1. Spirit Fanfics >
  2. Stitch Boy - Yeonbin >
  3. Chapter IV - R

História Stitch Boy - Yeonbin - Capítulo 5


Escrita por:


Notas do Autor


Aloha!! S2

O trailer saiu!! >.<

Vou pôr o link nas notas finais.

Por favor, vejam e dêem like pra alcançar pessoas de fora do site.

Ah! Eu também fiz uma playlist no spotify. Vocês podem seguir sem medo, porque eu vou pôr mais música a cada capítulo solto hehe

Não é à toa que tô postando tão tarde, decidi fazer isso agora ~ bem cara de pau u.u

Boa leitura!! 

Capítulo 5 - Chapter IV - R


Fanfic / Fanfiction Stitch Boy - Yeonbin - Capítulo 5 - Chapter IV - R



[13/09/18] ~ quinta-feira





Pular da janela do banheiro da boate é uma decisão bosta.

Cheguei a essa conclusão quando percebi o rasgo enorme na minha calça, bem em cima do joelho, e principalmente o ralado feio naquela pele de bebê.

Se eu disser pro fotógrafo que virei adepto à burca, ele acreditaria em mim?

Tipo, ser modelo exige muitos cuidados, o que é o completo oposto do que um aniversário de vinte pode proporcionar.

Eu tô muito ferrado.

Nesse momento, julgando pela posição da lua e o ângulo que ela faz com as estrelas, estou em algum horário desconhecido, mas ainda é noite.

Isso seria um bom sinal se eu não estivesse perdido e no auge da euforia provocada pelo álcool.

Sério, essa rua está deserta e eu não consigo parar de girar nesse poste solitário.

Ele fica num quadradinho separado de todos os outros, no centro de uma rotatória, impossível não simpatizar.

— Vai ficar tudo bem, eu tô aqui com você. — Essas frases desconexas saíam da minha boca como se eu estivesse dizendo algo tão importante quanto o discurso icônico do Martin Luther King.

Qual é!

Até Srta. Kim tem histórias de bêbada. Como posso dizer que vivi com orgulho se nunca flertei com um poste de luz na vida?

Bom, eu pensei assim até que dormi.

Sim, o idiota aqui se agarrou de jeito naquele pedaço de metal gostoso e apagou.

Por sorte, estava no distrito B. Não quero nem saber o que poderiam ter feito comigo se eu estivesse no J, embora houvesse a possibilidade de algum mendigo de lá sentir pena de mim e me acordar.

Pode ser apenas preconceito meu, mas fui criado para acreditar nisso.

O distrito dos marginais não é lugar para alguém como eu se perder. Lá, vivem todos que não se encaixam na sociedade.

Normalmente, tenho sono pesado, mas, talvez pelo efeito da bebida, estava tendo um sonho esquisito, um em que Taehyun se tornou a Barbie e Kai tentava sequestrá-lo, enquanto eu era espancado por um limão gigante.

Acho que esse é aquele momento da vida em que questionamos as nossas decisões e percebemos que fizemos muita merda.

Acordei.

As luzes ainda giravam à minha volta, talvez mais que antes, mas reconheci que ainda estava escuro.

Porra!

Quando que eu vou fazer vinte anos e um dia? Não aguento mais essa cabeça de vento.

Então, só para sacanear mais com o meu estado, meu novo namorado achou que era uma boa hora para começar a falhar.

De repente, estava imerso por um breu terrível e meus outros sentidos decidiram fazer a festa sem a minha permissão.

Tá frio para um senhor caralho, minha barriga não para de roncar, sendo que eu ainda estou enjoado. E, de quebra, dei-me conta do desagradável cheiro de mijo vindo do poste.

Com voz de choro, iniciei aquela difícil conversa:

— Sinto muito, vamos terminar. Não sou eu, é você. — Disse, lágrimas incoerentes escorriam dos meus olhos ao me levantar e sair andando hesitante, mais uma vez sem rumo.

