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História Start Over - SaiDa - Capítulo 1


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Notas do Autor


Boa Leitura.

Capítulo 1 - 01


Dahyun's pov:

O dia mais belo de abril coincide com o dia da minha festa de despedida.

"Que frase mais estranha."

Mas é o que acontece quando sua família pertence a alta classe social de Seul. Qualquer pequena ocasião é motivo para comemoração. Principalmente quando você está de mudanças para outro país. 

Meu destino é Osaka, Japão. Onde uma grande oportunidade profissional me aguarda.

Bom... não é exatamente isso. Ao menos eles acertaram o pais, ainda que até isso seja questionável. Quero dizer, essa não era minha opção inicial, mas é isso o que acontece quando seus pais conhecem muitas pessoas e eventualmente uma delas pode facilitar as coisas para você.

Conclui meu curso de música na KArts e estarei morando em outro país pelos próximos meses. Mas acredite, isso não é algo realmente grande. Não mesmo. Com certeza não mereço a porcaria de uma festa por isso.

Mas sou uma Kim. Sempre damos festas. Já fico feliz de ter convencido minha mãe a não convidar a alta sociedade inteira.

Entãoaqui estou, com um vestido Gucci novinho, tentando fazer todo mundo acreditar que estou indo para outro país começar uma carreira de sucesso no meio musical.

O mais deprimente é que todo mundo parece realmente disposto a acreditar nessa história.

Pelo menos minha melhor amiga não parece acreditar.

In Nayeon e eu nos conhecemos desde a infância. Nós somos praticamente inseparáveis. Ao longo dos doze anos que frequentamos a escola particular, ela foi a morena gata que fazia dupla com a loira elegante aqui. Assim que ela foi para Universidade de Seul e eu para a KArts, fizemos um pacto de nos vermos pelo menos algumas vezes por mês. Até agora cumprimos o prometido.

Desde que contei para ela essa história de ir para o Japão, dois meses atrás, Nayeon me garantiu que, independentemente de qualquer coisa, será sempre minha melhor amiga.

Mas, lá no fundo, nós duas sabemos que as coisas vão acabar mudando. E mesmo quando a gente se encontrar, o assunto já não será o mesmo. Nayeon vai estar trabalhando para a empresa da família e eu vou estar envolvida no mundo musical.

- Vou voltar no próximo feriado - respondo, diante do medo de Nayeon sobre o destino das nossas festas. - Podemos marcar alguma coisa aqui.

Ela contrai os lábios brilhantes em reprovação e toma um gole de champanhe.

- Isso vai levar muito tempo - ela diz, dando uma rápida inspecionada no meu rosto. 

- Acho que você pode curtir com as garotas - sugiro, enquanto tomo um gole de champanhe maior que o de Nayeon.

Poder beber nas inúmeras reuniões sociais dos meus pais deve ser a única coisa boa de ficar mais velha. Acho que esse é um dos motivos pelo qual, por lei, só é permitido beber depois dos vinte e um.

Sinto um perfume adocicado um segundo antes de alguém abraçar minha cintura.

- Você nunca vai adivinhar quem teve a ousadia de aparecer - minha amiga Tzuyu murmura no meu ouvido. - E com ela.

Tzuyu e Nayeon arregalam os olhos de forma apreensiva. É o que todo mundo faz quando Jeon Somi e eu estamos no mesmo recinto.

Não preciso me virar para saber que o motivo da preocupação delas provavelmente é uma garota vestida de forma quase angelical. A nova namorada de Somi.

Sabendo que elas vão continuar com isso, até que eu me vire e encare as recém-chegadas, dou uma espiada por cima do ombro e vejo Somi e Jihyo conversando com uma amiga da familia.

Sinto um leve aperto no coração ao vê-la. De calça preta, camisa cinza impecável, Somi está tão elegante e linda como nunca.

Seu cabelo castanho-escuro combina mais com as passarelas do que com o mundo dos negócios, mas ela tem a inteligência suficiente para não se meter em meio aos lobos de Seul.

Então olho para ela.

Jihyo está, como sempre, impecável. A maquiagem de tons claros complementa perfeitamente seus olhos castanhos, e o vestido tomara que caia branco seria bastante sem graça se não fosse pelo cinto que envolvia sua cintura fina.

Ela complementou o look com sapatilhas, o que, embora esteja fora dos nossos padrões, mostra que ela é uma garota que está confortável sendo ela mesma.

