História Stand by Me - Capítulo 23


Escrita por: ~

Postado
Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Reita, Ruki, Uruha
Visualizações 85
Palavras 8.187
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Ignorem (ou não, rs) qualquer erro que encontrarem.
Boa leitura.

Capítulo 23 - Piquenique


Reita’s POV:

Acabamos jogando vídeo game até bem tarde no sábado, de modo que na manhã seguinte, já passava das dez quando Ruki me acordou. Após levantar e trocar de roupa, escovei os dentes e tomei um café da manhã tardio com o meu loirinho, satisfeito por poder passar alguns minutos a mais com ele antes de ir para casa.

Ruki ainda não sabia, mas naquele mesmo dia, à tarde, teríamos um piquenique.

Não pude deixar de ficar impressionado por Michiru-san me tratar com a gentileza de sempre, o que até o momento, eu ainda não tinha certeza se era bom ou ruim. Ruki continuava afirmando que eu não precisava me preocupar, que estava tudo bem. Apesar disso, eu prosseguia incapaz de encará-la direito sem me sentir extremamente culpado e constrangido.

Caramba! A senhora Matsumoto quase nos pegou no maior amasso! Por muito pouco não me viu de barraca armada perto do filho dela! Minha sorte é que fui rápido e dei uma ajeitada na coisa antes que ela entrasse no quarto e reparasse.

Meu Deus, ainda bem que ela bateu e não simplesmente entrou, como algumas mães faziam. Ou eu não teria onde enfiar a cara uma hora dessas!

O problema é que mesmo sem ter visto, deu para perceber na expressão de Michiru-san que ela sabia bem o que havíamos acabado de fazer, e isso bastava para me deixar tenso.

Sei que não forcei Ruki a fazer nada, que havíamos nos provocado mais do que éramos capazes de aguentar. Mas saber disso não ajudava. Porque independentemente de tudo, eu tinha abusado da confiança dela, molestando o seu precioso menino bem debaixo do seu nariz. Se fosse a minha mãe, teria colocado Takanori no olho da rua sem pensar duas vezes. Isso se não chamasse a polícia antes!

Falando nela... Como será que estava? Será que não atenderia de novo se eu ligasse? Será que ainda estava com raiva de mim? Se parasse para pensar, talvez eu tenha escolhido o pior momento possível para contar a verdade a ela. Mamãe se encontrava frágil, devastada pelo luto... Ayumi não tinha nada que se intrometer e ficar falando tanto na minha cabeça, até eu, sem mais paciência, jogar a bomba no colo de nossa mãe do jeito que joguei.

De início mamãe não entendeu o quis dizer, como se eu tivesse falado que amava um coleguinha igual a um irmão que não tive. Num minuto ela estava lá, parada na cozinha, o pano de prato numa das mãos, a tigela em outra, sorrindo para mim. No instante seguinte, ao me ouvir confessar que amava Takanori como ela amou papai, ficou branca feito cera, a fina porcelana escorregando de seus dedos e se espatifando no chão.

Acho que nem quando eu contei na época que iria para Tóquio morar com uma mulher dez anos mais velha, eu a horrorizei tanto. Ela me olhou parecendo enojada e aquilo doeu. Doeu demais.

Eu havia omitido essa parte quando contei a senhora Matsumoto, primeiro porque eu não queria que ela e Ruki se preocupassem comigo, segundo porque eu estava magoado e também, envergonhado. Novamente eu saía de casa brigado com minha mãe, e agora não podia mais contar com o meu pai, porque ele já não estava mais aqui. Se eu tivesse juízo, teria ficado quieto. Mas eu nunca aprendo mesmo.

No dia em que voltei para Tóquio, Miyuki-san esbarrou comigo no elevador, vindo do mercado, e me pegou chorando. Eu bem que tentei disfarçar, inventando uma desculpa qualquer, mas ela não se deixou enganar. Uns minutinhos depois, eu estava desabando no colo dela, como uma criança, colocando para fora tudo o que havia guardado até então. Não posso dizer que me orgulho, mas desabafar com ela acabou me ajudando. Como Miyuki-san costumava dizer: o que não tem remédio, remediado está. Não ia adiantar ficar sofrendo por algo que eu não podia mudar.

- Você tá longe – a voz de Ruki interrompeu meus pensamentos e eu pisquei, encarando-o – Algum problema?

- Nada não, chibi – pus um sorriso em meu rosto, não querendo que ele se preocupasse comigo. Takanori estava muito bem sem saber daquela merda toda – Vou acabar aqui e vou pra casa, tá? Você me encontra na estação de Shinjuku, às 14:00h?

Ele não me pareceu muito convencido, mas para o meu alívio, não me forçou a falar.

- Posso até te encontrar, mas o que vamos fazer lá? – ele quis saber, curioso, e eu não resisti ao impulso de apertar suas bochechas, rindo alto quando um tapa indignado estalou em minha mão.

- É surpresa, Ru-chan – afirmei, agora notando o sorrisinho em seus lábios, seus dedos acariciando os meus. Acho que no fundo ele gostava quando eu o provocava – Vai saber quando chegar lá.

- Mas que roupa eu vou colocar se não sei pra onde vou? – insistiu, fazendo um leve bico.

E lá vinha Ruki preocupado com o que vestir. Como se eu desse a mínima para isso. Se dependesse de mim, nem roupa ele usava. Ficava tão bem sem ela...

- Anda Reita, me fala. Eu não tenho como me preparar se você não me dá nenhuma dica, poxa.

- Jeans, camiseta e tênis – eu falei, vendo-o girar os olhos para mim. O que ele esperava que eu dissesse, hã? Calça, paletó e colete?

- Então vamos ao cinema – concluiu - Qual filme será que tá em cartaz? – Ele pegou o celular, começando a mexer, e eu só pude rir enquanto o assistia e terminava de beber meu café.

Até que não era má ideia ficar com Ruki numa sala escura. Mas não, infelizmente vai ter que ficar para um próximo encontro.

- Podemos ver esse, Rei-chan? – ele me mostrou a tela do aparelho, contendo o cartaz de uma animação e eu fiz que sim com a cabeça, sorrindo.

Podem dizer, sou maquiavélico, não sou?

