História SPECTRUM - Entre sombras e segredos - Capítulo 5


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Adulto, Demon, Hentai, Luta, Paixão, Romance, Sobrenatural
Visualizações 14
Palavras 3.519
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Hentai, Luta, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - De volta ao inferno


Fanfic / Fanfiction SPECTRUM - Entre sombras e segredos - Capítulo 5 - De volta ao inferno

Capítulo 5 — De volta ao inferno

 

Quando Ricky acordou no dia seguinte, já anoitecia. Os golpes que levou e o esforço que fez para lutar contra os espectros tinham lhe desgastado mais do que estava acostumado. Ficou pensando, ainda deitado na cama, em como havia chegado àquela situação. Estava furioso... Como podiam ter lhe designado aquela missão sem terem o cuidado ou a decência de lhe avisarem o que estava acontecendo naquela parte da cidade?

O CDE-DM tinha olheiros e informantes em todo lugar. Se tinham afastado o caçador anterior, encarregado daquela região, significava que sabiam com o que estavam lidando. Um músculo contraiu em sua mandíbula. Só podem estar me sacaneando! concluiu Ricky checando seu celular.

Havia chegado uma resposta à sua solicitação de reunião com Társio Foster; ele deveria estar lá no dia seguinte às 9:00h da manhã. Ótimo! O caçador passou o resto da noite e da madrugada no hotel assistindo TV e na manhã seguinte dirigiu-se ao CDE-DM, um pouco antes da hora marcada.

O piso trabalhado em granito verde e branco, junto das imensas colunas brancas enfileiradas de cada lado do salão, faziam do saguão principal da Central do Demônios um recinto luxuoso. Ao fundo, atrás do balcão da recepção, duas garotas conversavam animadamente.

— Olá lindezas! Tenho uma reunião com o superintendente em 2 minutos — disse Ricky, se encostando no balcão e consultando as horas em um grande relógio na parede atrás das garotas.

— Poderia se identificar, por favor? — pediu uma das garotas com um sorriso. E apontou para uma esfera de cristal.

O demônio colocou sua mão na esfera e seus dados apareceram em uma tela.

— Obrigada, Sr. Fontaine. — A menina sorriu. — É a última porta no fim do corredor. Pode entrar, o Sr. Foster já está lhe aguardando. — disse a recepcionista, enrolando uma pequena mecha de cabelo entre os dedos.

Ricky agradeceu e devolveu o sorriso. Tinha ciência de que sua presença causava certo alvoroço nas garotas e gostava disso. Contudo, assim que se virou seu semblante se fechou; sabia onde era a sala, já havia estado outras vezes lá e definitivamente era algo que não lhe agradava.

O demônio bateu na porta e entrou. O superintendente levantou os olhos da tela de seu DCU.

— Oi Ricky! Como vai? Sente-se. — Apontou a cadeira. — Soube que teve uns problemas ontem com alguns espectros... — disse, com um sorriso irônico.

Maldito porteiro fofoqueiro, pensou Ricky. Uma ruga surgiu entre seus olhos enquanto se sentava.

— Ah... soube é? Que bom! Então, já deve imaginar por que estou aqui... — Bateu os dedos nervosamente na mesa. — Preciso de uma mãozinha lá.

— Precisa de ajuda? Ora, pensei que você fosse o melhor caçador do CDE—DM. O que aconteceu? Não consegue dar conta? — Társio gargalhou.

A ruga entre os olhos de Ricky se aprofundou e ele cerrou os punhos.

— Não seja cínico Társio, não combina com seu cargo. Você sabe o que tem lá, não sabe? Por que me mandou para lá sem me prevenir? — O caçador se inclinou para frente espalmando as mãos sobre a mesa. — O que queria?! — esbravejou. — Me ver em dificuldades, me testar, me apagar, ou o quê?

Társio desfez o sorriso e estreitou os olhos.

