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História Starco-Inseparável - Capítulo 47


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Notas do Autor


puta que pariu 15kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
saibam que eu escrevi mais de 10k somente em dois diaskkkkkkkkkkk
porra que merda
600 FAVORITOS PORRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
acho que isso pode ser considerado um especial, né?
Matheus, vá se foder.

Capítulo 47 - Torta de Morango Vol. 2


- Não acredito que eu estou aqui mais uma vez para falar de algo super óbvio. É sério que vocês vão me fazer passar por isso de novo? É só usar a máscara, porra.

Hmpf, que saco.

Escuta aqui, seu merda, vê se fica em casa, você já não saía antes, vai fazer o que na rua agora? Vê se você segura seus avós aí também, se possível, prenda eles numa jaula, se não... Bom, paciência.

Use a máscara, seu animal!

“Ah, mas eu não estou com os sintomas.”

E eu ligo?

Eu não perguntei se você está com os sintomas ou não, você vai usar essa porra e pronto, cacete.

Lave as suas mãos, pelo menos uma vez nessa sua vida. Fique em casa e assista algum anime de merda.

Lembre-se, se você por acaso decidir furar a quarentena, saiba que eu vou estar lá para furar vocês, vocês me entenderam?

Bom, acho que por hoje é só.

Leve as mãos, seu merda.

POV N On

- Nós temos que fazer alguma coisa! – Exclamou Mabel, dando voltas e mais voltas pela sala de estar da cabana.

- Mabel, nós nem ao menos sabemos onde ela está, não tem como irmos atrás dela.

- Não, nós conseguimos, somos inteligentes, não somos? V-Você conseguiu chegar até nós só com a gravação do carro, nós podemos fazer algo, nós vamos fazer algo.

- Mabel. – Dipper a segurou pelos ombros, a levando até a poltrona e a fazendo sentar. – Você quer mesmo arriscar a sua vida por uma pessoa que você mal conhece? Pense bem, aqueles caras estavam armados, isso será com certeza perigoso.

- Ela é uma amiga, Dipper. Não se abandona os amigos. – Ela o lançou um olhar sério, que o fez arrepiar de ponta a ponta.

Dipper recuou alguns passos, soltando um longo suspiro de frustração, mesmo que ele não quisesse fazer aquilo, ele sabia que não poderia impedir sua irmã de fazer.

- Sinto muito, Mabel. – Ele disse, enquanto caminhava lentamente até a porta. – Se você quer arriscar a sua vida indo atrás de uma estranha, por mim tudo bem, mas não conte comigo para participar dessa loucura.

- Ela é nossa amiga, Dipper. Vai mesmo abandonar uma amiga?

- Não, Mabel. – Ele lhe lançou um olhar frio. – Ela é sua amiga, eu não me importo com ela.

Após dizer isso, Dipper abriu a porta e saiu da cabana, deixando Mabel para trás, que estava completamente surpresa pela atitude de seu irmão.

Mabel podia jurar, que de todas as pessoas daquele mundo, Dipper era a única pessoa que ela não esperaria algo daquele tipo.

- Idiota. – Ela disse, enquanto soltava um suspiro de decepção. – Você mudou, Dip... Mudou demais.

(...)

Dipper deixou a cabana, começando a caminhar sem rumo pela floresta.

Desde que ele havia voltado para Gravity Falls e reencontrado a sua irmã, os dois não haviam se dado muito bem, pelo menos, não mais como antes. Ambos pareciam mais... Distantes.

Dipper até queria resolver as coisas com a sua irmã, mas não sabia como fazer isso, o que o deixava ainda mais frustrado consigo mesmo.

Estava muito frio, nevava sobre Gravity Falls naquele momento, mas Dipper não se importava com aquilo, ele apenas queria ficar longe de tudo aquilo, pelo menos naquele momento. Não estava com cabeça para resolver os problemas de sua irmã.

POV N Off

POV Star On

Eu sinceramente não sabia o que fazer, até então, eu havia optado por ignorar o Marco, mas isso definitivamente não era uma boa ideia, nem de longe. Eu precisava fazer alguma coisa para aliviar o clima entre nós dois.

- Você gosta dele não gosta? – Dave perguntou, enquanto dava uma mordida no seu sanduiche. – Hm, isso até que é muito bom. – Ele deu outra mordida.

É, acho que eu estava realmente no fundo do poço, talvez até mais fundo, se é que isso é possível.

Eu havia pedido conselhos amorosos para o cara que havia tentado me matar duas horas atrás.

Bom, pelo menos eu sabia que ele estava sob o Henkan do Kazuma, então dava para relevar, e até que Dave era um cara legal.

- É, mas... Eu não sei... – Eu também dei uma mordida no meu sanduiche. Naquele momento, foi como uma explosão de sabores na mina boca, acho que eu nunca havia comido um sanduíche tão bom antes. – Hm, isso tá fantástico! – Eu disse, ainda de boa cheia.

Nós estávamos na cozinha, Dave, Satoru e eu, nenhum de nós três precisava se preparar ainda mais, então fomos comer alguma coisa, e Satoru preparou sanduíches para nós.

- Pedacinho de céu, por que você não cozinhava assim lá no prédio? – Dave perguntou, devorando de vez seu sanduíche.

- Já disse pra você parar de me chamar assim, seu merda. – Satoru disse, se apoiando do outro lado da bancada. – Não faço porque dá trabalho, e eu não gosto de trabalhar.

- Hmpf, você é mal.

- Pra você eu posso ser sempre um garoto malvado. – Ela sorriu e eu pude ver Dave corando.

Eu ri um pouco com aquilo, era engraçado imaginar que aqueles dois eram criminosos absurdamente perigosos, eles eram tão... Fofos?

- Tá bom, Satoru, temos uma criança aqui. – Ele disse, apontando levemente para mim.

- Ei, eu não sou criança!

- Qual é, loirinho. – Satoru sorriu novamente. – Ela já tem dezesseis anos. – Ele lançou um sorriso malicioso para Dave. – Você também tinha dezesseis quando nós-

- Que tal nós focarmos no problema dela, hm?! – Ele o cortou, totalmente o corado e eu ri mais uma vez.

- Você gosta dele, não gosta, garota? – Satoru perguntou, olhando para mim, o que me fez corar um pouco.

- B-Bom... S-Sim, eu amo o Marco.

- Então vá atrás dele. – Ele disse, como se fosse a coisa mais simples do mundo. – Se você gosta dele, diga isso para ele.

- Mas, eu...

- Não tem mais, se você realmente ama ele, lute por ele, você mesmo já disse que ele se confessou para você, o que é que você está esperando?

- Você pode ir agora mesmo até ele. – Dave complementou. – Não enrole até que seja tarde demais. Se você o ama, diga pra ele.

Esses dois falavam como se aquilo fosse a coisa mais fácil do mundo, foi somente aí que eu percebi que realmente era.

Eu estava complicando demais as coisas, eu não tinha que fazer muita coisa, apenas me dizer como eu me sentia para ele, nada mais que isso, não era muito complicado.

- Vocês têm razão, eu preciso dizer isso pra ele. – Eu me levantei do baco. – Não posso perder nem mais um segundo!

- Posso ficar com seu sanduíche? – Dave perguntou.

- É todo seu. – Eu comecei a me afastar deles, apressando o passo logo em seguida.

- Star. – Satoru me chamou, me fazendo parar e olhar para ele. – Você consegue. – Ele sorriu e eu assenti positivamente.

Comecei a correr rumo a sala de preparação, que era onde o Marco estava até então. Eu precisava dizer para ele tudo o que eu sentia, não podia mais manter aquilo comigo, eu não aguentava mais manter aquilo comigo.

Eu corria pelos extensos corredores daquela enorme casa, desviando de todo e qualquer obstáculo que aparecesse no meu caminho. Aqueles corredores pareciam intermináveis, mas eu continuava avançando a toda velocidade.

Estava indo tão rápido, que tropeçar nos meus próprios pés, enquanto desviava de uma pilastra, era inevitável.

Caí com tudo no chão, me machuquei um pouco, mas eu não tinha tempo para ficar no chão, eu precisava contar para o Marco, precisava gritar que o amava a cima de tudo.

Me levantei rapidamente, voltando a correr em poucos segundos. Senti o sangue escorrer pelo meu rosto, eu provavelmente havia cortado a minha testa na queda, mas apenas limpei com a mão enquanto corria.

- Marco... – Eu corria desesperadamente. – Eu preciso te dizer... – Eu finalmente avistei a porta da sala de preparação. – Que eu... – Eu já estava ofegante, mas continuava correndo a toda velocidade, foi quando abri a porta da sala com tudo, parei de correr assim que abri a porta, fechei os olhos com força, agora não tinha mais volta. – EU TAMBÉM TE AMO! – Eu gritei com todas as minhas forças.

...

Silêncio.

Foi isso que eu recebi em resposta.

Eu ainda não havia tido coragem de abrir os meus olhos, mas depois que vinte segundos se passaram e eu não havia tido nenhuma resposta, eu finalmente reuni coragem e abri os olhos.

Vazio.

Não havia ninguém ali, estava completamente vazio.

Caí de joelhos no chão, com a mão no peito, eu sentia que a qualquer momento podia ter um ataque de ansiedade.

- Tão perto... – Eu disse baixinho, ainda de joelhos. – Eu cheguei tão perto... Tão perto...

Naquele momento, eu ouvi sons de passos no corredor atrás de mim, me virei na mesma hora esperançosa, mas era apenas um dos funcionários do Kv.

- Você! – Eu me levantei num pulo, o assustando um pouco.

- S-Sim...? – Ele recuou alguns passos, provavelmente havia se assustado.

- Onde está Kv e Marco?! – Eu me aproximei dele, fazendo-o recuar ainda mais, até dar de costas com a parede.

- K-Kv?

- É, o comandante! Onde ele está?!

- O c-comandante está na entrada agora mesmo, ele está junto com o Marco, o garoto da pinta, não é isso?

- Sim, é ele mesmo. – Eu me virei, começando a correr na direção da sala de estar. – Obrigada! – Eu gritei enquanto corria.

(...)

Acho que corri por mais uns cinco minutos, acabei caindo mais duas vezes, àquela altura, eu já estava cheia de machucados, mas isso não importava, a única coisa que importava ali, era encontrar o Marco e dizer para ele como eu me sentia.

Finalmente avistei a sala de estar, e um pouco afastado, eu pude ver o incomparável moletom vermelho do Marco. Apressei ainda mais o passo, consegui correr numa velocidade que eu nem sabia que era possível.

Depois de mais alguns segundos, eu finalmente estava na entrada da sala, enchi meus pulmões de ar e finalmente gritei.

- MARCO, EU-

Parei de correr no mesmo instante que vi aquilo.

Ali, na sala de estar, haviam algumas pessoas, Marco, Kv, alguns membros da equipe e um cara que eu tinha visto antes, acho que o nome dele era Mike, ele também estava presente quando nos despedimos da Emmy e do Nick.

Ele estava todo machucado, estava coberto de machucados, mas o que me fez parar de correr, e quase me fez vomitar.

Foi que o braço direito dele, até um pouco acima do cotovelo... O braço dele havia sido completamente arrancado.

- Star? – O Marco perguntou, se virando na minha direção.

- Star?! – O Kv gritou assim que me viu. – Star, rápido, preciso que você traga o Dave até aqui!

- M-Mas eu... O M-Marco, eu... – Eu havia travado completamente.

- Star, preciso que você traga o Dave aqui, agora! – Ele estava completamente sério, o que meio que me despertou do meu “transe”. – Isso é uma ordem.

