História Stalker - Capítulo 6


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Got7, Jackson, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Momo, Naeyeon, Namjoon, Taehyung, Twice, Yoongi, Yugyeom
Visualizações 213
Palavras 4.199
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Fluffy, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 6 - Encurralada


Fanfic / Fanfiction Stalker - Capítulo 6 - Encurralada

Assim que a aula chegou ao final, eu percebi que não havia anotado nada, e fiquei com o pressentimento que, seja lá o que for que o professor tenha passado, seria importante para os testes.

Mas não foi minha culpa. Eu fiquei a aula inteira tentando descobrir se Jimin havia me dado alguma indireta sobre o passado de Jungkook enquanto gritava comigo. Mas tudo o que consegui me lembrar foi que ele chamou Jungkook de má companhia, perguntou por que eu não o escutava, e ainda disse o quão amiguinha eu era dele. Porém, uma coisa que ele disse me preocupou muito mais do que as outras.

Ele não disse que ficou acordado a noite inteira se preocupando comigo? Talvez eu esteja mesmo paranoica, mas o que uma pessoa geralmente faz quando pensa em alguém por muito tempo? Quer vê-la, certo?

Fiquei arrepiada só de pensar nisso, e comecei a arrumar meu material dentro da mochila para ir embora. Percebi então, que eu nem tinha aberto meu livro, muito menos pego uma folha e ou uma caneta.

Eu grunhi, com raiva de mim mesma por tamanha falta de responsabilidade. As aulas deveriam ser mais importantes que esses problemas pessoais; talvez eu devesse ter aceitado a oferta do Sr. Bui e ter ido brigar com Jimin mais um pouco lá fora?

Não, se eu tivesse feito isso as coisas só teriam ficado piores.

BAM!

Com força, alguém tinha jogado uma pilha de folhas com anotações em cima de minha mesa.  Olhei para cima e meus olhos se encontraram com os de Jimin. Eu esperava que fosse algum tipo de redação com o tema 'Razões pelas quais você deveria ficar longe do Jungkook', mas era algo que eu precisava mais nesse momento. Anotações da aula de Ciências.

“Hm.” Eu tentei começar a falar, mas ele me cortou.

“Parecia que você não estava prestando muita atenção na aula. Copie, mas me entregue amanhã antes da aula começar.” Sua voz era estranha, não mais amigável, não mais com carinho. Não era mais o ‘Jiminnie’ que eu conhecia.

Sem reação, apenas o continuei olhando com a boca entreaberta. O que foi que eu fiz?

“O-obrigada.” Foi a única coisa que consegui dizer, o meu tom de voz foi aumentando ao final da palavra, fazendo com que soasse mais como uma pergunta. Peguei as anotações e as coloquei em uma pasta.

Ele balançou a cabeça e saiu da sala. Mas antes, pude ver que ele lançou um último olhar para mim e, não sei se estou certa disso, mas parecia um olhar preocupado.

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Quando cheguei ao meu armário, comecei imediatamente a copiar as anotações. Quanto antes terminasse, melhor. Jimin tinha me assustando tanto, que temia como ele poderia reagir no dia seguinte se não lhe devolvesse essas folhas. Enquanto copiava, sentia que tinha me esquecido de algo, mas não me lembrava de quê. Até que o vi.

Ele estava encostado na parede, lendo o mesmo livro de antes. Tão casual, que parecia que esperar por mim naquele local já fosse algo que pertencia à sua rotina. Algo inesperado então aconteceu, algo que eu só havia sentido quando entrei pela primeira vez nessa escola há um ano e meio atrás; borboletas no estômago.

Eu grunhi para mim mesma, RELAXA SUA BOBA, mas nada que eu dissesse mentalmente poderia me fazer parar de sentir aquele frio na barriga. Eu podia literalmente ouvir meu coração bater e minha respiração ficar mais rápida, e esse era um tipo de sentimento um tanto estranho para mim.

