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História Spotlight - Capítulo 2


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Notas do Autor


E aí, galerinha? Voltei um dia antes do prometido hahaha
Obrigada por todos os favs, fico feliz que tenham gostado ❤

Capítulo 2 - Capítulo dois


Hashirama ouvia o som leve das risadas de Tobirama, era um dia ensolarado e ambos se encontravam no jardim principal da casa grande em que moravam, eles ainda eram crianças e estavam vermelhos por conta do sol forte. Assim que sentiu um jato de água fria em suas costas sua gargalhada se juntou a de seu irmão; enquanto corria atrás do mais novo, novos jatos gelados iam de encontro à seu peito desnudo. Não tardou a achar outra mangueira e agora travavam uma batalha de água contra água; parecia ser uma tarde de verão e não demorou muito para que estivessem enlameados e suados de tanto se perseguirem. O cabelo quase branco do mais novo estava cheio de grama e Hashirama se protegeu quando o mesmo arremessou um punhado de terra em seu rosto, eles se divertiam como nunca até que passos pesados e uma voz grossa aos berros invadiu seus ouvidos. A sensação de desespero foi súbita; as mãos pesadas em seus cabelos, e a dor que sentia ao ser arrastado para a área de serviço da casa, era agoniante. Ele já sabia o que lhe esperava, sua preocupação com o que aconteceria com Tobirama fazia com que tentasse tirar o foco da dor sentida em seu corpo e couro cabeludo; mas não havia nada a ser feito daquela vez, a sensação de sufocamento foi se alastrando e tomando conta de seus pulmões quando foi jogado e trancado dentro do armário mofado e estreito.  

Quando a falta de ar chegou ao limite, Hashirama acordou com um sobressalto e prendeu a tosse que ameaçava sua garganta. Se sentando, sentiu o lençol descolar de suas costas ensopadas de suor, e levou as mãos trêmulas ao rosto numa tentativa falha de limpar a testa suada. Buscando respirar normalmente, umedeceu os lábios os lábios e esfregou os olhos com força repetindo a si mesmo que aquilo não era real. Com as mãos trêmulas, alcançou o copo d'água que mantinha em sua mesa de cabeceira e deglutiu o líquido com dificuldade; era como se uma mão invisível apertasse sem descanso o seu pescoço.

Esperou que os tremores, que inundavam seu corpo, diminuíssem para que pudesse tomar um banho sem o perigo de cair no chão; no caminho, passou pelo quarto de Tobirama, e ao ver o mais novo dormindo com uma fisionomia tranquila, seu coração se acalmou e se permitiu sorrir fraco.

Olhando para o final do corredor, conferiu as horas no relógio de prata que ficava pendurado próximo a janela; não passava das quatro da manhã e suspirou baixinho por ser a madrugada de um dia de domingo, não poderia dormir até mais tarde pois teria de ir cedo para a livraria que havia assumido. Hashirama sempre amou a livraria da família e ficou grato de assumi-la com seu irmão. Quando mais novo tinha para si que seu pai a venderia quando envelhecesse, tal ideia lhe entristecia; mas às vezes era exaustivo ter de abrir mão de algumas de suas manhãs.

O clarão da lua adentrava a ampla janela do banheiro, cobrindo toda a extensão do local. O luar sempre acalmara seus nervos e se banhar tendo somente a luz do astro sobre si era como uma terapia; o banho frio estava lhe causando arrepios e enrijecia os músculos de seu corpo.

Com a testa encostada na parede sentiu a água correndo por suas costas e se concentrou na tatuagem que a tomava por inteiro, “Eu renasci”, afirmou a si mesmo antes de pôr a mão sobre outra que marcava seu plexo solar, respirou fundo passando as pontas dos dedos pelo desenho que ali se encontrava. Hashirama tinha apreço por simbologia, acreditava fielmente que os desenhos o ajudariam a afastar os fantasmas do passado, por isso levava um símbolo nórdico e outro celta em sua pele; suas costas eram tomadas por uma árvore da vida e em seu plexo solar havia uma triquetra, respectivamente significam renascimento e proteção. Tudo que ele precisava eram essas duas coisas.

Com um suspiro profundo se retirou do banho e admirou os raios lunares que refletiam em si, pedindo em uma reza muda que pudesse dormir em paz pelo resto da noite que o sobrara.

Madara acordou com um cheiro intenso de queimado e resmungou colocando o travesseiro sobre a face, já sabia do que se tratava e em alguns segundos ou minutos teria um Izuna agitado pedindo ajuda para apagar o fogo que causara.

-  MADARA!! - o grito irritado do mais novo ecoou pela casa grande fazendo com que Madara retirasse o travesseiro de seu rosto; abriu os olhos preguiçosamente e desejou por um segundo que seu irmão parasse com as receitas mirabolantes.

O cheiro já tomava conta do segundo andar, então se deu ao luxo de se espreguiçar sem pressa quando se pôs de pé; a luz do sol, que cobria uma pequena parte do chão de seu quarto, o fez constatar que ainda era cedo e perguntou a Deus o que havia feito para merecer ser perturbado aquela hora depois de uma noite cansativa.