***

No caminho de volta para casa, passei na Seven Eleven e comprei o que precisava para um delicioso piquenique: Onigiris, dangos*, pockys, o refrigerante de laranja que Ruki tanto gostava, alguns chocolates e uma garrafinha de suco e chá gelado para mim. Coloquei tudo arrumado na bolsa térmica que Miyuki-san tinha me emprestado e depois, terminei de dar um jeito na casa. Agora que não ia mais ter grana para uma faxineira, precisaria me virar e deixar, sozinho, o apartamento habitável. Isso se eu não precisasse em breve me mudar para um lugar menor. 

Após algum tempo, exausto e suado, fui tomar banho e me arrumar para encontrar Takanori na estação. Foi quando percebi, tarde demais, que não havia explicado a ele em qual saída eu estaria e quis me estapear pela burrice.

Porra, Akira, que mancada! Como é que você dá um mole desses, cara? Mandei uma SMS, especificando o local, mas ele não me respondeu. Então só para ter certeza, andei de um lado a outro, revezando entre as saídas enquanto o esperava. Depois de alguns minutos, preocupado, olhei no celular e percebi que Ruki estava charmosamente atrasado há quase meia hora.

Diabos, será que nos desencontramos mesmo assim?

- Reita! – Ruki se materializou atrás de mim, quase me matando do coração de tanto susto. Acho que alguém leu a mensagem e esqueceu de me avisar – Desculpa, acabei demorando demais pra sair.... – ele me encarou - Ué, pra que a bolsa? Trouxe comida de casa?

- Eu trouxe sim, mas não é pro cinema.

Ele me fitou com uma carinha confusa, o que o deixou mais mordível ainda, se é que isso era possível. Foi quando olhei para o vocalista de cima à baixo e precisei respirar fundo por um instante. Ruki vestia uma blusa de manga ¾ de malha preta, uma calça skinny rosa berrante e para arrematar, uma fina echarpe também preta, enrolada displicentemente em volta de seu pescoço. Nos olhos, óculos escuros enormes que só ficavam bem nele. Respirei fundo mais uma vez.

Tá vendo, Taka? É por isso que a gente não pode ir ao cinema. Eu não quero surtar e te agarrar num lugar onde alguém possa nos interromper de novo. Eu não sei se aguento!

- Se não íamos ver o filme, podia ter me avisado – ele reclamou – Saí que nem doido achando que iríamos perder a sessão das três!

- Desculpa, chibi – e eu nem quis cobrar o chá de espera que ele me deu. Estar com ele era tão maravilhoso que eu nem ligava pra atrasos - Eu queria te fazer uma surpresa. Podemos ver o filme outro dia, que tal?

- Tá, mas aonde vamos? – meu senhor, mas como é curioso esse menino!

- Num parque – achei melhor revelar logo, antes que ele ficasse mais impaciente - O Shinjuku Gyoen. Já foi lá? É muito bonito.

- Não, não me lembro de ter ido - a expressão dele, para o meu alívio, amenizou - É longe daqui?

- Não, dá pra ir andando.

- Ah, então vamos logo.

Além de curioso, era apressado e mandão! Tem como amar mais esse baixinho? Acho que não.

Dez minutinhos depois de caminhada, chegamos ao nosso destino e sem perder tempo, dirigi-me ao caixa e paguei nossas taxas. Ao passar pelo portão, uma parada estratégica em frente ao mapa nos mostrou um pouco da história do parque: Originariamente, Shinjuku Gyoen foi o local de residência da família Naito. Concluído em 1906 como jardim botânico, sob a gestão imperial, foi depois convertido em jardim nacional após a Segunda Guerra Mundial, e aberto ao público. Com um tamanho de 58,3 ha e uma circunferência de 3,5 km, combina três estilos distintos: Jardim Francês, Jardim Inglês e Jardim Tradicional Japonês. É considerado um dos mais maiores e mais importantes parques de Tóquio, com sua área verde estendendo-se entre Shinjuku e Shibuya.

Ruki parecia impressionado, o que me deixou muito feliz. Era simplesmente delicioso presenciar sua empolgação, querendo ver tudo no parque, mesmo sabendo que levaríamos boa parte da tarde só andando. Não que eu fosse reclamar. Era ótimo vê-lo tão animado e disposto. Por um momento, tive receio quando Miyuki-san sugeriu o lugar para o nosso primeiro encontro. Não tinha muita certeza se o baixinho gostava de passeios ao ar livre. Ruki sempre me pareceu mais o tipo ‘shopping e ar condicionado’. Bom saber que além de tê-lo surpreendido na escolha, havia sido surpreendido por ele também.

E nossa, põe surpresa nisso! O pequeno me fez andar até dizer chega, e ainda não satisfeito, tirou fotos de nós dois em tudo quanto era canto do parque. Mas como eu disse, não dava para reclamar. Era encantador ver a expressão de êxtase naquele rostinho redondo, ouvir cada exclamação empolgada que escapava de seus lábios, assistir a cada um de seus sorrisos e gestos exagerados.

- Reita, olha só essa! – ele apontou uma árvore praticamente igual a outra que a gente tinha visto lá atrás e eu não pude me impedir de sorrir bobo mais uma vez – Que enorme! Quantos metros será que tem essa coisa?

Eu me sentei num dos banquinhos que havia pelo caminho, decidido a deixar que ele levasse o seu tempo, e somente o assisti se baixar e se curvar todo na esperança de fotografar a árvore no melhor ângulo que pudesse. Ruki ficou ali por uns bons minutos, encantado, abaixando e levantando, tirando o que pareciam mil fotos diferentes enquanto eu apenas o observava e descansava as pernas. De onde ele tirava tanta energia eu não sabia.

De costas para mim, Ruki olhava para o campo que se escondia por entre as grandes árvores, a echarpe e os cabelos claros ao vento. Saquei meu celular do bolso e, de repente, sem que o vocalista percebesse, tirei uma foto sua. A paisagem que servia de fundo era simplesmente linda demais para ser ignorada e combinava tão perfeitamente com ele que chegava a ser mágico. Uma sensação indescritível de paz e felicidade se apossou de meu coração e sem que eu pudesse me impedir, continuei a bater fotos mesmo quando Ruki notou e se aproximou, querendo saber o que eu fazia.

- Ei, o que tá fazendo? – tive medo de tê-lo irritado, mas ele somente me mostrou aquele sorriso lindo, e eu não resisti em bater uma última foto – Ugh, por que tá tirando essas fotos?