- S-Sim senhor! – Eu nem questionei novamente, apenas me virei e voltei a correr, me afastando da sala de estar. – Merda... Tão perto... Mas sempre tão longe.

POV Star Off

POV Kv On

Alguns minutos atrás:

- Comandante... Nós temos um problema. – Um dos membros da equipe, que eu não fazia ideia do nome, disse, me fazendo arquear uma sobrancelha.

- O que foi que houve? – Eu perguntei meio receoso, já havia acontecido merda demais só naquele dia, não sabia se estava preparado para mais uma.

- O capitão Mike está aqui, mas... – Ele engoliu seco. – É melhor que o senhor veja com seus próprios olhos.

(...)

Nós fomos a toda velocidade até a sala de estar, que era onde ficava a entrada, o Marco jurou que havia escutado a voz da Star gritando enquanto corríamos, mas eu não tinha escutado nada, então apenas ignorei.

Nós chegamos em poucos minutos, eu estava preparado para dar uma puta bronca no Mike, por quase ter fodido com a operação, mas assim que eu o vi...

- M-Mike?! – Eu perguntei assim que pus os olhos nele. – O que caralhos aconteceu com você?!

- C-Comandante... – Ele disse, era visível que tinha dificuldades para falar.

Mike estava coberto de cortes e seu braço direito praticamente não existia mais, ele estava perdendo muito sangue, com certeza morreria em pouco tempo, caso não cuidássemos de tudo logo. 

- Vá atrás da equipe médica. – Eu disse, para o membro da equipe que estava do meu lado. – AGORA! – Ele assentiu e voltou para o corredor.

Comecei a me aproximar do Mike, rasguei um pedaço da minha camisa e amarrei com força no braço dele, mas só aquilo com certeza não bastaria.

Assim que amarrei a camisa, ele soltou um grito de dor, imagino que realmente deveria estar doendo, afinal, o cara perdeu um braço.

- Caralho, Mike, usa a porra do seu Henkan! – Eu disse.

- E-Eu não consigo... 

Foi ali que eu me lembrei da terceira habilidade do Kazuma, o que me fez ficar ainda mais revoltado.

- Porra! – Eu me afastei com raiva, derrubando uma mesa com tudo no chão. – Vocês foram atrás dele! Que porra, Mike!

POV Kv Off

POV N On

Uma hora atrás:

Mike estava começando a se desesperar, pois não sabia qual decisão deveria tomar, ele não estava preocupado consigo mesmo, pois seu Henkan poderia facilmente curá-lo de qualquer ferimento. Mas Jack não era um usuário assim como ele, por isso, aquilo era extremamente perigoso para ele.

A névoa, que já estava um pouco a cima de suas cinturas, já estava tão densa a ponto que eles tinham que realmente se esforçar para conseguirem andar ali, se algo não fosse feito, eles com certeza acabariam ficando presos e seriam um alvo fácil. 

Eles continuavam seguindo o plano de Jack, já que não tinham outra escolha mesmo. Continuavam quebrando todas as coisas que viam pela frente, mas estavam começando a ter dificuldade, por causa da densidade da névoa.

(...)

Mais alguns minutos se passaram, a névoa continuava subindo cada vez mais, agora, ela estava tão densa, que caso eles não fizessem muito esforço, não conseguiam se mexer, o que era extremamente problemático para eles.

- É... Jack, eu não queria pôr pressão, nem nada do tipo, mas... Qual é plano?

- Plano? – Ele riu. – Não tem plano, eu te disse para não virmos, e agora, olha só o que aconteceu. Nós dois vamos morrer, seu idiota!

Era nítido que toda aquela situação havia mexido com o psicológico de Jack, ele estava visivelmente alterado.

- Se concentra, cara! – Mike disse, o lançando um olhar sério. – Nós precisamos pensar em algo.

- E do que adiantaria? Vamos morrer de todo jeito!

- Não, seu idiota, nós não vamos morrer! Nós vamos-

Naquele exato momento, toda a névoa se dispersou, dando novamente a liberdade aos corpos da dupla, que agora estavam bem confusos.

- Mas o que...? – Essa foi a vez de Jack não conseguir prever os movimentos de Kazuma.

Toda a névoa voltou, mas agora, estava se reunindo num único ponto, a névoa tomou o formato de uma esfera, que tinha por volta de um metro, para todos os lados, uma esfera perfeita.

Os dois se afastaram na mesma hora, observando com cuidado todo e qualquer movimento que aquela esfera fazia.

- Mas que caralhos é isso...? – Jack perguntou enquanto observava atentamente aquela esfera.

Os dois ficaram em alerta máximo, no momento em que escuram passos, alguém estava se aproximando deles.

- Vocês realmente me surpreenderam. – A voz de Kazuma ecoou por todo o andar, fazendo a dupla ficar em posição de defesa. – Eu não esperava que vocês fossem dar uma de loucos.

Kazuma finalmente apareceu, saindo de dentro de um dos únicos quartos que a dupla ainda não havia checado.

Seu terno impecável, seu sorriso perverso, Kazuma intimidava os dois sem nem mesmo ter chegado perto. Apenas a sua presença os deixava apavorados.

Ele começou a se aproximar da esfera, que estava a alguns metros à sua frente. No momento em que chegou perto o suficiente, a esfera automaticamente mudou de cor, indo de um tom de rosa, para um roxo bem escuro, era tão escuro que chegava a parecer preto de longe.

- Finalmente decidiu aparecer, hm? – Mike disse, voltando a sua pose normal.

Mike estava tentando parecer confiante na presença do vilão, mas a verdade, é que por dentro estava completamente apavorado.

Kazuma também estava escondendo algo, mesmo que por fora ele aparentemente estivesse bem, ele estava escondendo o seu cansaço, ele estava quase esgotado, mas não demonstrava isso.

- Bom, para uma ameaça do nível de vocês, eu com certeza deveria vir pessoalmente, vocês não acham?

- Ora, ora. – Mike riu um pouco. – Me sinto honrado por isso. Quem diria que o grande Kazuma apareceria pessoalmente para cuidar de insetos como nós, não é, Jack? – Ele assentiu positivamente, aos poucos, Jack estava finalmente voltando a si.

- É uma pena que vocês não vão viver para contar isso. – Ele estendeu um pouco o braço direito na direção da dupla, fazendo um movimento com o dedo.

Naquele exato momento, a esfera simplesmente mudou de forma, indo de uma esfera de um metro, para uma esfera do tamanho de uma bolinha de gude.

- Tome cuidado. – Mike disse, quase num sussurro, para que apenas Jack escutasse.

- Que porra é essa...?

Kazuma estalou os dedos e a pequena esfera se dividiu em cinco, ambas com o tamanho de bolinhas de gude.

Naquele momento, Mike percebeu o que Kazuma iria fazer, mas era tarde demais, eles não poderiam escapar daquilo, mas mesmo assim, ele tentou.

- Merda, Jack, corre! – Ele se virou, puxando seu parceiro, começando a correr.

Jack, meio desajeitado, começou a correr também, mas era tarde demais.

Eles haviam corrido apenas alguns metros, e então, Kazuma disparou. As cinco pequenas esferas voaram na direção da dupla a toda velocidade, forçando-os a realizar um movimento desajeitado.

Mike se jogou no chão, puxando Jack junto. Mike conseguiu se salvar, mas as esferas tomaram diferentes direções, e por Jack não ter se abaixado na hora, uma das esferas atingiu seu ombro de raspão, mas outra acertou em cheio sua perna, atravessando-a completamente.

Jack soltou um grito de dor, mas eles não tinham tempo para perder com aquilo.

- MERDA! – Mike gritou, enquanto procurava algum meio de fugirem dali.

Mike começou a arrastar Jack com todas as suas forças, rumo ao elevador que estava a poucos metros a sua frente. Jack, que mal conseguia se mexer, tentava ajudar Mike, se arrastando com a outra perna.

Kazuma estalou os dedos, todas as pequenas esferas se juntaram novamente e a esfera voltou a ter um metro.

- Vocês acham mesmo que podem escapar por aí? – Ele gargalhou.

Mike pressionou o botão do elevador, que o mesmo se abriu em poucos segundos, mas Kazuma já estava perto demais, não ia dar tempo. Numa descarga de adrenalina, Mike conseguiu levantar Jack e o empurrar com tudo para dentro do elevador.

Jack apertou um dos botões, escolhendo um andar aleatório antes de cair completamente no chão do elevador.  Mike se virou rapidamente, sacando sua arma, mas antes que pudesse atirar, a esfera se dividiu novamente, dessa vez em outras três esferas, ambas do tamanho de bolinhas de gude.

Antes que Mike pudesse atirar, as três esferas atravessaram seu corpo, uma perfurou seu peito, outra seu abdômen e outra seu ombro esquerdo, mas por sorte, as portas do elevador já haviam se fechado atrás de si, então as esferas não atingiram Jack.

- Acho que agora você percebeu. – Kazuma começou, enquanto Mike caia de joelhos no chão, ainda segurando sua arma. – Você não pode vencer. Ninguém pode vencer o meu Poison Pink.

POV N Off

Atualmente:

POV Jackie On

Eu estava caminhando de volta para a casa, estava nevando, eu não era muito fã de neve, mas tinha que admitir... O dia estava bonito.

Eu estava me sentindo profundamente mal, não achava que ter terminado com o Marco tinha sido de fato a melhor decisão a se tomar. Eu estava arrependida de ter dispensado o amor da minha vida naquele dia.

Claro, eu também estava arrependida, e muito, de ter feito sexo com o Kv, entretanto, eu podia sentir, naquele momento, nós dois precisávamos daquilo, e até que foi bom... Na verdade foi incrivelmente bom, o que era até meio que assustador.

Aquele havia sido sem dúvidas o melhor sexo que eu já tinha feito em toda a minha vida, mesmo eu tendo feito sexo apenas outras três vezes.

Eu até já havia tentado fazer com o Marco, mas sempre que eu começava a “tentar”, ele ficava super envergonhado e eu acabava desistindo.

Até que esse jeitinho dele é bem... Fofo.

Merda, não acredito que terminei mesmo com ele, meu deus, o que foi que eu fiz?

Bom, agora eu não podia mais voltar atrás, eu precisava acreditar que tinha feito a escolha certa, não podia me arrepender.

Mas eu realmente estava pensativa, estava em dúvida se o Marco realmente consideraria largar tudo apenas para ficarmos juntos. Eu realmente o amo, mas não posso mais continuar assim.

Não quero mais ter crises de ansiedade de tanto me preocupar com ele, não quero mais passar noites acordada porque o Marco saiu em alguma aventura e eu não paro de imaginar o pior.

Isso está acabando completamente comigo, de fato, aquela tinha sido a melhor coisa a se fazer, acho que será melhor assim... Para nós dois.

Eu só espero que o Marco fique bem com tudo isso... Bom, ele vai ficar, ele tem a Star ao seu lado.

POV Jackie Off

POV Kv On

- Eu sinto muito... – Ele disse, eu pude sentir a dificuldade que ele tinha ao falar.

- Que merda, Mike, que merda! – Eu juro que tentei me acalmar, mas não rolou, eu estava tenso demais.

Tentei me controlar, respirar um pouco, mas eu simplesmente não conseguia. Depois de tantos avisos, tantas explicações, esses filhos da puta me desobedeceram e foram atrás do desgraçado do Kazuma.

Sinceramente, acho que eu não poderia estar mais irritado naquele momento.

Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, eu escutei passos, passos rápidos, alguém estava vindo correndo para cá. Por um momento, eu pensei se tratar da equipe médica, mas depois que vi que não era, era outra pessoa...

