História STIGMA - taekook;vkook - - Capítulo 29


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Black Pink, EXO, Girls' Generation, Kim Seul-gi, SHINee
Personagens Baekhyun, Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Seul-gi, Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Minho Choi, Park Jimin (Jimin), Personagens Originais, Rosé, Yoona
Tags Bangtan, Bangtan Boys, Bangtan Sonyeondan, Boyxboy, Bts, Comedia, Coreano, Fanfic, Fluffy, Gay, Homossexualidade, Jeongguk, Jikook, Jungkook, Kookv, Kpop, Lemon, Lgbt, Lgbtq, Namjin, Original, Romance, Smut, Soft, Taehyung, Taekook, Vkook, Yaoi, Yoonmin
Visualizações 170
Palavras 3.898
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Slash, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


AEEEEEEEEE!
Quem é vivo sempre aparece!
Menos eu, que to viva e nunca apareço.
Me desculpem pela demora absurda pra trazer esse capítulo. To tentando organizar minha vida <333333
Obrigada por quem teve a paciência de esperar e BOA LEITURA

Capítulo 29 - Kim


Fanfic / Fanfiction STIGMA - taekook;vkook - - Capítulo 29 - Kim

JANEIRO

 

Uma e cinco, uma e seis, uma e dez... A cada minuto encarar o relógio parecia mais entediante, mas não era o que meu corpo dizia. Meu estômago roncava de fome e doía de angústia, minhas mãos suadas procuravam abrigo nos bolsos da calça e os olhos vagavam inquietos entre os ponteiros do relógio branco na parede e as outras pessoas presentes ali.

- Ficar olhando pra ele não vai fazer o tempo passar mais rápido.

- É, mas vai me distrair da diarreia que meu intestino quer que eu tenha – respondi em tom igualmente baixo ao dele.

Taehyung riu atrás de mim, encostando a testa em meu ombro, provavelmente em uma tentativa de se livrar do próprio cansaço. Do outro lado da pequena sala, Irmã Hyunah roía as unhas curtas e batia os sapatos pretos no azulejo. Por trás da mesa de madeira, a Irmã Dulce remexia alguns papeis, sem compartilhar do nosso nervosismo evidente.

Ela não tinha a mesma idade de Jungah, mas certamente já possuía mais que o dobro de Hyunah. No entanto, sua pele parda ainda resistia em mostrar os sinais da idade e os cabelos organizados demonstravam muita vaidade. Tinha uma postura elegante, a voz leve como uma pluma e guardava a fala como se fosse uma pedra preciosa. Havia chegado na mesma semana, mas tinha um profissionalismo inigualável que nos fazia imaginar que ela sempre estivera ali.

- Hyunah vai assumir a situação, certo? Não precisaremos falar nada a ele, certo? Vai ficar tudo bem, certo?! – meu tom de voz calmo não combinava com a expressão gritante de pânico no rosto. Foi isso que fez Taehyung rir novamente em resposta.

Duas batidas firmes na porta. Saltei e, sem perceber, minha mão agarrou a camiseta de Taehyung. Era só o porteiro.

- A visita que estavam esperando já está no pátio.

 

[...]

 

Minhas palmas suadas buscaram as de Taehyung, mas as dele se esquivaram, fazendo-o cruzar os braços. Me senti desprotegido. Não sabia por que aquela situação me causava tanta estranheza, mas precisei me apoiar em um pilar pra ter certeza de que não cairia desmaiado. Eram duas pessoas. Dois homens.

O mais alto tinha um cabelo de fios lisos repartido, com a testa à mostra e uma única covinha nas bochechas sorridentes. Apesar da gentileza, o pobre homem parecia ter as pernas tão nervosas quanto as minhas, mas fazia um esforço muito menor para não demonstrar. Sua risada nervosa quase me tranquilizava, se não fosse pelo homem que ele acompanhava.

O outro usava óculos escuros. Tinha os cabelos também lisos, mas negros e bagunçados. Sobre os ombros largos, uma camiseta social cor de rosa com as mangas enroladas e um relógio generoso no pulso. Não sabia qual a utilidade de perceber aquele detalhe, mas as pequenas veias demarcadas em seu antebraço me chamaram a atenção. Aquele definitivamente era o homem de negócios que havíamos imaginado.

- Eu me chamo Kim Namjoon, acredito que a secretária falou com você ao telefone, sim? – ele se direcionou a Hyunah, forçando o sorriso mais gentil que pôde naquelas circunstâncias.

