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História Stand Down - Capítulo 14


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Capítulo 14 - Onze.


– Sua...?

– É, minha velha e querida mamãe – Confirmou Sirius. – Faz um mês que estamos tentando tirá-la daí mas achamos que ela pôs um Feitiço Adesivo Permanente atrás do quadro. Vamos descer, depressa, antes que os outros acordem novamente.

– Mas o que é que um retrato de sua mãe está fazendo aqui? – Perguntou Harry, espantado, quando passaram por uma porta do corredor que dava acesso a uma escada, acompanhados de perto pelos demais.

– Ninguém lhe contou? Esta era a casa dos meus pais. Mas sou o último Black vivo, por isso ela agora é minha. Eu a ofereci a Dumbledore para usar como sede: acho que foi a única coisa útil que pude fazer até o momento.

Harry, que esperara uma recepção mais calorosa, reparou que a voz de Sirius parecia dura e amargurada. Ele acompanhou o padrinho e, ao fim da escada, passaram por uma porta que se abria para a cozinha do porão.

Não era menos sombria do que o corredor acima, um aposento cavernoso com paredes de pedra bruta. Quase toda a iluminação vinha de um grande fogão ao fundo. Fumaça de cachimbo pairava no ar como a névoa escura sobre um campo de batalha, e nela avultavam as formas ameaçadoras de tachos e panelas penduradas no teto escuro. Muitas cadeiras tinham sido amontoadas no aposento para a reunião e no meio havia uma longa mesa de madeira, coalhada de rolos de pergaminho, cálices, garrafas de vinho vazias e algo que parecia uma pilha de trapos. O Sr. Weasley e Gui, estavam conversando em voz baixa com as cabeças juntas a uma ponta da mesa.

A Sra. Weasley pigarreou. O marido, um homem magro, óculos com aros de tartaruga e cabelos ruivos que começavam a ralear, olhou para os lados e imediatamente se levantou.

– Harry! – Exclamou o Sr. Weasley, apressando-se a cumprimentar o garoto, cujas mãos apertou com força. – Que bom ver você.

Por cima do ombro dele, Harry viu Gui, que ainda usava cabelos longos presos em um rabo de cavalo, enrolar as folhas de pergaminho deixadas sobre a mesa.

– Boa viagem, Harry? – Perguntou Gui, tentando recolher doze pergaminhos de uma só vez.

– Então Olho-Tonto não obrigou vocês a passar pela Groenlândia?

– Ele bem que tentou, mas Morgan brigou com ele. – Respondeu Tonks, se aproximando para ajudar Gui, e, logo em seguida, virando uma vela em cima do último rolo. – Ah não... me desculpe...

– Aqui, querido – Disse a Sra. Weasley, exasperada, consertando o pergaminho com um aceno da varinha. No lampejo de luz produzido pelo feitiço, Harry vislumbrou algo que parecia a planta de uma construção.

A Sra. Weasley o viu olhar. Recolheu com violência a planta da mesa e meteu-a nos braços sobrecarregados de Gui.

– Essas coisas deveriam ser retiradas assim que terminam as reuniões – Disse com rispidez, antes de se dirigir em grandes passadas a um armário antigo de onde começou a retirar pratos de jantar.

Gui puxou a própria varinha e murmurou "Evanesco!", ao que os rolos desapareceram.

– Sente-se, Harry – disse Sirius. – Você já conhece Mundungo, não?

A coisa que Harry pensara ser uma pilha de trapos soltou um ronco prolongado, em seguida acordou com um estremeção e viu pelo canto do olho Morgan revirar os olhos.

– Alguém falou meu nome? – Resmungou Mundungo sonolento. – Concordo com Sirius... – Ergueu a mão encardida no ar como se estivesse votando, as pálpebras pesadas e os olhos vermelhos fora de foco.

Gina abafou umas risadinhas.

– A reunião terminou, Dunga – Avisou Sirius, enquanto todos se acomodavam ao redor da mesa. – Harry chegou.

– Hein? – Disse Mundungo, espiando malignamente por entre os cabelos ruivos embaraçados. – Não é que chegou mesmo! Caramba... você está bem, Arry?

– Estou.

– Não graças a você, certo? - Morgan sorriu o olhando com ódio, fazendo ele se encolher.

Mundungo apalpou os bolsos, nervoso, ainda olhando para Harry, e puxou um cachimbo preto recoberto por uma camada de sujeira. Meteu-o na boca, acendeu a ponta com a varinha e chupou-o longamente. Enormes nuvens redondas de fumaça esverdeada o envolveram em segundos.

