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História Sr. Kim - Capítulo 4


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Notas do Autor


Oi pessoinhas ><
Passando mais cedo para alimentar minha namjinzinha :3
Esse cap seria meio minúsculo, então acabei juntando ele com o próximo. Espero que aproveitem ^^
A música tema dos NamJin estará nas NF!

Boa leitura, perdoem os errinhos e até lá embaixo!

Capítulo 4 - O Compromisso


 Namjoon sentia o peito comprimir pela força que o coração retumbava por dentro, os pulmões lutavam na função de mantê-lo oxigenado. Tudo porque estava a centímetros de Seokjin. Os cabelos escuros eram afastados por movimentos que Seokjin ao menos reparava que fazia e as margaridas bordadas no peito o deixavam mais majestoso do que imaginava. Namjoon ansiava por ele, era estupidez tentar contradizer o óbvio. Mas ele sentiu certa mágoa no sorriso simples que ele abriu em sua direção antes de desviar o olhar para os jardins.

– Fico feliz em ouvir isso. Pois não foi o que me pareceu quando nos encontramos no salão – não havia amargura ou acidez nas palavras, Seokjin ao menos usara do sarcasmo. Era apenas uma frase triste construída de sua pequena mágoa, o suficiente para desamparar o sobrinho do conde.

 Com um suspiro, Namjoon se desfez do próprio sorriso e apoiou os cotovelos nas pedras da mureta, acariciando a base do cálice enquanto observava o líquido avermelhado se agitar lá dentro. Não sabia que palavras usar com Seokjin, como se portar com ele, então acabaria sendo o mais sincero possível como única alternativa.

 – Eu não sei como fazer isso – começou e, mesmo notando os olhos dele pesando em sua fala, não retribuiu o gesto – Não sei como me portar diante de você e das outras pessoas. Na aula de etiqueta não explicam como agir quando sentimentos como esses desabrocham .

 Namjoon pôde encontrar certa paz de espírito quando escutou Seokjin rir baixo e curto, parecendo um pouco mais conformado com o tratamento distante de antes. Ainda encaravam as flores e arbustos quando o mais velho iniciou a fala.

 – Minha irmã aprendeu a bordar antes de aprender a ler – começou e Namjoon enfim olhou para ele, encantando-se por cada detalhe do perfil esculpido, desde o nariz até o queixo, mas especialmente os lábios cheios – Ela espremeu o corpo bonito em um espartilho antes de vir para cá porque alguém disse que era isso que as mulheres deveriam fazer. Mas ela nunca conseguiu acertar o ponto do chá ou assar um bolo sem solar – Namjoon sorriu quando o viu sorrir – Eu aprendi todas as normas da etiqueta que cabem a mim, aprendi meus deveres como homem da família e cavalgava antes de conseguir dar passos certeiros sem cair no meio do caminho. Mas nunca tive coragem de tirar a vida de um animal quando meu pai me levava para caçar – voltou-se para Namjoon, que parecia cada vez mais encantado por suas palavras. Dessa vez, o sorriso de Seokjin era tão doce quanto as lembranças que o mais novo tinha dele – Seokmin nunca fez um brioche mais gostoso do que o meu, mas sempre voltava para casa carregando pelo menos dois coelhos depois da caça – Namjoon assentiu, parecendo entender aos poucos o que ele queria dizer. Seokjin encarou os bordados de seu casaco vinho antes de criar coragem para completar o pensamentos – As normas da nossa sociedade não foram feitas buscando uma melhor civilidade e convivência, foram feitas pensando em eliminar aqueles que não conseguissem se adequar com o que alguém disse que era certo.

 Finalizou a frase tomando uma porção de seu champanhe. Por dentro, estava trêmulo com as palavras às quais dera vazão. Eram alguns de seus pensamentos mais pessoais e internos e temia que Namjoon o interpretasse mal, o visse como grosseiro e desse às costas para sua personalidade afiada. Mas o que ele fez foi aumentar ainda mais o sorriso, dando lugar às covinhas que tanto mexiam com o coração do Kim mais velho.