- Sim, era eu. É realmente um prazer conhecê-lo, senhor Kim. Eu suponho que você seja...

- Kim Seokjin – o outro completou a frase de Hyunah, sem o mesmo esforço pra ser cordial – se importa de me levar até o local agora?

Ele era tão seco e fechado na fala quanto a sua expressão, constrangendo o outro que o acompanhava. Pega de surpresa, Hyunah hesitou em responder, mas logo pediu que ele a seguisse até o quintal, onde encontravam-se as duas sepulturas.

Foi quando eu mais temi um desarranjo intestinal. Éramos apenas eu, Taehyung e Namjoon. Apesar da simpatia do homem, não saberia me portar diante dele. Não saberia se teria saúde o suficiente pra sair daquela situação. Eu só esperava muito que Taehyung...

- Nós somos Taehyung e Jungkook. Moramos aqui – o ruivo sorriu gentilmente.

- Ah, ótimo! – ele soltou sem pensar – ou, quer dizer... eu sinto muito... eu... – e fingiu que não deixou a frase incompleta, colocando um sorriso mais desconfortável ainda por cima do anterior.

- Por favor, não precisa disso.

- Ok – ele tentou amenizar a expressão de autodepreciação.

- Você é irmão de Seokjin? Percebi que têm o mesmo sobrenome – Taehyung continuou.

- Ah! É verdade. Pra ser sincero, o sobrenome igual é apenas uma coincidência, mas sim, somos parceiros.

- Parceiros como... colegas de quarto?

- Parceiros como... duas pessoas casadas.

E eu ri. E não foi baixo. Dei uma gargalhada alta bem diante do homem. E eu quis a morte por isso. Por que diabos eu estava rindo por ele ser casado? Taehyung me encarava em confusão e o homem tinha as bochechas coradas, apesar de a pele ser levemente bronzeada. Momentos como esse não precisariam existir se eu tivesse ido ao banheiro e ouvido o pedido do meu intestino. Eu, mais uma vez, odiava Jeon Jungkook.

- Eu... nossa, eu sinto muito mesmo, eu não sei por quê eu... foi sem querer...

- Tudo bem, eu acho – o homem respondeu, mais envergonhado do que nunca – afinal, estamos em um orfanato religioso. Me desculpem se fui ofensivo ou... sei lá.

- Não! De jeito nenhum, não foi por isso, eu só... me desculpe.

Quer dizer, eu amava o ruivo que estava ao meu lado, por que eu iria rir de alguém que conquistou o que eu gostaria de ser? Eu queria, um dia, poder estar na pele de Namjoon e dizer as palavras que ele disse com a mesma facilidade. Ele era bem mais velho do que nós, provavelmente já havia superado a fase em que eu estava. A risada foi um reflexo... um reflexo sem sentido nenhum. Ou talvez fizesse perfeito sentido. Eu estava feliz. A risada foi um reflexo de alívio súbito por perceber que meu nervosismo era sem fundamento, pois ele era um pouco mais parecido comigo do que eu imaginava. Havia mesmo um homem diante de mim que casou com outro homem? Isso era possível? Era o tipo de coisa que eu imaginava na minha cabeça fantasiosa, mas, aparentemente, isso realmente existia lá fora. Eu estava radiante e fui pego de surpresa, apenas isso.

- Quer dizer, nós entendemos – segurei o braço de Taehyung porque, de alguma forma, queria que Namjoon nos visse. Queria que ele soubesse o que se passava ali. Queria que ele me ajudasse. Como havia feito pra perder a timidez sobre aquele assunto? Como era tão corajoso? Queria que ele me ensinasse, queria que me aconselhasse, queria me sentir incluído, pelo menos durante aqueles cinco minutos no pátio.

- Nós entendemos e respeitamos que cada um faz suas escolhas. Não se preocupe, Namjoon – Taehyung respondeu firme, esticando os braços para se alongar e retirando minha mão dele. Achei que ele fosse o primeiro a querer contar pro homem diante de nós que éramos como ele. Talvez eu tivesse achado errado.

- Ok, eu também respeito que pensem diferente. Por falar em respeito, eu sinto muito que Seokjin tenha sido um pouco... ríspido. Não tem sido fácil pra ele. Ele chegou de uma viagem longa de negócios ontem à noite, recebeu a notícia sobre as mortes, passou a noite em claro e viajamos cedo pra chegar aqui de carro. Ele não trocou uma palavra sequer no caminho. Acho que isso tudo foi realmente pesado pra ele, espero que entendam. Ele geralmente não é assim. Talvez só precise de um tempo sozinho com os próprios pensamentos.