Eu cambaleva para esquerda até quase cair, aí recuperava o equilíbrio e começava a tombar para a direita.

Foi assim até o ponto de ônibus.

Nisso, meu breve romance proibido foi facilmente esquecido.

Pelo horário, que julgo ser bem adentro da madrugada, não havia ninguém sentado comigo.

Por isso, usando toda a minha lógica de bêbado, comecei a cantar a música tema do novo dorama de sucesso a plenos pulmões, crente que estava fazendo o maior show para os gnomos daquela casa de luzes apagadas e tintura vibrante que ficava de frente para o ponto.

O rabugento piscou pra mim?

Quando terminei, estava prestes a fazer um bis, mas fui interrompido pela vinda de um ônibus noturno.

É claro que eu subi.

Dessa forma, meti o pé para qualquer lugar, deixando para trás o celular no vibratório que abandonei no banco.

Juro que sou uma pessoa inteligente, é feio julgar alguém que não está em condições de raciocinar direito.

Incrível como meus sentidos estavam servindo para tudo menos para a merda das ligações incessantes do Kai.

Esse puto ainda vai ficar me devendo uma ida pra casa de liteira, já que eu perdi a oportunidade hoje.

Sabe quando você senta na janela do ônibus, tem uma garoa fina caindo lá fora, e tudo se parece com o clipe da Selena Gomez, em que ela passa quatro minutos e vinte e quatro segundos sofrendo um amor emo infernal?

Então, eu definitivamente não sou uma dessas pessoas.

Abri a janela e senti as gotas d'água encharcando meu cabelo e espalhando a tinta néon pela bagunça que era meu rosto.

Havia respingos de laranja, azul e rosa na minha camisa social branca. E eu estava achando super divertido de contar quantos eram. Só que ficava confuso em alguns degradês aleatórios de tinta misturada e me perdia inteiro.

Não sei quanto tempo se passou, mas a feição cansada do motorista era um aviso, provavelmente.

— Chegamos ao terminal, garoto. Precisa descer aqui. — Informou, bocejando ao final.

Ri sem ter achado graça de nada e fui embora, esquecendo as boas maneiras de agradecer ao senhor.

Bom, eu mandei um beijo no ar para ele, acho que é o suficiente.

Se já estava perdido antes, agora que não sabia mesmo onde estava.

O terminal era uma casa de banho desgastada, o que estranhei muito. Parece que finalmente estou ficando minimamente sóbrio.

Meus olhos pesavam, já não aguentando mais se manterem abertos.

Caralho! A sobriedade me trouxe uma questão muito importante:

Onde eu vou dormir essa noite?

Sério, tem um relógio cuco na frente do estacionamento vazio e tá marcando três da manhã ainda.

Suspirei.

Queria meter a porrada no Yeonjun do passado. Ou, pelo menos, não ter desviado do soco do garoto de cabelos verdes.

...

Ou não ter pulado a janela, acho que esse é o tópico principal, meu joelho ardendo que o diga.

Novamente, minha caminhada sem rumo me levava a pensar em possibilidades que eu jamais consideraria há algumas horas.

Olhei para o céu, pedindo iluminação divina.

Só assim para eu criar juízo.

Por fim, avistei uma placa de pare. Sei que ela é só pra carros, mas não pude deixar de obedecê-la quando vi uma bifurcação.
No centro, indo reto, uma praça infantil aparentemente abandonada.

Não saberia disso agora, mas a única decisão boa que tomei essa noite foi escolher aquele banco de madeira molhado para dormir, perto da caixa de areia.

Pelo menos, terei uma boa história para contar no dia seguinte.

Já tinha esquecido de todos os pormenores, como o medo, o frio ou a fome. Dessa forma, deixava minha consciência se esvair lentamente.

E então, duas mãos enormes puxaram meus tornozelos bruscamente e eu senti meu corpo se arrastando suavemente.

— O que está fazendo? — Questionou uma voz masculina rouca e sussurrada.