- MARCO, EU-

Eu olhei na direção da voz, foi aí que eu vi a Star, ela estava completamente congelada, olhando fixamente na direção do Mike.

- Star? – O Marco perguntou, se virando na direção dela.

Star?! – Eu praticamente gritei assim que a vi. Bom, não era bem o que eu queria, mas aquilo ia servir, bom, tinha que servir. – Star, rápido, preciso que você traga o Dave até aqui!

- M-Mas eu... O M-Marco, eu... – Eu realmente não sei qual era o problema dela, ou que de tão importante ela queria falar com o Marco, mas eu não me importava. Bom, pelo menos não naquele momento.

- Star, preciso que você traga o Dave aqui, agora! – Acho que ela percebeu que eu estava falando sério, já que ela aparentemente voltou a si. – Isso é uma ordem.

- S-Sim senhor! – Ela finalmente me obedeceu. Ela se virou de volta para o corredor e voltou a correr, agora, tudo o que eu podia fazer era esperar e torcer para que o idiota aqui não morresse pela perda de sangue.

O que na verdade era bem possível.

- Caralho, Kv. – Marco se aproximou de mim, ainda com os olhos fixos no Mike. – O que nós vamos fazer? Esse cara tá perdendo muito sangue. – Ele parecia realmente preocupado.

- Vamos ter que esperar. Esperar até que a equipe médica, ou o Dave, cheguem. Não podemos fazer mais muita coisa além disso.

- Caralho, caralho, caralho... – Ele se afastou alguns passos, com as mãos na cabeça, acho que ele também estava surtando. Bom, eu não o culpo. – Isso é insano, cara!

- É, bem-vindo ao meu mundo. – Eu suspirei, voltando minha atenção para o Mike, que estava sentando numa cadeira, bem na minha frente. Eu podia ver no seu rosto que ele estava se esforçando para permanecer acordado. – Vamos lá, cara, eu preciso que você seja firme... Vamos conversar, assim você não apaga.

- E-Entendido... – Ele tossiu um pouco de sangue.

- Merda, merda... – Eu pensei um pouco. – Preciso que você tente me contar tudo o que aconteceu até agora preciso saber como as coisas chegaram no ponto que chegaram, você entende? – Ele assentiu positivamente, mas dava para ver que ele estava se esforçando demais ali.

Eu realmente estava me sentindo mal, estava começando a sentir pena dele, ele com certeza sofreu bastante até chegar aqui. Eu não sou muito de sentir pena das pessoas, mas meu amigo...

Depois de mais alguns segundos em silêncio, ele finalmente começou a falar como tudo tinha acontecido, aos poucos, né porra, o cara mal conseguia se manter acordado, quem dera falar direitinho.

Eu estava nervoso, eu não podia perder o Mike, logo o Mike, eu nunca nem pensei que em algum momento ele poderia correr perigo. 

A terceira habilidade do Kazuma é realmente roubada.

POV Kv Off

Cinquenta minutos atrás:

POV N On

Mike caiu com tudo no chão, mas ao mesmo tempo, ativou seu Henkan para recuperar os ferimentos no seu corpo, sem que Kazuma percebesse, ele já estava totalmente curado, apenas fingindo estar machucado.

- Você pensa mesmo que salvou o seu amigo? – Ele gargalhou. – Depois de finalizar você, ele será o próximo, afinal, ele não tem como ir muito longe com aquela perna.

Kazuma gargalhou novamente, esse foi o momento em que Mike agiu.

Assim que Kazuma fechou os olhos para gargalhar, ele baixou totalmente sua guarda, dando a abertura perfeita para Mike agir.

Num movimento rápido, Mike puxou sua arma, que estava escondendo em baixo de seu corpo, ele apontou para Kazuma e disparou três vezes. Assim que Kazuma finalmente se deu conta do que estava acontecendo, ele mal teve tempo para reagir.

A esfera se desfez e se refez na frente do corpo de Kazuma, o protegendo, mas mesmo assim, não foi o suficiente para o proteger de três disparos.

O impacto fez o Kazuma cair no chão, um pouco atordoado.

Mike não perdeu tempo, ele sabia que não tinha chances contra aquele Henkan do Kazuma, então, tudo o que ele podia fazer naquele momento, era fugir.

- S-Seu desgraçado... – Kazuma disse, ainda no chão.

Mike se levantou bruscamente, começando a correr na direção da escada de descida.

- Vai se foder, seu velho! – Ele gritou, enquanto corria a toda velocidade.

Antes mesmo que Mike pudesse chegar à porta, ele foi atingido com tudo na perna, Kazuma havia disparado, não pequenas bolinhas como antes, mas sim aquela esfera de um metro contra a perna de Mike.

Mike mal teve tempo para reagir, sua perna foi simplesmente arrancada quase por completo. 

Mike praticamente foi arremessado, rolando escada abaixo. Enquanto seu corpo sofria mais e mais ferimentos, seu Henkan se encarregava de curá-los quase instantaneamente. Ele rolou escada abaixo, chegando no andar de baixo, antes, que Kazuma descesse para ir até seu encontro, Mike começou a se arrastar em direção a porta, entrando assim no andar.

Sua perna ainda não havia sido completamente restaurada, por ser um ferimento mais grave, isso poderia levar alguns minutos, e com certeza, Mike não tinha como esperar esses minutos.

Bastante cansado, pelo uso exaustivo de seu Henkan, Mike tentava com todas as suas forças se arrastar até um dos quartos, para pelo menos conseguir ganhar um tempo se escondendo.

(...)

Kazuma se levantou, com um pouco de dificuldade, ele estava confuso, não entendia ao certo o que tinha acontecido. Não deveriam existir usuários de Henkan na equipe de caçadores de recompensas do Luci. Mas então, como aquele cara estava de pé, e conseguiu correr, mesmo tendo seu corpo perfurado três vezes por seu Poison Pink? Não fazia sentido.

- Aquele desgraçado do Luci... – Ele apertou os punhos com força. – Ele deve ter escondido a existência de um usuário na sua equipe, justamente para situações como essas.

Mesmo que os disparos não houvessem perfurado seu corpo, Kazuma levou todo o impacto dos disparos, e canso do jeito que já estava, aquilo o deixou um pouco mais fragilizado.

Ele começou a caminhar lentamente na direção da escada, vendo o rastro enorme de sangue que Dave havia deixado pelo caminho, de fato, perder uma perna faria você sangrar até a morte, caso não fosse tratado de imediato.

- Esse cara... Ele possui o poder de se regenerar? – Ele tentava recuperar o fôlego aos poucos. – Mas será que é só isso mesmo? Bom, se ele pode pelo menos se regenerar, ele com certeza começou a se curar, e se curar de todos esses ferimentos... Isso com certeza vai deixá-lo cansado. – Ele suspirou. – Merda... O que eu devo fazer agora?

(...)

Mesmo com um buraco em sua perna, Jack conseguiu chegar até um banheiro, em um dos primeiros andares. Amarrando um pedaço de sua camiseta em sua perna, para tentar parar o sangramento e ao mesmo tempo não deixar um rastro de sangue. 

Aquilo funcionou por um tempo, mas a cada movimento que fazia, ele sentia uma dor inimaginável em sua perna.

Jack sabia que não poderia deixar o prédio, pois nada realmente garantia que não haviam homens do Kazuma o esperando lá em baixo. E com a perna do jeito que estava, não chegaria muito longe.

O jeito era esperar, esperar e acreditar que seu comandante viria o resgatar de alguma forma.

Enquanto trancado no banheiro, Jack também tentava pensar em um plano, para distrair sua mente da dor insuportável que estava sentindo, mas ele não conseguia chegar a lugar nenhum, o Henkan do Kazuma parecia ser simplesmente... Invencível. 

- C-Como derrotar uma névoa, que por si só já é tóxica, te prende completamente em alguns minutos e pode mudar de forma para uma esfera? – Ele tossiu um pouco. – Será que é realmente possível ganhar disso?

Jack, naquele momento, desejava imensamente que eles nunca tivessem ido até ele, aquela definitivamente tinha sido uma péssima ideia, mas ao mesmo tempo, ninguém poderia imaginar que Kazuma era um usuário.

Ainda mais um usuário com um Henkan tão poderoso assim.

- I-Isso é... Insano.

POV N Off

POV Mabel On

Eu precisava fazer algo, não podia simplesmente ficar sentada e torcer para que as coisas se resolvessem sozinhas. Não, isso nunca dava certo. Eu precisava e eu iria fazer algo.

- Por favor, Wendy! – Eu implorei pela sétima vez.

- Eu já disse que não vou te emprestar o carro, não depois do que aconteceu daquela vez. – Ela disse, cruzando os braços, enquanto se apoiava no carro.

- Você tá falando daquela vez com o cara da lanchonete? – Ela assentiu. – Ah, qual é! Eu fui super bem naquele dia, salvei as nossas vidas!

Ela soltou um longo suspiro, acho que finalmente havia começado a ceder ao meu pedido.

- E olha só. – Eu continuei. – Diferente de antes, agora eu sou maior de idade, tenho carteira de motorista e tudo mais... Por favor, Wendy... – Eu lancei o olhar mais triste que consegui.

- Certo. – Ela suspirou mais uma vez, pegando as chaves de dentro do bolso de sua jaqueta. – Incrível como você sempre me ganha com esse olhar de merda. – Ela jogou as chaves na minha direção, eu as peguei, um pouco desajeitada.

- Fazer o que? É o meu charme. – Eu sorri, fazendo ela soltar um sorriso fraco também.

- Vê se toma cuidado. – Ela disse, passando por mim e bagunçando meus cabelos com a mão. – Vejo você na festa.

Ela se foi, me deixando a sós com o carro. Eu realmente adorava aquele carro, era um clássico, Impala 65 vermelho, lindo demais. Acho que eu era realmente apaixonada por aquele carro.

Não sei de onde eu havia puxado aquela paixão excessiva por carros, mas era algo que eu gostava, então tanto faz.

Abri a porta da garagem e saí com o carro, mas tive que voltar pra fechar a porta da garagem novamente.

Eu havia pensado em voltar até a cabana e seguir os rastros que os carros haviam deixado, mas por estar nevando, os rastros acabaram sendo praticamente todos apagados. Eu estava por conta própria agora, provavelmente seria bastante difícil encontrar alguma pista deles no meio dessa enorme cidade.

Se pelo menos o Dipper estivesse aqui... Pensei, mas sacudi a cabeça logo em seguida. Não, não posso pensar no Dipper num momento desses. Tenho que me concentrar em encontrar a Erina!

E assim começou a minha jornada em busca de alguns carros pretos e sequestradores. Eu estava sozinha nessa e precisava vencer.

POV Mabel Off

Atualmente:

POV Marco On

Acho que fazia bastante tempo que eu não via algo tão aterrorizante daquele jeito. Acho que a última vez tinha sido em alguma aventura que eu tive com a Hekapoo. Mas com ela as coisas sempre são aterrorizantes de todo jeito. 

Depois de mais alguns minutos, aquele cara simplesmente apagou, o Kv aparentava estar realmente desesperado, porque não importava o que ele fazia, o cara simplesmente não acordava.

- Ele tem pulso ainda? – Eu perguntei, um pouco afastado de tudo.

- Sim, mas tá bem fraco. Merda, merda, merda...

Depois de mais alguns segundos, Star finalmente apareceu, trazendo o Dave consigo, o que aliviou todos nós um pouco.

- Qual é a emergência? – Dave perguntou, e assim que viu o Mike, ele ficou boquiaberto. – Wow...