"É claro que ela está confortável. Está namorando a garota com quem você achou que ia casar."

Afasto logo esse pensamento desagradável. Demorei meses para aceitar meu término com Somi. E fui eu quem insistiu para que ela e a namorada fossem convidadas para a festa.

- Você está bem? - Nayeon pergunta, baixinho.

Desvio o olhar de Somi e Jihyo.

- Claro. Só preciso de um minuto. - Entrego minha taça de champanhe para ela.

Mas fugir não é uma tarefa simples. Sou parada várias vezes por pessoas me dizendo que sempre souberam que eu tinha talento e que uma grande oportunidade estava reservada para mim.

Finalmente consigo me servir de um copo de chá gelado de framboesa para rebater a dor de cabeça iminente e me dirijo aos fundos para me isolar no jardim, onde quero ficar por um tempinho.

Só que, antes que eu pudesse escapar, minha mãe me segura pelo braço.

- Aonde você está indo?

Aponto para o salão lotado de pessoas.

- Só vou tomar um ar.

Ela estreita os olhos, mas solta meu braço.

- Todo mundo está orgulhoso de você - minha mãe diz, parecendo ao mesmo tempo aliviada e encantada. - Lee Sunmi disse que não ficaria surpresa se você estrelasse na Broadway.

Por dentro, estou irritada diante de tanta bobagem, mas os anos de treinamento em etiqueta social me fazem apenas levantar as sobrancelhas.

- Espero que tenha dito a ela como isso é absurdo.

Minha mãe sorri.

- Não é absurdo. O que você está fazendo pode ser o passo inicial para o sucesso não só no Japão, mas em toda a Ásia.

- Nem me fale. Graças à interferência dos meus pais, vou ficar a apenas duas horas de avião daqui.

Minha mãe nem se dá ao trabalho de parecer culpada.

- Dahyun, porque tentar a sorte nos Estados Unidos, quando você têm a oportunidade de trabalhar com Minatozaki Mei? Ela é uma das maiores compositoras do Japão. E estamos muito orgulhosos de você.

Eu a encaro.

- Sei. Foi por isso que quando contei que ia fazer faculdade de música, vocês não falaram comigo por uma semana?

- Ficamos chocados - minha mãe comenta, sem se abalar. - Seu pai e eu sempre imaginamos que iria assumir a empresa da família.

É em momentos como esse que eu gostaria que a família dos meus pais tivesse herdado muito dinheiro por várias gerações. Assim, hoje teríamos uma empresa que se auto-sustenta.

Mas não foi isso o que aconteceu.

Meu avô mudou seu destino de homem de classe média ao criar uma agência imobiliária altamente respeitada. Meu pai manteve o sucesso do negócio montado pelo meu avô, e todo mundo espera que a empresa continue na família.

Só que sou filha única.

- Talvez algum dia eu assuma, mãe. Só preciso me afastar disso tudo, sabe?

Minha mãe balança a cabeça para me interromper.

- Eu sei. Acredite em mim, por mais que participe desse mundinho da alta sociedade de Seul, quero que você saiba que tem um mundo lá fora, Dahyun. Mas tem certeza de que não quer ficar um pouco mais perto de casa? Tem um lugar no...

- Já me comprometi, mãe - digo, com delicadeza. - A sra. Minatozaki já me mandou o cronograma, e estão esperando que eu chegue na próxima sexta.

Ela suspira.

- Tudo bem. A propósito, me pergunto como anda a filha dela. Depois do que aconteceu, não deve estar sendo fácil.

- Essa questão não é do nosso interesse. É um assunto pessoal dos Minatozaki. - Digo isso com a maior paciência. É uma indicação clara de como o mundo da minha mãe é pequeno, apesar de suas boas intenções. Ela não conhece ninguém que integrou a Agência Nacional de Polícia do Japão, muito menos alguém que tenha sido ferido em uma missão.

Não que eu conheça alguém assim, claro. Gangnam não está exatamente cheia de membros da polícia de elite.

- Bom - minha mãe suspira, tirando meus cabelos compridos dos ombros com carinho - Talvez sua presença até seja boa para ela. Mas o mais importante é que a mãe dela está lhe dando uma grande oportunidade.

