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História Stigma - Scorbus - Capítulo 41


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Capítulo 41 - A Lápide


  Enquanto caia, Scorpius sabia que da próxima vez que encontrasse seus amigos, já não seriam assim tão amigos. 

  Em uma das suas noites anteriores, quando a insônia batia à porta e sussurrava perguntas na sua mente para mantê-lo acordado, Scorpius chegara a uma conclusão. No momento parecera precipitada, mas agora era bem plausível. 

  O vento frio passava por baixo dos seus braços como se fosse sólido, e também machucava seu rosto. Ele quase não conseguia respirar de tão rápido que caía, o ar entrava rápido demais nos seus pulmões e quase não conseguia sair por causa da pressão. 

  Tudo que ouvia era o rugir do vento.

  Até que parou de cair. 

  Por um instante se considerou morto. No outro instante se deu conta que seu plano havia de fato funcionado. 

  Quando abriu os olhos, viu que estava tombado no dorso de um animal pálido, com escamas fofas feitas quase do mesmo material que as nuvens, mas sólido o suficiente para o carregar. Era o seu Saoen, o basilisco. Diferente do retratado nos livros, aquele Saoen não era o retrato do monstro. Talvez Scorpius só estivesse acostumado com a aparência do bicho, mas não sentiu medo quando se deu conta que era ele. Agarrou-se melhor a ele, e gritou que seguisse de longe a frota de Abraxans. 

  O Saoen deslizou pelo céu. Scorpius estava temeroso que alguns dos Agoureiros o visse, então foram bem longe, mas sem nunca perdê-los de vista. 

  Viu Albus caído, provavelmente desmaiado. Viu os amigos atados uns aos outros. E o viu. 

  Aquele traidor ingrato. 

  Talvez não fosse culpa dele, afinal. Talvez ele tivesse sido influenciado. Scorpius queria acreditar nisso, infelizmente não tinha muitos motivos. 

  Lembrava-se do dia em que levara os amigos até a casa da prima, Anabel. Antes de saírem para o Ministério, depois de capturarem os agoureiros, ela o chamara no canto e dissera algo que perturbou Scorpius por uns dias:

  -Temos pouco tempo e só poderei ficar na cidade até amanhã. Não vou arriscar mandar cartas. -ela parecia nervosa, ele observara, olhava constantemente para os lados, como se pudessem ser ouvidos. -Existe uma coisa estranha naquele menino, o cérebro dele não parece bem. 

  Scorpius a contara sobre ele estar tendo os mesmos problemas de insônia que ele, que sua mente estava constantemente sendo invadida por Delphi, ao passo que ela respondeu:

  -Não. Não! Scorpius, você tinha muitas portas abertas para muitos traumas recentes, era fácil entrar na sua mente. Aquele menino... é como se ele estivesse deixando-as abertas por espontânea vontade. Ninguém faz isso, nem a mais confiante das pessoas. Sempre temos portas trancadas e com muita força. Ninguém faz isso. 

  Scorpius soubera na hora. Simon não estava bem antes, sempre estava sonolento e com muitos pesadelos, ou era oque ele dizia. Olhando agora Scorpius pensava se ele não estava cansado pelo esforço que fazia com eles. Manter a mente aberta daquela forma estava sugando suas energias. 

  E então houve o incidente da Abertura dos Jogos. Rick encontrando dois agoureiros que usavam lentes para esconder os olhos vermelhos. É claro. Era tão fácil. 

  Scorpius sentia-se cheio de fúria. O contara o plano sabendo que, naquela noite, Delphi o tentaria matar primeiro, se não tivesse feito isso poderia até acreditar na inocência de Simon. Mas lá estava ele, voando nas costas de um Saoen. 

  Simon tinha os traído. 

  Intencionalmente ou não... já não importava mais. 

  Os abraxans tinham sido acorrentados, Scorpius percebeu, eram levados por um grupo maciço de Agoureiros, talvez estivessem enfeitiçados também, o que era mais provável. Nenhum grupo de pássaros comuns conseguiriam levar à força três abraxans adultos. 

  Ele e o Saoen seguiram a uma distância segura por algumas horas, até Scorpius perceber que aparentemente os Abraxans não estavam sendo levados para Manhattan, e teve certeza quando eles começaram a descer e pousaram nas ruínas de uma fábrica. Scorpius fez o Saoen ficar parado ali em cima para assisti-los. 

