História Steps To Madness - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), Black Pink, EXO, Girls' Generation, Got7, Mamamoo, TWICE
Personagens D.O, Jackson, Jennie, J-hope, Jimin, Jin, Jisoo, Jungkook, Kai, Lisa, Mina, Nayeon, Personagens Originais, Rap Monster, Rosé, Solar, Suga, Taeyeon, Tiffany, V, Yuri
Tags Assassinato, Blackpink, Bts, Crimes, Exo, Insanidade, Jimin, Jin, Jungkook, Kai, Kpop, Kyungsoo, Mistério, Namjoon, Policial, Psicopatia, Romance, Sequestro, Sociopatia, Taehyung, Tortura, Twice, Yoongi
Visualizações 79
Palavras 6.886
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Hentai, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hey! Eu sei que demorei bastante com esse capítulo, mas ele ficou grande. Espero que gostem e me perdoem pelo atraso 🍒
Obrigada pelos favoritos e feedback SZ
~Queen

Capítulo 6 - Cidade amarela como o louro dela


Fanfic / Fanfiction Steps To Madness - Capítulo 6 - Cidade amarela como o louro dela

VI

| Sete anos atrás |

Busan Coreia do Sul

Era início de tarde, tudo muito calmo e cheio de sol. Mary saiu do aeroporto com grandes expectativas, ansiedades e malas. O céu estava sensacional, tudo em Busan era incrível. E ao longe no estacionamento, correndo sob o sol, vinha Taeyeon, que a abraçou muito forte, que quase chorava, que sentia muito. Estava eufórica, tão feliz que quase caíram as duas no chão com a força daquele abraço gostoso. Os braços de Taeyeon ao redor do pescoço dela foram suficientes para incendiar aquele fim de verão. E ali, próximo à entrada do aeroporto, envolvida pela quentura dela, Mary percebeu que não existia outro lugar no qual quisesse estar.

– Pensei que não fosse te ver nunca mais! – Bradou Taeyeon com veemência.

Estava diferente. Taeyeon estava mais pálida desde a última vez que se viram, os cabelos estavam maiores, havia engordado um pouquinho, mas aquela primorosa aura ainda emanava dela, ainda era feliz.

– Eu estava tão ansiosa para vir! Não sabe como foi difícil sem vocês... A Inglaterra é incrível!

Eram inseparáveis, aqueles seis meses acabaram sendo destrutivos para ambos os lados. Taeyeon a soltou para arrumar os cabelos longos e claros que lhe emolduravam o rosto de um jeito tão elegante que faziade suatenra existência quase irreal. O brilho dos olhos dela denunciava sua felicidade. Mary, por sua vez, sentia-se absorta com tantas coisas acontecendo, rever os amigos e família era tudo que mais queria no mundo e agora estava ali com uma de suas melhores amigas após uma extensa e cansativa viagem. Todo aquele combo de emoções era essencial para o momento difícil pelo qual passava, com o estresse pelo vestibular, a pressão de decidir o quanto antes a profissão que iria seguir para o resto da vida, e a família Park inteira era muito tóxica. Estar em Busan, na companhia mais que agradável de Taeyeon, num calor excêntrico após o retorno de uma viagem marcante, com planos infinitos para o futuro, era tudo muito mais leve daquela forma.

– Vem, a gente tem pouco tempo. – Taeyeon olhou-a, com aquele sorriso radiante fazendo recrudescer o clima. Pegaram as malas e contornaram uma pequena área do estacionamento, para o leste. Muitas vagas ainda estavam preenchidas e aquele aeroporto estava mais cheio que os de Seoul. Taeyeon prosseguiu: – Rosé está louca para te ver.

Rosé. Há muito tempo Mary não ouvia esse nome. Não negava a saudade, mas era impossível não admitir que Rosé, na grande maioria das vezes, era fria, e tudo de que não precisava era de uma Rosé para acabar com o brilho que Taeyeon havia dado àquele sábado.

– E Jimin? Onde ele está? – Ela perguntou.

Taeyeon parecia distraída, mais que de costume. O carro era a cara dela, não muito pequeno, bonitinho. Era amarelo. Taeyeon amava amarelo. Tudo nela era refrescante e isso com certeza não iria mudar.

– Ele ainda não chegou da Austrália, foi no último fim de semana, sem planejamento nem nada. Fez as malas e foi. – Aquela loira bonita respondeu ao colocarem as malas no porta-malas e entrarem para o conforto de um bom ar condicionado e bancos de couro. Mary nunca houvera estado em um carro tão confortável, ou Taeyeon quem tornava tudo confortável demais para ela. – Namorada nova.

– Minha tia sabe disso? – Elas se olharam por um tempo. – Quanto tempo faz?

– Uns três meses. Nem sei quem é a menina, mas Jimin fica se derretendo o dia inteiro por ela – Taeyeon pôs o cinto de segurança, consultou o relógio tiquetaqueando no pulso, verificou o porta-luvas, e tirou o carro da vaga com mais atenção do que costumava ter. – Sabe... Ele é tão reservado, conversamos apenas uma vez sobre essa garota e nessa vez em que o assunto foi ela, Jimin pareceu muito apaixonado, sem fôlego, vermelho, inquieto e mais um par de coisas que pessoas apaixonadas demonstram sentir. Suspeito que ele ainda tenha quinze anos, ou ache que tenha. Sabe como é a mente dos homens... Menor do que uma ervilha.

Mary respirou fundo. Jimin era realmente muito reservado, mas não com ela, teria falado sobre o novo relacionamento, teria dito que estava amando alguém. Ela olhou pela janela, o dia era primoroso. Havia finalmente chegado de Londres; em Busan se sentia tão mais segura, e Taeyeon estava ali com sua tranquilidade, vestida numa roupa de verão, numa curta saia amarela e numa camiseta branca, dirigindo para casa como se absolutamente nada estivesse diferente.