- Ele precisa de luto – Taehyung concluiu, parecendo perdido nas próprias ideias – todos precisamos de luto ao perder alguém que amamos. Não devemos privar ninguém disso.

- Sim, eu concordo – Namjoon ajustou a voz, deixando-a mais grave e séria.

- Enquanto ele está ocupado, gostaria de andar por aí pra conhecer o prédio?

- Claro, parece ótimo!

E o ruivo saiu caminhando, seguido pelo moreno alto. Eles conversavam em tom baixo e seguiram em direção ao jardim lateral. E eu estava ali, sem entender nada. Por que não os acompanhei? Talvez fosse melhor manter distância depois da risada estúpida que dei. Uma das únicas pessoas que poderiam me compreender provavelmente me achava um babaca por ter rido do seu casamento. Jeon Jungkook não aprendia nunca.

Segui também para o quintal, onde encontrei Seokjin à distância. Ele estava sozinho, ajoelhado diante das duas pequenas lápides, aparentemente em silêncio. Fiquei ali por longos minutos observando a quietude do homem, acompanhada de uma brisa morna e um clima nublado. O nervosismo havia acabado e algo na forma como ele ficava ali parado me trazia paz. Não necessariamente uma paz boa, mas talvez uma sobriedade que eu conhecia muito bem.

Bem mais longe, pude ver quando Taehyung e Namjoon caminharam conversando. O ruivo gargalhava de alguma coisa que o outro disse e, de vez em quando, os dois assumiam uma feição mais séria e respeitosa. Pareciam estar se dando bem demais. No entanto, era uma pena que Taehyung queria esconder sua identidade. Se fosse tão angustiado quanto eu, estaria desesperado pra arrancar respostas do mais velho. Estaria ansioso por consolo e compreensão. Como eu estava diante deles.

Pelo menos dez minutos se passaram depois que os soluços de Seokjin começaram, até ele se recompor e caminhar em minha direção. Por motivos que eu não compreendia, vê-lo vindo até mim já não parecia mais tão aterrorizante. Ele se assemelhava muito a mim dessa vez.

- Achei que estivesse com a Irmã Hyunah.

- Eu pedi a ela que me deixasse um pouco a sós, acredito que ela entrou de volta no prédio – ele mexia no relógio prateado, tentando evitar o contato visual, apesar de os óculos escuros não mais lhe cobrirem os olhos.

- Vocês serão bem-vindos sempre que quiserem as visitar, espero que saiba disso.

- Nós não moramos aqui perto – ele respondeu, acenando com a cabeça.

- Sinto muito que não tenham consultado você antes. A Irmã me explicou que foi um pedido de Jungah ficar aqui.

- Tudo bem... eu estava viajando e provavelmente não teria como cuidar disso de qualquer forma... – ele riu, secando uma lágrima com rapidez e parecendo soar ridículo aos próprios ouvidos.

- Ela era uma mulher boa. Elas eram – aquele ainda era o mesmo Eu que cresceu ali. Sabia de muitas coisas que Jungah havia planejado pra nos prejudicar, sabia de seus preconceitos, sabia de quão longe ela havia ido pela infelicidade de Yoongi, meu melhor amigo. No entanto, naquele momento, foi a primeira frase que me veio à mente e meu coração não parecia discordar.

- Eu aposto que sim – ele riu novamente, tentando impedir que todas aquelas lágrimas fossem vistas – há quanto tempo você as conhecia?

- Por toda a minha vida. Foram elas que me receberam aqui e eu estive aqui até o último dia delas. Elas praticamente me criaram – falei espontaneamente, só percebendo depois o quanto aquilo poderia parecer desrespeitoso. A mãe dele havia me criado. Desejei retirar aquelas palavras estúpidas do ar, mas temi que já fosse tarde demais e talvez só piorasse a situação, como havia feito mais cedo. Decidi pelo silêncio e torci pra que ele confiasse o suficiente em minhas boas intenções.

- Eu sei o que vocês mencionaram sobre um livro. Eu realmente gostaria de... ler todo o material antes de dar uma resposta. Espero que entendam.