Assim que ele me viu, sorriu educadamente, inclusive fez uma pequena reverência, e deixou escapar um suave e doce ‘Olá’ que eu já havia me acostumado a ouvir.

“Hey.” Sim, eu estava nervosa.

Ele pigarreou enquanto eu abria meu armário e colocava meu material dentro, então lhe dei um sorriso cheio de culpa. “Você esperou por muito tempo?”

Ele balançou a cabeça negando. “Apenas alguns minutos.”

Mesmo que não tivesse sido muito tempo, eu me sentia culpada. “Desculpe,” Eu murmurei. “Eu estava meio distraída na aula, então tive que pegar as anotações do Jimin.”

A postura de Jungkook se tornou mais tensa quando mencionei Jimin. De manhã, ele havia ficado feliz quando eu o havia mencionado, mas agora... Porque agora sua reação havia sido tão diferente? Só havia se passado algumas horas, como as coisas poderiam ter mudado tão rapidamente?

“Hm, então...” Eu mudei o assunto, querendo esquecer um pouco de Jimin e da maneira que ele havia me tratado. “Para onde nós vamos?”

Jungkook de repente pareceu ter saído de um tipo de transe, e instantaneamente sorriu e murmurou. “Vem comigo.”

Eu o segui como um cachorrinho, incapaz de recusar.

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Fiquei sem palavras; por que eu nunca tinha dado devido valor a esse lugar antes, era um mistério.

Nossa escola tem um formato meio estranho, nós temos um grande espaço aberto entre os prédios, formando um ‘U’ gigante. Nessa época do ano o terreno estava vazio devido ao rigoroso inverno, então as pessoas preferiam ficar aquecidas lá dentro. Mas, nossa, era maravilhoso.

Bem no meio do espaço aberto, havia uma enorme fonte e um laguinho retangular, e bem no meio, a estátua de um lobo, a mascote de nossa escola. A água estava congelada, parecia vidro com pequenos flocos de neve se acumulando por cima.

Em paralelo à fonte, de cada lado, uma fileira de seis pequenos arbustos, todos do mesmo tamanho e salpicados de branco.

E mais adiante, havia uma enorme árvore que havia sido plantada em 1983, ano que a escola foi fundada. Era mais alta que as outras à sua volta, mas não chegava à altura do prédio da escola. O solo embaixo da árvore estava cristalizado, brilhava como se estivesse coberto de poeira de diamantes. Eu estava quase esperando que seres mágicos começassem a surgir da pequena floresta, unicórnios, elfos e fadas. Mas obviamente não saíram.

Eu fiquei parada de pé, encantada com a paisagem à minha volta enquanto Jungkook fazia gestos para que eu o seguisse, mostrando claramente que, ao contrário de mim, não encontrava nada de extraordinariamente maravilhoso naquele local. Eu, porém, achava incrível o que estava diante de meus olhos. Comecei a rir de nervoso – nós iríamos nos sentar sob a árvore?

Hesitantemente, o segui, com medo de pisar nesse local que mais parecia um sonho e estragar todo seu encantamento. Os cristais de gelo que se encontravam sobre a grama se derretiam quando passávamos.

Vendo que eu estava demorando muito para caminhar, Jungkook pegou minha mão, e me puxou através daquele cenário espetacular, como se destruir tudo aquilo com nossos passos não tivesse problema. Eu suspirei, o seguindo mais depressa agora, mas ainda sim relutante.

Logo eu descobri o porquê, se a visão de fora do pequeno bosque já era bonita, a de dentro, perto da enorme árvore, era magnífica.

Jungkook se jogou de qualquer maneira na base da árvore, e fez sinal para que eu fizesse o mesmo.  Sentei-me cuidadosamente, com medo de escorregar.

 “Então,” Jungkook disse, me olhando. “Eu acho que você quer me perguntar algumas coisas.”

Perguntas? Que perguntas?

Espera! Eu tenho sim! Mas quais eram mesmo...? Pense, Lia! PENSE!

