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História Stardust Coffee - Capítulo 1


Escrita por: Ruitag

Notas do Autor


Olá, essa vai ser curtinha e vai ter muito café açucarado meloso. Beijo.

Capítulo 1 - Caffè macchiato.


Jotaro estava sentado de forma desleixada no sofá, no colo um livro sobre genética animal repousava intocado, enquanto ele se atentava às notícias ditadas pela repórter na grande televisão da sala. Era terça-feira e já era tarde da noite, tarde o suficiente para se abismar com o horário em que seus avôs chegaram em casa, um horário tão incomum que chegaria ser preocupante.

— Ainda acordado? — Joseph indagou retórico, assistindo o neto balançar a cabeça como quem diz "sim, gênio". O próprio Joestar riu, mesmo seu neto tendo se mudado há três anos, ele ainda parecia o mesmo rapaz fechado e calado, porém, toda a pose e marra eram apenas uma fachada para um bom coração, o velho constantemente repetia isso. 

— Vocês demoraram. — Jotaro disse um pouquinho depois, desligando a televisão, dando atenção total aos dois mais velhos.

— Joseph errou o caminho e acabamos presos em um congestionamento, aconteceu um acidente na primeira via da sétima avenida. — Caesar reclamou, acusatório quanto aos problemas da capital, sentando-se no sofá em seguida. — Não tem sono, Jojo? 

— Não, penso em tomar um banho quente ou fazer alguns exercícios antes de me deitar, talvez isso me dê algum sono, tenho uma prova importante para fazer amanhã. — Kujo respondeu despreocupadamente, embora a prova fosse de fato importante, suas notas o permitiam permanecer relaxado sem qualquer ansiedade ou neurose acadêmica. 

— Você está se tornando um homem muito simples, Jotaro. — O patriarca Joestar disse cruzando os braços frente ao peito largo, tendo no rosto uma expressão ambígua. 

— Obrigado? — O agradecimento soou como uma pergunta, fazendo o Zeppeli rir. 

— Definitivamente não foi um elogio. — Joseph torceu o nariz, virando o rosto para o lado. — Onde está seu primo? 

— Subiu mais cedo com o Gyro. — Jotaro informou sobre Johnny. — Vou para o meu quarto, se precisarem de mim podem chamar. 

E assim Jotaro subiu as escadas, caminhando vagarosamente de volta ao cômodo que passava a maior parte do seu dia. 

Há três anos fora viver com seus avôs maternos, um tio, e Johnny: um primo distante da família que era criado por Joseph desde que se entendia por gente. E a decisão de se mudar para aquela casa por si só era questionável, mas Kujo evitou pensar muito nos contras de tal empreitada familiar, afinal, poderia estudar o curso dos sonhos em uma das melhores universidades dos Estados Unidos, isso agrega bastante valor a um currículo e bastava para ser a maior vantagem de se estar ali, tão longe do Japão. E Jotaro haveria de concordar que viver naquela casa não era de todo ruim. Joseph e Caesar eram espevitados, animados e exagerados, mas haviam sido bons pais e eram bons avós, talvez um pouco preocupados demais, mas ainda assim bons. Josuke era apenas um adolescente ao auge de seus treze anos que vivia mais na casa de seus amigos do que na própria mansão Joestar. E por fim, Johnny parecia viver uma vida de casado com seu namorado, Gyro - um integrante distante da família Zeppeli - e não o incomodava em nada a vida do japonês. Tudo naquela residência parecia correr como um fluxo calmo o suficiente para que Jotaro se acostumasse. Bom, na verdade havia uma única coisa que o incomodava ali: Todos naquela família pareciam gostar de apontar a redundância que era a sua rotina. O moreno seguia sempre fazendo as mesmas coisas, se enfiando em ciclos de repetições monótonos. Sua rotina não era um problema para si, mas parecia ser para todos os outros, até mesmo a Josuke - que só jogava vídeo game o dia todo -. O incomodava, mas não como se de fato o perturbasse. No entanto, agora a frase dita por seu avô girava em sua cabeça. 

Estaria ele se tornando alguém simples? 

E se tivesse, isso seria de fato tão ruim assim?


O dia havia amanhecido como todos os outros e diferente do esperado para uma família unida, nenhum dos membros Joestar tomava o café da manhã em casa. Todos tinham compromissos matinais e saíam bem cedo. Gyro era médico num hospital, Johnny terminava a faculdade de veterinária, Josuke estudava o colegial e os dois mais velhos tinham responsabilidades na empresa da família. Cada um ia para um canto diferente da grande Nova York. 