– Como está Rosé? – Mary voltou àquele assunto, sentindo o vento bagunçar-lhe os cabelos.

– Ela está muito bem. E apresentou-me à Alice, devidamente. – Taeyeon a olhou quando pararam num semáforo e ela pôde ver aquele sorriso de novo, o que trouxe uma forte palpitação em seu coração. Taeyeon e Alice... Tão inesperado. – Por que nunca me apresentou à sua prima?

– Porque ela só gosta de homens.

– Não é o que parece.

Viraram numa rua qualquer e Taeyeon continuou sorrindo daquele Jeito, concentradíssima no que estava fazendo, até que Mary entendeu o que se passava com aquela sua amiga indescritível.

– Vocês...? Não me diga que vocês...

– Não, a gente não dormiu.

– Está apaixonada, Taeyeon! Está apaixonada por ela...

Estava. Taeyeon já estava apaixonada por aquela mulher. Mary suspirou longamente. Era difícil imaginar Alice com alguém, principalmente se este alguém fosse Taeyeon. Eram muito diferentes uma da outra. O rubor de Taeyeon confirmou as hipóteses, estava gostando dela, não que fosse só isso, estava realmente gostando de Alice e podia ser algo muito bom ou catastrófico.

– Não exagera, Mary...

– Mas vocês se conhecem bem? Já se beijaram? Como deixou isso acontecer?

Taeyeon soltou o ar e fingiu estar muito interessada no trajeto. Mary continuou ali olhando-a, queria respostas. Ficara seis meses longe e agora o mundo parecia todo bagunçado. Taeyeon podia estar quase namorando Alice Park. Era informação demais.

– Olha... Eu conto tudo depois. Mas me fale de você, conheceu alguém?

Naquele instante, não foi Taeyeon quem sorriu. Mary não conheceu nenhum francês, quem dirá uma francesa interessante, o mesmo com os ingleses durante o tempo que ficou na Inglaterra. Ele era coreano.

– Tenho um novo amigo. – Apesar de tudo era realmente um amigo, algo inacreditável considerando a aparência sensacional daquele homem e o fato de Mary não se aproximar muito das pessoas – Ele é de Daegu. Nos conhecemos numa cafeteria. É uma ótima pessoa.

– Cafeteria... Que clichê. É bonito? – Taeyeon a olhou com o canto dos olhos – Dormiu com ele?

– É encantador, e não. Não dormimos nem nada – Deu uma pausa para pensar. – Mas ele beija tão bem.

– Nem nada...

– Nem nada que envolva sexo, Taeyeon.

– Existem beijos no sexo.

– Não dormi com ele, de qualquer forma... Eu acho; não me lembro. Não dormi.

Taeyeon riu. As diferenças entre elas eram gigantescas e uma delas se devia ao fato de que Taeyeon tinha muita facilidade em fazer amizades novas, até demais. Sorriram por razões diferentes. Mary se lembrou daquele coreano e Taeyeon pensou em Alice. Alice chegava a ser sufocante de tão bonita.

– Ela beija muito bem.

– Ele volta em duas semanas. –Mary lembrava-se exatamente do instante em que se despediram no aeroporto, antes d'ela embarcar em seu voo para a Coreia.

E Alice beijava, beijava muito. E beijou muito Taeyeon desde o dia em que se conheceram. Taeyeon estremecia só de lembrar, era diferente. Alice tinha alguma coisa que a fazia querer, Alice era incrível.

– Pensei que fosse hétero. – Disse Mary.

– Quem? Eu? – Taeyeon tirou novamente os olhos da rua por um instante.

– Óbvio que não. Alice, pensei que Alice fosse hétero.

– Pois é... Eu também pensava.

Estavam chegando. A conversa poderia ter sido mais longa, havia muito para ser dito, porém chegaram ao apartamento dos pais de Taeyeon. Elas desceram do carro e foram para a recepção com as bagagens. De repente Mary se viu muito ansiosa; estava de volta, era excitante. Tirou um tempinho para observar a magnitude do prédio enquanto circulavam pelo saguão; até daquele condomínio sentira saudades. Subiram de elevador, em aprazível silêncio. Fazia um tempo que não se reuniam para conversar. Taeyeon ajudou-a com as malas e hesitou para abrir a porta depois de andarem um pouco, digitou a combinação de números na fechadura digital e suspirou fundo ao ruído da porta aberta. O corredor até a sala era pequeno, muita coisa havia mudado, a começar pelo concerto do ar condicionado. Havia grandes janelas, sofás brancos, cortinas leves, uma decoração simples e elegante, paredes azul marinho. O piso de madeira ainda era o mesmo com suas vigas gastas. Mary se sentiu definitivamente em casa. Olhou ao redor. As janelas estavam fechadas, de frente para a porta estava a passagem envidraçada para a varanda – o melhor lugar do apartamento inteiro. Era um ambiente muito arejado e confortável.

– Rosé chega em alguns minutos. Iremos sair hoje à noite e você vem com a gente. – Disse Taeyeon da cozinha. Ela voltou de lá com dois copos de água e outro bonito sorriso para oferecer. – Qual o nome do seu amigo?

Incorrigível, Taeyeon era completamente incorrigível. Mary aceitou o copo estendido para ela e pensou se havia esquecido o sobrenome dele; não fazia nem um dia que se viram pela última vez. Deu um gole até refrescar a memória. Min. Era este.

– Min Yoongi – Respondeu, olhando Taeyeon de volta. Apoiou-se na parede mais próxima. – Você iria gostar dele...