 – Você é muito sábio, senhor Kim – disse e no brilho dos olhos castanhos, Seokjin viu a inocência e curiosidade que encontrara naquela primeira noite onde dividiram cervejas e pães – Conseguiu desconstruir com poucos segundos uma vida inteira de aprendizados precipitados aos quais fui submetido.

 Sem conseguir se conter, Seokjin se aproximou um passo enquanto ria. Era capaz de sentir o calor do corpo dele e entrava no próprio estado de torpor quando percebeu ele inspirar profundamente e franzir o cenho antes de trincar o maxilar.

 – O que foi? – questionou confuso e, para acabar com qualquer balanço de seu corpo, Namjoon inclinou o corpo sem pensar nas consequências, aproximando o rosto do pescoço de Seokjin.

 Foi um breve instante que para ele pareceu o tempo de uma vida inteira. Nunca tivera Namjoon tão perto, sentindo o calor dele agindo tão diretamente sobre sua pele. Daquela proximidade, até mesmo a respiração resvalada pôde sentir contra sua epiderme e o arrepio que o tomou foi a evidência que faltava para consolidar as conclusões de Seokjin: estava completa e irredutivelmente entregue a Namjoon.

 – Seu cheiro... – ele sussurrou, parecendo realmente afetado enquanto se afastava lentamente. Foi somente quando notou que Seokjin, o notável e extrovertido Seokjin, estava corado que Namjoon reparou nas próprias ações, abaixando o olhar arregalado em constrangimento antes de completar – Perdoe minha indiscrição, mas não pude controlar. Seu cheiro... Foi como ser hipnotizado.

 Eles se mantiveram em silêncio por algum tempo, ambos digerindo o que acabara de acontecer. Foi Seokjin quem tomou a iniciativa primeiro, sorrateiramente aproximando a taça de champanhe do cálice de vinho, esticando os próprios dedos até que resvalassem os dedos de Namjoon, que contornavam o cálice. Ele parecia prestes a explodir enquanto Seokjin era o retrato da própria calmaria, agora que se recuperara.

 – Não seja tão polido, não gosto desse senhor Kim – pediu antes de olhá-lo nos olhos com um olhar doce – Gosto no Namjoon curioso e sem medos que conheci naquela noite, perto do ipê amarelo.

 Ainda constrangido, Namjoon sorriu pequeno, mas não fez questão de afastar o toque que recebia. Em seu coração, nascia o desejo de entrelaça-los ainda mais apertado, puxar Seokjin para perto e afundar-se no aroma delicado que exalava de sua pele como mágica. Sentia e desejava coisas demais quando estavam próximos.

 – Como... Desculpe, mas como você cheira tão bem? – foi a primeira frase que Namjoon conseguiu formular e Seokjin riu, arrancando um suspiro que não reparou do mais novo. Brincava com os dedos dele levemente, prestes a se afastar se algum curioso o interrompesse, mas sem desgrudar os olhos do gesto ou dele.

 – Flor de lili – respondeu antes de voltar a olhá-lo – É um hobby tentar combinações de novas fragrâncias e às vezes é certeiro. Essa é a minha preferida, no dia em que nos encontramos no lago havia acabado de finalizar uma usando baunilha.

 Namjoon parecia não saber como conter tanta admiração, cada aspecto que conhecia sobre Seokjin o encantava e o puxava em direção a um redemoinho sem volta de sentimentos despertados.

 – Você é bom em tantas coisas, senhor Kim – disse e Seokjin percebeu que era muito difícil não sorrir perto dele – Me desconcerta que perca tanto de seu tempo com alguém ocioso como eu.

 Seokjin franziu o cenho e parou o carinho dos dedos ao olhá-lo.

 – O que quer dizer com isso? – perguntou retórico e Namjoon desviou o olhar – Creio que já o tenha assistido ler compenetrado seus livros e sei que acompanha seu tio nos assuntos pessoais e burocráticos. A diplomacia também é uma ciência trabalhosa, senhor Kim. Deveria se dar os créditos por dedicar-se a ela.

