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História Strange Birds - Capítulo 3


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Notas do Autor


"... senti o gosto amargo da traição."

Capítulo 3 - Desapego


Fanfic / Fanfiction Strange Birds - Capítulo 3 - Desapego

- Espera tia! – Puxei-a pelo braço.

- O que foi?

-Como assim a senhora decidiu tudo isso sem ao menos me avisar?

-E qual o problema? Sei sobre sua admiração por Kabal, achei que ficaria feliz por isso.

De fato eu estava feliz, mas o que ela não sabia é que eu estava namorando há três meses com Philip, um rapaz dois anos mais velho que eu. Acabei o conhecendo em uma festinha promovida por uma de minhas amigas. Eu gostava muito dele e me apaixonei de verdade quando ele, pelo menos era isso que eu pensava.

Mas como eu o avisaria? Como faria para encontra-lo pela última vez pelo menos? Digo com sinceridade que nunca me apeguei a ninguém, sempre achei babaquice esse negócio de namoro, casamento... Mas com Philip foi diferente, eu me apaixonei mesmo por esse cara.

- Sim não vou negar - respondi tirando as cobertas das pernas -  estou feliz por isso.

Leda, minha tia, deu um sorriso e disse antes de fechar a porta:

- Vou fazer um lanche para nós.

Em seguida a porta se fechou e lá estava eu sozinha.

A decisão de minha tia me deixou feliz, perplexa e angustiada ao mesmo tempo. Era muito difícil nós conversarmos e a revelação que ela me fizeram sobre não estar pronta para cuidar de mim quando eu era pequena me fez refletir que realmente eu não conhecia Leda, pois ela nunca fez nenhum tipo de desabafo sobre esse assunto.

Resolvi me levantar, arrumei as fotos e coloquei em uma caixinha de alumínio que ficava em uma estante próxima da minha cama, depois comecei a pensar em uma estratégia para falar a Philip sobre a decisão que a minha tia tomou com relação ao meu destino. Não tinha ideia como ele reagiria, mas eu precisava contar a ele. Comecei a estudar uma fórmula para ir ao telefone e lhe dar a notícia a ele de uma forma rápida. Era estranho eu ter que terminar um namoro assim tão de repente, mas as dúvidas começaram a me rodear. E se eu voltasse? Se eu encontrasse Philip com outra? Eu havia me apegado a ele, algo que eu não esperava. Senti um aperto em meu coração, pois eu não poderia demorar em falar para ele.

Fui para a cozinha descalça, para nãoo fazer barulho e vi que minha tia estava bem distraída fazendo o café. Furtivamente eu fui ao telefone e disquei rapidamente o número da casa de Philip, orando para que minha tia não aparecesse na sala. Por sorte ele logo atendeu.

- Acho que te acordei né - perguntei.

- Estava lendo e acabei pegando no sono. Você não é de me ligar. O que houve?

Eu pretendia enrolar um pouco para dar a notícia, mas Philip conseguiu perceber o tom vacilante de minha voz, eu sentia isso. Respirei fundo e comecei a contar sobre o assalto que houve no mercadinho.

- Mas pelo menos tua tia conseguiu tirar você de lá não é? – ele perguntou esperançoso.

Antes fosse.

Engoli seco, aquela era a hora de falar.

- Bom eu queria que ficasse por isso mesmo, mas não ficou.

- O que quer dizer?

- Eu vou embora. Vou morar com meu primo.

Ouvir o silêncio do outro lado da linha me fez ficar com um pouco de preocupação. Acabei perguntando:

- Philip você está aí?

- Sim estou. Aqui estou tentando processar a ideia.

- Imagine como eu estou.

- Mas você sabe onde ele está agora? Pelo que você me fala esses caras não ficam em um lugar fixo.

- Ainda vou conversar com a minha tia, vou perguntar como será tudo isso.

- O que você pretende fazer? Precisamos nos encontrar essa noite.

- Eu sei, mas acho e não será tão fácil assim.

Philip fez uma pausa e perguntou:

- Que dia sua tia vai à igreja afinal?

- Acho que hoje ela vai.

- Então eu posso ir aí para te ver. O que acha?

Respirei fundo, dei mais uma olhada em direção a cozinha para ver se minha tia estava vindo, mas eu não conseguia ouvir nada que desse algum indício. Voltei a atenção a Philip e disse sorrindo:

- Pode ser.

Não era uma má ideia. Por mais que tivesse vizinhos fofoqueiros eu não precisava mais me importar com eles. Eu iria embora mesmo.

 Combinamos de nos encontrar ali mesmo na minha casa. Esperava que minha tia não chegasse mais cedo.

