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História Spring day (Park Jimin) - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Capítulo 1


Fanfic / Fanfiction Spring day (Park Jimin) - Capítulo 1 - Capítulo 1


" ...Mas eu sou apenas uma humana,

E eu sangro quando caio,

Eu sou apenas humana, 

Eu me despedaço e quebro..."



- Christina Perri - Human. 



Eu sou apenas humana.


A morte é a única certeza que temos, e mesmo assim tememos tanto o dia em que ela baterá em nossa porta. Muitos a culpavam, muitos perderam pessoas importantes, e logo se perderiam também.

Ela aparecia de tantas formas e de maneira tão fácil, tanto que em uma simples queda ela poderia ser encontrada. Por isso é tão temida, nunca se sabe quando ela chegará, e ela nunca, nunca mesmo, nos deixa dizer adeus. Quando nos demos conta, é tarde demais...


E oque resta?


A dor.


O luto.


E uma saudade agonizante dentro do peito.



(...)




Era o primeiro dia da nova estação. O inverno, e a neve começava a cair, tornando branco o asfalto negro e a grama verde. Os flocos dançavam no vento leve, cobrindo o telhado das casas e o sol, que já não era visto desde semana passada quando a nuvem pesada cobriu o azul intenso em um aviso que a estação se aproximava, e bem, ela havia chegado.


O vento gelado embaçava o vidro e pouco a pouco, esfriava o interior do ônibus lotado. Dentro dele, uma garota apreensiva se encontrava de pé, esperando pelo seu ponto. Os olhos puxados olhando para fora, rezando o mesmo de sempre. Um sentimento era explícito em seu rosto, medo. Todos ali dentro conheciam bem aquela expressão, e em um dia, pouco antes do inverno, uma criança perguntou a um velho que sempre sentava na primeira cadeira, o motivo de tamanha angústia vindo da moça. O senhor a olhou e depois fitou o menino, pronunciando suas sábias palavras.

" Todos os dias, aquela menina desce do ônibus e começa a correr para a casa. Algumas pessoas dizem que era para que chegasse a tempo e passasse os últimos minutos com quem ela ama. "

Ainda me lembro bem da expressão de surpresa e tristeza misturadas do garotinho enquanto olhava a garota que mordia os lábios ansiosa. Talvez ele ainda fosse muito jovem para entender a apreensão da moça, mas ainda sim se sentiu mal por ela.

Quando o motorista parou no último ponto, a garota começou a empurrar as outras pessoas do ônibus, ignorando os palavrões que eram dirigidos a ela e desceu em um pulo. Como o velho dissera dias atrás, ela começou a correr pela estrada vazia que levava para uma casa antiga a alguns quilômetros dali. O terreno era quase plano, apenas algumas altas montanhas pintadas no horizonte tirava essa imersão. Nenhuma casa ou estabelecimento estava ali, apenas o último ponto de ônibus alguns metros atrás. Ela não se importava com o cansaço, a dor nas pernas e nem o suor que escorria pela testa, ela apenas tinha que chegar a tempo.

A natureza parecia saber a conclusão daquela corrida, pois a neve caia lentamente de maneira triste; pousava no asfalto tornando-o um tanto escorregadio. O vento congelava a pele exposta do rosto, mas ela não se importava, não, ela só tinha que estar lá a tempo.


Apenas chegue a tempo!


Saiu da estrada e correu para a casa antiga, uma enorme cerejeira estava alguns metros a frente e todas as suas folhas haviam caído em um instinto para aguentar o frio implacável. Os galhos secos, que uma vez já foram tão belos, agora estavam cobertos de neve.

A garota subiu as escadas e abriu a porta com tudo sem se preocupar se sujaria todo o assoalho de branco. Atravessou o enorme salão e correu para as escadas, encontrou Lee, a empregada, descendo aos prantos. A mais velha arregalou os olhos quando viu Areum parada a encarando com os olhos arregalados, ela já estava pensando o pior.

-- Não... -- a garota sussurrou, correndo escadas á cima.

-- Areum, por favor... -- a mais velha tentou segura-la, mas foi em vão.

As lágrimas já tomavam conta do rosto vermelho e delicado. O pânico se alastrava e o medo assolava cada parte de seu pequeno e frágil corpo.

O barulho da sola da bota batendo na madeira ecoava pelo corredor inteiro, derrapava nas curvas e quase ia de encontro ao chão, mas recuperava o equilíbrio e voltava a correr. O corredor parecia não ter fim, e quase desmaiou quando viu a tão familiar porta de madeira maçiça pivotante. Senhor Park estava encostado na parede ao lado, com a cabeça inclinada para cima e as mãos enfiadas nas madeixas negras. O peito subindo e descendo em soluços, ele chorava.