– Gostaria se eu não fosse gay. E o nome dele é um pouco incomum, não acha? – Taeyeon sorriu e, ao deixar de lado a água, deixou-se cair no sofá – Vai me dizer que realmente não sentiu nem um pouquinho de interesse por ele?

Mary colocou o copo em um canto, abandonou as malas e sentou-se com ela, trouxe-a para perto, para cima, deitaram-se juntas e muito perto uma da outra, Taeyeon descontraidamente sobre ela. Mary estava bastante pensativa, e Taeyeon, de bruços sobre seu corpo, entendia bem aquela expressão no rosto dela. Não havia gostado tanto assim de Yoongi, mas havia gostado de certa forma. Era uma pessoa interessante, tinha tudo para dar certo, estudava medicina, tinha um cabelo bonito, sabia ser intrigante, cozinhava bem, levava tudo a sério, tinha atitude.

– Não o suficiente. Sabe... Ele tem ideias legais, conteúdo, um belo de um físico. Mas eu não consigo mais me envolver, sem contar que somos bons amigos, e parecemos muito um com o outro, não daria certo... E ele também acha que essa ideia não é boa – Ela sorriu, apesar do descontentamento. Yoongi era inteiramente interessante, mas a questão era outra. – E Alice?

Taeyeon enrubesceu-se quando foi perguntada de Alice.

– Primeiramente, você devia falar com ele porque, matematicamente, sinais iguais dão positivo e, até aonde entendi, ele tem a mesma opinião que a sua. – Ela deu uma pausa – Sobre Alice... Estamos indo devagar. Ela é muito complicada, e tão difícil...

Mary entendia. Se Alice não fosse inflexível, não seria Alice. Olhou Taeyeon nos olhos, era bonita até mesmo tão confusa e fora dos eixos. Um silêncio gostoso chegou. Aquele apartamento havia sido, por muito tempo, um lugar especial. Mary sentia que lá dentro estava a salvo do caos que estava o mundo. E Taeyeon tornava tudo razoável, ainda mais quando estavam juntas daquela forma. Eram uma família, disso tinham certeza. Olhando-se por pouco mais de um minuto, perceberam que alguém teria de dizer algo.

– O que vamos comer? – Perguntou Mary.

– Rosé vem cozinhar para nós.

Não haviam desistido de olhar uma à outra. Taeyeon quis saber sobre Yoongi, o que ele fazia da vida, o porquê de ser interessante, sua aparência. Mary respondeu, disse como ele era, como conseguiu prender sua atenção, como era bom estar com ele. E Taeyeon, a cada segundo que aquele diálogo prosseguia, sentia algo diferente em relação àquilo: ciúmes. Era ridículo e infantil, mas não aceitava que ela tivesse outro amigo tão íntimo, com quem compartilhava segredos, com quem dividia a vida e a cama. Então Rosé veio, e elas se separaram, sentaram-se corretamente e a conversa já era outra.

Park Chaeyoung na cozinha era uma dádiva. E aquele foi com certeza o melhor almoço do ano, ainda que só elas três o tivessem desfrutado. Rosé parecia finalmente contente quando chegou ao apartamento, estava animada, mais sorridente, nem um pouco fria, e aquele sorriso ainda estava intacto quando terminou de cozinhar o macarrão à carbonara, quando puseram a mesa, e também quando terminaram de comer. Taeyeon compartilhava daquela mesma felicidade, somente Mary não tinha pelo quê sorrir, por quem sorrir. O assunto só surgiu quando se juntaram na varanda para curtir o resto da tarde sem fazer nada mais que esperar a noite vir ao sabor de uma inebriante limonada suíça. Rosé estava feliz, este era um fato, um dos que elas discutiram.

– Ela me ama. – Chaeyoung respirou profundamente e cruzou as pernas – Disse que me ama e me pediu em um relacionamento sério.

Mais uma vez Mary estava surpresa pela vida amorosa de alguém. Rosé não era do tipo que aceitava distrações, a menos que a distração fosse Lalisa Monoban, por este motivo era algo agradável de ver, Rosé Park apaixonada. Lalisa fazia Rosé feliz, sendo assim, nada importava mais. Seria fofo se não fosse preocupante.

– Está vendo, Mary? Até ela encontrou o amor da vida – Taeyeon sorriu e ajeitou-se sobre a cadeira para olhá-la com mais destreza – Você devia ligar para o seu amigo.

– E dizer o quê, Taeyeon? – Mary fechou os olhos e sentiu a brisa, era quente e pulcra... Busan tinha tantos significados que sempre foi difícil de entender muitas coisas, como o porquê de ser um dos melhores lugares do mundo– Eu não posso ligar se não tiver um bom assunto.

Taeyeon pareceu ainda mais entusiasmada, por sua cabeça rodavam muitas perguntas. Yoongi certamente não recusaria uma ligação, independente da hora, não recusaria uma ligação de Mary. No entanto, precisavam ambos, de um tempo para pensar e se planejar.

– Então me fale mais dele! – Elas trocaram aquele olhar cúmplice. Falar sobre Min Yoongi era instigante. – Eu quero saber o máximo que puder contar.

Mary suspirou e, antes de começar a listar algumas das características do coreano de Daegu que conheceu em sua viagem, prendeu os cabelos num coque improvisado. Rosé estava interessada, apesar de não falar muito, fofocas eram sempre bem vindas, ainda mais quando eram sobre seus primos.

– Ele não é tão alto. Atualmente está com os cabelos pretos; dorme o dia todo e estuda de madrugada; cursou esse segundo ano de medicina em Londres. – Foi difícil achar o que merecia ser contado – Uma vez passamos a noite bebendo e desabafando... Não lembro de muita coisa desta noite. Sei que escreve diários, tem uma paixão por cardiologia, apesar de gostar da neurologia. Ele acorda tarde, não ouve músicas e tem o hábito de xingar o tempo inteiro.