- Qualquer coisa eu deixo você avisado – falei desligando em seguida.

De repente Leda apareceu na sala e ao me ver perto do telefone perguntou com as mãos na cintura:

- Estava falando com alguém?

Engoli seco e prendi a respiração por alguns instantes pensando no que eu responderia.

- Liguei para um amigo – falei num sorriso amarelo.

Ela cruzou os braços num olhar desconfiado e disse:

- Vamos, o lanche está pronto.

Anui com a cabeça e fui atrás dela soltando a respiração com alívio. Acho que ela não ouviu a conversa.

O lanche foi desfrutado com gosto. Minha tia comeu em silêncio sem me olhar, era assim praticamente todas as vezes. Acabávamos por não querer puxar assunto algum, sempre. Mas dessa vez eu precisava falar algo nem que fosse um Foi bom o que passamos juntas ou uma frase similar. Resolvi começar com uma pergunta:

- Já faz tempo que está pensando nisso?

- Em que?

- Me deixar ir morar com meu primo.

- Ah Stella, já faz um tempo. Eu já havia conversado com ele sobre essa possibilidade e como Kabal está de folga por esses dias vou aproveitar e deixar você com ele.

- Mas e quando ele voltar às atividades no Dragão Negro? Dependendo então tenho a possibilidade de eu voltar para cá?

Leda quase cuspiu café ao ouvir a pergunta que fiz. Colocou a xícara na mesa, olhou para mim e respondeu inconformada:

- Não estou conseguindo te entender... Afinal você gosta tanto do seu primo...

- Ai tia de novo? Eu gosto dele, mas tenho medo de não dar certo morar com ele e se…

- Vocês tem a índole praticamente igual a dele! Vai dar certinho. – disse com um pedaço de bolacha na boca.

Levei um susto ao ouvir aquelas palavras.

- Está me chamando de criminosa?

- E assalto é o quê?

- Já te disse que não…

- Já cansei de ouvir você dizer isso. – ela falou dando uma pancada na mesa com a mão - Não posso fazer mais nada por você. Já tem 18 anos nas costas e tenho certeza que você vai achar um lugar bom. Quem sabe você não se torna membro do Dragão Negro?

O que eu poderia esperar de minha tia? Era real. Leda já havia me sentenciado uma criminosa. Por mais que assumisse o erro de não ter me dado uma boa educação, não se importava mais com o meu destino.

Leda se levantou deixou o copo sujo na pia e foi para o quarto. Eu  só fiquei a observar os movimentos dela. Eu deveria ter feito algo muito pior do que pequenos furtos. Ela merecia ser envergonhada diante de toda a vizinhança.

 

Desde a hora do café eu e minha tia não trocamos uma palavra, ficando eu no quarto lendo um livro que estava em minha estante. De repente minha tia entra no quarto e avisa que vai à igreja.

- Vai demorar?

- Não tenho certeza.

- Tudo bem.

Deu uma última olhada para mim e fechou a porta. Eu podia ver nos olhos dela a alegria que tinha em saber que vai se livrar de mim.

Em seguida fui logo no telefone para falar com Philip.

- Philip!

- Quem está falando? – uma voz feminina perguntou.

Fiquei assustada e uma dor tomou conta de meu peito. Engoliu seco e perguntei:

- Philip está aí?

- Ele está dormindo. Quer deixar recado?

Meu rosto queimava, não sabia se perguntava ou não. E se for alguma parente? Para não restar dúvidas perguntei:

- Desculpa a pergunta, mas quem é você?

- Por que quer saber? – a garota finalizou com uma risadinha cínica que me irritou profundamente.

Então ouvi a voz nítida de Philip bem melosa atrás dizendo:

- Vem logo, Cass.

Respirei fundo e desliguei o telefone na cara dela. Eu já estava numa pilha de nervos só em ouvir uma voz feminina junto com ele e a forma como Philip estava falando com ela... eu já tinha entendido tudo.

A única coisa agora que me restava era deitar em sua cama e esperar Leda chegar para me ajudar a arrumar as malas. Não vou negar, eu chorei, chorei muito. Eu achava que Philip era o cara certo pra mim, senti o gosto amargo da traição. Que sentimento horrível! 

Por mais que estivesse doendo dentro de mim eu percebi que fora melhor assim, apesar da dor que invadira o meu peito.


Notas Finais


Mais uma pancada Stella levou do destino. Não basta tantas dores que a coitada já sofreu, ainda mais essa. Mas será que ela foi mesmo traída? O que vocês acham?

Espero vocês no próximo capítulo.
Bjs!


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