História SPECTRUM - Entre sombras e segredos - Capítulo 7


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Adulto, Demon, Hentai, Luta, Paixão, Romance, Sobrenatural
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Hentai, Luta, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - Dança comigo?


Fanfic / Fanfiction SPECTRUM - Entre sombras e segredos - Capítulo 7 - Dança comigo?

Sábado amanheceu chuvoso, e Ricky sentou-se no sofá do seu quarto com um notebook nas mãos. Na verdade, tratava-se de um computador com DCU integrado que ele havia ido buscar no DROPE, pois gostava de uma tela maior para trabalhar.

William havia lhe pedido na noite anterior para indicar dois caçadores, tinha alguns em mente, mas precisava verificar se eles estavam disponíveis. Além disso, também precisava checar suas fichas individuais, pois sabia que o arcanjo não admitiria nenhum demônio que não fosse qualificado. Após algumas horas de análise, se decidiu por dois com quem já havia trabalhado na época em que sua licença de caçador estava suspensa. Um deles, um indiano, conheceu-o enquanto estava na função de supervisor e a outra havia sido sua pupila durante o tempo que foi instrutor do Centro de Treinamento.

Eram caçadores jovens, com um pouco mais de 30 anos de experiência na função e recém promovidos à Classe II dos demônios, porém eram habilidosos, sérios e de confiança. Ricky conhecia as histórias de cada um e sabia que os motivos que os levaram a venderem suas almas não eram muito piores do que o seu próprio. Não eram almas corrompidas, nem más em sua essência, e isso era importante, ou não passariam pelo crivo do arcanjo; por isso escolheu-os, e ficou satisfeito quando viu que estavam disponíveis.

Enviou os arquivos para William e resolveu sair; precisava alugar um carro, pois precisaria se deslocar pela cidade enquanto estivesse em missão. Seria bem mais fácil se pudesse apenas se desmaterializar e se transportar de um local para outro; contudo, devido à regra geral que proibia a materialização na frente de humanos, os caçadores eram instruídos a usarem os meios normais de locomoção, a fim de evitar o risco de serem vistos. Logo, ele precisava de um carro.

Dos veículos que estavam disponíveis na locadora, optou por um sedã esportivo cinza escuro. Nada comparado ao conversível que ele tinha em sua garagem na Europa, mas para o que ele precisava estava ótimo. Saiu da locadora e resolveu dar uma volta pela cidade.

Tinha um final de semana inteiro de folga, se estivesse em sua casa na ilha do Mediterrâneo, curtiria um livro na piscina, mas estava em uma cidade agitada, com muitos lugares para visitar. Traçou um roteiro simples; iria caminhar um pouco no Ibirapuera, um parque próximo de onde estava hospedado, e depois comeria algo no bairro oriental da cidade, a Liberdade; mais tarde daria uma passada na Vila Madalena, famosa por seus bares.

Ricky circulou pelo bairro movimentado, parou para beber algo, mas logo ficou entediado e voltou para o hotel. Apesar das ruas ainda estarem cheias de pessoas, o demônio não estava a fim de arrumar companhia; e passar a noite bebendo sozinho em um bar não era nada divertido.

Deitou-se em sua cama king size e ficou olhando para o teto. Teria o domingo inteiro pela frente antes de começar a fazer algo útil. Definitivamente, era um tédio ficar sozinho no fim de semana, preferia estar trabalhando. Poderia estar com alguma garota agora, mas ele não queria, não queria qualquer uma.... Estava cansado de tanta superficialidade; sem perceber, seus pensamentos acabaram se dirigindo para enfermeira. Por que ela não saia da sua cabeça? O que ela estaria fazendo àquela hora? Estaria trabalhando, ou estaria em casa? O demônio pegou um travesseiro e o jogou sobre a cara, tampando o rosto, não queria cair na tentação de ir vê-la, ainda estava na dúvida se deveria procurá-la ou não.

No dia seguinte, Ricky acordou mal-humorado. Sempre ficava assim quando tinha algum assunto mal resolvido, aquela sensação incômoda de estar empacado o irritava profundamente; precisava tomar uma decisão sobre a garota e tirar logo aquele assunto da frente. Aquilo não devia ser tão difícil assim, nunca era; sairia com ela e depois nunca mais a veria, ou não sairia e nunca mais a veria, simples assim. Tomou seu café e foi ver TV, precisava pensar... apesar de ser domingo e ter o dia livre, decidiu não sair do hotel naquele dia.