O barman.

Me esforcei para focar minha visão nele e em nosso ambiente.

Esse filha da puta lindo usava seu uniforme usual e ainda tinha a máscara simples cobrindo metade de seu rosto.

Olhei ao redor.

Tudo bem, de alguma forma, eu não estava mais no banco.

— Como eu vim parar no escorrega? — Ri de mim mesmo, não ligando tanto para a resposta.

Acho que ele entendeu tudo nesse momento.

Com seu sorriso de canto característico, comentou despreocupado:

— É verdade, seu aniversário foi hoje, imagino que finalmente conseguiu a bebida que queria. — Fez piada, embora estivesse me ajudando a sair do brinquedo com muita gentileza.

Ri à toa, como fiz a noite toda.

— Não a que eu queria, mas era alcoólica sim. — Se eu flertei com um poste de luz, nada me impede de fletar com um homem que já me atraía.

Ele não disse nada, mas sei que entendeu que me referia à bebida que ele poderia ter preparado para mim.

— Está bem longe de casa, baixinho. O que faz sozinho no J uma hora dessas? — Perguntou calmo, rodeando meu pulso com sua mão quente e me guiando até o banco.

Já tinha parado de chuver há um tempo e, quando me deitei a primeira vez, ficou apenas úmido. Ainda assim, fico impressionado em como meu estado ébrio pode ser adaptável.

Sentei lá da maneira mais confortável que pude e pensei no que dizer.

Seria estranho contar a história do garoto de cabelos verdes, não é?

Com um excesso de gestos exagerados, tentei explicar.

— Aconteceram algumas coisas na boate, o Kai estava amarrando o Taehyun na cadeira. Aí, eu pulei da janela e pensei: "Seja bem-vinda, maioridade". Só que o poste de luz estava sozinho e eu chorei, mas o mijo me irritou e eu peguei o ônibus da Selena Gomez. — Terminei, a expressão séria de quem contou algo muito importante. — Entendeu?

Ele me encava com olhos divertidos, absorvendo as informações loucas que joguei nele.

— Acho que peguei a essência da história. — Respondeu depois de um tempo, apoiando a cabeça em seu punho. — Em resumo, alguém batizou a sua bebida e você não percebeu. — Ergueu a sobrancelha exposta, sugestivo.

Agora que ele disse isso... Eu sou uma anta.

Não acredito! Até que meu comportamento era psicodélico demais para ser apenas de um bêbado incoerente. Como não percebi isso antes?

Ri.

— Isso, isso mesmo.

Pela sua cara, estava escrito em sua testa o que ele achava de mim naquele momento.

Inacreditável.

Suas palavras foram a prova disso.

— Você é a pessoa mais estranhamente fofa que já conheci. — Usava o tom de uma pessoa surpresa, mais jovial que seu costumeiro sussurro inebriante.

Admito que corei.

Abaixei um pouco meu rosto, sorrindo.

Já recebi todo tipo de elogio antes, afinal, além de herdeiro, também sou modelo.

Mas, ninguém nunca me chamou de estranho antes. E, de alguma forma, foi mais especial que dizer que sou o homem mais lindo que já viu.

Vendo meu jeito encabulado, sorriu me acompanhando e levantou.

— Vamos. — Comandou.

Vendo meu semblante confuso, ergueu uma das mãos em minha direção.

— Vou te abrigar essa noite. — Disse, sem rodeios.

Abri a boca pra dizer algo, tentando pensar em uma desculpa. Eu tô afim dele, isso é nítido, dormir na casa dele definitivamente não é algo inteligente a se fazer nessa situação.

Mas, desviei o olhar para o banco frio.

Determinado a me esforçar para não passar vergonha, aceitei aquela mão.

— Obrigado. — Temos de ser educados com o crush, certo?

Mentira, tem de ser educado com todo mundo. Digam não à discriminação.

Ele me guiou por algumas ruelas e eu já não sabia como voltar ao ponto de partida.