Não...


O coração dela se apertou, não, isso não podia estar acontecendo. As lágrimas já tinham feito caminho pelo pescoço e molhava as roupas da pequena Areum.

Quando Park baixou seu olhar e a viu, arregalou os olhos. Ela não poderia ver, não, seria demais para ela, ela não aguentaria. Não suportaria aquela dor. 

-- Areum... -- ele correu até ela e sentiu o corpo pequeno bater contra o seu em uma força surreal, ela estava desesperada.

O baque foi tão grande que a pequena subiu alguns centímetros no Park, suas pernas ultrapassaram a lateral do corpo junto com os braços enquanto o peito colidia contra o abdome, pousando os pés no chão depois de alguns segundos 

A segurou com toda a força que tinha, enquanto a garota pulava com os braços estendidos na direção da porta, ela gritava e chorava em extrema agonia.

-- Areum me escute... -- ele tentou falar, mas seu corpo pequeno deslizou de seus braços facilmente, abrindo caminho para o seu deplorável destino.

A garota voltou a correr cambaleando, a visão estava embaçada tanto pelas lágrimas quanto pela ansiedade. Empurrou a porta com toda a força fazendo um estrondo quando a mesma bateu contra a parede. Se prestasse mais atenção podia até ter escutado as lascas da pintura velha pousando no chão.

Suspirou pesadamente e caiu de joelhos em câmera lenta, os braços moles caíram ao lado do corpo e ela quase desmaiou. O barulho agudo da máquina de batimentos indicou que um coração havia parado de bater, coração aquele que ela daria a vida para ouvi-lo pulsar de volta. 

Se levantou sem forças e deu passos lentos até a cama bagunçada, um corpo masculino descansava ali, uma expressão neutra. Caiu de joelhos do lado da cama baixa e agarrou o braço alheio com as duas mãos, deixando a cabeça cair no colchão.


Ela chorou...


Gritou...


E berrou...


Molhando os lençóis com lágrimas salgadas.

Ela não podia acreditar, aquilo não poderia estar acontecendo... não... ela chegou tarde demais.

Levantou o rosto e se ergueu, colocando metade do corpo em cima da cama. Com uma mão, ela acariciou cuidadosamente a bochecha ainda quente do garoto, era como se ele fosse se quebrar a qualquer momento, como uma frágil porcelana. Agarrou o suéter cinza e velho e deitou a cabeça sob o peito, em busca de qualquer batimento. Ela tinha esperanças de que a máquina não estava funcionando bem, ele tinha que estar vivo.

-- Acorda, por favor... -- espremeu o suéter com os dedos e pressionou a cabeça com mais força no peito do garoto inalando a doce e fraca fragrância que só ele tinha. -- Por favor, por favor, por favor...não me deixa. -- nenhum som, silêncio total dentro daquela caixa torácica.

Quando percebeu que aquele músculo não mais exerceria sua principal função, se deixou chorar mais ainda, sem forças.

-- Você prometeu... -- murmurou com a voz embargada pelo choro.

-- Areum... -- uma voz feminina a chamou.

Ela ergueu a cabeça e percebeu a presença de sua mãe ali, com os olhos inchados, ajoelhada do lado da cama e segurando a mão do menino.


Ela viu e ouviu tudo? Estava ali desde quando?


-- Mãe...por favor me diz que é mentira. -- ela espreme os olhos para Areum em tristeza e soluçou.

-- Infelizmente não é minha filha, ele se foi. -- a garota prendeu a respiração.


"Ele se foi."


Aquela frase martelou sua cabeça com tanta violência que uma dor se propagou ali. Ela voltou a chorar no peito do menino, agora acariciando o cabelo rosa do mesmo.

-- Precisamos sair... -- a mais velha deu a volta na cama e colocou a mão no ombro de sua filha, que imediatamente a afastou.

-- Não, eu não vou a lugar algum! -- jogou seus braços em volta do garoto e o abraçou, sentindo o cheiro de lavanda e morango que a inebriava.

-- Areum, por favor, nós precisamos sair e principalmente você. -- a garota sentiu raiva e a encarou com ódio nos olhos vermelhos.