- Porque são espontâneas, chibi – expliquei com carinho e mostrei a foto que havia acabado de tirar. Ele fez uma careta engraçada e eu ri. – As fotos se tornam ainda mais especiais quando as pessoas não estão posando.

- Especiais nada, eu estou horrível! – ele se sentou ao meu lado e pegou o celular de minha mão, repassando as fotos no aparelho – Ai Reita, apaga isso, vai. Olha só o meu cabelo nesse sol, tá uma palha! E o meu rosto, meu Deus, tá uma bola!

Antes que ele resolvesse apagar por si próprio, tirei o celular da mão dele e o guardei no bolso. Ele me encarou, incrédulo.

- Tá de sacanagem, né? Jura que vai guardar esses troços? – ele insistiu – Se quiser eu posso posar pra você, Rei-chan. Não precisa tirar fotos minhas escondido.

- Eu gostei dessas – afirmei com um sorriso sapeca. Sabia que ele, com sua mania de perfeição, ficaria insatisfeito, mas eu não podia evitar. Tinha gostado mesmo das fotos e não queria abrir mão delas – Porque fui eu que tirei. E porque você tá lindo nelas.

- Você é doido, sabia?

- Pode ser. Mas você me ama – brinquei.

- Acho que isso faz de mim outro doido – ele finalmente deu de ombros, rindo – Pode guardar isso pra mim? Não quero colocar na carteira pra não amassar, e minha mochila já tá cheia de tralha...

E antes que eu pudesse perguntar o que era, ele estendeu a mão e depositou uma pequena folha seca em minha palma. Pelo visto não era somente eu que desejava guardar uma pequena lembrança daquele dia. Com cuidado, coloquei-a num dos compartimentos internos da bolsa, enrolada entre dois guardanapos para que a umidade das garrafas não passasse através do tecido. Assim que terminei, vi que Ruki se levantou e fiz o mesmo.

- Podemos procurar um local para comer ou você quer ver mais alguma coisa? – perguntei.

Eu sabia que não tínhamos muito tempo até o pôr do sol e me chame de romântico idiota, mas eu queria ver aquilo junto dele, embaixo de alguma árvore grande, de preferência sem ninguém por perto. Só eu e Takanori.

- Não, vamos procurar um lugar pra sentar e comer. Estou com fome já.

Logo que entramos pelo portão de Shinjuku tínhamos visto árvores de bordô japonês, de zelkova, de gingko biloba. Uma infinidade, para ser mais exato. Porém, como o baixinho quis explorar o parque antes de pararmos para o piquenique, eu apenas o segui, passando direto por elas. Na verdade acho que Ruki não quis se sentar assim que chegamos porque além de ser a primeira vez que ele visitava o Shinjuku Gyoen, a área estava lotada de gente apreciando as folhagens de outono, como era comum na época.

O bom é que quando refizemos o caminho, as pessoas tinham dado uma espalhada. Ainda se encontrava um pouco cheio para o que gostaríamos, mas o que se podia fazer, né? Era um final de semana num parque famoso em Tóquio. Não havia milagre.

Após procurar muito, por insistência de Ruki, achamos uma árvore solitária, meio tortinha perto do jardim francês que não tinha ninguém embaixo. O pequeno correu para lá antes que alguém mais a visse e como se reivindicasse o espaço só para nós, largou sua mochila encostada na árvore. Havia um pequeno lago bem na frente e eu sorri, não conseguindo pensar num lugar mais perfeito para passar o resto da tarde.

- Sabia que ia encontrar um cantinho pra gente – ele sorriu daquela maneira travessa que eu tanto amava - Venha, Reita. Arruma logo tudo que eu tô morrendo de fome.

Ainda rindo, abri a bolsa e retirei a toalha, estendendo-a na grama. Ruki, afobado, retirou as comidas e as espalhou sobre o tecido, logo destampando a Orangina e tomando um gole. Então, ficamos conversando enquanto comíamos onigiris de atum com maionese, os dangos*, e por fim os pockys e kit kats. Depois, satisfeito e descansado, encostei no bordô e deixei que Ruki deitasse a cabeça em meu colo. Brincando com seus fios de cabelo, ouvi-o falar dos planos para o show, quais músicas ele queria tocar, das propostas que poderíamos vir a receber um dia. Eu o ouvia atentamente, sonhando junto dele, discutindo nossas ideias para a banda, para o nosso grandioso futuro na indústria da música. Gazetto, nosso lindo sonho. Eu sabia que um dia se tornaria realidade simplesmente porque trabalharíamos duro para fazer isso acontecer.

Apesar de estarmos mais isolados, algumas pessoas ainda passavam por nós de vez em quando; algumas sozinhas, correndo, outras em grupos, observando o local. Mas eu não me importava, tampouco Ruki parecia se importar. Estávamos tão entretidos em nossa conversa, tão concentrados um no outro que mal notávamos. Se alguém nos olhava com estranheza, dois meninos trocando carinhos, não se importou o suficiente para nos incomodar e eu agradeço muito por isso. Não fazíamos nada demais, afinal.

O tempo parece correr mais depressa quando estamos felizes e dessa vez, não foi exceção. Quando nos demos conta, já escurecia, e para a nossa tristeza, sabíamos que era hora de ir embora. Assim, levantamos, arrumamos nossa bagunça e colocamos todas as embalagens num saco plástico. Sacudimos a toalha e guardamos o que sobrou na bolsa térmica. Antes de seguirmos de volta, porém, vi que Ruki entalhava alguma coisa com a faca na casca do bordô e quis imediatamente pedir que ele parasse ou um guarda do parque poderia ver e nos comer no esporro. No entanto, quando olhei ao redor e não vi ninguém próximo, relaxei. Aproximei-me para ver o que era e sorri, devidamente surpreso assim que percebi que se tratava de nossas iniciais: RxR.

- Para a posteridade – ele sorriu também, aparentemente muito satisfeito com o seu pequeno ato de delinquência juvenil. Eu quis muito beijá-lo, mas como sabia que não podia, apenas me ocupei de tocar o entalhe, meus dedos traçando devagar as linhas estilosas da caligrafia de Ruki.

Logo os dedos dele se uniram aos meus, sua pequena mão apertando de leve a minha. Olhei para ele, vendo-o me olhar seriamente de volta, e de repente tive a estranha certeza de encarar a pessoa com quem eu compartilharia o resto de meus dias. Não sei como explicar; eu só sentia que era ele. Era Takanori.

