História Spotlight - Capítulo 6


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Categorias Naruto
Personagens Deidara, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Kiba Inuzuka, Konan, Nagato, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Yahiko, Yondaime Kazekage (Rasa)
Tags Angst, Drama, Itadei, Narugaa, Narusasu, Nejigaa, Sakuino
Visualizações 37
Palavras 4.141
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishoujo, Bishounen, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo-Ai, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu só queria dizer que eu amo esse capítulo! Só isso mesmo, boa leitura XD

Capítulo 6 - Solitário


 

Spotlight

 

Capítulo 6 – Solitário

 

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Gaara POV’s on

 

 Acordei com o toque alto do meu celular, a música Remedy soava alto, a voz grave e rouca do vocalista do Seether me impediu de voltar a dormir, estiquei o braço alcançando o celular na mesa de cabeceira, desisti de tentar ler o nome no identificador de chamadas, minha visão estava confusa pelo efeito dos remédios. Deslizei para atender de uma vez por todas.

— Alô. – Falei nem um pouco surpreso pelo fio de voz que deixou minha garganta.

Gaara, estava dormindo até agora? – Era a voz de Neji.

— Que horas são? Hoje é sábado mesmo não é? – Questionei me encolhendo na cama, encarando a vista da janela.

Quase duas da tarde... Você não comeu nada ainda? Vou passar aí, nem pense em voltar a dormir. – Ele disse e desligou.

 Apertei os olhos sentindo a cabeça doer, as coisas ainda giravam. Talvez não seja tão ruim que ele venha, esse apartamento silencioso me incomoda às vezes. Será que é muito cruel deixá-lo fazer coisas assim por mim quando sei como ele se sente? Eu deveria sentir culpa ou arrependimento, mas como sempre não sinto absolutamente nada, apenas deixo todos fazerem o que querem e observo, aceito. Devo ser realmente muito egoísta de ter permitido que ele aparecesse aqui, eu normalmente invento uma desculpa, só o deixo vir com o combinado de uma transa e dinheiro na conta, mas agora eu não consegui... Tudo por que me sinto sozinho. Patético. Ele dever ter razão, eu devo ser algum tipo de demônio insensível e cruel que estraga tudo o que toca.

 Bocejei me sentando na cama, esperei as coisas tomarem forma e levantei cambaleando até o banheiro, apoiei os braços na pia encarando meu reflexo no espelho. Deve ter algo errado comigo, para ter essa aparência, deve ser uma piada de mau gosto do universo, um rosto bonito para um interior horrível. Abri a porta do armário do lado do espelho encarando as três prateleiras de remédios, descendo os olhos para a prateleira com pasta e escova de dente, pegando ambas. Escovei os dentes devolvendo-as ao lugar, fechando a porta. Ah, as coisas ainda estão girando.

 Voltei ao quarto pegando o celular e andando o mais reto que conseguia até a sala, me sentei no sofá olhando as redes sociais, como sempre muitos novos seguidores no instagram, milhares de likes em cada nova foto, inclusive na mais recente, tirada por Naruto no set depois de uma sessão de fotos, ele sempre me mandava fotos minhas desde que dei meu número, de repente percebi que eu estava sorrindo. Mas o que.

 Batidas na porta me fizeram levantar e caminhar até a porta. Não era novidade que ele pudesse subir direto, era um rosto bem conhecido pelo porteiro... Um dos rostos bem conhecidos, o velho deve achar que tenho muitos amigos ou algo do tipo. Não me surpreendi ao abrir e ver os olhos pérolas brilhantes, dei espaço para ele entrar.

— Você tomou remédios a mais para dormir? – Ele perguntou quando eu me desequilibrei no simples ato de fechar a porta.

 Como ele fazia isso? Eu nunca contei a ele sobre remédios.

— Do que está falando? – Dei de ombros o seguindo para a cozinha.

— Gaara, eu venho de uma família de médicos, minha mãe é psiquiatra. – Ele rolou os olhos e eu suspirei.

— Talvez. – Bocejei recebendo um olhar decepcionado.

