História Star Wars: Bad Blood - Interativa - Capítulo 2


Escrita por: ~ e ~Lyonya

Postado
Categorias Star Wars
Personagens Personagens Originais
Tags Ficção Cientifica, Interativa, Star Wars, Zumbis
Visualizações 21
Palavras 1.236
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Mistério, Policial, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Canibalismo, Drogas, Linguagem Imprópria, Mutilação, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - "Estagnado"


A todo momento, o ar se tornava cada vez mais pesado. Mais lúgubre. Impregnado pelo forte desejo de liberdade emanado por cada um dos prisioneiros. Juntamente com o sangue que corria pelas regiões mais profundas da nave-prisão Gárgula. Os suspiros mais abafados eram ouvidos pelo mais surdo dos seres naquela noite, assim como acontecia com todas as outras. O silêncio imperava. Porém, não um silêncio normal. Era contínuo, doloroso, aterrador e frio. Como uma navalha rasgando delicadamente uma fina garganta de um humano. Os prisioneiros beiravam a loucura dentro da Gárgula, e cada um dos oficiais e guardas se deliciavam com o sofrimento dos ladrões e assassinos trancafiados permanentemente na nave-prisão.

Nas celas, homens e mulheres, de cada espécie conhecida, tremiam. Seus ossos tilintavam dentro ou fora de seus corpos de carne. O medo e o frio do silêncio aterrador da Gárgula eram os sentimentos que predominavam. Que faziam que os prisioneiros se sentissem assim. Mas, isso não era o pior. E sim o barulho. Um constante ruído repetitivo abaixo das mais ocultas partes da nave. Seus potentes motores sempre em movimento, quase que inaudíveis, mas tudo podia ser escutado a noite. Os sussurros mais discretos, o mero respirar de um Jawa largado e solitário em sua cela, os pecados que levaram cada ser vivo ir parar na Gárgula. Todos os oficiais prestavam atenção, mas somente para esconder o medo. Afinal, qualquer um lá, independente de sua posição, sentia temor por suas vidas.

A noite, todas as vezes, era uma tortura longa e dolorosa. E tudo era agravado, quando pensavam que dormiam (Ou pelo menos tentavam) abaixo do escritório do Diretor Dalsam Lannick. O fim de todo sofrimento era marcado por um som longínquo e perdido nos recantos de metal da Gárgula. Como um chiado dentro do peito de um Gungan moribundo. Apesar de quão irritante fosse tal barulho, dava fim a tortura noturna e anunciava o início de um novo ciclo. O som pesado das botas dos stormtroopers andando pelos corredores, acordando e gritando direcionados para os presidiários era um alívio por mais que perturbador. Lentamente, com pesar em suas almas quebradiças, cada ser enjaulado levantava-se e davam seus primeiros passos para fora de suas celas após a noite.

Amontoados em um único largo corredor, eles percorriam um curto caminho até a Sala Comum, deixando para trás um forte odor de suor que todos liberavam pelo medo que sofriam. Em seus primeiros dias, suas faces se contorciam assim que viam a pasta bege e espessa que era colocada diante deles em suas bandejas, mas agora, a indiferença tornou-se a única expressão dos presidiários. O dia de fato começava quando Gangmarc Daurgbeec entrava na Sala Comum, com passos pesados e carregados de desprezo próprio. Pousando toda a sua massa corporal contra a perna que com o tempo tornara-se manca. Sua expressão vazia fitava cada um dos presos com nada menos que frieza. Seu olhar raramente era devolvido. Apesar de ser notado por todos, era ignorado por completo.

Com a entrada do Vice-Diretor as primeiras palavras eram ditas. Logo, conversas diversas, em qualquer língua que uma unidade C-3PO de diplomacia possa imaginar tinham início.  A escória repugnava tanto aquele lugar quanto os próprios oficiais. Ninguém gostaria de estar na Gárgula. Logo, teriam motivo para isso. Seus olhos azuis e frios permaneciam fixos em Gangmarc, e por mais que o Vice-Diretor se esforçasse era incapaz de esculpir um mínimo sentimento sólido ou pensamento compreensível dos orbes robóticos do droide de segurança KX. “Carinhosamente” apelidado de Axel. O mesmo repentinamente desviou o olhar de Gangmarc, deixando o humano perdido novamente em sua mente, xingando mentalmente por não conseguir lembrar o que estava pensando antes de perceber-se fitado pelo droide.

