1. Spirit Fanfics >
  2. Stay With Me >
  3. You're not a Monstes

História Stay With Me - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Demorou um pouquinho gente, mas é porque travei no que deveria ser o ultimo capítulo (deveria, pois não será mais, me empolguei tanto que se fosse continuar a escrever nesse capítulo vocês teriam algo gigantesco e não é o que estou planejando pra essa fanfic) e hoje finalmente consegui terminar o capítulo, então agora serão 6 e eu espero que termine ai porque não quero fazer uma história muito grande uahuhaehuaeuhe (principalmente porque terá uma continuação, mas shhh, vocês não leram isso!)

Muito obrigada por todos os favoritos, comentários e visualizações! Sério, eu estou realmente surpresa com o entusiasmo de vocês, me deixa realmente feliz ver que estão gostando de verdade do que estou tentando fazer aqui, e isso só me incentiva a continuar! Mais uma vez, obrigada!

Agora boa leitura <3

Capítulo 3 - You're not a Monstes


Fanfic / Fanfiction Stay With Me - Capítulo 3 - You're not a Monstes

 

Geralt não estava com medo, não, ele foi criado especificamente para não sentir as emoções mais fortes que poderiam atrapalha-lo durante uma batalha, como o medo. Então não, ele não estava com medo, mas então… então assustado seja uma palavra melhor? Preocupado talvez? Ele não sabia ao certo, mas havia algo deixando-o ansioso, e este 'algo' estava sentado em Roach naquele momento, bem na sua frente, as costas encostadas em seu peito com tanta força que Geralt poderia pensar estar tentando se fundir a ele.

Jaskier tremia quase violentamente contra ele, mesmo com a capa grossa de Geralt o cobrindo, um casaco de pele de raposa por baixo, calças e luvas de couro - de Geralt, porque o ômega se recusava a usar regularmente qualquer outro tecido que não fosse seda ou cetim - um pouco grandes para seu corpo magro, mas que ainda podiam bloquear o pior do frio do atual inverno.

O problema, é que não era só o frio. O período de seis meses havia se passado, quase rápido demais, e Geralt já podia sentir o cheiro de Jaskier mudar, o cio mostrando sua cabeça feia para os dois, causando dor no ômega e desconforto no alfa, porque Geralt nunca iria fazer nada que Jaskier não quisesse que ele faça, mas seu lobo ainda queria desesperadamente reinvidicar o ômega para si.

O bruxo podia ouvir seus suspiros doloridos, como ele tentava tocar Geralt de alguma forma, mas eram muitas camadas, a aproximação era quase impossível, Jaskier precisava de toque para se acalmar, e por mais que Geralt quisesse parar ali em um canto da estrada, montar acampamento e puxar o ômega nos braços, ele não podia, não com o risco de uma tempestade de neve logo a frente, não quando havia uma cidade a poucas horas de onde estavam, não quando Jaskier poderia aproveitar uma cama macia com vários cobertores e peles, travesseiros e roupas para montar um ninho decente, não, ele devia isso a Jaskier depois do que aconteceu da última vez.

—Geralt… Geralt dói… - Sua voz se quebrou no final e o bruxo ouviu um soluço dolorido que fez algo dentro dele se quebrar, inconscientemente incitando Roach a ir mais rápido.

Ele podia sentir o cheiro e podia sentir suas calças começarem a umedecer porque Jaskier estava vazando sua mancha por toda a sela e ele e Geralt sabia o quanto o ômega odiava isso mas o alfa não conseguia deixar de se sentir estranhamente possessivo, soltando uma mão da rédea e enrolando ao redor da cintura do bardo, esperando que isso pudesse ajudar um pouco com a dor, e a aliviar sua própria tensão.

Havia outra coisa deixando Geralt angustiado, e isso era o fato de ser o terceiro cio de Jaskier, o mais forte de todos até agora, aquele que indicava seu amadurecimento e enfim a fertilidade segura, e o bruxo estava começando a se preocupar que só abraços não seriam mais suficientes para acalmar o ômega, o problema era que Jaskier estava em um estado onde não podia mais consentir conscientemente, Jaskier diria qualquer coisa, imploraria para qualquer um para fazer a dor passar, e Geralt temia profundamente não conseguir resistir a isso.