- Sem papo, Dave. – Kv disse. – Preciso que você o restaure, agora!

 O Kv estava sério, o que me deixava bastante assustado. Kv normalmente já é assustador, mesmo fazendo piadinhas e sendo sarcástico, mas quando ele fica sério, acho que ele fica o dobro mais assustador.

E eu nem sei se isso é possível.

Dave apenas assentiu positivamente, correndo na direção do Mike. Kv se afastou, deixando que Dave agisse.

O loiro pôs suas mãos sobre o corpo de Mike, envolvendo os dois numa aura arroxeada.

Eu pude ver com clareza o braço de Mike sendo reconstruído lentamente, mas ao mesmo tempo, podia ver Dave começar a ficar ofegante. Realmente, reconstruir alguém que teve seu braço arrancado devia ser bem exaustivo.

Eu não entendia todo esse lance de Henkan direito, mas eu sabia de uma coisa, quanto mais você usasse, mais cansado você ficava. Levando o tanto de vezes que o Dave havia usado seu Henkan apenas naquele dia, ele com certeza estava bem cansado.

Pelo o que eu entendi, usuários de Henkan não podem usar certas habilidades em si mesmo, a não ser que a habilidade só possa ser utilizada nele, eu não sei. Todo esse lance de Henkan é muito confuso.

- Está finalizado. – Dave disse, se afastando um pouco.

O braço do Mike havia sido reconstruído por completo e todos os seus machucados haviam desaparecido.

Dave cambaleou um pouco, acho que estava bem cansado, mas o Kv o segurou, evitando que ele caísse no chão.

- Ei, loirinho, você está bem? – Kv perguntou, ele parecia estar realmente preocupado, nem parece que ambos haviam tentado se matar a duas horas atrás. 

- Ei, pode tirar as mãos do meu homem. – Satoru disse, anunciando assim sua presença. Ele começou a caminhar na direção do Dave. – Eu cuido dele, pode relaxar, Luci. – Kv assentiu positivamente.

- Eu estou bem, gente, relaxa. – Dave disse, ficando em pé sozinho, com um pouco de dificuldades.

Mesmo que seus ferimentos tivessem sido curados, Mike permanecia inconsciente. Mas isso já era de se esperar. Mesmo que seu corpo já estivesse recuperando, ainda demoraria um pouco para que Mike “voltasse” de fato.

- Vem, seu idiota. – Satoru disse, puxando o Dave pelo braço. – Você vai descansar um pouco, nós vamos partir em pouco tempo, esqueceu?

- Ei sei, mas eu quero ajudar mais...

- Você já ajudou mais do que devia. – Ele começou a caminhar em direção ao corredor, arrastando Dave consigo. – Eu vou te preparar algo pra comer.

- Ah, então vamos! – Dave disse, agora bem animado.

Aqueles dois eram realmente estranhos, não pareciam nem um pouco que eram criminosos super perigosos. E pensar que aqueles dois quase me mataram. 

Os dois deixaram o cômodo, rumo a cozinha, eu acho, aos poucos, os outros membros da equipe, que estavam lá apenas para ver o que havia acontecido, começaram a deixar o local também.

Acho que uns cinco minutos depois, a equipe médica finalmente tinha chegado, eles puseram Mike numa maca e o levaram para a enfermaria, para que repousasse e ficasse sob observação.

POV Marco Off

POV Star On

Eu ainda estava meio que em choque, por tudo o que havia acontecido, mas como tudo havia acabado bem, eu pude finalmente suspirar aliviada. Também pude notar que o Marco parecia estar bem nervoso também. Eu até pensei em ir até ele, tentar animá-lo de alguma forma, mas quando eu comecei a me aproximar dele, ele simplesmente saiu da sala.

Eu sabia que ele tinha visto que eu estava indo até ele, ele me ignorou de propósito. Não posso dizer que aquilo não me magoou, porque eu me senti mal.

Enquanto eu corria para buscar o Dave, eu acabei repensando a minha decisão de me declarar para o Marco. As coisas estavam bem agitadas por aqui, e com certeza, eu podia esperar um pouco antes de me declarar.

Não muito, talvez esperar só até um momento em que estivéssemos sozinhos, eu realmente achava que não iria conseguir manter aquilo comigo para sempre. 

- Ei, você. – Kv chamou o membro da equipe que havia trago a equipe médica até aqui. – Como foi que o Mike chegou até aqui? Ele estava todo lascado, não conseguia nem ficar em pé, sozinho ele não veio.

- Senhor, aquela garota o trouxe até aqui. – Ele disse isso, apontando na direção da porta.

Naquele momento, eu olhei para a porta e vi uma garota, ela aparentava ter mais ou menos a minha idade, cabelos pretos longos e tinha um rosto meio infantil, não sei explicar.

Assim que pus os olhos naquela garota, eu podia jurar que já tinha visto ela antes, mas ao mesmo tempo, eu não conseguia me lembrar onde eu tinha visto-a.

POV Star Off

Quarenta minutos atrás:

POV N Off

­Mike estava se esforçando ao máximo para não fazer nem um barulho, sua perna havia acabado de se regenerar e ele estava apenas esperando a oportunidade de escapar aparecer diante de seus olhos.

Ele não gostava da ideia de abandonar Jack ali sozinho, mas também sabia que procurá-lo naquele prédio com o Kazuma o perseguindo, sem nem saber onde ele estava, aquilo era suicídio na certa. Era muito mais inteligente esperar até uma oportunidade aparecer e fugir dali o mais rápido possível.

Se ele conseguisse sair do prédio, podia chegar até o carro e voltar para a casa. Se ele conseguisse pedir ajuda ao seu comandante, talvez Jack ainda se salvasse.

- Você não pode fugir de mim, garoto. – A voz de Kazuma ecoava por todo o cômodo.

Mike estava debaixo de uma cama, ele não sabia se o Kazuma estava de fato por perto o se sua voz estava sendo emitida por autofalantes, como da última vez.

De todo jeito, ele não iria sair de seu esconderijo para confirmar.

- Acha mesmo que pode se esconder de mim, estando no meu prédio? – Ele gargalhou. – Que ingênuo.

Uma chance, era apenas disso que Mike precisava para fugir dali o mais rápido possível. 

Mike continuava com sua arma em mãos, pronto para ter que puxar o gatilho a qualquer sinal de ameaça.

POV N Off

POV Mabel On

- Tem certeza de que não viu? – Acho que aquela era a terceira vez que eu fazia a mesma pergunta.

Eu estava numa lanchonete que ficava próxima ao centro da cidade, eu esperava que alguém por lá tivesse visto a Erina, ou qualquer coisa estranha, mas ninguém sabia de nada, e isso era muito frustrante.

- Olha, garota. Passou muita gente por aqui hoje, inclusive, dois agentes federais, eu me lembro do rosto de todos os meus clientes, e com certeza, não vi essa garota de quem você está falando.

Eu soltei um suspiro de frustração, aquele era o quarto estabelecimento que eu visitava e ninguém havia visto a Erina, já estava começando a desanimar.

- Okay. – Eu suspirei novamente. – Obrigada pela atenção, de todo modo.

- Bom, sei que não é o que você está procurando, mas hoje estamos com uma promoção ótima, que tal uma fatia de torta de morango?

- Hm... Bom, que mal pode fazer, né? – Eu dei um sorriso fraco.

(...)

Acho que perdi uns vinte minutos naquilo, mas a torta estava realmente muito boa, não me arrependo de nada.

Eu havia voltado a dirigir, estava mais afastada da cidade agora, tinham apenas alguns prédios, mas era algo mais corporativo, não tinham muitas casas, e um pouco atrás dos prédios começava a floresta.

Eu fui até lá porque aqueles caras tinham dinheiro. Eles tinham mais de dois carros e armamento pesado. Essas coisas não são em um pouco baratas. Faria bastante sentindo se alguém com muito dinheiro tivesse sequestrado a Erina, talvez pelo fato dela ser uma usuária.

Faria uma pequena vistoria por aquele lugar, porque por lá ser mais afastado da cidade, era mais fácil sequestrar uma pessoa e levá-la para lá, não é?

De todo modo, se eu não encontrasse algo aqui, eu partiria para o segundo lugar que eu tinha em mente.

Era uma casa, também ficava um pouco afastado do centro da cidade, mas não era totalmente isolado, como esses prédios são. Era uma casa enorme, que foi feita para bater de frente com a mansão Northwest. Eu descobri que uma pessoa simplesmente comprou aquela casa, até aí tudo bem, mas eu ouvi boatos de que várias pessoas estavam entrando e saindo daquela casa.

Hoje mesmo, parece que tiros foram escutados vindos de dentro daquela casa, realmente, bastante suspeito.

Enquanto eu estava dirigindo, pude ver ao longe a silhueta de uma pessoa, ela estava chegando cada vez mais perto. Foi só quando eu meu aproximei mais, que percebi que se tratava de um homem, e ele estava correndo na direção do carro, o que me deixou um pouco nervosa.

- EI! EI! – Ela fazia um sinal com os braços para mim, acho que queria que eu parasse o carro. – AJUDA!

Percebi que ele estava extremamente machucado, pensei que se tratava de algum maluco, mas mesmo assim, decidi parar o carro, mas com a arma já em mãos, pra caso ele tentasse alguma coisa.

Parei o carro e em questão de segundos, aquele cara já estava praticamente na minha porta, apenas à alguns metros de distância.

Naquele momento, tudo aconteceu extremamente rápido, o cara estava com o braço direito levantado, acenando para mim.

Eu posso jurar que vi algo como uma esfera passar super rápido, não sei, mas quando eu me dei conta, o braço do cara foi simplesmente arrancado, sumiu quase que num piscar de olhos.

- CARALHO! – Eu gritei assim que vi essa cena.

Ele soltou um grito extremamente alto, mas mesmo assim, não parou de correr.

- ABRE A PORTA, PORRA! – Ele gritou.

Não pensei duas vezes, tirei o sinto e me joguei no banco do lado, abrindo a porta de trás, um pouco desajeitada, mas o importante foi que eu consegui. Abri o suficiente para que ele pudesse entrar até se jogando se quisesse, que foi o que ele fez.

- DIRIGE! – Ele fechou a porta, enquanto se ajeitava no banco.

- P-Pra onde?! – Eu perguntei, enquanto voltava para o banco do motorista.

- NÃO SEI, SÓ DIRIGE, PORRA! – Ele soltou outro grito, aquilo devia estar doendo demais.

Pisei fundo no acelerador, saindo dali praticamente voando em poucos segundos.

Em poucos segundos, nós já estávamos a uma boa distância daquele lugar, eu pude jurar que quando estávamos passando por um dos prédios, eu uma silhueta humana bem na porta, mas pode ter sido apenas por causa de velocidade absurda que nós estávamos indo.

- TÊM ÁCOOL?!

- N-Não!

- TEM QUALQUER COISA INFLAMÁVEL, PORRA?!

Eu rapidamente abri o porta-luvas, pegando um pequeno frasquinho de perfume, eu o entreguei a ele às pressas.

Pelo retrovisor de dentro, eu pude ver ele abrir o vidrinho e despejar inteiro no restante de seu braço. Ele soltou outro grito extremamente alto após fazer isso.

Me surpreendi quando ele pegou um isqueiro do bolso e simplesmente ateou fogo onde tinha jogado o perfume, gritando de dor mais uma vez.

Seu braço queimou por alguns segundos até que o fogo cessasse. Ele havia conseguido cauterizar, mesmo que só um pouco, seu ferimento, diminuído assim o sangramento.

- Preciso de um pano!