E mesmo tentando pensar, minha mente era um completo branco. “Hmm...” Eu murmurei como uma idiota. Aish, que vontade de me bater! “Certo, bem, hmm... então, por que as pessoas te consideram uma má companhia?”

Ele levantou uma sobrancelha, surpreso, como se estivesse esperando uma pergunta melhor. “Eu, honestamente, não sei.”

Eu parei; o que?

“Como assim?” Isso mesmo, Lia. Você não foi inteligente o bastante para começar um bom interrogatório, agora você vai ter que continuar com isso.

Ele pigarreou, se inclinando para frente enquanto olhava o cenário à sua volta. “Bem, há vários rumores.” Ele disse. “Quais deles você sabe?”

Um pouco surpresa ao ver o quanto ele podia ser objetivo, tentei procurar as palavras exatas em meu cérebro. “Bem... eu só sei dos rumores que o Jin me contou, mas são meio bobos.”

Sua cabeça se ergueu rapidamente. “Jin?”

Tentei decifrar o que ele havia dito – ele falou tão rápido que eu pensei ter ouvido apenas uma interjeição – mas assim que entendi o que ele havia dito, eu assenti. “Sim, Jin.” Lhe respondi, me preparando para mais uma estranha reação dele.

“De onde você conhece o Jin?” Ele falou com naturalidade, tirando um pouco de neve de seu ombro. Foi então que eu notei que ele havia se preparado bem para o dia frio de hoje, usava uma jaqueta preta cheia de bolsos, calça preta, uma camisa também preta com algo estampado em branco, e uma touca vermelha. A touca combinava com seus tênis, e sua camisa combinava com suas luvas; Ele até que tinha criatividade para combinar as roupas, enquanto eu só uso meu uniforme por medida de segurança.

“Ele é meu parceiro na aula de Culinária.” Eu disse, incerta se nós estávamos, de fato, falando da mesma pessoa. Eu sabia de quem estava falando; bonitinho, sotaque coreano, gosta de lutar contra molhos de tomate e ama confeitos rosa. Mas de quem Jungkook estava falando? Do jeito que Jin falara, parecia que ele não conhecia Jungkook... talvez estivesse havendo algum engano, certo? “Hm... e de onde você conhece o Jin?”

Ele pareceu um pouco surpreso ao ouvir minha pergunta. “Ele não...? Bem, eu acho que ele quer que você pense que ele não me conhece.”

Espera. O que? O que ele está querendo dizer?

“Ele prefere manter essa imagem dele de meigo e inocente.” Ele disse.

Ok, então parece mesmo que nós estamos falando da mesma pessoa. Mas eu sinto que ainda há algo de errado nisso tudo.

“Eu estou...” Eu tentei procurar pela palavra exata para me expressar, movendo minhas mãos freneticamente como um ventilador. E só uma coisa veio à minha mente, o óbvio. “Confusa.”

Ele deu uma leve risada. “Eu também estaria.” Pare de ser tão enigmático, garoto! “O que o Jin te disse então?”

Eu ri ao me lembrar. “Que você é um vampiro.”

Jungkook revirou os olhos. “Ah, típico do Jin. E deixe-me adivinhar, você riu, certo?” Quando confirmei ele deu uma gargalhada. “Eu também.”

“Ele te falou isso?” Eu perguntei, com olhos e boca abertos.

Seu sorriso nunca desapareceu de seu rosto, mas uma de suas sobrancelhas se ergueu levemente. “Claro, nós éramos amigos.”

Eu tentei entender o que ele estava me dizendo; então, se Jungkook era amigo de Jin, e Jungkook também era amigo de Jimin... então isso significa que Jin e Jimin também se conheciam?

“Ei, espera! Isso não faz sentido nenhum!” Eu reclamei, massageando minha testa. Eu tinha um propósito aqui, me livrar dessas dúvidas e descobrir o que estava acontecendo, mas eu só terminei com mais perguntas. “Eu ainda estou curiosa para saber por que você é visto como uma ‘ameaça’, e tudo o que estou conseguindo nessa conversa são mais dúvidas do que respostas.”