 Ele começou a abrir os armários e a geladeira pegando ingredientes. Às vezes eu não o entendo, como pode me amar? Normalmente eu nem tento ser gentil, às vezes nem educado, mas ele continua aqui. Como um sentimento pode ignorar os sinais claros e continuar existindo? Não faz sentido, claramente não é nada lógico nutrir sentimentos por mim. Eu não conseguiria o corresponder nem se eu quisesse. Amor não faz sentido, como funciona? Ouço as pessoas falarem tanto disso, sobre as vezes que se apaixonaram, no plural. Enquanto eu não consigo sentir isso por mais que tente. Deve ser outro defeito meu... Eu não quero realmente amar, mas não consigo deixar de pensar que essa incapacidade me afasta muito da normalidade, então eu realmente sou um tipo de aberração.

— Tente tomar um banho, pode ser que se sinta melhor. – Neji falou se virando e tocando meu rosto suavemente.

 Me afastei indo para a minha suíte, me livrei das roupas no caminho e sentei na beira da banheira esperando encher, não me importei com a porta aberta. Encarei o piso preto abaixo dos meus pés, estavam um pouco frios, observando os azulejos grafitti, combinavam com o restante do banheiro em preto, era um banheiro grande, a banheira no centro tinha bastante espaço... Entrei na água fechando a torneira encarando o teto. Por que o dia hoje parece não fazer nenhum sentido? Talvez eu devesse tomar mais comprimidos e dormir até amanhã. Não posso fazer isso, Neji está aqui. Talvez depois de transar ele vá embora. Sim, parece o mais lógico, ele ligou por isso, não é?

 Não entendo, ficar solitário me incomoda, mas quando alguém está comigo só consigo pensar em como me livrar da pessoa. Me afundei a banheira apreciando o silêncio absoluto e a visão turva de tudo fora da água, era confortável e ao mesmo tempo agonizante, tudo parecia tão distante. Voltei a superfície passando a mão no rosto e respirando profundamente, encolhi as pernas em direção ao tronco abraçando-as, deitei o rosto no braço observando o outro, a pele clara e pálida que todos achavam bonita, a mesma pele que esconde a podridão impregnada ali, levei as unhas para o braço, as arrastei na pele diversas vezes vendo a vermelhidão, sentindo o ardor. Gostaria de esfolar toda a minha pele e esperar uma nova tomar o lugar. Quem sabe trocando de pele consiga parar de lembrar daquilo. Eu sou realmente ridículo, depois de tanto tempo ainda me sentia o Gaara de 13 anos, o Gaara sujo. Não importa quantos remédios tome, não consigo apagar isso.

 Sentia a ânsia de vômito quando os flashs invadiram meus pensamentos tão rudemente. Levantei de uma vez caminhando para a toalha, me enxuguei e andei até o quarto. Vesti uma cueca preta, passando os olhos pelas roupas caras penduradas, as ignorando e pegando uma camisa branca folgada e saindo do quarto. Não é como se importasse o que vou vestir já que não vai ficar aqui por muito tempo.

 Me pergunto o que o Naruto está fazendo a essa hora, ele me parece do tipo esforçado, mas ao mesmo tempo preguiçoso, talvez ainda esteja dormindo. Ou pode ter saído com amigos, ele é bem sociável, aposto que tem muitos... Talvez esteja editando minhas últimas fotos, faria sentido. Será que ele fica irritado quando tem que editar fotos minhas? Eu dou um certo trabalho quanto à edição, ele não deve gostar disso, principalmente em um sábado. Será que estou atrapalhando o dia dele? Talvez ele nem se lembre de mim hoje, pode ser que tenha esquecido do jantar que ele mesmo sugeriu. Eu deveria mandar uma mensagem para confirmar? Por que eu quero confirmar isso? Não era para eu estar torcendo para ele esquecer isso? Droga, não sei mais o que estou pensando.

 Voltei à cozinha, já podia sentir o cheiro, me sentei na bancada da ilha no centro da cozinha, de imediato Neji parou o que fazia e se virou andando até mim, parou no espaço entre minhas pernas, senti seu olhar intenso e devolvi da mesma forma, esperando que ele fosse fazer qualquer coisa, menos o que ele fez. Ele pegou a toalha jogada no meu pescoço, jogou na minha cabeça e começou a enxugar meu cabelo, o encarei confuso, ele tinha um sorriso nos lábios, sentia o toque cuidadoso e me amaldiçoei por não sentir nada. É, sou insensível.

— O que está fazendo? – Perguntei.

 Não sei como eu sempre consigo soar tão rude, é automático.

— Cuidando de você. – Ele disse simplista.

— Por quê? Pensei que tinha me ligado porque queria transar. – Perguntei.

— Liguei, mas aí você me soou dopado e eu mudei de planos, agora, você vai almoçar. – Ele falou devolvendo a toalha aos meus ombros.

