História Stand by you - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Once Upon a Time
Personagens Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Ruby (Chapeuzinho Vermelho)
Tags Outlawqueen, Regina Mills, Robin Hood
Visualizações 334
Palavras 4.327
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Lembrando mais uma vez que essa história não é de minha autoria, só estou modificando os personagens para que possamos desfrutá-la com o nosso casal mais amado, vulgo OutlawQueen.

Capítulo 6 - Capítulo seis


Fanfic / Fanfiction Stand by you - Capítulo 6 - Capítulo seis

REGINA P.O.V

Em algum momento antes do amanhecer, sou acordada pela pressão da pélvis de Robin contra a lateral do meu corpo. Sua mão enorme desliza por minha barriga, apertando meu seio e contornando o mamilo intumescido com a ponta do dedo, de um jeito que faz minhas costas arquearem, forçando-me na direção do seu toque. Seus dentes raspam em meu ombro, o que o faz parecer feroz, perigoso. Ele não está esperando um sinal de consentimento, mas, mesmo assim, ofereço um gemido permissivo. Aí aqueles dedos mágicos se posicionam no meio das minhas pernas, deslizando, espalhando a umidade que já está ali. Ele segura minha mão e pressiona meus dedos contra o clitóris, esfregando-os em círculos delicados. A voz dele está rouca de sono, quando ele comanda:

– Continue assim.

O calor de seu peito desaparece das minhas costas e logo a cama vibra com seus movimentos. O som do embrulho sendo rasgado perfura o ar silencioso e logo Robin retorna. Pressiona sua pele aquecida contra a minha, desliza os lábios por meu pescoço até alcançar a pele sensível atrás da orelha. Minha respiração sai em golpes rápidos e meus dedos se tornam mais fortes, espalhando um prazer que chega a apertar meu estômago. A respiração arfada de Robin bate em minha escápula enquanto ele agarra meu joelho e levanta minha perna.

Isso.

Assim.

Agora.

Por favor, agora.

Não percebo que me expressei em voz alta até sentir que ele está rindo.

– Acho que estamos tendo o mesmo sonho.

E aí ele me preenche. Completamente. Perfeitamente. Lanceando minha boceta com seu pau duro e pesado. Solto a cabeça para trás, ergo o queixo com um gemido excitado. O ar escapa por seus lábios em um fluxo longo, ruidoso, enquanto ele enfia lentamente. Sinto seu pau contra meus dedos e Robin abaixa a mão, acariciando seu membro enquanto o empurra para dentro e o puxa para fora em um ritmo constante.

Jesus.

Deus.

Amo a forma como ele se movimenta, o fato de ele conhecer o ângulo certo, a velocidade perfeita para me levar ao limite da loucura. Não preciso dizer uma palavra nem fazer nada. A não ser que eu queira, a não ser que ele diga para que eu faça alguma coisa.

Sua mão aperta minha perna com mais força e me viro para agarrar a parte traseira de sua coxa, o volume firme de sua bunda, empurrando-o mais para dentro de mim. Fazendo-o gemer. Robin chupa meu lóbulo, sua voz raspa em meu ouvido:

– Caramba, Regina, eu adoro fazer isso com você. Adoro poder ver cada centímetro do seu corpo. Desse corpo tão lindo. Ele mete com mais força, sua pélvis batendo violentamente contra minhas nádegas. – Você também gosta? – arfa.

Robin solta minha perna, mas eu a mantenho erguida, sentindo-me bem demais para me permitir baixá-la. Então seus dedos beliscam e puxam meus mamilos, fazendo-me sentir um prazer torturante.

– Mostre para mim – geme. – Mostre que está gostando. Mostre que está adorando.

Com um grito, empurro meu corpo contra seu pau enquanto ele soca, sentindo todo o movimento. Arqueio a cintura e empurro o corpo ainda mais para trás enquanto ele me invade. Mais rápido. Mais intenso. Mais.

– Porra, assim mesmo!