Eu tirei e joguei meu cachecol para ele, que o mesmo, com bastante dificuldade, conseguiu amarrar ao redor de seu ferimento, usando a boca para conseguir amarrar com força o cachecol.

- Puta merda... – Ele suspirou.

- Cacete, o que caralhos aconteceu?!

POV Mabel Off

Vinte minutos atrás:

POV N On

Mike começou a ficar desesperado, no momento em que viu aquela névoa rosa invadir o quarto em que estava por baixo da porta. Kazuma finalmente havia cansado de esperar que Mike saísse por bom grado, e decidiu inundar aquele andar inteiro com sua névoa.

- Merda, merda, merda! – Ele tentou recuar, mas não tinha muito para onde ir, se ele saísse de seu esconderijo, isso com certeza faria bastante barulho.

O único jeito era permanecer no lugar e torcer para que pudesse manter a respiração presa por tempo suficiente, até que Kazuma estivesse convencido de que ele não estava ali, e assim partisse para o andar de baixo.

Aquele definitivamente não era o melhor plano do mundo, mas era o que Mike podia fazer naquele momento.

A névoa rapidamente chegou até ele, que o mesmo cobriu seu rosto tentando ao máximo não respirar aquela névoa rosada.

Os minutos foram se passando, a névoa continuava ali, até que três minutos se passaram, Mike não aguentava mais prender a respiração. Foi então, que apenas por um momento, ele acabou respirando aquela névoa mortal.

Ele imediatamente tapou sua respiração novamente, torcendo que nada acontecesse e que a névoa precisava ser inalada bastante antes de fazer algum efeito.

Alguns segundos depois, a névoa finalmente começou a se dispersar, Mike pode suspirar aliviado por um momento. Até então, seu corpo não tinha dado sinais de envenenamento, nem coisa do tipo, fazendo-o acreditar que que aquela sua teoria anterior estava realmente certa.

- Espera...

Mike começou a escutar passos, os passos não estavam vindo, mas sim se afastando do quarto em que ele estava. Estavam indo para a escada que levava até o andar de baixo.

Naquele momento, Mike finalmente se tocou de uma coisa, Kazuma supostamente havia desconsiderado a presença de Mike naquele andar, e se ele estava indo para o andar de baixo, significava que ele teria que descer as escadas.

Se Kazuma não esperava que Mike estivesse naquele andar e ainda por cima estaria de costas, aquela era a oportunidade perfeita para que Mike descarregasse o pente de seu revólver nas costas de Kazuma, que o mesmo nem sequer teria tempo de invocar seu Henkan.

Aquele definitivamente era um plano arriscado, mas se desse certo, ele se livraria de todos os problemas, e afinal, eles tinham ido até lá para matarem o Kazuma, Mike com certeza não poderia perder uma oportunidade daquelas.

Mike começou a sair de baixo da cama aos poucos, tomando bastante cuidado para não fazer muito barulho.

Após sair de baixo da cama, ele sacou sua arma, caminhando lentamente até a porta. Mike abriu a porta com calma, para não fazer barulho, mas assim que ele deixou o quarto, ele se assustou por completo.

- Procurando por mim? – Kazuma gargalhou.

Kazuma nunca tinha deixado o andar, ele sempre esteve ali, ao lado da porta, esperando que Mike saísse do quarto para que pudesse atacar.

Mike ainda tentou apontar a arma na direção dele, mas Kazuma já estava com seu Henkan em formato de esfera, dividido em três pequenas esferas no formato de bolinhas de gude, que voavam a cerca de um metro e meio do chão.

Kazuma disparou as três balas contra Mike, ele estava perto demais, não tinha como errar, mas isso também valia para Mike, que disparou outras três vezes contra Kazuma.

Os três disparos acertaram em cheio Mike, mas por algum milagre, nenhum deles havia acertado um ponto vital. Dois disparos acertaram o seu ombro, os dois no mesmo ombro, mas o terceiro certou a parte de sua costela.

Os disparos de Mike também acertaram Kazuma, mas por não ter mirado precisamente, apenas dois dos disparos o atingiram, e um dos dois apenas passou de raspão. O único que atingiu em cheio, acertou a parte inferior de seu abdômen, mas também não havia acertado nenhum ponto vital, e tinha buraco de saída.

Os dois cambalearam um pouco, Mike ativou seu Henkan para começar a se curar, mas ele conseguiu apenas diminuir um pouco o tamanho de seus ferimentos, pois seu Henkan havia simplesmente parado de funcionar. 

Mike deu alguns passos para trás, ainda um pouco atordoado por ter sido atingido a queima roupa, mas estava ainda mais confuso quanto ao que estava acontecendo.

Mesmo que seu Henkan o deixasse cansado, ele nunca deveria parar de funcionar. Usuários de Henkan podem utilizar seus poderes o quanto quiserem, mesmo que isso custe suas vidas. Então, não fazia sentindo seu Henkan simplesmente parar de funcionar de uma hora para outra. 

- O que foi que você fez comigo, s-seu desgraçado? – Mike perguntou, enquanto recuava mais alguns passos. Kazuma apenas gargalhou em resposta.

- Vocês foram estúpidos de virem até mim sem saberem o mínimo de como meu Henkan funciona. – Sua névoa começou a cobrir o ferimento do disparo, não o curando, mas impedindo que sangrasse ainda mais. – Devo admitir que realmente não esperava que um de vocês fossem um usuário... – Ele começou a caminhar na direção de Mike. – Isso é totalmente inútil contra o meu Poison Pink.

- “Poison Pink” hm? – Mike forçou uma risada, apenas para debochar de Kazuma. – Que é o idiota que dá namora para o próprio Henkan? Você é uma criança, por acaso? – Ele riu mais uma vez.

- Pode rir o quanto quiser. – Kazuma nem mesmo ligou para o deboche de Mike e continuou se aproximando dele. – Meu Poison Pink permite que eu controle a mente daqueles que respirem sua névoa. – Mike engoliu seco naquele momento. – Além de poder ser usada apenas como uma névoa venenosa, eu também posso usá-la para controlar os meus inimigos. – Ele gargalhou alto. – Eu poderia desejar um poder melhor?!

- Agora você vai usar essa habilidade para me controlar? Qual vai ser a grande? Vai me fazer pular do último andar? Não, essa já é velha.

- Eu não vou fazer nada disso. Controlar suas ações não seria divertido. Caçar, caçar sim é divertido. – Ele continuava chegando cada vez mais perto. – Mas sabe o que não é divertido?

- Bom... Assistir Riverdale...?

- Caçar uma presa que tem o poder de se regenerar. Isso sim não é nada divertido. Por isso, e apenas por isso, o Poison Pink invadiu sua mente, agora, você é incapaz de ativar seu Henkan, por mais que você queira, agora você está sob o meu controle. – Ele riu mais uma vez.

POV N Off

Atualmente:

POV Kv On

Puta que pariu, que dia de merda.

Acho que já fazia um tempão que eu não tinha um dia tão agitado quanto esse, e eu ainda sentia que estava longe de acabar, o que me deixava meio ansioso até.

Normalmente eu passava a maioria dos meus dias jogado no sofá assistindo animes, quem diria que eu teria que trabalhar tanto em tão pouco tempo assim.

Bom, agora nós estávamos na sala de interrogatório, interrogando a garota que trouxe o Mike até nós. Eu sabia que era uma puta falta de respeito fazer aquilo com a pessoa que praticamente salvou a vida dele, mas eu não tinha certeza se deveria confiar naquela garota.

Bom, eu descobri algumas coisas sobre ela, por exemplo, ela é irritante para caralho, é tipo a Star, só que aparenta ser ainda pior. Acho que ela não entendeu que ela está num interrogatório e não é ela quem tem que fazer as perguntas ali.

- Vocês são tipos mafiosos ou coisa do tipo? – Ela perguntou.

Acho que interrogar aquela garota tinha sido uma das piores decisões de toda a minha vida, eu nunca tinha visto alguém falar tanto em tão pouco tempo antes.

- Cacete, garota. – Eu suspirei. – Você pode pelo menos me fazer o favor de me dizer o seu nome?

- Claro, claro, meu nome é, espera, por que vocês possuem uma sala de interrogatório?

- Apenas me diga o seu nome, okay? – Eu disse, começando a beber um pouco de água.

Acho que toda aquela confusão me deixou desidratado, hmpf que saco. Bebam água, crianças, não fiquem desidratados.

- Ah, sim, sim. Eu sou Mabel, Mabel Pines.

Por um momento, eu quase cuspi a água que estava tomando.

- Mabel Pines? Você é a Mabel? Tipo, Mabel, Mabel? Aquela lá, irmã do Dipper? – Ela assentiu. – Cacete, foram vocês que deram uma surra no Bill. – Eu comecei a gargalhar alto.

- Espera, como você conhece o Bill?! Você não é dessa cidade, não estava aqui na época! – Ela até tentou recuar, mas não tem como você, acorrentado numa cadeira, andar para trás, né?

- Sim, eu conheço o Bill, mas relaxa, eu não sou fã dele, acho aquele cara extremamente irritante.

- Sério? Nossa, eu também acho aquele desgraçado super irritante! Ele é todo cheio de si, não é? – Eu posso jurar que os meus olhos brilharam por um momento.

- Jura?! – Eu estava totalmente animado. – Você também não odeia o jeito que a voz dele é irritante? “Hahaha, eu sou o Bill, rendam-se, humanos patéticos, porque eu sou incrível!”. – Eu tentei imitar a voz dele e nós dois começamos a rir. – Ai, ai, temos tanta coisa em comum, acho que realmente te julguei mal.

- Bom... Você conheceu o Bill pessoalmente? É bem difícil encontrar alguma pessoa que tenha encontrando com ele pessoalmente.

- Ah, sim, sim. Inclusive, eu falei com ele a cerca de duas horas atrás. – Ela arregalou os olhos naquele momento. – Eu precisava de uma ajudinha com uma parada aí, mas ele queria um acordo em troca de algumas informações.

- Você não pode fazer um acordo com o Bill, nunca! Em hipótese alguma!

- Wow, relaxa aí, baixinha, eu não sou idiota. O Bill não conseguiu tirar nada de mim, o Bill nunca consegue tirar nada de mim, mas ele está sempre tentando.

- E o que é que você tem para que o Bill esteja tão interessado assim?

- Ah, ele queria um pouco da minha gra- Acho que eu finalmente me toquei. – WOW, WOW, WOW! Desviamos muito do assunto aqui! Como caralhos você encontrou o Mike? Sem mais mudanças de assunto a partir de agora!

- Ah, eu ainda não disse? Eu estava passando por alguns prédios com o meu carro, ele apareceu gritando por ajuda, eu parei pra ajudar, o braço dele sumiu e eu o trouxe até aqui, é isso.

 - Nossa... Uau, você resumiu até que bem, parabéns.

- Obrigada.

- É, mas podia ter feito isso desde o começo, né, porra?!

(...)

Aquele “interrogatório”, se é que eu posso chamar aquilo de interrogatório, se estendeu por mais uns dez minutos, até que finalmente nós conseguimos chegar num ponto interessante.

- Você a viu? – Ela perguntou.

- Você disse que o nome dela é Erina, não é? – Ela assentiu positivamente. – Cabelos pretos com uma única mecha em azul... É, eu vi sim.

- Sério?! – Ela pareceu ficar realmente feliz.

- É, mas isso já faz uns dois dias, não tenho notícias dela desde então. Mas por quê?

- Bom... Ah, eu não sei se deveria te contar isso... Mas... Ah, que seja, alguns caras armados entraram na minha casa, vendaram ela, apontaram armas para mim e para o meu irmão e a levaram embora.