- Claro! O nosso plano desde o início era que você lesse tudo antes de autorizar. Sei que vai ser muito difícil pra conseguir publicá-lo e nós vamos dar um jeito de arcar com os custos—

- Não. Isso não é um problema. Eu sou dono da maior editora do país e, se for o caso, posso resolver toda a burocracia. E as despesas ficarão por minha conta. Só peço que organizem todo o conteúdo pra que eu leve comigo ainda hoje, pois vou ter uma breve folga do trabalho e preciso resolver isso. Também posso dar conta de custos com advogado, se for preciso.

Me calei diante da voz sóbria e orgulhosa do homem. Ele era dono da maior editora do país? Não era à toa que tinha um ar tão sofisticado, pois deveria ser desgraçadamente rico. Só agora me ocorria que o filho órfão de Jungah era um homem importante de negócios, que além de fazer viagens internacionais, tinha uma agenda lotada, um marido e, provavelmente, muito dinheiro.

- Namjoon disse que viajaram durante a manhã toda pra chegar aqui, talvez queiram comer alguma coisa? – tentei mudar de assunto sem parecer patético.

- Na verdade, sim. Estou morrendo de fome. Vocês dois poderiam nos acompanhar até algum restaurante próximo daqui? – ele disse, se referindo a mim e a Taehyung, que conversava com Namjoon à distância. Por um momento, me permiti ignorar que éramos proibidos de sair do prédio e apenas assenti. Meu estômago concordou com a atitude. Eu estava prestes a fugir do orfanato com um dos homens mais ricos do país, que não tinha preconceitos sobre homossexualidade e iria nos pagar comida? Eu precisava chamar Yoongi.

 

[...]

 

- Eu nunca comi tão bem em toda a minha vida – Yoongi disse, ou pelo menos eu achava, já que ele falava enquanto enfiava um picolé gigante de limão na boca.

Namjoon riu da situação e Seokjin ainda pareceu assustado com os três monstros famintos que ele havia concordado em levar ao restaurante. Comemos acima dos nossos limites e Yoongi não parava de roubar comida do prato de Namjoon. Aparentemente, os dois encontraram na música um assunto em comum e estavam se dando incrivelmente bem desde então.

O almoço terminou sem grandes constrangimentos. Respondemos as perguntas que Seokjin nos fez sobre a própria família, tentando evitar os detalhes sujos porque, àquela altura, não serviriam de nada. Naquele momento, saindo pela porta do estabelecimento, nós três tomávamos picolés enquanto os dois mais velhos nos acompanhavam para fora. Parecíamos realmente como seus três filhos.

- Você acha que deveríamos ter convidado Hoseok? – perguntei em voz baixa para Taehyung, colocando uma mão na sua cintura. O ruivo riu e se esquivou do meu toque antes de responder.

- Sei lá, acho que ele estava com Taeyeon hoje, de qualquer jeito. Ele não sabe ter uma namorada sem esquecer dos amigos.

- Acho que já devemos voltar, não? – perguntei em direção ao grupo.

- Não, você está louco, Jungkook? Estamos ótimos aqui – Yoongi terminou o picolé, mordendo o palito e se escorando em Namjoon, esperando por aprovação. O mais velho gargalhou pelo abuso.

- É verdade. Já que estamos por aqui, acho que tenho um lugar legal pra te mostrar, Yoongi – Namjoon disse, ganhando a total atenção do garoto de cabelo azul-piscina.

- Pra mim?! – ele quase se engasgou com o palito, se colocando prontamente disposto a ir aonde quer que fosse.

- Sim, fica a umas cinco ou seis quadras daqui, mas acho que você vai gostar de conhecer.

Entramos novamente no carro luxuoso do casal, vendo Namjoon estacionar o veículo a alguns metros dali. A rua não era muito movimentada e a maior parte dos prédios pareciam ser de estilo mais antigo, sendo alguns restaurados e outros não. Seokjin se mantinha discreto, enquanto a dupla formava um trio barulhento com Namjoon e eu apenas observava.

Adentramos uma pequena loja antiga na esquina, um pouco abaixo do nível da rua e com o teto baixo. Com as luzes acesas, era perceptível que se tratava de uma loja de discos antigos. Havia alguma poeira aqui e ali, sem contar com a madeira desgastada de algumas estantes e um cheiro quase incômodo de mofo. Apesar disso, parecia estranhamente aconchegante.

- Wow, quando você reformar isso aqui vai ficar realmente bom – Yoongi exclamou.

Ouch. Na verdade, já está pronta – Namjoon riu, sem jeito, ganhando um olhar desajeitado do garoto pálido.