  Os cavalos, assim que pousaram, tombaram sobre as pernas. Os seus amigos mal se mexiam. Já os agoureiros voltaram a sua forma humana. Agindo artificialmente como soldados, conseguiram puxar com eficiência dois dos animais e posiciona-los em uma posição de Y. Depois entraram no meio da formação e se seguraram em um pneu velho com uma mão, e com a outra tocaram os focinhos dos abraxans. Eles giraram vigorosamente, e tão rápido que Scorpius mal percebeu quando eles desapareceram. Era um portal. O pneu era um portal. 

  Ele começou a entrar em desespero. 

  Estavam muito perto da MACUSA para que eles fossem para lá de portal. Eles não tinham ido para a Macusa, tinham ido para outro lugar em que ele nunca os acharia. 

  Scorpius sentiu a boca seca e os olhos arderem. Tinha a leve possibilidade de tudo ter dado errado. Ele encostou a testa no Saoen e respirou fundo. Talvez existisse alguma técnica do ministério de rastrear portais. Por Merlim, tinha que ter. 

 

***

 

 

 Lily achava que seu nariz nunca mais seria o mesmo. Estava cheirando mofo a tanto tempo que temia que seu nariz estivesse arruinado. Seu pobre narizinho sardento. 

  Ela estava exausta também. Não tinha dormido desde que chegara à prisão. Também não queria deixar Luke sozinho, ainda não confiava cem por cento nele. Havia dormido por alguns minutos depois do momento constrangedor de choro que passara, e mesmo que ele não tivesse feito nada, Lily ainda lembrava de Albus falando mal de Luke. 

  -Vou olhar mais uns diários. -ela disse, se esforçando para levantar. 

  Luke a impediu, puxando-a para baixo novamente.

  -Você precisa descansar. 

  -Para? Não tenho varinha, não sei lutar, no máximo posso correr e disso a adrenalina pode cuidar. Enquanto posso, vou juntar informações.

  -Inútil. 

  -Está chamando quem de inútil? -ela disse, a voz subindo dois oitavos. -Quero que saiba que... 

  -Não você! -ele interrompeu. -Estudar tudo isso, agora é inútil. 

  -Não acho. 

  Antes que ele pudesse tentar, ela levantou e correu para os diários. Ela pegou um dos diários de Tom Riddle, que era um dos que mais a interessava, subiu na cadeira que Luke tinha colocado sob a lâmpada mais cedo, e começou a ler. 

  Tom escrevia bem. Tinha um ótimo dom de contar e detalhar uma história. Lily estava fascinada. Não que concordasse com o que ele dissesse, mas a ideia de ter um inimigo tão potencialmente esperto e ardiloso deixava seus ombros tensos. 

  -Descobriu algo que vai nos tirar daqui? -Luke perguntou, já sabendo a resposta. -Ou algo que nos de esperanças? 

  -Hum... não. Sabia que Tom Riddle matava passarinhos? -ela disse, com o tom totalmente acadêmico. 

  -Passarinhos? -Luke soou enojado. -Por que?

  -Segundo ele, passarinhos o irritavam. 

  -Não é um bom motivo. -Luke resmungou. -Lily, por que você não vem dormir?

  -Não estou com sono. 

  Era mentira. Seus olhos estavam pesados e ela se esforçava em mantê-los abertos.

  -Acho que achei... -suas palavras foram morrendo a medida que suas pernas cediam sob o seu peso. 

  Luke levantou em um pulo quando viu os olhos dela fechando pesadamente, correu e conseguiu segura-la, com esforço, sem que ela caísse no chão. Tirou-a da cadeira e a deitou no chão, não era mais limpo que qualquer outro lugar ali, mas era oque tinham. 

  -Você é teimosa como um burro. -Luke reclamou enquanto a deitava. -Precisamos dormir, sua idiota. 

  Lily resmungou:

  -Idiota. -porque era claro que ela nunca deixaria passar um xingamento. 

  Isso fez Luke rir. Uma risada curta. Ele deitou ao lado dela e dormiu um sono pesado e sem sonhos.

 

***

 

  Voltar para a escola depois de uma fuga perfeita e sem nenhum dos seus aliados era vergonhoso. 

  Quando Scorpius pulou nas escadas da frente da escola, percebeu quão sozinho estava e quantas perguntas teria que responder. Rapidamente dispensou o Saoen. Enquanto subia as escadas, tentou formular boas respostas para as perguntas mais óbvias, procurando um jeito de não se entregar totalmente. 

  A princípio tudo estava silencioso, e a sensação disso fez um frio correr na espinha de Scorpius. Só havia o barulho do vento lá fora, e quando as portas se fecharam, nem isso. E se estivessem todos mortos? A pergunta o fez gelar no meio do hall e apurar os ouvidos para encontrar um resquício de som. Ouviu o som de alguns quadros murmurando. Até que... 