— Acalme-se caçador, se eu fiz o que fiz foi porque eu precisava ter certeza da sua capacidade. Não imaginei que fosse se meter em confusão antes de... — Não terminou a frase.

— Minha capacidade? Antes de quê?! — Ricky estava colérico. — Tem ideia de quantos espectros eram? Eles podiam ter liquidado minha alma lá, para sempre!

— Sinto muito. Não era minha intenção te colocar em perigo — disse o superintendente, sério. — Fico feliz por você ter conseguido se sair bem de lá... — continuou, com sinceridade na voz.

Ricky relaxou um pouco sua musculatura e suspirou, ainda com o semblante amarrado.

— Não posso fazer isso sozinho... Preciso de uma equipe! — disse.

— Não tenho como te prometer nada.  Na verdade, esta missão não está sob minha responsabilidade; não foi eu que te escolhi, mas admito que te enviar até lá sem lhe dar maiores informações foi um teste; você foi requisitado e eu fui incumbido de te preparar, eu queria que ter certeza de que você está pronto para isso. — Társio se recostou na cadeira — Tem muita habilidade, Ricky, mas ainda necessita de um aprimoramento. É o que eu posso fazer por você.

O caçador franziu as sobrancelhas um pouco mais e ficou tenso novamente. Aprimoramento?! Do que é que ele estava falando? pensou irritado. O superintendente saiu, então, de sua cadeira e se dirigiu até ele.

— Levante-se!

Ricky olhou-o desconfiado, mas fez o que ele pedia. O que ele queria agora? Társio se posicionou atrás dele, colocando sua mão direita no meio das costas do demônio e sua mão esquerda sobre a cabeça do mesmo. Antes que Ricky pudesse pensar no que estava acontecendo, sentiu um pulso de energia vindo das mãos de Társio. Um pulso tão intenso que o caçador sentiu como se um raio tivesse passado por ele. A energia se irradiou pelo seu corpo, ativando todos os seus chacras; o choque deu lugar a uma sensação de calor e bem-estar; então, suas pernas fraquejaram e Ricky caiu de joelhos.

Társio colocou a mão em seu ombro e disse com um meio sorriso:

— Parabéns caçador, agora você é um demônio Classe I! — E foi se sentar. — Zhao Hu está te esperando, boa sorte!

Ricky, ainda meio atordoado e confuso, ficou pasmo, mas entendeu que a reunião havia acabado. Então levantou-se em silêncio, assentiu com a cabeça e saiu. Sua mente girava, seu corpo parecia meio entorpecido e sentia-se mais leve, quase flutuando.

Dirigiu-se ao Centro de Treinamento com o pensamento a mil. Demônios! O que tinha sido aquilo? Classe I... agora ele era um Classe I? Até aquele dia, o caçador somente havia subido nas classes dos demônios por conta de sua experiência e por suas habilidades. Ouvia dizer que demônios Classe I eram poderosos, mas nunca tinha presenciado nenhuma demonstração disso, até aquela manhã. Agora ele era um deles! Ricky ainda estava impressionado e sem entender exatamente o que o superintendente havia feito com ele. Sentia-se um pouco diferente, mas não sabia dizer o que era. O que aconteceria agora? se perguntava.

Encontrou Zhao Hu em uma espécie de jardim interno do Centro de Treinamento. Ele estava sentado no chão, sobre uma esteira, com as pernas cruzadas e olhos fechados. Pela primeira vez, Ricky percebeu algo diferente na aura do mestre, ela não era apenas cinza, como a dos demais demônios, era um cinza azulado, ou azul acinzentado, não sabia definir.

— Finalmente... estava te esperando — disse Zhao Hu, abrindo os olhos.

— Desculpe, não queria atrapalhar sua meditação, mestre Zhao.

— Hmm... vejo que o Foster já lhe fez melhorias! — Deu um risinho contido.

— Mestre, eu não entendo...

— Calma jovem, vai entender. Venha aqui! — Deu tapinha na esteira ao seu lado. — Você precisa confiar mais em seus superiores!