E então nos tornamos uma massa pulsante e contorcida de prazer. Gemidos e gritos, pegadas e músculos se contraindo. Minhas unhas arranham a pele de sua perna quando gozo, minha boca se abre contra o lençol, gritando em silêncio. Robin me vira de barriga para baixo e se posiciona sobre mim. Três socadas fortes depois, ele está urrando contra minhas costas, da forma mais sensual possível. Sinto seu pau inchar dentro de mim, pulsar duro e quente, enquanto ele goza. A sensação, os sons, aquele desejo de começar tudo outra vez… Ficamos paralisados por vários momentos, arfando, corações acelerados. Mesmo antes de seu peso rolar para o lado, eu me vejo afundando, deslizando sem esforço para aquela exaustão tranquila que vem depois de um esforço glorioso.

A última coisa que registro é um movimento, um abraço forte, a fragrância picante do pós-sexo misturando-se ao cheiro reconfortante de um homem quente. Suspiro, aconchegando-me mais perto do peito dele. E um último pensamento flutua em meu cérebro antes de me ver totalmente alheia:

Seria fácil me acostumar a isso.

 

 

 

 

 

 

A luz do sol atravessando a janela do quarto de Robin é o que me acorda – clara e morna sobre o meu rosto. O cheiro de café já se espalhou pelo ar e há um espaço vazio ao meu lado na cama. Não começo a me levantar imediatamente, mas me permito desfrutar por mais alguns minutos – da maciez da cama dele, do cheiro masculino que ainda se recusa a sair dos lençóis, das memórias tentadoras que dançam atrás dos meus olhos. Passar a noite juntos é algo novo. Uma escolha espontânea que… provavelmente não foi meu movimento mais inteligente. Porque, por mais que me sinta culpada, gosto disso. Gostei de tudo o que aconteceu. Seus braços me envolvendo, seu peito debaixo da minha bochecha, seu pau enterrado em mim tarde da noite. Meus músculos se apertam com a lembrança e estremeço de leve com essa dorzinha abençoada – o melhor tipo de dor. E me pergunto se Robin também gostou de eu ter ficado aqui. Ele gosta de me possuir, sei disso, mas me pergunto se gostaria de…

Não.

Objeção.

Fora de ordem.

Assunto encerrado.

Desista.

Todos sabemos o que acontece quando brincamos com fogo… Mas eu não vou me queimar. Sou do tipo… A mão que passa pela chama da vela sem se queimar. Sou à prova de fogo. Porque estou preparada. Vozes soando desconfiadas, como a dos meus irmãos, ecoam em meus ouvidos. Conversas sobre “amigos” que queriam mais benefícios do que estavam dispostos a oferecer. Estratégias para se desembaraçarem dos tentáculos carentes de mulheres que se tornaram pegajosas demais. Adjetivos para descrevê-las, que começaram com “legal”, “incrível”, “casual” e logo se transformaram em “irritante”, “grudenta”, “constrangedora”. Amizades que nunca se recuperaram. Porque limites foram violados. Não vai ser assim comigo. Não preciso desse tipo de distração, nem quero esse tipo de complicação. Minha carreira está exatamente onde deveria – crescendo rapidamente. E, faça chuva ou faça sol – ou mesmo orgasmos que me façam esquecer o número do meu cadastro de pessoa física –, minha carreira vai continuar onde está. Agora pulo decidida para fora da cama e começo a me vestir. Até pegar minha blusa. Ontem à noite não vi a situação dela, mas está em frangalhos. Rasgada, com os botões estourados, com um buraco grande o suficiente para minha mão – ou meu seio – passar. Parece uma bandeira vermelha que se atreveu a provocar um touro excitado e que foi punida com um chifre longo e espesso. O que não está muito longe da realidade, acredito.