- Vamos pra casa? – ele perguntou, sequer tendo noção do que acontecia comigo. Tomei sua mão em meus lábios e a beijei.

- Sim, vamos.

***

No caminho de volta até a estação, como Ruki estava sonolento, achei melhor pararmos para um café. Entramos numa das inúmeras cafeterias da rede Doutor e pedimos dois expressos para viagem. Alguns minutos de trem depois, chegamos ao meu apartamento e assim que fechei a porta atrás de nós, não resisti ao impulso de beijá-lo.

Ah, como ansiava por isso! Tinha pensando o dia inteiro em beijar aquela boquinha deliciosa, e agora que finalmente podia, não queria largá-lo mais. Era tão bom estar a sós com ele, poder tocá-lo da maneira que desejava, sem receio de que alguém visse e por algum motivo, se ofendesse. Eu havia adorado nosso piquenique no parque, mas tudo o que queria no momento era sentir seus braços ao redor de meu pescoço, seu coração acelerado, seus lábios macios nos meus. Ruki me abraçou forte, deitando a cabeça em meu peito, e eu apenas me ocupei de acariciar seus cabelos, satisfeito de ficarmos assim por alguns minutos. Não importava quanto tempo passássemos juntos, eu sempre iria querer mais. Mais de seus abraços, de seus deliciosos sorrisos, de suas respostas rápidas e sarcásticas. Eu nunca iria me cansar.

Quando enfim notamos, ainda estávamos parados na genkan*, a bolsa térmica vazia pendurada em meu braço. Nem mesmo havíamos lembrado de primeiro descalçar os sapatos, o que acabamos percebendo ao olharmos para baixo. Rindo, Ruki se abaixou e descalçou seus tênis, deixando-os no chão ao pegar os chinelos. Ao seu lado, fiz o mesmo.

- Onde posso colocar a mochila? – ele quis saber enquanto me seguia pela sala.

- Pode deixar aí perto da estante – respondi ao deixar a carteira e as chaves na mesinha de centro.

- Mas ela tá toda suja.

- Não tem importância, depois eu limpo de novo.

Ruki fez uma carinha fofa de preocupação, parecendo incerto de fazer o que eu havia dito, mas, por falta de opção melhor, acabou deixando a mochila lá.

Larguei-me no sofá e liguei a televisão, esperando que Ruki se sentasse comigo. Verdade seja dita, eu não imaginava que a senhora Matsumoto fosse deixar o filho dormir na minha casa outra vez tão cedo, então quando pedi que ele viesse passar a noite, estava preparado para ouvir um belo e sonoro não. Tão preparado que quando o baixinho me respondeu que ela tinha permitido, quase não acreditei. Parecia bom demais para ser verdade.

- Coloca no canal de anime? – ele pediu ao se sentar – Tá passando um que eu gosto de ver.

- Qual canal? – envolvi o braço ao redor dele, trazendo-o mais para perto, contente ao vê-lo se aconchegar junto a mim.

- 12.

Ficamos vendo televisão durante meia hora, até começar a nos dar fome de novo e eu decidir me levantar a fim de pedir comida para nós. Eu que não iria para a cozinha para nos envenenar, né? Liguei para uma pizzaria local e quando vi, Ruki já estava deitadinho no sofá, todo encolhido.

Coitado, acho que ficou cansado de tanto bater perna mais cedo. Deixei que ele tirasse um cochilo enquanto a pizza não chegava e fui arrumar a cama para nós. Liguei o ar condicionado, deixando-o numa temperatura agradável, nem muito frio, nem calor, coloquei o edredom sobre o colchão e separei uma toalha para o vocalista. Em seguida, voltei a sala e apaguei a luz, esperando nosso jantar chegar.

Depois do que pareceram vinte minutos, mais ou menos, o interfone tocou anunciando a chegada do entregador e eu fui atender, esperando do lado de fora o cara subir. Paguei a conta, peguei a pizza e retornei, encontrando Takanori na mesma posição em que o havia deixado. Não pude me impedir de sorrir com a cena ao constatar que nem o barulho, nem a luz da TV o incomodaram. Ao que parecia meu pequeno tinha um sono pesado. Tinha pena de acordá-lo uma vez que ele aparentava dormir tão bem, mas não podia deixar que dormisse de barriga vazia.

- Taka... – toquei de leve seu ombro, temendo assustá-lo – Acorda pra comer um pouquinho.

- Já é de manhã? – desorientado, ele se sentou, os cabelos totalmente bagunçados – Já tá na hora da escola?

- Não, meu amor... – não aguentei e ri. Ele era tão fofinho! Tão perfeito! - Ainda são oito e meia da noite – expliquei e o vi esfregar os olhinhos, piscando algumas vezes na tentativa de acordar direito – Comprei pizza pra gente jantar. Tá com fome?

Ele fez sim com a cabeça, bocejando, e ficou parecendo tanto com uma criança que quase não resisti em apertar suas bochechas. Quase. Como sei que ele não gosta, me refreei a tempo. Não queria chateá-lo. Takanori sabia ser bem manhoso quando acabava de acordar.

- Parece que a cafeína não teve efeito – comentei ao cortar um pedaço de pizza e servir a ele.

- Acho que quando fico muito cansado o café não faz nem cócegas.

- Você não tá acostumado a andar assim, né? – servi refrigerantes para nós dois e deixei os copos na mesinha de centro.

- Não, nada acostumado – ele respondeu – Mas você podia ter me acordado, Reita.

- Ah, não. Você tava cansado, quando é assim é melhor descansar um pouquinho mesmo – afirmei – Além do mais, eu não me incomodo.

- Depois não vale contar pra todo mundo que eu só venho pra sua casa pra dormir, hein – eu ri. Até parece que eu ia sair por aí contando o que fazíamos. Eu não era idiota desse jeito, não – Principalmente pro Aoi. Ele nunca mais vai me deixar em paz se souber disso.

- Fica tranquilo, não vou falar nada pra ninguém - prometi.

- Ugh, acho que é a sua casa que me dá sono, Rei-chan – ele disse, parecendo encontrar dificuldades ainda para se manter desperto – É só vir pra cá que o sono aparece!

- Poxa, valeu! – eu dei risada. Ruki tinha cada uma, viu!

