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História Stages of love and heartbreak - Capítulo 2


Escrita por: Goyangi

Notas do Autor


E aqui estou eu de novo! Espero que goste do cap <3


Song do cap: You need to calm down - Tailor Swift

PS: Ainda preciso revisar, erros podem ser encontrados

Capítulo 2 - Calm down


Fanfic / Fanfiction Stages of love and heartbreak - Capítulo 2 - Calm down

Abril

Terça-Feira

Khione

—Podemos fazer uma pausa, galera. -Aviso organizando meus papéis 

Os suspiros e resmungos de alívio preenchem a pequena sala, Jisung até se levanta para esticar as costas enquanto Nascha finge um desmaio na sua cadeira. 

—Não vejo a hora de acabarmos com esse trabalho. É a coisa mais entediante que já estudei. E eu estudo muitos textos entediantes. -Sammy comenta 

—Realmente…parece que estou pagando penitência. -Murmuro apoiando a cabeça em uma das mãos

Um mês inteiro não foi suficiente para finalizar esse trabalho infernal, parece que em toda reunião, só temos mais e mais trabalho. Sem falar que ainda temos que apresentar esta porcaria no próximo mês para um grupo de professores aleatórios. Tem como isto ficar pior? 

—O violão é seu, Jisung? -Dee pergunta -Posso pegar? 

—Claro. -O coreano responde prontamente

A garota de cabelo curto se levanta da mesa para ir até o canto onde estava algumas mochilas e o violão de Jisung. Ela não se importa de sentar no chão, pegando o violão em mãos e o analisando como se fosse alguma especialista ou grande admiradora, mas arrisca algumas notas, demonstrando realmente entender algo.  

—Não sabia que você tocava. -Jisung comenta 

—A questão aqui é, o que a Dee não sabe fazer? Ela é incrível em tudo! -Nascha resmunga acordando do seu desmaio 

—Eu só aprendo um pouco de tudo e acabo não sendo realmente boa em nada. -Dee argumenta sorrindo 

—Não é isso que vemos, queridinha. -Nascha insiste

—Não alimentem o ego dela. Dee já é suficientemente uma convencida arrogante. -Z se pronuncia

—Eu não sou uma convencida arrogante. Eu aprecio minhas qualidades. É diferente. -Dee a responde orgulhosa 

—Arrogante, presunçosa, soberba, vaidosa, -Z sorri dando uma leve pausa -...imodesta.

—Adoro ser espancada verbalmente por você, gatinha. -Dee sorri com diversão

Zillah apenas esboça um sorriso de volta, lhe mostrando um dedo do meio como resposta. 

—Eu me divirto tanto com essa novela enemies to lovers. -Nascha comenta sorrindo cansada

—Você não é a única. -Falo sorrindo 

—Adoro esse momento dorama, mas eu vou comprar uns brownies do Felix pra sobreviver ao resto da reunião. -Jisung avisa enquanto se levanta 

—Ah! Eu também quero! Podemos ir juntos? -Nascha se levanta com pressa 

—Claro! Vocês querem que eu compre algo pra vocês? -O garoto olha para o grupo  

—Não, obrigada. 

—Estamos bem, valeu. 

—Ok, vamos, Ji. -Nascha o apressa já abrindo a porta 

O garoto logo a acompanha para fora da sala, deixando o resto do grupo em um silêncio por um tempo. Isso até que Dee volta a tocar o violão meio entediada, apoiando suas costas na parede atrás de si, largada naquele canto. 

Me distraio com alguma rede social, procurando distrair minha mente do tédio ou mesmo realidade. Wooyoung havia acabado de postar uma foto com seu grupo de amigos em algum restaurante. Ele parece estar vivendo muito bem, aparentemente. 

Não tivemos evolução no nosso relacionamento, relacionamento esse que parece nem existir mais. 

—Você também canta? -A voz de Sammy ecoa no espaço

Levanto meu olhar para olhar na direção da garota com o violão, quem eu sabia ter sido alvo da pergunta. 

—Não como uma profissional. 

—Canta algo pra gente avaliar então. -Sammy sorri 

—Não vai rolar, eu sou tímida. 

Rio com esta resposta, e mesmo Dee achou isso engraçado, pois não é lá a realidade. 