- Ah, entendo... – ele tentou não se mostrar desconcertado e ganhou uma gargalhada de Taehyung. Seokjin tinha um sorriso malicioso nos lábios ouvindo aquela conversa.

- Na verdade, eu sei que está um pouco suja, mas é porque o movimento nessa região é fraco e não tenho vendido muito, por isso ela não abre todos os dias. Mas a ideia é que seja uma loja antiga, não queria reformar e nem tirar a essência de prédio antigo que ela tem, sabe? – Seokjin riu – Jin queria que eu fechasse essa e abrisse uma mais próxima do centro, com um ar mais moderno, mas eu realmente gosto dela assim.

- Se ela pelo menos vendesse, eu não reclamaria – o homem de cabelos negros riu, ganhando um empurrão de leve de Namjoon.

- Ei! Assim você machuca os meus sentimentos. Eu gosto muito dela – Seokjin passou um braço ao redor de Namjoon e depositou um beijo na sua cabeça, apesar de o outro ser mais alto do que ele.

- Yoongi, você ainda está com a gente? – Taehyung riu alto, vendo que o outro estava estático encarando a quantidade de discos em uma das prateleiras. Alguma coisa parecia lhe chamar muito a atenção.

- Onde você conseguiu isso? – Yoongi tinha um tom de voz cauteloso quando retirou um dos discos da prateleira e mostrou a Namjoon. O outro pareceu reconhecer de imediato o disco que ele havia escolhido.

- Esse é um dos meus favoritos! Você também gosta?

- Ela é a minha mãe.

- O quê?! – Namjoon riu, achando que se tratava de mais uma graça do garoto mas, ao tomar o disco nas próprias mãos, percebeu que não parecia uma ideia tão absurda... o sobrenome era igual, pelo menos.

- Ela era minha mãe.

- Você não pode estar falando sério... – Namjoon disse, apesar de já aparentar acreditar no que Min alegava. Taehyung se aproximou da cena.

- Aigoo, é mesmo a mãe dele, Namjoon! Eu já vi esse disco antes. Yoongi tem um igual no orfanato.

- Ela era a sua mãe?! Você é filho dela? – Namjoon apontou pra foto na capa e Yoongi assentiu – droga, quando disse que amava música por conta da sua mãe, eu nunca iria imaginar que a sua mãe era ELA!

Todos riam da situação, vendo o quão assustado e animado Namjoon estava. Aparentemente, ele era muito fã da mãe de Yoongi e tinha uma minúscula coleção de discos, entrevistas impressas em jornal e duas fotos de uma revista antiga. Yoongi não soube se conter quando viu os escritos, correndo pra ler o que eles diziam e sendo acompanhado por todos nós.

- “Ícone da música Pop declara apoio à comunidade gay e abala popularidade” – Taehyung leu em um dos recortes minúsculos de jornal – eu achei que se chamasse comunidade LGBT, não?

- Esse é um jornal bem antigo, o mundo tem mudado bastante – Namjoon disse sorridente, vendo que todos se interessavam pela sua pequena coleção sobre o balcão – sua mãe era um ícone, mas não só da música pop. Ela foi minha primeira artista favorita, foi quem fez eu começar a compor minhas próprias músicas. Droga, Yoongi! – em um surto de alegria, Namjoon carregou o pequeno pelas costas fazendo-o rir, mas sem desviar sua atenção do papel que lia.

- Vocês precisam ouvir isso – Yoongi tinha um sorriso atravessado de um canto ao outro do rosto – “apoiar a comunidade gay fechou muitas portas na minha carreira. Não é à toa que hoje faço poucos shows e por várias vezes me ofereceram pra que eu me aposentasse dos palcos, mas se eles pensam que virar as costas para mim vai me calar, estão errados. Eu vou gritar mais alto até que não possam me ignorar, eu quero incomodá-los”.

Todos riram das palavras que a mãe de Yoongi disse na tal entrevista. Ela realmente parecia alguém com ousadia o suficiente pra ir contra as crenças da própria época. Isso justificava o sorriso orgulhoso do filho que a conhecia um pouco mais agora.

- Tae, esse trecho eu quero ler especialmente pra você – Yoongi se virou para o ruivo, com o tom de voz claramente emocionado – “eu não preciso ter a cor da pele negra pra saber que racismo é errado, nem precisaria ser mulher pra entender que nós podemos ter a nossa própria vida profissional, se quisermos, da mesma forma que não preciso ser parte da comunidade gay para defender a liberdade de amar. Pra saber de tudo isso, basta ter neurônios e sentimentos, e eu os tenho. Todos temos. Se os usássemos corretamente, viveríamos em um mundo melhor.”

