. Realmente havia a possibilidade daqueles espectros drenarem sua energia até a dissolução de sua alma. A situação estava perigosa, precisava fazer algo.

O pensamento que precisaria fugir lhe irritou profundamente, mas não havia saída naquele momento. Golpeou mais um, dois, três espectros. Uma facada lhe alcançou a perna, outra machucou-lhe o ombro. Sentiu sua energia começar a abaixar rapidamente. Outro golpe veio por trás, ferindo-lhe a cintura. O demônio cerrou os dentes, não podia mais ficar ali. Em um giro, apanhou dois espectros que estavam caídos perto dele e desapareceu, se transportando para os portões do inferno.

Quando o porteiro o viu, exclamou:

— Demônios! O que anda fazendo Ricky? Dê-me aqui esses dois! — O porteiro analisou o estado deplorável do caçador. — Não sei que tipo de missão te deram, mas acho você devia procurar ajuda.

— Não diga... — disse abatido, mas com ironia na voz.

O caçador foi descarregar a energia escura acumulada na espada, mas mal conseguia se manter em pé. Realmente, tinha passado um aperto. E ainda estava com raiva de ter que sair de lá como um coelho fugindo de lobos. Mas que merda! pensou. Ele é quem deveria ser o lobo, e os espectros, os coelhos.

Ricky poderia ter ido para o centro de atendimento do DROPE, para recuperar suas forças, mas seu orgulho falou mais alto e resolveu voltar para o hotel.  Antes de cair exaurido na cama, enviou uma mensagem ao superintendente geral do CDE-DM solicitando uma reunião.


Notas Finais


Obrigada pela leitura!💚

Próximo capítulo em 07/08/18: Ricky volta ao CDE-DM e se encontra com Társio, o superintendente do inferno, mas não será tão simples conseguir ajuda...


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