Ricky franziu as sobrancelhas, ia falar algo sobre confiança e os últimos acontecimentos, mas foi interrompido por um gesto de Zhao.

— Eu sei o que houve, não concordei com o Foster, mas ele achou que era necessário. Ele não te conhece como eu conheço. Perdoe-o.

Ricky se sentou e Zhao Hu tornou a fechar os olhos, pousando levemente dois dedos em sua fronte!

— Certo! Está fluido bem... — O mestre sorriu para o demônio que continuava com a dúvida estampada no rosto. — A sua energia! Agora os seus chacras estão totalmente liberados, sua energia corre livremente.

— E isso significa...?

— Que sua percepção vai aumentar em todos os sentidos, à medida que for entrando em sintonia com a energia universal. Como caçador, vai lhe ajudar a controlar melhor o uso de sua energia, além disso... — Zhao Hu uniu as pontas dos dedos das mãos, tentando escolher as palavras. — Vai ter mais poder sobre os espectros, Ricky!

O caçador levantou uma das sobrancelhas, mas não interrompeu o mestre, que se virou e pegou uma caixinha de veludo atrás dele.

— Tenho algo aqui para você. Me dê seu anel — disse, se referindo ao anel de caçador que Ricky usava.

O demônio estranhou ter que devolver o anel. Cada função dentro do CDE-DM possuía um anel diferente, o dele era prateado com um cristal em tons de roxo e lilás e já estava com ele desde que havia se tornado um caçador. Ricky retirou-o do dedo e o entregou a Zhao Hu. O mestre pegou outro anel de dentro da caixinha. Era um anel também prateado, com as laterais trabalhadas e uma pedra de cristal negro incrustrada, uma obsidiana. Zhao estendeu o anel para que Ricky o pegasse. Bonito! pensou o caçador experimentando o anel novo.

— Esse anel é destinado aos caçadores Classe I. Ele vai te ajudar a drenar a energia dos espectros mais depressa... — disse Zhao. —  Deve tomar cuidado filho, pode dissipar uma alma com poucos golpes agora. Também pode acumular e reverter a energia deles para você. Assim, quando estiver lutando, não ficará mais esgotado. — O mestre deu outro risinho contido.

Ricky sorriu também, conhecia o jeito de Zhao Hu, aquele risinho podia ser de zombaria, mas igualmente significava que o mestre estava satisfeito. Assim como ele estava.

— Mestre, a sua aura... está diferente do que me lembro de quando estive aqui pela última vez.

— Minha aura não mudou, sua visão sim. Está vendo com mais clareza agora. — Apontou o dedo para o pupilo. —  A sua aura que mudou...

Ricky olhou para sua mão e foi então que notou sua aura levemente azulada também.

— Uau! Olha só, sou quase um anjo agora! — Riu, se referindo à aura azul dos anjos.

— Hmm... Não, a dos anjos é um azul mais claro, ou violeta —  cortou o mestre bruscamente. — Agora tem que treinar! — disse se levantando. — Venha cedo amanhã.

— Treinar? — Ricky se levantou também.

— Sim, sim, treinar! Tem que melhorar sua velocidade, ainda é lento!

O caçador levantou a sobrancelha. Lento? Não era lento!  

Zhao Hu olhou bem dentro de seus olhos e disse:

— É lento! Amanhã, cedo! — Se virou e saiu andando.

Ricky se sentou novamente na esteira, onde permaneceu por algum tempo, meditando sobre sua recente condição. Estava mais calmo agora, feliz até! Não esperava ter que voltar para o treinamento, mas o mestre sabia o que era certo. Zhao Hu era um dos poucos demônios em quem confiava.

Para não ter que ficar indo e vindo do plano dos humanos, resolveu se alojar em um dos prédios do CDE-DM. Não era tão confortável quanto o hotel, mas dava para o gasto. Era um quarto simples com uma cama e uma mesinha com cadeira e CDU integrada. Não existia banheiro, no mundo espiritual não necessitava deles, também não precisava trocar de roupa ou se alimentar. A cama ainda servia para dar uma relaxada e recuperar as energias, se fosse necessário.