O caçador assistiu dois filmes seguidos. Entediado, pediu o almoço no quarto e depois pensou em fazer algo produtivo, algo que lhe ocupasse a mente. Acabou por passar a tarde no computador procurando algo para se distrair, no fim do dia havia hackeando e derrubando uma rede de pornografia infantil e outra de aliciamento de mulheres. Sentia-se satisfeito quando fazia algo assim, como se estivesse em uma eterna vingança contra pessoas ruins que machucavam mulheres e crianças. E embora estivesse se metendo em assuntos humanos, desde que não interferisse diretamente na vida de alguém, não estaria quebrando as regras.

Já era noite quando voltou para a TV; ficou passeando pelos canais e parou em um de esportes, onde estava passando um jogo local de vôlei feminino. O demônio observava a movimentação das garotas, mas estava alheio, não prestava realmente atenção no jogo; seus olhos apenas seguiam as formas femininas. Logo sua mente começou a vaguear por outras curvas, outros olhos, outros lábios, Júlia...

Ricky se levantou de um salto e foi para a janela, apoiou a testa no vidro e olhou para a rua, dez andares abaixo. Estava cansado de ter sua mente invadida pela imagem da bela morena e não tomar nenhuma atitude, estava inquieto e impaciente. Respirou fundo e olhou o relógio, 20h30, já havia tomado sua decisão.

Júlia estava alegre, era o seu aniversário de 23 anos. Mais cedo havia comemorado em um churrasco com a família e agora estava se preparando para sair. Suas amigas passariam para pegá-la e iriam para uma boate latina na zona sul da cidade. Estava animada, já fazia uns meses que ela não saia para se divertir. Com tantos plantões de madrugada, não encontrava ânimo para festas ou baladas; mas hoje era seu aniversário, estava de folga do trabalho e esperava dançar e curtir muito a noite.

Olhou-se no espelho e gostou do resultado. Havia prendido o cabelo em um coque solto no alto da cabeça, com uns fios desarrumados caindo pela lateral do rosto; sua maquiagem estava perfeita; vestia uma minissaia preta com uma blusinha de tecido leve e semitransparente, e uma sandália de salto, porém confortável. Finalizou com uns acessórios e um perfume discreto. Pegou, então, sua bolsa e estava conferindo os itens que levaria quando uma mensagem surgiu em seu celular. Sorriu, as meninas tinham chegado; verificou as horas, 20h30, elas eram pontuais!

No hotel, Ricky pegou seu celular e procurou Júlia no localizador. Observou o ponto se mexer; pela velocidade, estava em um carro, mas não estava indo em direção ao hospital. Resolveu esperar um pouco e descobrir para onde ela iria, enquanto isso foi tomar um banho. Finalmente tinha tomado a decisão de ir procurá-la, mas estava um pouco ansioso com aquilo, e confuso também; não era nada incomum ele flertar com garotas, estava acostumado; mas naquele caso, sentia-se inquieto.

Saiu do banho e deu outra olhada no celular, o ponto no localizador ainda estava se mexendo, agora mais rápido, vindo em direção à zona sul, onde ele estava hospedado. O demônio foi se trocar. Olhou para o armário e coçou a cabeça; não gostava de perder tempo combinando roupas, por isso tinha apenas peças neutras, brancas ou escuras; para caçar ou para sair, raramente usava algo colorido. Optou pelo básico, uma camisa preta e calça jeans escura; colocou sapatos esportivos, um cinto e penteou os cabelos para trás, soltando-os levemente com os dedos; passou um perfume de fundo amadeirado e se olhou no espelho, estava pronto.

Sentou-se no sofá, aguardando Júlia chegar ao seu destino. Quando o ponto parou, o demônio aproximou o local no mapa e viu que se tratava de uma boate. Levantou-se e ligou para a recepção do hotel, pedindo para lhe trazerem seu carro.

Ricky chegou no local em 20 minutos, deixou o carro com o manobrista e entrou. A casa estava cheia, a música era latina e uma banda tocava em um pequeno palco; na pista de dança vários casais se divertiam ao ritmo da salsa. Ao lado, um balcão de bar e acima, um mezanino com mesas e cadeiras.

Procurou pela morena e logo a encontrou em uma das mesas, estava com umas amigas. Não foi falar com ela de imediato, primeiro queria analisar a situação, depois escolheria a abordagem. Foi até o bar e pediu uma Michelada — bebida mexicana feita com cerveja, limão, gelo, sal na borda do copo e ligeiramente temperada com algumas gotas de pimenta e molho inglês.