Ele suspirou, fumaça branca, devido ao frio, saindo de seus lábios. “Eu sei, eu só esperava que você não perguntasse isso de novo.”

“É tão ruim assim?” Ele balançou a cabeça dizendo que sim, e eu suspirei. “Bem, eu prefiro ficar sabendo a verdade. Se eu não souber minha imaginação pode criar coisas bem absurdas, e eu não quero que isso aconteça.”

Novamente ele suspirou, e eu percebi que ele realmente não queria me falar.

“Ano passado, alguns meses antes de você entrar nessa escola, muitas coisas aconteceram. Dois garotos foram espancados – um quase morreu por causa disso. Alguém disse que fui eu que os ataquei, e de repente surgiu um artigo no jornal da escola dizendo que eu havia realmente cometido esse crime, com vários tipos de evidências e provas.” Ele olhou para mim, e eu fiz sinal para que ele continuasse. “Então, uma semana depois disso, a garota que escreveu o artigo foi atacada e...” Jungkook ficou em silêncio, olhando um ponto fixo no chão enquanto parecia reviver as lembranças que narrava.

Aish! Assim que eu pensei estar chegando perto da verdade ele resolve parar!

“E...?” Eu disse, dando uma força para que ele continuasse.

Ele suspirou de novo – percebi então que ele estava massageando minhas costas como tinha feito mais cedo – e desviou o olhar. “Ela foi morta.”

Se eu pudesse me ver no espelho agora, tenho certeza que a imagem seria de uma Lia pálida. “Ela foi... o que?” Não podia acreditar; se ele pudesse dizer de novo, só mais uma vez, talvez eu pudesse acreditar.

Ele fechou os olhos, e deixou escapar um longo e profundo suspiro. “Morta.” Seus olhos se abriram, me surpreendendo com o quão frios e amargos estavam. “E claro, mais uma vez, eles me culparam imediatamente. Não havia muitas pistas, mas todos pensaram que tinha sido eu.’” Os círculos que ele fazia em minhas costas tinham se tornado maiores, ele agora massageava com força. “E, obviamente, todos acreditaram. Fazia sentido, certo? O importante é culpar alguém.” Sua mão caiu, deixando minhas costas, e logo colocou suas mãos sobre o joelho. “Eu não tinha nada a ver com isso, mas o que a sociedade quer, a sociedade consegue.”

Minhas sobrancelhas se fecharam. “Isso não é justo.”

“Nada é justo.”

Era óbvio que ele não havia me contado tudo, mas eu supus que o que ele não havia me dito não era importante. Mas havia algo mais que eu precisava saber. Agora, sentada aqui, parecendo mais triste que nunca, eu precisava perguntar algo a ele. As coisas ainda não estavam claras.

“Então porque você e o Jim-” O sinal tocou.

Droga.

Não queria ter aula de Música agora. Passei uma mão por meu cabelo. Jungkook se levantou, ajeitou sua jaqueta, e tirou com suas mãos o pouco de neve que havia em sua calça. Então ficou parado, aparentemente esperando que eu  caminhasse à frente.

Levantei me apoiando na árvore, tirei os flocos de neve de meus joelhos, e comecei a caminhar. Porém, antes que eu tivesse a chance de ir para a sala de aula, Jungkook me puxou para um apertado abraço. Fiquei paralisada, sem me mexer, mas ele se explicou.

“Você foi a única pessoa que me escutou, e não me julgou.” Ele sussurrou em meu ouvido, se afastou um pouco e me olhou com olhos brilhantes. “Obrigado.”

Eu juro que devo ter engolido borboletas e elas não paravam de se movimentar em meu estômago.

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Aula de Música. Mais uma vez o professor nos deixou livres, talvez porque na semana seguinte seria nossa apresentação. Fiquei conversando com Yoongi e logo Hoseok se juntou a nós. Já tinha até me esquecido que ele também fazia essa aula comigo. Não vi nenhum problema em tê-lo junto à nossa conversa, porém, Yoongi não parecia tão contente assim.