No dia seguinte se apresentou no Centro de Treinamento. Alguns futuros caçadores estavam por ali, treinando entre si e aprendendo a lidar com algumas armas. Ricky se lembrou da época em que precisou dar treinamento a demônios como aqueles e sorriu. Não foi ruim, admitia, só não era o que queria fazer! Lúcio, um dos demônios instrutores veio lhe cumprimentar.

— E o bom filho a casa torna — gracejou Lúcio com um largo sorriso.

— Como vai Lúcio? — Sorriu novamente. Também gostava daquele demônio ruivo que lembrava um Viking. Era um companheiro de treino e de trabalho competitivo, mas divertido.

— Mestre Zhao te espera na Sala dos Cristais.

— Mestre Zhao? – Ricky franziu as sobrancelhas. — Achei que fosse treinar com você.

O demônio gargalhou.

— Você é um Classe I agora! Eu não daria conta, hahaha! Vai lá caçador, o mestre está animado, já faz tempo que ele não assume um treinamento! – Lúcio continuou gargalhando.

Ricky levantou uma das sobrancelhas, estranhando o humor do colega, e foi até a sala indicada. A Sala dos Cristais era utilizada para treinar a absorção de energia. Nela, vários cristais com mais de dois metros de altura se erguiam do chão, todos impregnados de energia escura, vinda dos espectros capturados.

Caçador e mestre cumprimentaram-se com uma reverência. Zhao Hu indicou um dos cristais e disse:

— Você se lembra até onde conseguia drená-lo?

— Até um marrom-ocre — respondeu.

— Certo... Tente de novo!

O demônio se aproximou do cristal e espalmou sua mão no meio dele, concentrou-se e começou a drenar a energia pesada. Rapidamente o cristal foi clareando e atingiu a cor que ele havia citado antes. Continuou concentrado e o cristal foi ficando mais e mais límpido, até atingir um amarelo citrino. O braço de Ricky ficou pesado e dormente, seu anel estava frio e ele retirou a mão, satisfeito por ter conseguido deixar o cristal mais claro do conseguia antes. Olhou para Zhao.

— Não! — disse o mestre balançando negativamente a cabeça. — Continue! Está ruim. Tem que ficar transparente! Depois que terminar esse, tem aqueles. — E apontou para outros quatro cristais escuros; saindo da sala em seguida.

O caçador franziu a testa, transparente... todos aqueles? Coçou a cabeça e suspirou. Okay, você consegue! disse para si mesmo. Ricky se concentrou e continuou a drenar a energia. Seu braço agora parecia que ia cair e não sentia mais sua mão.

— Merda! — esbravejou, retirando a mão.

— Foco no anel Ricky! — disse Lúcio, que havia entrado na sala naquele momento. — Direcione a energia para ele, não deixe acumular em seu braço.

— É muita energia... — reclamou o caçador, franzindo a testa.

— Sim, mas o anel pode absorver isso e muito mais. Apenas deixe fluir, você é a ponte, o condutor, não pense, apenas libere o caminho.

Ricky respirou fundo, fechou os olhos e tentou novamente. Desta vez não fez força, concentrou-se no fluxo. Como a água de um rio que corre para o mar, a energia fluiu para o anel até que o cristal ficou totalmente translúcido. Abriu os olhos.

— Isso! — vibrou. Olhou para Lúcio com um sorriso e depois para os outros cristais.

 Agora faltavam os outros... Ricky estralou os dedos e se dirigiu ao seguinte. A cada cristal que ele passava, conseguia drenar a energia sombria mais rapidamente. Porém começou a ficar cansado, estava usando sua própria energia para direcionar o fluxo e isso estava desgastando-o. Muito menos do que quando era um Classe II, mas ainda assim, se sentia fraco.