-- Principalmente eu? Por que? Talvez seja porquê eu fui a única a secar as lágrimas dele. Talvez seja porquê eu era a única a quem ele mais confiava? Não mamãe, eu não vou sair daqui! -- se debruçou, agarrando o braço do garoto. -- Eu não estava aqui quando ele mais precisava, me deixe sozinha. -- escondeu o rosto no pescoço do menino e começou a chorar.

A mais velha desligou o aparelho, cessando o barulho agudo, virou as costas e saiu pela porta, fechando-a em seguida. Ela sabia que nada poderia ser feito para confortar sua menina, que o último fio de esperança que ela tinha, se foi junto com o jovem Park.

Areum passou a tarde, a noite e a madrugada sem sair do quarto, ficou deitada junto ao corpo frio chorando e se desculpando. Implorava aos céus para que trouxesse seu amado de volta, nem que para isso fosse necessário que a levassem.

Naquela manhã, a mãe de Areum entrou no quarto e se deparou com a cena mais triste que poderia ter visto em toda a sua vida. Sua filha estava deitada ao lado de Park Jimin, o abraçando de lado com o rosto em cima do peito esquerdo, ela dormia pacificamente, com uma tristeza profunda pairando-a. 

Sim, aquela velha mulher sabia que havia perdido sua filha assim como Jimin se foi.

Ela sabia que os dois se amavam, afinal, eram quase irmãos, porém, ela não sabia do amor que eles sentiam de verdade, não sabia dos beijos escondidos e nem sobre as noites de amor que ambos tornaram eternas na memória de cada um.

Ela assistiu a vida dos dois irmãos mudar drasticamente de uma hora para outra quando descobriram que o Park tinha Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). A partir daquele dia, todos na casa, principalmente Areum, puderam reparar as forças se esvaindo do seu corpo. Os tombos se tornaram frequentes, então necessitou de uma cadeira de rodas. Depois, não conseguiu mais segurar nada, os objetos caiam de suas mãos como se pesassem toneladas. A voz suave e delicada passou a ser rouca e arrastada, eles viam o esforço que ele fazia para pronunciar pequenas palavras. Até que um dia, ele não conseguiu mais falar, não conseguiu comer nem beber, então colocaram uma sonda e foi quando ele não conseguiu mais sair da cama.

Assistimos a decadência de um garoto sorridente e tímido sem que pudéssemos fazer nada. Entre todos, Areum foi a que mais sofreu. Ela estava lá com ele nas quedas, ajudando-o a se levantar, limpando os cacos de vidro dos copos e pratos, entendendo-o no olhar e passando as informações para seus familiares quando ele já não conseguia mais mover sua língua.

Sem falar nada, se aproximou da menina e observou seu rosto, estava inchado e vermelho. O rosto do Park estava pálido. A mais velha gentilmente empurrou o ombro de sua filha, que se remexeu e abriu os olhos lentamente.

-- Areum...por favor, precisamos sepulta-lo. -- a menina piscou os olhos e suspirou pesado, contendo as lágrimas.

Se apoiou no cotovelo e com uma mão, empurrou a franja rosa para trás - uma mania - e selou a testa gélida com os lábios quentes, ela se levantou com lágrimas nos olhos e saiu do quarto sem dizer uma única palavra. Era torturante demais senti-lo tão frio, sendo que foi ele quem sempre a aqueceu com seu calor, foi torturante demais sentir o calor abandonando seu corpo e a frieza tomar conta.

Ela andou pelo corredor em passos lentos, era estranho não ter o Park ao seu lado para todo canto que andava, e agora teria de se acostumar. A casa não era a mesma, não tinha mais risos e nem um sinal de alegria. Já não se via o garoto correndo pela casa e pregando peças por aí. Estava silenciosa. Adentrou seu quarto e tirou as botas, depois o casaco. Lentamente, tirou um vestido preto de dentro da cômoda, com uma meia calça e um sobretudo da mesma cor.

Se dirigiu ao banheiro e mais que rapidamente, deixou a água quente descer pelo corpo desnudo. 

Ali dentro ela chorou mais um pouco. Como iria viver sua vida sem ele? Como iria ter esperanças? Ele foi o único que ela amou e a amou de volta na mesma intensidade, ele foi o único que esteve ao lado dela quando a encontrava chorando nos cantos por alguma razão... e ela não esteve lá em seu último suspiro.

Depois de um banho demorado, ela saiu e se vestiu, ficou de frente ao espelho e esperou, mas nada aconteceu. O Park sempre entrava depois que ela terminava de se arrumar e a elogiava como um bobo apaixonado, afinal, era isso que ele era, todo bobo e todo apaixonado por ela. Mas como esperado, a porta se manteve fechada, assim como permaneceu três semanas atrás, quando o garoto não podia mais sair de sua cama.