Então vejo uma camiseta dobrada na beirada da cama, posicionada ao lado das minhas roupas. Cinza, escrita em amarelo: Sunshine, Mississippi. Ótimo. Pego a camiseta e, com uma sensação de culpa, pressiono o algodão contra o rosto, inspirando profundamente. O cheiro predominante é o de amaciante, mas há um traço do cheiro de Robin no tecido. Balanço a cabeça. Foco no objetivo, Regina. E, independentemente daquilo que meu clitóris possa pensar, o objetivo não é o pênis glorioso e dourado de Robin Of Locksley. Prendo os cabelos em um rabo-de-cavalo. Enfio minha blusa arruinada e a jaqueta na bolsa, agradecendo aos deuses da moda por as bolsas grandes serem a última tendência. Em seguida, me olho no espelho da cômoda de Robin. Olhos cansados, cabelos que, mesmo presos, despontam como asas em minha cabeça e uma camiseta cinza que alcança meu quadril com uma saia saindo por debaixo dela. É por isso que chamam esse momento de “caminhada da vergonha”. Ajeito-me, abro a porta e piso no corredor. Ele está à mesa da cozinha, sem camisa, com uma calça de moletom azul-marinho, os cabelos loiros desajeitados de uma maneira irritantemente sensual. Está com o Skype aberto. A julgar por sua xícara de café quase vazia, parece que já faz algum tempo que está no Skype.

Robin me oferece um sorriso de boas-vindas e aponta para a garrafa de café sobre o balcão. Uma oferta silenciosa que aceito de muito bom grado. Embora a tela não esteja virada para mim, a voz da menininha pela caixa de som me diz exatamente com quem Robin está falando.

– … e aí o Ethan Fortenbury disse que eu tenho mãos de homem. Robin olha para a tela, a testa franzida em consternação.

– Mãos de homem? Quanta falta de gentileza do Ethan Fortenbury.

Talvez seja só porque sei com quem ele está falando, mas sua voz parece mais baixa, mais calma, protetora. E eu poderia ouvi-lo falar assim durante dias. Ouço o cereal sendo mastigado e a garotinha então responder:

– Não, ele não é nada gentil, papai. Eu queria chamar o Ethan de cu de burro, mas a mamãe falou que seria grosseiro, então chamei de ânus de asno… porque é isso o que ele é.

Robin dá risada. E Jake entra na cozinha, já vestido, usando calça jeans e uma camisa azul. Passa atrás da cadeira de Robin e dá uma olhada na tela.

– Oi, Jake! – a vozinha feliz grita. Ele abre um de seus raros sorrisos.

– Bom dia, Raio de Sol.

Robin disse que Jake chama Jasmine de “Raio de Sol” porque ela é da cidade de Sunshine… e porque ela é um raio de sol. Jake se aproxima de mim no balcão enquanto se serve com uma xícara de café preto. E me olha de cima a baixo.

– Belo modelito. Mostro a língua para ele.

Uma loira ágil, de pernas longas, sai do quarto dele. Sua aparência, com um vestido caramelo e sapatos combinando, é melhor do que a de qualquer mulher depois de uma noite de bebida e sexo. Sexo barulhento. Ela mal olha para Jake quando segue na direção da porta.

– Tchau. Jake parece igualmente despreocupado.

– Até mais. Tomo mais um gole da minha droga matinal.

– Ela parece legal. Ele dá risada.

– Ela curte exibicionismo. Definitivamente é legal para mim… Talvez eu volte a vê-la. Com isso, Jake pega sua xícara de café e volta para de onde veio.

– Então, o que aconteceu depois com Ethan Fortenbury? – pergunta Robin à filha.

– Ah, falei que se ele não parasse de me provocar, eu iria usar minhas mãos de homem para enforcá-lo. Depois disso, ele não me incomodou mais. A risada de Robin é grossa e suave e transborda orgulho.

– Essa é a minha garota!

– Preciso pegar meu tênis para ir para o treino, papai. Mamãe está aqui. Um beijo, te amo!

Robin manda um beijo na direção da tela.

– Também te amo, filhinha.

E talvez minha calcinha tenha se desintegrado. Uma dor desagradável surge em meu útero, um desejo repentino e desesperado de procriar com esse homem. É puramente instintivo, evolutivo. Mas ainda bem que penso com o cérebro, não com os ovários. Mesmo assim, devo admitir… não é fácil.