Júlia estava sentada com suas amigas no mezanino e bebia uma Margarita — um coquetel feito com tequila, sal, suco de limão e licor de laranja. Estavam rindo e conversando animadamente; começaram, então, a falar sobre homens e passaram a observar a pista abaixo, verificando se havia algum interessante. Júlia ria com elas, não estava atrás de ninguém, mas também não fazia mal paquerar.

Olhou para a pista, não havia muitos caras sozinhos, e nenhum deles lhe pareceu interessante; fez um beicinho de descontentamento e dirigiu, então, seu olhar para o bar, quem sabe... Júlia congelou, seu queixo caiu e sentiu seu coração parar por um instante! Aquele rapaz do outro dia, lindo de morrer, estava bem ali, pedindo uma bebida no balcão.

— Não acredito! — disse Júlia, com os olhos arregalados e a mão sobre a boca.

— O que foi? — perguntou Rita, uma de suas amigas, olhando para baixo.

— Ele está aqui! O cara que eu te falei! — respondeu a garota ainda chocada. — Lembra? O francês, aquele que eu conheci lá na crackolândia duas semanas atrás!

Rita e a outra amiga, Nina, se aproximaram do corrimão do mezanino animadas.

— Cadê? — perguntou Nina.

— Onde ele está, Juh? — disse Rita esticando o pescoço.

— Disfarcem, pelo amor de Deus! — pediu a morena.

Júlia virou-se de costas para o bar ao perceber que ele estava se virando também. Não queria ser vista ainda, estava com ataque de ansiedade e não sabia por quê, ele era só um cara bonito que ela havia conhecido outro dia, nada mais.

— É o cara meio loiro, de camisa preta no balcão do bar, lá no canto — indicou a enfermeira. — Não olhem assim, ele vai reparar!

— Calma, estou disfarçando... — disse Nina. — Uau! É aquele que está de costas para o balcão? Acho que ele está olhando para cá...  

A morena se encolheu, tentando sair da vista de quem estava lá embaixo.

— Por que está se escondendo Juh? — perguntou Rita dando risada. — Você não disse que queria ter pego o contato dele? É sua oportunidade! Vai lá! — e continuou rindo.

Júlia mordeu a unha do polegar, ainda sem olhar para baixo.

— Falei por falar... Eu não vou lá embaixo! E se ele não se lembrar de mim? — Tomou mais um gole de sua bebida. — Não quero passar um carão!

— Não vai saber se não for! Vai Juh! O cara é lindo! — incentivou Nina, rindo também.

— Vocês querem parar de me pressionar?! — disse a garota sorrindo nervosamente, seu coração saltitava como uma corsa.

— Só estamos pensando na sua felicidade! — falou Rita com um sorriso maroto. — Pense bem ou depois vai se arrepender... não custa nada! Mesmo que ele não se lembre de você... e daí? Você se apresenta de novo! — ela riu.

Quando estava com suas amigas era sempre daquele jeito, Júlia já devia estar acostumada; elas viviam forçando a barra para ela ficar com alguém, o problema é que nunca dava certo... Elas diziam que seu nível de exigência era muito alto, talvez... depois da decepcionante experiência que teve com o inútil do seu último namorado, o que ela menos queria era desperdiçar seu tempo com bobalhões bêbados. Respirou fundo e tomou uma decisão, afinal ela tinha ido até lá para se divertir.

— Quer saber? — disse ela, por fim. — Vocês têm razão, e daí?

 Júlia terminou sua Margarita de um gole só; se levantou ajeitando a saia e desceu as escadas. No andar de baixo, não olhou para o bar; estava muito nervosa e acabou desviando o caminho, decidiu ir até o banheiro primeiro e dar uma olhada no visual, assim ganhava um tempo também para pensar no que ia dizer.

Ricky notou quando Júlia desceu e foi para o outro lado da boate, falaria com a garota assim que ela voltasse. Precisou sair do balcão para que outras pessoas pudessem ser atendidas; então, se encostou em uma pilastra e esperou. Ele já havia reparado que a moça estava apenas com as amigas e que não havia nenhum cara ou namorado com ela, isso era bom. Sorriu satisfeito.