Desceu as escadas de mármore branco com toda paciência que poderia reunir, o primeiro piso da casa se encontrava esfumaçado e a vontade de esganar Izuna aumentava de pouco em pouco. Ao adentrar a cozinha sua raiva virou graça, Izuna estava xingando a tudo e a todos enquanto tentava de forma falha apagar a brasa de uma grande massa carbonizada utilizando apenas uma toalha.

- Por que você não joga essa pedra na pia e liga a torneira? - Madara perguntou se aproximando da figura que batia freneticamente com um pano naquilo que deveria ter sido um pão.

- Se eu fizer isso posso estragar o que não queimou dentro. - o Uchiha mais novo explicou exasperado afastando, com as costas da mão, uma mecha de seu cabelo que insistia em cair sobre rosto. - Eu preciso saber se acertei nos ingredientes, Nii-san!

- E me chamou por quê? - Madara fitou-o arqueando uma sobrancelha - O que espera que eu faça?

- Corta o pão pra mim? - o caçula pediu em um biquinho quase infantil sabendo que o irmão se zangaria por ter sido acordado para isso - Eu não vou conseguir ter firmeza na faca fazendo isso sozinho. - entregou a faca de pão ao mais velho e vestiu as mãos com luvas de silicone - Corta bem na transversal, eu quero comer o miolo. - sorriu animado e segurou o pão queimado instruindo o irmão que possuía uma feição levemente irritadiça.

-Você pode, por favor, parar de botar fogo nas coisas? - o Uchiha pediu cansado e cortou o alimento de forma rápida; jogando o objeto cortante na ilha central que se encontrava no meio da cozinha, encostou o quadril na bancada da pia e respirou profundamente cruzando os braços - Eu sei que você precisa botar em prática, mas pare de esquecer os pães no forno, Izu!

O mais novo bufou lavando as mãos antes de prender seus longos cabelos em um novo rabo de cavalo alto.

- Nii-san, eu só boto fogo quando se trata das receitas da panificação! Preciso me ajustar ao tempo de cada receita. - gesticulando, se voltou ao alimento e retirou uma grande parte do miolo - Eu tenho certeza que isso está uma delícia, mas não posso queimar na prova de amanhã… Vou passar a manhã ajustando o tempo dessa massa ao forno, a tarde preciso ir para a floricultura. - enfiou um pedaço do pão na própria boca e fechou os olhos apreciando a criação. - Abre a boca.

Antes que Madara pudesse protestar pelo pedido em tom de ordem, um pedaço generoso do alimento foi enfiado em sua boca. Izuna alargou o sorriso batendo as mãos para limpá-las esperando a aprovação do homem à sua frente. Por pouco Madara não engasgou e de cara fechada pela atitude deglutiu.

- Tem castanha nisso? - o semblante de Izuna foi entristecendo com a falta do comentário positivo que almejava, assentiu em resposta franzindo a testa - Izuna… - o mais novo voltou a subir o olhar, que antes havia direcionado ao pão criando teorias sobre o que poderia ter feito de errado. Madara o encarava sério. - É extremamente irritante que seja bom em tudo que faz. - Madara riu fraco da careta feia que recebera do mais novo e o puxou para um abraço. - Está uma delícia, comeria tudo sozinho se o resto fosse comestível. - apertou o abraço e o beijo que deu no topo da cabeça do mais baixo foi o suficiente para que Izuna voltasse a sorrir.

-  É o meu jeitinho especial de ser. - se afastou do abraço dando uma piscadela vitorioso - Fiz o bolo que me pediu, deixei na mesa da área de jantar. - um sorriso carinhoso desenhava seus lábios - Agora some daqui, tenho que refazer e mudar o tempo de assadura desse pão infernal. - seu jeito mandão e agitado divertia Madara, o fazia lembrar de seus falecidos pais.

Obedecendo as supostas ordens dirigidas a si, Madara seguiu à sala de jantar no intuito de comer o bolo que havia pedido diversas vezes para o mais novo. Izuna era muito bom na cozinha, sempre ajudara a mãe nas criações de pratos da mesma; mas ainda assim era melhor com a música, e por esse motivo Madara sempre teve para si de que o irmão se dedicaria ao piano no intuito de viver daquilo, porém o mais novo decidiu cursar gastronomia, entendia seus motivos mesmo que discordasse - e se sentisse culpado pelo mais novo desistir do mundo da música. 

Observou a sala ampla; o piso de porcelanato e os móveis claros com detalhes em dourado faziam o lugar ser aconchegante, saboreava o bolo de licor quando um sentimento de vazio o invadiu sorrateiramente. Sabia que, mesmo o tempo passando, sempre se lembraria e sentiria falta dos almoços e jantares calorosos que ali tivera junto à sua família.