O bardo estava com o rosto escondido na curva do pescoço, e Geralt podia sentir as lágrimas quentes molhando a blusa, ouvir os soluços doloridos próximos ao ouvido, sentir a quentura da pele de Jaskier na sua, um toque simples, muito superficial para causar qualquer alívio no ômega.

—Estamos chegando Jas, aguente só mais um pouco… - Geralt pediu se virando e plantando um beijo na têmpora do bardo, ouvindo-o choramingar e procurar por mais contato, voltando a soluçar quando não podia encontrar nenhum. Geralt se sentia quebrar mais a cada fungada.

Eles não estavam chegando, Geralt sabia disso, mas ele não tinha coragem de dizer a verdade quando o bardo já estava com tanta dor, saber que eles demorariam mais para alivia-lo apenas o deixaria mais angustiado e o bruxo iria evitar isso o máximo possível. Outro problema, que veio logo depois, é que a neve voltou a cair, suavemente de início, mas os ventos estavam ficando mais fortes e Geralt xingou alto, porque a tempestade estava ali e eles ainda estavam a pelo menos três horas longe de qualquer civilização na atual velocidade que Roach corria, Jaskier estava ficando cada vez mais silencioso e mole contra ele, e o bruxo não sabia dizer se ele tinha apenas ficado exausto o suficiente para adormecer, ou se era o frio entorpecendo seus sentidos.

—Foda-se, foda-se, foda-se… - Geralt sussurrou olhando ao redor, ele estava cercado por árvores e montanhas, ele precisava procurar abrigo, por mais que tivesse prometido não deixar Jaskier passar outro cio ao ar livre, eles não teriam escolha agora. Eles andaram por mais alguns minutos, o frio sendo incômodo para ele agora, e então ele viu, ao pé de uma montanha, uma caverna que parecia ser boa o suficiente para eles ao menos esperarem a tempestade passar.

Geralt ajustou Jaskier na sela e desceu, Roach não seria capaz passar pela neve fofa com ambos em cima dela, então Geralt deixou o bardo semiconsciente para ocupar seu lugar enquanto guiava a égua para o lugar que eles passariam aquela noite.

Antes de entrar Geralt esticou seus sentidos, seria perigoso se tivesse algum monstro ou mesmo um animal selvagem ali dentro, Jaskier estaria completamente vulnerável, desprotegido, e mesmo que Geralt soubesse com certeza que iria proteger o bardo até seu último suspiro, ele não queria arriscar isso. Mas ele não podia ouvir nada que vinha de lá, nem sentir qualquer cheiro diferente, era uma caverna comum, não muito grande, nem tão pequena também, cabia Roach, ele e Jaskier confortavelmente e ainda daria para acender uma fogueira se ele conseguisse encontrar alguns galho depois de deixar o ômega absorver um pouco de seu calor.

Geralt entrou, Roach a reboque, e apesar de não estar mais quente ali do que estava do lado de fora, ao menos o vento frio não iria entrar e sacudir seus ossos, ou congela-los. Ele colocou Roach no fundo da caverna, então desmontou os alforjes rapidamente, esticando os colchonetes e enchendo com todas as peles que ele pudesse encontrar, roupas e cobertores, Jaskier podia montar seu ninho quando estivesse se sentindo melhor.

Ele então puxou o ômega da sela e sentiu o ar ficar presa na garganta, Jaskier estava frio, perigosamente gelado, bochechas frias e lábios azulados, seus cílios tinham pequenas geadas neles, e se Geralt não pudesse ouvir o som fraco do coração do bardo agora, ele estaria se perguntando se não era tarde demais.

Xingando Geralt o deitou sob as peles, tirando o excesso das camadas de roupa e o enrolando nas peles enquanto ele mesmo tirava a armadura e a blusa, chutava as botas para longe e arrancava as calças, se deitando ao lado do bardo e cobrindo-se junto a ele antes de puxa-lo contra seu peito, esfregando as costas avidamente e esperando que o atrito ajudasse a criar calor mais rapidamente.

Demorou, demorou mais do que Geralt achava saudável, mas logo Jaskier estava respirando melhor em seu pescoço, os dedos flexionando suavemente contra o peito, as pernas finas se movendo para se encaixar entre as suas, procurando a maior quantidade de contato possível.