 Namjoon não sabia para onde olhar, mas foi impossível esconder o pequeno sorriso que as palavras de Seokjin causou. Antes que pudessem seguir conversando, o som de risadas altas passando pelas grandes portas da varanda fez com que se separassem de um passo, interrompendo o contato dos dedos definitivamente. Suspirando, notaram o quão doloroso era despertarem de seus pequenos momentos de felicidade sempre que a realidade irrompia pelas portas. As risadas se distanciavam pelas escadas de pedra e só então os olhos de Seokjin encontraram os de Namjoon novamente. Havia um pedido neles, um questionamento duvidoso sobre o que eles poderiam ser. Acreditava ter deixado claro, em sua fala sobre as convenções, que as quebraria se assim seu coração desejasse, por mais difícil que fosse aguentar as consequências. Mas e Namjoon? O quanto ele estaria disposto a arriscar pelo proibido?

 Como se lesse seus pensamentos, em uma inspiração que pareceu pegar no aroma de lili um pouco de coragem, Namjoon o lançou um olhar que era tão receoso quanto corajoso.

 – Se recorda que o prometi um presente? – e Seokjin sentiu como se pudesse explodir tamanha expectativa. Aquilo era muito próximo a uma resposta positiva – Ainda gostaria de recebê-lo?

 Seokjin estava sem fôlego, mas assentiu completamente determinado.

 – O que é? – perguntou quando Namjoon começou caminhar às escadas, fazendo com que seguisse um passo atrás.

 – É algo importante, então só entregarei quando estivermos em um lugar importante também.

 Seokjin sorriu antes de começarem a caminhar lado a lado pelo jardim. Sinceramente, não precisaram dar dois passos na direção certa para que entendesse para onde estavam indo. Só existia um lugar naquelas mediações que poderia ser classificado como importante para os dois e a certeza de suas ideias se concretizou quando as flores amarelas balançaram em uma saudação do outro lado do muro, fazendo Seokjin sorrir inconscientemente. E ele ainda sorria quando Namjoon parou contra as delimitações da propriedade e repuxou os cantos dos lábios em um gesto envergonhado.

– Acho que nunca estive tão curioso antes, senhor Kim – foi Seokjin o primeiro a começar o diálogo, olhando-o com doçura – Diga-me, o que pode me oferecer de tão importante para ter me trazido até aqui?

 Namjoon mergulhou os dedos no bolso dianteiro do casaco caro, sem conseguir manter os olhos nos de Seokjin enquanto puxava a correntinha de prata para fora. Seokjin analisou o pingente constituído de um anel cuja circunferência era adornada por uma mecha no mesmo tom castanho acinzentado do dono de seus suspiros mais frequentes. Olhou surpreso para Namjoon já que aquele era um gesto conhecido e inegável entre amantes e quando ele deu um passo em sua direção e finalmente olhou em seus olhos, ele viu sinceridade entranhada nos receios. Sem precisar questionar Seokjin sobre uma afirmativa sobre seus sentimentos, Namjoon inconscientemente o envolveu em um abraço não planejado ao contornar seu pescoço na intenção de fechar o colar e ambos suspiraram com as fragrâncias que os envolveram: lili e hortelã.

 – Compromisso – Namjoon murmurou a resposta depois de deixar o anel com suas madeixas pendurado no peito largo de Seokjin. Decorou os traços dele realçados pela luz da lua antes de umedecer os lábios e dar-lhe uma resposta mais completa – O que tenho de tão importante a lhe oferecer é compromisso, senhor Kim.

*

 Quando Seokjin completou onze anos, sua festa de aniversário foi dada em uma ampla e luxuosa casa que parecia um castelo aos olhos imaginativos das crianças. Uma família amiga de seus pais acabara de se mudar para a capital e foi indescritível a felicidade dos Kim ao receber tantos convites para chás e jantares com os velhos conhecidos, assim como a gratidão ficou impressa nos sorrisos quando ofereceram o grande espaço para comemorar mais uma primavera do primogênito. No mesmo dia, enquanto brincava distraído com filhos dos amigos de seu pai, Seokjin notou um conjunto de notas suaves preencherem o salão principal e parou tudo o que estava fazendo para procurar a origem do som. Caminhando lentamente, notou o corpo diminuto de uma Seokmin de quatro anos de idade se equilibrando no banco estofado do piano enquanto os dedos gorduchos ariscavam notas aleatórias.