Ela observou uma lágrima descer do seu olho e pingar do queixo, limpou e se virou, colocando um cachecol preto e uma touca da mesma cor. Procurou suas luvas e a encontrou do lado das botas.

Ela passou a tarde jogada na cama, olhando para o teto, sentindo as lágrimas silenciosas molharem seu cabelo, e ali, se lembrou da promessa.


- Em algum lugar do passado -


Os dois observavam o céu estrelado, Park fazia um carinho na mão de Areum e sorria minimamente. O telhado não era confortável, mas se tornava almofadas se estivessem juntos. Uma estrela cadente atravessou demoradamente o céu noturno e Park apontou o dedo indicador para ela.

-- Faça um desejo, Are. -- ela olhou para ele e ele virou seu rosto para ela, encontrando seu olhar.

-- Que fiquemos juntos para todo o sempre! -- a garota sorriu e ele gargalhou a olhando com os olhos fechados.

-- Para todo o sempre é muito tempo, meu anjo. -- ela o abraçou de lado e se aconchegaram.

-- Eu não me importo, desde que seja ao seu lado. -- ele selou seus lábios e sorriu a olhando nos olhos. Levantou o dedinho na frente de seus rostos e disse.

-- Então eu, Park Jimin, prometo que estarei para todo o sempre ao seu lado e nunca te abandonarei. -- a menina sorriu como uma boba e levantou seu dedinho.

-- Sendo assim, eu, Park Areum... -- usou o sobrenome "Park" de seu irmão, ele sorriu mais ainda. --...prometo estar para todo o sempre ao seu lado e nunca te abandonar! -- os dois cruzaram os dedos e selaram a promessa com um beijo calmo e apaixonado.

As estrelas e a lua foram testemunhas daquele amor e daquela promessa entre duas pessoas que ligaram suas almas para todo o sempre.


- No presente - 


Passou a mão no rosto e limpou as lágrimas, tentando controlar os soluços. A porta foi aberta e ela se levantou com dificuldade, forçando a visão embaçada para enxergar quem era.

-- Minha filha, você está bem? -- reconheceu a voz de sua mãe e suspirou, juntando as duas mãos e olhou a neve cair para fora da janela. Sem sombra de dúvidas o inverno seria a estação que ela odiaria pelo resto de sua vida, pois no primeiro dia, seu amor foi tirado de si.

-- Acho que a última coisa que eu estou é bem, mãe. -- a respondeu com a voz rouca pelas lágrimas.

-- Eu entendo...-- o silêncio tomou o quarto e ela juntou as mãos em frente o corpo. -- Areum...Jimin será enterrado agora, já estão todos lá em baixo, só falta você... -- a menina voltou seu olhar triste para a mais velha e se levantou lentamente.

Colocou as mãos no sobretudo preto e vagarosamente saiu do quarto, sendo acompanhada pela mãe. Não queria nem se olhar em um espelho, apalpando as pálpebras ela pôde sentir o quão inchadas elas estavam, imagine só a vermelhidão dos olhos.

Ela desceu as escadas e pôde escutar conversas baixas e pessoas vestidas em preto. Quando as duas desceram para o salão principal, todos imediatamente cessaram a conversa e a olharam. Areum olhou para o rosto de cada um, não os reconhecendo, eram provavelmente parentes distantes ou amigo de seus pais.

-- Olá Areum. -- um garoto de cabelos pretos a cumprimentou, era filho de um amigo de sua mãe, Jeon Jungkook. Are apenas o olhou. -- Eu...sinto muito pela sua perda. -- a dor já era suficientemente grande, lamenta-la apenas pioraria a situação da jovem e chorosa moça.

-- Uhum. -- começou a andar lentamente, as pessoas abriam caminho até ela chegar ao caixão de madeira escura. Ele estava em cima de um apoio e por dentro estava decorado com flores brancas.

Aquela gente sabia a importância que Jimin tinha para Areum, e não conseguiam se imaginar na situação dela. Perder um irmão era como tirar uma parte de você, uma parte que não consegue viver sem. 

As pétalas cobriam até o quadril, as roupas velhas que usava foram trocadas por um terno. Seu cabelo caia sobre a testa, como sempre, as duas mãos estavam em cima da barriga com os dedos entrelaçados e no dedo anelar estava o anel de prata que ela tinha o presenteado no seu último aniversário, antes mesmo de terem descoberto aquela maldita doença. 