Quando terminou, algum tempo depois, Ricky estava, não só com o braço, mas com o corpo todo dormente, estava exausto e o anel estava gelado, tão gelado que quase lhe queimava os dedos, sua prata estava escura.  No entanto, estava surpreendido com a velocidade com que conseguia drenar energia agora e com a capacidade de absorção do anel.

Ricky, mesmo sem olhar, percebeu a presença de Zhao atrás de si. Podia sentir a vibração da aura do mestre e começou a entender as vantagens de ser um demônio Classe I. Virou-se para ele e aguardou. Zhao estava sério e apenas acenou com a cabeça em sinal de aprovação.

— Está cansado? — perguntou.

Cansado não era bem a palavra correta, o caçador estava moído.

— Muito bem, agora precisa aprender a usar a energia do anel – continuou Zhao.

— Usar? Como assim? — Ricky olhou para o anel.

— Usar para restabelecer sua força.  

Zhao se aproximou de um dos cristais que ele havia drenado, estudando-o.

— Você costuma descarregar a energia ruim no cristal das masmorras, não é? — Olhou para Ricky. — Agora, ao invés de fazer isso, você deve redirecionar essa energia para os seus chacras, assim vai se recuperar.

O mestre fez uma pausa, observando a expressão de hesitação do caçador.

— Não vai te fazer mal — continuou. — A obsidiana do seu anel purifica a energia escura. Vamos, faça!

Em sua primeira tentativa, Ricky levou um choque tão grande que chegou a ficar desacordado por alguns segundos. Zhao balançou a cabeça negativamente.

O caçador demorou um tempo até conseguir fazer a energia fluir do anel para si de forma equilibrada. Precisou receber vários choques até descobrir qual era a quantidade de energia ideal e em qual velocidade deveria liberá-la do anel.  Finalmente conseguiu fazê-lo à medida que fosse precisando recuperar suas forças. Naquele dia Zhao Hu também lhe mostrou como descarregar a energia do anel diretamente no solo, caso fosse necessário.

Quando Ricky retornou no dia seguinte, o mestre já estava lhe aguardando no pátio de treinamento.

— Suas armas são mais poderosas agora, retiram mais energia; mas ainda precisa melhorar sua velocidade. — Andaram até o meio do pátio. — Invoque sua espada!

Ricky respeitava o mestre e, em sua presença, tinha adquirido o hábito de escutar mais do que falar. Pouquíssimas vezes havia treinado pessoalmente com Zhao, e sempre perdia na luta. Então, estava alerta e concentrado. Invocou sua espada e se pôs em guarda!

Zhao Hu também invocou a sua, era uma espada mais fina, porém, nas mãos do mestre, poderia ser uma vareta de madeira que causaria estrago. Zhao atacou, Ricky se defendeu. Conseguiu bloquear o ataque duas vezes, na terceira o mestre lhe acertou as costas.

— Lento! Concentre-se! Ataque!

Para Ricky era difícil ver a movimentação de Zhao, ele parecia uma flecha. A única coisa que conseguia golpear era o ar.

— Pare! — disse o mestre. — Você está atacando só com os olhos e ouvidos! Precisa usar sua percepção. Assim, poderá antecipar o movimento do oponente. Concentre-se! Libere os chacras!

Ricky assentiu e continuou. Ele se achava rápido, mas naquele treinamento percebeu o quanto era lento perto de Zhao. Podia sentir a presença do mestre, contudo continuou recebendo vários golpes seguidos. E a cada um que lhe acertava, ficava mais fraco e mais lento.

— Use o anel! — ordenou o mestre. — Precisa fazer isso enquanto luta!

O caçador se esforçava. No entanto, era complicado prestar atenção na luta, usar sua percepção e ainda manter um fluxo constante de energia do anel para os chacras. De início se sentiu confuso, uma sensação parecida com a de quem está aprendendo a dirigir e de que não vai dar conta de fazer tantas coisas ao mesmo tempo; contudo, após algumas horas de broncas e pancadas, Ricky aprendeu a usar suas múltiplas habilidades e logo começou a melhorar sua velocidade de bloqueio e de ataque sem se desgastar.