 Foi quando Seokjin descobriu duas coisas: o quanto amava música e o quão inclinada a caçula era para aprender os mais diferentes instrumentos musicais. Notando as mesmas coisas que ele, a senhora Shin – dona da casa onde se passava a comemoração – sentou sorridente ao lado da pequenina e com doçura e paciência, ensinou uma nota ou outra que a fizeram sorrir enormemente. Depois daquele dia, Seokmin fugia sempre que podia para a companhia da senhora gentil que a ensinou as artes musicais e esse relato será importante para o futuro do casal que acabava de se formar no coração do condado de Ilsan.

 Seokjin jamais se permitiria esquecer o calor que o tomou totalmente depois de tão sutilmente ter se comprometido ao jovem que o intrigara desde o dia em que o vira pela primeira vez, jamais se esqueceria de como suas bochechas doíam de tanto sorrir ao chegar em casa. Também não se esqueceria de ter visto um Jungkook mais sorridente do que o normal aparecer caminhando ao lado de Jimin enquanto retornava à carruagem, adquirindo certo rubor envergonhado nas bochechas quando percebeu que Seokjin notara com quem ele passara todo o tempo da festa.

 Como em uma promessa, então, toda cavalgada de Seokjin terminava sob as folhas amareladas do ipê, onde Namjoon sempre o esperava com um sorriso e um livro em mãos. Por vezes conversavam e por vezes simplesmente ficavam em silêncio absorvendo a presença um do outro, entendendo, aceitando e estreitando o laço que tão fortemente os atava juntos. O meio de dezembro chegava aos seus dias finais quando Seokjin levou mais uma vez a caixa de madeira repleta de suas essências para seu já habitual encontro com seu compromissado. Ambos se recostavam no tronco da árvore e mal notavam a virada do tempo enquanto Seokjin levava a borda de um dos frascos até o nariz de Namjoon e ria do jeito que ele balançou a cabeça quando inspirou muito fortemente.

 – O que achou? – questionou. Gostava de como as pernas esticadas na grama e os ombros largos se esbarravam o tempo todo, gostava de tudo o que tornava a presença de Namjoon mais nítida ao seu lado.

 – Apesar de parecer ter me dado uma facada na cabeça, acho que é uma das melhores fragrâncias que você produziu – disse sincero e Seokjin sorriu mais largo, realmente feliz. Aquela em específico havia produzido pensando nele – O que usou?

 – Dentre outras coisas, o sândalo – respondeu e Namjoon pareceu impressionado. Seokjin tinha um brilho diferente no olhar quando o estendeu o frasco fechado – É para você.

 Namjoon pareceu incrédulo e constrangido ao aceitar o frasco âmbar, antes de se desmanchar em uma risada adorável.

 – Continua com a mania de sempre me presentear, senhor Kim – disse e Seokjin suspirou, incapaz de desfazer o próprio sorriso – Sinto-me cada vez mais incapaz de compensá-lo à altura.

 Sem pensar no que fazia, Seokjin tocou a mão dele com a sua, conseguindo a atenção dos olhos inocentes.

 – Quando vai entender que lhe presenteio exatamente por já me achar sortudo em demasia por tê-lo ao meu lado? – murmurou doce e quando o viu corar, desfez o contato das mãos e puxou da caixa de madeira um recipiente cheio de pó escuro, mergulhando uma colher na substância antes de leva-la ao nariz de Namjoon – Inspire lentamente, vai ajuda-lo a não confundir os aromas.

 Namjoon inspirou lentamente, como pedido, a colher com pó de café. Até mesmo a dor provocada pelo aroma forte do sândalo pareceu esmaecer, mas ele não soube dizer se por ação do café realmente ou de sua própria distração com o rosto sereno de Seokjin. O ajudou com opiniões sinceras enquanto ele trazia os frascos de essências até seu olfato, entremeadas pelas colheres de café. Quando os frascos finalizaram, Seokjin fechou a caixa e a pôs de lado com cuidado. Sem avisos, ajeitou o corpo para que deitasse sobre a coxa farta de Namjoon, fechando os olhos com um sorriso ao nota-lo estupefato e corado, sem ao menos saber onde colocar as mãos.

