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História Spell - Capítulo 3


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Notas do Autor


antes de mais nada, zacky é tudo pra mim nessa fanfic
e segundo, alice por favor não me mata ok?????

Capítulo 3 - Challenge


O pingente foi deixado sobre a mesa de cabeceira durante dias, pesando mais que tudo contra a madeira escura enquanto Matt decidia o que fazer com toda aquela situação. Logo depois da conversa com o meio-vampiro, o lobisomem encarou o objeto por horas, sorrindo ao lembrar do sorriso desafiador que recebera do galês - transformando-o num rival interessante; principalmente se passasse disso. Tentou também entender os motivos que ele tivera para fazer aquilo e mesmo sendo compreensível, não era um problema seu, no fim das contas - sua aura sempre fora daquele jeito e ninguém nunca o rotulara "perigoso". Rebelde, talvez. Numa sexta-feira, minutos depois das aulas terminarem, foi ao escritório de Olívia e entregou o objetivo - recebendo a notícia de que Tuck não seria expulso, mas sofreria suspensão e teria atividades extras para fazer.

 

Durante os primeiros dias, o meio-vampiro o evitou ao máximo, cortando caminho por onde conseguia, tudo para não cruzar com o lobisomem em qualquer lugar. Matt sequer o via sair do quarto e Heafy não era muito útil em informações. Mas sabia que Tuck não podia estar tramando nada.

 

Porém, seu corpo continuava sofrendo com calafrios e insônia; e segundo Ville, o feitiço não tinha mais nenhum efeito sobre si - estava saudável como sempre estivera. Nas poucas vezes que vira Tuck pelos corredores, notava também o coração acelerado, e ria da própria agonia quando sentia vontade de ir falar com ele; não se sentia culpado - mas sua consciência queria se certificar de que Tuck não o odiava ainda mais. Mas sua curiosidade não se resumia a isso.

 

Estava interessando, não podia esconder isso, era mentir para si mesmo.

 

—O que acha que posso fazer? —A voz de Zacky era distante, pois ele estava debaixo de vários cobertores, Matt virou para ele sem entender absolutamente nada. —Não posso dizer que tenho medo de nadar, é ridículo. —O californiano tentou, de verdade, lembrar do que Zacky tanto esperneava, mas tinha perdido a linha de raciocínio no momento em que o ouviu começar a falar.

 

—Desculpa, o quê? — Não tentou ser educado, mas isso fez Zacky erguer um pouco a cabeça para fora do edredom. Parecia uma criança que insistia em ficar acordada numa noite de frio. O quarto já estava escuro, mas a janela de Zacky estava sem a cortina. —Eu me perdi nas informações.

 

—A equipe de natação precisa de outro integrante porque alguém está cumprindo suspensão de todas as atividades. Tuck estava treinando para uma competição, algo assim.  — Mesmo debaixo dos lençóis, viu Zacky dar de ombros. —Então sugeriram que eu ficasse no lugar dele, mas eu não sei nadar. E Brian estava todo empolgado porque ficaríamos juntos na equipe, mas não posso dizer que não sei nadar, e parecer um idiota.

 

—Eu acho que você está apressando as coisas. Ele não está colocando tanta expectativa assim, pode até aparecer alguém antes de você dizer que não pode participar. — Deu de ombros, achando incompreensível o nervosismo de Zacky para uma situação tão simples. Pelo que sabia, qualquer um podia assistir os treinos de natação; ele podia se contentar em só torcer, não? Tuck provavelmente estaria na arquibancada também, se mordendo de raiva por não estar treinando para competir. Matt sorriu com a imagem.

 

E com isso, teve uma ideia.



 

Você quer participar da equipe? — A pergunta de Brian foi quase retórica, só para justificar se tinha de fato escutado com clareza as palavras de Matt. O mesmo Matt que fora responsável pela suspensão de seu melhor amigo; claro que Brian não concordava com os métodos de Tuck, mas ainda o defenderia.

 

—Sim, e vejam só: eu sei nadar. — Sorriu, olhando diretamente para Zacky que, por estar um pouco atrás de Brian, não foi notado pelos outros. —E vai ser até o amigo de vocês voltar, sem ressentimentos. —Deu de ombros, fazendo tudo ser tão simples que fez Brian se sentir um idiota por estar questionando. Talvez Tuck não tivesse motivos racionais para não gostar de Matt, mas ele com certeza estava começando a ter.

 

Frank notou como todos estavam tensos, e isso quase o fez rir do perigo de ter todos raivosos ali. Zacky talvez fosse o único que não estava gostando da situação atual.

 

—Então faremos assim, certo? — Falou para Brian, apoiando o cotovelo no ombro do sucubus, que mal notou que o vampiro flutuava. —Matt fica na equipe até o fim da suspensão, o que contabiliza duas competições. Mais duas semanas, então precisamos nos certificar que ninguém vai tentar matar o coleguinha, sim?

