História Stalker - Capítulo 4


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Got7, Jackson, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Momo, Naeyeon, Namjoon, Taehyung, Twice, Yoongi, Yugyeom
Visualizações 398
Palavras 7.270
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Fluffy, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 4 - Mistério


Fanfic / Fanfiction Stalker - Capítulo 4 - Mistério

Já era manhã de novo. Estava na cama, olhando para o relógio com raiva, tentando fazer com que as horas voltassem. Levantei-me um pouco, me apoiando nos cotovelos, e me surpreendi ao sentir minha cabeça tão pesada. Meus olhos ardiam, e minha vista estava embaçada. Fechei-os, segurando minha cabeça com a mão direita enquanto esperava a tontura passar. Vinte minutos mais tarde, me levantei da cama, fui em direção ao banheiro e tomei um banho reconfortante.

Quando voltei ao meu quarto de banho já tomado, limpa e não mais tonta, olhei para o relógio.

Os dígitos 6:00 piscavam reluzentes, me fazendo olhá-los por longos vinte segundos com incredulidade antes de bufar. Deus, eu tenho acordado mais cedo e mais cedo a cada dia que se passa. Coço minha cabeça, cansada, e coloco meu uniforme.

Falando nisso, havia me esquecido de explicar isso – Nossa escola pede que usemos uniforme. Porém, nós não somos obrigados a usá-los diariamente nem a usar todas as peças dele. Geralmente, eu o uso, assim como a minoria de nossa escola, porque é mais fácil do que ficar escolhendo que roupa usar todo dia. Nem preciso comentar que minhas roupas não são lá essas coisas, a maioria das garotas da minha escola tem roupas de marca incríveis. Nós só somos obrigados a usar uniformes em dias especiais, como fotos, reuniões, e coisas assim. Reuniões costumam ser avisadas com antecedência pelas manhãs e acontecem de tarde, com a punição de correr pelo campo de futebol durante meia hora para quem não usar o uniforme, mais um motivo pelo qual eu o uso. Por nossa escola não ser tão rigorosa assim, devido ao grande número de pessoas de outros países que a frequentam, a maioria dos alunos prefere deixar seus uniformes jogados no armário. Além do mais, eles preferem desfilar pelos corredores da escola com suas roupas de caríssimas.

Porém, nós somos obrigados a usar o uniforme para a aula de Ed. Física até o final do ano, quando os devolvemos. Se estragarmos o uniforme, nós temos que pagar por ele. Recentemente houve um protesto com algumas pessoas pedindo que banissem de vez os uniformes, - por favor, não – Mas no próximo semestre isso será decidido definitivamente.

Por favor, deixem os uniformes continuarem! Seria suicídio social ir para a escola com minhas roupas...

Abri a porta, sentindo o frio ar matinal em meu rosto, e comecei a caminhar para a escola. Ignorei o fato do céu estar escuro – ainda são 6:15 – e caminhei lentamente pela chuva de flocos de neve.

Dei um pequeno sorriso enquanto pegava em minhas mãos um pequeno floco de neve. Não costumávamos ter muita neve aqui, mas estávamos no final de setembro, então pequenas precipitações já tinham começado a acontecer. É frio do lado de fora, mas valia a pena o esforço de ficar ali, ver estrelas de gelo caindo do céu sobre você era quase mágico.

Passei em frente à loja de conveniência, olhando pelas grandes janelas de vidro para ver se Taehyung já estava lá trabalhando, como ele costumava fazer a essa hora. Fiquei um pouco chocada com o que vi.

“Tae!” Eu o chamei assim que abri a porta, sendo ligeiramente empurrada por um forte vento. Taehyung levantou a vista, sua aparência definitivamente diferente da de antes.

“Oi, Lia~!” Ele me cumprimentou como usualmente faz, mas o fato do seu cabelo que antes era loiro platinado agora estar negro, me fez sentir que ele era outra pessoa.

Caminhei até o balcão e me debrucei sobre ele, passando a mão em seu cabelo, sorri. “Quando foi que você pintou o cabelo?” Eu perguntei genuinamente curiosa. Não estava negro ontem, estava?

Ele riu, também passando uma mão por seu cabelo. “Ontem à noite... gostou?”

Claro que eu gostava do Taehyung com o cabelo loiro platinado, mas ele de cabelo escuro ficou... wow! Ele também havia cortado um pouco, deixando algumas mechas de cabelo caírem sobre seus olhos. Cabelo preto... homens de cabelo preto ficam sempre atrantes.

“Se eu gostei?!” Eu disse, bagunçando seu cabelo. “Eu amei! Ah, agora eu quero um cabelo igual ao seu!”

Taehyung riu. “Não bagunça meu cabelo! Você vai estragar ele!” Ele, em troca, bagunçou o meu.

“Você é tão vingativo.”

Ele sorriu marotamente. “Só um pouco.” Ele então me cutucou. “O que você tá fazendo aqui a essa hora? Ainda são 6:30... já está indo para a escola?” Ele gargalhou quando eu balancei a cabeça respondendo que sim. “Que animação é essa, hein?”

Eu lhe dei a língua e balancei a cabeça de um lado para o outro, mostrando descontentamento. “Pff, não. Eu só não conseguia dormir e tem sido assustador ficar em casa.” Não pude evitar sorrir para ele... esse novo cabelo combinou muito bem com Taehyung.

“Ah, é! Antes que eu me esqueça de te perguntar,” Ele começou, batendo seus dedos no balcão casualmente. “Você já terminou o projeto de Música?”

Abaixei a cabeça, e deixei escapar um pesado suspiro. “Nãooo...Eu praticamente nem comecei.”

“Droga, eu ia te pedir ajuda.” Ele disse timidamente, passando a mão na nuca. “A Srª. Huan nos deu o mesmo trabalho, mas ela é muito mais cruel que o Sr. Koyama.... e a data de entrega é... amanhã.” Girei meus olhos ao ouvir isso.

“Eu não posso te ajudar, me desculpe.” Ele fez bico, e tive de lutar contra a vontade de abraçá-lo. “Maaaaas~ você poderia pedir ajuda do Yoongi. Tenho certeza que ele te ajudaria se... você o pagasse para fazer isso.”