-Ok! Vou cantar Lésbica Futuristica, Sapatona convicta. E eu não sei mais o que vem depois. -Dee fala afastando suas costas da parede, se sentando com a postura mais ereta 

—Desonra, não sabe o tema da sua vida, amiga? -Sammy sorri

—O tema da Dee tá mais para aquela música da Ashnikko. Aquela do “I’m shy, I’m so shy” depois de cantar uma música inteira de como ela rouba e come mulher alheia. -Opino 

—O vocábulo da gata! -Dee fala em choque 

—Que indelicadeza. -Zillah diz sorrindo perplexa 

Sammy leva uma das mãos na boca, meio em supresa, meio querendo rir. 

—Ué? Aqui a gente não tem filtros. Estamos entre amigas, não? -Pergunto  

—Mas Kiki tem razão. Slumber Party é a cara da Dee. -A estudante de psicologia admite 

—O que vocês pensam de mim?! Eu não sou assim! -Nossa pegadora de mulher finge estar ofendida 

—De santa só tem o rostinho. E as vezes nem isso. -Comento -Conheço seu histórico. 

—Acho que você tá sendo vítima de fake news então. -Ela sorri

—E o que a Dee tem de histórico, falta de informação sobre a Z. -Volto minha atenção à garota sentada à minha frente -A gente não sabe quase nada da sua vida. Você parecia nem estar aqui até esse trabalho. Nunca nem foi a uma das centenas de festas que temos? 

—É que eu tenho incríveis habilidades chamadas “introversão” e “mal humor”. -Ela diz orgulhosa -Não curto festas, acho que fui em uma no primeiro ano apenas. 

—Algumas festas são divertidas. A maioria é perda de tempo mesmo. -Comento -Mas quero muito ir na festa a fantasia. 

—Eu também. Parece valer a pena. -Sammy concorda -Deveria tentar ir nesta, Z. Ir com a gente, vai ser legal. 

—Eu vou pensar na ideia. 

 

Sammy

—Olha só quem resolveu me visitar! -Chan sorri 

—Até parece que não passo aqui pelos menos duas vezes por semana. -Sorrio fechando a porta de vidro atrás de mim

Caminho em direção ao caixa do mercado, onde o garoto de covinhas adoráveis se encontrava. Chan parecia contar algumas notas de dinheiro, provavelmente confirmando a quantia que tinha de estar ali no final do seu expediente em breve. 

Ele parece terminar de contar e volta a me olhar. 

—O que significa, que ainda não recebo sua visita em cinco dias da semana, portanto, minha surpresa é justificável. -Ele argumenta orgulhoso -O que vai levar hoje? 

—Preciso levar algo pra janta. -Falo seguindo meu caminho até os fundos da loja onde se encontrava os Cup Noodles. 

Não havia muitas opções, o sabor não era variado, o que é uma pena. Comi o sabor Galinha ontem, comer o mesmo hoje não parece uma boa ideia, mas é o que temos. Pego a embalagem e sigo de volta ao caixa, colocando o Cup Noodles sobre o balcão. 

Enfio as mãos nos bolsos da jaqueta à procura do dinheiro que joguei neles. 

—Poderíamos jantar juntos se você pegar um pra mim também. Tem água quente ali. -Ele aponta para um canto 

Olho na direção que ele havia apontado e realmente vejo a garrafa térmica sobre uma mesinha. 

—Tem certeza que quer minha companhia? Eu posso te entediar com meus discursos Freudianos. -Sorrio 

—Vai, pega mais um Cup Noodles. -Ele insiste 

Eu não iria negar a companhia para o jantar, então pego mais um pote de macarrão instantâneo e preparamos nossa comida super mega saudável. Eu ainda consegui um banquinho ao lado do caixa onde Chan ficava sentado por horas, podendo realmente ter um jantar incrivelmente romântico aqui.

Depois da ajuda aquela noite, Chan acabou se tornando um bom amigo, o que já é uma enorme evolução em quesito “relações afetivas” com alguém que supostamente é seu crush. E algumas vezes, ainda, ele me acompanha até em casa por segurança. 

