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História Stained With Blood - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Segundo Capítulo


Encarei Kalla com o sangue fervendo.

Na visão dela e de meu pai, os servos não podiam adquirir conhecimento ou nem mesmo ler um romance, como Maia fazia, pois logo começariam a pensar e questionar toda e qualquer decisão tomada pela burguesia de nosso clã e consequentemente armariam uma revolta ou ataque contra nos, a família principal do clã.

- Maia é minha serva e você não tem o direito de trata-la assim. Agora por favor, se retire do meu quarto. - disse num tom de voz controlado. Minha real vontade era voar e cortar seu pescoço com um fio de cobre que estava preso no teto acima de nos.

Ela simplesmente suspirou alto, se virou para mim, jogou o traje sobre cama, virou as costas mas antes de bater a porta murmurou alto o suficiente para que pudéssemos ouvir.

- Seu pai quer que vista esse traje! E espero que se comporte, porque essa noite decidirá se você vai ou não permanecer conosco. Estou feliz por você, Erik aparenta ser um bom homem. - ela diz num tom ameaçador e debochado. Bateu a porta e pude respirar e depositar alguns socos na parede para descontar minha raiva. Aquela mulher, mesmo não fazendo muito, me tirava do sério.

Maia chorava desenfreadamente ao meu lado. provavelmente se sentia culpada pela briga com minha madrasta. Eu não a culpo. Desde que a conheci me senti no dever de protege-la e cuidar dela.

- Desculpe Violet eu só queria terminar o livro que você me emprestou. Se eu soubesse que ela entraria eu nem estaria aqui dentro.- ela tremia. Aproximei-me dela e peguei em suas mãos, estavam suadas.

- Fique calma. Nada vai acontecer. Não vou deixa-la fazer-te mal. Fique com o livro. Ele é seu agora. - ela sorri e me abraça.

Depois do banho já vestida e arrumada. Rejeitei totalmente o traje que Kalla me dera, mas vesti minhas roupas rotineiras. Nada que esse jantar resultasse iria me atingir. Mais para irritar meu pai, decidi trajar o manto, que antes pertencia a minha mãe. Nele havia o brasão de um grande leão vermelho, no qual era o símbolo de nosso Clã.

Desço as escadas em direção ao salão principal até a sala de jantar, sempre com Maia ao meu lado. Desde que a conheci fiz meu pai a aceitar que ela se assentasse a mesa de jantar conosco e se portasse como alguém da família, como eu os fiz aceita-la como membro da família, o que fazia Kalla, minha madrasta, se morder de raiva.

Assim que adentrei a sala de jantar, Meu pai e Kalla logo me encararam, Jonas como sempre me olhava com indiferença, assim como Erik. Knom, por sua vez, parecia feliz em me ver. Sentei-me entre Erik e Knom, em frente a meu pai.

Dava-me muito bem com meus primos, na maioria das vezes, mais aquela era a situação mais constrangedora que já estivera. Só de estar ali eu me sentia mal e desejava sumir.

O começo da noite foi tenso, mais depois Knom e eu começamos a conversar, e como sempre Erik nos ignorava e prestava atenção nos assuntos de nossos pais.

Em uma certa altura da noite, meu pai chamou nossa atenção e se pós em pé. Estremeci só de olhar. Percebendo minha situação Knom põe a mão esquerda em meu ombro e sussurra para que apenas eu escute: "Uma guerreira, filha de Galahad Malta, e treinada por Knom Court, com medo de uma simples proposta de casamento? " Sorri de lado e suspirei.

Depois que mamãe morreu, meus irmãos e eu fomos enviados ao clã Court como refugiados, pois meu pai lutava na guerra e não tinha tempo para cuidar de nos. Foi onde conheci Knom. Eu o pedi para me treinar, por ser quatro anos mais velho que eu e mais experiente, mas de primeira ele não aceitou, disse que lugar de mulher não é em batalha. Então para o convencer, todas as noites fugia de meu quarto e ia no campo de treinamento e por conta própria treinava de meu jeito. Até que em uma noite dessas houve um ataque e alguns homens invadiram a casa principal dos Court e em defesa de meus irmão, pude derrotar alguns. Nesse dia meu tio, Ronald, foi assassinado friamente na frente dos filhos.

Por conta de minha pouca esperiencia me feri e fui confrontada por Knom querendo saber o motivo de tudo aquilo. Então contei a ele o porquê queria lutar, e ele aceitou finalmente me ensinar. Eu o admiro, pois ele usou a dor como combustível para não o fazer desistir.

Naquela noite ele assumiu o clã de Court.

Passei dez anos treinando com Knom e quando voltei ao meu clã meu pai já estava casado e sua atual esposa grávida de seu terceiro filho.

Respirei fundo. E vi Jonas se por em pé ao lado de meu pai, e sorrir tomando um gole de nosso melhor vinho.

- Estamos aqui esta noite para assinarmos uma aliança. Todos nos sabemos que os Griamor têm nos afrontados. E em dias de guerras devemos unir alianças... - meu pai falou devagar.