A conversa seguiu firme até o fim da tarde. Mary disse para Taeyeon e Rosé tudo que viveu nos últimos meses, como chegou a dividir um apartamento alugado com Yoongi, falou também sobre as manhãs corridas da Inglaterra e as tardes mornas da França. Não existia algo mais aconchegante no mundo do que aquela varanda. O resto foi tão bom quanto. Taeyeon ajudou com a organização dos quartos e também a desfazer as malas, enquanto que Rosé se encarregou de limpar a cozinha e preparar outra coisa para comerem – um bolo de chocolate que acabaram não comendo. Dentro de uma hora estava tudo em seu devido lugar e elas na sala para discutir como passariam a noite.

– Eu acho melhor eu ir, Lalisa precisa de mim. – Rosé precisava da Lalisa, Lalisa precisava da Rosé. Era assim que funcionava. – Prometi ajudá-la com trabalhos e questões importantes da universidade.

– Chaeyoung, me poupe! – Taeyeon se levantou do sofá e foi buscar algum doce na cozinha. Voltando de lá: – Você não vai cancelar nossos programas para ficar namorando aquela menina!

Fim de papo. Rosé não podia protestar. A única opção era convidar Lalisa, o que já era difícil. Lalisa não saía de casa se não fosse para uma balada, sem contar com as responsabilidades que tinha, estava em seu terceiro ano de medicina. Rosé não a convenceria a sair daquele apartamento nem que implicasse ou fizesse uma serenata, e havia o grande problema: Lalisa estava em Seoul, envolvida por preocupações em sua bolha de estresse.

– Não posso dizer nada sobre isso, mas ela tem razão, você não pode simplesmente nos deixar de lado porque começou a namorar. – Mary concordava com Taeyeon em tudo, foi fácil que compreendesse seu ponto de vista. Não que o que dissera fosse uma grande mentira, só não era amais absoluta verdade para Rosé. A decisão dela estava tomada. – E era para estar com ela agora, não sei como conseguiu ficar tanto tempo sem a Lalisa.

Desde que se conheceram, há sete meses e pouco, Rosé e Lalisa andavam grudadas, todos os dias chegavam e saiam juntas da universidade, passavam horas falando de nada com nada só pelo simples e puro prazer de estarem na companhia uma da outra. Rosé não sabia respirar sem ela, e agora estava ali, o que indicava que alguma coisa não estava certa.

– O que aconteceu? – Taeyeon perguntou ao pensar um pouco.

– Nada, eu só decidi dar um tempo. Vou com vocês, se é o que querem – E ela cedeu, sempre cedia.

A razão para o tempo que Rosé queria era sua incerteza em relação àquela tailandesa. Lalisa era complicadíssima, mas transparente, e Rosé só não sabia mesmo lidar com aquela sua namorada. Sempre sofrera com mulheres difíceis, estava rodeada delas.

Por um momento a tarde ficou taciturna, sem mais sermões ou perguntas, apenas elas três e a tranquilidade do início de noite. Taeyeon comia biscoitos recheados de chocolate para sanar a ansiedade; Mary olhava as paredes sem muito o que pensar e Rosé olhava para a porta de vidro da varanda, para o pôr do sol, pensando em seu tudo: Lalisa. Era estranho se sentir tão apaixonada por alguém que conhecia há tão pouco tempo, mas a química era perfeita, se encaixavam na vida uma da outra. Já Taeyeon sabia o que estava acontecendo consigo, estava se apaixonando por Alice, o que não era necessariamente ruim, pois Alice era... As palavras chegavam a ser insuficientes.

Naquela noite elas saíram, passaram um tempo juntas, conversando e curtindo os karaokês. Foi bom, mas logo Rosé precisava voltar, precisava fazer as malas e ir para Seoul. Taeyeon entendeu, Mary preferiu acreditar que Rosé sabia o que estava fazendo ao se entregar tanto àquela garota, e então se despediram, Rosé foi e Mary e Taeyeon passaram o resto da noite num café, até amanhecer, conversando mais um pouco sobre seus problemas e amores. Taeyeon adorava falar dos amores que passaram e passavam por sua vida. Com apenas vinte e um anos de idade, sentia que amor era tudo de que precisava para viver.

– Acho que não sei o que é amar alguém – Mary cortou-a no meio de sua história favorita: Tiffany. – Sabe... É difícil e as pessoas são tão complicadas.

– As pessoas precisam ser complicadas, não há graça no fácil. – Taeyeon sorriu. – Como eu ia dizendo, Tiffany era bem grudenta e possessiva, me lembra bastante aquele cara surtado que você namorou, ainda conversa com ele?

Aquela conversa tomava um rumo não muito desejado.

– Desde o término? Não. Com Taehyung... Acho que não era pra ser.

Ficaram juntas pela madrugada toda. Conversaram não só sobre as pessoas com quem se relacionaram, mas também sobre qualquer outra coisa que valesse a pena ser conversada. Taeyeon começava a achar seu amor por Alice meio letárgico, mas ainda assim estava feliz. Mary gostava de vê-la daquela forma, pelo menos para uma delas estava tudo okay. Taeyeon soube sobreviver alguns meses sem ela.