Quanto ao esquisitão que me seguia, eu não o tenho visto há um tempo, o que me traz alívio, obviamente. Eu gostaria de não ter de passar por esta experiência novamente, mas sei que isso é um sonho impossível para uma mulher. 

—...eu vi você com o Jisung hoje, vocês têm aulas juntos? -Chan pergunta confuso 

—Jisung? A gente tem uma matéria interdisciplinar este semestre. Ele está na minha equipe, temos de fazer um trabalho enorme sobre um tema aleatório. -Explico mexendo o tempero no macarrão mergulhado em água já morna 

—Sério? Acho que não fiz esse projeto.

—A matéria não era obrigatória, mas como precisamos de créditos-aula, tínhamos de adicionar mais matérias na grade, e, obviamente, as melhores estavam lotadas. -Argumento -Você conhece o Jisung? 

—É claro! Trabalhamos juntos em um projeto pessoal de música. Ele, Changbin e eu fazemos algumas músicas de vez enquanto. -Ele fala orgulhoso 

—Sério?! 

—Sim. Te mando algumas depois pra avaliar. 

—Eu adoraria! -Sorrio empolgada 

—Ah, uma coisa que eu queria te falar. -Ele volta sua atenção a mim com uma repentina lembrança -Você sabe da festa a fantasia, certo? E é uma festa em par, então as fantasias devem ser combinando com alguém. Então…pensei que seria uma boa ideia que fôssemos juntos?  

Eu preciso de um minuto para processar esse convite. Calma, eu estou entendendo tudo errado? Isso quase parece um encontro! Não parece?

—Bem…claro! -Sorrio -Eu super adoraria! 

—Legal! -Ele sorri voltando sua atenção à sua comida -A gente pode pensar em uma fantasia bem legal. O que acha de algo tipo super heróis? 

Eu me fantasiaria de qualquer coisa, amigo! Quem se importa com os detalhes quando você foi convidada a uma festa pelo Senhor Popularidade Bang Chan?! 

 

Quinta-feira

Zillah 

—Viu qual será o nosso próximo projeto? 

Acordo para a realidade e afasto o pincel do quadro que eu pintava. Volto minha atenção ao garoto que colocava seu banquinho em frente ao seu quadro, muito maior que o meu, e bem mais colorido, na verdade, também muito mais original…

—Não, ela já falou? 

—Vamos ter de nos inspirar em obras existentes, provavelmente clássicos. -Taehyung avisa  

-Está tendo uma exposição do Van Gogh aqui, pensei em irmos juntos fazer a pesquisa de campo esse final de semana. Vai estar livre? 

Afasto os fios soltos do meu cabelo que me incomodam agora, suspiro pesado pensando no quanto odeio a ideia de ter de sair por aí para lidar com ambientes sociais, mas ir com Taehyung não é má ideia. Melhor do que ir sozinha e algum adolescente me encontrar sozinha por aí, tirar uma foto minha e postar nas redes sociais com “solitude ou solidão?”. 

—Este final de semana? 

—Sim. Tem compromisso? 

—Ah, definitivamente não tenho compromisso. Eu posso ir sim. 

—Que bom. -Ele sorriu empolgado e volta a atenção aos seus materiais -A gente se encontra na frente do museu no Centro então. 

—Claro. -Assinto enquanto lavo meu pincel e me ocupo em enxugá-lo. 

Só então me recordo de algo. Droga! Eu tenho compromissos agora! 

—Merda. -Resmungo 

Pego o celular do bolso da jaqueta com pressa, ligando apenas para confirmar o horário. Cinco e meia da tarde. 

—Eu marquei algo com a Khione hoje. Tenho de ir. -Falo guardando meu celular com pressa 

 —Eu posso guardar seus materiais, não se preocupe. -Taehyung oferece a ajuda 

—Valeu, Tatá. Vejo você amanhã! 

Pego minha mochila do chão quase que desesperada em estar atrasada, a fechando antes de colocar uma das alças no ombro e aceno para Taehyung antes de sair da sala de pintura vazia. 

Gosto de ficar após as aulas para finalizar trabalhos, mas hoje terei de mudar minha rotina em nome da minha evolução como membro da sociedade. 

Caminho em passos apressados pelo prédio, mas os desacelero quando saio e reconheço Khione ainda parada em frente ao prédio, distraída com algo em seu celular. 