 – O-o que está fazendo? – não havia reprovação no questionar, apenas uma pequena insegurança de estarem expostos demais. Mas Namjoon não desejava que Seokjin se movesse de forma alguma, e lentamente suas mãos encontraram caminho até a grama à sua esquerda e aos dedos de Seokjin com a direita, que descansavam no próprio peito.

 Seokjin abriu os olhos, incapaz de conter a euforia pelo tocar tão suave e íntimo, sentindo um bolor se entranhar na garganta. Os olhos de chocolate o olhavam de cima e se contemplaram em silêncio, perdidos nos olhares que se dedicavam até que o mais velho suspirasse. Achava incrível a capacidade de perder a própria razão próximo a Namjoon.

 – Leia para mim – pediu sussurrado e Namjoon o olhou em silêncio por um momento, até que a mão de Seokjin que não estava coberta pela sua cobrisse a de ambos – Sei que sempre traz um livro. Quero ouvir sua voz, senhor Kim.

 Namjoon engoliu em seco e, relutando, retirou a palma presa entre as de Seokjin. Assentiu enquanto puxava o livro que deixara recostado perto das raízes do ipê que rasgavam a terra. Sorriu para o título escolhido propositalmente e abriu na primeira página.

 – “Aquele foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos. Foi a idade da sabedoria, foi a idade da tolice. Foi a época da fé, foi a época da incredulidade. Foi a estação da luz, foi a estação das trevas. Foi a primavera da esperança, foi o inverno do desespero. Tínhamos tudo diante de nós, não havia nada antes de nós. Todos íamos direto para o céu, todos íamos direto para o outro lado.”*

 Seokjin deixou que a voz o embalasse e suspirou com a concentração que tomava Namjoon ao que o nervosismo ia dando espaço para a admiração pelo autor favorito. Se perderam no conto que fazia tantas passagens parecerem falar-lhes diretamente. Nenhum dos dois soube dizer quanto tempo depois Seokjin se ergueu e os olhos de Namjoon abandonaram as páginas pela primeira vez para que se concentrassem nele. Sem maiores explicações, o mais velho se pôs entre as pernas de Namjoon, recostando-se no peito quente e fechando os olhos com a sensação tão nova. Era a primeira vez de ambos sentindo-se tão conectados dessa forma com alguém, a primeira vez trocando toques tão bem recebidos e desejados, inspirando aromas que os embriagavam e satisfaziam seus peitos. Por isso demorou até que se movessem novamente, com as mãos de Seokjin puxando os braços de Namjoon para que ele o abraçasse, o livro e os pulsos do mais novo apoiados em suas coxas antes que Seokjin virasse o rosto minimamente na direção dele.

 Olhando-se tão próximos, perceberam os desejos segredados pelos olhos, como cada respiração parecia coordenada e como ambos os lábios estavam separados como se ansiassem muito mais do que aquilo. Mas não ali, não naquele momento. Então o que Seokjin fez foi suspirar e sorrir pequeno antes de falar.

 – Pode continuar lendo assim? – questionou e Namjoon precisou de um momento a mais para inspirar. Para a surpresa do mais novo, ele descansou momentaneamente a testa em seu ombro. Deus, tão próximos que fazia o estômago de Seokjin repuxar e todo seu corpo se inquietar na ânsia de Namjoon que só crescia, quanto mais o tinha.

 – Posso, mas não prometo ser tão atencioso quanto antes tendo você em meus braços – foi um murmúrio tão baixo e sincero que Seokjin sentiu que ele o segredava os mistérios do universo. E não estava muito errado já que para Namjoon, naquele momento, Seokjin era seu mundo inteiro.

 E o mais velho sentia todos os seus receios, muralhas e autocontrole se desfazerem como pó, arrastado pelo vento forte da colina quando resolveu buscar os olhos de Namjoon novamente. Próximos assim, notou como as pupilas já tomavam grande parte dos olhos apaixonantes e sem questionar, levou uma das palmas até a lateral do rosto que tanto apreciara e tanto ocupava os espaços de seus pensamentos. Olhando-o apenas uma vez à procura da recusa, sentindo a temperatura elevada em sua palma, Seokjin aproximou-se o suficiente para consumar os sentimentos que ambos tinham naquele momento com um beijo.