Geralt olhou e olhou por um bom tempo, a mão nas costas nunca parando, sentindo o calor retornar lentamente para o ômega e suspirando aliviado.

—G’r'lt? - Ele chamou, enfim uma tentativa totalmente falha de dizer seu nome, suave, tão suave, fraco e cansado, mas tão assustado que fez o resto do coração de Geralt terminar de se despedaçar.

—Você está bem, vai ficar tudo bem. - Ele sussurrou, mais uma promessa para si mesmo do que uma garantia para o ômega. Jaskier piscou, sobrancelhas franzindo com mais força enquanto levava as mãos até o rosto do alfa.

—Eu sei que estou bem, você está cuidando de mim, mas você está? - Perguntou baixinho, a ponta dos dedos ainda estavam frias, mas nada comparado a antes, ainda fez Geralt se arrepiar e estremecer, fechando os olhos e puxando o bardo para mais próximo de seu corpo.

—Estou bem, você é o único que estava quase congelando até a morte, Jaskier.

—Mas você está tremendo… - Ele sussurrou, descendo os dedos finos para o pescoço do bruxo, segurando ali suavemente e esfregando, tentando transmitir algum calor.

O problema era que Geralt não estava com frio, ele nem sabia se podia sentir mais do que um incômodo com o clima invernal, mas ele estava tremendo, forte o suficiente para Jaskier conseguir senti-lo. Mas por que?

—Geralt?

—Eu… - Ele não sabia explicar o que estava sentindo no momento, não era nada relacionado ao clima, a sensação vinha quando ele via Jaskier agora, e se lembrava como o bardo estava pouco mais de meia hora atrás, inconsciente e congelando, seu coração se acelerando ao ver os lábios azuis e o rosto pálido, quebrando-se ao sentir a pele gelada colada a sua, uma sensação de- de… —Me desculpe.

—O que? - Jaskier perguntou, muito mais desperto agora e Geralt se encolheu um pouco. —Geralt o que está havendo?

—Eu- eu deixei você em perigo, coloquei você em perigo, você quase- eu achei que você não conseguiria e isso…

—Oh… - Jaskier entendeu, calando o bruxo silenciosamente antes que ele ficasse mais nervoso e confuso com as palavras, envolvendo os ombros de Geralt em um abraço e escondendo o rosto em sua garganta. —Você não tem pelo que se desculpar, eu decidi segui-lo, lembra?

—E olha onde isso te levou! - Ele elevou a voz, nervoso, entendendo agora o sentimento que não lhe permitia ter controle total de seu corpo, era medo. O que era ridículo, bruxos não deveriam sentir tal sentimento.

Jaskier se encolher um pouco no volume de sua voz e Geralt imediatamente se arrependeu, cheirando o bardo e esfregando o nariz na curva do pescoço, onde havia suas glândulas de odor, sabendo como o ômega adorava isso, procurando algum sentimento negativo, algum medo, mas Jaskier nunca cheirou a medo, não perto dele, não por causa dele.

—Ow, Geralt, eu sei que você está um pouco… assustado, mas abaixe a voz, sim? Minha cabeça parece que vai explodir. - Ele gemeu, deixando-se cair desossado contra o alfa, Geralt movendo-se para segurar a base da cabeça e empurrar de volta para o pescoço. Então ele percebeu o que ele disse.

—Eu não estou… assustado.

—Não há nada de errado em sentir medo, Geralt. - Jaskier falou suavemente, levantando uma mão só para descansar na mandíbula do bruxo. O polegar acariciando ali delicadamente.

—Há tudo de errado, se em uma luta eu tiver medo de algum monstro, então não poderei revidar rápido o suficiente.

Jaskier cantarolou, pensando, os olhos começando a pesar novamente.

—Certo, mas não estamos em uma luta, não há nenhum monstro aqui, e você ainda está com medo. - Jaskier protestou e Geralt se afastou um pouco, pronto para revidar, mas antes que ele pudesse abrir a boca o bardo continuou. —Mas você não está com medo por você, pelo que poderia acontecer a você, Geralt.

—Do que você está falando agora, bardo?

—Você estava com medo pelo que poderia ter acontecido comigo.