E o tempo passou muito rápido, para variar. Mary se readaptou a Busan muito facilmente, em uma semana já se sentia parte daquele apartamento de novo. Taeyeon havia arrumado um novo emprego poucas semanas antes de ela voltar, estaria dedicada ao primeiro semestre de psicologia assim que o próximo ano começasse – em menos de dois meses – e tudo ia perfeitamente bem, não podia dizer que estava cem por cento feliz, mas tinha uma vida confortável. Durante um tempo elas deram um jeito de cozinhar, dividindo as tarefas por dia, até que ninguém mais cozinhava e sobreviviam de porcarias das lojas de conveniência e pizzas. Como nos velhos tempos. Taeyeon estava feliz, era o que importava, apesar de tudo.

Então chegou a semana em que Yoongi estaria de volta. Taeyeon insistiu em conhecê-lo e Mary, como na maioria das vezes, cedeu, porque não havia quem fosse capaz de tirar aquela ideia estúpida da cabeça de Taeyeon.

– Eu não creio que estou fazendo isso. – Comentou quando Taeyeon retornou de uma loja de conveniência com salgadinhos agridoces.

– Eu quero conhecer seu novo melhor amigo, que mal há? – Ela tinha um sorriso tão falso que transmitia seu mais consistente sentimento em relação àquele homem: nojo.

– Está com ciúmes? – Mary se recusava a creditar. Pegou um dos salgadinhos e já temia as vergonhas que iria passar por causa dela.

– Claro que não! Só quero saber o que viu naquele louro azedo de meio metro!

As informações que Taeyeon tinha eram suficientes para saber que Yoongi não era tão alto, estava louro e era chato.

–Ele é legal, e eu não tinha ninguém na Inglaterra. Vê se para com isso! Não vou aturar você, Taeyeon. Não dessa vez!

Foi um dia rápido, agonizantemente enérgico e no fim da tarde Yoongi chegou de Daegu, há dois dias chegara de Londres. Iria passar o fim de semana com elas. Mary estava ansiosa pouco antes de encontrá-lo, era sobre a aprovação de Taeyeon, queria que se dessem bem. Devia ser por volta das sete e vinte da noite quando encontraram com ele na entrada da estação de metrô, o céu cheio de estrelas foi uma das poucas coisas que tranquilizou Mary. Yoongi vestia roupas escuras, como sempre fez. Taeyeon mantinha o sorriso de mais cedo, a aversão por ele foi instantânea, ainda assim o cumprimentou e Yoongi também não pareceu adorar aquela mulher. Definitivamente o santo não bateu.

–Prazer, Kim Taeyeon. – Ela estendeu a mão, com tanta relutância que àquela altura Mary acreditava que Taeyeon via um réptil em sua frente, não Yoongi.

– Ah, claro! Mary me falou de você. – Apesar do esforço para não parecer tão antipático, Yoongi recusou o aperto de mãos.

Foi uma péssima ideia. Ele abraçou Mary... Por mais tempo do que devia durar um abraço.

– Vamos para casa. – E ela puxou-os para o primeiro táxi que encontrou – O que vamos comer, Taeyeon?

Para Taeyeon, não havia nada de bom naquele homem, desde sua altura até o fato de ser homem e amigo de Mary. Tinha cara de arrogante, não sorria, não prestava atenção em nada e não falava de nada. Era patético até mesmo respirando, e não era bonito. Taeyeon acabou frustrando-se tanto que decidiu não olhar para eles, por este motivo sentou-se no banco da frente e ignorou Mary completamente.

– Está sendo ridícula, foi você quem pediu para ele vir e ficar com a gente. – Mary a cutucou durante o trajeto para o apartamento.

Taeyeon deu de ombros e decidiu que se era para ter uma boa relação, começaria da forma clássica, inclinou-se no banco para olhar o semblante entediado de Yoongi.

– Eu não sabia que vocês eram do tipo de amigos que se beijam. – Naquele instante Yoongi teve certeza de que não tinha como Taeyeon ser agradável – Mary disse que vocês dormiam na mesma cama, fico imaginando como...

– A gente não dorme. – O olhar que ele deu foi satisfatoriamente compreensível. Taeyeon conseguiu o que queria. – Mary, ela fala demais, não pensei que fosse amiga desse tipinho.

E as provocações não pararam por ali, até que chegassem ao apartamento, Yoongi e Taeyeon trocaram farpas, tinham argumentos fortes um contra o outro, até mesmo o motorista conseguiu sorrir. Jovens. Apesar de tudo eram jovens. As alfinetadas continuaram no elevador e tiveram fim na sala de estar, quando Mary, cansada daquele compilado de imaturidade, precisou esfriar a cabeça na varanda e abandonou-os com sua guerra incessante de insultos para beber uma água gelada e pensar na vida. Logo depois Taeyeon apareceu por lá com a cara emburrada e uma garrafa de soju.

– Vocês são toscos... – Mary comentou. Não estava decepcionada, mas sim surpresa por Yoongi dar continuidade às provocações de Taeyeon. Logo ele...

– Sei disso, mas ele é mais idiota do que eu! – Taeyeon virou-se para ela e, por um segundo, quis esquecer que Yoongi estava lá – Não entendo... Ele é tão arrogante, mas mesmo assim parece...

– Sensato, inteligente, interessante... – Taeyeon torceu o nariz para aquelas sugestões – Compreendo que você não goste dele agora.

Aquele diálogo não durou muito, apesar de tudo, Taeyeon não queria realmente um desentendimento com Yoongi. Mary deixou-a sozinha e decidiu que precisava pensar no que iriam comer, estava fora de questão recorrer às lojas de conveniência e Yoongi se recusaria a cozinhar qualquer coisa que fosse na cozinha de Taeyeon. Ele estava no sofá quando Mary passou pela sala. Ao se olharem perceberam o quanto sentiam falta do início. Foi bom quando se conheceram, quando não sabiam nada um sobre o outro, e ficavam constrangidos por qualquer coisinha.