  -Scorpius? - a voz veio de cima. 

  No primeiro degrau da escada estava Gina Potter, com o rosto tenso como uma corda de arco. Ao som do seu nome, mais uma multidão se juntou a ela, e logo uma manada de bruxos vinha na sua direção. Inconscientemente Scorpius recuou assustado. 

  -Onde estão os outros?

  -O que aconteceu?

  -Algum machucado?

  -Foram os agoureiros?

  Todas essas perguntas o bombardearam ao mesmo tempo. Scorpius tentou olhar para todos, mas aqueles rostos curiosos pareciam um único borrão barulhento.

  -Chega! -uma voz bradou acima dos demais. 

  Todos se calaram. 

  Contornando o grupo Draco apareceu. Parecia cego de raiva e... preocupação. Scorpius vira aquela mesma expressão quando ele e Albus sumiram com o vira tempo, sabia que a raiva não era dele, mas a preocupação sim. Não que seu pai não se preocupasse com ele normalmente, mas ele era mais tendencioso a apontar as falhas e puni-lo com um olhar indiferente e irritado, assim Scorpius nunca repetiria o que tinha feito. Quando isso acontecia Scorpius sabia que era sério. 

  -Deixem ele em paz. -Draco se colocou no meio de Scorpius e da multidão, voltado para o filho. -Você vai me contar exatamente oque aconteceu, -ele disse baixo para Scorpius. -Sem detalhes por fora. Eu sei que vocês armaram isso tudo, apesar de eles acreditarem que vocês foram sequestrados. Você vai me contar Tudo, ouviu Scorpius?

  Scorpius assentiu, sem conseguir dizer uma palavra. Seus olhos grandes e cinzentos arregalados e sem escolha.

  -Ótimo. 

  Draco puxou o filho pelo ombro e o levou escada acima. Atrás dele vieram as diretoras, Gina, Hermione, que tinha chegado ali mais tarde e um homem que Scorpius ainda não conhecia, mas era representante do Ministério da Magia os Estados Unidos. 

  Eles entraram numa sala de aula vazia e Draco fez o filho sentar em uma das carteiras. 

  Assim que a porta foi fechada, Draco disse:

  -Vamos, comece a falar. 

  Scorpius, finalmente com mais espaço pessoal, conseguiu distinguir o rosto de cada um naquela sala. Gina parecia prestes a um colapso, e tinha razão, todos os seus filhos estavam sumidos e ele havia aparecido sem nenhum deles. Hermione tentava se manter neutra na expressão, mas um nervo na boca dela tremia. O homem de rosto redondo e liso, como um grande bebê, olhava-o através de óculos quadrados e grossos, deixando seus olhos minúsculos. E tinham os diretores, que olhavam-no como se ele fosse um terrorista. 

  Scorpius se ajeitou na cadeira ganhando tempo para pensar.

  -Achamos isso no Salão Principal. -disse Draco, jogando na mesa à frente dele o saquinho de veludo. -Qual o seu envolvimento com isso? 

  Scorpius respirou fundo e começou a contar, desde a hora do ataque até o momento em que caiu do abraxans.

  -Vocês roubaram os abraxans? -disse Fleur, surpresa. 

  -Vocês não perceberam? Pegamos três. -Scorpius não conseguia acreditar que o sumisso dos três Abraxans da carruagem não tinha sido notado.

  -Quando isso aconteceu? -questionou McGonnagal. 

  -Quando o Saoen foi solto...

  -Isso era um Saoen? -disse Draco, apontando para o saquinho aberto. 

  Scorpius assentiu relutante. 

  -E como você conseguiu isso? -Draco voltou a perguntar. 

  -Não tem importância agora! Eles levaram todos eles e Simon estava mentindo esse tempo todo! -Scorpius tentou. -Depois resolvemos os detalhes, eu conto tudo de novo, podem até me expulsar da escola, mas vamos ao que interessa. 

  Apesar de toda a tensão na sala e da exigência de saber sobre tudo oque havia se passado naquele curto espaço de tempo, as palavras de Scorpius surgiram efeito. 

  -Você sabe dizer onde eles sumiram? -perguntou Hermione. 

  Scorpius assentiu. 

  -Ótimo. Draco você acompanha Scorpius e o Ministro? 

  -Acompanho. -disse Draco sem tirar os olhos do filho. 

  Scorpius respirou fundo e baixou a cabeça entre as mãos. Queria ir naquele exato momento até o lugar em que Albus havia desaparecido, mas parecia que todos estavam muito burocráticos. Qual era a dificuldade de ir lá imediatamente e pegar os depoimentos depois? 