Dessa vez, foi Taehyung quem me mostrou a língua. “Yoongi é estranho, não vou pedir a ajuda dele.”

Eu me engasguei com minha própria saliva, e o repreendi com um tapa no braço. “Hey! O Yoongi é uma pessoa muito legal!”

“Aham, eu sei...” Ele murmurou. “Pra você.”

Taehyung sempre pareceu achar algumas pessoas estranhas. Ele geralmente não tem problemas de fato com essas pessoas que diz não gostar, desde que hajam algumas ressalvas; eles não tem nada a ver um com o outro, eles não se falam, não se olham, ou nada parecido. Ele é muito parcial quando julga as pessoas, e leva algum tempo para que possa confiar em alguém.

Então, sentindo que essa conversa seria cheia de críticas ao Yoongi , decidi ir embora.

“Não que esta conversa não esteja interessante, mas eu tenho que ir à escola. Não quero chegar tarde.”

Com isso, saí pela porta, optando por correr em vez de caminhar. Eu vagamente pude ouvir Taehyung gritando comigo por eu ter saído correndo tão repentinamente.

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Com a respiração agitada, cheguei à escola. Ok, então ter corrido até ali não tinha sido uma ideia tão incrível assim, mas hey, eu cheguei aqui e ainda não são nem sete horas!

Extremamente orgulhosa de mim mesma, fiz meu caminho através dos desertos corredores até meu armário. De vez em quando murmurava um elogio para mim, fazendo com que me sentisse melhor.

 

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Sentei-me, entediada. Okay, descobri que ir tão cedo para a escola também tem seu lado ruim. Especialmente agora que Nayeon preferia passar seu tempo com aquele tal de Kim Namjoon do que comigo. Não que eu a culpe – Eu não sou tão interessante assim mesmo.

Então, me sentei perto do meu armário, esperando algo de interessante acontecer. Hoje a grade escolar seria D, A, B, B, E, já que é terça-feira. Isso significava que a aula B – Música – seria longa e dolorosa. Mas, isso também significava que eu não teria de encarar a Nayeon por muito tempo, assim eu teria tempo para esfriar minha cabeça, porque, convenhamos, não posso negar que fiquei um pouco chateada por ela escolher ficar com as ESTRELAS a ficar comigo. Mas ela com certeza se desculparia por isso na aula de Ed. Física, e aí tudo ficaria bem.

Além do mais, sabendo que antes eu teria aula de Culinária com Jin me animaria.

Então lá estava eu, sentada, enquanto desenhava em meu caderno, quando Ele veio e se sentou ao meu lado. Isso mesmo, Ele. O Ele que eu não sei o nome, o Ele que é extremamente lindo, o Ele que eu tenho encontrado muito ultimamente.

“Oi.” Ele disse casualmente, como se sentar ao meu lado fosse algo que ele fizesse todo dia.

“Uh... oi.” Eu tentei soar confiante, obviamente falhando terrivelmente nisso, mas eu não tinha ideia do que mais dizer. Então, continuei a desenhar e ele só ficou lá sentado. Apenas após uns dez minutos fui capaz de perceber que ele estava praticamente respirando sobre meu pescoço. Senti minha tranquilidade se quebrar em pedacinhos ao sentir que estava tão perto de alguém dessa maneira, especialmente perto de alguém tão bonito assim. Já disse o quanto eu fico tímida perto de pessoas atrativas? Não? Ah, bem, pois eu fico. Virei minha cabeça lentamente, com medo bater em seu rosto de virasse rapidamente.

Ele observava minha mão deslizando com o lápis sobre o papel enquanto traçava o desenho, e estava MUITO perto de mim, seu rosto MUITO perto do meu, mas era só isso o que ele estava fazendo. Nada de más intenções. Apenas me vendo desenhar.

Tic Tac, Tic Tac, Tic Tac...

Minha sobrancelha se levantou involuntariamente. “Hm... oi de novo...” Eu sussurrei, mostrando um pouco do meu nervosismo.

Ele levantou a cabeça e olhou nos meus olhos; nossos narizes se esbarraram, e eu acho que ele nem ligou, já que sorriu em resposta. “Olá.”

Narizes ainda se tocando.

Eu estava quase derretendo...

Estava aérea...

... Muito perto...

...

Por favor, se mexa.

“Uh...” Eu disse sem nem mesmo raciocinar. Meu cérebro gritava para que eu tomasse alguma atitude, mas meu corpo não cooperava. “Então, uh...” Limpei minha garganta. “Eu hm... esqueci seu nome... me desculpe.”

Seu sorriso se desfez e ele se afastou uns cinco ou seis centímetros. Aproveitei esse tempo para poder expirar; eu nem tinha percebido que estava segurando o ar dentro de mim.

“Meu nome é Jeon Jungkook.” Ele deu um fraco sorriso para mim e repetiu seu nome, “Jungkook”, como se quisesse ter certeza de que eu não o esqueceria novamente. Apesar de estar sorrindo, pude perceber que ele havia ficado um pouco triste. Isso me fez ficar chateada. Eu sou absolutamente péssima para guardar nomes, e me sinto muito mal quando os esqueço.

“Ah, ok, obrigada.” Eu disse, lhe dando tapinhas no braço. “Eu não vou me esquecer de novo, prometo.” Com essa simples afirmação, ele sorriu para mim, o sorriso mais lindo que já vi. Mais uma vez, minha mente ficou um completo vazio – vácuo – nada.

Tentei me controlar um pouco. Logo eu poderia estar babando em cima dele.

“Obrigado,” Ele disse, balançando a cabeça enquanto falava. “Lia.”

Ai, droga, ele se lembrava do meu nome. Agora estava me sentindo realmente mal.

“Me desculpe, mesmo! Eu sou tão ruim para lembrar de nomes! Eu não esqueci de propósito, juro! E-E eu esqueço o nome de todo mundo, então não pense que foi só o seu, ok? E hm...ah, M-Me desculpe!” Eu disse. Rapidamente. Ótimo, agora você parece uma idiota.