Estou tomando um gole de café quando outra voz começa a sair pela caixa de som – mais madura, mas, ainda assim, com um sotaque carregado:

– ‘Dia, Robin.

– ‘Dia, querida.

– Então, querido… Tem uma coisa… – Então vem uma pausa nervosa. Mas ela prossegue: – Uma coisa sobre a qual quero conversar com você…

Ergo a mão e gesticulo, dizendo a Robin que vou pegar um táxi para ir para casa. Ele gesticula com a mão de modo a me dizer para esperar.

– Ruby, pode esperar um segundinho? Ele fecha o laptop. – Não precisa pegar um táxi para ir para casa, Rê. Eu te levo. Dispenso a oferta com um gesto.

– Não, você está ocupado… Não tem nada demais em pegar um táxi.

– Para mim, tem. Espere um pouco… Dois minutos e eu já termino aqui. Ele então volta a falar com Ruby. – Desculpa. O que estava dizendo? Ela hesita.

– Agora é uma hora ruim, Robin?

– Não – ele garante. – Pode ser agora… Uma amiga precisa de uma carona para a casa dela. Mas pode me contar sua notícia. Ele espera. E juro que ouvi uma respiração pesada… pouco antes de ela se acovardar.

– Ah, quer saber? Eu posso esperar… Você está acompanhado e tenho que levar Jasmine para o treino.

– Tem certeza?

– Sim, sem problema – ela garante. – Eu, hum… Eu ligo para você mais tarde… Não é… não é nada urgente.

Os olhos de Robin escurecem com a incerteza. Mesmo assim, ele responde:

– Tudo bem. Um bom-dia para vocês, então.

– Para você também.

Com alguns toques no mouse, ele desconecta. E aquele sorriso devastador se volta para mim.

– Bom dia.

Robin e eu nunca nos cumprimentamos no dia seguinte depois de passarmos a noite juntos. Não é exatamente uma situação desconfortável. É só… novo. Diferente. Ergo a xícara de café para saudá-lo.

– Bom dia.

– Vou só pegar uma camisa e a chave e já levo você para casa.

 

 

 

 

 

 

 

 

Estacionamos na frente do meu condomínio e Robin deixa o carro ligado – aparentemente ele não planeja entrar. O que, por mim, está ótimo. Afasto uma mecha de cabelo do rosto.

– Obrigada pela carona. Ele assente.

– Sem problemas. E você, obrigado por cavalgar em mim. – Ele pisca. – Ontem à noite.

Dou risada.

– Idiota. Quando saio do carro e fecho a porta, ele diz:

– Ei, não esqueça: nosso jogo é às três. No Turkey Thickett Field, na Michigan.

Quase todas as empresas têm uma equipe na liga de softball dos advogados de Washington e a nossa tem chance de vencer o campeonato deste ano. Sou boa em esportes – meus irmãos me fizeram ser boa nisso –, mas também me empenho. Afinal, esportes como golfe, tênis e squash podem abrir portas profissionais que até então se encontravam fechadas. Tudo é uma questão de networking. Dando tchau com a mão, me afasto um pouco.

– Estarei lá.

Enquanto Robin vai embora, fico ali na rua, olhando até seu carro sumir de vista. Uma pontada de… alguma coisa surge no meu peito. E me pego cheirando aquela camiseta. Outra vez. Não é bom sinal. Uma corrida – é disso que preciso. Para suar e liberar até a última gota de álcool e ter aquela explosão de endorfina em meu cérebro. Envio uma mensagem de texto para Daniel, que mora no quarteirão ao lado, para ver se quer me acompanhar. Então entro em casa e sou recebida por meu amor preto e caramelo de mais de 60 kg – Sherman, meu rottweiler. Enorme. Minha mãe teve medo de cachorro durante toda a vida, por isso não tivemos cães em casa quando éramos crianças. Mas, quando me mudei para a minha casa, realizei meu sonho de infância ao adotar o maior e mais forte cachorro que encontrei. Como faço muita hora extra, contrato uma passeadora que leva Sherman para suas tão necessárias corridas três ou quatro vezes por dia. Então passar a noite fora não é um problema. Mas ele é meu bebê e sou sua mamãe, então, mesmo quando suas necessidades físicas já estão atendidas, seus olhos castanhos adoráveis e arrasadores se iluminam ao me ver. Passo um bom tempo acariciando suas orelhas e sua barriga. Então conecto meu celular a uma caixa de som e aumento o volume. Porque preciso de algo agitado. “Still Standing”, do grande Elton John. Com a função repetir. Diferentemente do medo de cachorro, herdei de minha mãe seu gosto musical. Ela ouviu “Tiny Dancer” pela primeira vez na adolescência, em seu primeiro dia nos Estados Unidos, e desde então ama as músicas de Elton John.