- Caralho, mas isso é sequestro! – Ela assentiu positivamente. – É uma merda que aqui não tenha mais polícia. – Eu suspirei pesadamente. Por que você acha que à levaram?

- Bom... Acho que você não sabe o que é, por isso eu vou explicar bem brevemente. Nesse mundo, existe uma coisa chamada Henkan, que é-

- A ERINA É UMA USUÁRIA?! – Eu me levantei com tudo da cadeira.

- Wow, você já sabia o que é Henkan? Bom, sim, ela é uma usuária.

- O quê?! Nem fodendo que aquela garota é uma usuária. – Eu comecei a dar voltas pela sala. – Cacete, nem fodendo, nem fodendo. – Eu pus a minha mão direita na testa. – Eu estive com aquela garota e não percebi que ela é uma usuária?!

Eu continuava caminhando, dando voltas pela sala, eu realmente não conseguia acreditar que tinha deixado uma usuária passar batido por mim.

- Porra, mas que tipo de Henkan ela tem? O que ela faz, atraí livros até ela? – Eu cheguei perto de novo.

- E-Ela consegue voltar as coisas um dia no tempo...

- Porra, e ainda é uma habilidade boa! – Eu me afastei novamente. – Puta merda... Se a Erina é uma usuária, significa que a mãe dela também pode ser uma usuária, se a mãe dela for uma usuária significa que a avó dela também é uma usuária, se a avó dela for uma usuária, significa que a mãe da Jackie também é uma usuária, o que também significa que a Jackie é uma usuária, você me entende?!

- Eu não sei... Quem é essa tal de Jackie?

- Okay, a Jackie definitivamente não é uma usuária, ela não pode ser uma usuária, então, isso quer dizer que o pai da Erina era, ou é, um usuário. Talvez eu saiba quem é o pai pelo sobrenome, qual é o nome completo da Erina, ela te disse, por acaso?

- Bom... – Ela pensou um pouco. – Eu não sei...

- Mabel, por favor, eu preciso que você me diga, ela te contou ou não contou?

- Ah, ela não disse o nome completo, mas ela falou o primeiro e o segundo nome. Só que eu estava meio distraída na hora e não prestei atenção direito, mas tem certeza de que era algo como... Hoshikage...? Yoshikage...?

- Yoshiaki?!

- Ah, sim, é isso mesmo! Como você adivinhou?

Eu juro que naquele momento, eu precisei me apoiar em algo, porque eu senti que a minha pressão não só tinha caído, ela tinha despencado com tudo.

- O-O n-nome d-dela é Erina Yoshiaki...?

- Sim, é exatamente isso!

- Puta que pariu... – Eu precisei respirar fundo, mas eu sentia que iria ter um ataque cardíaco a qualquer momento ali. – Erina Yoshiaki... Jura?!

POV Kv Off

POV Marco On

Eu decidi ir com a equipe médica, que eu ainda não tinha coragem para ficar no mesmo local que a Star.

Eu sabia que o que eu tinha feito não tinha mais volta, eu sabia isso antes de fazer, enquanto estava fazendo e agora que já fiz, continuo sabendo. Eu também sabia que esse meu ato teria consequências, eu só não estava preparado para enfrentá-las agora.

Também optei por ficar com a equipe médica, porque durante umas das minhas aventuras na dimensão da Hekapoo, eu acabei entrando numa tribo que convenientemente só tinha médicos, eles acabaram me ensinando bastante coisas. Eu sei que isso não se compara a uma faculdade de medicina, mas pode-se dizer que eu tenho um pequeno conhecimento na área.

Não tinha muito o que fazer ali mesmo, eu só precisava ficar de olho naquele cara, era um bom trabalho para quem queria tirar um tempo para pensar um pouco na vida.

Eu sabia que a Star estava querendo falar comigo, mas eu a ignorei de propósito. Foi como eu disse antes; eu ainda não estava pronto para falar com ela. Se eu normalmente já ficava envergonhado conversando com ela, imagina agora, que eu me declarei para ele.

Ainda não acredito que eu me declarei para o potencial amor da minha vida, em cima de uma cama com duas costelas quebradas. Aquilo com certeza não era nada fofo, quanto nos filmes e séries. 

Além de estar ignorando a Star por não estar pronto para falar com ela, também havia outro motivo, e acho que esse motivo era mais doloroso que o primeiro.

Eu amava a Star. Agora eu não tinha a menor sombra de dúvidas. Eu, desde que conheci a Star, a amava, sempre foi ela. Eu posso ter ficado um pouco confuso e em dúvida, mas no final, meu coração sempre pertenceu a ela.

Agora, imagine que a pessoa que você mais ama no mundo está te procurando desesperadamente, você ficaria feliz, não é?

Mas agora deixa eu te falar, que essa pessoa não está te procurando para se confessar também, ou algo do tipo. Ela está te procurando para te dar um fora.

Vocês entendem o que eu quero dizer?

Entendem o quanto isso vai me despedaçar por dentro?

Eu já sei que a Star não me ama, eu já sei que ela não pode ficar comigo, mesmo que ela me amasse, ela estava completamente decidida a ir embora, e eu me sentiria péssimo se ela resolvesse ficar apenas por mim, entendem? Eu não quero sentir essa dor.

Eu continuei pensando na vida, pensando nas coisas que havia feito, nas decisões que havia tomado, também estava tentando planejar como seria o meu próximo ano, já que é isso que as pessoas geralmente fazem no final de um ano, não é?

Por um momento, todos os momentos que eu passei com a Star começaram a vir na minha mente, eram todos momentos maravilhosos, até mesmo os momentos em que estávamos brigando pareciam maravilhosos agora.

Naquele momento, enquanto todos os momentos incríveis que eu tive com a Star passavam na minha cabeça, eu percebi o quanto estava feliz. Eu estava feliz de poder amar uma pessoa tão incrível quanto a Star era.

E daí que não é recíproco? Star foi a melhor amiga que alguém poderia desejar no mundo todo. Não quero que ela fique por pena, quero que ela siga os seus sonhos e seus objetivos. 

Eu, mesmo depois de tudo o que havia acontecido naquele dia, eu podia falar com todo a certeza do mundo: Eu não estava nem um pouco arrependido de amar a Star do jeito que amava.

- M-Marco...? – Eu escutei a voz da Star me chamando e vi a porta sendo aberta, eu até congelei por um momento.

É, acho que não tem para onde escapar agora... Eu respirei fundo.

- Star...

- Marco, nós precisamos conversar. – Ela estava séria.

Assim que eu a vi séria, eu tive certeza de que aquilo seria extremamente doloroso, tive certeza de que o fora que eu iria levar, me quebraria por inteiro.

Eu nem mesmo sabia se aguentaria receber o segundo fora ainda naquele dia.

- Eu estou tentando falar com você a um tempão, mas você fica me evitando, então tem sido meio difícil. – Ela entrou na enfermaria, fechando a porta atrás de si.

A enfermaria. Havia apenas nós dois, e o cara inconsciente, um ambiente nem um pouco romântico.

Mas mesmo assim, era engraçado imaginar que foi ali que eu me declarei para ela, e que também seria ali que ela iria me rejeitar.

- Bom... Estou aqui. – Eu sorri fraco.

- Marco... Sobre o que você disse mais cedo, eu não sabia como reagir naquele momento, por isso eu travei. – Ela começou a chegar ainda mais perto, me deixando um pouco apreensivo.

- Star, vamos cortar logo essa, okay? Eu sei que você não está afim, foi burrice minha ter dito aquilo, eu sei... – Eu abaixei um pouco a cabeça, estava realmente envergonhado ali. Bom, acho que ninguém gosta de levar um fora, não é?

- Não é isso, eu-

- Star, sério, não precisa. Por favor, vai... – Eu comecei a me virar.

- Marco, eu-

- Por favor, Star. Vai. – Eu me virei completamente, eu pude ouvir ela suspirando pesadamente, acho que entendeu que eu realmente não queria ter aquela conversa, mas mesmo assim, eu não escutei seus passos, ela continuava ali de pé, bem atrás de mim.

Continuei de costas por mais alguns segundos, para ver se ela resolvia ir embora, mas ela continuava ali, parada, o que me deixou um pouco confuso no começo, mas então eu percebi que ela não iria sair dali sem que eu escutasse o que ela tinha para falar.

- Star, eu já disse que-

Eu me virei para tentar fazê-la ir embora, mas no momento em que me virei, ela me abraçou fortemente, eu fiquei um pouco confuso, mas retribui o abraço.

Ela se afastou um pouco, mas foi apenas para me surpreender ainda mais, dessa vez com um beijo.

Eu juro que eu nunca estive tão confuso em toda a minha vida antes.

Confesso que travei nos primeiros segundos, mas então, eu decidi apenas me entregar por completo, fechando os olhos e retribuindo o beijo.

Foi um beijo intenso, eu podia sentir que tanto eu quanto ela ansiávamos por aquilo, o que apenas me confundiu ainda mais.

Nós nos separamos alguns segundos depois pela falta de ar, ambos estávamos incrivelmente corados, o que era de se esperar dada a situação.

- S-Star...? – Aquela foi a única coisa que eu consegui dizer, eu estava praticamente travado ali.

- Eu também te amo, seu idiota! – Ela disse, me beijando outra vez.

Eu já havia desistido de pensar racionalmente ali, apenas me entreguei de corpo e alma, retribuindo o beijo no mesmo momento.

Nós nos beijamos intensamente, acho que eu nunca ansiei tanto por uma pessoa antes em toda a minha vida quanto eu ansiava pela Star.

Três batidas na porta puderam ser ouvidas, a porta foi aberta e nós dois nos separamos no mesmo momento.

- Pessoal, nós temos... – Era o Kv, que parou de falar no mesmo momento em que nos viu. – Espera aí, que porra é essa aqui?

- K-Kv! – Eu disse, totalmente corado. – N-Não é nada. – Eu olhei de relance para a Star, que também estava super corada.

- É, n-não é nada. – Star tentou disfarçar, dando um sorrisinho, o que só fez ficar ainda mais estranho.

- Vocês estavam se pegando? – Ele apontou para nós dois, acho que nem era mais possível, mas eu senti minhas bochechas esquentarem ainda mais. – Na frente do Mike? Isso é sério? Marco, você não terminou um namoro hoje? Bom... Não que eu tenha alguma moral para julgar depois de... Bem, isso não se faz na frente de pessoas inconscientes, isso é meio que doentio, vocês sabem disso, né?

- N-Não é isso, nós só estávamos... – Eu ainda tentava disfarçar, mas acho que àquela altura, não tinha mais jeito.

- Okay, foda-se, eu não ligo. Bom, vocês sabem a Erina? Amiga de vocês. Que convenientemente vocês dividiram a casa nesses últimos dias? Amiga essa que estava com vocês ontem mesmo? – Nós dois assentimos. – Então... Eu vou tentar ser o mais rápido e direto aqui... – Ele respirou fundo. – Erina é uma usuária de Henkan, seu pai é o Kazuma e agora ele a sequestrou, me encontrem na sala de interrogatório em quinze minutos, é isso já podem voltar a transarem. – Ele saiu da enfermaria, deixando nós dois ainda mais envergonhados. – Na verdade não podem não! Saiam de perto do Mike, vocês são má influência! – Ele gritou de longe.

POV Marco Off

Trinta e cinco minutos atrás:

POV N On

Mike não fazia ideia de como faria para escapar dali, mas ele sabia que com certeza não seria nem um pouco fácil.