Ele sorriu de uma maneira tão doce, e, minha nossa, encontrei um concorrente para o Jin. “Tudo bem, está perdoada.”

Nada mais a dizer, balancei a cabeça, lhe dei um sorriso tímido e voltei a desenhar.

Ficamos lá, em silêncio, até o sinal tocar.

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“Muito bem, turma.” A Srª. Cho disse, sorrindo amigavelmente para mim e Jin.

Jin lhe retribuiu o sorriso, e até lhe fez um pequeno aceno. Ela sorriu de novo e respondeu o aceno – posso estar imaginando coisas, mas parecia que ela estava flertando com ele. “O último trabalho de vocês foi perfeito! Como sempre, dou a chance de vocês adivinharem quem tirou a nota mais alta da turma... querem saber?”

A classe gritou um “Sim” em coro, um mais ansioso que o outro.

“Muito bem.” Ela bateu palmas alegremente. “Tenho orgulho em dizer que Jin e Lia tiraram a nota mais alta! Em vez de fazerem uma pizza simples, como a maioria fez, eles usaram o frango com pimenta do projeto de sexta-feira!”

A classe mais uma vez em coro fez um “Oooohh~” sem animação, e Jin pulou em mim pegando minha mão enquanto dava tapinhas nela com felicidade.

“Nós conseguimos! Viu?! Eu não estraguei tudo! Ficou feliz?!” Ele tentou sussurrar, mas a turma inteira pôde ouvir, e ele começou a rir descontroladamente. Jin não pareceu notar nem ligar para o resto das pessoas em nossa sala, pois apenas me encarava esperando uma reação.

Sorri e ergui a mão para bagunçar seu cabelo. “Sim, fiquei feliz.”

“Então,” Nossa professora continuou, sorrindo para nós o tempo todo. “Hoje para termos um momento mais divertido, decidi que vocês poderão fazer a sobremesa que vocês quiserem. Criatividade é sempre bem-vinda. Agora se vocês me dão licença, eu tenho uma entrevista para ler.” Com isso, ela nos deixou com esse trabalho, e foi se sentar em sua mesa para babar sobre, sem dúvida, uma revista de uma de suas bandas preferidas de Taiwan. Minha professora é quase uma fã-maníaca.

Assim que me levantei para pegar meu avental, Jin subitamente me abraçou. Ele então pulou três vezes, me levantou, deu um giro e me apertou duas vezes. Eu ri e o abracei levemente. “Você tá muito animadinho.” Eu comentei, e ele concordou insanamente.

“Tá brincando?! Sobremesa!” Ah... e eu pensando que ele ainda estava feliz com a pizza. Acho que não. “Ah! Podemos fazer bolinhos de baunilha? Por favor! Eu lavo a louça depois!” Ele implorou, segurando minhas mãos mais uma vez.

Eu sorri. “Tá bem, vamos fazer bolinhos de baunilha. Com glacê azul.”

Jin me respondeu com um bico. “Eu queria rosa, Lia! Rosa!”

Minha sobrancelha se ergueu. “Tudo bem então. Bolinho de baunilha com glacê rosa.”

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“LIAAA! O bolinho está desmontando!” Jin gritou. Isso é o que acontece quando uma criança super carregada de serotonina tem aula de culinária.

“Você não deixou no forno por tempo suficiente.” Eu lhe explicquei, voltando a colocar os bolinhos, que estavam quase prontos, dentro do forno. “E você ainda não colocou o corante no glacê... você não quer ele rosa?” Eu perguntei ao perceber que o glacê que se encontrava perto dele continuava branco.

Ele parou e pensou quando eu disse isso. “Mas eu ainda quero rosa.”

“Então coloca o corante.” Eu disse, lhe passando um vidrinho com o líquido rosado.

Ele ficou sério. “Lia, eu tenho medo de colocar corante demais e ficar escuro. Só você sabe fazer isso!” Ele sorriu timidamente pra mim.

“Aish, você só não quer se sentir culpado se algo der errado!” Eu repliquei, mas acabei colocando um pouco do corante no glacê. Ele concordou com a cabeça e sorriu ainda mais enquanto me assistia misturar.

Ele começou a bater com a ponta dos dedos sobre o balcão. Eu intencionalmente estava levando mais tempo para misturar do que normalmente levaria, só para ver até onde sua paciência chegava.

Nervoso, ele começou a bater os pés.

“Lia!” Ele choramingou, colocou suas mãos sobre meus ombros e começou a me sacudir. “Você tá demorando muuuuuito~! Os bolinhos já estão tristes! E não tem nada de rosa neles!”

Eu ri, lhe empurrando um pouco para poder lhe entregar o pote com creme cor de rosa. “Pronto~.”

Ele riu alegremente, e imediatamente foi fazer o seu trabalho nos bolinhos. Eu tentei roubar um pouco de glacê com a ponta do dedo, mas ele afastou-se de mim e me olhou ameaçadoramente.

“Tá!” Eu disse colocando as mãos na cintura e fazendo bico. “Eu nem queria mesmo.” Murmurei, mas, para minha surpresa, logo em seguida ele mesmo havia colocado o dedo no glacê e posto em minha boca.

“Lia! Não faz essa cara!” Ele disse, sorrindo docemente para mim. Não pude evitar que um sorriso também escapasse de meus lábios.

Depois disso começamos a confeitar os pequenos bolos. Jin cismou em colocar coraçõezinhos por cima, e como sempre, eu aceitei. Quem resiste a ele?

Sim. Jin definitivamente deixa meu dia mais animado e eleva meu humor.

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Ed. Física. Aquela sensação de olhos fixados em mim, assistindo, observando.

Observada. Definitivamente estou sendo observada.

“Oi.” Eu pulei ao ouvir a voz, olhei para cima e vi Jungkook. Suspirei e coloquei uma mão sobre o peito.

“Você me assustou.” Eu disse, articulando as palavras lentamente, ainda sentindo que alguém me observava. Jungkook meramente sorriu e se sentou perto de mim, assistindo ao jogo na quadra. Fiz o mesmo que ele. As duas turmas jogavam uma partida acirrada de basquete – esporte que eu nunca entendi completamente. “Então... O que está fazendo aqui?” Eu tentei perguntar casualmente para esconder a curiosidade, mas parece que não consegui.