– Ela só está com ciúmes. – Explicou, tentando achar maneiras de tornar a situação mais confortável para eles – Taeyeon e eu somos amigas há muito tempo, ela acaba repelindo as pessoas que se aproximam de mim.

– Essa mulher é doida. Não acho que ela tenha noção alguma do que faz, Mary. – Ele a olhou por pouco mais de dois segundos e preferiu o celular àquele olhar de falsa tranquilidade. Yoongi estava desapontado.

Taeyeon não tinha noção nenhuma de nada. E ele era mais racional, menos infantil. Estava claro que o encontro deles seria intenso e desconcertante. Mary suspirou longamente e foi para o quarto pedir uma pizza. Precisava resolver a questão das camas, quem dormiria com quem. Apesar de que, por Taeyeon, Yoongi nem devia dormir naquele apartamento, quanto mais no quarto de uma delas.

Ela preferiu não pensar muito no assunto, subiu para a cama e enquanto tentava decidir entre marguerita e calabresa, ouviu Taeyeon dar outro de seus chiliques e Yoongi gritar com ela por sua implicância com tudo que ele estava fazendo. Definitivamente não conseguiriam se entender até domingo. Mary preferiu pedir a pizza antes de resolver o inconveniente. E naquela noite, apesar de tudo, as coisas ficaram bem. Assistiram a um filme, comeram, conversaram e Taeyeon já não estava tão chata depois de tudo, embora mantivesse uma distância de Yoongi. Foi decidido que Yoongi dormiria no quarto de Mary e, por muita insistência de Taeyeon, Mary dormiria com ela em seu quarto. E perto da hora de dormir Taeyeon saiu para ir ao mercado. Ela era uma pessoa muito mais noturna que diurna, fazia chá de madrugada. Comprou biscoitos de chocolate e voltou para casa, para a cama, para Mary.

Quando o dia amanheceu, era sábado. E aquele sábado não podia ter sido mais volúvel. Aconteceram diversas coisas naquelas míseras vinte e quatro horas. O Natal estava chegando e como sempre fez em todo fim de ano, Mary iria para a Austrália em breve, passar o Natal com a família. Por esse motivo Anne ligou por volta das oito, quando estavam quase todos dormindo.

– Ainda falta um mês e pouco, não acho que minha presença seja útil aí, sem contar que tenho vestibular para fazer, Anne. – Mary tentava convencê-la de que, em circunstância alguma, iria para a Austrália mais cedo – Eu tenho uma vida aqui, sabia? Tenho responsabilidades...

A questão era que aquela recente viajem à Inglaterra e França não fora um lazer. Os pais de Mary concordaram em mandá-la para aqueles países para terminar o último semestre do terceiro ano do Ensino Médio, ficando assim os dois primeiros meses apreciando a viagem e as férias de julho e agosto, e estudou durante os outros quatro meses. Tinha família na França e Inglaterra, não foi tão difícil, embora, em Londres, optasse por dividir um apartamento com Yoongi. Agora faltava uma semana para novembro acabar.

–Mamãe quer você aqui, ela está com saudades e sem tempo para viajar – Anne suspirou do outro lado da linha – Boa sorte com o vestibular. O que pretende fazer?

Eunji Park era uma mulher muito difícil de lidar, não podia arranjar um tempo para vir à Coreia? Mary, então, tentou não se decepcionar com a má vontade da mãe, pelo menos aquela mulher deu um voto de confiança quando ela foi para Londres estudar. Mary era uma pessoa independente, sabia se virar sem os pais por perto, e não fazia muito tempo que completara dezenove anos, tingindo sua maioridade. Era adulta desde agosto, e isso foi o grande marco de sua independência.

– Anne, eu não vou para a Austrália antes da segunda semana de dezembro. – Estava decidido assim. – Vou cursar Direito ou Relações Internacionais. Preciso ir agora. Tchau, amo você.

–Tchau, até qualquer dia...

E assim o sábado começou. Mary estava na cozinha preparando o café da manhã, deixou o celular no balcão e procurou o açúcar nos armários para colocar no café. Yoongi veio arrastando-se do quarto até a cozinha – separada da sala pelo balcão, – sentou em uma das cadeiras perto do balcão, e respirou fundo, somente isso. Estava com a camiseta folgada de ontem e uma calça de moletom, ele também tinha os cabelos desalinhados e o rosto inchado, era tão tremendamente bonito pelas manhãs. E então Taeyeon juntou-se a eles, ela trazia consigo aquela alegria de sempre, havia acabado de acordar, mesmo assim estava radiante como o sol, e Yoongi vazio como uma madrugada.

– Bom dia! Eu pensei em visitarmos uma praia hoje! –Taeyeon encarou-os como se na noite anterior não demonstrasse uma grande aversão por Yoongi – Mary, quando você vai para Seoul?

– Provavelmente daqui uns dias, por quê? – Houve um silêncio amargo.

– Ficará com Rosé? Quando será o vestibular? – Taeyeon parecia mais curiosa que o normal. Já Yoongi olhava para as paredes como se não estivesse acordado, como se não estivesse ali. – Eu me mudarei no ano que vem...

– O vestibular acontece daqui uns três dias e eu vou ficar no apartamento da Rosé sim. – Mary deu seu primeiro gole no café – Quero entrar para a Universidade Nacional de Seoul. Preciso disso para ganhar o respeito da minha família, e vai ser um grande mérito pra mim.

Taeyeon, que já estava entusiasmada, sentiu uma grande carga de adrenalina correr nas veias ao lembrar-se de uma antiga conversa sobre Mary entrar para uma das SKY. Haviam debatido sobre isso há um tempo, ela não era contra, só achava muito difícil. Mary tinha seu apoio, de qualquer forma.