  Sua cabeça estava começando a doer. De repente, todas as lágrimas que tinha segurado e que o vento havia secado, começaram a borbulhar dentro dele, queimando os canais lacrimais, dando aquela falta de ar de quando se segura o choro. 

  -Scorpius. -chamou uma voz gentil. 

  Ele olhou para cima e Gina estava ao lado da carteira. 

  -Você tem alguma mínima ideia de porque só você não foi levado? 

  Scorpius engoliu em seco. Sem perceber havia esquecido de contar sobre seu encontro com Simon na enfermaria. 

   -Uma vez eu estava na enfermaria e contei um plano falso para ele. Eu... já estava duvidando que ele estivesse passando informações para Delphi. Fiz ele acreditar em mim até hoje para ter a prova de que ele realmente estava envolvido. Por isso criei o Saoen. -ele relanceou um olhar para Draco que havia abrandado e estava encostado numa parede. -Eu sabia que ele iria me atacar por causa do meu "plano", ele tinha que ter certeza que eu iria morrer. Mas ele não esperava que eu soubesse disso.

 -E por que você estava na enfermaria? -perguntou Draco, olhando-o com curiosidade.

  Scorpius franziu a testa. 

  Pensando agora, nunca tinha parado para relembrar como chegara lá. Se não se enganava estava num tipo de "conselho de guerra" na biblioteca, lembrava-se de como seus amigos estavam nervosos com a ideia de matar Delphi. Lembrava-se de Simon se opondo fervorosamente.  Havia sido no mesmo período em que ele estava tendo problemas de insônia. 

  Scorpius piscou atordoado. 

  -Eu não me lembro bem. -disse coçando a nuca como uma distração para evitar o olhar desconfiado do pai. -Estávamos na biblioteca. Acho que passei mal.

  Então, com um estalo, a lembrança veio de forma abrupta. Um vinco se formou na testa de Scorpius a medida que ele compreendia tudo que havia apagado antes do momento da enfermaria. De fato havia passado mal, mas fora mais que isso. Sua mente fora invadida brevemente mesmo após o tratamento de Anabel, oque provavelmente havia ocasionado a reação tão violenta no seu corpo, como se alguém tivesse chutado até abrir uma fresta na porta fechada da sua mente. 

  Agora lembrava-se da dor, de ter se curvado e sentido uma pressão tão grande crescer de dentro do seu corpo que trincara os dentes. Por muito tempo achou que tivesse sido Delphi, mas agora... Se estivesse correto sabia onde estavam os seus amigos. Alguém havia o dado um vislumbre do local. Delphi não faria isso. Quem era a encarregada de invasão de mentes era Rose, ela devia estar tentando bisbilhotar e, querendo ou não, havia o dado uma pista, por isso a violência em entrar na sua mente. E principalmente de tão longe. 

  Scorpius respirou fundo e se levantou. Todos que antes estavam envolvidos em discussões acaloradas sobre oque fazer em seguida, viraram-se para ele. 

  -Eu... acho que sei onde eles estão. 

  Do outro lado da sala Draco ergueu uma sobrancelha surpreso. 

  -Sabe?

  Scorpius fez que sim. 

  -Há um minuto você não sabia de nada. -insistiu Draco. Scorpius não o culpava pela desconfiança, provavelmente o pai era o único que realmente reconhecia os traços de magia das trevas em Scorpius. Magia sempre deixava rastros, o próprio pai o contara. Era como sentir o cheiro da fumaça antes de chegar à fogueira. Era um rastro. Só quem havia convivido ou convivia muito com esse tipo de magia que o sentia, era como um pinicar na pele. Scorpius imaginava que, se fosse assim, seu pai já devia estar todo se coçando. -E então? Como sabe agora?

  -O senhor me perguntou oque havia acontecido para que eu fosse para a enfermaria. Naquele dia eu tive uma espécie de convulsão na biblioteca, na hora eu achei que fosse Delphi tentando entrar na minha mente, mas não acho que foi ela, deve ter sido Rose. Acho que ela tentou ver através da minha mente oque estávamos fazendo. Me deu um vislumbre de onde Delphi levou todos os outros.

  -E o que voce viu? -perguntou Gina, ansiosa.

  -A lápide de Tom Riddle.

 

 


Notas Finais


Olá!!!
Perdão pela demora. As vezes bate a paranoia de que não sei mais escrever. Espero que tenham gostado.
Fiquem saudáveis, por favor ✨✨


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