Ele sorriu, e com o olhar seguiu o movimento da bola na quadra. “Você parecia com medo.” Seus olhos ainda se movendo pela quadra, antes de lentamente se virar e se encontrar com os meus. “Algum problema?”

Eu engoli em seco. Duas opções surgiram em minha mente antes de decidir abrir minha boca, uma seria contar a ele que estou ficando paranoica, e a outra seria inventar uma mentira descarada.

Escolhi a segunda opção, simplesmente porque eu só conhecia esse garoto há quatro dias, e eu não me sentiria à vontade para contar a uma pessoa que eu mal conheço algo tão pessoal. “Nha~, não é nada. Eu só estou cansada.” Com isso, tentei sorrir da forma mais verdadeira possível. Acho que consegui.

Isso mesmo, você acreditou em mim, seu bobinho.

Ele respondeu com outro sorriso, mas em seus olhos... Havia algo que eu não consegui identificar.

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“Lia!” Nayeon chamou, correndo para me abraçar. Isso fez com que eu deixasse minha mochila e meu IPhone caírem no chão. “AHMEUDEUS! Adivinha quem me pediu em namoro?!” Ela gritou em meu ouvido. Eu virei meus olhos porque, francamente, eu estava brava com o quanto ela estava sendo desagradável e insensível. Puxei meu ombro com força para que ela o soltasse.

“Quem?” Eu perguntei, pegando o IPhone do chão e enrolando os fones de ouvido.

Ela recuou, vendo com clareza que eu não estava muito bem. “Adivinha~” Ela cantarolou, brincando com o seu colar caríssimo.

Eu não estava com bom-humor para lhe dar conversa, deslizei minha mochila sobre meus ombros, e friamente perguntei. “Namjoon?”

Ela sorriu. “Nãooo~, mas você está perto!”

“Eu não quero adivinhar.” Falei monotonamente. “Diz logo quem é.”

Do outro lado do ginásio, Jungkook olhou para mim e acenou efusivamente. Senti um sorriso se formando em meu rosto, e sutilmente acenei para ele também, não querendo que Nayeon visse isso.

“Jackson!” Ela gritou excitada, deixando escapar uma gargalhada ao final de seu nome.

“Ah, que bom.” Comecei a caminhar para minha seguinte aula – Música – com Nayeon quase pisando em meus calcanhares.

“Como assim ‘bom’?” Ela perguntou, sua voz era incredulidade pura e sua boca estava semiaberta. “Sério, você não pode ter me dado como resposta um simples ‘que bom’.”

Eu encolhi meus ombros, mostrando que não ligava. Nayeon escolheu um péssimo dia para resolver ter esse tipo de conversinha superficial comigo, porque eu estava morrendo de vontade de dar um soco bem no meio dos olhos dela. Tentei enviar essa mensagem para ela por telepatia.

“Jackson é o cara mais bonito dessa escola! Sem mencionar que é o melhor compositor! Você já ouviu alguma música dele, hein?” Ah, ela não recebeu minha mensagem telepática e, para melhorar as coisas, começou a me cutucar no braço. Mas agora que ela tinha tocado nesse assunto, sim, eu já tinha ouvido as músicas dele. E sim, ele era um ótimo compositor e cantor, mas...

“Sim, eu já ouvi a música dele, Nayeon.” Eu retruquei, fixando meus olhos cheios de ira nela. “E também já ouvi a do Yoongi e, acredite, Yoongi é um músico melhor.”

O queixo de Nayeon caiu. “Não acredito que você disse isso!”

Paramos em frente à minha sala de música, e eu voltei a encará-la, relutantemente. Ela ouviu muito bem o que eu disse, não é possível que ela não tenha entendido, droga! “Será que todo mundo tem que gostar das mesmas pessoas com a mesma intensidade?” Eu inquiri, pretendendo prolongar esse assunto mais um pouco. “Eu gosto da música do Jackson, gosto mesmo. Só que eu gosto mais da música do Yoongi. Além do mais, eu conheço muito mais o Yoongi do que o Jackson, então a música dele é muito mais especial para mim.”

Virei-me para entrar na sala, mas Nayeon me parou segurando meu braço. “Especial uma ova! Você está em uma escola, Lia! Ensino Médio! Você não pode comparar um cara lindo, talentoso e popular como o Jackson com um qualquerzinho que sonha em ser um rapper.” Ela desembuchou deixando o que sentia em relação ao Yoongi cada vez mais aparente em suas palavras. Fui me encolhendo diante do olhar dela. “Acorda, Lia. Nós não devemos gostar de qualquer um, é tudo um jogo de estratégia. Aqui supõe-se que todo mundo deva gostar da mesma pessoa.”

“Bom, nesse caso, eu vou esperar todo mundo começar a gostar das pessoas legais, ok?” Ouvindo isso, Nayeon bufou.

“Você obviamente não entende.” Ela disse, passando uma mão por seu cabelo demonstrando frustração. “Hey, que tal você ir lá em casa esse final de semana? Aí eu te explico tudo, o que acha?” Ela me olhou e, por incrível que pareça, estava animada agora, a raiva tinha sido completamente esquecida. Gente, o que seria isso? Bipolaridade?

Essa era a última coisa que eu queria, mesmo assim, acabei aceitando seu convite. Ela pulou sobre mim.

“Ótimo! Te ligo mais tarde, ok?” Ela disse enquanto se virava para ir embora. “Agora tenho aula de Matemática, até mais!”

O sinal tocou. Virei-me para entrar na sala de aula, mas o caminho estava bloqueado por uma pessoa com uma das expressões mais chocadas que já tinha visto na vida.

Yoongi piscou seus olhos umas três vezes, boca semiaberta. Senti meu rosto se cobrir de vermelho ao pensar em como ele poderia interpretar a conversa que eu tive com Nayeon.

“É s-sério?” Ele gaguejou, com um olhar incrédulo ainda estampando sua face. Antes que pudesse dizer algo, ele continuou. “A minha música é melhor que a do... Jackson?”