—Foi mal, Kiki. Eu me distraí com um trabalho. -Aviso ao me aproximar  

—Tudo bem, a gente não tem horário marcado. -A garota sorri fixando sua atenção em mim -A Nascha decidiu vir também de última hora. 

Ela sinaliza com a cabeça para que eu olhe na direção de onde a outra garota vinha. Era impossível não reconhecer a figura excêntrica com looks sempre em tons terrosos e bolsa de alguém que vai fazer alguma escavação no Egito. Hoje ela ainda usava um chapéu bucket que realmente complementava seu look para descobrir a próxima múmia enterrada. 

—Eu estava com tantas saudades de vocês. -Ela fala com emoção teatral 

—Para com isso, nos viu há algumas horas atrás. -Khione sorri -Vamos logo que eu tenho de ir comprar uns livros hoje ainda. 

Esperamos Nascha nos alcançar e seguimos nosso caminho juntas. Eu não fazia ideia do caminho que deveriamos fazer para chegar neste suposto local, nenhuma delas sabia o caminho na verdade, por isso Khione me convidou, para que pudéssemos andar por aí em maior número e ela não ser vítima de algum tarado enquanto estivesse perdida. 

—Porque você procura esta academia em específico? -Questiono a mais velha do grupo

—Essa academia é popular entre os alunos da faculdade porque eles dão até 50% de desconto para os estudantes da nossa faculdade. 

—Sério? -Pergunto curiosa 

—Sim! Por isso escolhi frequentar esta. 

—E eu estou mega empolgada para começar também. Preciso exercitar meus esqueletos! -Nascha comenta -E é mais divertido se frequentarmos com os amigos, certo? Devia começar também, Z. 

—Não, obrigada. Eu prefiro continuar sendo esta alma sedentária. -Sorrio 

Não nos custa muito tempo, o lugar era meio escondido sim, mas não era muito longe do nosso campus. E além da proximidade, a promoção a estudantes também é um aviso de que vamos encontrar muitos rostos familiares no espaço. 

Adentramos o ambiente e descobrimos que o prédio era muito maior do que imaginávamos, consequentemente, tivemos de dar uma boa caminhada totalmente perdidas pelo local. E é neste labirinto de corpos suados e aparelhos pesados, que passamos por uma sala menor e Nascha reconhece alguém ao passarmos pela porta. 

—Tá brincando! Aquela é a Dee?!! 

Khione e eu paramos mais a frente, mas retornamos quase correndo até a porta onde Nascha estava parada, tudo pela fofoca e curiosidade!

Tinha um tablado elevado no fundo da sala, o espaço tinha alguns aparelhos e sacos de luta. Mas lá no tablado, com um pequeno público de homens fortões, tinha uma garota tatuada também forte socando um cara que parecia ser o treinador.

—Por Neith! Não sabia que eu tinha fetiche de levar uns socos de uma mulher! -Nascha ri

—Ah…me surpreende ela não se gabar disso também. -Resmungo 

—Não finja que não gosta daqueles brações dela, Z. -Nascha ri socando meu braço de leve 

—Eu não sou pecaminosa como você. Eu fui criada na igreja, graças a Deus. Amém. -Retruco tentando soar séria, mas acabo sorrindo junto à Nascha 

—Vamos, depois vocês babam a Dee. -Khione nos empurra  

—Agora mesmo que eu estou empolgada pra malhar! Posso até levar uns socos da Dee no treino. -Nascha diz com empolgação 

—Eu purifico esta alma e tiro o espírito de piranha que aqui habita, amém manos! -Coloco uma mão na cabeça da garota, que apenas se desvencilha rindo 

—Vocês duas são horríveis. -Khione resmunga sorrindo  

A diversão acaba quando as minhas duas companhias entram em uma sala onde vão lidar com papéis, documentos e matrículas. Enquanto eu fico sentada em um banco próximo, em um andar que parece um salão cheio de gente se exercitando.

Observo esse bando de anônimos suando e se esforçando com aparelhos aleatórios para manterem suas formas -ou alcançarem formas desejadas- e só consigo sentir cansaço. Só de ver eu já tenho preguiça. 