 Suspirei cansado daquela conversa, daquele olhar cuidadoso demais para eu saber lidar. Cansado de não entender nada disso.

— Certo, pode voltar ao plano original. – Falei sem dar brechas à argumentação.

 Não posso deixá-lo se iludir desse jeito, ele não merece.

 

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 Deslizava o pincel na tela lentamente, com cuidado e leveza, esperando que pudesse dar um fim naqueles sentimentos agonizantes, de largá-los naquela tela junto a toda aquela tinta. Estava para fazer uma nova mistura quando o interfone soou e tive que largar o pincel no pote de solvente e ia até lá.

— Sim, pode deixar subir. – Falei.

 Suspirei seguindo para o banheiro, lavei as mãos sujas logo enchendo algodões com álcool e passando sob as manchas mais difíceis, quando ouvi as batidas na porta, tirei o avental o largando em cima do banco que eu estava. Andei para a porta e a abri, encontrando os orbes tão azuis.

— Atrapalho? – Naruto perguntou sorrindo.

— Não, tudo bem. – falei o deixando entrar.

— Se prepare para o melhor jantar da sua vida, peguei uma receita do meu avô. – Naruto sorriu entrando e seguindo para a cozinha, deixando um saco plástico cheio de ingredientes na ilha.

 Segunda vez que um cara vai cozinhar para mim, o que está acontecendo hoje? Sentei no mesmo lugar de antes, o observando em seu reconhecimento da nova cozinha, sorri com o desastre dele derrubando um ou outro ingrediente. Encarei minha calça preta de moletom e a camisa preta de mangas longas, será que devia ter me vestido melhor? Observei minhas unhas recentemente pintadas de preto, acho que estou cada dia mais gótico.

— Como passou o dia? – Naruto perguntou.

— Normal, acordei tarde, enrolei muito e decidi pintar. E você? – Omiti a parte de Neji ter vindo e o que aconteceu por isso.

 Aposto que ele ficaria enjoado de saber disso, ele parecia bem incomodado quando falamos desse assunto, apesar de ter evitado perguntar muitas coisas.

— Acordei tarde também, enchi o saco do Teme para jogar videogame, ele acabou aceitando, aí ele foi embora antes das 16:00 por que tinha que estudar e aí eu fui editar umas fotos, editei as suas inclusive, é incrível como você consegue sair lindo em todas! Acabei tendo que escolher quais mandar, foi tão difícil! – Ele falava animado.

 Senti meu coração acelerando cada vez mais, assim como um calor nada comum no meu rosto, mordi o lábio inferior e só então percebi que estava sorrindo. Estava feliz por ele estar de costas e não ver isso. Não entendo, essa reação.

— O-obrigado. – Sussurrei.

— Fiquei tão feliz quando você me confirmou que o jantar estava de pé! Pensei que você estivesse ocupado e nem fosse lembrar da minha existência ou algo assim! – Ele falou rindo.

 Não consegui responder, estava tentando respirar fundo para acalmar meu coração, mas ele se virou para mim sorrindo e se aproximou devagar, ele tinha o olhar distraído e fixo em mim, engoli em seco quando ele se aproximou, parou um pouco mais distante que Neji mais cedo, mas sentia meu corpo reagir, como eu posso estar tão nervoso? Ele só se aproximou e está me encarando, não é como se tivesse feito nada demais.

— Posso fazer uma pergunta? – Ele perguntou.

 Desviei o olhar nervoso ao ouvir sua voz tão perto.

— Sim. – Falei mais baixo que o planejado, ainda não conseguia o olhar nos olhos.

— Por que aceitou esse jantar? – Ele perguntou.

 Senti meu rosto arder em chamas e não entendo o motivo, foi uma pergunta tão normal... O que está acontecendo comigo? E afinal, por que eu aceitei? Eu só lembro dele ter sugerido e eu nem pensei no assunto, a resposta simplesmente saiu.

— E-eu não sei... Só saiu. – Falei me amaldiçoado pela hesitação.

 Pensei que ele se magoaria, mas o sorriso aberto que vi fez alguma coisa em mim parar de funcionar, eu simplesmente não consegui me mover.

— É um alívio, você não pensou em me afastar dessa vez. – Ele disse.