Quando me disseram que o distrito J cresceu descoordenado, eu não acreditei. Só vivendo para entender a quantidade de beco e rua sem saída que a gente passou.

Por fim, chegamos a um lugar conhecido.

— Freedom? Por que me trouxe aqui? — Havia uma pitada de pânico na minha voz, não é como se eu pudesse confiar minha vida a um homem que não sei sequer o primeiro nome.

De costas para mim, ele respondeu:

— Eu moro no apartamento dos fundos, no segundo andar. É um quartinho pequeno, mas confortável.

Não sei descrever o sentimento que havia em seu tom, uma espécie de tristeza saudosista talvez.

Realmente, há muitas coisas que eu não sei sobre ele. Uma figura enigmática que eu não tinha a menor vontade de me afastar.

Apertei mais sua mão, torcendo para ele não perceber que ela tremeu levemente.

Lá dentro, o barman indicou uma porta discreta atrás do bar e entramos.

Confortável?

Esse lugar é um cubículo.

Era um total de dois cômodos, sendo um deles o banheiro, e uma sacada que só cabe uma pessoa e uma planta.

Às vezes, a percepção de que alguém levou uma vida completamente diferente do meu mundinho me espanta.

Todos os meus amigos têm dinheiro e não conheço um, incluindo Kai e Taehyun, que aceitaria dormir num lugar desses sem um bom escândalo primeiro.

Decidi ser diferente deles.

Ele disse que sou estranho, certo? Tenho que fazer valer.

Pensando dessa forma, tentei olhar por outro ângulo. Algo naquele "apartamento" gritava independência, juventude e, principalmente, personalidade.

Tomei uma ducha rápida, como ele me instruiu, e vesti uma roupa sua, que ficou o dobro do meu tamanho, apesar de confortável. Tinta néon nunca mais, dá um trabalho desgraçado.

Mais à vontade, passei os olhos por tudo que pude, enquanto ele tomava seu próprio banho.

Havia uma cômoda de estudos extremamente organizada, sem um único grão de poeira. Em cima dela, livros avançados de matérias complexas faziam uma fileira separada por tema, seguindo a ordem do papel colado à parede, que o lembrava do que revisar todos os dias.

Sempre tive a impressão de que o barman era uma pessoa inteligente, mas há muitos tipos de inteligência e, com toda a certeza, não achei que a acadêmica fosse ser uma delas. Fiquei até envergonhado por minhas conclusões precipitadas.

Fora isso, percebi que ele é muito bom aproveitador do espaço. Num canto, ele parece ter desistido do fogão por um armário baixo para guardar panelas e potes, pondo um fogareiro de duas bocas em cima para cozinhar.

Não tinha nenhuma pia, mas o tanque tinha uma xícara de café dentro, então acho que ele o usa para a louça.

Sem fotos, sem mesa.

Qualquer um diria que ele, ou é muito frio, ou é minimalista.

Contudo, não consigo imaginar que alguém que guarda uma coleção de discos de vinil com tanto zelo seja algum dos dois.

Tinha uma estante separada apenas para eles, todos limpos e parecendo novos.

Essas coisas são caras, pelo que me lembre. Será que ele salva uma parte do salário só pra isso? Deve ter algum valor sentimental.

Nunca tive um grande interesse por música, por isso não sei muito. Tive aulas de vários instrumentos ao longo da vida, só que meu talento era unicamente voltado para a destruição deles. Por sorte, meu pai me ouviu tocar um violino por volta dos meus treze anos e desistiu dessa ideia louca.

Agora, gostaria de ter prestado um pouco mais de atenção sobre as lições que recebi. Ao menos, saberia que gêneros são esses.

— Elvis.

Levei um pequeno susto. Atrás de mim, o barman tinha acabado de sair do banho, já vestido em um moletom cinza largo. Dessa vez, uma máscara que escondia todo o seu rosto não me deixou aproveitar a oportunidade de estar em um lugar minimamente iluminado.