***

Terminamos o jantar, ficamos de bobeira vendo TV e depois, quando fui lavar a louça, Ruki foi tomar banho. Enquanto eu enxaguava e guardava os pratos e copos em seus devidos lugares, não conseguia parar de pensar sobre ontem, sobre como mais uma vez acabamos nos descontrolando e nos deixando levar. Isso vinha acontecendo com tanta frequência que comecei a refletir se não era melhor mudarmos a abordagem. Quem sabe se fizéssemos logo, essa urgência diminuía.

Não foi assim com Sayuri e olha que quando a conheci, nem tinha beijado ainda. Por que com Ruki, que era um menino, era tão diferente? Conversei com Aoi a respeito, logo depois que eu e o baixinho nos tocamos. Tinha sido tão bom, que tudo o que eu mais queria era repetir. O problema é que eu não queria só isso. Eu queria transar! Passava quase o todo o tempo pensando nisso, fantasiando um monte de loucuras com Takanori. E quando eu não estava pensando, estava sonhando com ele!

Não aguentava mais acordar pela manhã de pau duro e ficar olhando para o teto tentando fazer com que o maldito abaixasse. Não importava quantas vezes eu batesse uma durante a semana; sempre que eu estava com o vocalista e a gente se empolgava um pouquinho, eu quase perdia a cabeça. Às vezes só um beijinho bastava, outras, não precisava nem disso. É desesperador, sem exagero nenhum!

Aoi dizia que era completamente normal, que eu não tinha que me preocupar tanto, que foi igual com Uruha e ele, no início do namoro. Mas eu não concordava. Não que achasse que eles sentissem menos do que eu. Só acreditava que não devia ser normal querer tanto fazer sexo que se cogitasse inclusive o uso da força. Principalmente quando você sabe que a outra pessoa é virgem e que, por mais que te queira, não está preparada para nada disso.

Tinha acontecido quando Ruki ficou bêbado, no dia de nosso primeiro show, bem antes de começarmos a namorar, e também depois, na terça passada, quando nos tocamos no sofá. Porra, só de lembrar eu já começava a sentir uma ereção se formar entre as minhas pernas!

Na hora em que revelei ao baixinho que ele me fazia sentir diferente, era sobre isso que eu falava. Eu jamais senti uma necessidade tão grande de alguém a esse ponto, e isso me assustava. Mas como eu explicaria uma coisas dessas para ele sem assustá-lo também? De medroso já bastava eu.

Acabei de arrumar a louça na cozinha e o esperei na sala. Eu ainda não achava que ele estivesse pronto para transar, porque sendo sincero, nem eu estava. Como Takanori não era uma menina, tudo era novidade para mim, da mesma forma que era para ele.

Sayuri e eu nunca... nunca fizemos nada além do normal. Ela até era bem safada na cama, mas a ‘porta de trás’, nunca quis liberar. Dá pra entender por que estou andando às cegas aqui, né? Cheguei a confidenciar isso ao guitarrista mais velho. Contei tanto a ele que mal sabia como tive coragem de olhar na sua cara depois.

O que eu podia fazer? Não queria perder Ruki. Aoi me deu algumas dicas, como o bom amigo que era. Explicou pra mim o que podia explicar, com toda a paciência do mundo. E ainda assim eu me sentia inseguro. Comprei lubrificante e deixei as camisinhas na gaveta do criado-mudo por precaução, como ele sugeriu. Só não fazia ideia de quando me sentiria preparado para usar aquilo com o pequeno.

Falando no diabinho, por que Ruki estava demorando tanto no banho? Será que dormiu na banheira? Foi só pensar nele que o vocalista surgiu no corredor, os cabelos úmidos, as perninhas nuas por baixo do short curto.

Deus, por favor me dê forças para resistir, porque se me der outra coisa hoje, não sei o que eu faço!

- Vai tomar o seu banho agora, Rei-chan? – ele perguntou enquanto terminava de secar o cabelo.

Eu só quis me levantar e correr para um banho frio, mas me forcei a sorrir, como se nada demais estivesse acontecendo. Ele não precisava saber o quanto estava mexendo comigo sem fazer absolutamente nada.

- Vou sim, chibi. Me espera na cama? – eu sei, isso acabou soando errado, mas juro que não foi a minha intenção!

- Tá bom.

Observei Ruki seguir até o meu quarto antes de me levantar e ir para o banheiro. Tranquei a porta, entrei no box e liguei o chuveiro, praguejando quando o girei para o modo frio. Não tinha um jeito fácil de fazer aquilo, então fui para debaixo d’água de uma só vez, pulando até me acostumar com a temperatura. Dez minutos depois, tremendo, saí e fui me secar. Assim que acabei de pentear o cabelo, notei que havia esquecido de trazer um short, que por costume de dormir sozinho, só tinha pegado uma cueca. Merda! Ruki estava em meu quarto. Não tinha como eu ir até lá e pegar um short sem ele perceber, tinha?

Talvez ele já esteja dormindo, uma vozinha esperançosa sugeriu. Ele estava com sono mais cedo, cansado do passeio que fizemos. Era bem provável. Porém, bastou chegar próximo à porta e ver a luz do quarto acesa para amaldiçoar a minha sorte.

Faço o que agora? Arrisco entrar vestindo somente a blusa e a cueca e deixo que Takanori pense o que quiser? Não me parecia uma boa, contudo não era como se eu tivesse outra opção.

- Achei que estivesse dormindo – falei ao entrar no cômodo, fingindo que não havia nada fora do comum. Ele se ajeitou na cama, me olhou de cima a baixo e envergonhado, desviou o olhar.

Ok, podia ter sido pior.

- Estava te esperando – ele falou baixinho – Reita... Você vai dormir assim?

- Por que, você não gosta? – por que eu estou perguntando isso?! Qual é o meu problema?!

- E-eu gosto... É só que... – o baixinho parecia reunir coragem antes de decidir o que me responder, e por um momento, senti-me culpado.

Talvez eu o estivesse pressionando, mesmo que inconscientemente. Quem sabe ter esquecido o short tivesse algo a ver com isso. Com o fato de estar com tanta vontade que minha única saída foi colocar Ruki contra a parede.

Acho que estou começando a soar como um doido...

- É só o quê? – tentei incentivá-lo, na esperança de que pelo menos pudéssemos conversar a respeito.

- É que assim eu não vou querer dormir com você. – ele corou, mas não se deteve - Vou querer outra coisa.

Pronto. Era isso o que queria, Akira? Por que a culpa é sua se ele está pensando besteira!