E encarar estas pessoas com suas atividades apenas serviu de distração o suficiente para alguém se aproximar por trás e cutucar minha cintura. Só não levo um susto maior porque reconheço a voz do ser humano. 

—Ei, gatinha. 

—Ai, que droga, Dee! -Resmungo

A garota de cabelo curto apenas sorri de forma divertida, sentando ao meu lado. 

—Não pensei que a veria aqui. Veio se matricular? -Ela pergunta e começa a desenrolar a bandagem das mãos 

Fico distraída por um segundo com a incrível agilidade que ela possui com as mãos. E talvez eu tenha encarado tempo demais, talvez Nascha tenha um pouco de razão e eu não sou tão forte assim quando se trata dessa garota arrogante, mas o fato é que eu só venho a acordar para a realidade quando Dee chama meu nome.

—Z! 

—O quê? 

—O que estava prendendo sua atenção? -Ela pergunta curiosa 

Apoio ambas as mãos no banco e esboço um sorriso exagerado. Fingindo que nada aconteceu. O problema é que ela só perguntou por perguntar mesmo, ela tinha total noção do que eu encarava. 

—Não…você tem fetiche por mãos?!

—Do que está falando? Eu sou evangélica 100% hétero. -Retruco prontamente 

—Idiota. -Ela ri voltando a atenção para as bandagens -Mas enfim, você não disse o que veio fazer aqui. 

—Com certeza não vim me matricular. -Falo com desgosto, olhando para a frente -Eu morreria de tédio nesse lugar. Quero distância daqui, ainda mais agora que sei que você frequenta. 

Dee me olha, sorrindo levemente incrédula.

—O que eu fiz pra você me odiar assim?! 

—Eu não a odeio. Só é divertido incomodar você. 

A observo com falso desdém enquanto ela me olha de volta meio incrédula, mas com o mesmo sorrisinho de sempre. É quando finalmente noto algo de diferente no seu rosto. Os fios mais longos caiam em frente de parte do seu rosto, cobrindo metade da sua sobrancelha esquerda, e ali, os fios quase escondiam ago.

Levanto uma das mãos, a levando até esses fios e os afastando da sobrancelha, encontrando o band-aid ali. 

—O que aconteceu? -Pergunto afastando minha mão 

—Ah…não é nada. -Ela toca o local rapidamente -Foi só um corte. Acontece em alguns treinos. 

—Credo, Dee. Eles quebram os alunos? Que absurdo! -Resmungo olhando em volta em completa indignação 

—Não foi culpa deles, tolinha. Foi um treino aleatório. Mas super ajudaria a sarar isso se você me beijasse. 

Sorrio ao olhá-la de volta com certa diversão. 

—Vai infeccionar e você vai morrer então. 

—Credo! Você é cruel! Homofóbica. 

—Vai se foder. -Rio com sua resposta 

Mas  antes que pudéssemos continuar nossa discussão teatral, Nascha sai da sala com Khione. E a estudante de egiptologia, ao reconhecer Dee, não perde um minuto sequer para começar com seus elogios. 

—Dee, você é um monstro! 

Bem…acho que isso é um elogio…

—Porque não nos contou que você praticava boxe ou sei lá o quê? A gente montaria um fã clube! -A garota exclama empolgada a nossa frente -Vamos fazer camisetas com seu rosto estampado!

—Que coisa mais brega. -Khione se aproxima sorrindo  

—Realmente, está exagerando um pouco, Nascha -A famosa argumenta, mas gostava da atenção

—Todos vamos usar! A Dee já vive em nossos corações, e agora viverá em nossas roupas. -Nascha coloca a mão no peito dramaticamente -Qual vai ser o nome do fã clube? Precisamos de um nome!

 

Dee

—Me ensina a receita pra ser uma bombada gostosa, Dee! Eu lhe imploro! -Nascha choraminga dramaticamente 

—Eu não sou bombada. -Rio confusa com a ideia alheia  

—E esses brações são o que? 

—Você fala como se eu fosse um monstro de músculos. -Rio pegando uma batata do recipiente no meio da mesa 

Khione deu a ideia de comermos algo numa rede de fast food após sairmos da academia. É claro que eu não rejeitaria o convide, estava morrendo de fome, e a ideia de um rolê em grupo é agradável também.