Suas canções eram o pano de fundo enquanto eu crescia, a trilha sonora da minha infância. Vou a seus shows sempre que posso. Quando o primeiro refrão chega ao fim, já estou me sentindo melhor, dançando com o ritmo enquanto troco de roupa e visto o top rosa e a calça preta de corrida. Estou me alongando na sala de estar quando Daniel entra pela porta destrancada, também vestido para uma corrida – camiseta azul da Under Armour, que destaca seus músculos e valorizam a parte superior de seu corpo, e shorts pretos, que deixam à mostra o arco metálico da prótese que usa para correr. Embora eu saiba sobre o acidente de Daniel e tudo o que ele perdeu, sempre fico em choque quando vejo aquele metal abaixo de seu joelho esquerdo. É difícil imaginar as dificuldades que ele deve ter enfrentado, todos os desafios que teve de superar. E, ainda assim, Daniel saiu de tudo isso com uma personalidade maravilhosa. Ele me observa por um instante antes de inclinar a cabeça e erguer a orelha:

– “Still Standing”, né? Alguém precisou de uma carona hoje cedo.

Daniel me conhece bem. Pego as chaves e saímos em direção ao Memorial Park, o melhor lugar da cidade para correr.

Depois da chuva de ontem à noite, o ar está quente, mas seco. É um lindo dia de verão.

– Fiquei na casa de Robin – digo casualmente. Daniel arregala os olhos.

– Sério?

– Já era tarde – explico.

– Aham.

– Eu estava cansada – insisto.

– Humm… Então, já exasperada:

– Estava chovendo! Ele assente, seus olhos azuis quase infantis parecem ter entendido tudo.

– Claro, estava. Qualquer advogado sabe como é importante saber virar a mesa com uma testemunha. É importante saber afastar certos assuntos. E é justamente isso que faço agora:

– E como foi o seu “encontro”? Daniel abre um sorriso diabólico.

– Um cavalheiro nunca beija e sai contando por aí.

Nos dias mais tranquilos no escritório, ele tem a tendência de desfazer o silêncio com suas histórias mais escandalosas. A atriz que o chupou enquanto mil paparazzi se reuniam do lado de fora do carro, a herdeira que gostava de perigo e que ele fodeu trepado no lustre de um castelo do século XVI. Nem todas as histórias envolvem sexo, só as preferidas de Daniel.

– Não estou vendo nenhum cavalheiro por aqui. Ele explode em uma gargalhada.

– Tem razão. Digamos que ela deixou minha casa mancando hoje cedo… Acho que isso basta.

Passamos pelo Monumento a Washington com passos mais rápidos, lado a lado, mas com cuidado para não colidir com outros corredores, ciclistas e patinadores no caminho. A capital é uma cidade jovem, ativa e, pelo menos na região onde moro, atraente. Você praticamente sente a disputa no ar, assim como sente a poluição em Los Angeles. Todos querem estar em sua melhor forma, prontos para avançar e empurrar quem estiver em seu caminho. Se ter ganância é bom, na capital, ter poder é tudo. E todos manobram por uma posição em que possam morder esse bolo. Nossos passos são constantes; respiramos fundo, mas tranquilamente.