“Ele é seu amigo?” Yoongi perguntou quando Hoseok havia ido ao banheiro.

“Hm. É. Mais ou menos isso.” Eu disse, encolhendo os ombros. “Eu o conheci semana passada.”

Yoongi não disse nada, apenas se limitou a mexer em sua larga bermuda.

“Você não sente frio com essa bermuda?”

Ele olhou para cima, piscando em confusão, antes de rir. “Eu não vou muito lá fora, e quando vou, é só para entrar no meu carro.”

Minha sobrancelha esquerda se ergueu, intrigada, pois até então eu nem sabia que Yoongi dirigia. “Ah, é?”

“Heey~! Voltei!” Hoseok se sentou entusiasmado, nos olhava com alegria. Eu então curiosamente olhei para sua calça, vendo que ele estava usando um jeans e, na parte de cima, o uniforme, que consistia em uma camisa de manga comprida branca e uma gravata vermelha. Ele tinha enrolado a manga até os cotovelos, afrouxado a gravata e deixado alguns botões da camisa abertos revelando uma camiseta preta por baixo.

Yoongi imediatamente revirou os olhos quando Hoseok se sentou, mas logo se entreteve numa longa conversa sobre o papel de um vocalista no mundo musical e sua importância. Eu então comecei a me perder em meus próprios pensamentos, mais uma vez tentando entender o que aconteceu, exatamente, nessa escola. Eu precisava saber três coisas, duas seriam mais fáceis que a outra. Pesquisando na biblioteca e nos artigos antigos, eu poderia descobrir quem foram as duas pessoas agredidas, assim como quem era a garota assassinada. A seguinte coisa que eu teria que averiguar seria quase impossível, e havia uma grande chance de encontrar problemas se eu me envolvesse nisso e acabasse mesmo descobrindo algo, mas precisava saber. Quem agrediu essas pessoas fisicamente, e quem matou a garota?

De fato, a curiosidade matou o gato.

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Hesitei ao sair; uma das razões era que eu sabia que, em algum lugar lá fora, alguém estava me seguindo, e a outra era achar que talvez essa pessoa estivesse relacionada, de alguma maneira, com os incidentes de dois anos atrás.

Idiota, eu sei, mas como já disse, acho que estou um pouco paranoica.

Felizmente, minha mãe estaria em casa hoje e eu não teria medo, principalmente, para dormir. Mas de qualquer forma, ela só chegaria em casa tarde da noite; seja quem for que estava me seguindo, teria tempo o suficiente para me observar à vontade.

E, assim como eu esperava, assim que dei o primeiro passo para fora do prédio da escola, aquele sentimento sinistro de estar sendo seguida invadiu todo meu corpo. Fiquei arrepiada, caminhando mais rápido que o normal no caminho para casa. Parecia que todos olhavam para mim – tentei encontrar um rosto familiar, mas não vi nenhum.

Insegura, caminhei pela multidão, tentando passar rapidamente por todos e chegar a uma zona em que me sentisse pelo menos um pouco segura. Enquanto passava por aquelas pessoas, senti um puxão em meu casaco. Entrei em pânico, tentando ir adiante com mais força, mas continuaram me segurando. Joguei meu corpo para frente, conseguindo assim, me livrar das garras de seja lá quem for.

Olhei para trás, não encontrando ninguém que reconhecesse, e aumentei o ritmo de meus passos para escapar o mais rápido possível dessa escola.

“Espera!” Uma voz gritou, e alguém agarrou meu pulso com força. Virei-me rapidamente, pronta para enfrentar a tal pessoa, mas então me deparei com Jimin. Ele arfava pesadamente, como se tivesse corrido uma maratona até me alcançar.

Suspirei aliviada e coloquei uma mão sobre o peito, tentando me controlar e não enxugar o suor em minha testa. “Minha nossa, Jimin, você me assustou.”