 

—Não fale assim. — Zacky disse, deixando sua presença ser notada. Gemendo de desgosto com as palavras de Frank. —Eles não são animais irracionais, Iero. —A forma como o demônio falou fez Frank exibir um sorriso nada contido. Zacky o empurrou levemente, pedindo licença, ficando ao lado de Brian como se estivesse ocupando sua posição. Brian mal notou.

 

—Certo, certo. Estamos decididos, Brian? — A pergunta dirigida ao sucubus foi respondida imediatamente com um aceno simples, então Brian apenas colocou os óculos de proteção e entrou novamente na água. Estava tentando melhorar seu tempo.

 

—Não precisa ligar para ele, mas o que você fez com Tuck foi uma merda, cara. — Falou distraído, num ato glorioso de quem se dava bem com todos, mas ainda tinha os favoritos. —É melhor ter um desempenho perfeito.

 

Matt ergueu uma sobrancelha, sorrindo para o desafio que lhe fora lançado de forma tão deliberada - claro que teria um desempenho perfeito.


 

--


 

Tuck não lembrava muito bem da última vez em que teve pilhas de exercício para fazer - inclusive, da matéria que o levou até aquela situação nada agradável. Poucos sabiam do motivo de sua suspensão, mas imaginavam muita coisa - principalmente pelo histórico impecável desde sempre; ele passava no corredor e ouvia os murmurinhos. Mas aquilo nem de longe era a pior parte.

 

Da arquibancada branca, com os cadernos sobre o colo e a mochila de qualquer jeito sobre seus pés, Tuck tinha o desprazer de ver Matt Sanders - clã dos lobos sombrios e o causador de tudo aquilo, nadando tão bem quando si. Tendo quase o mesmo tempo no cronômetro.

 

—Eu não concordei com isso. — Brian surgiu ao seu lado, vestindo bermuda e pronto para ir se trocar.

 

—Mas não é má ideia, ele nada bem. — Deu de ombros, contrariado. —Mas não consigo tirar da cabeça a ideia de que ele está aqui para implicar. É muita ingenuidade minha pensar assim?

 

—Ele é implicante, precisava ver no dia em que ele veio dizer que queria participar da equipe. — Ele riu sem graça, ambos olhando para como Matt pegava um impulso perfeito na hora de dar a volta para a próxima rodada até a outra margem da piscina. Tuck tinha que admitir.

 

—Só espero que ganhem. —Mentiu, porque também queria ganhar; ganhar com os amigos, e não comemorar a vitória de quem tinha roubado seu lugar. Talvez Matt não soubesse do apreço que aquele lugar tinha para Tuck, mas o galês estava com o ego ferido, de qualquer forma.

 

Viu o amigo descer os degraus e Matt sair da piscina. A sunga preta contrastando com as tatuagens que tinha por todo o peito. Desenhos fortes, bem feitos e que deviam ter demorado muito tempo para serem concluídos - ele parecia não gostar de ter a pele "limpa". Tuck mordeu o lábio inferior, lembrando imediatamente de como ficara há algumas noites; praguejando o calor anormal que subia por sua nuca e ia até seu pescoço, tornando a pouca respiração difícil. Queria arrancar os próprios cabelos e voltar para a segurança de seu quarto. Matt era... injusto.

 

—Saudades? — Matt disse ainda distante, e não parecia querer subir as escadas para chegar até onde Tuck estava. E o meio-vampiro não soube dizer de quem o lobisomem estava falando. De si ou da piscina? Talvez Tuck poderia responder que sim, para os dois sentidos daquela palavra solta.

 

—Não que seja da sua conta. — Respondeu de volta, fechando os cadernos; imediatamente na defensiva. Matt estava se secando com uma toalha, e isso fazia sua tatuagem ser ainda mais chamativa. A marca de sua família contra outra tatuagem - era quase ilegível. Um desejo de perguntar porque ela estava coberta correu sua mente e ele censurou aquilo, assim como tentou não pensar no outro a sua frente.

O coração de Tuck parecia machucar a caixa torácica - parecia estar prestes a fugir. Agora que o olhava, parecia que não o via há meses, e claro que estava o evitando; vê-lo, desde o primeiro dia significava não saber coisas sobre si. O meio-vampiro desconhecia absolutamente tudo o que acontecia consigo quando estava perto de Matt - e não gostava da sensação de desconhecido; sentir coisas, de modo geral, era novo para si. Tuck imaginava se tudo o que sentia era carma. 

 

—Claro que tem, eu sou o tema principal desse assunto. — Deu de ombros, jogando a toalha sobre o ombro. —Mas fique tranquilo, você volta em duas semanas. Depois das competições.

 

—Ótimo momento para me tirar da equipe, hm? — Ergueu uma sobrancelha, desejando erguer o dedo do meio para aquele sorriso bonito que agora não tinha o piercing. —Espero que ganhe, para não manchar o nome da equipe.

 

Claro, a equipe.