Se fechasse os olhos e se concentrasse, conseguiria lembrar com exatidão das gargalhadas de um Izuna mais novo juntamente das risadas contidas de seu pai, ou até mesmo da voz aveludada de sua mãe enquanto o mais novo tocava com precisão nas teclas de marfim do piano de cauda que ficava na sala de visitas. Era um tempo bom, era bom voltar à esses momentos, mas eles sempre o levavam às memórias que gostaria de perder; as vezes se odiava por se deixar levar ao passado, sempre acabava desgostoso.

Com um leve suspiro decidiu que já havia passado da hora de se arrumar para ir à livraria que seu professor havia mandado, antes de se retirar pegou mais uma fatia do doce e refletiu sobre o dia que teria.

 Madara era pupilo de seu professor, Gohan, e estava encarregado de conseguir um livro de artes sacras para si, mas não era uma obra qualquer; segundo o homem mais velho, a obra era tão específica que se tornava complicada de achar, o professor havia demorado um bom tempo para localizar uma cópia para o aluno.

O Uchiha estava orgulhoso de ter sido escolhido para ajudar o mestre em uma restauração complicada, e precisava do conteúdo do livro para estar apto a tal tarefa. Estar no último período do curso de Conservação e Restauro o deixava nervoso, precisava continuar nas graças do homem mais velho.

Na volta para o quarto pode ouvir os xingamento baixos do irmão vindos da cozinha, aquilo havia se tornado tão frequente que levava em consideração que os palavreados eram os ingredientes secretos das comidas de Izuna.

O banho quente foi rápido e a roupa escolhida leve, a calça jeans e a blusa preta de gola V eram confortáveis para a ocasião; resolveu não se despedir do irmão para não atrapalhá-lo, no momento o mais novo estava cantarolando alguma coisa indecifrável e Madara rezava internamente para que nada pegasse fogo mais uma vez.

O dia estava lindo demais para não optar pela Harley Davidson que reluzia ao sol. Os óculos escuros, que antes se encontravam presos na gola da blusa, agora adornavam seu rosto; sem pressa, prendeu seus longos fios negros em um rabo de cavalo para pôr o capacete e inspirou o ar fresco que emanava o odor doce das flores do jardim. Se posicionou sobre a moto e seguiu para o endereço dado.

O vento em seu rosto lhe causava uma calma bem vinda, gostava de sentir o sol em si mesmo que por pouco tempo; o trajeto não foi tão longo, mas foi o suficiente para que se sentisse revigorado pela adrenalina causada por ele. Deixou a moto na calçada e soltou os cabelos quando retirou o capacete. 

Retirou os óculos e ajeitou os cabelos com os dedos da mão que não estava ocupada com o capacete; em seguida, o objeto que o atrapalhava foi atrelado com destreza na direção da Harley.

Antes de adentrar a livraria conferiu o nome no papel que havia anotado o endereço, a placa na entrada com o nome de “Senju” era o que precisava para confirmar que estava no local certo.   

O lugar era aconchegante e espaçoso, o balcão era de madeira assim como o chão e ficava na direção da entrada, duas poltronas se encontravam entre essa longa distância; haviam vasos de plantas posicionados estrategicamente pela loja, diversas prateleiras tomadas por livros se estendiam pela parte traseira do local, a escada para o segundo andar ficava afastada e à esquerda do balcão. Era como se Madara estivesse em uma livraria saída de um livro infantil, tudo ali transmitia um conforto único; ele admirou o estabelecimento enquanto se aproximava do homem de cabelos brancos que se encontrava sentado atrás da estrutura de madeira.

- Bom dia, gostaria de saber se aqui realmente tem o livro das artes sacras do século oito. - perguntou chamando a atenção do albino que se encontrava lendo um livro grosso de anatomia enquanto fazia anotações. 

O homem desconhecido lhe dirigiu um olhar com curiosidade e ergueu uma das sobrancelhas fechando o semblante em seguida.

- Não está a venda e muito menos disponível. - respondeu ríspido voltando a atenção ao livro. - Se era só isso...

Madara mordeu com força o interior de sua bochecha na intenção de não responder de forma rude, precisava do livro e não poderia perder a cabeça por um atendente mal educado.

- Eu quero falar com o gerente. - a ordem foi feita de maneira tão ríspida quanto a resposta dada anteriormente pelo albino. A língua afiada contida dentro da boca. O homem voltou a encará-lo e dessa vez seus olhos avermelhados continham raiva mesmo que seu semblante demonstrasse indiferença, um sorriso forçado surgiu em seus lábios antes de proferir alto palavra “Anija”.

Madara respirou fundo esfregando a têmpora com a mão esquerda apoiando o braço direito no balcão. Em poucos minutos a presença de um homem alto se fez atrás de si, o Uchiha estava pressionando os olhos no momento em que a voz do recém chegado foi proferida.

Seu corpo gelou por inteiro, abriu os olhos rapidamente e não se virou para a direção da voz grave que sempre lhe arrepiava. Não podia ser, seria muita coincidência. Não precisou se virar, o homem se alocou ao seu lado esquerdo e logo o cheiro típico amadeirado tomou conta dos sentidos do mais baixo.