 Era o primeiro de Namjoon, não era o primeiro de Seokjin. Mas era a primeira vez de ambos sentindo tanto com tão pouco, um mísero selar delicado das bocas cheias, um prensar sutil e demorado que deixou um rastro doce em lábios e corações. Mesmo delicado e curto, ambos fecharam os olhos para que se banhassem da melhora forma possível naquele momento. Seokjin suspirou quando sentiu que os braços de Namjoon o apertaram em um abraço ainda mais estreito e sorria quando quebrou o contato deles sem nenhuma tentativa de aprofundamento de nenhum dos lados. Não era o que precisavam naquele momento. Seokjin sorriu quando viu que Namjoon ainda se recuperava do selar e foi apenas quando uma flor seca caiu nos fios acinzentados que o mais velho se apercebeu do clima.

 Acariciando o rosto dele com o polegar, moveu-se para retirar a folha dos fios dele e ergueu os olhos para o ipê que não mais apresentava a vitalidade de quando chegara ao condado. O vento frio fez total sentindo então e o verdejante do condado tornando-se em bronze, laranja e marrom o fez tomar uma impulsiva decisão.

 – Passe o inverno comigo – pediu sussurrado e só então Namjoon voltou a olhá-lo nos olhos.

 Seokjin não parecia mais tão calmo, o pedido tinha certa impaciência e os olhos eram suplicantes. Namjoon ainda estava muito afetado para entender a completude daquele pedido.

 – Como? – questionou, os pensamentos desanuviando aos poucos enquanto o próprio Seokjin parecia pensar com mais cuidado no que dizer, sem nunca deixar de tocar-lhe o rosto. Aquilo fez Namjoon, inconscientemente, acariciar a cintura entre suas mãos também.

 – Nossa família sempre passa o fim de ano e parte do inverno com um casal de amigos íntimos. Fica na capital e acho que minha mãe entenderia se eu não as acompanhasse esse ano – explicou em partes e o entendimento de Namjoon fez com que ele arqueasse as sobrancelhas.

 – Está dizendo que quebraria uma tradição de família para passar alguns dias comigo? – questionou e Seokjin mordeu os lábios, momentaneamente preocupado que a decisão tivesse sido impulsiva demais. Mas não importava de que perspectiva pensasse naquilo, continuava firme na escolha de abdicar dos dias com a boa senhora Shin em prol de passa-los com Namjoon.

 – Todos os anos eu sou agraciado com os dons no piano de Seokmin, as conversas calorosas da família Shin e as comidas formidáveis dos criados – disse e umedeceu os lábios antes de levar os dedos até a nuca de Namjoon em um carinho que o fez se remexer de tão bom – Mas eu juro que nenhuma tradição é maior que minha vontade de passar todos os momentos dos meus dias com você.

 Namjoon fechou os olhos e suspirou, tombando a testa contra a de Seokjin como se pensasse intensamente em algo ou tentasse se controlar. Quando se afastou, havia um miúdo sorriso no canto de seus lábios que encheu o coração de Seokjin dos mais puros sentimentos.

 – Então a honra será inteiramente minha, senhor Kim, de passar o inverno ao seu lado.

 Os sorrisos pareciam se completar e quando Seokjin voltou a apoiar-se contra o peito dele para continuar ouvindo-o narrar incansavelmente sobre Sidney Carton e Lucie Manette – ambos concordando que Charles Darnay era facilmente o personagem mais amado de todos os tempos – a história ganhou novas cores e sorrisos, e o ipê amarelo, mais uma vez, presenciou a consolidação da história dos jovens Kim.

 


Notas Finais


*Trecho do início do livro Um Conto de Duas Cidades, por Charles Dickens.

É isso, galeris!
Namjoon cada vez mais juntinhos e sim, o relacionamento deles avança com mais facilidade (?), velocidade (?), do que os outros. Não sei se já viram, mas no séc. XIX pequenos passeios e conversas juntos já basicamente classificava duas pessoas como um casal-de-quase-noivos, o que internamente eu acho bem romântico sheuhue

Música tema NamJin: https://www.youtube.com/watch?v=PVJp307TNTY (The Other Side - Ruelle)
Não sei pq essa música me lembra tanto eles...

Obrigada por lerem até aqui e até o próximo ~
XOXO


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