A morena entrou no banheiro e se olhou no espelho, estava tudo certo, cabelo, maquiagem... só faltava a coragem, pensou. Respirou fundo duas vezes e saiu. Atravessou a pista se desviando das pessoas e se dirigiu para o bar, mas não viu mais o rapaz por ali; deu uma rápida olhada em volta, e ainda assim, não o encontrou. Ela não era muito alta e todas aquelas pessoas circulando dificultavam sua visão.

— Droga, que cheio! — resmungou sem saber se estava aliviada ou decepcionada.

Foi até o balcão assim mesmo, queria beber algo mais forte; a margarita que já havia tomado não tinha feito nem cócegas em seu ânimo. Encontrou um pequeno espaço e pediu uma tequila para o barman. Depois voltaria para o mezanino, pensou; procuraria o rapaz lá de cima.

O barman foi rápido e serviu a tequila com limão e sal. Júlia dispensou o limão, mas colocou o sal na mão, lambeu-o e virou o copinho; porém, não foi o suficiente para acabar com a dose. Colocou mais um pouquinho de sal na mão e repetiu o gesto, terminando com a tequila. Fez uma careta e bateu o copinho no balcão, aquilo era forte! Ao se virar deu de cara com Ricky; ele estava sorrindo.

— Vai com calma! — disse o demônio.

— Ah... oi... — respondeu timidamente.

Ricky a olhava de forma divertida. Júlia tinha perdido a fala; agora podia sentir seu coração quase saindo pela boca. Ele era realmente lindo...  Mas não era só isso, tinha um algo a mais, um charme natural...

— Lembra-se de mim? — perguntou Ricky olhando-a nos olhos, ele sabia qual seria a resposta.

— Sim... claro... — Júlia se recompôs. — Richard, não é? Mas... posso te chamar de Ricky! — disse sorrindo e gracejando do modo que ele havia se apresentado a ela quando se conheceram.

— Isso, e você é a Júlia... Ana Júlia, na verdade, mas prefere só Júlia ou Juh! — brincou igualmente o demônio.

Júlia riu.

— Vamos para lá! — Ricky apontou para um canto mais vazio da boate. — Aqui está muito cheio!

Realmente, as pessoas estavam se acotovelando ali para chegar ao bar.

— Sim, mas espera... quero pedir mais alguma coisa! — Julia virou para o barman. — Por favor, uma Piña Colada!

Não sairia dali sem um copo na mão. Júlia tinha um problema; quando ficava nervosa, não sabia o que fazer com as mãos; então precisava de algo para ocupá-las, e ela amava Piña Colada. O caçador levantou uma das sobrancelhas; ele percebeu a ansiedade da garota e desconfiou que ela não estava acostumada a beber. Pelo que ele havia reparado, a jovem já estava na terceira bebida; e a primeira, provavelmente nem havia ainda caído em sua corrente sanguínea. Ele tinha dúvidas se ela aguentaria tanto álcool, porém não disse nada.

Uma garota corpulenta empurrou Júlia para tentar pedir uma bebida. Ricky colocou, então, o braço entre as duas, protegendo a morena e, consequentemente, se aproximando um pouco mais. Quando ela se virou, esbarrou no peito do rapaz, levantou os olhos e sentiu seu rosto corar diante do olhar intenso do demônio. Sorriu de forma tímida e ele lhe devolveu o sorriso despreocupadamente.

Logo o barman trouxe a bebida, Júlia a pegou e Ricky a conduziu para a outra ponta da boate. No caminho, a garota olhou para o mezanino; suas amigas estavam sorrindo e fazendo sinal de positivo. Sorriu também, até agora estava indo bem!

Chegaram a um canto mais calmo e menos barulhento, ali poderiam conversar sem ter que gritar por causa da música.  Júlia estava nervosa ainda... queria roer as unhas, mas se segurou.

— Então... está sozinho? — perguntou, experimentando seu coquetel.

— Estou! — Ricky sorriu, também bebendo um gole do seu drink.

— Não tem amigos? Quero dizer... você não mora aqui no Brasil?

Júlia estava curiosa e não perderia a oportunidade de fazer as devidas perguntas desta vez.

— Não, estou a trabalho. Vou ficar só por mais alguns dias. — respondeu ele mais sério.

A garota sentiu uma pequena pontada de frustração na boca do estômago.

— Ah... entendi, e você trabalha com o quê? Aliás, onde mora, na França? — ela emendou as perguntas como se tivesse pouco tempo para fazê-las, em seguida tomou alguns goles pelo canudinho de sua bebida de abacaxi com coco e rum.