Ele veio andando até mim e parou atrás do meu corpo, deixando-me cada vez mais tenso.

Seu peitoral não encostava em mim, mas podia sentir o leve balanço no ar, provocado pelo movimento de sua respiração, assim como o hálito quente bagunçando o topo da minha cabeça.

— O quê? — Questionei, completamente fora de órbita.

Ele riu soprado, a risada sem som mais graciosa que já presenciei.

— Não conhece? Elvis Presley, o rei do rock. — Indicou alguns dos discos com o queixo.

Neguei com a cabeça, com sono demais para lembrar dessas coisas.

Fiz um muxoxo manhoso involuntário e minha cabeça pendeu um pouco para o lado.

Vendo isso, ele segurou em meus ombros com delicadeza e me guiou lentamente até a cama.

— Bons sonhos, stitch boy.

Não sabia o que ele queria dizer com isso, porém não questionei.

O colchão um tanto duro e o travesseiro velho eram convidativos demais para me fazer pronunciar algo.

Algo incomodou minha nuca e eu fui ver o que era.

Embaixo da fronha, tinha um livro todo estraçalhado: a lateral se desfez; a contracapa seguiu seu destino; e a capa, por sua vez, continuava firme, apesar das letras gastas serem impossíveis de ler. As páginas dele eram amareladas e meio amassadas, porém ainda dava para entender o título na primeira.

Frankstein.

Um gosto peculiar e questionável. Sorri com esse pensamento e fechei os olhos para dormir, imaginando qual seria sua reação se soubesse que amo histórias de terror.

Bom, tentar dormir.

A fumaça vinda do lado de fora não permitiu.

Cerrei as pálpebras, capturando sua figura descontraída olhando o céu nublado da sacada, a bituca de um cigarro aceso entre os dedos e um pequeno regador para o seu cacto.

Sem máscara, só que de costas.

— Argh! Você fuma? — Não queria parecer infantil, mas acho que foi assim que soou, não sou muito bom de esconder meus sentimentos.

Ele guardou o regador ao lado do vaso e apagou o cigarro no cinzeiro, sem alterar seu humor tranquilo.

— Desaprova? — Questionou, como se me desafiasse a dizer que sim.

Não o respondi apropriadamente.

— O cheiro me dá vontade de espirrar, é bem esquisito.

Não tinha nada a ver com suas escolhas e também não fazia a menor noção de seu passado. Quem sou eu para julgar um jovem fumante morador de um cubículo?

Ele entrou de novo, pondo sua barreira facial, e fechou a porta da sacada.

Sem aviso prévio, o barman me encarou e eu me escondi embaixo do lençol, não conseguindo sustentar um mísero olhar.

Fiquei ali um tempo, apenas ouvindo o som abafado de seus passos e o que pareceu algo pontiagudo arranhando outro objeto.

De repente, fui agraciado por uma batida em conjunto de um piano suave. Não sabia o que era, mas dava a impressão de filme antigo, aquelas cenas de um momento íntimo e fofo de um casal ou um bando de crianças rindo e correndo, sendo amigas.

E, então, uma voz grossa tomou conta do ambiente. O cantor nem tentava disfarçar seu timbre grave, como é tão comum encontrar por aí. Ele abraçava sua característica com bastante graça. Uma música de amor suave.

Abaixei um pouco do lençol, o suficiente para ele ver meus fios azuis e meus olhos curiosos. As mãos apertavam o tecido, não o deixando passar da altura do meu nariz pequeno.

O barman havia se sentado no chão, apoiando suas costas na parede e o braço esquerdo no joelho dobrado, enquanto a outra perna estava estendida e o pé balançava no ritmo da música.

Como sua máscara cobria todo o rosto, não podia ver, mas assumi que estava sorrindo pela forma como sua íris brilhava de forma inocente.

Ele apontou para a vitrola em cima de um pano velho ao seu lado.