Não era possível.

Suas mãos suaram frio e se não estivesse apoiado no balcão com certeza sentiria fraqueza nas pernas. Por um momento seus olhos seguiram para a tarja no peito do albino que continha o nome de “Senju Tobirama”. Como deixara isso passar? Se xingou mentalmente por não ter lido o nome, e xingou Hashirama por nunca ter dito o sobrenome que dava nome à loja. Mesmo não tendo a menor ideia da aparência do irmão de Hashirama, poderia ter lido a identificação do sujeito, não é todo dia que se encontra alguém com tal nome.

A boca secou e sabia que empalidecera, o  medo de ser reconhecido cresceu em seu peito no momento em que o de pele acobreada lhe olhou e sorriu abertamente. Ele manteve o semblante indiferente mas suas sinapses enviavam sinais para todo o corpo de que deveria sumir dali o mais rápido possível.

Enquanto seu coração batia descontroladamente pela agonia, Madara observou Hashirama rapidamente - tomando nota de como o moreno se apresentava naquele dia. O cabelo do mais alto se encontrava preso em um rabo de cavalo baixo, o prendedor que mantinha o penteado estava escorrendo de pouco em pouco pelos fios lisos e castanhos; a blusa social branca, que aparentemente era parte do uniforme da loja, marcava discretamente os músculos de seu tórax; no pulso, ele carregava uma fina pulseira de couro com um símbolo desconhecido em metal.

Madara conteve suas análises quando a figura que o encarava perguntou educadamente ao irmão:

- Algum problema? - o moreno se dirigiu de cenho franzido ao de cabelos brancos.

- A minha palavra não valeu, ele quer falar com o gerente. - um sorriso cínico tomou forma nos lábios do rapaz que agora se colocava de pé cruzando os braços na altura do peito. 

Hashirama se virou de lado apoiando o corpo no móvel fixo para iniciar uma conversa com o Uchiha, era nítido que se encontrava tenso pela atitude do irmão, a feição era um misto de preocupação e desconforto.

- No que posso ajudá-lo, senhor..? - a pausa foi entendida pelo de pele alva como uma pergunta muda por seu nome. O nervoso fluía impiedosamente por suas veias. Não poderia mentir, se mentisse jogaria fora a oportunidade com Gohan.

- Madara. Só me chame de Madara. - respondeu após pigarrear na intenção de sua voz sair firme e não vacilar; as mãos suadas foram limpas cautelosamente no tecido da calça jeans antes de voltar a repousar a destra na superfície de madeira. Hashirama assentiu com sorriso curto para que o mais baixo prosseguisse. - Vocês tem o livro de arte sacra do século 8? Pelo que eu entendi.. - virou o rosto para Tobirama arqueando a sobrancelha antes de dar continuidade a frase - Vocês tem. Mas não está a venda, certo? - sua atenção voltou ao moreno.

O maior confirmou a pergunta com um balançar leve de cabeça enquanto encarava Madara como se o analisasse por inteiro, a expressão duvidosa e curiosa do rapaz quase fez com que o Uchiha desistisse ali mesmo.   

    - Se não está a venda, eu posso pelos menos pegar emprestado ou scannear? Ele é realmente necessário para o encerramento do meu curso. - sua fala foi feita de forma séria e percebeu que o albino de olhos carmesim enrijeceu a postura quase que instantaneamente, respirou fundo trincando a mandíbula para não perder o resto de paciência que lhe sobrara.

- Ah então você deve ser o aluno de Conservação e Restauro, seu professor entrou em contato comigo. - a resposta em tom amigável de Hashirama fez com que o de cabelos brancos revirasse os olhos por já saber aonde aquela conversa daria, por isso, pediu licença ao mais velho e se retirou deixando o Uchiha e o moreno sozinhos. - Eu não posso deixar você tirar foto ou algo do tipo, muito menos deixar levá-lo… - o Senju continuou, a expressão de quem tentava se recordar de algo causava calafrios pela espinha do menor. - Seria problema se tivesse que vir para cá para estudá-lo? Eu posso abrir essa exceção. Pelo o que me foi dito por seu professor, é importante para a conclusão do curso, né?

Tudo foi dito de forma suave, Madara não se surpreendeu com a boa vontade do rapaz; afinal, já sabia como a mente do mais alto funcionava, porém não esperava que Tobirama fosse tão diferente dele - tanto em aparência quanto em personalidade. Tobirama deve ter sido adotado, pensou o Uchiha; não tinha como um homem tão gentil ser irmão de um mal educado petulante. 

- E como funcionaria? Eu viria para cá sempre que precisasse? 

- Podemos marcar um dia padrão na semana, ou mais de um, determinamos um horário que se encaixe para nós dois. - o bronzeado disse simples com aquele sorriso cativante que sempre aparecia, o sorriso que sempre Madara sentir o peito aquecendo; entretanto, daquela vez não prestou atenção no sorriso, a única coisa que ecoava em sua mente era “para nós dois”.