Sentando-me na cama, respirei profundamente. Tinha que pensar muito bem no que dizer a ele, mas sinceramente, depois daquela resposta, minha cabeça estava uma bagunça. Abri a boca para falar algo, mas, perdido, a fechei logo em seguida. Ele se sentou também, sua mão buscando a minha.

- Podemos namorar um pouquinho? – perguntou num tom inocente que eu tinha certeza que de inocente, não tinha nada.

- Chibi...- eu quis dizer que era melhor não, que a mãe dele tinha razão e que devíamos ir devagar por mais que isso fosse difícil. Então me lembrei de que aquela era a última oportunidade que teríamos na semana para ficarmos sozinhos assim e mudei de ideia – Acho que um pouco não tem problema.

Não sabia a quem queria enganar com aquilo, se a ele ou a mim, mas já não me importava. Estava louco para pôr as minhas mãos nele e continuar exatamente de onde paramos quando Matsumoto-san nos interrompeu ontem. Tenho certeza de que Ruki desejava o mesmo.

Sem deixar de me encarar, o baixinho sorriu de modo sedutor e voltou a se deitar na cama. Subitamente nervoso, respirei fundo e me juntei a ele, deitando ao seu lado. Por um instante não soube o que dizer ou o que fazer primeiro; minha mente ficando em branco a cada vez que eu o observava umedecer os lábios e olhar para mim, num convite mudo que estava simplesmente acabando comigo.

Por Deus, Takanori! Você quer me matar, é isso?

- N-não precisamos fazer nada... – eu disse sem pensar e quis me amaldiçoar assim que percebi o olhar decepcionado no rostinho bonito. Apressei-me a refazer a frase antes que Ruki entendesse errado – Quero dizer... Não precisamos transar agora – senti o meu rosto inteiro pegar fogo, mas prossegui – Eu não tenho pressa, chibi. Então por favor, não se preocupe ou pense que estou te pressionando. Faremos quando for a hora certa, tudo bem?

Afaguei suavemente seu ombro e, aliviado, vi um sorriso surgir em seus lábios.

- Estaria mentindo se dissesse que não estou um pouquinho decepcionado – confessou e logo desviou o olhar, constrangido, os dedinhos acariciando parte de meu tórax desnudo.

- Sabe que eu também quero, não sabe? - levei minha mão até sua face, trazendo-a novamente para mim – Quero muito.

- Eu sei, isso que é o pior – ele resolveu ficar de lado no colchão, virando-se totalmente em minha direção, e eu o imitei – É pior saber que nós dois queremos, Reita, e ainda assim não podermos fazer nada.

-Não disse que não podíamos fazer nada – afirmei, meu rosto se aproximando mais do dele – Só não precisamos ir até o fim, você sabe... – droga, eu sabia que estava ficando vermelho de novo só de pensar em dividir com ele o que não saía da minha cabeça desde a primeira vez em que o toquei, há muito tempo, depois daquele bendito show – Na verdade, eu queria... Bom... Se você quiser, eu...- travei - Ah, esquece!

- O que foi? Como assim esquece? – ele fez menção de se levantar, o que eu não permiti, fazendo com que ele deitasse novamente no travesseiro. Ruki me encarou, sem entender nada, óbvio – Me diz, Rei-chan? Por favor?

Como negar qualquer coisa quando ele me pedia daquele jeito? É praticamente impossível!

- É que eu queria... Eu quero... – eu me interrompi e o fitei, perdido, sem ter noção nenhuma de como dizer que queria chupá-lo sem ficar desconfortável ou deixá-lo muito sem jeito – Eu queria tentar algo diferente, é isso – resolvi mudar a abordagem. Ninguém precisava ser tão direto assim, hã? Pelo menos eu nunca precisei antes!

- Ah, ok... – ele me olhou ainda sem entender o motivo para tanto drama. Eu suspirei e me forcei a ficar calmo outra vez. Nervosismo não iria me ajudar, de qualquer forma.

- Não vamos pensar nisso por enquanto – declarei, voltando a acariciar o ombro dele, e o pequeno logo retribuiu meu gesto, o tempo todo me olhando de um modo tão compreensivo e apaixonado que cheguei a me sentir ridículo. De que adiantava ser o mais experiente ali se eu nunca sabia o que fazer? – Vamos apenas namorar antes de dormir, tá?

Ruki somente se inclinou sem dizer nada e cansado de conversar, fiz o mesmo, meus olhos se fechando no momento em que os lábios macios tocaram os meus. Um beijo lento e cheio de desejo logo se iniciou, e mais do que satisfeito, deixei que ele o guiasse e aprofundasse como quisesse, até estarmos tão próximos que competíamos pelo mesmo ar. Dedos pequeninos então abandonaram a minha nuca, descendo ágeis pela lateral de meu corpo e quando percebi, já apertavam com vontade a minha bunda. Gemi dentro do beijo, incapaz de me conter, e ele aproveitou para sugar minha língua, o que bastou para me deixar mais aceso que fogo em brasa.

Imediatamente mudei de posição e me acomodei sobre ele, que não apenas permitiu, como também abriu as pernas para que eu me encaixasse entre elas. Com o novo contato, o beijo se intensificou ainda mais, como se isso fosse possível, e logo nos vimos mais do que desesperados para arrancarmos nossas roupas e sentirmos um ao outro.

Partindo o beijo, eu me afastei dele apenas o suficiente para remover minha regata. Takanori me observava em silêncio, os lábios vermelhos um convite irresistível ao pecado. Livre da incomoda peça de roupa, joguei-a em qualquer canto e voltei a beijá-lo, sendo recebido com o mesmo entusiasmo de antes. Unhas compridas arranhavam de leve minhas costas, arrepiando-me todo enquanto o corpo menor se remexia abaixo de mim, provocando uma deliciosa e enlouquecedora fricção.

Deus, como aquilo era bom! Senti-lo se esfregar todinho em mim, me apertando, me arranhando, mordendo a minha boca... Tão bom que não consegui me impedir de movimentar minha pélvis no mesmo ritmo, imaginando que poderia gozar somente por roçar nossos membros um no outro daquela forma.

- Ahh, Reita... – ele gemeu baixinho, sem fôlego, e eu aproveitei a deixa para lamber seu pescoço.