Além de nós, havia apenas mais um casal no outro lado do estabelecimento e um trio em outra mesa, mais ao meio. Vazio talvez pelo horário ser, apesar de já noite, cedo demais para um lanche noturno. 

—Mas sério, como começou com isso? Digo, luta é algo majoritariamente masculino, não é? -Khione chama minha atenção ao assunto novamente 

Eu deixo um suspiro quase involuntário escapar antes de responder.

—Quando percebem que você tem força, as pessoas tendem a não mexer com você, sabe?! 

—Nossa…quase esqueci que como mulher eu deveria ter alguma aula de defesa pessoal. -Khione comenta 

—Não é apenas porque sou mulher. -Falo distraída com o canudo no meu copo de refrigerante  

—Droga, você tem uma chance a mais de ser vítima de homicídio. Mulher e homossexual. -Nascha ri nervoso e toma seu refrigerante rápido -Esta festa virou um enterro, por Neith! -Ela levanta as sobrancelhas e ocupa a boca com batatas fritas

Sorrio com sua ação sempre exagerada em tudo e noto o quão quieta Zillah tem estado desde que pegamos nossos pedidos. Quase como se estivesse desconfortável com algo, ou nervosa mesmo, o que não é do seu feitio. Usualmente ela estaria jogando palavras como adagas num alvo, no caso, eu. 

Nascha, sentada no lugar ao meu lado, mostra algo para Khione que está sentada a sua frente e elas se distraem assim. Eu ia chamar a atenção de Zillah, que está sentada a minha frente, quando um grupo barulhento entra no estabelecimento, conseguindo chamar a atenção de todo mundo. 

—Credo, o que é isso? Adolescentes? -Khione resmunga 

—Adolescentes de quase 30 anos? Isso é só um grupo de macho mesmo. -Nascha ri 

Tinha pelo menos uns sete deles, não pareciam muito velhos, deviam ter uma idade aproximada da nossa, de 22 à 27. Na nossa mesa, a mais velha tem 23 e é Khione, o resto de nós, 22. 

O grupo barulhento faz seus pedidos e se sentam na mesa bem ao lado da nossa. Zillah e Khione ficavam de costas pra eles, mas eu e Nascha tínhamos uma visão da mesa onde o grupo se encontrava, barulhento e caótico.  E infelizmente, eles nos notam. 

—...a de cabelo roxo, a de cabelo roxo. 

—Vai lá cara! 

—Tá amarelando? É só uma garota. 

Ah, não. Não a Z! Qual é?!

Deixo de comer as batatas fritas, já sentindo a fome desaparecer com essa situação. Um dos caras pega sua cadeira e se aproxima da nossa mesa, colocando a cadeira ao lado de Zillah. 

E pra piorar, ele não era feio de aparência. Então só posso esperar que Zillah não seja mesmo hétero. Que merda. 

Khione e Nascha ficam atentas também com a aproximação, mas nos mantemos em silêncio, decidindo ver o que ia rolar antes de interferir. 

—E aí, princesa? Que tal deixar a mesa das meninas e vir se sentar comigo no canto? 

Pego meu copo de refrigerante tentando miseravelmente não deixar isso me abalar e me distrair com algo. 

—Desculpa, não estou interessada. -Z lhe dá um sorriso falso 

—Pense melhor, princesa. Eu sou um homem alfa, né? Então- 

Me engasgo com a bebida, quase morrendo ao escutar o que essa criatura falou. E meu momento de quase morte acabou chamando a atenção dele, que me olha com reprovação. Tento não rir e pigarreio, fingindo olhar pra outro lado. As outras meninas também se esforçando em não rir com essa pérola. 

—Macho alfa? -Zillah o questiona sorrindo

—É aquele homem de verdade, que manda na relação, não sou dessas coisas de mimimi, frescura. -Ele explica, e então se perde no personagem hétero top e muda o assunto -Sabe, a minha frase favorita é carpe diem. Que significa o que? Significa “aproveite o momento”, e você devia aproveitar este momento aqui agora, comigo entende?

—Uau, você é muito bom em mansplaining. Parabéns! -Zillah sorri -Supôs que meu intelecto não alcançava o nível de entendimento de uma frase latim super brega. Surpreendente.  