 

Matt falava como se já o conhecesse, como se fossem inimigos declarados - mas de uma forma desafiadora e excitante. E não eram nada disso, Tuck franziu o cenho; curioso. Entender que eram rivais implica que queria que fossem algo; não queria ser relacionado à Matt em absolutamente nada, porque as coisas que sentia não eram saudáveis para seu raciocínio. Deu a entender que a conversa tinha acabado; porque a forma como sua pele provavelmente já estava avermelhada com a temperatura alta de seu corpo podia denunciá-lo.

 

—Só ganhe isso, e saia do meu lugar. — Respondeu ríspido, descendo as escadas, ignorando-o depois disso. De longe, sabia que Matt conseguia sentir o calor de seu corpo, assim como podia sentir o dele.



 

As aulas passaram tortuosas, lentas e insuportáveis e Matt não via a hora de, finalmente, poder ficar sozinho com os próprios pensamentos. Ao ver Tuck novamente, teve de controlar até mesmo os batimentos cardíacos para não acarretar numa onda de instintos indesejados - ninguém precisava de uma besta de dois metros de altura correndo pelos corredores da escola em direção a floresta; e Matt não queria ser essa besta. Então, no momento em que a última aula acabou, indicando que logo teriam que jantar; o californiano ignorou o aviso e foi direto para o quarto - precisava de um banho frio e de uma conversa consigo mesmo. Estava reprimindo os próprios sentimentos para o próprio bem, como se a 'febre' que sentisse por Tuck não fosse o bastante, agora o galês estava em seus pensamentos. Ele não iria nomear aquilo como desejo - por mais que fosse.

 

Passara horas pensando nele depois da conversa, lembrara de como sentira os batimentos cardíacos dele aumentarem conforme falava, o calor de sua pele que não deveria ser quente. A forma como lhe olhara na piscina - Matt não era cego e isso já vinha acontecendo há semanas. Mas Tuck parecia ser bom em negar o óbvio, até mesmo quando esse "óbvio" era extremamente notável e palpável.

 

Sorriu para si mesmo. Se pudesse, estaria correndo na floresta em sua forma animalesca - não num box apertado de vidro embaçado sob um chuveiro frio demais para uma noite amena. A água gelada não acalmava seus pensamentos incontroláveis por um sanguessuga que lhe jogara um feitiço. Saiu do banheiro, encontrando Zacky se arrumando em frente ao espelho, e parecia que não era a primeira vez que trocava de roupa e tentava arrumar o cabelo da forma desejada.

 

—Passou horas lá dentro, está tudo bem? — O desinteresse de Zacky era audível, mas Matt não se importou; era o jeito dele de distrair a atenção do lobisomem de si, provavelmente porque não queria comentários sobre o que estava fazendo.

 

—Nada comparado ao que você está enfrentando ai. — Apontou para o colega de quarto, que tentava combinar um cinto de spikes com um suéter azul escuro com gravata borboleta. Matt realmente não entendia o outro, parecia que estava passando por uma crise de identidades e não sabia com qual saia do quarto; talvez fosse coisa de híbrido, ou coisa de um Zachary desesperado. —É um encontro? — Sorriu ladino, notando a expressão do menor mudar drasticamente. Os olhos de cores diferentes arregalaram imediatamente, encarando Matt pelo espelho.

 

—Do que merda está falando, Sanders?! — Resmungou irritado, trincando os dentes. De subido, Matt se assustou com a raiva repentina, mas logo depois reparou que Zacky estava corando tanto quanto um adolescente de filme. —Não... Não é um encontro... Desculpe por isso.

 

—Calma, cara. Foi só uma piada. — Céus, ele parecia tão envergonhado que Matt teve que sentir um pouco de pena pela forma que o rubor espalhava-se por seu pescoço, e como sua voz quase tremia. Calou-se, jogando-se nos travesseiros contra a parede, já que sua cama ficava no canto e por lá ficaria até o sono chegar, não fossem batidas insistentes em sua porta. Zacky quem abriu, cumprimentando Tuck com um sorriso e um quase abraço que foi interrompido a tempo pelo demônio que, mais uma vez, corou pelo ato repentino. O meio-vampiro não pareceu ligar, Matt não conseguiu ver a expressão em seu rosto, mas ele estava quente.

 

—Eu preciso falar com ele, Zacky. — E com isso, ele estava pedindo de uma forma educada, que Zacky saísse do quarto. Sem precisar de uma segunda frase, o mais baixo fez disso sua deixa, porque já estava atrasado e Brian teria pensamentos errados caso se atrasasse.

 

Tuck entrou no quarto, apoiou-se na porta e a fechou, suspirando nervosamente - de pura raiva, podia-se ver. Matt ainda o olhava sem entender o que ele fazia ali, justamente quando precisava ignorar o híbrido. Se já estava ruim vê-lo num ambiente aberto, quanto mais naquele cubículo?

 


Notas Finais


clima tensoh


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