Ruki virou a cabeça ligeiramente de lado, me oferecendo mais espaço, e eu me deleitei em abusar de sua pele branquinha, ora marcando-a com meus dentes, ora chupando-a com vontade. Confesso que me dava grande satisfação sentir que ele tremia abaixo de mim, perceber o modo como se arrepiava e gemia a cada vez que minha língua o tocava.

Deus, o loirinho era tão sensível!

Será que ele tem ideia do que faz comigo? Eu duvido muito.

Suas mãozinhas pendiam inertes em minha cintura quando finalmente parei o que fazia e voltei a beijá-lo. Ruki se valeu da oportunidade para enlaçar as pernas ao redor de meu quadril, e em resposta, pressionei mais seu corpo de encontro a cama. Quando vimos, estávamos praticamente simulando uma transa ali, com a única diferença de que ainda nos encontrávamos vestidos.

Desvencilhei-me dele, tão excitado que meus dedos tremeram ao abrir os botões de sua camisa. Gotas de suor desciam por meu rosto e eu cheguei a gemer, agoniado, assim que consegui terminar a tarefa sem rasgar nada. Quando o olhei novamente, vi que ele me encarava de volta, a expectativa nítida em seu lindo rostinho.

Não dei tempo para que ele pensasse, começando a atacar o seu peito com beijos e lambidas, vendo-o se contorcer todo assim que suguei um de seus mamilos. Logo depois, provoquei mais, lambendo muito de leve a pontinha endurecida enquanto dava atenção ao mamilo esquerdo, apertando-o entre os dedos. Takanori mordia os lábios na tentativa de se impedir de gemer alto, o que me deixava com mais vontade ainda de continuar a torturá-lo de prazer.

O problema é que eu não era de ferro e estava tão excitado que chegava a doer. Por isso, prossegui caminho e fui descendo até chegar ao umbigo, parando somente ao encontrar o elástico do short que ele vestia. Meu coração batendo mais rápido ao vislumbrar a umidade e o volume no tecido claro.

- Posso? – perguntei ao fazer menção de puxar a barra para baixo. Ele assentiu, os lábios inchados, os fios de cabelos claros grudados em sua testa. Tão absolutamente perfeito!

Puxei com cuidado ambas as peças e então o órgão duro e rosado finalmente surgiu diante de meus olhos. Uma gotinha de pré-gozo vertia da pequena abertura, e sei o quanto é estranho dizer isso, ainda mais porque eu costumava ser hétero, mas... Sem exagero, só de ver fiquei com água na boca.

Uma olhada mais atenta, porém, me revelou que algo estava diferente do que me lembrava, e para a minha surpresa (leia-se falta de ar), percebi que a região estava totalmente depilada.

Foi por isso que demorou tanto no banheiro, Taka? Gosta tanto assim de me provocar?! Obriguei-me a respirar fundo antes que perdesse a linha de vez. Eu não podia me desesperar, não de novo.

Desde que o tinha visto nu pela primeira vez, quando o pequeno nem se lembrava direito o que fazíamos na ocasião, eu tinha ficado obcecado com a ideia de vê-lo assim novamente. O pensamento simplesmente se recusava a sair de minha cabeça, o que quase me deixou doido por um tempo. A situação era outra agora, claro; estávamos namorando e Takanori sabia muito bem o que fazia. Talvez até demais, visto que parecia ter planejado aquilo.

Mas posso confessar uma coisa? O desejo de chupá-lo somente havia se tornado mais forte, mais difícil de ignorar. E o modo como o vocalista me encarava, ansioso, parecendo saber exatamente o que eu pretendia fazer e não se opusesse, acabava comigo. Era demais pra aguentar.

Terminei de retirar a roupa íntima dele, largando-a em qualquer canto, e em seguida me deitei mais ou menos de lado na cama numa posição confortável, minha face perigosamente próxima ao meu objeto de desejo. Nervoso, dei a Ruki uma última olhada, e quando me certifiquei de que ele me encarava, o olhar cheio de expectativa, abocanhei seu membro. Ruki gemeu alto, e num espasmo, uma de suas pernas por pouco não me acertou o rosto.

Ah, como sonhei em fazer isso! Quantas e quantas vezes não me perdi em fantasias, imaginando qual seria a sensação, se seria estranho ou não, se eu saberia fazer corretamente, se ele iria gostar... Tantas dúvidas para na hora H esquecer tudo o que havia lido e apenas me guiar pelo instinto.

- R-Reita... – a voz dele era fraca, quase como se não conseguisse falar. E era bem assim que eu o queria, incapaz de articular qualquer pensamento. Porque era isso o que ele fazia comigo quando estávamos assim.

Iniciei uma massagem na base do pênis, e devagar, diminuí o ritmo com que o sugava para não correr o risco de acabarmos rápido demais. O pequeno lamentou baixinho, seu quadril se levantando algumas vezes do colchão em busca de mais contato. Eu o segurei no lugar, sabendo bem como era se sentir dessa forma, tão necessitado por mais que era quase impossível ficar parado.

Como queria que ele desfrutasse de cada minuto, faria com que aquilo durasse o máximo que pudesse. Satisfazia-me saber que era o primeiro, que ninguém nunca o tocou assim antes. A primeira vez nunca se esquece, huh? Se dependesse de mim, Ruki jamais se esqueceria daquela noite.

Minha mão desceu pela coxa roliça e eu afastei mais as pernas dele, largando sua ereção para me concentrar na região da virilha. Eu adorava a maneira como Ruki me observava; mesmo envergonhado, ele não desviava o olhar. Não, ele gostava de ver, de assistir o que eu fazia com ele. E eu, assim como ele, gostava demais disso também.

Suguei a superfície lisinha algumas vezes, o tempo inteiro rodopiando a língua ao redor do órgão, sem no entanto, esbarrar muito nele. E satisfeito, ouvi grunhidos de reprovação e até mesmo alguns palavrões por entre os gemidos de Takanori. Sei que torturá-lo dessa forma é maldade, mas não conseguia evitar. Não quando isso me dava tanto prazer.

Encaixando-me entre as pernas abertas dele, passei a lamber e chupar seus testículos. O vocalista ofegou, parecendo surpreso, e sem medir a força, puxou meu cabelo. A dor que senti não foi capaz de me fazer parar, no entanto; apenas continuei intercalando beijos, chupadas e lambidelas, subindo e descendo, nunca deixando que ele se acostumasse a uma sensação em particular. Àquela altura, o baixinho se contorcia inquieto sobre a cama, palavras desconexas escapando de seus lábios entreabertos.