Nervosamente, sorri e afirmei. “É claro que é.”

De repente, o rosto de Yoongi se iluminou, e ele deu um leve pulinho, bem sutil, na verdade. “Ninguém nunca antes tinha dito algo parecido sobre minha música!” Ele pegou no meu braço, me arrastando para dentro da sala de aula. Quando o professor me viu, suspirou, mas assim que ele viu Yoongi, pareceu mais aliviado. Eu percebi que Yoongi era tão bom músico e aluno que qualquer professor na escola o deixaria fazer o que quisesse, inclusive entrar na sala de aula correndo, como nós tínhamos acabado de fazer agora. “Aqui.” Ele disse, me fazendo sentar em uma cadeira próxima a um dos computadores de mixagem. Ele procurou em sua mochila por algo, tirou um CD e o colocou no computador. Depois de alguns minutos, pude ouvir a melodia de um piano saindo das caixinhas de som. Segundos mais tarde, havia o som de um baixo e da bateria se juntando ao som do piano, e então, finalmente a letra da canção.

Ainda bem que já estava sentada, pois fiquei em um quase estado de choque enquanto a canção continuava, até terminar. Olhei para Yoongi meio dispersa.

“O que foi isso?!” Eu disse, gritando, devo adicionar. Seu rosto se fechou.

“Você não gostou?”

Eu tentei entender por que ele estava me fazendo aquela pergunta, mas simplesmente não podia. “Você tá brincando?!” Fiz outra pergunta, e como resposta ele balançou cabeça negando, com o rosto ainda sério. “Isso foi incrível! Eu adorei! Como você fez isso? Foi você que escreveu a letra também?” – Ele afirmou com a cabeça – “Meu Deus, Yoongi! Faça uma cópia para mim! Eu quero muito isso!” Eu disse, quase choramingando, enquanto segurava seu braço. Ele deu um pequeno sorriso enquanto tirava o CD do computador e colocava-o de volta em sua mochila.

“Vou gravar um para você.” Ele finalmente respondeu, um sorriso ainda adornando seus lábios.

Eu pulei entusiasmada. “Yeeees~!”

“TURMA!” O Sr. Koyama gritou, sacudindo suas mãos para chamar nossa atenção. Inúmeras cabeças com bonés se voltaram em sua direção. A maioria dos alunos de música são futuros gangsteres ou já são membros de uma gangue, mas todos eles respeitam o Sr. Koyama. “Os projetos de vocês serão apresentados na quarta-feira que vem! Espero que todos já estejam com eles quase prontos ou já finalizados.” A classe disse em coro um ‘Siiiim’. “Muito bem, trabalhem duro então, eu não planejei nada para esta aula... então tentem pensar em sua apresentação por hoje.”

A aula passou lentamente. Eu ainda presa no meio do meu trabalho, enquanto Yoongi fazia o dele com facilidade. Ah~, e eu não conseguia sair mais do meio da canção.

Acho que não nasci para a música.

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Ah, aula de Ciências! Nada como o cheiro delicioso de formol no subsolo escuro e frio da escola para terminar bem o seu dia. Espreguicei-me enquanto caminhava pelo corredor. Abri a porta da sala de aula e entrei, notando que até o momento só havia três pessoas na sala de aula; meu professor, Sr. Bui, Jimin, e um garoto que eu não conhecia..

“Uh.” Eu limpei minha garganta, dando um pequeno sorriso para o Sr. Bui quando ele se virou. Sr. Bui é um velho Vietnamita – acho que ele já deve ter uns sessenta anos – que fala com um forte sotaque e um largo sorriso. Ele é uma boa pessoa, e aparentemente tem seis filhas, e as idades delas variam de seis a trinta e seis anos. Estranho. “Onde estão todos?” Eu perguntei, olhando ao redor da sala nervosamente.

Sr.Bui fechou a cara. “Todos estão no ginásio assistindo ao jogo de voleibol.”

Eu pisquei em confusão. “Isso era uma opção?”

As sobrancelhas de Jimin se levantaram, mostrando pura surpresa. “Você não ouviu o anúncio?”

“Foi em inglês?” Essa minha pergunta o deixou estupefato, isso ficou claro para mim quando ele elevou sua mão à altura da testa e se deu um tapa, logo depois abaixou a cabeça.

Sim. Eu perguntei isso.

A maioria das escolas, como você já deve saber, anunciam as coisas através de um sistema de rádio já instalado. Como já dito anteriormente, minha escola recebe estudantes de todas as partes do mundo, mas a maioria dos anúncios é feita em coreano, poucas vezes em inglês e raramente em mandarim. Então as pessoas que entendem coreano, quando escutam os avisos através das caixas de som espalhadas pela escola, traduzem para seus amigos o que foi dito. Além do mais, a secretária que passa os avisos pelo rádio é coreana. Mas para a maioria isso não é problema, mas como eu já disse, eu sou a única aqui que só fala inglês.

“Não, não foi.” O outro estudante que eu não conheço respondeu. Jimin concordou.

“Ah, eu não vou mesmo.” Eu disse com raiva, me jogando em minha carteira. “Esportes... estúpidos...” Peguei um livro da minha bolsa – algo sobre a Dinastia Shang na China, ou qualquer coisa do tipo, para um trabalho de história do próximo semestre, sim, próximo semestre – e comecei a ler.

“Hey! Lili~” Jimin choramingou, fazendo que eu parasse de ler aquele livro sem graça e voltasse minha atenção para ele.

“O que, Jimin?”

Ele prontamente fez um bico “Jiminnie!”

Cansada, balancei a cabeça concordando e repeti a última frase. “O que, Jimin?”

Seu amigo riu. Eu sorri orgulhosa com a brincadeira e voltei minha atenção ao livro mais uma vez, então algo bateu em minha cabeça. Coloquei a mão no local, e olhei em volta, encontrando Jimin sorrindo maliciosamente. Suspirei e me abaixei para pegar a bolhinha de papel com que tinha me acertado e a abri. Dentro, escrito em inglês, estava:

‘Proibido garotas que leem revistas em sala de aula.’