O que o Senju quis dizer com isso? Teriam de ficar juntos só para ele ter acesso a um maldito livro antigo? O universo estava pregando uma peça de muito mal gosto em si, era a única explicação.

- Nós dois? - Madara indagou sério com o semblante indiferente, por dentro se sentia idiota por ter uma ponta de esperança de ter entendido errado.

- Eu não posso te deixar sozinho na sala que mantemos esses livros, são do meu pai e ele é extremamente rigoroso quanto à eles. Só nós temos acesso, entende? Sei que precisa, não custa abrir mão de um dia ou dois por algumas horas. - era nítida a sinceridade e vontade de ajudar do Senju. Madara sabia que a proposta de estar perto dele dessa forma era arriscada, porém não poderia abrir mão. - Pode ser desse jeito?

Hashirama não o havia reconhecido, então teria como manter assim. A mente de Madara maquinava diversas possibilidades para não ser descoberto, não agia no cotidiano como agia no clube, seu trejeito mudava juntamente com a personalidade que se tornava amena e reservada; nunca faria coque perto do rapaz e precisava urgentemente mudar o perfume quando fosse para a livraria. Ficaria tudo bem, assim que concluísse o trabalho voltaria a ter o contato apenas pelo clube.

- Claro! Obrigado pela gentileza, não vou tomar muito do seu tempo nessas ocasiões. - o Uchiha tinha um sorriso curto em seus lábios.

O Senju desencostou do balcão mantendo a postura ereta, o elástico que prendia seus fios já se encontrava quase nas pontas dos mesmos; enquanto refazia o rabo de cavalo baixo, indicou a escada da loja com a cabeça em um pedido silencioso para que o mais baixo o seguisse.

    O segundo andar era tão aconchegante quanto o primeiro, a luz não era tão forte e algumas almofadas grandes se encontravam espalhadas pelo chão; definitivamente tudo ali era visado ao conforto dos clientes. Madara já havia passado diversas vezes pela loja, mas por algum motivo nunca entrara na mesma.

    Hashirama o guiou para o final do andar, uma porta de vidro foi aberta para que pudesse adentrar a sala reservada. Era gelada e continha uma mesa redonda de madeira em seu centro; nas prateleiras encostadas nas paredes, diversos livros, de aparência antiga, se alocavam deitados um ao lado do outro com poucos centímetros de distância; Madara pôde entender o cuidado com as peças que ali se encontravam, de fato eram raras e era só olhar para perceber.

    Com cuidado, o de cabelos castanhos retirou a obra da prateleira do meio logo a colocando delicadamente sobre a mesa. Madara se aproximou do livro e admirou a peça, na capa as palavras em latim “Ab Imo Corde” eram desenhadas em dourado, o livro era mediano e grosso, sua cor era um tom bege que com certeza veio de um branco puro.

    - Ele não vai te morder, pode tocar. - o jeito brincalhão da fala de Hashirama fez com que o Uchiha voltasse a atenção do objeto à ele; o Senju se sentou e indicou uma cadeira para que o alvo fizesse o mesmo.

    Madara o obedeceu e abriu o livro com delicadeza apreciando as pinturas feitas a mão que ilustravam as páginas que antecediam as informações, o incômodo de estar próximo do seu cliente cresceu quando notou que os olhos do mesmo não saiam de si.

- Você pode ir, não quero atrapalhar. - não retirou os olhos do livro quando sua voz saiu.

- Não está atrapalhando, pode ser que seja bom passar um tempo com você. - Hashirama disse o olhando por inteiro antes de soltar uma risada divertida; Madara finalmente levantou os olhos para o moreno e arqueou uma de suas sobrancelhas. - Madara, eu te conheço de algum lugar?

O coração do Uchiha parecia ter parado por um segundo. Teria que juntar todo seu cinismo naquele momento, todos os seus meios de não demonstrar sentimentos e manter a voz e semblante controlados. Ele aprendera a controlar o nervosismo desde cedo, não seria agora que essa habilidade desapareceria.

Ajeitou a postura encostando as costas na cadeira e franziu a testa olhando com uma feição duvidosa para Hashirama, da forma mais calma proferiu:

- Acho que não, não teria como… Me mudei para cá tem pouco tempo. - a simplicidade e naturalidade que falara até o assustou; um pequeno alívio surgiu ao ver a feição de Hashirama suavizar com a informação.

- Ah sim, você era de onde? - havia interesse na voz e mais uma vez ajeitou os cabelos, e dessa vez o rabo de cavalo foi alto.

Madara já estava articulando a mentira que diria quando seus pensamentos foram interrompidos por Tobirama, que adentrara a sala com rapidez, chamando pelo mais velho e saindo em seguida com passos fortes ao ver o Uchiha com o livro.