Kazuma estava bem na sua cola, ela não podia dar nem um passo em falso que seu inimigo veria. A primeira coisa a se tentar fazer naquele momento, era conseguir se afastar, pelo menos até as escadas. 

Mike já não tinha mais balas em sua pistola, e era óbvio que Kazuma não o daria chance de recarregar. A verdade, é que Mike nem mesmo tinha como recarregar, já que seu coldre se desprendeu de seu corpo em algum momento da luta. Mas Kazuma ainda achava que Mike possuía mais balas na arma, e Mike sabia perfeitamente disso, afinal, era exatamente por isso que Kazuma ainda não havia avançado.

Por mais que fosse extremamente forte, Kazuma não tinha um excesso de confiança, como a maioria das pessoas costumam ter, ele era calmo e calculista, não dará nenhum movimento até ter certeza absoluta de que não seria prejudicado por aquilo.

Ele era realmente um dos tipos de criminosos mais perigosos que poderia existir.

Mike costumava ser bem impulsivo, graças ao seu Henkan, que o permitia regenerar seus ferimentos. Ele nunca foi muito do tipo de pensar bastante antes de um combate, não deixava de ser inteligente, mas era bem mais impulsivo que seus companheiros.

Mas dessa vez, Mike teria que se controlar, não poderia contar com a ajuda de seu Henkan naquele momento. Ele não tinha força física para enfrentar um usuário do nível do Kazuma, não tinha munição e ainda por cima, estava machucado.

Mike estava de fato numa situação bem preocupante, teria que usar bem a cabeça para não morrer ali.

- Vamos ser sinceros, garoto. – Kazuma disse, depois de ter ficado em silêncio por alguns segundos. – Você não tem a menor chance de vencer, se você se render agora, eu prometo que te mato bem rápido, e para mostrar que sou um bom homem, dou quinze minutos de vantagem para o seu amigo.

- Ah, mas acontece que essa proposta não é muito vantajosa para mim. Eu teria que morrer, e eu não quero morrer.

- Você vai morrer de qualquer jeito, mas eu ainda estou oferecendo uma chance de seu amigo se salvar, e de você ter uma morte rápida. Não te restam mais opções, desista agora.

- Mas é aí que você se engana, seu idiota! – Ele jogou a arma para longe, apenas ficando em pose de luta. – Eu ainda tenho um plano, um último plano, um plano que só posso usar caso tudo tenha dado errado!

- Hmpf, um plano, você diz? – Kazuma fez um movimento com o dedo, fazendo as esferas aparecerem bem à sua frente. – Que tipo de plano seria esse.

- Um plano espetacular! Que consiste em- Mike parou de falar, ficando estático. Ele arregalou os olhos e depois abriu bem sua boca. – C-COMANDANTE! – Ele gritou, enquanto olhava fixamente para um ponto atrás do Kazuma.

- O QUÊ?! – Ele se virou rapidamente. – Impossível...? – Ele ficou confuso assim que percebeu que não tinha ninguém atrás dele.

- O plano é dar no pé, seu idiota! – Mike gritou, soltando uma gargalhada, enquanto corria a toda velocidade para as escadas.

Por ser algo bem infantil, ninguém espera que seu adversário use um tipo de plano desses num confronto sério, foi por isso que ele deu tão certo.

Kazuma ainda estava congelado, ele realmente não estava esperando por aquilo, como qualquer pessoa no seu lugar também não estaria esperando.

Mike conseguiu chegar até as escadas e escapar, mesmo que por apenas alguns minutos, de Kazuma. Que o mesmo permaneceu parado, ainda descrente, mas agora, uma fúria enorme tomava conta de seu corpo.

Atualmente:

(...)

Jack ainda estava escondido, ele havia escutado diversos barulhos alguns minutos atrás, mas ignorou, Mike devia estar tentando fugir de Kazuma. Jack sabia que caso tentasse fugir seria morto quase que instantaneamente, ele realmente só podia esperar que as coisas se resolvessem de algum jeito.

Enquanto passava todo aquele tempo ali, trancado naquele banheiro, Jack lembrou de todos os bons momentos que viveu ao lado de seus amigos, amigos esses que tinham morrido naquele mesmo dia. O luto estava começando a pesar, a ficha estava começando a cair para Jack. 

Ele se lembrou de todos os momentos felizes que viveu dentro daquela organização, lembrou do dia em que fez amizade com Emmy, que o apresentou a Nick e a Mike. Era difícil acreditar que seus dois melhores amigos haviam mesmo morrido.

Durante todo aquele tempo, Jack havia decidido deixar de lado todo aquele assunto, ele ainda não estava preparado para passar por aqui, ele ainda não podia ter o seu luto. Muitas pessoas ainda dependiam dele.

Jack havia feito uma promessa, uma promessa para seu pai, que voltaria para casa custe o que custasse.

- Eu não vou perder, pai... – Ele disse, quase num sussurro. – Eu vou voltar para casa e então, eu vou finalmente pedir tomar coragem e falar com a Annie. Não era o que o senhor sempre quis? – Ele sorriu fraco, enquanto as lágrimas começavam a escorrer pelo seu rosto.

Jack sabia muito bem da realidade. Ele sabia que as chances de sair vivo dali eram extremamente pequenas.

- Eu vou-

Naquele momento, a porta do banheiro, em que ele estava escondido, foi aberta bruscamente.

- Ora, ora, ora. – A voz de Kazuma ecoou pelo cômodo. – Vejam só quem encontramos aqui. – Ele gargalhou, entrando no banheiro e fechando a porta atrás de si.

POV N Off

POV Kv On

Sabe quando você não consegue resolver um problema, que no começo parece ser a coisa mais difícil do mundo? Mas aí então você encontra uma solução que estava na sua cara o tempo todo e você fica se sentindo um completo idiota?

Então, era mais ou menos assim que eu estava me sentindo naquele momento, talvez até um pouco pior.

Eu não conseguia acreditar que havia perdido a chance que obter a filha do Kazuma, isso seria um puta trunfo. Eu quero que vocês apenas pensem em quantas estratégias eu poderia bolar, caso eu tivesse a filha dele comigo.

Apenas tentem imaginar.

Pelo o que eu soube, a Erina nunca “morreu” de fato, o que era bem estranho, porque nos registros sobre a família do Kazuma, constava que sua filha estava mortinha.

Como caralhos essa garota não estava morta?!

Eram tantas perguntas para um dia só, eu estava começando a ficar extremamente exausto, e olha que nem é fisicamente possível eu ficar cansado, isso é só para vocês terem um nível de como esse dia está sendo barra para mim.

Tinha algo definitivamente muito errado ali.

Ou a porra dessa garota morrer e de algum jeito voltou a vida.

Ou essa menina nunca esteve morta.

Mas se ela nunca esteve morta, para que o Kazuma quer a varinha da Star? Pra reviver a filha que não é.

Eu não conseguia parar de pensar, não conseguia parar de imaginar nem por um segundo o que aquele filho da puta, desgraçado de merda, estava planejando.

Okay, calma, respira...

Se precisaram sequestrar a garota, é porque obviamente os dois não se dão muito bem, bom, eu não imagino sequestro como uma atividade normal entre pais e filhos.

Eles definitivamente não se davam bem, talvez por... Estarem muito tempo separados?

Depois, bom, daquilo. Jackie me contou como a Erina cresceu praticamente sozinha com a mãe, o que só reforça ainda mais a minha teoria.

Se você passa muito tempo sem ver uma pessoa, obviamente você não vai ter a mesma intimidade que antes, isso se reconquista com o tempo, mas se você um vilão absurdo, você pode ir lá e sequestrar a pessoa.

Mas se ele já tinha tanto apreço por sua filha, por que não ficar com ela desde o começo? Por que sequestrar ela justo agora?

Talvez porque ela realmente estivesse morta...? Não morta mesmo, mas morta para o Kazuma, talvez ele não soubesse de fato que sua filha estava viva, pode até mesmo ter descoberto hoje.

Porra, esse é o problema das teorias, você nunca sabe se estão certas. Eu posso ter acertado tudo aqui, ou ter simplesmente falado um monte de merda, eu não sei.

Eu precisava de um pouco de ar, precisava sair um pouco daquela casa, daquela cidade, de tudo!

Nem pensei duas vezes, eu tinha quinze minutos e eu os utilizei muito bem.

Me teletransportei para uma cidade aleatória, nem pensei muito sobre o destino, eu só queria ficar longe um pouco. 

Acabei indo parar em alguma praça aleatória, as pessoas ao meu redor ainda falavam inglês, então acho que não tinha ido muito longe.

Fui até um dos bancos da braça e me sentei, soltando um logo suspiro logo em seguida. Saquei me celular e abri um largo sorriso assim que vi que eu finalmente tinha sinal.

Acho que nem consigo explicar o quão feliz eu fiquei naquela hora. Mas era como se eu tivesse acabado de dar um pulo, de 1912 para 2019, era realmente uma sensação boa saber que eu tinha a tecnologia ao meu lado mais uma vez.

Depois de pensar por alguns segundos, eu finalmente decidi o que eu riria fazer, ou melhor, o que eu precisava fazer.

Do bolso da minha jaqueta, eu tirei uma parte da carta que a Emmy havia escrito para sua irmã, na parte que eu havia tirado tinha um número de telefone com apenas um nome escrito em cima:

Anna.

Esse era o nome que estava escrito bem em cima do número, mas graças a Emmy, e a todas as histórias que ela me contou na noite anterior, eu sabia quem era Anna, sabia sua idade, nome completo, onde nasceu, se duvidar, Emmy havia me dito até quando foi a primeira menstruação dela.

Um pouco receoso, eu comecei a digitar os números no meu celular, terminando de fazer isso em poucos segundos, mas antes que eu ligasse, eu travei por um momento.

Eu não sabia se estava pronto para falar para uma garota, que sua irmã, sua esperança de vida, havia morrido naquele dia, ainda mais, sob a minha proteção.

Aquilo não seria nada fácil, mas eu precisava pelo menos ligar para ela, dar um “oi”, ou qualquer coisa, uma hora eu teria que fazer aquilo de todo jeito, então, era melhor que fosse logo. 

Disquei o número certinho e comecei a ligar. Chamou por alguns segundos, o que só me deixava ainda mais nervoso a cada segundo que se passava.

- A-Alô...? – Uma voz feminina disse do outro lado da linha.

- A-Alô... Você é a Anna, não é? Anna Diaz...? – Eu perguntei, bastante receoso.

- S-Sim... Quem quer saber?

- Bom, eu trabalho com a sua irmã, na verdade sou o chefe dela, e-

- A Emmy? Ela está bem? Ela me prometeu que ligaria hoje, mas até agora nada.

- É justamente por isso que e estou ligando... – Eu pude sentir hesitação na voz dela.

- A Emmy, ela... Ela está bem, certo?

- Eu estou ligando no lugar dela para desejar um feliz ano-novo, infelizmente ela não pôde te ligar, preciso ir agora, tchau! – Eu desliguei a ligação rapidamente e guardei o celular no bolso.

Acho que eu nunca pensei que falar com uma garota pudesse ser tão difícil, ainda mais por telefone. Eu sentia que ainda não estava preparado para falar para aquela garota que sua irmã havia morrido, pelo menos não agora.

Eu sentia que isso era algo que eu precisava fazer pessoalmente, eu não teria coragem de dar uma notícia daquelas por telefone, nem Vick seria tão cruel assim.

Eu soltei um suspiro pesado antes de me levantar, já estava na hora de voltar para a casa, eu já havia perdido tempo demais naquela ligação frustrada.