Suspirei, escrevendo uma resposta de volta, amassei o papel e arremessei em sua direção. Então, mais uma vez, voltei minha atenção ao livro. Escutei o amigo de Jimin rir e também escutei o próprio Jimin se engasgando com sua saliva quando leu a mensagem que dizia ‘Proibido garotos que não tem o que fazer em sala de aula...  Sossega, Jimin.”

“Lili~~~.” Ele choramingou mais uma vez, e eu o olhei.

“O que?”

“Vem cá~~~.” Ele falou com um tom de voz infantil de novo, e eu finalmente aceitei e caminhei até lá, deixando escapar mais um pequeno e rude ‘O que?’ em tom de brincadeira. “Esse é meu amigo, Hoseok!” Jimin disse animadamente enquanto apontava para aquele garoto que eu não sabia quem era, até agora. Estendi minha mão para cumprimentá-lo.

“Prazer, meu nome é Lia.” Me apresentei com um pequeno aceno.

“Hoseok,” Ele disse, olhando bem, ele até que é bonitinho. “Mas o Jiminnie já me apresentou, não é mesmo?” Ele cutucou Jimin com o cotovelo, enquanto este último coçava a cabeça.

“Ah não, você também não.” Eu reclamei, ganhando olhares confusos dos dois.

“... também não o que?” Hoseok perguntou, e eu notei que ele tinha um cabelo um pouco mais rebelde do comparado aos outros garotos da escola. Ou talvez estivesse apenas bagunçado. Não que eu me importasse com isso.

“É, ele também não o que?” Jimin retrucou, com um pouco de suspeita em sua voz enquanto se ajeitava em sua cadeira para me ouvir melhor.

Meu rosto se obscureceu. “Você é mais um que dá força ao apelido ‘Jiminnie’ dele.” Ao final da frase, suspirei como forma de desaprovação.

Hoseok riu em alto e bom tom, e Jimin fez bico. “Por que você não aceita me chamar de Jiminnie~~~?”

“Nunca.” Eu respondi, colocando uma mão sobre o peito como se fizesse um juramento. “Eu sou uma orgulhosa Anti-Jiminnie. Além do mais, eu me sinto estranha te chamando dessa maneira.”

Jimin, já com os ombros caídos em derrota, se virou para seu amigo e lhe lançou um olhar significativo. “Eu cometi o erro de pedi-la para me chamar de Jiminnie um dia depois de nos conhecermos.”

“Oh.” Os lábios de Hoseok se separaram formando um ‘O’; balançou a cabeça concordando. Ele disse algo em coreano para Jimin, que respondeu também em coreano, e assim começaram uma mini-conversa em coreano onde eu não entendia praticamente nada.

Eu levantei minha sobrancelha ao não entender nada, olhando de um para o outro e balançando minha cabeça. “Com licença, não que a conversa não esteja divertida, mas eu vou para lá.” Eu disse com sarcasmo, apontando para minha mesa. “Se divirtam fazendo fofoca em coreano.”

Assim que eu me virei para ir, Jimin me segurou pelo braço e me puxou de volta. “Você sabe falar alguma coisa em coreano?”

Olhei para um canto do teto enquanto tentava me lembrar de alguma palavra que tivesse aprendido nesses meus longos anos de vida. “Uh... Annyeonghaseyo...?” Hoseok então sorriu para Jimin– senti um calafrio na espinha. Eles estão planejando algo. Sinto isso e não gosto nada da ideia; planejar algo por mim, sim, mas contra mim? Aí, não...

“Chame o Hoseok de ‘Oppa’ a partir de hoje, ok?” Jimin disse com um sorriso malicioso.

Fiquei pálida. Não, eu não sabia falar muita coisa em coreano, mas eu definitivamente sabia o que essa palavra significava e sugeria.

“Nem pensar!” Eu olhei para Jimin. “Eu nem o conheço direito!”

Seu rosto agora expressava pura confusão. “Você sabe o que isso significa? Eu pensei que você não soubesse nada de coreano!”

“Eu não preciso falar coreano fluente para saber o que isso significa; eu escuto o que aquelas meninas malucas ficam gritando para aquele patético trio de garotos. ‘Oppa! Oppa! Seja o pai de meus filhos! Oh! Namjoon Oppa!’ Isso é nojento e irritante.” Eu repliquei, cruzando meus braços e o encarando.

“Ser pai... dos meus filhos?” Hoseok repetiu, sua voz denotando que segurava uma risada enquanto pronunciava a última palavra.

“É, algo desse tipo.”

Os dois caíram na gargalhada então, quando conseguiam respirar entre uma risada e outra diziam algo em coreano, e eu admito que me senti como uma idiota. Talvez eu estivesse errada...?

“Isso foi muito bom! Ah, Lia! Eu não sabia que você era tão engraçada!” Jimin me elogiou, ou pelo menos foi isso que entendi, enquanto isso me dava tapinhas no ombro.

Hoseokl sorriu para mim. “Então eu acho que você não gosta dos Kingkas.”

Que? Eu o olhei completamente confusa. “Kingka? Que porcaria é essa?”

“Você sabe,” Jimin riu. “Namjoon, Jackson, Mark, e aquele esquisitinho, Yugyeom. Eles são os chamados Kingkas.”

“Ah, nesse caso, não, eu não gosto deles.”

“Hey! Agora me lembrei de algo!” Hoseok exclamou de repente apontando pra mim. “Você é aquela garota que estava discutindo com a Nayeon mais cedo!”

Meu rosto ficou tenso e minhas bochechas ruborizaram. “Como você sabe?”

Hoseok me olhou um pouco desapontado. “Eu estou na sua turma de Música.”

“Sério?”

“Sim, e na aula de Culinária e de Ciências também.” Como assim?

Eu senti como a expressão de confusão tomava conta de meu rosto, minha testa franziu e eu olhei para baixo tentando me lembrar. “Você está nessas aulas...?” Isso fez com que Jimin soltasse uma gargalhada em alto e bom som enquanto dizia algo em coreano para Hoseok; Hoseok não fez uma cara muito amigável e apenas balançou a cabeça concordando com Jimin. “Você tem aula de Ed. Física no horário A?” Eu perguntei.