Num impulso, trouxe ambas as pernas dele para cima, expondo-o mais ainda para mim, e a visão que tive fez meu pau latejar. Merda, ele havia se depilado ali também. Sem pensar, lambi generosamente sua entrada.

-Aki... A-Aí não... Não faz... – o prazer era nítido em sua voz e isso me deixava simplesmente louco de tesão. Eu não conseguiria parar agora nem que ele implorasse.

Pressionei a área sensível, e um gemido profundo e arrastado escapuliu da garganta de Ruki, sua pequena mão quase arrancando minha franja. Grunhindo de dor e enlouquecido pela reação dele, levantei todo o seu quadril do lençol, segurando-o firme. Aparentemente, ele entendeu sozinho o que eu pretendia, pois abandonou meus cabelos e manteve as pernas no ar sem a minha ajuda. Com as duas mãos livres, espalmei-as em suas nádegas e mais uma vez mergulhei a língua com vontade, insinuando-a sem parar na pequena abertura.

- Ahhh... Por favor... Não... – ignorei os pedidos dele, sabendo que divergiam do que eu enxergava em seu rosto, e me concentrei totalmente em minha tarefa.

Passei a esfregar a ponta de meu dedo indicador na entrada úmida, pressionando-a de leve, até um flash da fatídica noite em que quase o violentei cruzar meus pensamentos e me fazer parar. Acabei chegando a óbvia conclusão que prosseguir daquele jeito era tentação demais, que nenhum de nós aguentaria sem querer ir além.

E cacete, não dava pra esperar mais! Eu precisava de um alívio.

Recoloquei-o de volta na cama e por pouco não senti dó quando ele não conseguiu sustentar as pernas flexionadas. Beijei com carinho uma de suas coxas, deixando que ele voltasse a se esticar na cama. E resolvendo que já havia torturado a nós dois o suficiente, voltei a chupá-lo.

Com a mão direita, envolvi seu membro, massageando-o na mesma intensidade com que o tomava em meus lábios. Já a mão esquerda rapidamente adentrou minha cueca, libertando a ereção dolorida e começando a bombeá-la sem parar.

- Ahhh, Akira... Quase... Não posso...

E eu saberia que ele estava perto, mesmo que ele não me dissesse nada. Porque eu também estava. Sendo assim, aumentei os movimentos de sucção, de alguma forma conseguindo sincronizá-los com o ritmo em que me masturbava, e gemi, deixando que o som reverberasse e aumentasse o prazer dele, enquanto pressionava a glande contra o céu da boca. Ruki gritou ao atingir o orgasmo, as costas se arqueando, e logo um jato de gosto estranho e levemente salgado atingiu minha garganta.

Sem pensar muito, engoli tudo, e continuei a sugá-lo até começar a sentir o órgão amolecer em minha boca.

Parei e o fitei; meu pequeno respirava com dificuldade, a expressão satisfeita, os olhos semicerrados, os braços estendidos, abandonados sobre o lençol.

Eu queria muito olhar para ele e desejava que Ruki me olhasse de volta, que visse o ponto em que havia me deixado.

E por entre os cílios escuros, ele me observava. Via minha mão subir e descer, vezes e vezes sem conta.

- Ahh, chibi... – gemi, incapaz de me controlar. Ruki nem ao menos piscava – T-Tá vendo o que faz comigo? – perguntei, sem receber nenhum tipo de resposta além da profundidade de seu olhar. Se ele estava gostando do meu showzinho, não parecia que iria me deixar saber.

Algumas bombeadas mais enérgicas depois, não resisti e acabei gozando, ejaculando forte sobre minha própria barriga e peito. Então fechei meus olhos, exausto, me largando de qualquer jeito na cama, as costas doendo pela má posição.

Mas não podia reclamar, não de verdade. Tinha sido incrível, muito melhor do que eu havia imaginado, inclusive.

Sorri comigo mesmo, minha mente ainda revivendo os últimos minutos enquanto eu tentava, sem muito sucesso, acalmar as batidas aceleradas de meu coração. Após alguns minutos, surpreso com o silêncio de Takanori, me virei de lado e o encontrei de olhos fechados, mãos nos cabelos; um sorrisinho besta que era a cópia exata do meu em seus lábios.

Nem precisei perguntar se ele havia gostado, porque estava mais do que óbvio que sim.

- Amor... – eu o chamei e o vi levantar ligeiramente a cabeça para me fitar. No fundo eu meio que temia que tivesse passado um pouco dos limites, sabe... Mesmo que ele tivesse apreciado o que fiz – Tá com frio?

Parecendo se dar conta somente naquele momento que estava praticamente nu, ele olhou para baixo e corou. Tive ímpetos de me levantar e cobri-lo inteiro de beijos. Como alguém podia ser tão adorável?

- Ahhm, um pouco – ele conseguiu responder, visivelmente sem jeito – Pode ver se meu short caiu?

- Espera.

Estiquei a mão até o criado mudo e tirei de lá lenços de papel com os quais me limpei, atirando-os em seguida na cesta de lixo que ficava ao lado. Depois, ainda sem me levantar, tateei ao redor da cama, tirando o edredom do caminho, até finalmente achar, embolados, a cueca e o short que ele vestia, entregando-os a ele. Takanori se vestiu sem dizer nada, abotoando também a camisa, e assim que eu me ajeitei no colchão, pondo minha cabeça em cima do travesseiro, ele se grudou a mim. Beijei sua testa carinhosamente e ele se aconchegou mais, seu corpo pequeno se encaixando perfeitamente ao meu.

- Posso apagar a luz? – perguntei.

- Uhum... – foi tudo o que respondeu.

Peguei um travesseiro sobressalente, atirei com força contra o interruptor e assim que ficou tudo escuro, o abracei, meus dedos afagando suas costas.

- Te amo – sussurrei para o menino adormecido em meus braços, tendo a certeza de que jamais o deixaria. Meu pequeno amor. Meu Taka.

Continua...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


*Dango - bolinho japonês feito de farinha de arroz.

*Genkan - área de entrada tradicional para casas e prédios japoneses constituída de uma varanda, ou uma sala, com um tapete onde se deve retirar os sapatos. Sua função principal é evitar que as sujeiras da rua que ficaram no sapato entrem dentro da casa, ou qualquer edifício.


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