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História Stockholm Syndrome - Capítulo 4


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Notas do Autor


Olá, terráqueos! Literalmente depois de anos retorno ao site com o propósito de retomar a escrita. Espero que alguém ainda por aqui possa ler e acompanhar.
Capítulo inspirado em Would? - Alice in Chains, recomendo lerem e ouvirem. Um beijo a todas!

Capítulo 4 - 4. Would?


4. WOULD?

BERGUEN — NORUEGA

1 ANO ANTES

Acordei em um solavanco, sobressaltando em cima da cama da qual eu estava deitada. Por breves instantes, pensei de fato estar na cama do albergue do qual estive hospedada pelas últimas horas. Contudo, ao olhar ao redor, entendi que estava bem longe do albergue, e também de casa.

As paredes de concreto que me cercavam eram de uma grossura que possivelmente mãos humanas não seriam capaz de derrubar, não haviam janelas e nem piso. Era como uma caixa de cimento e eu estava presa dentro dela. De móveis, havia apenas a cama de solteiro da qual eu repousava alguns instantes atrás e uma mesa de madeira maciça com apenas uma cadeira solitária. Senti como se estivesse em algum tipo de prisão de segurança máxima.

Haviam duas portas: uma de madeira e outra de aço. Por curiosidade, levantei-me com as pernas trêmulas e no instante em que meus pés descalços tocaram o chão gélido, senti um arrepio percorrer minha espinha. O que diabos estava acontecendo?

 Minhas mãos tremiam e meu estômago revirava. Minha cabeça doía como se eu tivesse tomado uma pancada de um taco de baseball, maldita ressaca!

Espera...ressaca?

— Eu estava no bar... — Murmurei, esfregando os olhos, enquanto dava passos cautelosos em direção a porta de madeira. — E o que houve depois? Pense, Elizabeth, pense!

 Cautelosamente girei a maçaneta, sentindo todo meu suco gástrico dando voltas por meu sistema digestivo. Era apenas um pequeno banheiro, com um vaso, um chuveiro e uma pia. Nada demais, afinal.

— Que porra é essa? — Indaguei, completamente sozinha.

De repente, como um estalo, minha memória se acendeu. Claro como a luz do dia, recordei estar sentada no bar, bebendo vodka pura e gelo, um tremendo erro, se querem saber. O rapaz estranho que conheci no ônibus no outro dia, apareceu por lá. E enquanto conversávamos, eu estava completamente bêbada.

— A água tônica, cacete! — Berrei, dando um tapa em minha própria cabeça. — O filho da puta me dopou!

Imediatamente fiz um check-up de meu próprio corpo. Verifiquei se estava com todas as peças de roupa que vestia durante a noite e, com exceção dos sapatos, eu estava completamente vestida. Senti meus olhos marejarem em puro desespero. 

Aonde diabos eu estava? Quem é aquele cara, afinal? Ele quer traficar meu corpo, meus órgãos ou é um maníaco sexual? Por Deus, aonde foi que eu me meti?

— Porra, eu nunca bebi nada de estranhos, o que deu em mim?! — Perguntei para mim mesma, andando de um lado para o outro enquanto tateava os bolsos, inutilmente tentando encontrar meu celular.

Eu queria desesperadamente ligar para minha mãe. Ou para Matthew. Por que eu tinha de ser tão teimosa?

As lágrimas escorreram sem minha permissão. Meu coração palpitava e meu corpo simplesmente deixou de responder meus comandos quando finalmente me dei conta do que estava acontecendo. Como eu sairia de lá, quem era aquele cara?

Levando em consideração a grossura das paredes deste cubículo, gritar soaria inútil. Mas eu o fiz. Gritei a plenos pulmões por socorro, sentindo meu rosto arder enquanto as forças se esvaíam de minhas cordas vocais. Cai de joelhos no chão e supliquei, enquanto chorava.

— Por favor, Deus, não deixe que eu morra aqui. Eu fui burra, me perdoe. — Pedi aos céus, reunindo toda a fé que podia carregar em minha alma. E eu nem sou tão religiosa assim.

Ouvi o som de chaves balançando em direção da porta de aço em frente a cama, me fazendo recuar ainda mais contra a parede gélida da qual estava recostada. Agarrei as pernas e tentei me esconder da pessoa que estava abrindo a maldita porta. A esta altura, eu apenas arfava e chorava. Queria fechar os olhos e escolher sumir da face da terra naquele momento.

Finalmente a porta se abriu após longos segundos que mais pareciam a eternidade. Diante de meus olhos estava ele, o rapaz da noite anterior, Brian. Ele carregava consigo uma bandeja que fez meu estômago roncar de fome assim que o cheiro de comida fresca atingiu minhas narinas. Há quantas horas eu estava lá? Ainda era noite ou dia?