E os cafés da manhã de Jotaro eram feitos em uma cafeteria chamada Stardust, que ficava perto de sua faculdade, a qual ele visitava cinco vezes por semana e fazia exatamente o mesmo pedido: Café expresso sem açúcar com bolo de leite.

Porém naquela quarta-feira de manhã, Jotaro se encontrava inquieto, como se houvesse alguma coisa errada com sua escolha padrão. 

— Bom dia. — Uma voz o atendeu assim que passou pela porta. Não era Jean - o dono da cafeteria - e muito menos Avdol - o marido de Jean -, era um rapaz ruivo que ostentava um largo sorriso, brincos grandes em formato de cereja e usava o uniforme padrão da cafeteria, cujo a costura na parte de cima do bolso decorativo evidenciava o nome "Kakyoin". 

— Polnareff não está? — Kujo indagou, parecendo um tanto frio demais, não havia sido sua intenção, mas pôde notar quando o sorriso do ruivo diminuiu um pouco. Jotaro tinha que aprender a ser mais sociável. 

— Está sim, no estoque, quer que eu o chame? — O rapaz ruivo se prontificou. 

— Não precisa. — Kujo respondeu, menos ríspido dessa vez. — Bem, eu quero um café. 

— Claro… — O rapaz permaneceu calado, esperando que o moreno especificasse qual café desejava. 

— Bom, eu costumo sempre pedir um expresso sem açúcar, mas hoje eu queria pedir algo diferente. — Disse sem cerimônias. 

— Algo em mente? — O rapaz ruivo olhou para o cliente e depois para o cardápio, como se, de forma muda, o incentivasse a abrir a carta de cafés para que ele pudesse escolher um. 

— Na verdade não. O que você acha que eu deveria pedir? — Jotaro parecia suplicante de certa forma, como se o ato de escolher um novo café fosse mais difícil que a prova que logo mais tarde faria. Então o ruivo sorriu, virando-se de costas para o moreno passando a preparar o seu "pedido". 

— Oh, Jojo! — Jean, que voltava do estoque com alguns produtos, chamou a atenção do japonês. — Veio mais cedo que o normal hoje, tem alguma prova para fazer? 

— Sim, e eu sabia vocês já estariam abertos, por isso vim. — Kujo respondeu brando, não dividia a mesma animação que o colega albino. 

— Vejo que conheceu o Kakyoin, ele é um conterrâneo seu, um barista incrível, vai gostar dos cafés que ele prepara. — Jean disparou elogios ao ruivo que se concentrava em usar a máquina de espuma para vaporizar o leite na xícara dupla. 

— Aqui está, caffè macchiato. — Kakyoin se virou, deixando a xícara dupla sobre a bancada. — Não leva açúcar, imaginei que seria uma diferença muito grande sair do café expresso para algo mais doce, então nada de açúcar. — Sorriu largo. — Mas se posso fazer outra recomendação, as bombas de chocolate estão especialmente saborosas hoje. 

— Vou querer uma então. — Kujo sorriu apequenado, uma expressão tão destoante da habitual que fora suficiente para alarmar o homem que assistia a cena. 

— Você está com febre ou a prova que irá fazer hoje está mexendo com você? É a primeira vez em três anos que eu vejo você pedindo uma coisa que não seja café expresso e bolo de leite. — O francês parecia assustado, mas também maravilhado. — Cher, venha ver o Jotaro, ele bateu a cabeça. — Jean disse alto ao rumo da cozinha e Kujo pôde ouvir a risada do egípcio vindo dali. 

Tomou o primeiro gole do café enquanto sentia olhos expectantes lhe observando. O gosto não era ruim, muito mais leve que um expresso, a espuma do leite era suave e agregava bem a mistura, mesmo assim ainda podia sentir que o café usado no preparo era forte, moído na hora, algo que apreciava bastante. 

— É um seis. — Disse depois de degustar o primeiro gole. 

— Seis é bom, mas ainda vamos achar seu dez! — Kakyoin disse a Jotaro que riu internamente da animação do rapaz ruivo. 

Poderia abandonar sua simplicidade e entrar na busca pelo café perfeito para seu paladar, já que aparentemente alguém havia se empolgado com isso. 



Notas Finais


Bye.


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