– Ah, claro que vai! Mal posso esperar para te ver formada! Vamos dar uma grande festa... O que você pretende cursar? – Taeyeon sempre se precipitava quanto aos assuntos que envolviam grandes eventos.

– Eu vou levar uns cinco anos para me formar, você devia não ser tão ansiosa. Penso em fazer Direito. – E estendeu o copo de café para ela, olhando bem para Yoongi depois – Yoongi, você está bem?

Taeyeon parou de falar e preferiu se retirar, andando para a sala naquele curto pijama rosa estampado de cerejas. Yoongi teve sua atenção roubada facilmente e sentia-se um pouco envergonhado por estar tão distraído.

– Eu tive um sonho. – Disse ele, mantendo seus olhos foscos, os lábios secos e a expressão completamente fechada.

Yoongi era amargo pelas manhãs.

Durante o dia tomaram sorvete, Yoongi e Taeyeon brigaram um pouco mais, temas polêmicos foram discutidos, assistiram filmes e comeram muitas besteiras. Não tinham Rosé para cozinhar e ninguém ali cozinhava tão bem quanto ela, com exceção de Yoongi, mas sua preguiça fora forte o bastante para recusar os pedidos. E no finzinho da tarde decidiram beber e desabafar, foi um momento legal, cheio de frustrações jogadas ao vento, conversas reveladoras, risadas e lágrimas. No fim Taeyeon e Yoongi se entenderam e prometeram se aturar até o fim de domingo, provando assim que a opinião de Mary sobre eles estava errada. Yoongi era bem resistente com as bebidas, o mesmo já não devia ser dito sobre Taeyeon.

– Eu juro... Por tudo que eu acho que juro... que Alice vai casar comigo até o fim de amanhã. – Esta era Taeyeon depois de quase uma garrafa de vodca inteira às cinco da tarde, falando com uma voz tão melosa que chegava a ser enjoativa – Mas ela me odeia... Então não existe casamento sem amor!

Mary suspirou e sentou-se no sofá para pensar sobre como havia sido aquele sábado. Taeyeon começou a tagarelar sobre como Alice a esnobava e vez ou outra dava sinais de verdadeira tristeza, mas nada durava tanto, suas emoções mudavam de um segundo ao outro e nada que fizesse sentido saía daqueles lábios, ela estava jogada no chão, perto dos sofás. Yoongi estava na varanda, bebendo soju e se lamentando com o céu. Era estranho vê-lo daquela forma, não estava bêbado, só não sóbrio o suficiente. E Mary nem sabia como estava, mas sabia que estava lúcida.

O desfecho daquele fim de semana todo foi inusitado. Domingo à noite Yoongi estava pronto para voltar para Daegu, parecia decepcionado por ter que ir embora, mas precisava voltar para suas obrigações, voltava a estudar na Yonsei, tinha que ter o mínimo de responsabilidade e parar de faltar nas aulas.

– Parece que só nos veremos daqui muito tempo. – Disse ele com a mochila nas costas.

– É o que parece. – Mary concordou, escorada no batente da porta, olhando para ele no meio do corredor –Tchau, Yoongi... Nos vemos por aí.

E ele abraçou-a novamente, como na sexta-feira, sentiria saudades. E foi um abraço que durou quase uma eternidade até Taeyeon chamar por Mary porque alguma coisa havia dado errado com a comida que tentava fazer. Então Yoongi foi, ele só foi e Mary simplesmente fechou a porta e veio atender ao pedido de socorro de sua amiga.

Nos dias que se passaram depois disso, o foco foi a viagem para a capital. Taeyeon ajudou-a a arrumar as malas, conversaram com Rosé pelo celular e decidiram como seria em Seoul. A data do vestibular já havia sido divulgada, aconteceria em dois dias. Mary passou o resto das horas estudando até precisar partir, Taeyeon se despediu dela de um jeito muito persuasivo, queria que ela ficasse, no entanto, Mary não podia. E foi difícil deixar Busan e Taeyeon para trás. Seoul não era tão encantadora como Busan, não era sua cidade amarela e nem tinha uma Taeyeon com cabelos louros para deixar tudo melhor. Isso tudo fez muita falta, ela sentiu assim que chegou em Seoul, nada nunca foi como Busan. Quando encontrou-se com Lalisa perto da avenida principal, após uma viagem curta de carro, foi quase um choque de realidade. Precisava achar algum conforto, mas nada em Seoul era confortável.

Ajeitou os cabelos e entrou no conversível vermelho de Lalisa, conversaram, se conheceram e a conversa morreu no elevador do prédio em que Lalisa morava. Numa cobertura incrível, semelhante a que moravam os pais de Mary na Austrália.

– Rosé, chegamos! – Disse Lalisa, ajudando Mary a levar as malas para dentro.

Rosé acabava de fazer o jantar, estava na cozinha lavando as louças. Ela sorriu e veio dar um beijo na namorada, cumprimentar a prima e tornar as coisas um pouco mais agradáveis.

O vestibular seria no dia seguinte, Mary estudou até a madrugada chegar e então dormiu para acordar muito cedo, junto com o sol, e estudar mais um pouco até o meio dia. O país parou. Voos foram adiados, o horário de trabalho foi alterado e várias outras medidas foram tomadas para deixar o dia mais confortável e calmo para os estudantes. E nada disso deixou Mary mais tranquila. A prova foi ao meio dia, a sala estava cheia, o ambiente estava tenso, mas ao final sua consciência estava limpa. Ela voltou para o apartamento, almoçou – às cinco da tarde – e dormiu pelo resto do dia.