Observei rapidamente seu semblante e ele estava calmo, as sobrancelhas levemente franzidas ao me ver encolhida no canto do quarto, se é que posso chamar assim. Seus lábios finos ergueram-se minimamente em uma espécie de sorriso amigável, me fazendo rogar mentalmente por todos os santos que eu conhecia.

Todas as histórias que escrevíamos na época da faculdade, no trabalho do jornal e que ouvíamos na boca de colegas pareciam irreais e até impossíveis de acontecer no dia-a-dia, até estar vivenciando uma. Era surreal aquele instante, como se meu corpo estivesse presente mas conscientemente eu sabia que era um filme de terror real.

Ingenuamente, me deixei embebedar junto de um completo desconhecido e aceitei um copo oferecido por este. Sozinha em uma cidade desconhecida, irrastreável e agora trancafiada em uma jaula.

— Você está tão pálida que parece que viu um fantasma, Helena. — Sua voz rouca ecoou por meus ouvidos, silenciando meu soluço de imediato. O pranto insistente que teimava em molhar meu rosto permaneceu, silencioso e reconfortante.

Franzi o cenho inconscientemente. Quem é Helena?

— Você precisa comer algo, está sem se alimentar há algumas horas. Preparei um risoto de cogumelos para você e um filé mignon ao ponto para acompanhamento. Posso te servir uma taça de vinho, também. Mas não acho que seria apropriado, você bebeu demais ontem a noite. — Ele riu minimamente, como se tivesse dito algo engraçado. Eu permaneci paralisada e incrédula.

Ele depositou a bandeja sob a mesa de madeira, sem tirar as enormes órbitas castanhas de mim. Parecia confiante e muito cheio de si, como se soubesse o que estava fazendo.

— Eu moro aqui em cima. Na verdade, minha sala de estar está em cima de você. — Ele apontou para o teto, erguendo o braço lotado de tatuagens. — Eu sei que parece assustador, mas você irá se acostumar. Não se preocupe em gritar, está bem? Você precisa recuperar as forças e perder o fôlego assim não é bom. Adianto desde já que ninguém pode ouvi-la, há um isolamento acústico justamente para evitar esse tipo de inconveniência.

O ar sumiu de meus pulmões repentinamente enquanto eu ouvia aquelas palavras. Aparentemente, seria algo...permanente?

— Sei que você está confusa e assustada, mas as coisas irão se explicar naturalmente. O meu nome é Brian, Brian Haner, caso não se recorde. Não se desespere, tudo vai ficar bem. Prometo que não vou lhe fazer mal algum. — Ele explicou, provavelmente vendo a confusão estampada em minha face. Ele simplesmente não calava a boca e agia de maneira cordial, como se estivesse usando sua hospitalidade com um hóspede.

Havia classe em suas palavras e em seus gestos. Era um monstro perverso mas muito bem articulado, era perceptível. 

— Eu gostaria de ir embora, por favor. — Reuni toda a coragem que restou em meu ser, murmurando de maneira vacilante. 

Ele arqueou a sobrancelha. 

— Sim, eu compreendo. Entendo que você está sem entender muito bem, mas as coisas irão se explicar. — Brian respondeu calmamente, repousando as mãos no bolsos de seu jeans surrado.

Impensadamente, ergui minhas pernas trêmulas, colocando-me de pé. Aquela altura, estava próxima de um infarto. Meu coração batia descompassadamente.

— Eu quero ir para casa. — Sibilei, diante do homem corpulento e tatuado. — Saia da porra da minha frente.

Empurrei-o com minhas mãos trêmulas, inutilmente. Ele franziu o cenho e observei, em uma fração de segundos, seus olhos castanhos escurecerem. 

Com apenas uma de suas grandes mãos ossudas com os dedos tatuados ele agarrou meus dois braços, me encarando firmemente. 

— Seja educada, Helena. Você vai sentar e comer, porra. Essa é a sua casa! — Ele vociferou, erguendo a voz que soou como um trovão.

Me encolhi diante daquele homem esquisito, contentando-me em apenas arfar enquanto as lágrimas voltavam a escorrer por meu rosto. Eu só queria que minha mãe ou Matthew pudessem me sentir, de alguma maneira, um sonho tolo de que irracionalmente pudessem me localizar. 

Brian me soltou, retomando a calma e passando as mãos no cabelo. Apontou silenciosamente para a comida sob a mesa, girando os calcanhares e saindo pela mesma porta de aço que entrara a pouco. 

Naquele momento, eu senti que jamais voltaria para casa. 

 



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