POV Kv Off

POV Star On

Após a saída do Kv, eu e Marco ficamos envergonhados demais para ficarmos juntos, o que era completamente compreensível.

Eu arranjei uma desculpa qualquer para deixar o local e agora, eu estava na cozinha, na companhia de Dave e Satoru mais uma vez. Acho que eles tinham virado meus conselheiros do amor, e esse era um nome extremamente brega.

- Pelo menos agora ele também sabe que você gosta dele. – Dave disse, tentando me animar um pouco.

- Ele tem razão, garoto. – Satoru completou. – E você não disse que vocês se beijaram? Te como pedir uma vitória maior que essa?

- Ah, eu não sei... – Respondi, mexendo a colherzinha na minha xícara de café, de um lado para o outro. – Eu não quero que ele pense que eu me declarei pra ele por pena ou coisa do tipo, quero que ele saiba que eu fiz isso porque eu o amo de verdade.

- Own... Casais jovens são tão fofos, não é, pedacinho de céu?

- Eu já disse que se você me chamar assim mais uma vez. – Satoru se apoiou no balcão. – Eu vou acabar derrubando café “sem querer” nesse rostinho lindo. Seria uma pena, não seria?

Eu pude ver Dave engolindo seco e assentindo positivamente, enquanto Satoru se afastava dele. Era estranhamente engraçado como os dois conversavam entre sim, era estranho como o Satoru conseguia ser extremamente assustador algumas vezes.

Isso também valia para o Dave. Antes eles nem pareciam que eram esse casal tão fofo... Na verdade, eu não sei se eles são um casal, eu acho que são, mas ao mesmo tempo, não quero perguntar para ter certeza, não quero parecer invasiva nos assuntos deles.

- Bom, Star. – Satoru disse, olhando para mim agora. – Você está se preocupando demais com os detalhes, relaxe e deixa que as coisas se acertem por elas mesmas.

- É, você já fez o mais importante. Você já confessou seus sentimentos para ele, o tempo vai cuidar do resto.

- Ô, caralho. – Satoru disse olhando para Dave. – Eu estava falando ainda.

- Estava? Foi mal, eu pensei que já tinha terminado.  

- Está vendo isso, Star? – Satoru apontou para Dave. – Esse idiota pode reconstruir coisas absurdas, regenerar pessoas, o caralho todo. Enquanto eu sou basicamente um gps humano. – Ele olhou bem para o Dave. – E ele ainda é bonito, Star. A vida, Star... A vida não é justa. A vida não é nem um pouco justa.

- Pedacinho de céu, você tá exagerando, não acha não?

Naquele momento, Dave percebeu o que havia acabado de falar, pois pôs as mãos na boca assim que finalizou a frase. Eu juro que eu pude ver o fogo do inferno refletido nos olhos do Satoru.

- Do que foi que você me chamou...?

Bom, eles obviamente tinham os próprios problemas para resolverem, então eu meio que deixei Satoru correr por aí atrás do Dave, acho que eles iriam se acertar assim.

Bom, pelo menos o Satoru definitivamente iria acertar o Dave em algum momento.

POV Star Off

POV Mabel On

Eu ainda estava presa naquela cadeira dentro da sala de interrogatório, ou seja lá o que aquela coisa fosse.

Estar ali definitivamente não estava nos meus planos de busca para a Erina, mas se aquele pessoal iria ajudar a encontrá-la, por mim tudo bem.

O que mais me deixava preocupada, era aquele cara, o que falou comigo a alguns minutos atrás. Aquele cara, ele sabia o que era Henkan, já havia se encontrado com o Bill, ele tinha um olhar de quem realmente já havia passado por muita coisa.

Acho que já faziam uns dez minutos que ele tinha ido embora, me obrigado a ficar sozinha com os meus pensamentos.

E com dois guardas também, mas eles nem sequer olhavam para mim e, sinceramente, eles me davam medo.

Eu até pedi para ir no banheiro, mas um deles me respondeu que se eu estivesse com muita vontade de rir, eu podia fazer na roupa mesmo.  Eu não estava realmente com vontade de ir no banheiro, apenas queria ver como eles tratavam os “detidos” ali, e pelo visto, não era de um jeito muito amigável.  

Eu realmente achava que aqueles caras eram algum tipo de mafiosos, ou sei lá, boa coisa eles não eram, isso eu tinha certeza. Mas bom, agora eu estava ali presa e precisava dançar conforme a música.

POV Mabel Off

POV Marco On

Eu estava começando a me arrepender de ter escolhido ficar ali de olho naquele cara. Eu queria sair, falar com alguém, saber quais eram as novidades, todo aquele lance da Erina ser filha desse tal de Kazuma, tudo isso era muita loucura.

Afinal, quais eram as chances de ela ser filha justamente do homem que o Kv estava trás, e inclusive, ser também uma usuária de Henkan.

Eu só ficava me perguntando como ela havia conseguido esconder algo desse nível da gente, usuários de Henkan sempre parecem tão... Extravagantes?

Sinceramente, muita coisa estava acontecendo, minha mente estava numa confusão que chegava a dar dó, nem sabia em qual problema eu devia focar primeiro.

Bom, dando um passo para trás agora, a Star havia se declarado de volta para mim.

Acho que eu nem preciso dizer o quanto aquilo me pegou desprevenido, né? Acho que de todas as coisas possíveis, ela se declarar de volta, com certeza não estava na lista.

No começo, eu pensei que ela havia feito isso por pena, afinal, não seria de se espantar se ela realmente tivesse feito aquilo por pena. Mas depois, eu comecei a repensar tudo, todas as coisas que nós dois já havíamos passado juntos.

Nós já havíamos vivido tantos momentos “íntimos” juntos, a dois dias atrás mesmo, nós dormimos de conchinha. Que tipo de amigos fazem isso?

Eu comecei a pensar que ela poderia estar realmente apaixonada e, pela primeira vez naquele dia, eu finalmente pude ficar feliz com algo.

E aquele beijo, aqueles na verdade, aqueles beijos definitivamente não foram por pena, eles eram apaixonados, eu podia sentir isso.

Bom, talvez eu estivesse completamente errado e apenas me iludindo mais ainda? Isso não deixava de ser uma possibilidade, mas naquele momento, eu realmente escolhi não pensar nela. Já eram tantos problemas, que eu queria que pelo menos alguma coisa boa de fato acontecesse.

Bom, acho que eu nem sequer imaginava, que os problemas daquele dia ainda não haviam chegado ao fim.

POV Marco Off

POV Kv On

Pela primeira vez em muito tempo, eu não sabia o que fazer, e isso estava começando a me deixar desesperado.

Minhas lutas nunca foram baseadas em golpes espetaculares, ou qualquer outra coisa do tipo, elas sempre foram estratégicas, e se eu não tenho uma estratégia para a próxima luta... Bom, fodeu.

Acho que não tinha outra definição melhor do que essa. Bom, talvez até tivesse uma em russo, mas em russo te expressão para tudo.

- Você tem certeza de que ele estava sozinho? – Eu perguntei para a Mabel, eu precisava saber onde caralhos estava o Jack.

- Sim, ele estava sozinho. Bom, ele foi o único que veio correndo até mim e não falou nada sobre um parceiro o caminho todo.

Não fazia sentido, ambos tinham saído daqui juntos, por que Mike nem se quer abriu a boca para dizer onde Jack estava?

Aquilo estava começando a me consumir por dentro, eu estava começando a acreditar que o Jack poderia estar morto, e o Mike sabia, ah como ele sabia.

O Mike sabia muito bem que se o Jack estivesse morto, a culpa era inteiramente dele, dele e de toda essa ideia imbecil de tentar invadir o território inimigo sabendo praticamente nada sobre o inimigo principal.

A terceira habilidade do Kazuma era um saco de se lidar, provavelmente era uma das coisas mais problemáticas de se lidar que eu enfrentaria naquele século.

O Henkan daquele desgraçado por si só já era extremamente perigoso, mas tudo complica ainda mais, quando se descobre que ele pode criar uma esfera maciça, que apesar de ser feita de névoa, é completamente dura.

Pode aumentar e diminuir o tamanho dela, do jeito que quiser, pode dividir em várias outras esferas menores e arremessá-las contra seus inimigos, já que elas podem ultrapassar a velocidade de um disparo.

Vocês entendem o que eu estou tentando dizer?

Era ridículo, aquele Henkan era ridiculamente forte, não tinha como bater de frente com aquilo.

- Bom, mas enquanto eu estava dirigindo, eu vi uma silhueta estranha, parecia um homem de terno, ou sei lá. Ele estava parado, de pé, bem na frente de um dos prédios.

- Hm... É, acho que eu sei quem esse homem é. – Eu me levantei, começando a dar voltas aleatórias pelo lugar.

Eu estava começando a surtar, eu precisava pensar em alguma coisa, Jack, caso ainda estivesse vivo, com certeza não iria aguentar por muito mais tempo, é só ver o que o Kazuma fez com o braço do Mike. Ele provavelmente mataria o Jack na primeira oportunidade que tivesse.

Eu realmente gostaria de poder dizer algo como: “Ah, o Jack é inteligente, ele vai ficar bem.”, mas a verdade é que eu sabia que ele não iria ficar bem, ele não tinha a menor chance contra um usuário do nível do Kazuma, ainda mais quando ele nem sequer era um usuário.

É, as coisas estavam realmente difíceis.

Eu pedi para que reunissem os melhores estrategistas disponíveis na casa, se eu não conseguia bolar uma boa estratégia, eu realmente precisava de ajuda.

Eu sei que provavelmente iria acabar me arrependendo, e muito disso, mas eu acabei aceitando que a garota, Mabel, nos ajudasse, pelo menos a encontrar o Erina.

Eu sinceramente não sei porque eu fiz isso, eu nem sei porque faço algumas coisas, como por exemplo: Transar com a ex-namorado do meu amigo, parece que eu gosto mesmo é de ter algo para me arrepender depois.

Acho que até aquele momento, mais de uma hora depois do acontecido, eu ainda não conseguia acreditar que eu tinha realmente feito sexo com a ex-namorada do Marco.

Bom, pelo menos agora, ele estava se pegando com a Star, o que sinceramente, diminuiu um pouco a culpa que eu estava sentindo. Eu estava me sentindo um filho da puta por ter feito sexo com a Jackie uns dez minutos depois deles terminarem, mas ele estava se pegando com a Star uma hora depois de terminar um namoro.

Acho que podemos dizer que isso é até pior, não é?

Bom, de todo modo, aquele dia ainda estava longe de acabar, eu sentia que mais coisas extremamente exaustivas estavam se aproximando, o que era um saco.

Agora, tudo o que eu podia fazer, era torcer para que talvez nós conseguíssemos bolar um plano, qualquer um que seja, e assim finalmente ir até o Kazuma.

Já era hora de toda aquela putaria acabar.


Notas Finais


Link para o grupo de escritores e leitores, entre lá, faça amigos e converse sobre assuntos diversos: https://chat.whatsapp.com/E7Md7aA3QuXCS6Lg63dEHi
Sério man, entra nesse grupo, vale a pena, eu juro.

Comentem aí vey, sério, vocês não tem ideia de como tá sendo trabalhoso manter essa frequência.
Acho que vocês pensam que eu tô brincando quando falo isso.

LEEEEEIAMMM TRUE LOVE PORRA: https://www.spiritfanfiction.com/historia/true-love-18953446
É o mesmo universo po, vale a pena, eu juro.
e lavem as mãos porra

FIQUEM EM CASA DESGRAÇA
tô falando sério

MANO COMENTA AIKKKKKKK DEU TRABALHO DEMAIS AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA


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