- Bom, se precisar de alguma coisa é só me chamar. - ele se levantou suspirando baixo, sabia que ouviria diversas reclamações do irmão por sua atitude; entretanto, preferia ouvir Tobirama espraguejando do que ir contra seus princípios de ajudar alguém. - Posso confiar em te deixar aqui sozinho, não é? - riu baixo com a expressão atônita que recebera do alvo.- Espero que não ateie fogo nos livros, do jeito que está tenso parece até que tem medo deles.

- Eu só não quero te ocupar com isso, deve ter outras coisas para fazer.

- Ser o dono da livraria tem suas vantagens. - disse piscando um dos olhos antes de se retirar e deixar Madara sozinho boiando em diversos pensamentos e sentimentos.

    Estando sozinho se permitiu soltar com força o ar que prendia em seus pulmões. Esfregou os olhos com força pressionando as têmporas em seguida; inspirou e expirou lentamente até conseguir organizar a bagunça que havia sido feita dentro de si após os ocorridos da última hora. Seria difícil não ser descoberto, mas não impossível.

    Faria exatamente o que havia planejado mais cedo, tudo daria certo dessa forma. Ainda assim, precisava falar com Izuna; o irmão estava mais do que cansado de ouvir sobre o cliente de sorriso radiante que gastava tempo falando da vida, talvez ele soubesse uma forma de ajudar a si. Nem que fosse fazendo algum doce para afastar a agonia que sentia. 

Mesmo com a mente atordoada, voltou a ler as preciosas informações sobre as fórmulas de tintas e técnicas de pintura usadas nos quadros sacros do século 8. Se maravilhava a cada página da obra; arte, de fato, era uma das maiores paixões de Madara. Saber que trabalharia restaurando quadros e esculturas o deixava radiante, sempre fora bom com as mãos, tinha talento para tal; não era o que havia sonhado fazer para ganhar a vida quando novo, infelizmente o destino havia sido cruel demais, mas estava feliz com a futura profissão.

Depois de longos minutos inserido na leitura, sua mente se perdeu e voltou para o homem de cabelos sedosos e castanhos. O que faria agora?

Depois de refazer o pão mais uma vez, Izuna finalmente achou o tempo que lhe parecia ideal para sua massa com castanhas. Estava satisfeito consigo mesmo, tinha total certeza de que se sairia bem na prova prática de panificação que teria no dia seguinte.

Deixou o alimento na ilha da cozinha procurando o relógio com o olhar, percebeu que às horas já se aproximavam de meio dia e meia. Madara almoçaria na rua então não faria nada para comer, já encontrava saciado pela degustação da própria criação; o que precisava agora era de um banho para se livrar da farinha que havia em seu rosto e cabelos.

Como havia se sujado daquela forma, não sabia. Era sempre muito cuidadoso; provavelmente tal fato tenha acontecido no momento em que bateu na massa carbonizada com o mesmo pano de prato que utilizara para cobri-la na hora de deixá-la crescer.

O banho foi longo, a temperatura da água deixava sua pele vermelha e o vapor acalmava seus sentidos agitados. Izuna possuía duas formas de apreciar a própria companhia, enquanto uma era a música, a outra era essa; ali, sozinho, se afundava em todas as inseguranças que mantinha distante durante o dia.

Deixou os pensamentos, que o assombravam novamente, escorrerem para o ralo junto com os últimos jatos d’água que bateram em seu corpo. Aproveitaria o resto do dia, tinha certeza de que a estufa da floricultura estaria linda naquele dia; amava domingos, o movimento era fraco então a loja fechava mais cedo, poderia ter seu momento no piano cercado das mais belas flores da estufa. Sem Madara para ouvir, ou qualquer outra pessoa.

Todo tempo que perdeu no banho foi recompensado ao se arrumar. A trança em seus cabelos foi feita com maestria, desceu as escadas com rapidez vestindo apenas seus jeans, a blusa azul marinho só seria posta quando achasse a chave do carro. Desistiu de procurar após revirar todos os lugares possíveis.

Xingou baixo se dirigindo ao carro enquanto vestia a camisa justa que marcava seu corpo esbelto e levemente definido. Odiava a mania do irmão de deixar as chaves dentro do carro; Madara usava a desculpa de que, em casos de emergência, não precisariam procurá-la porque a mesma já estaria no veículo.  A chave estava lá e dessa vez o mais velho teria de preparar os ouvidos para a bronca que tomaria.

O caminho conhecido foi feito com as janelas abertas enquanto seus dedos batucavam o volante no ritmo da música que saía das caixas de som.

Ao entrar na floricultura cumprimentou alguns funcionários e se dirigiu rapidamente a estufa que se encontrava após o salão principal; amava trabalhar na loja de seu  tio, Fuyuki. Izuna ficava responsável pelo cuidado e colheita das flores, todas eram vendidas frescas, o cliente escolhia a dedo qual levaria para casa.

A verdade era que os irmãos Uchiha não tinham a menor necessidade de trabalhar, a herança de seus pais e as posses da família eram suficientes para que se bancassem de forma confortável  até o final da vida; entretanto, gostavam de ter algo à qual se ocupar além dos estudos.