O demônio evitava falar sobre si mesmo, pois era sempre mentira; e isso costumava deixá-lo desconfortável. Assim, normalmente procurava ser breve e direto, para não dar margem a muitas perguntas.

— Trabalho com tecnologia da informação, programação, rede de computadores, segurança de dados, essas coisas... — Ricky sorriu. — Moro na Itália.

— Itália? Que legal! Eu queria conhecer a Itália... deve ser bem bonito lá! — Júlia sorveu mais um pouco do seu drink e concluiu, erguendo um pouco as sobrancelhas — Um francês que mora na Itália e fala perfeitamente o português... Hum... interessante! — Deu um sorriso sexy, mas depois corou envergonhada, então deu mais alguns goles em seu coquetel.

Ricky sorriu, a franqueza da garota e seu jeito tímido provocou cócegas em seu estômago. Ele já havia terminado sua bebida e notou que Júlia estava bebendo a dela rápido demais. A ansiedade da morena havia diminuído, mas ele ainda percebia sua insegurança. Colocou, então, seu copo vazio em uma mesinha atrás da garota e perguntou:

— Você comeu alguma coisa?

— Comi... em casa — respondeu ela, tentando se lembrar o que tinha sido.

— Antes de vir para cá?

— Não... faz um tempo já, mas não estou com fome! — A enfermeira tomou mais um gole do coquetel.

— Sei... — Ricky retirou o copo das mãos da garota e o observou, estava quase vazio; colocou-o, então, na mesinha junto com o dele. — Vamos dançar? — sugeriu.

— Hã?... — Júlia olhou para a pista com as sobrancelhas erguidas. — Acho que eu não sei... Nunca dancei salsa, nem nada do tipo...

— Eu te conduzo — sorriu diante da expressão assustada da garota. — Não se preocupe, ninguém está julgando ninguém aqui. — Ofereceu a mão para ela.

— Sabe dançar? — perguntou, segurando na mão dele e seguindo-o, ainda um pouco nervosa.

— Um pouco, não sou nenhum expert, mas eu me viro! — Piscou para ela.

Ricky levou a morena até a pista e pegou nas duas mãos dela.

— Observe o movimento das pernas, o quadril tem que ficar solto; sinta o ritmo! — Olhou-a divertido, enquanto seu corpo se movia acompanhando a música.

Júlia tentava segui-lo e ria abertamente; começava a sentir o efeito das bebidas. No início se atrapalhou um pouco, mas logo pegou o jeito. Quando o demônio viu que ela estava mais solta, começou a colocar uns giros e trocar as mãos. A música era rápida e alegre, talvez ele preferisse uma mais lenta para dançar mais colado, mas estava se divertindo e ela também. Os movimentos das danças latinas eram naturalmente sensuais e o demônio apreciava isso. Às vezes, ele colocava a mão atrás das costas da garota e a trazia para si, seus corpos se tocavam e se moviam ao ritmo da música, seus rostos ficavam tão próximos que podia sentir sua respiração quente, então a afastava e a girava.

Fazia uns vinte minutos que estavam na pista quando Ricky percebeu que Júlia não estava bem, seu corpo estava começando a ficar pesado e relaxado demais; a coordenação motora não era mais a mesma. Ela riu fechando os olhos e o demônio a puxou para perto dele, segurando em suas costas. A garota se encostou em seu peito e desabou. Ele a segurou firmemente e a conduziu até o canto da boate novamente.

— Ei, Júlia! Tudo bem? — perguntou ele com preocupação na voz.

— Uhumm... — respondeu a garota, arrastando a voz, mas sorrindo.

Ricky estava sério, levantou a cabeça e olhou para o mezanino. Viu as amigas da garota saírem de suas mesas e descerem as escadas.

— O que aconteceu? — perguntou Nina, chegando apressada.

— Parece que ela exagerou na bebida... — respondeu o demônio, sustentando-a de encontro ao seu peito.

— Aff, Júlia! Fala sério! — exclamou a outra garota. — Desculpe por isso... hã... não lembro seu nome! — disse, olhando para o rapaz. — É melhor a gente levar ela para casa! Você pode me passar seu celular? Depois ela te liga.

— Não... — resmungou Júlia, ainda com um pouco de consciência, nos braços do caçador. — Não quero... Vocês ficam... ele me leva! Não leva? — Olhou para o rapaz. — Humm... você cheira gostoso! — disse sorrindo.

Rita levantou as sobrancelhas e Nina abriu a boca, Ricky apenas sorriu.