Seu rosto se iluminou e ele me lançou um olhar esperançoso. “Sim, sua turma divide a quadra com a minha.”

“Ah! Então é de lá que eu te conheço!” Eu sorri nervosamente, tentando ignorar o fato de que eu estava mentindo naquele momento. “Você estava jogando basquete hoje de manhã, você é muito bom nisso.” Eu chutei, torcendo para que tivesse acertado. Ele então abriu um sorriso maior ainda, depois disso, descartei a ideia de, um dia, lhe contar a verdade sobre hoje.

“Viu?” Hoseok olhou para Jimin e lhe deu um soco no braço. Pela cara de Jimin, parece que doeu um pouco. “Eu te disse que ela ia me reconhecer.”

Ah, droga. Agora eu me sinto tão mal por ter mentido.

Jimin virou os olhos, pegou em seu bolso uma nota de dinheiro e entregou nas mãos de Hoseok. “Pronto, tá feliz?”

Foi aí que me senti, então, extremamente culpada ao ver Hoseok ganhar uma aposta que, na verdade, ele não merecia. Mas a culpa desapareceu quando Hoseok disse algo para Jimin, mais uma vez em coreano.

Jimin mudou de assunto, voltando a falar dos ‘Kingkas’ e do meu desafeto por eles. Eu particularmente não queria discutir sobre esse assunto, mas era muito mais interessante do que conversar sobre ‘reconhecer Hoseok ou não.’

“-e foi então que eu disse à Nayeon que eu não estava interessada em gente desse tipo.” Eu declarei, finalizando a interessantíssima história envolvendo Namjoon e Jackson. Jimin me aplaudiu baixinho, seus lábios formando um ‘O’, enquanto Hoseok balançava a cabeça aprovando e dando um ‘like’ com suas mãos. Até mesmo o Sr.Bui – que eu peguei prestando atenção em nossa conversa – assentiu orgulhoso, como se eu fosse sua própria filha.

“E a música do Jackson é boa?” Jimin perguntou, colocando o cotovelo sobre a mesa e apoiando seu queixo sobre a mão. Parecia interessado em minha resposta.

Eu encolhi meus ombros. “Não é ruim, se é isso o que você quer saber. Mas as letras costumam ser meio bobas... não gosto de músicas assim.”

“E a música do Yoongi, é boa?” Hoseok perguntou, tão interessado quanto Jimin.

Eu girei meus olhos. “Vocês acham Kimchi bom?” Os dois disseram que sim entusiasmados. “A música dele é tão boa quanto Kimchi.”

“E o que você acha dos Kingkas, então?” Os dois perguntaram, propositalmente, juntos. Fiquei sem entender por que estava sendo interrogada.

Eu deixei escapar um pesado suspiro. Rapidamente pensei na resposta que eu já sabia qual era. Claro, esses... Kingkas eram bonitos, mas serem tratados como realeza, já era demais pra mim. “Honestamente, essa é uma pergunta meio... pessoal.”

Hoseok grunhiu. “Ótimo, logo quando eu estava começando a acreditar que nem todas as garotas eram iguais...” Ele começou, e Jimin terminou a frase com “...a gente descobre que na verdade, lá no fundinho, ela também baba por eles.”

“Hey! Eu não disse que gostava de algum deles!” Eu reclamei, batendo a mão na mesa.

“Então por que é uma pergunta muito pessoal?”

Mordi minha bochecha com raiva, mas respondi. “Eu não acho que eles mereçam toda a atenção que recebem. E eu também não acho que eles sejam os caras mais bonitos da escola – mas eu devo admitir, aquele tal de Yugyeom é bem bonitinho. Mas, sinceramente, acho que eles são uns idiotas, e que o fato deles serem populares é algo trivial e estúpido.”

Assim como eu esperava, os dois concordaram aprovando, agora pareciam felizes novamente. E, assim como eu também esperava, eles perguntaram o que eu mais temia; “Então... quem você acha que é o garoto mais bonito daqui?”

Senti uma boa quantidade de sangue se concentrar em minha bochecha e prendi minha respiração até conseguir, finalmente, responder. “Essa é a parte pessoal.”

Eles estavam sentados, mas inclinados para frente, ansiosos. Depois, de pensar por um bom tempo se deveria responder ou não, disse.

“Eeer...vocês conhecem...hm...aquele garoto, Jin?”

Hoseok de repente deu um pulo em seu lugar, como se a cadeira de repente tivesse espinhos em seu assento. “Jin?! É por isso que você faz dupla com ele na aula de Culinária?!”

Jimin teve uma reação parecida. “VOCÊ GOSTA DO JIN?!”

Eu fiz uma cara não muito agradável e estiquei minha mão para cobrir sua boca. “Fala baixo! Eu não disse que ‘gosto’, eu disse que ele é bonito.” Os dois soltaram um ‘Ah~’ enquanto voltavam a se recostar em suas cadeiras, agora sim pareciam satisfeitos com minha resposta, e, pelo que eu pude ver pelo canto do olho, o Sr. Bui também pareceu satisfeito. “Para mim, o Jin poderia tomar o lugar de Yugyeom como um dos Kingkas.” Prestando atenção ao que eu dizia, os dois concordaram. “E também-”

“Tem mais?!” Hoseok e Jimin exclamaram, ambos com os olhos arregalados me encarando, e eu juro que pude ouvir a voz do Sr. Bui também no coro. Suspirei e balancei a cabeça confirmando.

“Também o Taehyung.” Eu disse. As reações foram similares às anteriores, e dessa vez Hoseok me perguntou como eu havia conhecido Taehyung, e eu confesso que também estava curiosa para saber de onde eles o conheciam. “Ele trabalha numa loja de conveniência que fica perto de minha casa.” Eu disse em um tom usual. Eles já iam abrir a boca novamente quando adicionei. “Se vocês me interromperem de novo, vão ganhar um tapa.” Depois que eles se acalmaram e voltaram a se sentar, eu continuei. “Taehyung poderia tomar o lugar do Namjoon, assim como Yoongi tomaria o lugar de Jackson.” Eu parei ali, não querendo mais continuar.