E oh…

Oh

Isso fazia muito mais sentido.

—Eu…

—Fico feliz… - Jaskier sussurrou, perdendo as poucas forças que havia conseguido reunir. Geralt franziu as sobrancelhas.

—O que?

—Isso quer dizer que você gosta de mim…

E foi a última coisa que o bardo maldito disse antes de pegar no sono, deixando o alfa estupefato para trás, pensando no quão bobo e tolo o ômega poderia ser em pensar que Geralt não gostava dele. Jaskier não sabia ser o único, além dos outros bruxos de Kaer Morhen, que podia vê-lo tão vulnerável?

Geralt suspirou, deixando seus olhos se fecharem também, sentindo o calor do corpo do ômega contra o dele, sua respiração no pescoço, e o coração batendo contra o peito, era reconfortante, e foi o suficiente para embala-lo direto ao sono junto ao bardo.

 

Geralt acordou horas depois com o bardo se remexendo contra ele, parando abruptamente ao vê-lo começar a acordar, a ação fazendo algo estranho com Geralt, um tipo de afundamento no estômago que não acontecia com muita frequência.

—Geralt? - Sussurro, inseguro, quase parecendo como se não quisesse que Geralt respondesse. Mas o bruxo era curioso, e abriu os olhos.

Ao que parecia, já era de manhã. Não havia sol, mas a claridade da manhã era inconfundível penetrando as grossas nuvens. Geralt rondou o local em alerta, vendo Roach ainda no fundo da caverna, o mais longe possível da entrada, parecendo muito irritada e infeliz, e Jaskier ainda estava ao seu lado, o corpo agora extremamente quente colado ao dele quase deixando-o desconfortável.

—Jask...?

—Eu… oh merda… - Ele sussurrou, tentando se empurrar para longe de Geralt, mas se ele fosse mais longe, cairia fora do ninho improvisado de Geralt, e o alfa não pretendia deixá-lo perto do frio congelante de novo tão cedo.

Geralt o puxou contra si, talvez com muita força, porque o ômega parecia perder o ar quando teve o peito colado ao dele, Geralt estava prestes a se desculpar quando teve duas realizações. Três, na verdade.

Jaskier ainda estava nu, ele estava duro - seu pênis roçando a barriga muito nua do alfa - e se aquele cheiro extremamente doce no ar queria dizer algo, era que ele estava vazando, sua mancha molhando todo a pele até o colchonete. Geralt instintivamente o apertou mais, mas parou quando sentiu o bardo estremecer.

—Jask-

—Me desculpe, por favor, isso- isso é o cio- eu nunca…

Jaskier fedia a vergonha, a humilhação, e isso deixou Geralt estranhamente triste, ele não queria que o ômega se sentisse mal em sua presença por coisas que seu corpo era obrigado a fazer naquela situação.

—Shh… calma agora, eu não estou… Não estou irritado, isso é normal. - Geralt tentou tranquiliza-lo, passando a mão suavemente pelas costas em círculos fechados. Jaskier soluçou baixinho, segurando os ombros do alfa. —Esse é o seu terceiro cio, certo?

—Você sabe que sim… - Ele resmungou, ofegante, seu quadril se moveu, apenas suavemente, o movimento fazendo a ponta de sua glande se arrastar contra os músculos da barriga de Geralt. Jaskier gemeu, não totalmente de prazer.

—Isso quer dizer que você está pronto para ser criado. - Geralt falou simplesmente, como se fosse algo completamente normal, e Jaskier ofegou, quase insultado, mas sentindo-se cada vez mais quente por dentro.

—O que agora?

—Um ômega no terceiro cio está completamente pronto para-

—Se você disser mais uma vez que eu ja posso ser criado como… - Ele soltou, ofegante, ignorando como as palavras lhe causavam arrepios gostosos pelo corpo. —Como uma cadela, eu vou- vou- eu vou chorar, Geralt, é isso que você quer?

Jaskier sentiu uma satisfação estranha quando viu o alfa, o grande e forte alfa, arregalar os olhos e fechar a boca com tanta força que ele pôde ouvir os dentes batendo, negando rapidamente.