– O que você pensa de barba? – Daniel pergunta de forma totalmente repentina. Olho para o rosto jovem, bonito e liso que já lhe arrumou problemas mais de uma vez e dou de ombros.

– Depende do rosto. Por quê? Ele esfrega a mão no queixo.

– Estou pensando em deixar a barba crescer. Talvez assim eu pare de ser cantado por meninas que ainda estão no colegial. Dou risada.

– Acho que você ficaria bem de barba.

Mais alguns minutos se passam antes de o Jefferson Memorial aparecer no horizonte. Acho que, quando estavam planejando os monumentos, alguém não gostava de Thomas Jefferson, porque o dele fica lá longe. Isolado. Em termos de receber visitantes, Jefferson se ferrou.

– Então… E você e Robin…? –Daniel quer saber.

De canto de olho, percebo sua expressão, a qual me faz parar. Preocupação. Uma preocupação de amigo, mas desconfortável… Como se ele estivesse criando coragem para me dizer algo que, na verdade, não quer ter que me dizer.

– Ele falou alguma coisa? Sobre mim? Outra lição aprendida com irmãos mais velhos e promíscuos: homens falam.

– Não, não… Ele não disse nada. Eu só… Você já se deu conta de que Robin é… emocionalmente indisponível?

– Isso é uma das coisas que mais gosto nele. Quem tem tempo para ser disponível? Agora andamos um ao lado do outro, recuperando o fôlego.

– Mas você sabe que ele é… “amarrado”?

– Claro que sei, Daniel… Ele fala de Ruby e Jasmine o tempo todo. Tem uma foto delas na mesa do trabalho e mais um monte no apartamento.

Há fotografias de Robin perto de Ruby na cama do hospital, segurando a bebê recém-nascida envolta em um cobertor rosa. Robin e uma menina de trancinhas parados ao lado de uma bicicleta rosa depois do primeiro passeio. Robin, Ruby e Jasmine sentados juntos em uma roda-gigante, com um sorriso enorme no rosto. Os três têm cabelos claros e perfeitos – mais parecem bonecas de porcelana sulistas. Danielt gesticula com a mão.

– Pessoalmente, acho que você e Robin formariam um belo casal. E você nem precisaria mudar seu monograma. Rindo, nego com a cabeça.

– Você é o único homem hétero que eu conheço que sabe o que é um monograma e usa essa palavra em uma frase.

– É assim que eu funciono. – Então ele encolhe o ombro. – Eu, eu só não quero que você acabe se ferindo, Regina. Por mais que possa não haver essa intenção.

Daniel é um playboy, mas não é um cafajeste. Já teve suas amantes casuais ou namoradas que estavam prontas para dar o próximo passo quando ele preferia continuar sendo livre. Quando esses relacionamentos chegaram ao fim e os sentimentos inevitavelmente saíram feridos, ele sempre se sentiu mal – até mesmo culpado. Com carinho, puxo a manga de sua camiseta.

– Obrigada por se preocupar, mas está tudo bem. Esse é o lado bom das amizades coloridas… A gente não se prende um ao outro. Daniel retribui meu sorriso e voltamos a correr.

– Devo fazer um comentário egoísta: seria muito ruim se nossa unidade no escritório sofresse algum dano.

– Nossa unidade? Ele me cutuca com o cotovelo.

– Sim… Todos nós estamos nos saindo superbem e criando uma reputação. Somos tipo os Vingadores. Bem, os bons.

– Ah! – arfo, acompanhando-o na brincadeira.

– Posso ser Thor? Sempre gostei da marreta. Ele dá um tapinha em minha cabeça.

– Não, sua garotinha tola… Você é a Viúva Negra. Jake é o Hulk e Robin é o Capitão América.

– E você, quem é? O metal de sua prótese emite um som enquanto ele cutuca com os dedos, sorrindo:

– Eu sou o Homem de Ferro. Ergo um dedo para sugerir:

– Só uma ideia: talvez você tivesse mais sorte em não levar cantadas de colegiais se parasse de citar super-heróis. Ele repuxa os lábios, considerando a ideia:

– É. Mas não vai acontecer. Com mais uma risada, concluo:

– Barba, então.