“E...?” Jimin disse arrastadamente, sua mão fazendo um movimento como se pedisse que eu continuasse.

“E o que?” Eu fingi não entender.

“E quem tomaria o lugar do Mark?” Sangue, mais uma vez, tomou conta do meu rosto. “Essa é a parte mais embaraçosa.” Os dois fizeram gestos para que eu continuasse, parecendo tão absorvidos no meu discurso que se eu parasse de falar, eles poderiam morrer. “Hm... aquele garoto conhecido como... Jiminnie.”

Primeiramente, nenhum dos dois pareciam ter entendido direito o que eu tinha acabado de dizer, tentavam se lembrar quem se chamava ‘Jiminnie’. Quando eu já estava impaciente com a lerdeza deles, Jimin pulou e me abraçou gritando. “EU?!”

Hoseok pareceu um pouco desapontado. Decidi então dar um jeito nessa situação.

“E, claro, eu teria que adicionar mais duas pessoas ao grupo dos Kingkas, por que Hoseok provou que é capaz de ser um deles.”

Ele quase gritou. “Sério?!”, e me abraçou também. A euforia, após um tempo, foi tomada pela curiosidade de saber quem seria o sexto membro dos Kingkas.

“Bem, eu não sei o nome dele todo...” Eu disse vagarosamente, tentando pensar em algo sobre ele que eu realmente soubesse. Não consegui me lembrar de muita coisa. “Mas ele é legal, provavelmente uma das pessoas mais amigáveis que eu conheci por aqui. Sem mencionar que ele é extremamente bonito.” Os dois se inclinaram para frente, querendo saber se era alguém que eles conheciam. “Mas ele parece não ter muitos amigos...”

“Aish! Fala logo quem é!” Jimin reclamou, socando a mesa.

Eu suspirei. “Algum de vocês conhecem o Jungkook?”

Suas expressões mudaram antes mesmo que eu pudesse terminar o nome dele. E eu não pude evitar imaginar o porquê disso.

“Eu espero que você não esteja se envolvendo com esse cara.” Jimin disse secamente, sua voz, inclusive, parecia ter ficado mais grave. Isso me fez cair mais fundo no poço da confusão.

“Como assim ‘me envolver’?”

Hoseok também não parecia feliz, balançou a cabeça em desaprovação. “Jeon Jungkook não é coisa boa, você tem que ficar longe dele.”

A leve sugestão do ‘Jungkook ser um cara mau’ me deixou curiosa. Pelo que eu saiba ele não fez nada de errado para ser considerado como uma pessoa ruim; porque eles diriam isso? “Eu não entendo.” Definitivamente eu estava desafiando-os, mas não podia evitar isso. Eu era o oposto de Taehyung - enquanto ele era capaz de guardar uma má impressão de alguém por uma eternidade, eu conseguia guardar a boa impressão de uma pessoa por um bom tempo, ou pelo menos até que o contrário fosse provado.

Jimin suspirou impaciente, massageando sua testa como se estivesse cansado. “Escuta, nesse caso é melhor você ficar apenas na dúvida, já que você não é inteligente o bastante para entender.” – Isso me magoou. Muito. Levantei-me, minhas mãos se fecharam com raiva, e eu estava apertando com tanta força que os nós de meus dedos ficaram brancos. Eu já estava cansada de ouvir comentários desse tipo pela escola, simplesmente porque eu sou a única aqui que só se limita a falar inglês.

Apesar do tom baixo que utilizei para falar, apontei um dedo com raiva para o rosto de Jimin. “Escuta aqui, Jimin. Eu sei que eu não me encaixo nesse círculo social ridículo que essa escola tem, e quer saber? Eu nem quero fazer parte disso, porque se para isso eu tiver que lidar com pessoas como você, eu prefiro me isolar. Você não tem direito algum de me insultar.”

“Lia, eu só estou tentando te ajudar. Existem vários rumores sobre aquele cara.” Ele pareceu chocado com a minha inesperada explosão de raiva, até eu mesma fiquei. De repente, a culpa invadiu meu corpo.

“Tudo bem...” Respirei fundo e massageei meu pescoço, meu tom de voz já um pouco mais calmo, e continuei, “Eu acho que, devo estar agradecida por você se preocupar comigo. Me desculpe, de verdade...e obrigada.” Ele assentiu e também desculpou-se, pareceu ter aceitado a sinceridade em minhas palavras.

O sinal tocou, mas nem mesmo o sinal foi capaz de me fazer sair do transe em que tinha entrado após essa breve discussão. Senti-me como se estivesse caminhando na neblina sem saber para que direção ir.

O que há de errado nessa escola? Jungkook é uma pessoa tão legal, e eles me dizem que não é? E o que é exatamente essa história de ‘Kingkas’? E por que Jimin e Hoseok ficaram tão chocados quando eu mencionei Jin, Taehyung, Yoongi e eles mesmos? Havia algum tipo de mistério nessa escola, e, mesmo sabendo que eu não deveria me meter nisso, vou descobrir o que é. Lembrei-me vagamente da frase ‘A curiosidade matou o gato’. Sim, eu era curiosa, mas será que a curiosidade seria mesmo capaz de me matar? Eu já estava tendo problemas sendo perseguida por alguém que não conheço... será que tudo de alguma maneira se encaixava na mesma história?

Espero que não.


Notas Finais


Heey!
Não paraaa, um capítulo atrás do outro! (Vamos ver até quando consigo manter esse ritmo xD) Amanhã, muito provavelmente, não conseguirei postar o Capítulo 5, mas sexta-feira é quase certo.
Quando a gente acha que as coisas vão ficar mais simples, vem a autora e deixa tudo muito mais confuso! Hahahaha! Mas prometo que nos próximos capítulos essa história vai ficar melhor explicada.
Muuuuito obrigada pelos comentários, como sempre! Adoro ler o que estão achando, principalmente quando tentam adivinhar quem é o stalker. Acho que depois desse capítulo as coisas ficaram um pouco mais complicadas, não? Jungkook, Taehyung, Jimin, Namjoon, Hoseok, Jin, Suga... queeem será?
Saranghae~! ♥


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