 Eu não consegui reagir, respirei fundo em alívio quando ele voltou a atenção ao fogão. Por que estou com essa sensação boa? Não sei por quanto tempo fiquei em silêncio o observando cozinhar de maneira tão desastrada, mas era engraçado vê-lo confuso e logo lia a receita no celular. Percebi que ele estava fazendo macarrão de forno. Parecia que estava terminando, então peguei um vinho que precisava terminar e alcancei duas taças, levei para a sala, deixando tudo na mesa de centro... Será que vinho é demais? Isso não é um jantar romântico, eu acho. Será que ele vai achar que eu entendi errado? Senti meu coração acelerar com o susto de vê-lo se aproximar, ele sentou ao meu lado parecendo respirar fundo.

— Está no forno, agora é só esperar um pouco. – ele sorriu.

 Para onde a minha voz foi? Estava de pernas cruzadas em cima do sofá, encarei minhas mãos sem saber para onde olhar, ele realmente estava perto, mas por algum motivo estava difícil o olhar diretamente.

— Você pintou as unhas, combinou com você. – Ouvi a voz soar doce ao meu lado e logo senti um arrepio quando ele segurou minha mão.

 Meu coração não estava agindo normal. Acabei levando os olhos acompanhado ele levar minha mão até perto de seu rosto, meu coração estava muito acelerado quando ele sorriu passando o polegar pelas minhas unhas, era como se o seu toque queimasse, qualquer toque dele era quente, suas mãos eram quentes, diferente das minhas que estavam sempre muito frias.

— Ei... Quando eu te vi a primeira vez, fiquei impressionado com o quanto você é lindo, eu achava que você fosse inalcançável, aqueles famosos com o ego gigante... Fiquei muito feliz de saber que não é bem assim, você é difícil de entender, mas pelo que eu já vi, sua beleza não é só no exterior. Me aproximar de você está se tornando a melhor decisão que eu tomei. – Ele sorriu.

 Engoli em seco abaixando os olhos, meu coração ainda ia me matar essa noite. O ardor no meu rosto estava se tornando comum com ele por perto, mas o calor dessas palavras não estava apenas no meu corpo, podia sentir uma felicidade repentina e muito estranha começando, de repente não consegui tirar o sorriso do rosto. Não saberia dizer por quanto tempo ficamos nesse silêncio, ele nem deve estar me esperando responder. Eu deveria, não é? E se ele se arrepender de ter dito?

— Acho que eu nem quero te afastar. – Falei, senti seus dedos entrelaçando os meus e observei.

 Corri o risco e levantei o olhar para o rosto dele me deparando com um olhar muito intenso e um sorriso doce, quando ele começou a se aproximar engoli em seco sentindo um nervosismo inédito de apoderar do meu corpo, já havia parado de tentar entender o calor no meu rosto quando pude sentir sua respiração no meu rosto, fechei os olhos sentindo lábios macios sob os meus, tudo pareceu incendiar com esse simples toque, levei uma mão ao ombro dele agarrando a camisa entre os dedos, apertando os dedos dele levemente com a outra mão, sem a menor intenção de soltar. Entreabri os lábios sentindo a língua quente tocar meu lábios, senti um arrepio novo quando nossas línguas se enroscaram, sentia algo dentro de mim sair de controle.

 Quando os lábios se moveram por cima dos meus, pude sentir um carinho absoluto que eu não me sentia merecedor, o correspondi como podia, não estava acostumado com beijos assim. O gosto de do chocolate que comi se misturava ao gosto de menta quando explorávamos a boca um do outro em um beijo sem pressa, eu estava desejando que pudesse ficar ali para sempre, senti uma mão repousar na minha coxa, mas ele não a moveu para cima, não apertou ou arranhou, apenas estava ali sem objetivo além, nossos dedos ainda entrelaçados se apertavam vez ou outra com o ritmo dos lábios de movendo mais rápido, senti seu polegar deslizando suavemente no meu dedo em um carinho simples. O ar fez falta e partimos o beijo contragosto, os rostos muito próximos, sentia nossas respirações descompassadas, ainda não conseguia levantar o olhar, meu rosto queimava, meu coração parecia a um passo de explodir.