Ele deu um meio sorriso, seus dedos afrouxando em meu pulso.

“Já copiou a matéria que eu te emprestei?”

Ah, juro que pensei que ele tinha corrido tanto atrás de mim por um objetivo maior, talvez tratar de algum um assunto mais relevante. Droga.

“Não, eu ia levar para casa e copiar mais tarde. Estava ocupada na hora do almoço.”

Isto o deixou curioso. “Ocupada com o que?”

Franzi a testa. “Por que... eu tenho que te dizer o que fiz durante o almoço?”

Ele inclinou um pouco a cabeça e massageou seu pescoço. “Hum, deixa pra lá.”

Houve um silêncio incômodo; logo me despedi, dizendo que tinha muitas tarefas – mentira – e comecei a caminhar para a loja de conveniência da esquina, esperando comprar o meu querido chiclete sabor Menta com Morango de Amora e Framboesa tão difícil de encontrar.

Enquanto caminhava, não pude deixar de perceber coisas que antes nem notava; cada passo que eu dava, cada gota que caía, cada som que escutava, tudo. Isso me deixou nervosa, e me arrependi por não ter pedido a Jimin que caminhasse comigo. Mas era apenas um quarteirão até a loja da esquina; nada poderia acontecer.

Mas, assim que a loja ficou à vista, assim como minha casa mais adiante, meus ouvidos reconheceram outro som.

Passos. Exatamente atrás de mim. Parei de caminhar, para ouvir melhor, mas eles pararam também. Engoli em seco, sem ter coragem de olhar para trás, e dei mais um passo. Não houve som algum de alguém fazendo o mesmo. Dei mais um. Nada novamente.

Respirando pesadamente, comecei a caminhar mais rápido, apenas para escutar o som de tênis sobre o cimento molhado – me seguindo.

Olhos arregalados, corri para a loja, ouvindo os passos atrás de mim mais rápidos do que nunca, até que entrei na loja. Fechei a porta e apoiei minhas costas nela. Suspirei aliviada, me sentindo segura, e Taehyung sorriu para mim, enquanto me olhava de maneira intrigada.

“Sabe, Lia, você deve ser a pessoa mais interessante de se observar.” Ele comentou. Girei meus olhos, caminhando para o corredor dos fundos da loja.

“Posso colocar minhas coisas no quarto dos fundos?” Eu perguntei quase sem ar.

Pensei que ele deixaria, como muitas outras vezes. “Desculpe, Lia. Nós agora estamos cobrando uma pequena taxa para guardarmos objetos nesse quarto.”

“Aff,” Eu bufei, abrindo a porta dos fundos e entrando. O já conhecido cheiro de madeira velha e do perfume de Taehyung me deram as boas vindas. Coloquei então minha mochila e meu casaco sobre um gancho da parede. “Parece que você ainda não tem muitos clientes guardando objetos aqui.” Eu comentei com sarcasmo, vendo que no cômodo só havia coisas do próprio Taehyung e de seu pai.

Taehyung apenas riu, e voltei para a frente da loja. “Só quero ver quando seu pai descobrir que você anda usando o quarto dos fundos para fins financeiros.” Eu disse continuando com a brincadeira.

“Ah, mas se ele descobrir, eu já tenho uma desculpa.” Ele disse se inclinando sobre o balcão e dando um meio sorriso.

“E qual é?”

Ele encolheu os ombros. “Contar pro papai que foi você quem deu a ideia.”

Eu ri sarcasticamente. “Se você fizer isso eu vou contar para ele que você me dá biscoitos de graça, mesmo eu querendo pagar.”

Ele apenas deu um de seus grandes sorrisos quadrados para mim. Encontrei então meu chiclete favorito em um mostruário perto do balcão.

“Por que vocês não compram mais desses chicletes? Eles estão acabando.”

“Porque só você compra isso.” Ele disse, como se aquilo fosse óbvio, e passou os chicletes em seu scanner. Paguei pelas guloseimas e ele as me entregou, não, melhor, ele as jogou. “Como é que você pode gostar disso? Isso é nojento!”