— Stitch boy, diga olá ao Elvis. — Riu, assobiando em harmonia com a música.

Se notar o que mais se repetia no refrão, seu nome devia ser Can't Help Falling In Love. Parecia uma gentil insistência do fraseado, quando se declara com frases rebuscadas o que se podia dizer simplesmente em poucas palavras.

Um bom jogo para descrever um sentimento idiota que todos sentem e que ninguém pode falar mais do que indescritível.

Encabulado, encolhi-me na cama e trouxe meus joelhos até a barriga, ainda mantendo o lençol bem enrolado em meu corpo.

Em um tom baixo, para não atrapalhar seu apreço aparente pelo som, perguntei sem jeito:

— Por que fica me chamando assim? — Minha voz saiu mais sonolenta que o esperado, mas está valendo.

Ele soltou uma daquelas onomatopeias de quando estamos pensando numa resposta e só fazemos esse som para ocupar o tempo.

Hmm.

— Você... é... — Estava pausando demais, quase o interrompi. — Igualzinho ao alienígena azul daquele desenho da Disney da década de 2000. — Finalmente concluiu.

Isso eu já tinha entendido pelo apelido, queria saber o que ele viu de semelhante.

Abri a boca para protestar, entretanto sua fala continuou e eu me atentei à sua explicação.

— Eu gosto muito daquele desenho, tenho algumas fitas dos filmes debaixo da cama. E, sei lá, sempre me identifiquei com a Lilo, ela é a personagem mais sensacional de tudo que já vi. — Engoliu em seco, arranhando a garganta. — Ver você e conhecer um pouco da sua personalidade me fez perceber que sempre estive em busca de um stitch também. Ela é solitária como eu, mas realmente se diverte com ele. Acho que o fato de você ser esquentadinho, pequeno, fofo e briguento me deu esperanças de uma possível amizade. — Disse, parecendo menos despreocupado que antes, enquanto abria o jogo pra mim. — E você precisa de um apelido para frequentar o Freedom, eu só tive a ideia e saiu, desculpa. — Completou rápido, sem jeito.

Admito que isso me despertou um pouco e também me deixou sem graça.

Vamos nos dar bem. Seu pai é sócio do meu.

Esse tipo de memória desnecessária foi completamente sufocada em apenas um segundo. Esse foi o efeito que ele me causou.

E eu gostei disso.

Só não me conformei com uma coisa.

Eu não queria sua amizade.

Pelo menos, não somente ela.

Tudo naquele cubículo era tão explicitamente o coração e a mente daquele homem. O que eu queria era conhecer mais disso.

Mais dele.

Então, sem outras opções, decidi começar de baixo.

Sem ser apressado. Sem contar com o meu sobrenome pra conseguir algo a mais.

Com muita vergonha e uma dose de coragem, disse:

— Pode me chamar assim se quiser.

E me escondi embaixo do lençol novamente, incapaz de permitir qualquer contato visual.

Assim foi a madrugada do meu aniversário.

Enfiado em uma montoeira de tecido, no andar de cima de um bar do distrito J, acompanhado de um homem doce e misterioso.

Bem melhor que o plano original de ser carregado pelo Kai.





Sinceramente, foda-se o poste de luz.






Notas Finais


Obrigada por ler!! >.<

Gente, eu gostei muito do trailer, não me deixem sozinha nessa kk

https://youtu.be/GIJ8TBssQao

E a playlist da fic é essa aqui:

https://open.spotify.com/playlist/0GjdIW8ZphmDG52oEvzPdj?si=GHbMM3oyRdCF0TMPoRS4ig

Essa explicação do nome foi meio nhé, mas achei o ideal kk

A propósito, será que alguém já consegue adivinhar qual é a palavra/frase que as letras dos títulos dos capítulos formam?? :o

Edit: GENTE, e esse comeback??? Tô chocada, falecida, teorizei tudo errado, enfim kk surto ಥ_ಥ

Beijinhos, ohana!! :3 :3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...