Fechou os punhos com força ao se lembrar. O rosto branquinho e rosado nas bochechas agora era totalmente pálido, e a boca antes vermelha, estava branca em tons leves de roxo. 

Seu amado descansava como se estivesse em sono profundo, mas daquele em específico ela tinha certeza que ele não acordaria. Agora ele estava descansando nos braços de sua velha e conhecida amiga, a morte. De certa forma, Areum se sentiu feliz, Jimin tinha sofrido tanto com aquela doença, agora ele poderia descansar e não sentiria mais dor nenhuma.

Todos estavam observando calados a jovem Park. Ela levantou uma mão levemente e lentamente passou os dedos nos fios rosas do rapaz, afastou a franja com os dedos e deu-lhe um beijo na testa demorado enquanto sentia a maciez das madeixas entre seus dedos. Sentiu um choque quando seus lábios quentes encostaram na pele fria e não conseguiu segurar uma lágrima. Ele costumava ser tão quente. O cheiro de lavanda e morango estava fraco, e isso permitiu que mais lágrimas rolassem, ela sentiria uma imensa falta daquele aroma.

Seus lábios se distanciaram minimamente e ela os desceu para a bochecha, sentindo novamente a pele gélida, e por último, olhou em seu rosto adormecido e selou seus lábios. Murmúrios foram escutados, mas ela não se importou. A maciez daqueles lábios já não era a mesma, eles estavam duros e frios. Doia saber que aquele era seu amor, deitado em um amontoado de flores.

Quando puxou os dedos de seu cabelo, alguns fios se desprenderam e um amontoado veio entre seus dedos, ela colocou a mão com os fios dentro do bolso do sobretudo e com a outra mão, limpou um pingo de lágrima que havia caído na bochecha do Park.

-- Eu te amo, Jiminie. -- sussurrou alto o bastante para que algumas pessoas ao redor ouvissem.

Homens de preto a afastaram e ergueram o caixão pelos apoios laterais. Assim, todos seguiram em silêncio até em baixo da cerejeira. A neve tinha dado trégua mas o chão continuava branco. 

Olhou para cima, os galhos da cerejeira estavam coberto de neve, mas uma coisa chamou a atenção, uma pétala ainda permanecia em um dos troncos. O vento soprou e ela se desprendeu, planando no ar com giros e voltas, lentamente caiu na mão estendida de Areum. Era rosa como os cabelos de Jimin, esse que já estava dentro da cova, com alguns homens jogando a terra dentro do buraco. Fechou a pétala em sua mão de maneira gentil e colocou em cima do coração, fechou os olhos e sentiu outra brisa bater calmamente no seu rosto.


Meu anjo...


Pôde ouvir sua voz suave e angelical soprar no ouvido como um sussurro, sorriu levemente e sentiu sua presença se esvaziar quando o vento se foi.


(...)


O ônibus se aproximava do último ponto, estava lotado como sempre e a neve caia lentamente. Quando o mesmo parou, todos a olharam de cara fechada, esperando que ela saísse empurrando todo mundo e começasse a correr como sempre fazia. Mas dessa vez, ela andou vagarosamente entre as pessoas tomando cuidado para não se esbarrar com nenhuma. Algumas pessoas a olharam surpresa e outras confusa, as mais espertas já sacaram oque havia acontecido e a olhavam com pena. Quando desceu do ônibus, respirou fundo e soltou o ar pela boca, que saiu como uma leve fumaça branca, denunciando a baixa temperatura do local. As pessoas a olhavam pela janela esperando que ela fosse correr, mas não, ela colocou as mãos no bolso do sobretudo e começou a caminhar lentamente. 


Ela não precisava correr, não mais.


No ônibus, uma garotinha com duas tranças e um vestidinho rodado se aproximou do senhor que a analisava com olhos experientes pela janela e perguntou.

-- Moço, oque aconteceu com ela? -- ele a olhou e suspirou.

-- Todos os dias ela saia ás pressas do ônibus e corria o mais rápido que podia para sua casa. -- as pessoas no trem prestavam atenção na sua fala. -- Algumas pessoas diziam que era para que chegasse a tempo e passasse os últimos minutos com quem amava... -- ele parou de falar.

-- E oque aconteceu? -- o velho senhor a olhou.

-- Um dia, ela parou de correr.






Notas Finais


Eu já tinha escrito essa história e tinha esquecido ela no meu bloco de notas, agora que eu achei, decidi postar.

Espero que tenham gostado.


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