Eu encolhi meus ombros tentando pegar os chicletes antes que caíssem no chão, que por acaso estava imundo já que Taehyung deveria ter limpado a loja há um mês. “Isso me alivia do stress.” De repente me lembrei de algo e levantei uma mão para Taehyung. “Espera aqui!”

Quando voltei com o caderno de Ciências, Taehyung tossiu.

“Eu consigo estudar sozinho, sabia? Você já pode parar com essa história de 'professorinha do Taehyung'.” Ele moveu suas mãos, indicando para que eu guardasse o caderno.

“Não posso.” Eu respondi. “Seu pai me paga pra te ajudar com os estudos.”

Ele fez um som indicando que estava descontente, e colocou as mãos na cintura. “Isso não é nada bom – aposto que ele te dá uma boa grana pra isso.”

Apenas me limitei a afirmar com um aceno de cabeça, e me sentei atrás do balcão, – o único lugar limpo do chão – peguei as anotações de Jimin e comecei a copiá-las.

Taehyung olhou por cima de meu ombro, e riu. “Espera. Esse caderno não é seu de jeito nenhum. Sua letra é horrível. De quem é essa letra?”

Aceitei esse comentário como um elogio, na verdade, ele costuma dizer coisas muito piores. “É do Jimin. Eu perdi parte da matéria durante a aula porque dei uma leve viajada.”

Taehyung franziu, se abaixando e levantando meu rosto, me obrigando a olhá-lo. “Você conhece o Jimin?”

Lá vem. Mais um que conhece Jimin. “Sim. Ai, solta meu rosto!”

Ele soltou, mas me bombardeou com perguntas. “Ele está na sua turma de Ciências? Por que ele te emprestaria as anotações dele? Por que você não me disse? O que-.”

“Taehyung.” Eu o chamei calmamente e coloquei minhas mãos sobre seus ombros, minha testa franziu. “Sim, ele é da minha turma de Ciências. Ele me emprestou porque nós somos amigos. E eu não te falei nada sobre ele porque eu não sabia que você o conhecia.”

Ele se levantou, olhando para qualquer lugar menos para mim. “Eu era amigo dele.”

Enquanto assistia Taehyung ficar perdido em pensamentos que, de fato, me deixaram intrigada, eu não pude deixar de murmurar.

“É, eu também.”

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Fechei a porta atrás de mim, olhos arregalados e assustados e, logo, a tranquei com as mãos tremendo.

Eu não estava apenas ouvindo coisas. Não era parte da minha imaginação.

Respirando com dificuldade, tentei chegar a uma conclusão racional para o que havia acabado de acontecer, mas nada veio à minha mente, a não ser a repetição da frase ‘Ai Meu Deus! Eu estou sendo realmente seguida!’

Do lado de fora, um trovão pôde ser ouvido em meio à tempestade, e corri para o banheiro, o único lugar da casa que não tinha janelas e o cômodo que tinha paredes fortes e grossas. A noite que eu havia planejado passar pesquisando sobre os ataques, acabei passando trancada no banheiro, me escondendo na banheira, esperando a hora de minha mãe chegar.

Enquanto caminhava para casa, alguém me agarrou. Não sei quem, não consegui ver devido à falta de luminosidade, e também por ter ficado extremamente aflita. Eu gritei, puxei meu braço, e corri o mais rápido que pude para casa.

Tremi, fechando meus olhos e deixando que as lágrimas de puro medo caíssem.

Eu estou encurralada.


Notas Finais


Uebaaa! As coisas estão cada vez mais esquentando! (Ou, com toda essa neve, esfriando, sei lá! Kkkk)
Altas revelações, seria Jungkook um agressor e assassino? o_o

Pessoinhas, muito obrigada por todos os comentários! Não sabem como os aaamo por isso e como eles me fazem ter mais vontade de escrever! ♥

Até o próximo! o/


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