—Bom. Agora… agora me explique por quê eu me sinto como…

—Como se se você não se tocar agora, que talvez exploda? - Geralt sugeriu e Jaskier assentiu fervorosamente, fechando os olhos e movendo-se novamente contra Geralt. —Seu corpo atingiu a maturidade sexual. Agora você está no cio, e você quer foder desesperadamente.

—Não… - Ele gemeu, apertando mais os ombros do alfa, porque era humilhante, e porque não era foder que ele queria, ele queria ser fodido, tanto que doía. —Geralt eu- eu não quero fazer isso- não quero forçar você a fazer isso por mim, mas…

—Está tudo bem Jask, isso vai fazer você se sentir melhor, eu não me importo. - Jaskier estremeceu novamente, forçando-se a parar, e Geralt franziu as sobrancelhas, pensando se havia dito algo errado.

Não, Geralt, eu não quero isso só por mim. Eu- você quer isso? Eu não- eu sinto como se estivesse abusando de você e é- é horrivel, por favor não faça isso…

—Jask… - Geralt soltou, um sussuro tão baixo que ele não sabia se o humano poderia ouvi-lo.

—Por favor Geralt, apenas me diga se você quer isso. - Jaskier perguntou, estremecendo, todo seu corpo querendo se colar ao de Geralt, querendo estar o mais perto possível do alfa, mas hesitando porque Geralt estava hesitando.

E Geralt queria, por todos os deuses do mundo ele queria, tanto que dói, ele não sentia vontade de nada além de beijar o ômega bonito colado a ele, de tocar sua pele quente, explorar seus pontos sensíveis o mais gentilmente possível, mas…

—Eu não… eu não posso. - Ele sussurrou e Jaskier suspirou, não decepcionado ou triste ou com raiva, era um suspiro de puro e mais simples alívio.

Obrigado… - Sussurrou, franzindo as sobrancelhas por um momento e então empurrando Geralt para longe. —Você pode… hmm…

—Sim?

—Privacidade, você sabe, para fazer minha coisa. - Ele pediu baixinho, bochechas coradas, evitando ativamente olhar para Geralt. O bruxo assentiu, se afastando, colocando a roupa que havia tirado na noite anterior e indo até Roach e a inspecionando, sabendo que o ômega não iria querer que ele fosse muito longe.

Não demorou muito para ele ouvir, suspiro baixos, respiração ofegante, o som molhado dos dedos de Jaskier trabalhando dentro e fora de si mesmo. Geralt sentiu o corpo se arrepiar sob o som, sob a implicação daquilo, sua curiosidade o vencendo quando decidiu espiar furtivamente ômega.

Jaskier estava olhando para ele. Jaskier estava olhando diretamente para ele enquanto se tocava, e mesmo com olhos apenas entreabertos Geralt conseguia ver as pupilas extremamente dilatadas, de forma que suas íris mal eram vista.

As bochechas estavam em um tom muito agradável de vermelho, seus lábios entreabertos e inchados soltavam sons carentes que fazia todo corpo se ascender, sentindo-se quente, pegando fogo.

Fogo…

—Eu- - Ele falou, talvez um pouco alto demais, talvez um pouco estridente e nervoso demais, mas funcionou, chamou a atenção do ômega que não soltou mais qualquer som além de uma respiração instável que ficou presa na garganta. —Eu vou- vou pegar um pouco de madeira para- hm… fogo. Isso.

Geralt agarrou a rédea de Roach e saiu, olhando para longe do ômega necessitado no colchão.

—Geralt… - Ômega chamou, seu tom fazendo o bruxo travar, parecia assustado, triste, e Geralt olhou imediatamente para ele. —Eu- se isso te incomoda eu não-

—Não me incomoda. - Ele foi rápido em esclarecer, porque não incomodava, não mesmo, pelo contrário. —Mas… eu tenho controle o suficiente sob mim para não fazer nada com você que você não queira, mas eu ainda sou um alfa e eu não quero te tocar.

—Oh… - Seu tom era… triste, magoado, e Geralt franziu as sobrancelhas, vendo o ômega desviar o olhar, seu rosto parecendo muito mais vermelho que antes e os olhos transbordavam lágrimas. O bruxo não queria nada além de ir até ele e limpá-las.