– Estou devendo desculpas a você – Grunhiu uma voz no meio da nuvem de fumaça fedorenta.

– Pela última vez, Mundungo – Chamou a Sra. Weasley –, por favor, não fume essa coisa na cozinha, principalmente antes de comermos!

– Ah! – Exclamou o bruxo. – Certo. Desculpe, Molly.

A nuvem de fumaça desapareceu no que Mundungo repôs o cachimbo no bolso, mas um cheiro acre de meias queimadas permaneceu no ar.

– E se vocês quiserem comer antes da meia-noite, vou precisar de ajuda – Anunciou a Sra.Weasley a todos na cozinha. – Não, você pode ficar onde está, Harry querido, fez uma viagem muito longa.

– Em que posso ajudar, Molly? – Perguntou Tonks, adiantando-se entusiasmada. A Sra. Weasley hesitou, parecendo apreensiva.

– Hum... não, tudo bem, Tonks, você também precisa descansar, já fez o suficiente hoje.

– Não, não, quero ajudar! – Insistiu a bruxa, animada, derrubando uma cadeira ao se precipitar para o armário, no qual Gina apanhava talheres, fazendo Morgan rir baixinho.

Logo, uma coleção de facas estava cortando carne e hortaliças sozinhas, supervisadas pela Sra. Weasley, enquanto ela mexia um caldeirão pendurado sobre as chamas e os demais apanhavam, na despensa, pratos, mais cálices e comida. Harry foi deixado à mesa com Sirius e Mundungo, que ainda piscava os olhos pesarosos para o garoto.

Harry sentiu uma coisa roçar em seus joelhos e se assustou, mas era só o Bichento, o gato amarelo, de pernas arqueadas, de Hermione, que contornou as pernas do garoto, ronronando, e em seguida saltou para o colo de Sirius e se enroscou. O bruxo, distraído, coçou atrás das orelhas do gato, ao mesmo tempo que se virava ainda sério para o afilhado.

– As férias foram boas até agora?

– Não, uma droga – Disse Harry.

Pela primeira vez, a sombra de um sorriso perpassou o rosto de Sirius.

– Eu não sei do que você está se queixando.

Que?! – Exclamou Harry, incrédulo.

– Pessoalmente, eu teria recebido com prazer um ataque de dementadores. Uma luta mortal pela minha alma teria quebrado essa monotonia numa boa. Você acha que seu verão foi ruim, mas pelo menos você pôde sair, esticar as pernas, se meter em brigas... eu fiquei trancado aqui o mês inteiro.

– Como assim? – Perguntou Harry, franzindo a testa.

– Ignore Sirius, ele está mais mal humorado que o normal nos últimos dias. - Lupin ri da frase da loira que mexia no cabelo do namorado, distraidamente.

– Porque o Ministério da Magia continua me caçando, e Voldemort, a esta altura, já sabe que sou um animago. - Começou, olhando feio para Morgan. - Rabicho terá contado a ele, portanto o meu disfarce acabou. Não há muito que eu possa fazer pela Ordem da Fênix... ou pelo menos é o que pensa Dumbledore. - Havia alguma coisa no tom ligeiramente inexpressivo com que Sirius disse o nome de Dumbledore que deixou transparecer que ele também não estava muito feliz com o diretor. O garoto sentiu uma repentina afeição pelo padrinho.

– Pelo menos você acompanhou o que estava acontecendo – Disse, à guisa de consolo.

– Ah, com certeza – respondeu Sirius sarcasticamente. – Escutando os relatórios de Snape, aturando as ironias dele de que está lá fora arriscando a vida enquanto eu estou aqui sentado no bem-bom... me perguntando como vai a limpeza...

– Que limpeza? – Perguntou Harry.

– Estou procurando deixar a casa em condições de ser habitada por humanos – Explicou Sirius, mostrando com um gesto a cozinha sombria. – Ninguém mora aqui há dez anos, ou pelo menos desde que minha querida mãe faleceu, a não ser que se conte o velho elfo doméstico que a servia, e que já perdeu o juízo há muito tempo: não limpa nada há anos.

– Sirius – Interrompeu-o Mundungo, que não parecia ter prestado atenção alguma à conversa, mas estivera examinando um cálice vazio. – Isto é prata maciça, cara?

– É – Respondeu Sirius, avaliando o cálice com aversão. – A melhor prata lavrada por duendes no século XV, gravada com o brasão da família Black.

– Mas isso sai – Murmurou Mundungo, polindo o brasão com o punho do casaco.

– Fred... Jorge... NÃO, É SÓ PARA CARREGAR AS COISAS! – Gritou a Sra. Weasley.



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