O resto da tarde passou tranquilamente, algumas flores vendidas e conversas superficiais sobre a vida com os clientes costumeiros deram forma ao seu expediente. Às 16h em ponto Izuna se via sozinho no lugar, ele era quem fechava a loja e todos já haviam ido embora. Estava livre para fazer o que sempre fazia quando a loja fechava, tocar as belas teclas do piano vertical alocado entre as rosas.

Tobirama estava irritado, como se não bastasse o irmão permitir um qualquer ler o livro que pertencia ao pai, ainda teve que lidar com o problema do carregamento dos novos livros. A editora mandara mais de cem edições passadas de um livro, e livros dos quais não haviam sido solicitados. Sua cabeça estava explodindo, perdera o dia inteira naquilo e ainda não havia ido na floricultura comprar as flores rotineiras e tal fato só piorava seu humor.

Precisaria correr para chegar antes do estabelecimento fechar, não se perdoaria se não conseguisse levar as flores mais uma vez. O lugar era distante da onde estava mas não abriria mão das flores frescas, trinta minutos era o que tinha para chegar antes do fechamento.

O trânsito estava um caos e seu humor cada vez pior, a mandíbula doía pela forma que a trincava; enganaria qualquer um que se atrevesse a olhá-lo de forma atravessada. Quando chegou haviam se passado dez minutos do horário de funcionamento, mesmo assim saiu do carro na esperança de haver algum funcionário ou cliente escolhendo flores atrasando o fechamento.

As portas de vidro possuíam uma placa dizendo “fechado” em vermelho, olhando por elas percebeu que as luzes estavam apagadas e xingou a Deus e o mundo; entretanto, antes que se retirasse, ouviu um som melodioso vindo de dentro do estabelecimento. Se concentrou para ter certeza do que ouvia e olhou para as maçanetas brilhosas, as girou delicadamente; o “clique” foi o suficiente para que entrasse. Estava fechada, não trancada, então alguém estava lá.

Sabia que era errado mas não poderia se importar menos, precisava do buquê. O som tinha parado subitamente então seguiu para o local que achava originário do mesmo; chegando próximo à estufa, novamente o som foi emitido e seus movimentos cessaram. Era a melodia de um piano, jamais cogitou que alguém tocasse o instrumento que enfeitava o lugar. Por um momento sua raiva oscilou, se forçou a voltar a andar mesmo com a dor e o peso que se formaram em seu coração. Como um instrumento tão bonito poderia lhe causar tanta dor?

Da entrada da estufa era possível ver um jovem sentado tocando com excelência, os olhos do pianista se fechavam algumas vezes como se cada nota fosse um carinho único. Tobirama arregalou levemente os olhos e arqueou as sobrancelhas com o que aconteceu em seguida, com um suspiro calmo o rapaz começou a cantar Give Me Love de Ed Sheeran; não iria atrapalhar os sons melodiosos e agradáveis causados pelos dedos e boca do mesmo,  cruzou os braços se encostando no batente da entrada se permitindo apreciar já que há tanto tempo não escutava algo do tipo.

Ao perceber que o rapaz era o funcionário de olhos ônix, um pequeno calafrio se fez presente em sua nuca. Nunca falara nada além de qual flor gostaria de comprar e “boa tarde” para o homem que estava de perfil à sua frente; ele trocava palavras e curtas conversas com todos, menos com si.

Nem Tobirama saberia explicar o motivo do incômodo que sentia à sua indiferença. Tal sentimento o intrigava causando alguns de seus devaneios quando não estava se ocupando com alguma coisa.

A música estava acabando e não sabia como chamar a atenção para si, nunca foi bom em puxar assunto com as pessoas.

Quando os doces sons cessaram, proferiu:

- Agora pode me atender? Ou vai demorar mais? - sua fala saiu mais rude do que esperava, se repreendeu pela ótima maneira que começou a conversa quando viu o susto que dera no alvo.

    Izuna deu um sobressalto no banco, olhando para o lado, com a voz inesperada; levou a mão direita ao coração e respirou fundo na tentativa de acalmar as batidas desgovernadas.

- O horário de funcionamento já acabou. Tem uma placa, não sabe ler? - Izuna usou o mesmo tom de voz, seus lábios se encontravam em curvas debochadas.

- Eu não sei ler e aparentemente você não sabe obedecer horários, você ainda está aqui e ainda deixou porta estava aberta. - seu sorriso foi irônico ao responder e o albino viu que não tinha como voltar atrás; se o rapaz nutria indiferença, agora nutria antipatia.

O uchiha se levantou com raiva e seguiu até o local que as luvas e a tesoura de jardinagem se encontravam, todos os seus movimentos irritadiços eram captados pelo Senju que se desencostou do batente e se aproximou.

- O que você quer? - o sorriso forçado e a falta de paciência do de cabelos negros reforçaram a ideia de Tobirama de que agora seria muito mais difícil se aproximar. Mas por que gostaria de se aproximar? - Agora esqueceu como se fala? - o sarcasmo dominava sua voz.