 Todo meu corpo estava entrando em colapso, eu não conseguia controlar mais nada. Isso não faz sentido, eu não me sinto assim com nenhum deles, é sempre tão normal, sem esse nervosismo ou calor, sempre conduzi tudo muito facilmente até o objetivo final, sexo. Então... Como um beijo tão calmo pode estar me deixando assim? Não faz sentido essas emoções todas com um beijo. A mão em minha coxa se afastou e logo a senti no meu rosto, arrepiei quando ele levantou meu rosto cuidadosamente, pousando a mão na minha bochecha e deslizando seu polegar ali, senti minha respiração ficando difícil ao encarar os olhos azuis tão intensos, era um olhar que eu nunca tinha visto, mas não estava com medo, pelo contrário, estava em paz. Ele sorriu e acabei espelhando sua ação automaticamente. Que droga está acontecendo aqui?

— Desculpe, eu devia ter perguntado se podia fazer isso. – Ele riu sem graça.

— Tudo bem. – Acabei rindo.

— Eu não planejei fazer isso... Ah, isso é embaraçoso. – Ele riu.

 Sorri observando nossos dedos juntos. Que sentimento é esse?

— Ah, droga! – Naruto gritou.

 Ele se afastou correndo e só então notei o cheiro de queimado, me virei no sofá o observando correr para a cozinha, buscando uma luva, desligou o forno e tirou de lá uma travessa de macarrão queimando, o cheio estava forte, não sei como não percebi antes, ele tentava abanar a tragédia com uma cara de desespero e não consegui aguentar e acabei rindo demais e chamando atenção para mim, mas não conseguia parar.

— Não ria! Ah, o que eu faço com isso agora?! Esqueci completamente do forno, eu podia ter botado fogo na sua cozinha! – Ele choramingava.

— Então, vamos pedir pizza. – Falei ao me recuperar de uma crise de risos.

 Acho que nunca ri tanto na vida, na verdade, não lembro quando foi a última vez que eu ri. Estranho.

— Eu estraguei o jantar. – Naruto falou.

 Ele voltou ao sofá, se sentou espalhado, com um olhar de derrota.

— Tudo bem. – Falei o observando suspirar.

— Não, era para ser o melhor jantar da sua vida, era para eu te fazer rir, a gente ia conversar e comer muito bem. – ele disse.

— Idiota, você já conseguiu isso. – Sorri e ele pulou no sofá, se sentando de frente para mim com olhos brilhantes.

 — Consegui? – Ele parecia animado.

— Sim, conversamos, você me beijou, eu ri da sua cara e agora vamos pedir pizza. Acho que você concluiu todos os objetivos. – Sorri.

— O beijo está na lista de coisas que você gostou? – ele me olhou provocativo.

 Desviei o olhar sentindo o rosto quente, é, eu realmente não consigo controlar minhas reações.

— Não seja convencido! – Resmunguei ouvindo-o rir e acabei sorrindo.

 Abri o aplicativo de delivery e fiz o nosso pedido enquanto ele enchia as taças.

— Ei, você não se sente meio sozinho nesse apartamento tão grande? – Naruto perguntou.

 Peguei a minha taça, me sentando de lado para ficar de frente para ele.

— Às vezes. – Falei tomando um gole sendo acompanhado por olhos azuis.

— O meu apartamento nem é desse tamanho e me sinto sozinho, nem imagino como é morar aqui. – Ele disse olhando em volta.

— O menor dos problemas é me sentir sozinho dentro de casa quando sinto a solidão fora dela também, independente do lugar. – Falei me amaldiçoando pela honestidade não calculada.

 E eu mal comecei a beber, ele sorriu triste e se aproximou, nossas pernas se encostavam.

— Não sai com amigos? Não é próximo de ninguém da faculdade? – ele perguntou acariciando meu cabelo, penteava os fios para trás da minha orelha.

 Tomei outro gole sentindo o rosto aquecer.

— Não tenho nenhum. O mais perto que tenho de amizade são um ou outro cliente que conheço a mais tempo. – Disse, vendo-o desviar o olhar parecendo triste.

 Ele realmente não gosta que eu mencione os clientes, talvez essa seja a reação normal das pessoas sobre esse assunto.

— Sabe, eu perdi meus pais antes de conhecê-los. Tudo o que eu sei é que eles estavam no carro, indo para o hospital fazer um exame de rotina, minha mãe estava de oito meses, e aí um caminhão perdeu o controle e bateu no carro deles. Meu avô me conta que foi um milagre conseguirem me tirar com vida. Quando fico triste por isso vou à praia, observar o mar me ajuda a pensar. – Ele disse.

 Senti um aperto no peito e senti uma tristeza incontrolável ao ver os olhos azuis olhando o nada, seu rosto expressava a mesma tristeza dos olhos.