—E aí, vamos conversar ou beber alguma coisa em outro lugar? -Ele parece não escutar nada do que ela diz, nem reconhecer um sarcasmo puro

—Desculpa, sua oferta é realmente muito tentadora, sem igual, uma beleza mesmo. Mas eu já estou acompanhada pela minha namorada. -Zillah lhe sorri com sarcasmo -Não é, querida? 

A garota olha para mim e sinto um chute leve na minha perna embaixo da mesa. Eu fico perdida por um tempo, tentando entender a mensagem que ela passava e também surpresa com o que ela acabou de dizer. Não somente eu fui pega de surpresa, mas também nossas duas amigas. Khione se engasgando com a comida e Nascha deixa a batata que mordia cair da sua mão, paralisada. 

E quem sou eu pra perder a oportunidade de ser uma boa namorada?

Pigarreio, me recompondo para participar do plano da garota. 

—Sim. Foi mal, amigo, mas ela já tem namorada, no caso, eu. Chegou atrasado, e com o gênero errado. -Sorrio convencida 

E é tão bom ver ver seu ego ser abalado com essa simples atuação nossa. Mas infelizmente o plano não parece seguir o que esperávamos, ou seja, o mínimo de noção do cara e que ele se retirasse da mesa, nos deixando em paz. Pelo contrário, ele olha para Zillah com desprezo, pega a bacia de batatas que dividíamos e cospe nelas, a devolvendo à Zillah. 

Ah, não…ele não está fazendo isso. 

—Bom apetite, lixo. -Ele ri 

Zillah dessa vez não tem reação alguma, não pensou que esta poderia ser uma das possíveis reações do homem. Mas eu estava incomodada o suficiente desde que ele puxou aquela cadeira para a nossa mesa, e isso foi a desculpa perfeita para me levantar da mesa irritada.

—Aí! Qual teu problema?! -Reclamo alto o suficiente para ter sua atenção, e com certeza do seu grupinho também 

—Dee, esquece. Não vale a pena. -Nascha se levanta com pressa 

A garota puxa meu braço para me afastar do idiota que só se aproxima mais de mim e para a minha frente, me encarando com ar de superioridade.

—Vai encarar, gayzinha imunda?

—Ei! Você não vai falar assim com ela! -Z se levanta de repente e o empurra com uma força surpreendente o fazendo cambalear

E a cena parece divertir ao grupo de amigos do idiota. Também chamando a atenção das outras pessoas no local. 

—Z, por favor. -Khione se levanta preocupada ao notar que estávamos em desvantagem 

—Nojenta imunda! -Ele reclama e ia avançar em Zillah 

Mas me solto de Nascha sem pensar muito se eu a machucaria com minha força, meu foco estava em proteger Zillah do grandalhão e eu consigo empurrá-lo a tempo dele enconstar a mão nela. E se eu era louca por enfrentá-lo, Zillah era ainda mais sem noção, pois não recua, pelo contrário, se coloca entre nós para enfrentar o cara como se tivesse o dobro do tamanho dele. 

—Eu não era nojenta há um minuto atrás, não é? O que? O bebezinho não sabe escutar um “não”? Não aguenta o fato de que uma mulher pode substituí-lo? Que ela pode fazer um trabalho muito melhor do que você? -Ela ri com deboche  -Você se acha muito bom, não é? Mas não assusta ninguém, você é apenas patético e pequeno, em todos os quesitos. O que agora? Vai chorar? 

O silêncio que vem a seguir é assustador, porque algo muito ruim pode vir a seguir. E eu não estava errada. 

Mesmo tendo a atenção de todos no local, o infeliz teve a coragem de acertar um tapa no rosto de Zillah, o que desencadeia uma reação minha no mesmo instante e um caos no local. Tudo acontece rápido. Tudo o que sei é que eu avanço no idiota, o grupo de amigos vem em socorro dele, Khione quebra uma cadeira nas costas de alguém e Nascha ataca com tudo o que encontra pela frente. 

Eu não tenho ideia de quanto apanhei ou quanto bati, tudo o que sei é que eu estava com um rosto sangrando e o idiota estava caindo no chão no momento que os funcionários conseguiram nos separar da briga. 
 