Abro um sorriso cansado. Estou ouvindo isso a noite toda, o que me deixa um tanto irritada. Não só porque é condescendente com a coitada da garota com quem eventualmente vou me encontrar, mas porque também me transforma numa pessoa incapaz de criar suas próprias oportunidades.

- Bom, volte logo - ela diz. - Os Jung disseram que ainda não tiveram chance de falar com você.

Provavelmente porque eu os evitei. Jung Eunbi é o tipo de fofoqueira antipática que tenho evitado a todo custo nos últimos meses, e seu irmão Jung Hoseok só fica olhando para os meus peitos.

- Pode deixar - garanto, antes de sair para os jardins. Só quero cinco minutos pra mim - preciso disso. É uma chance de ficar longe dessa puxação de saco descabida e da pressão esmagadora que sinto no meu peito sempre que olho para Somi.

Mas os jardins não são o santuário calmo que achei que seria. Longe disso.

Parte de mim não se surpreende ao vê-la aqui.

- Momo - digo, mantendo a calma em tom educado. Sempre sou educada.

- Dah.

Hirai Momo é uma dessas garotas agradáveis e charmosas que atraem pessoas como um ímã. Ela sempre foi uma das minhas melhores amigas.

Os Kim, os Hirai e os Jeon fazem parte de um grupo exclusivo da pirâmide social da Ásia há mais de vinte anos.

A amizade dos nossos pais garantiu que Somi, Momo e eu fôssemos para a mesma escola, mas, quando chegou na época da faculdade, já estávamos tão próximas que a inscrição conjunta na KArts foi nossa escolha. Daquele modo, poderíamos continuar próximas umas das outras e ficar perto de casa.

Mas agora...

Agora só a ideia de nós três estarmos na mesma casa é quase insuportável.

- O que está fazendo aqui?

- O que acha? Vim perguntar o que você está fazendo.

Recorro à vaidade e finjo arrumar o cabelo para não precisar encará-la.

- Vou passar alguns meses fora, trabalhando com uma renomada compositora.

Ela se aproxima de mim, com seus olhos escuros demonstrando interesse, como se tivesse o direito de estar preocupada comigo.

- Você vai fugir - Momo diz, baixinho.

Viro para ela, cruzando os braços e desistindo da estratégia da vaidade.

- Entenda como quiser.

- Não - ela diz, com a voz mais dura. - Será que podemos conversar sobre o que aconteceu? 

- Nada aconteceu.

Seu rosto mostra como foi dolorido ouvir esse comentário. A parte de mim que costumava ser amiga dela quer abraçá-la para que a dor passe. Mas não somos mais amigas. E nosso último abraço... Não posso pensar nisso.

- Você precisa ir - digo.

- Então, é assim que vai ser? Eu vou ser deixada para trás?

- Só preciso de espaço - falo entre os dentes cerrados.

Momo chega ainda mais perto, inclinando-se e deixando o rosto a centímetros do meu.

- Você não pensou assim da última vez.

Sei exatamente do que ela está falando e a empurro para longe. A proximidade dela traz de volta as memórias que me levaram a aceitar a proposta de ir para outro país.

O empurrão só é forte o bastante para assustá-la. Seus olhos se voltam para mim, ao mesmo tempo que a expressão do seu rosto endurece.

Momo se afasta com um ar de repulsa.

- Sei do que realmente se trata essa ideia de ir para o Japão, Dahyun. Você não vai conseguir o que está procurando.

Sinto um vazio no peito.

- Você não sabe de nada - revido.

- Sei que quer uma segunda chance - ela diz, virando-se para mim. - Mas não vai encontrar isso em Osaka. Me procura quando desistir dessa ideia.

Nós nos encaramos por alguns segundos, e por um momento acho que o que sinto pode ser atração, mas lá no fundo sei que é apenas arrependimento.

Nunca vou poder dar a Momo o que ela quer.

Mas, independentemente de sermos ou não certas uma para a outra, Momo me conhece. Sabe que a razão pela qual estou saindo de Seul não está relacionda apenas a uma grande oportunidade profissional, mas também ao fato de eu me sentir deplorável.

Para mim, tocar não é um trabalho, é uma forma de colocar para fora o que sinto.


Notas Finais


Alguns de vocês vão me conhecer pelo meu antigo perfil @firefox230.
Enfim, estou trazendo essa nova fic.
Para quem for acompanhar, em breve atualizo.
Bjs e até.


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