- Esse é o meu trecho favorito – Namjoon acenou com a cabeça, orgulhoso por ser fã de quem proferiu aquelas palavras.

- Droga, Yoongi! A sua mãe é a melhor pessoa que já existiu! – Taehyung sorria ao ouvir aquelas palavras. Eu mesmo sorria junto e só então havia percebido.

- Eu sei, Tae – Yoongi não desfazia o sorriso, nem mesmo quando algumas lágrimas caíram e todos o abraçaram em consolo.

- Você precisa vir comigo até o estúdio, Yoongi! – Namjoon estava eufórico.

- O seu estúdio de música?

- Claro! Eu sei que você não tem experiência com a criação de música ainda, mas eu posso te ensinar algumas coisas. Nós temos a mesma inspiração, no fim das contas. Sua genética vale ouro e você precisa usar isso pra música.

- Eu vou sair do orfanato em breve – Yoongi tentou esconder o riso de ansiedade, mas não conseguiu.

- Então, quando sair venha para o estúdio. Você pode conseguir algum lugar lá perto pra morar... não sei. Mas você precisa trabalhar comigo. Eu tenho várias letras e arranjos que eu poderia te mostrar.

- Tudo bem, eu acho – o garoto pálido ainda se sentia pequeno diante do mundo, era evidente. Ele ainda tinha dificuldade em acreditar que alguém mais velho, mais experiente e melhor sucedido queria aprender com ele. Aquele não era o tipo de experiência que nós costumávamos ter com adultos.

A conversa se estendeu por mais algum tempo na pequena loja, até que a noite começasse a chegar e voltássemos pro carro, seguindo para o orfanato. O caminho de volta era bem mais silencioso. Yoongi encarava as ruas, quieto e pensativo, sem desfazer o sorriso. Seokjin cochilava encostado na janela e Namjoon dirigia em baixa velocidade. Taehyung, por sua vez, começava a cair no sono e, acidentalmente, deixou a cabeça cair sobre meu ombro, encontrando ali um bom local pra dormir.

Sorri ao ver que, mesmo que ele tivesse parecido tão distante durante aquele dia, ainda era natural que buscasse meu colo pra dormir, porque era assim que passávamos todas as noites. Me estiquei um pouco e depositei um selinho em seus lábios, sem que ele acordasse. Também me permiti sentir o cheiro do seu cabelo ruivo e depositar mais um beijo ali, sem pressa. Quando levantei o olhar, Namjoon nos fitava pelo vidro retrovisor e não soube disfarçar um pequeno sorriso, que foi denunciado pela sua covinha.

Ele sabia, no fim das contas. Sabia que eu e Taehyung havíamos, de uma forma estranha, encontrado conforto neles dois. Talvez eles não compreendessem nossos problemas e talvez nós também não compreendêssemos os problemas deles, mas havia a afinidade. Havia, de um lado, o medo, a angústia e a insegurança e do outro talvez houvesse a mesma coisa, mas também havia a experiência. Dentro daquele carro, naquela viagem curta até o orfanato, preso com aquelas quatro pessoas tão diferentes e tão semelhantes a mim, eu finalmente me sentia incluído. Talvez o mundo não nos incluísse de volta ou talvez incluísse, quem sabe. O que importava era que, enquanto tivéssemos uns aos outros, haveria ali um espaço seguro, confortável e sagrado.


Notas Finais


VCS ACHARAM QUE NÃO IA TER NAMJIN?????!!!!!!!!! Só digo que Namjin não é real porque, se fosse, seria poderoso demais pra esse mundo suportar. Eh isto. Se esses dois ANJOS INCRÍVEIS SENSACIONAIS MARAVILHOSOS CORAÇÕES DE OURO fossem um casal, seria o fim do universo.
To feliz que o menino jungoo percebeu que é perfeitamente possível viver um amor homoafetivo, por mais cruel que o mundo lá fora pareça ser pra ele. Namjin tá aí pra provar isso. Juntos, firmes, fortes e ricos.
Prometo não demorar mais tanto quanto demorei pra trazer esse capítulo :( às vezes fica realmente difícil escrever.
OBRIGADAAAA!!! aaaaaaaaa espero que tenha sido um bom capítulo
To feliz que voltei


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