Toda irritação que sentira mais cedo voltara de uma vez, e o arrependimento por ter sido rude por não saber como agir desapareceu.

- Rosas brancas, dez. - seu semblante estava fechado agora. Enquanto Izuna colhia as flores, pegou a quantia que as rosas custavam e colocou sobre o tampo do piano. - Não precisa de embrulho. - disse ao reparar que o mais baixo as enrolava em papel fino.

- Se quiser furar os dedos tire o embrulho por si mesmo. - sorriu cínico entregando as flores antes de arrancar as luvas e as jogar no chão. - Se era só isso...

Quase riu com a ironia do destino, havia dito as mesmas palavras mais cedo ao rapaz que foi à livraria. Sem dizer mais nada se retirou do local ouvindo atrás de si um “De nada! Feche a porta.” sarcástico.

Por que estava se importando com aquela reação de uma pessoa que nem conhecia? Não gostava de ser tratado com indiferença, muito menos que batessem de frente com si; mas naquele momento o incômodo era diferente e preferia não descobrir o motivo.

O resto do dia passou rápido e logo a manhã de segunda-feira raiara, Izuna se arrumou rápido e saiu para a faculdade sem se despedir de Madara. Não gostava de ter contato com os outros antes de uma prova, e naquele dia teria duas: cortes de carnes e panificação.

No caminho refletiu sobre o que o irmão contara. O mais velho era tão azarado que a única livraria que possuía o que necessitava era justamente do cliente ao qual era apaixonado; por mais que o Uchiha negasse essa paixão, o mais novo sabia muito bem que ela existia. A forma que o irmão se referia ao rapaz, como se o mesmo fosse um sol, entregava tudo. E a situação piorava quando ele tentava ir ao quarto de artes de Madara; o mesmo o impedia de entrar antes que escondesse algumas coisas, mas mesmo assim deixava exposto um quadro com a pintura de um olhar que ele tinha certeza que pertencia à Hashirama. 

A ansiedade pela prova de cortes era bem vinda, gostava dessa matéria, era uma de suas preferidas, e por isso já se encontrava alocado no balcão que mais o agradava. Suas facas estavam limpas,  emparelhadas e muito bem amoladas.

Não tardou para que o professor entrasse em sala e anunciasse que a prova seria em dupla, algo que desagradava imensamente Izuna. Ter o controle era essencial e sozinho garantiria a nota máxima, mas em dupla não poderia ter certeza, teria de rezar para cair com alguém tão bom quanto ele.

Rezar não funcionou, e seu ódio pela dupla que o professor escolhera para si aumentava gradativamente ao passo em que a garota esbarrava seu cotovelo em Izuna a cada movimento dado por ela.

Após um tempo ela parou de esbarrar com tanta frequência, o que deu ao Uchiha a chance ideal de finalizar o corte na carne de cordeiro. A dor aguda na mão esquerda se espalhou rapidamente por seu corpo e um grito ficou preso na garganta; em poucos segundos a mesa ficou banhada de sangue por conta de um longo e profundo corte em sua palma. Seu rosto estava vermelho de ódio, e se não fosse o professor o arrastando para a enfermaria, teria voado na garota que causara o corte ao dar um esbarrão forte.

A enfermeira não pôde fazer muita coisa além de estancar o sangue amarrando faixas na mão esguia do rapaz, a profundidade e comprimento exigiam pontos então foi levado ao hospital mais próximo.

Estava mais irritado pela falta de profissionalismo da colega classe, e por perder as provas, do que pelo corte em si. Sabia que muitos outros viriam, isso não o incomodava.

Sentado na emergência, aguardava impacientemente um residente que pudesse dar os pontos naquele momento. Queria ir para casa o mais rápido possível para descontar a raiva em qualquer coisa que visse pela frente.

Ouviu passos pelo corredor que levava a emergência e vozes masculinas conversando, pelo que entendeu o residente se chamava Tobirama e logo entraria ali para chamá-lo para o procedimento.

- Hm, Uchiha Izuna ? - um homem alto, de jaleco aberto com uma blusa social azul, adentrou a sala concentrado na prancheta que segurava  - Pelo que disseram o corte foi.. - o homem de cabelos brancos perdera a fala ao olhar para si. Izuna estava tão chocado quanto ele, definitivamente aquele não era seu dia.

 Não era possível que aquele coelho atrevido costuraria sua mão.

- Você só pode estar de brincadeira comigo. - o Uchiha espraguejou mais para o universo do que para o homem.

 


Notas Finais


No próximo temos Madarinha no Clube, ein 👀
O que será que o Hashi vai requisitar dessa vez?
Até dia 16! Ou antes, né? Nunca se sabe
Alguma teoria sobre as tatuagens do Hashi? Ou sobre o sentimento de culpa do Mada pelo Izuna largar a música? O surto Tobi quanto ao livro? As flores que o Tobirama sempre compra? O gatilho do piano? Hmmm quero saber hahahah


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