—Eu não vou longe, eu juro, preciso pegar um pouco de madeira para fazer uma fogueira, você precisa se esquentar, e nós precisamos comer. - Explicou, desviando o olhar quando Jaskier assentiu, Geralt segurou as rédeas de Roach com mais força e saiu da caverna.

 

Quando ele voltou, Jaskier já estava vestido, muito mais lúcido agora, ajeitando distraidamente o ninho. O ômega olhou para ele por um momento, então suas bochechas escureceram novamente e ele desviou o olhar, levando seu tempo para afofar algumas roupas de Geralt do seu lado.

Eles ficaram em silêncio, mas não o silêncio confortável comum, era algo que o deixava tenso, desconfortável, ele queria desesperadamente ter Jaskier falando a mil em seu ouvido sobre as coisas mais aleatórias, ele queria o normal, mas eles quase atravessaram uma pequena linha hoje, uma linha muito fina no qual Geralt estava se esforçando muito para manter lá.

Quando o fogo estava queimando, próximo do ninho para manter Jaskier aquecido, e Geralt colocou a carne de lebre do dia anterior na panela para um caldo, ele se sentou do outro lado de Jaskier e o ouviu bufar.

—Oh por favor, venha cá, Geralt. - Ele falou enfim, olhando para o alfa como se o desafiasse a negar, e muito lentamente ele se levantou e foi até o ninho. —Não seja tímido, entre aqui.

—Mas… - Ele começou, Jaskier levantou uma sobrancelha para ele e Geralt suspirou, tirando suas botas para se sentar do lado de Jaskier, o ômega se aproximando dele para deitar as costas em seu peito e a cabeça no ombro, suspirando aliviado.

Sim, claro, Jaskier precisava de toque. Geralt colocou os braços ao redor do ômega e o ouviu ronronar, baixinho e se aconchegar mais a ele. Geralt soltou um suspiro que nem sabia estar segurando, leve e relaxado.

—Me desculpe. - Jaskier finalmente disse um bom momento depois. Geralt não entendeu. —E obrigado.

—Eu não fiz nada para você agradecer. E você não fez nada que precise se desculpar. - Geralt falou, afastando-se para se encostar na parede da caverna, Jaskier escorregou até que a cabeça se encaixasse embaixo do queixo. Eles ficaram em silêncio por mais um momento e mais uma vez Jaskier acabou com ele.

—Estamos dançando ao redor dessa situação a mais de um ano agora, Geralt, estamos viajando juntos a dois anos, não finja que você não sabe como… como eu me sinto sobre você. - Ele sussurrou a última parte, segurando o braço de Geralt ao seu redor com força, com medo que o alfa o soltasse e fugisse.

—Eu… sim, sim eu- eu tenho uma noção. - Ele falou apertando mais os braços ao redor do bardo, Jaskier se deliciando com isso e soltando um suspiro satisfeito.

—Então por que nunca falou nada? Você… talvez você não goste de homens?

Ele perguntou incerto e Geralt bufou.

—Eu não poderia me preocupar menos com gênero. - E talvez tenha sido a coisa errada a se dizer, pois o fedor de tristeza que vinha do ômega apenas se aprofundou, tanto que fazia cócegas no nariz. —O que?

—Então… então sou eu? Você não gosta de mim?

—Não! Quero dizer sim, eu gosto de você Jask. - Ele se atrapalhou, sentindo o bardo se afastar dele para poder olha-lo, os olhos cheios novamente, encarando-o magoado.

—Então por que? É a minha aparência? Minha personalidade? É porque eu falo muito? Talvez eu seja muito irritante? É porque eu sou- porque sou um ômega?

—Jaskier! - Ele interrompeu antes que o ômega pudesse dizer algo mais, cada palavra lançando uma nova flecha em seu coração, ele se sentia fraco, isso não estava certo. Jaskier se encolheu um pouco com o volume de sua voz, se abraçando e abaixando a cabeça, as lágrimas finalmente começando a cair.

Geralt se apressou em puxa-lo de volta, empurrando seu rosto para a curva do pescoço e o segurando lá, a outra mão apertando a cintura fina para que ele não pudesse se afastar novamente.

—Por que…? - Ele sussurrou entre fungadas, apertando a camisa de Geralt como se fosse a única coisa ainda mantendo-o inteiro.