As semanas que se passaram depois foram marcadas por muita ansiedade e preparo psicológico. Rosé apresentaria Lalisa para a família como sua namorada, e decidiu que faria isso um pouco antes do Natal. Elas arrumavam as malas para ir à Austrália. Mary já havia arrumado, estava pensando sobre como se sentiria ao ser o fracasso da família Park, faltava um dia para a divulgação dos resultados da prova e tinha quase certeza de que não havia entrado para aquela universidade. Eis que dezembro chegou há dois dias e precisava ir para a Austrália.

Então esperaram mais um dia, Rosé tinha grandes expectativas, Lalisa estava otimista e no fim havia dado certo. As preocupações de Mary tiveram fim ao ler o próprio nome na lista de aprovados. Apenas duas de suas primas estudavam naquela universidade, era uma das mais concorridas e prestigiadas do país. E naquela mesma noite foram para a Austrália. A viagem durava poucas horas. Olhando para Seoul da janela do avião, Mary percebeu que tudo seria diferente a partir do momento em que colocasse os pés no aeroporto.

***

O Natal. Aquele com certeza foi o melhor Natal da vida de muitos. Lalisa fora apresentada aos Park e muito bem recebida por eles; Mary foi parabenizada por sua conquista; Jimin apresentou o amor de sua vida, Joyce Grey, uma australiana de personalidade adorável, disse que um dia se casaria com ela. E tudo se resolveu naquele finalzinho de 2010. Então o tempo foi passando, Mary voltou para Seoul. Havia decidido que iria fazer Direito e ganhou de seus pais um apartamento em Gangnam. Com o início do primeiro semestre, Taeyeon precisava vir para Seoul. Mary se preparou para o primeiro semestre na Universidade Nacional de Seoul, conversou por telefone com Taeyeon sobre como estava feliz e quando 2011 se iniciou, ela estava preparada para a nova etapa de sua vida.

Taeyeon faria psicologia na Universidade da Coreia. Estavam nas universidades mais concorridas daquele país, isso tinha que significar alguma coisa. O primeiro dia foi quase torturante. As aulas seriam extensas. Foi a primeira certeza que Mary teve ao acordar às sete da manhã, estava frio, era outono. As oito e cinco estava chegando ao campus e cinco minutos depois ocupou um lugar na sala de aula. A primeira aula seria a introdução ao estudo de direito. Havia cerca de quarenta alunos. A sala era enorme, muito diferente de uma escola. Estava numa universidade agora, a que possuía o maior campus universitário do país. Durante aquela aula, parou para admirar os alunos com quem dividia o ambiente, eram em sua grande maioria coreanos, dois estrangeiros além dela.

– “A mais alta das torres começa no solo”. Nada melhor que um antigo provérbio chinês para expressar a importância de se entender os conceitos e os institutos básicos de todo o edifício jurídico. – A voz de Im Nayeon era firme diante os alunos que acabavam de iniciar seu primeiro período naquela universidade.

Os coreanos não tinham o costume de conversar com os professores durante as aulas, por isso tudo ficava em absoluto silêncio enquanto aquela mulher andava de um lado para o outro, indicando pontos de vistas e outras coisinhas básicas que lia no telão. Era uma professora excelente. Mary prestou mais atenção do que devia.

Por um tempo perdeu-se nas coisas que Nayeon dizia e não conseguiu voltar para a realidade. Com os olhos fixos nas paredes e a mente absorta, apenas ressonava em seus ouvidos o baque dos saltos de Nayeon pela sala. Então, em meio ao devaneio profundo em que estava emergindo, alguém se levantou e passou perto de sua carteira, fazendo-a perder totalmente a noção que ainda lhe restava. Era um rapaz, devia ter pouco mais que sua idade. Ele vestia roupas casuais e não tinha nada de muito especial, ou não devia ter, mas aos olhos de Mary, ele tinha tudo que alguém pode ter de especial. Era alto, tinha cabelos escuros e bem cuidados e foram esses os detalhes que Mary captou. Sua atenção voltou-se para a professora quando ele desapareceu porta afora. Nayeon ainda falava sem parar.

Então veio os primeiros minutos de intervalo e aquele garoto ainda não havia voltado, foi então que Mary percebeu que precisava respirar um ar mais fresco e assim saiu da sala e começou a andar pelos corredores. Havia poucas pessoas fora das salas. Acabou encontrando Rosé perto da biblioteca.

– Não tem nenhuma aula agora? – Mary perguntou.

– Estou esperando a Lalisa para tomar café, tenho aula em vinte minutos. – Rosé ajeitou seus cabelos recém pintados de ruivo e sorriu como somente ela conseguia sorrir de manhã – E...

E então Mary parou de prestar atenção, parou de respirar, de pensar. Aquele garoto saiu pela porta da biblioteca com dois livros e passou por elas. Ele andava com convicção. Tinha alguma coisa tão intrigante, era um ser humano tão insólito. Mary não deixou de olhar, de segui-lo com os olhos até que dobrasse o corredor. E Rosé não deixou de perceber.

–Quem é? – Mary perguntou, ainda olhando para onde ele havia acabado de passar – Você conhece?

–Não creio que você... – Rosé riu e passou as mãos pelo rosto. – Jeon Jungkook. Meu vizinho. Mora no apartamento da frente.

– Ah sim...

Jeon Jungkook acabava de se tornar o grande ponto interessante daquele primeiro dia. Mary continuara olhando para aquele corredor por mais alguns segundos. Seoul podia não ser sua cidade amarela, podia não ter os cabelos louros de Taeyeon, mas não era tão desinteressante, afinal agora tinha Jungkook em seu curso de direito.


Notas Finais


Obrigada por ler até aqui 🍒
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Próximo capítulo em breve SZ
~Queen


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