— Júlia, não... Você veio com a gente e...  — começou a dizer Nina.

— Não, pode deixar, eu a levo! — interrompeu o demônio. — Não se preocupem, vou deixar meu celular. — Com uma das mãos, pegou o telefone. — Qual é o seu número? — perguntou para Rita.

A garota respondeu e ele enviou uma mensagem para ela.

— Pronto, agora você tem meu número; meu nome é Richard. Prometo que vou deixá-la em segurança — acrescentou, vendo a dúvida nos olhos das garotas.

As meninas se entreolharam, cochicharam e, no fim, concordaram, um pouco aflitas, mas resolvendo confiar no rapaz; ele não parecia ser uma má pessoa, afinal. Nina foi buscar a bolsa da amiga e ao voltar, pediu:

— Por favor, cuide dela! Se fizer alguma besteira, juro que vou atrás de você no inferno!

Ricky sorriu com a referência.

— Pode deixar. — Ele pegou a bolsa e apoiou Júlia em seu próprio corpo, enlaçando-a pela cintura.

Saíram e o demônio solicitou o carro ao manobrista. A morena estava com a cabeça encostada em seu peito e brincava com um botão de sua camisa.

Assim que o carro chegou, Ricky a acomodou no banco do passageiro e afivelou o cinto. Deu a volta, sentou-se em seu banco e olhou para a garota.

— Onde você mora? — sussurrou, passando as costas dos dedos no rosto da moça.

— Não quero ir para casa... — ela murmurou. Sua cabeça girava...

Júlia ainda estava um pouco consciente; ela sabia que tinha falado alguma coisa do cheiro dele e sabia que era arriscado sair com um desconhecido, mas não queria que ele fosse embora e não queria ir para casa; já não conseguia raciocinar direito, estava com muito sono. Assim que se acomodou melhor no banco do carro, apagou.

O demônio a olhou sério, pensativo.

— Seu desejo é uma ordem! — disse, ligando o carro e saindo.

— Aonde você pensa que vai? — perguntou uma voz no banco de trás.

Ricky olhou por cima do ombro. A guardiã de Júlia havia ficado por perto a noite toda, mas ele não tinha dado muita atenção. Nem poderia, pois ele, estando materializado, não poderia conversar com um espírito, ou ia parecer que estava falando sozinho.

— Acho que não é da sua conta! — respondeu, em voz baixa para não acordar Júlia.

— Como ousa... seu insensível, aproveitador!

— O que você pensa que eu sou? — interrompeu ele irritado.

— Um demônio!

Ricky riu.

— Você não me conhece... — suspirou.

 O demônio achou melhor esclarecer as coisas, assim a guardiã talvez parasse de perturbá-lo.

— Vou levá-la para comer algo na padaria. Tudo bem para você?

— E depois? — insistiu a guardiã.

— Depois não sei! Depois eu vejo! — Franziu as sobrancelhas.

Fez uma pausa e continuou:

— Escute aqui ... Eu não sou do tipo que se aproveita de garotas neste estado — respirou fundo. — Se for rolar algo entre a gente, vai ser com ela lúcida e consciente! okay? — disse firmemente, dando o assunto por encerrado.

A guardiã não respondeu e seguiram o resto do caminho em silêncio.

Ricky estava um pouco frustrado, esperava um final diferente para aquele encontro; porém, já havia dado o primeiro passo e percebeu que Júlia também mostrava interesse por ele. Sentiu-se excitado com aquilo; respirou fundo novamente. Não teria pressa, não desta vez... Só queria saber até onde aquela guardiã ia interferir, ficou imaginando se ela ia segui-los caso… O demônio arqueou uma sobrancelha. Não... ela não ia fazer isso... esperava que não!

A jovem anjo, por sua vez, estava aflita e mal-humorada. Aquele demônio não desistia! Já devia esperar por isso, mas depois de alguns dias sem dar sinal de vida, tinha esperanças que ele a havia escutado. Estava um pouco mais tranquila com o fato dele não querer se aproveitar da situação de Júlia, mas sempre tinha o depois. Uma imagem surgiu em sua mente; balançou a cabeça, aquilo era indecente... não podia ficar pensando nisso, precisava se concentrar no presente para que não houvesse um depois.

 


Notas Finais


Obrigada pela leitura!😄
Espero que esteja gostando!💚

Próximo capítulo em 14/08/18: O que será que Júlia vai decidir? A guardiã vai interferir?


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