- Todos nos já vivenciamos o quanto uma tragédia de guerra... - Jonas nos olha, focando mais em Knom, no qual o pai foi morto em uma guerra antiga contra os Unos, deixando Knom e Jony. Hoje ele Liderava o clã de Court sozinho e fazia isso com muito esmero sendo um rapaz de apenas vinte e três anos.

Busquei sua mão e apertei, por mais forte que Knom pudesse ser, ele nunca escondeu sua dor, ele aprendeu a conviver com ela e aos poucos a esqueceu. Eu realmente queria ter essa capacidade, mais infelizmente ate hoje a morte de minha mãe me assombra. Eu me culpo por não tê-la salvo. Prometi a mim mesma de nunca mais fugiria de uma luta, por mais que odiasse violência.

- Mais hoje não vamos falar de dor, hoje é dia de festa. Jonas esta noite, como prometido, para selar nossas alianças, eu prometo minha Filha Violet como esposa a seu filho Erik.- meu pai diz com orgulho

Eu encaro Erik e por sua expressão reparo que também não é de sua intenção se casar comigo. Por mais longe que ele aparentava ser de todos nos eu tinha a máxima certeza de que se casar comigo não estava em seus planos. Talvez se eu o confrontasse, poderíamos fazer nossos pais desistirem dessa historia estúpida.

Nossos pais apertão as mãos selando a aliança. Não perguntaram o que desejávamos, nem se estávamos felizes. Ou ate mesmo nos olharam. Foi rápido e pratico. Uma aliança politica pondo em jogo duas vidas que não tem nada a ver com isso.

Ate meu sangue começar a ferver. Eu não costumava ser rebelde, mais era teimosa e fazia questão de defender minhas opiniões, como também arcava com as consequências de minhas ações. Dei um passo a frente, ate perto de meu pai.

- Eu me recuso. - Para mim havia falado baixo, mais minhas palavras impactaram aquela sala de jantar fazendo com que todos que estivessem presentes, parassem o que estavam fazendo para me ouvir. Meu pai se vira devagar, não tão surpreso quanto deveria estar. Podia ver, em sua testa, uma veia pulsar.

- Violet! Deixe isso pra outra hora. Cale-se. - ele me empurrou me fazendo cair pra traz, mais Knom me segurou para que não chegasse ao chão.

Vi Erik avançar ate o pai, que logo o olhou e o fez parar no meio do caminho. Fiz questão de sair pisando duro no assoalho.

Andei ate meu quarto, e graças a Deus, Maia não me seguiu. Quando adentrei meu quarto, bati a porta com força e soquei a parede. Nunca senti tanta raiva antes em toda minha vida. Mais eu não aceitaria tão fácil essa situação. Não venderia meu corpo pra alguém tão fácil. Não sou um objeto, não sou um pedaço de carne. Tenho sentimentos, farei eles enxergarem isso.

Calcei minhas botas. Esperei as luzes se apagarem e pulei a janela.

Andei pela vila, podia ver as pessoas nos bares, se embriagando e sorrindo. O quão aquilo era artificial. Uma felicidade falsa. Só de olhar nos olhos das pessoas, pode-se ver dor, desespero. E eles tentam esconder. Colocam uma mascara, pra esconder as cicatrizes. Mas no final da noite, quando eles finalmente tiram a mascara e a fantasia, tudo volta, e o travesseiro é o único companheiro das lágrimas. Digo isso, pois eu sou assim. Todos os dias busco ser alguém que não sou e acabo reprimindo aquilo que devia ser.

Sigo ate o portão principal onde os guardas costumavam ficar, mais hoje, como todos os dias, eles estavam dormindo. Pulo o muro, como costumava fazer sempre e vou ate o estábulo ver como Killian esta.

Me aproximo devagar de meu cavalo, ate que escuto uma voz familiar, mais não me lembrava.

- olá garota! Você esta aqui com Killian? Que bom. Ainda bem que não te sacrificaram. Eu juro, não sei o que faria se te matassem. Acho que mataria todos!- tento chegar mais perto para saber quem era, mais piso em alguns galhos e folhas fazendo barulho.

Vejo alguém se levantar das sombras e desembanhar uma espada. Que por coincidência era parecida com a minha, mais essa com a base cravejada de esmeralda e metade da lâmina da cor verde vibrante.

Era alguém do clã de Griamor. O que me intriga é que somente os primogênitos tem direito a espada de duas lâminas. Minha espada era vermelha. Cravejada de rubis na base e sua lâmina esquerda era vermelha. Era a cor do meu clã. Cada clã tinha uma cor, e por tradição de nosso bisavô todo primogênito recebe uma espada, cuja cor se refere ao clã. Mais não era essa a questão, a questão era que depois que Michael matou minha mãe, foi ameaçado por meu pai e para proteger seu clã e seus irmãos, se enforcou na primeira arvore de entrada para a cidade, a corda ainda esta lá. Com Michael, o primogênito dos Griamor, foi morto, não seria possível alguém obter essa espada. A não ser que...

- Saia daí Violet! Estou te vendo. - o homem falou debochado. Giro minha espada num movimento rápido á desembanhando e paro em sua garganta.

Suspiro alto ao reconhecer quem era.

"...Que eu não consigo explicar..."



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