Nascha

Observo os policiais uniformizados passaram pelo espaço com certa pressa. Mas que não tinham esta pressa no nosso caso. Parecíamos invisíveis na verdade.

E invisíveis, permanecemos sentadas em banco num canto da delegacia, esperando que eles terminem com o que quer que estejam fazendo com parte do grupo de idiotas, e terminar de questionar alguns funcionários.

—Será que estamos muito encrencadas? -Pergunto entediada

—Não, Provavelmente os idiotas vão pagar uma multa e todo mundo vai pra casa. -Khione me responde

—Que pena. Tava a fim de perder meu réu primário. -Zillah resmunga de braços cruzados, mas seu comentário nos faz sorrir 

Já vai fazer mais de uma hora que estamos aqui sentadas esperando pela solução disso. Eu até tirei um cochilo deitando minha cabeça no ombro de Khione ao meu lado. Zillah estava depois de Khione, emburrada desde que chegamos, e Dee, coitada, ainda segurava um amontoado de papel que deram pra ela estancar o sangramento da sua testa. 

Como um enviado de Deus, um anjo surge pela porta da delegacia e me levanto feliz ao reconhecer seu rosto. Mas ele estava acompanhado de Wooyoung, e meu sorriso até morre porque sei que Khione estava evitando ele. 

Mas eu estava feliz por ver rostos conhecidos no final. 

—San! -Vou ao seu encontro empolgada 

Ele me recebe com um abraço e eu o abraço de volta com um aperto exagerado, o soltando do abraço logo em seguida. 

—O que aconteceu?! Vim assim que soube que estavam na delegacia. 

—A gente espancou uns caras. Foi tão divertido! 

Woo passa por nós e vai até Khione. Me coloco ao lado de San, o puxando pelo braço para se afastar mais um pouco do banco onde os outros se encontram.

—Porque trouxe o Woo? Esses dois tão numa vibe estranha! -Resmungo baixo 

—Ele que quis vir! -Ele responde  

Desvio minha atenção para o casal, Woo já estava sentado ao lado dela falando algo baixo preocupado, e Khione, notavelmente de mau humor, parece pedir para ele se calar ou para que conversem uma outra hora, não consigo saber qual das opções foram. 

—Para de encarar! -San ri batendo no meu braço de leve

—Eu quero saber das fofocas, ué! 

—Esquece isso. E aquelas outras duas? Novas amigas? Eu não as conheço. 

—Ah! Verdade! Vem, vou te apresentar o casal LGBTQIA mais totoso do mundo! Elas só não sabem que são um casal ainda. 

—Você não precisa falar todas as letras, sabia?! -San ri 

O guio segurando seu braço e nos aproximamos do incrível banco onde colamos nossas bundas por horas. 

—Meninas do meu coraçãozinho arco íris! Esse é meu namorado, San. -Sorrio empolgada -San, esta é a Z, nossa artista maravilhosa. E Dee, nossa gostosa.

—Que tipo de apresentação é essa?! -Dee ri.

—Que fique claro que eu super te trocaria por ela. -Aviso o garoto ao meu lado 

—Totalmente compreensível. Eu não ficaria chateado. -Ele sorri  

—Nos metemos nessa treta graças a essas duas lindas que se amam muito a ponto de apanharem uma pela outra. -Explico a situação

—Não começa, Nascha. -Zillah choraminga 

—O quê? Estou falando fatos aqui! 

E para completar a cena perfeita, nosso anjinho real chega atrasada no local, parecendo ter acabado de correr uma maratona, respirando sem fôlego e se apoiando nos joelhos. 

—Eu vim o mais rápido que pude, mas o universo não contribuiu. -Sammy avisa quase sem respirar direito 

—Você é a pessoa que precisávamos nos apoiando, My. -Solto o braço de San e vou direto para um abraço com o nosso cais seguro, que corresponde meu abraço sorrindo. 

—O que vocês aprontaram?! -Sammy pergunta assim que a solto do abraço 

—Quebramos uns homofóbicos na porrada. Você perdeu a festinha. -Khione responde sorrindo

 


Notas Finais


And PLEASE! DON'T LEAVE ME ALONE HERE! Se curtirem deem feedback!<3
Espero realmente que gostem e podem opinar! Até o próx cap!
Xoxo! <3


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