No terceiro dia, o caçador continuou a aprimorar sua velocidade e destreza, desta vez com o bastão; no quarto, Zhao colocou-o para treinar com Lúcio, sem armas. Na luta corporal, o instrutor sempre ganhava de Ricky, ele era grande, forte e ágil; e se seu oponente fosse imobilizado era o fim do embate, não conseguiria se desvencilhar de modo algum.

No começo, quando Ricky ainda era novo e inexperiente nesta função, ele não entendia por que deveria desenvolver essa habilidade, se na prática usava somente suas armas para capturá-los, nunca precisando entrar em uma luta corpo a corpo. Um dia, quando já era um Classe III, perguntou para Zhao, por que treinavam algo que não iriam usar. O mestre respirou fundo e fechou os olhos, como quem busca a paciência em seu interior mais profundo; então explicou que o treinamento tinha outras finalidades, como melhorar o equilíbrio, a concentração, a agilidade e o conhecimento da própria força. Rick não havia pensado por esse lado ainda, depois que compreendeu, passou a dedicar um pouco mais de seu tempo aprimorando suas técnicas, embora nunca conseguisse chegar perto das habilidades de Lúcio.

Foi um dia duro para o caçador. O demônio viking pegava pesado e ria toda vez que o fazia beijar o chão. Seria humilhante se ele não soubesse que estava diante de um monstro. Se Ricky fosse um humano, provavelmente já teria todos os seus ossos quebrados, felizmente era um demônio e não sentia exatamente dor. Os golpes provocavam uma espécie de dormência congelante no local atingido e Ricky precisava usar a energia do anel para se recuperar. Por fim, fez algum progresso, uma em cada dez vezes, conseguia derrotar o instrutor e dava urros de felicidade quando isso ocorria. Terminaram o dia satisfeitos, embora o caçador estivesse com a sensação de ter sido atingido por um trator.

E assim os dias se passaram; durante aquela semana, a rotina do caçador foi ir até o Centro treinar, treinar e treinar. Foram dias árduos, penosos e de muito trabalho; apanhou muito, mas aprendeu muito também. Melhorou consideravelmente sua velocidade e suas habilidades, e já conseguia dar combate a Zhao Hu; acertava-o de vez em quando e conseguia bloquear a maioria dos ataques. Compreendeu por que Lúcio rira tanto dele quando chegou, ele sabia que seria exaustivo e espinhoso para o caçador. Mas Ricky estava satisfeito, o treinamento tinha valido cada minuto.

Antes de deixar o Centro de Treinamento, o demônio conversou com Zhao Hu e expôs um pensamento que ainda o afligia:

— Mestre, entendo o quanto melhorei nesses dias e sei do que sou capaz. Agradeço por ter dedicado todo esse tempo a mim, mas ainda tenho dúvidas se vou conseguir executar essa missão sozinho. Sabe... aquele espectro...

— Não se preocupe com isso. Vá, volte para o seu hotel e espere! — respondeu Zhao, interrompendo-o. — Alguém vai lhe procurar, não estará sozinho.

Ricky concordou com a cabeça.

— E, Ricky...  Calma, concentração e equilíbrio, sempre! — disse Zhao. — Boa sorte!

— Obrigado mestre. — Ricky se despediu com uma reverência e saiu do Centro de Treinamento; mais leve, mais aliviado, mais confiante e, principalmente, mais poderoso.


Notas Finais


💜 Obrigada pela leitura!
Se estiver gostando, ficarei feliz se deixar um comentário! 🤩😃

Próximo capítulo em 09/08/18: Ricky retorna à metrópole e, não satisfeito com o sexo fácil, volta a pensar em Júlia. Alguém o procura no hotel, surpreendendo-o. Quem será?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...