 

 

 

 

 

No domingo de manhã, levanto-me cedo para fazer uma receita de pão de queijo. Tento prepara-los toda semana – com a parte de fora crocante e o recheio quente e pegajoso, os pães de queijo formam o café da manhã perfeito. Puxo a forma quente do forno e levo-a ao balcão para esfriar. Ouço alguém bater à porta. Abro-a e dou de cara com Robin segurando um kit de golfe novo sobre o ombro, e com Jake parado na escada.

– Oi! – cumprimento-os, abrindo mais a porta.

– Pronta para me ensinar, minha linda professora? – Robin pergunta enquanto Sherman se aproxima por trás, tentando lamber seu rosto.

– Pronta, disposta e capacitada. Você vem com a gente, Jake?

– Não, só estou aqui pelo pão de queijo.

Enquanto sirvo café para Robin e Jake, ouço mais alguém bater à porta… Dessa vez é Daniel.

– Oi.

– Bom dia. Ele entra na sala de estar e, embora eu já suspeite qual será a resposta, lanço a pergunta:

– O que o traz aqui tão cedo?

– É domingo… – explica, como se estivesse declarando o óbvio. – Dia de pão de queijo.

E é assim que as tradições se tornam tradições. Sentamo-nos em volta da mesa, terminando de tomar o café da manhã, quando Robin joga um pão de queijo no ar para Sherman pegar.

– Seu cachorro está ficando meio gordo, Rê. Esfrego a mão nas costas de Sherman enquanto o defendo:

– Ele não está gordo! Só… só tem ossos largos! Daniel inclina a cabeça, contemplando.

– Não sei, acho que Robin tem razão. Pode ser que você precise aumentar a carga de exercícios dele. Você não quer que os outros cachorros do parque comecem a fazer bullying com ele… chamando-o de Gordo McBanha. Franzo a testa para os dois.

– A passeadora vem três vezes por dia. Jake se intromete:

– Acho que você não está pagando o suficiente para ela.

Os homens são mesmo diretos. Chegam a ser grosseiros. No tribunal, esses três são capazes de exemplificar bons modos e carisma. Já entre amigos, são verdadeiros cavalos. Por eu ter crescido com meus irmãos, talvez tenha me adaptado, mas existe algo interessante nessa sinceridade. Confortavelmente simples. Essa característica de ser direto dos cromossomos XY faz Robin lançar seu próximo comentário.

– Alguém mais notou o cuzão do Amsterdam olhando para o rabo de Regina no jogo de softball ontem?

– Eu notei – lança Jake, erguendo a mão.

– Era como se ela tivesse a cura do câncer estampada na bunda – acrescenta Daniel.

Richard Amsterdam é um advogado da Daily & Essex, outra empresa notável, contra a qual jogamos e a qual derrotamos ontem. Ele tem pouco mais de 35 anos, é bem-sucedido, atraente e tem fama de foder tudo o que se mexe.

– O cara deve ter gostado do que viu – lanço, levantando-me e levando os pratos sujos para a pia. – Ele me convidou para sair depois do jogo. Jantar e um show.

– Ah… – assente Daniel. – Jantar e um show… o código clássico para “álcool e orgasmo”.

– Eu não gosto desse cara – confessa Jake enquanto come o último pão de queijo. – Ele usa as secretárias mais do que eu uso camisinhas… Não dá para confiar em um cara com uma taxa de rotatividade tão alta. Alguma coisa não está certa ali.

– O que você disse a ele? – pergunta Robin, franzindo a testa para mim.

– Que ando muito ocupada. O que é verdade, não obstante as aulas de golfe. Os olhos dele brilham:

– Ah… que bom! Também sei ser direta:

– Por que, exatamente, você diz que é bom? O canto de sua boca se repuxa em um sorriso desajeitado. Que me faz esquentar e formigar nos lugares certos.

– Você é melhor do que isso, Rê.


Notas Finais


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