Axel continuou a seguir seu caminho, passando não pela faixa determinada para os oficiais imperiais na Sala Comum, mas sim entre as fileiras organizadas de mesas onde os presidiários sentavam-se. Com uma perturbadora velocidade, ele chegou ao corredor e rapidamente se misturou nas trevas, sendo que somente seus brilhantes olhos azuis eram identificáveis por terceiros nas sombras. Por longos minutos Axel caminhou aparentemente sem rumo, até que revelou-se novamente para as impactantes luzes inferiores do corredor cilíndrico ligado a enfermaria. Eram poucos o que estavam ali. Se resumiam a Clay Stristel, Luksha Hougg e os irmãos Wonda, além de dois rodianos e um devaroniano chamado Kol. Nenhum dos presidiários despertou qualquer interesse no droide KX naquele momento.

Principalmente porque ele buscava outra coisa. Ou melhor, pessoa. Zaru Dore não ficou impressionado ao ver o Investigador ali, parado, fitando-o com seus brilhantes olhos azuis. O Chiss estava acostumado com a peculiar presença do droide ali, que parecia apreciar observar as específicas ações que realizava como médico. Axel foi despertado de seu transe momentâneo quando Zaru parou repentinamente em sua frente e sorriu amistosamente, dando-lhe duas únicas carinhosas palavras “Bom Dia”. Qualquer mínima sentença proferida por um ser vivo que tivesse algum significado mundano como “bom dia” era um mistério para Axel. Faz mais de quinze anos que tenta desvendar aqueles que o rodeiam, e até agora nada descobriu. Não que um dia tivesse esperado descobrir algo.

Sua única razão para existir era reunir qualquer informação, por mais inútil que fosse sobre fatos específicos na Nave-Prisão Gárgula para o Diretor Lannick. Para o droide sua função era... Desgastante. Axel, tentando imitar um ser vivo disse “Bom Dia” em resposta às duas palavras de Zaru. Um sorriso momentâneo formou-se no rosto do médico, que voltou aos seus afazeres. Agora quem encarava o droide era o mandaloriano de cabelos negros e sem o olho direito, Luksha Hougg. Seu único orbe de íris negra causaria um impacto de temor em qualquer um, mas Axel não era um ser vivo. E sim um KX. Sem sequer pensar sobre o presidiário que o fitava, Axel decidiu que tinha terminado de ver o que queria e logo partiu, caminhando pelo mesmo corredor cilíndrico por qual entrou.

Ao voltar para o Salão Comum percebeu que havia passado mais tempo do que imaginará. A escória de presos já havia retornado para suas devidas celas. Seu silêncio harmonioso e coberto de reflexão foi quebrado quando outra voz se fez presente. Amytayl Netcom, a Chefe de Segurança, havia se apoiado no ombro do droide KX e perguntado para ele:

- Você, como sempre, parece perdido em sua própria mente.

- Deveria considerar isso um elogio Senhorita Netcom? – Ao responder com outra pergunta, Axel virou sua cabeça alguns centímetros na direção da humana, esperando por uma resposta por mais que vazia que fosse.

- Talvez sim Axel. É sempre bom perder-se em seus pensamentos nesta nave, para que seja possível esquecer do que nos cerca.

- Vocês seres vivos e a falta de certeza apresentada por um simples “Talvez”. É tão... Intrigante.

- Não existe nada de especial em um ser vivo Axel, você é um droide e é de longe uma das pessoas mais capazes e inteligentes que conheci.

- Tenho plena certeza que isso é um elogio.

- De fato é, Axel.

- Acho que vocês, seres vivos, responderiam: “Obrigado”. Então, obrigado.

- Não há de quer.

A conversa terminou de maneira repentina, e o silêncio imperou na Sala Comum novamente. Até que ambos se entreolharam assim que perceberam. Todos na Nave-Prisão tremeram, suas mentes se encheram de dúvida, ânsia e medo. Pela primeira vez o ruído do motor havia parado e a Gárgula estagnada no espaço profundo da Orla Exterior. 


Notas Finais




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