—Você é lindo, de longe o homem mais lindo que eu já vi, e você é incrível, não há nada de errado com a sua personalidade, e você fala muito… mas não é como se isso fosse ruim ou… ou se eu não gostasse disso. - Falava fazendo carinho nos cabelos escuros, oleosos pelo suor, sabendo como isso normalmente acalmava Jaskier, sentindo o ômega relaxar contra ele rapidamente. Geralt respirou fundo —Você não é irritante, e não me importo de você ser um ômega.

—Então…

—Mas você é humano, Jask…

—O que? - Pediu se afastando do alfa, olhando para ele sem entender.

—Você é tão humano, tão frágil, eu sou-

—Você também-

—Eu sou um monstro, Jaskier. - Ele falou com pesar, sentindo o ômega estremecer contra ele, o cheiro de raiva subindo tão azedo que fez o alfa se afastar.

—Você não é um monstro, Geralt! - Ele falou com tanta convicção, tão feroz, que Geralt quase acreditou nele. — Você é mais humano que muitos conhecidos por mim, você se importa, você se preocupa, você sente.

—Eu não deveria…

—Besteira. - Ele bufou, se jogando no peito do alfa abraçando-o com força. —Você é um alfa gentil, e não importa o que as outras pessoas digam, Geralt, eu sempre vou ver você como o homem incrível que você é.

—Jask…

—Agora tire a cabeça da sua bunda e me beije, se você quiser isso, porque você pode, você definitivamente-

Geralt nem esperou que ele terminasse de falar antes de segurar seu rosto e beijá-lo com força, seus lábios se batendo em um beijo desesperado, Jaskier não se assustando ou se surpreendendo, subindo as próprias mãos para segurar o pescoço de Geralt, sua nuca, os cabelos brancos, não conseguindo descobrir onde seria melhor deixá-las enquanto Geralt brigava com sua língua, explorando sua boca e arrancando gemidos abafados dele, Jaskier estremecendo enquanto sentia a mancha escorrer pelas pernas e encharcar as calças de couro do alfa.

—Ger'lt… - Ele tentou, mas o bruxo não parecia muito disposto a deixá-lo ir, ele bufou, e então gemeu quando a mão do alfa em sua cintura começou a descer para o quadril. —Geralt!

Geralt se afastou imediatamente, assustado, e Jaskier suavizou, sorrindo.

—O que…

—Viu? Você não tem com o que se preocupar, eu sei que você nunca faria comigo algo que eu não quisesse. Você não é um monstro, eu sei que posso confiar em você. - Ele acariciou suavemente a bochecha do bruxo, sentindo-o se inclinar em seu toque e fechar os olhos.  —Mas… mas eu quero, e preciso saber se você também quer.

—Eu… - Ele sussurrou, sobrancelhas franzidas, subindo sua mão até a de Jaskier em sua bochecha. —Eu não posso ainda, não até conversarmos sobre isso direito.

—Geralt… - Jaskier gemeu, fechando os olhos. Geralt sorriu.

—Vamos conversar sobre isso quando seu cio terminar, e então… então pensamos no que fazer.

—Certo, bem, então… então você pode me segurar? Só isso, eu- eu ainda me sinto melhor quando você está comigo.

Geralt sorriu e se aproximou para tocar o cantinho dos lábios macios do bardo, acariciando os cabelos escuros e vendo o ômega estremecer, um sorriso nos lábios.

—É claro.

Eles se abraçaram até o último dia do cio de Jaskier, e nos dias posteriores a ele também.


Notas Finais


As coisas estão começando a esquentar!
Ou será que não...
Bem vocês vão descobrir eventualmente~
Muito obrigada para quem leu até aqui e espero que tenham gostado do que fiz! Gosto muito de trabalhar com consentimento então aqui estamos, não queria que Geralt se sentisse forçado a fazer isso só para ajudar o Jaskier, mesmo que ele se sinta atraído pelo Jaskier, não quer dizer que ele queira, e vocês vão entender mais pra frente o porquê.
Bem, um beijinho rolou, vamos ver o que mais acontece entre esses dois com o decorrer da história~
AMO VOCÊS! DIGAM O QUE ACHARAM POR FAVOR E ATÉ A PRÓXIMA!!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...