— Não é como se eu sempre ficasse triste com isso, é difícil sentir falta de algo que nunca teve, mas às vezes sinto um vazio, como se uma parte de mim soubesse que precisava deles. Mas é claro que eu amo meu avô, nem é meu avô de verdade, ele era amigo próximo do meu avô de verdade. Quando meu avô biológico morreu, o meu vô atual ajudou meu pai sempre que precisava. Ele sempre me conta dos meus pais, eu gosto dos meus pais mesmo sem os conhecer. – ele sorriu.

 Esse assunto me dá agonia... Família. Quem diria que teríamos tanto em comum, ainda que as circunstâncias sejam diferentes. Não sei se deveria falar sobre isso com ele, na verdade, não acho que eu consiga falar disso com ninguém.

— Eu também não conheci a minha mãe, ela morreu no meu parto. Mas eu ouvi um pouco sobre ela e vi umas fotos. – Falei pousando os olhos automaticamente no quadro dela.

— Esse quadro... Essa é a sua mãe? – Ele perguntou olhando na mesma direção.

— Sim.– Falei tomando mais um gole enquanto ele levantava e parava em frente ao quadro pendurado.

— Você estava pintando esse no primeiro dia que invadi sua sala. – Ele comentou.

— É, invadiu mesmo. – Falei e ele riu.

— Por que ela parece tão... Triste? – ele perguntou, sem tom era incerto.

— Por que eu a matei. – Falei sem querer.

 Apesar de ter sido baixo, pela expressão dele, ele ouviu.

— No dia em que pintei era o meu aniversário, e o dia em que ela morreu. Eu odeio essa data. – Suspirei terminando o vinho na taça e enchendo outra vez.

 O interfone tocou me salvando daquela conversa, permiti o entregador subir e logo estava o pagando e entrando com as pizzas. Coloquei as duas caixas na mesa de centro e nos sentamos no chão para comer.

— Não tem problema você comer isso? – Ele perguntou levando uma fatia a boca.

— Tudo bem, não como mais de três. – Falei pegando uma.

 Estava comendo quando ouvi um som de obturador e levantei o rosto vendo Naruto com a câmera do celular virada para mim.

— Por que fez isso? – Reclamei.

— Para guardar de lembrança, dias bons merecem fotos. – Ele riu dando de ombros.

 Acabamos de comer e ficamos conversando banalidades por um bom tempo, até ele precisar ir. Estávamos no batente da minha porta, nos encarando há algum tempo, nenhum dos dois com vontade de dar tchau.

— Pode me chamar a qualquer momento, inclusive se quiser marcar de fazer alguma coisa. – Naruto disse levando as mãos aos bolsos.

— Certo, digo o mesmo. – falei.

 Novamente continuamos ali. Mordi o lábio inferior encarando-o tão perto, por algum motivo estava sem coragem de beijá-lo de novo. Ele pareceu ler meus pensamentos dando um passo para frente aproximando seu rosto, levei os braços ao seu pescoço fechando os olhos ao sentir o toque de seus lábios e as mãos na minha cintura. Meu rosto queimava, entreabri os lábios sentindo sua língua, os lábios de moviam em um ritmo mais intenso que o da primeira vez, assim como nossas línguas, dessa vez o gosto de vinho era o mais forte. As mãos na minha cintura apertaram-na quando nos separamos e prendi seu lábio inferior entre os dentes. Nos afastamos respirando fundo, seus olhos brilhavam com uma intensidade assustadora, não conseguia desviar o olhar, e isso estava deixando meu coração descontrolado. Soltei os braços de seu pescoço e o aperto em minha cintura sumiu, abaixei o olhar passando a língua nos lábios como se ainda pudesse sentir o beijo.

— Boa noite, Gaara. – ele disse sorrindo e imitei o ato.

— Boa noite. – Falei e ele deu as costas, esperei até que ele sumisse no elevador, então fechei a porta.

 Respirei fundo levando a mão ao peito para garantir que ainda estava tudo funcionando, levei as mãos ao rosto sentindo o calor ali. Me joguei no sofá tentando acalmar meus sentimentos novos, não dava para tentar entendê-los com todo esse caos. Mesmo com todos esses momentos inesquecíveis, o que não sai da minha cabeça foi uma coisa que ele disse... “É difícil sentir falta do que nunca teve”

 Por que isso me atingiu tão forte?

 


Notas Finais


O que acharam? Vejo vocês no próximo!


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